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terça-feira, 10 de maio de 2011

Uso de “se não” e “senão”

Uso de “se não” e “senão”

Muitos se confundem quanto ao uso dessas duas formas. As seguintes regras podem ser usadas para diferenciá-las:

Senão equivale a “caso contrário”, “do contrário”, “a não ser”.

Exemplos:

Melhor sairmos cedo, senão pegaremos muito trânsito.
(Melhor sairmos cedo, caso contrário pegaremos muito trânsito)

Estude bastante para a prova, senão não passará.
(Estude bastante para a prova, caso contrário não passará).

Não lhe restou alternativa, senão aceitar a proposta.
(Não lhe restou alternativa, a não ser aceitar a proposta).

Ninguém vem ao Pai senão por mim.
(Ninguém vem ao Pai a não ser por mim.)

A palavra “senão” também pode vir substantivada e, nesse caso, equivale a “defeito”, “falha”.

Não houve um senão em sua redação.
(Não houve uma única falha em sua redação)

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“Se não” equivale a “caso não”,  “quando não”. Trata-se de uma conjunção condicional acrescentada do advérbio de negação “não”.

Se não chover, iremos para a praia.
(Caso não chova, iremos para a praia)

Se não fosse o absurdo trânsito de São Paulo, teria chegado em tempo.
(Caso não fosse o absurdo trânsito de São Paulo, teria chegado em tempo.)

Há ainda o caso em que o “se” é uma conjunção integrante introduzindo uma oração subordinada substantiva direta e pode vir seguido de não.

Perguntei ao meu irmão se não queria assistir ao jogo comigo.
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Exercícios – Complete com “senão” ou “se não”

1.Ninguém, ______ o meu tio, entendeu a piada.
2.  _______ fizer toda a lição, não poderá jogar bola.
3.  ________ for possível irmos hoje, viajaremos amanhã.
4.  _______ não chover, teremos um belo jogo.
5.  Anote o meu telefone, _________ não poderá falar comigo.
6.  __________ fosse a intervenção do professor, poderia ter saído uma briga.
7. Não encontrei um _________ em sua prova.
8. Faça todas as lições, _______ ficará de castigo.
9.  _________ quiser chegar atrasado, durma cedo.



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quarta-feira, 4 de maio de 2011

GUILHERME DE ALMEIDA - POEMAS

GUILHERME DE ALMEIDA - POEMAS

NÓS, I

O pequenino livro, em que me atrevo
a mudar numa trêmula cantiga
todo o nosso romance, ó minha amiga,
Guilherme de Almeida
será, mais tarde, nosso eterno enlevo.

Tudo o que fui, tudo o que foste eu devo 
dizer-te: e tu consentirás que o diga,
que te relembre a nossa vida antiga,
nos dolorosos versos que te escrevo.

Quando, velhos e tristes, na memória
rebuscarmos a triste e velha história
dos nossos pobres corações defuntos,

que estes versos, nas horas de saudade,
prolonguem numa doce eternidade
os poucos meses que vivemos juntos.

(Guilherme de Almeida)

NÓS, III

Estas e muitas outras cousas, certo,
eu julgava sentir, quando sentia
que, descuidado e plácido, dormia
num inferno, sonhando um céu aberto.

Mas eis que, no meu sonho, luzidia
passas e me olhas muda. E tão de perto
me olhas, tão junto passas, que desperto,
como se em teu olhar raiasse o dia.

Data de então a página primeira
da nossa história, sem a mais ligeira
sombra de mágoas nem de desenganos.

Bastou-nos, para haver felicidade,
a pujança da minha mocidade
e a flor de carne dos teus verdes anos.

(Guilherme de Almeida)

NÓS, XV

Falam muito de nós. Quanta maldade,
quanta maledicência, quanta intriga!
"É um pobre sonho de felicidade..."
"É um romance de amor à moda antiga!"

"Isso não passa de uma história, que há de
acabar como todas..." E há quem diga:
"Já são muito mal vistos na cidade
aquele moço e aquela rapariga!"

Diz-se... E eu sinto, num trêmulo alvoroço,
que vou ficando cada vez mais moço,
que vais ficando cada vez mais bela...

Nosso mundo (fale o outro: pouco importa!)
fica todo entre o quadro de uma porta
e o retângulo azul de uma janela.

(Guilherme de Almeida)

NÓS, XXII

Tu senhora, eu senhor, ambos senhores
de um pequenino mundo. No caminho,
nunca vi flores em que houvesse espinho,
nunca vi pedras que não fossem flores.

Naquele quarto andar, longe das dores
e tão perto dos céus, com que carinho,
com quanto zelo edificaste o ninho
do mais feliz de todos os amores!

