ENEM 2015 – PROVA DE LINGUAGENS E CÓDIGOS
Questões de 96 a 135
QUESTÃO 96
O rap, palavra formada pelas iniciais de rhythm
and poetry (ritmo e poesia), junto com as linguagens da dança (o break
dancing
difundido, para além dos guetos, com o nome de
cultura hip hop. O break dancing surge como uma dança de rua.
sprays nos muros, trens e
estações de metrô de Nova York. As linguagens do rap, do break
dancing
se tornaram os pilares da cultura hip hop.
DAYRELL, J. A música entra em cena: o rap e o funk na
socialização da juventude. Belo Horizonte: UFMG, 2005 (adaptado).
Entre as manifestações da cultura hip hop apontadas no texto, o break
se caracteriza como um tipo de dança que representa aspectos contemporâneos
por meio de movimentos
A retilíneos, como crítica aos indivíduos alienados.
B improvisados, como expressão da dinâmica da vida urbana.
C suaves, como sinônimo da rotina dos espaços públicos.
D ritmados pela sola dos sapatos, como símbolo de protesto.
E cadenciados, como contestação às rápidas mudanças culturais.
QUESTÃO 97
Primeiro surgiu o homem nu de cabeça baixa. Deus
veio num raio. Então apareceram os bichos que comiam os homens. E se fez o
fogo, as especiarias, a
que explicava como não fazer o que não devia ser
feito. Então surgiram os números racionais e a História, organizando os eventos
sem sentido. A fome desde sempre, das coisas e das pessoas. Foram inventados o
calmante e o estimulante. E alguém apagou a luz. E cada um se vira como
pode, arrancando as cascas das feridas que alcança.
BONASSI, F. 15 cenas do descobrimento de Brasis. In: MORICONI, Í.
(Org.).
Os cem melhores contos do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.
A narrativa enxuta e dinâmica de Fernando Bonassi . Nele, a projeção do olhar contemporâneo manifesta uma percepção que
A recorre à tradição bíblica como fonte de inspiração para a humanidade.
B
o conceito de dever.
C resgata a metodologia da história para denunciar as atitudes irracionais.
D transita entre o humor e a ironia para celebrar o caos da vida
cotidiana.
E
QUESTÃO 98
Zero Hora, jun. 2008 (adaptado).
Dia do Músico, do Professor, da Secretária, do Veterinário...
Muitas são as datas comemoradas ao longo do ano e elas, ao darem visibilidade a
segmentos
sobre a responsabilidade social desses segmentos.
Nesse contexto, está inserida a propaganda da Associação Brasileira de Imprensa
(ABI), em que se combinam elementos verbais e não verbais para se abordar a
estreita relação entre imprensa, cidadania, informação e opinião. Sobre essa
relação, depreende-se do texto da ABI que,
A para a imprensa exercer seu papel social, ela deve transformar opinião
em informação.
B para a imprensa democratizar a opinião, ela deve selecionar a
informação.
C para o cidadão expressar sua opinião, ele deve democratizar a
informação.
D para a imprensa gerar informação, ela deve fundamentar-se em opinião.
E para o cidadão formar sua opinião, ele deve ter acesso à informação.
QUESTÃO 99
14 coisas que você não deve jogar na privada
Nem no ralo. Elas poluem rios, lagos e mares, o que
contamina o ambiente e os animais. Também deixa mais difícil obter a água que
nós mesmos usaremos. Alguns produtos podem causar entupimentos:
medicamento
e preservativo;
óleo de
cozinha;
ponta de
cigarro;
poeira de
varrição de casa;
tinta que não seja à base de água;
querosene, gasolina, solvente, tíner.
Jogue esses produtos no lixo comum. Alguns deles, como
óleo de cozinha, medicamento e tinta, podem ser levados a pontos de coleta
especiais, que darão a
MORGADO, M.; EMASA. Manual de etiqueta. Planeta Sustentável,
jul.-ago. 2013 (adaptado).
O texto tem objetivo educativo. Nesse sentido, além do foco no
interlocutor, que caracteriza a função conativa da linguagem, predomina também
nele a função referencial, que busca
A despertar no leitor sentimentos de amor pela natureza, induzindo-o a
ter atitudes responsáveis que
B informar o leitor sobre as consequências da destinação inadequada do
lixo, orientando-o sobre como fazer o correto descarte de alguns dejetos.
C transmitir uma mensagem de caráter subjetivo, mostrando exemplos de
atitudes sustentáveis do autor do texto em relação ao planeta.
D estabelecer uma comunicação com o leitor, procurando sustentabilidade está sendo compreendida.
E explorar o uso da linguagem, conceituando detalhadamente os termos
utilizados de forma a proporcionar melhor compreensão do texto.
QUESTÃO 100
Embalagens usadas e resíduos devem ser descartados
Adequadamente
Todos os meses são recolhidas das rodovias
brasileiras centenas de milhares de toneladas de lixo. Só nos 22,9 mil quilômetros
das rodovias paulistas são 41,5 mil toneladas. O hábito de descartar
embalagens, garrafas, papéis e bitucas de cigarro pelas rodovias persiste e tem
aumentado nos últimos anos. O problema é que o lixo acumulado na rodovia, além
de prejudicar o meio ambiente, pode impedir o escoamento da água, contribuir
para as enchentes, provocar incêndios, atrapalhar o trânsito e até causar acidentes.
Além dos perigos que o lixo representa para os motoristas, o material
descartado poderia ser devolvido para a cadeia produtiva. Ou seja, o papel que
está sobrando nas rodovias poderia ter melhor destino. Isso também vale para os
plásticos inservíveis, que poderiam se transformar em sacos de lixo, baldes,
cabides e até acessórios para os carros.
Disponível em: www.girodasestradas.com.br. Acesso em: 31 jul. 2012.
