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quinta-feira, 30 de julho de 2015

Tema de redação – UERJ – 2011

Tema de redação – UERJ – 2011

Texto I

O sobrevivente

Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade.
Impossível escrever um poema – uma linha que seja – de verdadeira poesia.
O último trovador morreu em 1914.
Tinha um nome de que ninguém se lembra mais.
Há máquinas terrivelmente complicadas para as necessidades mais simples.
Se quer fumar um charuto aperte um botão.
Paletós abotoam-se por eletricidade.
Amor se faz pelo sem-fio.
Não precisa estômago para digestão.
Um sábio declarou a O Jornal que ainda falta
muito para atingirmos um nível razoável de cultura.
Mas até lá, felizmente, estarei morto.
Os homens não melhoraram
e matam-se como percevejos.
Os percevejos heroicos renascem.
Inabitável, o mundo é cada vez mais habitado.
E se os olhos reaprendessem a chorar seria um segundo dilúvio.
(Desconfio que escrevi um poema.)

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE - Nova reunião: 19 livros de poesia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1985.

Texto II


Texto III

Um futuro sombrio

            No romance Fahrenheit 451 (1953), Ray Bradbury imagina um futuro sombrio no qual os bombeiros se dedicam não a apagar incêndios mas sim a queimar livros, especialmente de ficção. Segundo o romance, como se chegou a esse futuro?
            À proporção que a chamada vida moderna se acelerou, os livros se reduziram primeiro a breves resumos de poucas páginas, depois a emissões radiofônicas de quinze minutos, por fim a no máximo dez linhas em um dicionário. As universidades pararam de produzir professores. Em todos os lugares, espalharam-se “joke-boxes”, ou seja: caixas de música que, em vez de tocar música, apenas contam piadas. A palavra “intelectual” se converteu em um xingamento.
            Como as casas não pegavam mais fogo, os antigos bombeiros passaram a ter o trabalho de queimar todos os livros do mundo. Junto com os livros, eles agora queimam também as pessoas que não desistem de ler. Um bombeiro chamado Montag, porém, lê os livros que deveria queimar. Quando chega a vez de queimarem os seus livros e a ele mesmo, consegue fugir. Na fuga, Montag encontra várias pessoas que vivem nas florestas como nômades, ocupando-se em guardar de memória os livros que leram. São bibliotecas ambulantes disfarçadas de mendigos.
            Um deles lhe explica no que eles acreditam: “A coisa mais importante que tivemos de meter na cabeça é que nós não éramos importantes, que não devíamos ser pedantes: nós não nos sentíamos superiores a ninguém mais neste mundo. Somos nada mais do que as capas empoeiradas dos livros, sem qualquer valor intrínseco.” Ao dizer que eles não são “mais do que as capas empoeiradas dos livros”, o homem-livro enfatiza a preocupação de guardar aquilo que torna os seres humanos melhores e maiores.
            Depois de ser apresentado a esses homens, Montag vê que a cidade mais próxima se transforma num clarão. Os Estados Unidos finalmente parecem ter sido atingidos por uma bomba atômica (a cena é imaginada quase quarenta anos antes da queda das torres gêmeas).
            Ao encontrarem os sobreviventes solitários e perdidos, os homens-livros dizem que eles estão ali para lembrar. Eis como pretendem vencer a longo prazo: de tanto recordarem, acabarão por escavar a maior sepultura de todos os tempos para nela enterrar nada mais nada menos do que a guerra. Os livros que começam a devolver às pessoas se revelarão espelhos nos quais todos podem voltar a se observar longamente.

CLÁUDIO CANO - Adaptado de http://blogderesenhas.com.br

Os textos anteriores e o fragmento de entrevista abaixo discutem problemas relacionados às formas contemporâneas de comunicação.

Em entrevista dada ao Diário Digital, o escritor português José Saramago critica o meio de comunicação virtual conhecido como Twitter*.

Diário Digital: O senhor acompanha o fenômeno do Twitter? Acredita que a concisão de se expressar em 140 caracteres tem algum valor? Já pensou em abrir uma conta no site?
José Saramago: Nem sequer é para mim uma tentação de neófito. Os tais 140 caracteres refletem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido.

http://oglobo.globo.com

PROPOSTA DE REDAÇÃO
           
            A partir da leitura dos textos e de suas reflexões pessoais, redija um texto argumentativo com no mínimo 20 e no máximo 30 linhas, em que desenvolva sua opinião acerca da ocorrência, ou não, de um empobrecimento das formas atuais de comunicação entre as pessoas.
            Utilize o registro padrão da língua e atribua um título ao seu texto.

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

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