Tudo passou. Um dia, triste e mudo,
deixaste-me sozinho. Hoje tens tudo:
és rica, és invejada, és conhecida...

E eu tenho apenas, desgraçado e louco,
daquele amor que te custou tão pouco
esta saudade que me custa a vida!

(Guilherme de Almeida)

NÓS, XXVII

Hoje voltas-me o rosto, se a teu lado
passo; e eu baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fazemos, como se com isto
pudéssemos varrer nosso passado.

Passo, esquecido de teu olhar — coitado!
Vais — coitada! — esquecida de que existo:
como se nunca tu me houvesses visto,
como se eu sempre não te houvesse amado!

Se às vezes, sem querer, nos entrevemos;
se, quando passo, o teu olhar me alcança,
se os meus olhos te alcançam, quando vais,

— ah! só Deus sabe e só nós dois sabemos! —
volta-nos sempre a pálida lembrança
daqueles tempos que não voltam mais!

(Guilherme de Almeida)

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Leia também:

"A Velhinha Contrabandista" - Stanislaw Ponte Preta
"O  Amor de Tumitinha" - Mário Prata

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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Texto - "A Velha Contrabandista" - Stanislaw Ponte Preta

A Velha Contrabandista

    Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.

Stanislaw Ponte Preta
    Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
    - Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
    A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
    - É areia!
    Aí quem sorriu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
    Mas o fiscal desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com muamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
    Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
    - Olha, vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
    - Mas no saco só tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
    - Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
    - O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.
    - Juro - respondeu o fiscal.
    - É lambreta.

(Stanislaw Ponte Preta)





Leia também:
Guilherme de Almeida - Poemas

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domingo, 1 de maio de 2011

Orações Subordinadas Adjetivas

Orações Subordinadas Adjetivas

 As orações subordinadas adjetivas exercem a função de um adjetivo dentro da estrutura da oração principal. Elas sempre são iniciadas por um pronome relativo. Existem dois tipos de orações adjetivas: as restritivas e as explicativas.

Orações Subordinadas Adjetivas Restritivas

As adjetivas restritivas não são separadas por vírgulas. Elas exercem, sintaticamente, a função de adjunto adnominal e, como o próprio nome diz, restringem, em um universo de seres, aqueles que possuem determinadas características.

Exemplos:

Os jogadores que residem no exterior não se apresentarão no prazo previsto.
Os alunos que estudam em São Paulo têm diversas opções de cursos superiores.
Foram elogiados os deputados que declararam seu voto.



Na tirinha acima ocorre uma oração adjetiva restritiva:
"Vejo diante dos meus olhos a criatura que me pôs no mundo".

Orações Subordinadas Adjetivas Explicativas

As adjetivas explicativas quase sempre vêm entre vírgulas. Funcionam como um aposto explicativo da oração principal e servem para explicar, realçar características de um termo antecedente.

Exemplos:

Pelé, que fez mais de mil gols, é considerado o atleta do século.
Meu avô, que trabalhou como caminhoneiro, viajou por todo o Brasil.
Os alunos dos cursinhos, que costumam estudar muito, têm diversas opções de cursos superiores.

Orações Subordinadas Adjetivas Reduzidas

As orações adjetivas podem vir reduzidas pelas formas nominais: infinitivo, gerúndio e particípio passado.
                                                                                                                                                    
Oração reduzida de gerúndio

Meu avô, trabalhando como caminhoneiro, viajou por todo o Brasil. (Meu avô, que trabalhou como caminhoneiro, viajou por todo o Brasil.)

Oração reduzida de particípio passado

Assisti a dois filmes exibidos no último festival de Sundance. (Assisti a dois filmes que foram exibidos no último festival de Sundance.)

Oração reduzida de infinitivo

Pelé foi o primeiro jogador a fazer mais de mil gols. (Pelé foi o primeiro jogador que fez mais de mil gols.)

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Exercícios – Classifique as orações adjetivas em restritivas ou explicativas.

1. Os homens que fumam correm mais riscos.
2. O Sol, que é uma estrela, é o centro de nosso sistema planetário.
3. O Sol que passava por uma fresta da janela iluminava parcamente a sala.
4. Raí, que fez parte da seleção de 94, foi um dos principais jogadores da história do São Paulo.
5. Os alunos que forem exemplares serão recompensados.
6. Machado de Assis, que escreveu Dom Casmurro, é o fundador da Academia Brasileira de Letras.
7. Jamais serão esquecidos os homens que lutam pelo nosso país.
8. Eu, que não sei falar francês, consegui entender algumas palavras.
9. Os autores modernistas que participaram da Semana de Arte Moderna foram verdadeiros revolucionários da língua.
10. Os autores modernistas, que revolucionaram a nossa língua, tinham um espírito inovador.

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