Os gêneros textuais correspondem a certos padrões de composição de
texto, determinados pelo contexto em que são produzidos, pelo público a que
eles se destinam,
reconhece-se que sua função é
A apresentar dados estatísticos sobre a reciclagem no país.
B alertar sobre os riscos da falta de sustentabilidade do mercado de
recicláveis.
C divulgar a quantidade de produtos reciclados retirados das rodovias
brasileiras.
D revelar os altos índices de acidentes nas rodovias brasileiras
poluídas nos últimos anos.
E conscientizar sobre a necessidade de preservação ambiental e de
segurança nas rodovias.
QUESTÃO 101
Disponível em: www.behance.net. Acesso em: 21 fev. 2013 (adaptado).
A rapidez é destacada como uma das qualidades do serviço
anunciado, funcionando como estratégia de persuasão em relação ao consumidor do
mercado gráfico. O recurso da linguagem verbal que contribui para esse destaque
é o emprego
A processo.
B de adjetivos que valorizam a nitidez da impressão.
C das formas verbais no futuro e no pretérito, em sequência.
D associada à qualidade.
E
QUESTÃO 102
Riscar o chão para sair pulando é uma brincadeira que
vem dos tempos do Império Romano. A amarelinha original tinha mais de cem
metros e era usada como
imitações reduzidas do campo utilizado pelos
soldados e acrescentaram numeração nos quadrados que deveriam ser pulados. Hoje
as amarelinhas variam nos formatos desenho, que é marcado no chão com giz, tinta ou
graveto.
Disponível em: www.biblioteca.ajes.edu.br. Acesso em: 20 maio 2015
(adaptado).
Com base em fatos históricos, o texto retrata o processo de adaptação
pelo qual passou um tipo de brincadeira. Nesse sentido, conclui-se que as
brincadeiras comportam o(a)
A caráter competitivo que se assemelha às suas origens.
B delimitação de regras que se perpetuam com o tempo.
C
D objetivo de aperfeiçoamento físico daqueles que a praticam.
E possibilidade de reinvenção no contexto em que é realizada.
QUESTÃO 103
de me tratar num sanatório suíço. Escolhi o de
Clavadel, perto de Davos-Platz, porque a respeito dele me falara João Luso, que
ali passara um inverno com a senhora. Mais tarde vim a saber que antes de
existir no lugar um
sanatório, lá estivera por algum tempo Antônio Nobre. “Ao . Fiquei na Suíça até outubro de 1914.
BANDEIRA, M. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Nova
Aguilar, 1985.
No relato de memórias do autor, entre os recursos usados para organizar
a sequência dos eventos narrados, destaca-se a
A
dinamicidade ao texto.
B presença de advérbios de lugar para indicar a progressão dos fatos.
C alternância de tempos do pretérito para ordenar os acontecimentos.
D inclusão de enunciados com comentários e avaliações pessoais.
E alusão a pessoas marcantes na trajetória de vida do escritor.
QUESTÃO 104
Por que as formigas não morrem quando postas em forno de micro-ondas?
As micro-ondas são ondas eletromagnéticas com frequência
muito alta. Elas causam vibração nas moléculas de água, e é isso que aquece a
comida. Se o prato estiver seco, sua temperatura não se altera. Da mesma
maneira, se as formigas tiverem pouca água em seu corpo, podem sair incólumes.
Já um ser humano não se sairia tão bem quanto esses insetos dentro de um forno
de micro-ondas superdimensionado: a água que compõe 70% do seu corpo aqueceria.
Micro-ondas de baixa intensidade, porém, estão por toda a parte, oriundas da
telefonia celular, mas não há comprovação de que causem problemas para a população
humana.
OKUNO, E. Disponível em: http://revistapesquisa.fapesp.br. Acesso em: 11
dez. 2013.
Os textos constroem-se com recursos linguísticos que materializam
diferentes propósitos comunicativos. Ao responder à pergunta que dá título ao
texto, o autor tem como objetivo principal
A defender o ponto de vista de que as ondas eletromagnéticas são
inofensivas.
B
para a sociedade.
C apresentar informações acerca das ondas eletromagnéticas e de seu uso.
D alertar o leitor sobre os riscos de usar as micro-ondas em seu dia a
dia.
E
humanos.
QUESTÃO 105
diz pesquisa
Pense duas vezes antes de postar qualquer item
exaustão por consultores de carreira por aí, acaba
de ganhar um status com resultados da pesquisa, uma rápida análise do emprego. Para chegar a essa conclusão, uma equipe de pesquisadores da
Northern Illinois University, University of Evansville e Auburn University
pediu a um professor
grupo de universitários. Após checar fotos,
postagens, número de amigos e interesses por 10 minutos, o trio considerou
itens como consciência, afabilidade, extroversão, estabilidade emocional e
receptividade. Seis meses depois, as impressões do grupo foram comparadas com a
análise de desempenho feita pelos chefes dos jovens que tiveram uma forte correlação entre as características descritas a partir dos
dados da rede e o comportamento dos universitários no ambiente de trabalho.
Disponível em: http://exame.abril.com.br. Acesso em: 29 fev. 2012
(adaptado).
As redes sociais são espaços de comunicação e interação on-line que
possibilitam o conhecimento de aspectos da privacidade de seus usuários.
Segundo o texto, no mundo do trabalho, esse conhecimento permite
A
B
C controlar o comportamento virtual e real do candidato.
D avaliar informações pessoais e comportamentais sobre o candidato.
E aferir a capacidade intelectual do candidato na resolução de problemas.
QUESTÃO 106
As narrativas indígenas se sustentam e se perpetuam
por uma tradição de transmissão oral (sejam as histórias verdadeiras dos seus antepassados,
dos fatos e guerras recentes ou antigos; sejam as histórias de ficção, como
aquelas da onça e do macaco). De fato, as comunidades indígenas nas chamadas
“terras baixas da América
exemplo) não desenvolveram sistemas de escrita como
os que conhecemos, sejam alfabéticos (como a escrita do português), sejam
ideogramáticos (como a escrita dos chineses) ou outros.
Somente nas sociedades
_________em classes), como foram os astecas e os
maias, é que surgiu algum tipo de escrita. A história da escrita parece mesmo
mostrar claramente isso: que ela surge e se desenvolve – em qualquer das formas
– apenas em
gregos etc.). O fato é que os povos indígenas no
Brasil, por exemplo, não empregavam um sistema de escrita, mas garantiram a
conservação e continuidade dos conhecimentos acumulados, das histórias passadas
e, também, das narrativas que sua tradição criou, através da transmissão oral.
Todas as tecnologias indígenas se transmitiram e se desenvolveram assim. E não
foram poucas: por exemplo, foram os índios que domesticaram plantas silvestres
e, muitas vezes, venenosas, criando o milho, a mandioca (ou macaxeira), o
amendoim, as morangas e muitas outras mais (e também as desenvolveram muito;
por exemplo, somente do milho criaram cerca de 250 variedades diferentes em
toda a América).
Histórias dos índios lá em casa: narrativas
indígenas e tradição oral popular no Brasil. Disponível em: www.portalkaingang.org.
Acesso em: 5 dez. 2012.
A escrita e a oralidade, nas diversas culturas, cumprem diferentes
objetivos. O fragmento aponta que, nas sociedades indígenas brasileiras, a
oralidade possibilitou
A a conservação e a valorização dos grupos detentores de certos saberes.
B a preservação e a transmissão dos saberes e da memória cultural dos
povos.
C a manutenção e a reprodução dos modelos
D a restrição e a limitação do conhecimento acumulado a determinadas
comunidades.
E o reconhecimento e a legitimação da importância da fala como meio de
comunicação.
QUESTÃO 107
Assum preto
Tudo em vorta é só beleza
Sol de abril e a mata em frô
Mas assum preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do assum preto
Pra ele assim, ai, cantá mió
Assum preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil veiz a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá
GONZAGA, L.; TEIXEIRA, H. Disponível em: www.luizgonzaga.mus.br. Acesso em: 30
jul. 2012 (fragmento).
As marcas da variedade regional registradas pelos compositores de Assum
preto resultam da aplicação de um conjunto de princípios ou regras gerais
que alteram a pronúncia, a morfologia, a sintaxe ou o léxico. No texto, é resultado
de uma mesma regra a
A
B
C
D
E
QUESTÃO 108
Exmº Sr. Governador:
Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados pela
Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. […]
ADMINISTRAÇÃO
Relativamente à quantia orçada, os telegramas custaram
pouco. De ordinário vai para eles dinheiro considerável. Não há vereda aberta
pelos matutos que prefeitura do interior não ponha no arame, proclamando que a
coisa foi feita por ela; comunicam-se as datas históricas ao Governo do Estado,
que não precisa disso; todos os acontecimentos políticos são badalados. Porque
se derrubou a Bastilha – um telegrama; porque se deitou pedra na rua –
um telegrama; porque o deputado F. esticou a canela – um telegrama.
Palmeira dos Índios, 10 de janeiro de 1929. GRACILIANO RAMOS RAMOS, G. Viventes
das Alagoas. São Paulo: Martins Fontes, 1962.
O relatório traz a assinatura de Graciliano Ramos, na época, prefeito de
Palmeira dos Índios, e é destinado
o texto chama a atenção por contrariar a norma
prevista para esse gênero, pois o autor
A emprega sinais de pontuação em excesso.
B recorre a termos e expressões em desuso no português.
C apresenta-se na primeira pessoa do singular, para conotar intimidade
com o destinatário.
D privilegia o uso de termos técnicos, para demonstrar conhecimento especializado.
E expressa-se em linguagem mais subjetiva, com forte carga emocional.
QUESTÃO 109
Hepatite é assim.
28 de julho Dia Mundial Contra a Hepatite
Pode aparecer onde menos se espera e em cinco
formas diferentes. É por isso que o Dia Mundial Contra a Hepatite está aí para
alertar você. As hepatites A, B, C, D e E têm diversas causas e muitas formas
de chegar até você. Mas, evitar isso é bem simples. Você só precisa ficar
atento aos cuidados necessários para cuidar do maior bem que você tem: A SUA SAÚDE!
Algumas maneiras de se prevenir:
a as hepatites A e B. de banhos em locais públicos e ao uso de
desinfetantes em piscinas.
se alimentar.
todos os acessórios.
contaminadas com o vírus.
Nas peças publicitárias, vários recursos verbais e não verbais são
usados com o objetivo de atingir o público- as
informações verbais e não verbais trazidas no texto a
A o tom lúdico é empregado como recurso de consolidação
B
o discurso autorizado como estratégia
argumentativa.
C
oralidade são recursos de argumentação que simulam
o
discurso do médico.
D a empresa anunciada deixa de se autopromover ao mostrar preocupação
social e assumir a responsabilidade pelas informações.
E o discurso evidencia uma cena de ensinamento didático, projetado com
subjetividade no trecho sobre as maneiras de prevenção.
QUESTÃO 110
ÁVILA, A. Discurso da difamação do poeta. São Paulo:
Summus, 1978.
O contexto histórico e literário do período barroco-árcade fundamenta o
poema Casa dos Contos, de 1975. A restauração de elementos daquele
contexto por uma poética contemporânea revela que
A
plástica, que prevalece sobre a observação da realidade
social.
B
Mineira.
C
do poeta com a utopia e sua opção por uma linguagem
erudita.
D o eu lírico pretende revitalizar os contrastes barrocos, gerando uma
continuidade de procedimentos estéticos e literários.
E o eu lírico recria, em seu momento histórico, numa linguagem de
ruptura, o ambiente de opressão vivido
QUESTÃO 111
Um dia, meu pai tomou-me pela mão, minha mãe beijou-me
a testa, molhando-me de lágrimas os cabelos e eu parti. Duas vezes fora visitar
o Ateneu antes da minha instalação. Ateneu era o grande colégio da época. Afamado
por um sistema de nutrido reclame, mantido por um diretor que de tempos a
tempos reformava o estabelecimento, pintando-o jeitosamente de novidade, como
os negociantes que liquidam para recomeçar com artigos de última remessa; o
Ateneu desde muito tinha consolidado crédito na preferência dos pais, sem levar
em conta a simpatia da meninada, a cercar de aclamações o bombo vistoso dos
anúncios.
O Dr. Aristarco Argolo de Ramos, da conhecida
família do Visconde de Ramos, do Norte, enchia o império com o seu renome de
pedagogo. Eram boletins de propaganda pelas províncias, conferências em
diversos pontos da cidade, a pedidos, à substância, atochando a imprensa dos
lugarejos, caixões, sobretudo, de livros elementares, fabricados às pressas com
o ofegante e esbaforido concurso de professores prudentemente anônimos, caixões
e mais caixões de volumes cartonados em Leipzig, inundando as escolas públicas
de toda a parte com a sua invasão de capas azuis, róseas, amarelas, em que o
nome de Aristarco, inteiro e sonoro, oferecia-se ao pasmo venerador dos
esfaimados de alfabeto dos
eram um belo dia surpreendidos pela enchente,
gratuita, espontânea, irresistível! E não havia senão aceitar a farinha daquela
marca para o pão do espírito.
POMPÉIA, R. O Ateneu. São Paulo: Scipione, 2005.
Ao descrever o Ateneu e as atitudes de seu diretor, o narrador revela um
olhar sobre a inserção social do colégio demarcado pela
A ideologia mercantil da educação, repercutida nas vaidades pessoais.
B interferência afetiva das famílias, determinantes no processo
educacional.
C produção pioneira de material didático, responsável pela facilitação
do ensino.
D ampliação do acesso à educação, com a negociação dos custos escolares.
E cumplicidade entre educadores e famílias, unidos pelo interesse comum
do avanço social.
QUESTÃO 112
João Antônio de Barros (Jota Barros) nasceu aos 24
de junho de 1935, em Glória de Goitá (PE). Marceneiro, entalhador, xilógrafo,
poeta repentista e escritor de literatura de cordel, já publicou 33 folhetos e ainda
tem vários inéditos. Reside em São Paulo desde 1973, vivendo exclusivamente da
venda de livretos de cordel e das cantigas de improviso, ao som da viola.
Grande divulgador da poesia popular nordestina no Sul,
tem dado frequentemente entrevistas à imprensa paulista sobre o assunto.
EVARISTO, M. C. O cordel em sala de aula. In: BRANDÃO, H. N. (Coord.).
Gêneros do discurso na escola: mito, conto,
cordel, discurso político,
trajetória de determinado indivíduo, evidenciando sua
como a de João Antônio de Barros, um dos principais
elementos que a constitui é
A a estilização dos eventos reais de sua vida, para que
B o relato de eventos de sua vida em perspectiva histórica, que valorize
seu percurso artístico.
C a narração de eventos de sua vida que demonstrem a qualidade de sua
obra.
D uma retórica que enfatize alguns eventos da vida exemplar da pessoa
biografada.
E uma exposição de eventos de sua vida que mescle nal.
QUESTÃO 113
A pátria
Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!
Criança! não verás nenhum país como este!
A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,
É um seio de mãe a transbordar carinhos.
Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos,
Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos!
Vê que luz, que calor, que multidão de insetos!
Vê que grande extensão de matas, onde impera,
Fecunda e luminosa, a eterna primavera!
Boa terra! jamais negou a quem trabalha
O pão que mata a fome, o teto que agasalha...
Quem com o seu suor a fecunda e umedece,
Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!
Criança! não verás país nenhum como este:
Imita na grandeza a terra em que nasceste!
BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves,
1929.
Publicado em 1904, o poema A pátria harmoniza-se com um projeto
ideológico em construção na Primeira República. O discurso poético de Olavo
Bilac ecoa esse projeto, na medida em que
A a paisagem natural ganha contornos surreais, como o projeto brasileiro
de grandeza.
B a prosperidade individual, como a exuberância da terra, independe de
políticas de governo.
C os valores afetivos atribuídos à família devem ser aplicados também
aos ícones nacionais.
D a capacidade produtiva da terra garante ao país a
E a valorização do trabalhador passa a integrar o conceito de bem-estar
social experimentado.
QUESTÃO 114
MAGRITTE, R. A reprodução proibida. Óleo sobre tela, 81,3 x 65
cm.
Museum Boijmans Van Buningen, Holanda,1937.
gurou-se como uma das vanguardas artísticas europeias do início do
século XX. René Magritte, pintor belga, apresenta elementos dessa vanguarda em suas
produções. Um traço do Surrealismo presente nessa pintura é o(a)
A justaposição de elementos díspares, observada na imagem do homem no
espelho.
B crítica ao passadismo, exposta na dupla imagem do homem olhando sempre
para frente.
C construção de perspectiva, apresentada na sobreposição de planos
visuais.
D processo de automatismo, indicado na repetição da imagem do homem.
E
livro no espelho.
QUESTÃO 115
Yaô
Aqui có no terreiro
Pelú adié
Faz inveja pra gente
Que não tem mulher
No jacutá de preto velho
Há uma festa de yaô
Ôi tem nêga de Ogum
De Oxalá, de Iemanjá
Mucama de Oxossi é caçador
Ora viva Nanã
Nanã Buruku
Yô yôo
Yô yôoo
No terreiro de preto velho iaiá
Vamos saravá (a quem meu pai?)
Xangô!
VIANA, G. Agô, Pixinguinha! 100 Anos. Som Livre, 1997.
A canção Yaô foi composta na década de 1930 por Pixinguinha, em
parceria com Gastão Viana, que escreveu a letra. O texto mistura o português
com o iorubá, língua usada por africanos escravizados trazidos para o Brasil. Ao
fazer uso do iorubá nessa composição, o autor
A promove uma crítica bem-humorada às religiões afrobrasileiras, destacando
diversos orixás.
B ressalta uma mostra da marca da cultura africana, que se mantém viva
na produção musical brasileira.
C evidencia a superioridade da cultura africana e seu caráter de
resistência à dominação do branco.
D deixa à mostra a separação racial e cultural que caracteriza a
constituição do povo brasileiro.
E expressa os rituais africanos com maior autenticidade, respeitando as
referências originais.
Máscara
senufo
As formas plásticas nas produções africanas conduziram artistas modernos
do início do século XX, como Pablo Picasso, a algumas proposições artísticas
denominadas vanguardas. A máscara remete à
A preservação da proporção.
B idealização do movimento.
C estruturação assimétrica.
D sintetização das formas.
E valorização estética.
QUESTÃO 117
Ao se apossarem do novo território, os europeus ignoraram
um universo de antiga sabedoria, povoado por homens e bens unidos por um
sistema integrado. A recusa em se inteirar dos valores culturais dos primeiros habitantes
levou-os a uma descrição simplista desses grupos e à sua sucessiva destruição. Na
verdade, não existe uma distinção entre a nossa arte e aquela produzida por
povos tecnicamente menos desenvolvidos. As duas manifestações devem ser
encaradas como expressões diferentes dos modos de sentir e pensar das várias
sociedades, mas também como equivalentes, por resultarem de impulsos humanos comuns.
SCATAMACHIA, M. C. M. In: AGUILAR, N. (Org.). Mostra do
redescobrimento: arqueologia. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo –
Associação Brasil 500 anos artes visuais, 2000.
De acordo com o texto, inexiste distinção entre as artes produzidas
pelos colonizadores e pelos colonizados, pois ambas compartilham o(a)
A suporte artístico.
B nível tecnológico.
C base antropológica.
D concepção estética.
E referencial temático.
QUESTÃO 118
em Nova Iorque, a performer Marina Abramovic
fez uma retrospectiva de sua carreira. No meio desta, protagonizou uma performance
marcante. Em 2010, de 14 de março a 31 de maio, seis dias por semana, num
total de 736 horas, ela repetia a mesma postura. Sentada numa sala, recebia os
visitantes, um a um, e trocava com cada um deles um longo olhar sem palavras.
Ao redor, o público assistia a essas cenas recorrentes.
ZANIN, L. Marina Abramovic, ou a força do olhar. Disponível em: http://blogs.estadao.com.br. Acesso em:
4 nov. 2013.
O texto apresenta uma obra da artista Marina Abramovic, cuja performance
se alinha a tendências contemporâneas e se caracteriza pela
A inovação de uma proposta de arte relacional que adentra um museu.
B abordagem educacional estabelecida na relação da artista com o
público.
C redistribuição do espaço do museu, que integra diversas linguagens
artísticas.
D negociação colaborativa de sentidos entre a artista e a pessoa com
quem interage.
E aproximação entre artista e público, o que rompe com a elitização
dessa forma de arte.
QUESTÃO 119
TEXTO I
Um ato de criatividade pode contudo gerar um modelo
produtivo. Foi o que ocorreu com a palavra sambódromo, criativamente formada
com a terminação -(ó)dromo (= corrida),
que designam itens culturais da alta burguesia. Não
demoraram a circular, a partir de então, formas populares como rangódromo,
beijódromo, camelódromo.
AZEREDO, J. C. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo:
Publifolha, 2008.
TEXTO II
Existe coisa mais descabida do que chamar de samba? Em grego, -dromo quer dizer “ação de correr, atrasa e é obrigada a correr para não perder pontos, mas não se desloca
com a velocidade de um cavalo ou de um carro de Fórmula 1.
GULLAR, F. Disponível em: www1.folha.uol.com.br. Acesso em: 3 ago. 2012.
Há nas línguas mecanismos geradores de palavras. Embora o Texto II
apresente um julgamento de valor sobre a formação da palavra sambódromo, o
processo de
A o dinamismo da língua na criação de novas palavras.
B uma nova realidade limitando o aparecimento de novas palavras.
C a apropriação inadequada de mecanismos de criação de palavras por
leigos.
D o reconhecimento da impropriedade semântica dos neologismos.
E a restrição na produção de novas palavras com o radical grego.
QUESTÃO 120
da sua memória
mil
e
mui
tos
out
ros
ros
tos
sol
tos
pou
coa
pou
coa
pag
amo
meu
ANTUNES, A. 2 ou + corpos no mesmo espaço. São Paulo:
Perspectiva, 1998.
Trabalhando com recursos formais inspirados no Concretismo, o poema
atinge uma expressividade que se caracteriza pela
A
da lógica racional.
B reestruturação formal da palavra, para provocar o estranhamento no
leitor.
C dispersão das unidades verbais, para questionar o sentido das
lembranças.
D fragmentação da palavra, para representar o estreitamento das
lembranças.
E renovação das formas tradicionais, para propor uma nova vanguarda
poética.
QUESTÃO 121
A emergência da sociedade da informação está associada
a um conjunto de profundas transformações ocorridas desde as últimas duas décadas
do século XX. Tais mudanças ocorrem em dimensões distintas da vida humana em
sociedade, as quais interagem de maneira conhecimento como elementos
estratégicos, dos pontos de vista econômico-produtivo, político e
sociocultural. A sociedade da informação caracteriza-se pela crescente
utilização de técnicas de transmissão, armazenamento de dados e informações a
baixo custo, acompanhadas por inovações organizacionais, sociais e legais.
Ainda que tenha surgido motivada por um conjunto de transformações na base
técnico-científica, ela se
LEGEY, L.-R.; ALBAGLI, S. Disponível em: www.dgz.org.br. Acesso em: 4
dez. 2012 (adaptado).
O mundo contemporâneo tem sido caracterizado pela crescente utilização
das novas tecnologias e pelo acesso à informação cada vez mais facilitado. De
acordo com o texto, a sociedade da informação corresponde a uma mudança na
organização social porque
A representa uma alternativa para a melhoria da qualidade de vida.
B associa informações obtidas instantaneamente por todos e em qualquer
parte do mundo.
C propõe uma comunicação mais rápida e barata,
D propicia a interação entre as pessoas por meio de redes sociais.
E representa um modelo em que a informação é utilizada intensamente nos
vários setores da vida.
QUESTÃO 122
Embora particularidades na produção mediada pela tecnologia
aproximem a escrita da oralidade, isso não
Muitos buscam, tão somente, adaptar o uso da
linguagem
língua. Se existe um limite de espaço,
naturalmente, o sujeito
professor do Departamento de Linguagem e Tecnologia
do Cefet-MG. Da mesma forma, é preciso considerar a capacidade do destinatário
de interpretar corretamente a mensagem emitida. No entendimento do pesquisador,
a escola, às vezes, insiste em ensinar um registro utilizado desestimular o aluno, que não vê sentido em empregar tal modelo em
outras situações. Independentemente dos aparatos tecnológicos da atualidade, o
emprego social uso escolar, conforme ressalta a diretora de Divulgação
presente. Não falamos ou escrevemos da mesma forma
revelarem os principais usuários das novas
tecnologias, por meio das quais conseguem se comunicar com facilidade. A
professora ressalta, porém, que as pessoas precisam dominar outros códigos.
SILVA JR., M. G.; FONSECA, V. Revista Minas Faz Ciência, n. 51,
set.-nov. 2012 (adaptado).
Na esteira do desenvolvimento das tecnologias de informação e de
comunicação, usos particulares da escrita foram surgindo. Diante dessa nova
realidade, segundo o texto, cabe à escola levar o aluno a
A interagir por meio da linguagem formal no contexto digital.
B buscar alternativas para estabelecer melhores contatos on-line.
C adotar o uso de uma mesma norma nos diferentes suportes tecnológicos.
D desenvolver habilidades para compreender os textos postados na web.
E
ambientes digitais.
QUESTÃO 123
À garrafa
Contigo adquiro a astúcia
de conter e de conter-me.
Teu estreito gargalo
é uma lição de angústia.
Por translúcida pões
o dentro fora e o fora dentro
para que a forma se cumpra
e o espaço ressoe.
Até que, farta da constante
prisão da forma, saltes
da mão para o chão
e te estilhaces, suicida,
numa explosão
de diamantes.
PAES, J. P. Prosas seguidas de odes mínimas. São Paulo: Cia. das
Letras, 1992.
atributos da produção literária contemporânea, que, no poema de José
Paulo Paes, se expressa por um(a) A reconhecimento, pelo eu lírico, de suas
limitações no processo criativo, manifesto na expressão “Por
B subserviência aos princípios do rigor formal e dos cuidados com a
precisão metafórica, como se
C visão progressivamente pessimista, em face da impossibilidade da
criação poética, conforme
D processo de contenção, amadurecimento e transformação da palavra,
representado pelos versos
E necessidade premente de libertação da prisão representada pela poesia,
simbolicamente comparada
QUESTÃO 124
Palavras jogadas fora
Quando criança, convivia no interior de São Paulo com
o curioso verbo pinchar e ainda o ouço por lá
esse fulano daqui). Teria sido uma das muitas
palavras que ouvi menos na capital do estado e, por conseguinte, deixei de
usar. Quando indago às pessoas se conhecem esse verbo, comumente escuto
respostas como “minha
verbo é algo do passado, que deixará de existir tão
logo essa geração antiga morrer.
As palavras são, em sua grande maioria, resultados de
uma tradição: elas já estavam lá antes de nascermos.
passar adiante, de transmitir (sobretudo valores
culturais). O rompimento da tradição de uma palavra equivale à sua extinção. A
gramática normativa muitas vezes colabora criando preconceitos, mas o fator
mais forte que motiva os falantes a extinguirem uma palavra é associar a
normativa, a um grupo que julga não ser o seu. O
pinchar, associado ao ambiente rural, onde há pouca escolaridade
É louvável que nos preocupemos com a extinção de
ararinhas-azuis ou dos micos-leão-dourados, mas a extinção de uma palavra não
promove nenhuma comoção, como não nos comovemos com a extinção de insetos, a não
ser dos extraordinariamente belos. Pelo contrário, muitas vezes a extinção das palavras
é incentivada.
VIARO, M. E. Língua Portuguesa, n. 77, mar. 2012 (adaptado).
A discussão empreendida sobre o (des)uso do verbo
usos, a partir da qual compreende-se que
A as palavras esquecidas pelos falantes devem ser descartadas dos
dicionários, conforme sugere o título.
B o cuidado com espécies animais em extinção é mais urgente do que a
preservação de palavras.
C o abandono de determinados vocábulos está associado a preconceitos
socioculturais.
D as gerações têm a tradição de perpetuar o inventário de uma língua.
E o mundo contemporâneo exige a inovação do vocabulário das línguas.
QUESTÃO 125
Poesia quentinha
Projeto literário publica poemas em sacos de pão na capital mineira
Se a literatura é mesmo o alimento da alma, então os
mineiros estão diante de um verdadeiro banquete. Mais do que um pãozinho com
manteiga, os moradores do bairro de Barreiro, em Belo Horizonte (MG), estão
consumindo poesia brasileira no café da manhã. Graças ao projet para veiculação de poemas, escritores como Affonso poética. São ao todo 250 mil embalagens, distribuídas em padarias da
região de Belo Horizonte, que trazem a boa literatura para o cotidiano de
pessoas, além de dar uma chance a escritores novatos de verem seus textos impressos.
Criado em 2008 por um analista de sistemas dois prêmios do Ministério da Cultura.
Língua Portuguesa, n. 71, set. 2011.
inovar em sua área
de atuação, pois
A privilegia novos escritores em detrimento daqueles já consagrados.
B resgata poetas que haviam perdido espaços de publicação impressa.
C prescinde de critérios de seleção em prol da popularização da
literatura.
D propõe acesso à literatura a públicos diversos.
E alavanca projetos de premiações antes esquecidos.
QUESTÃO 126
No ano de 1985 aconteceu um acidente muito grave m
Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, perto da aldeia guarani de Sapukai. Choveu
muito e as águas pluviais provocaram deslizamentos de terras das encostas da Serra
do Mar, destruindo o Laboratório de Radioecologia da Central Nuclear Almirante
Álvaro Alberto, construída em 1970 num lugar que os índios tupinambás, há mais
de 500 anos, chamavam de Itaorna. O prejuízo foi calculado na época em 8
bilhões de cruzeiros. Os engenheiros responsáveis pela construção da usina
nuclear não sabiam que o nome dado pelos índios continha informação sobre a
estrutura do solo, minado pelas águas da chuva. Só descobriram que Itaorna, em
língua tupinambá, quer
FREIRE, J. R. B. Disponível em: www.taquiprati.com.br. Acesso em: 1 ago.
2012 (adaptado).
Considerando-se a história da ocupação na região de Angra dos Reis
mencionada no texto, os fenômenos naturais que a atingiram poderiam ter sido
previstos e suas consequências minimizadas se
A o acervo linguístico indígena fosse conhecido e valorizado.
B as línguas indígenas brasileiras tivessem sido substituídas pela
língua geral.
C o conhecimento acadêmico tivesse sido priorizado pelos engenheiros.
D a língua tupinambá tivesse palavras adequadas para descrever o solo.
E o laboratório tivesse sido construído de acordo com as leis ambientais
vigentes na época.
QUESTÃO 127
Azeite de oliva e óleo de linhaça: uma dupla imbatível
Rico em gorduras do bem, ela combate a obesidade, dá
um chega pra lá no diabete e ainda livra o coração de entraves
Ninguém precisa esquentar a cabeça caso não seja possível
usar os dois óleos juntinhos, no mesmo dia. Individualmente, o duo também bate
um bolão. Segundo um estudo recente do grupo EurOlive, formado por instituições
de cinco países europeus, os polifenóis do azeite de oliva ajudam a frear a
oxidação do colesterol LDL, considerado perigoso. Quando isso ocorre, reduz-se o
risco de placas de gordura na parede dos vasos, a temida aterosclerose – doença
por trás de encrencas como o infarto.
MANARINI, T. Saúde é vital, n. 347, fev. 2012 (adaptado).
público não especializado, Manarini recorre à
associação entre vocabulário formal e vocabulário informal. Altera-se o grau de
formalidade do segmento no texto, sem alterar o sentido da informação, com a
substituição de
A
B
C show
D
E “por trás de encrenca
QUESTÃO 128
Obesidade causa doença
A obesidade tornou-se uma epidemia global, segundo a
Organização Mundial da Saúde, ligada à Organização das Nações Unidas. O
problema vem atingindo um número cada vez maior de pessoas em todo o mundo, e
entre as principais causas desse crescimento estão o modo de vida sedentário e
a má alimentação. Segundo um médico especialista em cirurgia de redução de
estômago, a taxa de mortalidade entre homens obesos de 25 a 40 anos é 12 vezes
maior quando comparada à taxa de mortalidade entre indivíduos de peso normal. O
excesso de peso e de gordura no corpo desencadeia e piora problemas de saúde
que poderiam ser evitados. Em alguns casos, a boa notícia é que a perda de peso
leva à cura, como no caso da asma, mas em outros, como o infarto, não há
solução.
FERREIRA, T. Disponível em: http://revistaepoca.globo.com. Acesso em: 2
ago. 2012 (adaptado).
obre saúde e aponta o excesso de peso e de gordura
corporal dos indivíduos como um problema, relacionando-o ao
A padrão estético, pois o modelo de beleza dominante na sociedade requer
corpos magros.
B equilíbrio psíquico da população, pois esse quadro interfere na
autoestima das pessoas.
C quadro clínico da população, pois a obesidade é um fator de risco para
o surgimento de diversas doenças crônicas.
D preconceito contra a pessoa obesa, pois ela sofre discriminação em
diversos espaços sociais.
E desempenho na realização das atividades cotidianas, pois a obesidade
interfere na performance.
QUESTÃO 129
Posso mandar por e-mail?
internet com a expectativa de alcançar o maior
número possível de selecionadores. Essa, no entanto, é uma ideia equivocada: é
preciso saber quem vai receber seu currículo e se a vaga é realmente indicada
para seu
futuro empregador. Ao enviar o currículo por e-mail,
tente saber quem vai recebê-lo e faça um texto sucinto de apresentação, com a
sugestão a seguir:
Assunto: Currículo para a vaga de gerente de marketing
Mensagem: Boa tarde. Meu nome é José da Silva e gostaria de
me candidatar à vaga de gerente de marketing.
Meu currículo segue anexo.
Guia da língua 2010: modelos e técnicas. Língua Portuguesa, 2010
(adaptado).
O texto integra um guia de modelos e técnicas de elaboração de textos e
cumpre a função social de
A
currículos.
B indicar um modelo de currículo para pleitear uma vaga de emprego.
C
_________currículo por e-mail.
D responder a uma pergunta de um assinante da revista sobre o envio de
currículo por e-mail.
E orientar o leitor sobre como alcançar o maior número possível de
selecionadores de currículos.
QUESTÃO 130
Cântico VI
Tu tens um medo de
Acabar.
Não vês que acabas todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.
E então serás eterno.
MEIRELES, C. Antologia poética. Rio de Janeiro: Record, 1963 (fragmento).
A poesia de Cecília Meireles revela concepções sobre o homem em seu
aspecto existencial. Em Cântico VI, o eu lírico exorta seu interlocutor
a perceber, como inerente à condição humana,
A a sublimação espiritual graças ao poder de se emocionar.
B o desalento irremediável em face do cotidiano repetitivo.
C o questionamento cético sobre o rumo das atitudes humanas.
D a vontade inconsciente de perpetuar-se em estado adolescente.
E um receio ancestral de confrontar a imprevisibilidade das coisas.
QUESTÃO 131
Essa pequena
Meu tempo é curto, o tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza, o dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito a nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela
Meu dia voa e ela não acorda
Vou até a esquina, ela quer ir para a Flórida
Acho que nem sei direito o que é que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la
Feito avarento, conto os meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela, que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas ao vento, ai
Às vezes ela pinta a boca e sai
Fique à vontade, eu digo, take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena
CHICO BUARQUE. Disponível em: www.chicobuarque.com.br. Acesso em: 31
jun. 2012.
O texto Essa pequena registra a expressão subjetiva do
enunciador, trabalhada em uma linguagem informal, comum na música popular.
Observa-se, como marca da variedade coloquial da linguagem presente no texto, o
uso de
A palavras emprestadas de língua estrangeira, de uso inusitado no
português.
B expressões populares, que reforçam a proximidade entre o autor e o
leitor.
C palavras polissêmicas, que geram ambiguidade.
D formas pronominais em primeira pessoa.
E
QUESTÃO 132
Carta ao Tom 74
Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz
Ah, que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza,
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor
MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. São
Paulo: Universal; Philips,1975 (fragmento).
O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta marcas do
gênero textual carta, possibilitando que o eu poético e o interlocutor
A compartilhem uma visão realista sobre o amor em sintonia com o meio
urbano.
B troquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças ocorridas na
cidade.
C
mais no Rio de Janeiro.
D tratem pragmaticamente sobre os destinos do amor e da vida citadina.
E aceitem as transformações ocorridas em pontos
QUESTÃO 133
Aquarela
O corpo no cavalete
é um pássaro que agoniza
exausto do próprio grito.
As vísceras vasculhadas
principiam a contagem
regressiva.
No assoalho o sangue
se decompõe em matizes
que a brisa beija e balança:
o verde – de nossas matas
o amarelo – de nosso ouro
o azul – de nosso céu
o branco o negro o negro
CACASO. In: HOLLANDA, H. B (Org.). 26 poetas hoje. Rio de
Janeiro: Aeroplano, 2007.
Situado na vigência do Regime Militar que governou o
uma forma de resistência e protesto a esse período,
metaforizando
A as artes plásticas, deturpadas pela repressão e censura.
B a natureza brasileira, agonizante como um pássaro enjaulado.
C o nacionalismo romântico, silenciado pela perplexidade com a Ditadura.
D medo e da violência.
E as riquezas da terra, espoliadas durante o aparelhamento do poder
armado.
QUESTÃO 134
Tudo era harmonioso, sólido, verdadeiro. No
princípio. As mulheres, principalmente as mortas do álbum, eram maravilhosas.
Os homens, mais maravilhosos ainda, ah, difícil encontrar família mais
perfeita. A nossa família, dizia a bela voz de contralto da minha avó. Na
nossa família, frisava, lançando em redor olhares complacentes, lamentando
os que não faziam parte do nosso clã. [...]
Quando Margarida resolveu contar os podres todos
que
É mentira, é mentira!, gritei tapando os ouvidos.
Mas Margarida seguia em frente: tio Maximiliano se casou com a inglesa de
cachos só por causa do dinheiro, não passava de um pilantra, a loirinha feiosa
era riquíssima. Tia Consuelo? Ora, tia Consuelo chorava porque sentia falta de
homem, ela queria homem e não Deus, ou o convento ou o sanatório. O dote era
tão bom que o convento abriu-lhe as portas com loucura e tudo.
Margarida fazendo um agrado no meu queixo. Reagi
com violência: uma agregada, uma cria e, ainda por cima, mestiça. Como ousava
desmoralizar meus heróis?
TELLES, L. F. A estrutura da bolha de sabão. Rio de Janeiro:
Rocco, 1999.
cção contemporânea, a prosa de Lygia
No trecho, a percepção do núcleo familiar
descortina um(a)
A
dependentes.
B tensa hierarquia familiar equilibrada graças à presença da matriarca.
C pacto de atitudes e valores mantidos à custa de ocultações e hipocrisias.
D
narradora e seus tios.
E
casamentos com europeus.
QUESTÃO 135
TEXTO I
FREUD, L. Francis Wyndham. Óleo sobre tela, 64 x 52 cm. Coleção
pessoal, 1993.
TEXTO II
Lucian Freud é, como ele próprio gosta de relembrar às pessoas, um
biólogo. Mais propriamente, tem querido
posse deste determinado corpo nesta situação particular,
SMEE, S. Freud. Köln: Taschen, 2010.
Considerando a intencionalidade do artista, mencionada no Texto II, e a
ruptura da arte no século XX com o parâmetro acadêmico, a obra apresentada
trata do(a)
A
B descrição precisa e idealizada da forma.
C arranjo simétrico e proporcional dos elementos.
D representação do padrão do belo contemporâneo.
E
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