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quinta-feira, 21 de julho de 2011

CASTRO ALVES – O POETA DOS ESCRAVOS

CASTRO ALVES – O POETA DOS ESCRAVOS

-          Nasceu em Curralinho (BA), hoje renomeada como Castro Alves, em 1847, e faleceu em Salvador (BA), em 1871.
-          Cursou Direito, mas não chegou a concluir o curso.
-          É o maior representante da 3º geração do Romantismo brasileiro, também conhecida como geração condoreira pelo fato de ter o condor como símbolo.
-          Sua marca maior é a poesia social. Escreveu poemas libertários, contra a escravidão e as desigualdades sociais.
-          Era uma poeta épico e grandiloquente e, assim como toda a geração condoreira, tinha Victor Hugo como principal inspirador.
-          Destaca-se também como autor de poemas lírico-amorosos nos quais a figura da mulher é mais sensual e menos idealizada.
-          Publicou em vida apenas um livro: “Espumas flutuantes”.
-          Seu poema mais famoso é “O Navio Negreiro”, obra em seis partes, publicada no livro “Os escravos”, na qual denuncia os horrores e a miséria a que eram submetidos os escravos durante a travessia da África ao Brasil.
-          Faleceu muito jovem, aos 24 anos, vítima de tuberculose.
-          Obras: Espumas flutuantes (1870); A cachoeira de Paulo Afonso (1876); Os escravos (1883); Obra completa (1960).


O "adeus" de Teresa

A vez primeira que eu fitei Teresa,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala...

E ela, corando, murmurou-me: "adeus."

Uma noite entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saía um cavaleiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Teresa!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa...

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus!"

Passaram tempos... séc'los de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empíreo...
... Mas um dia volvi aos lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei!... descansa!... "
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus!"

Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d'Ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a última vez que eu vi Teresa!...

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"

(Castro Alves)

Navio negreiro retratado na obra de Rugendas


NAVIO NEGREIRO – CANTO V

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?...
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! 


Quem são estes desgraçados
Que não encontram em vós
Mais que o rir calmo da turba
Que excita a fúria do algoz?
Quem são? Se a estrela se cala,
Se a vaga à pressa resvala
Como um cúmplice fugaz,
Perante a noite confusa...
Dize-o tu, severa Musa,
Musa libérrima, audaz!... 


São os filhos do deserto,
Onde a terra esposa a luz.
Onde vive em campo aberto
A tribo dos homens nus...
São os guerreiros ousados
Que com os tigres mosqueados
Combatem na solidão.
Ontem simples, fortes, bravos.
Hoje míseros escravos,
Sem luz, sem ar, sem razão. . . 


(...)

Lá nas areias infindas,
Das palmeiras no país,
Nasceram crianças lindas,
Viveram moças gentis...
Passa um dia a caravana, 
Quando a virgem na cabana
Cisma da noite nos véus ...
... Adeus, ó choça do monte,
... Adeus, palmeiras da fonte!...
... Adeus, amores... adeus!...

Depois, o areal extenso...
Depois, o oceano de pó.
Depois no horizonte imenso
Desertos... desertos só...
E a fome, o cansaço, a sede...
Ai! quanto infeliz que cede,
E cai p'ra não mais s'erguer!...
Vaga um lugar na cadeia,
Mas o chacal sobre a areia
Acha um corpo que roer. 


Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d'amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar... 


Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm'lo de maldade,
Nem são livres p'ra morrer. .
Prende-os a mesma corrente
— Férrea, lúgubre serpente —
Nas roscas da escravidão.
E assim zombando da morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoute... Irrisão!... 




Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...


(Castro Alves)

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Leia também:

"Gato Família" - Moacyr Scliar
"Manuelzão e Miguilim" - Guimarães Rosa
Carlos Drummond de Andrade - Poemas

José Paulo Paes - Poemas


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quarta-feira, 20 de julho de 2011

Texto - "Gato Família" - Moacyr Scliar

     Durante muitos anos, o escritor Moacyr Scliar, falecido recentemente, escreveu no jornal Folha de São Paulo um texto no qual se baseava em notícias reais. Eis aqui uma dessas crônicas, com a notícia verdadeira antecipando a história fictícia do escritor.


Um gato de estimação fez parte, durante cinco meses, da lista de beneficiários do Bolsa Família em Antônio João (300 km de Campo Grande), um dos municípios mais pobres de Mato Grosso do Sul. O animal, chamado Billy, foi inscrito com nome, sobrenome e data de nascimento por seu dono, Eurico Siqueira da Rosa, coordenador local do programa do governo. Billy tinha número de identificação social, cartão magnético e vinha recebendo R$ 20 mensais do governo federal como complementação de renda. A fraude foi descoberta durante a visita de um agente de saúde à casa do suposto beneficiário, em novembro passado. Recebido pela mulher do coordenador, o agente quis saber por qual motivo a criança Billy Flores da Rosa não havia sido levada para fazer a medição e a pesagem, exigidas para os cadastrados no programa. A mulher estranhou a pergunta: "Mas o único Billy aqui é o meu gatinho". O agente relatou o diálogo à prefeitura, que abriu sindicância.

(Notícia publicada no jornal Folha de São Paulo em janeiro de 2009).

O escritor gaúcho Moacyr Scliar

Gato família

"SENHOR coordenador do Bolsa Família. Quem lhe escreve esta é, naturalmente, uma pessoa, o meu dono. Melhor dizendo: o senhor o rotularia de "dono", porque ele é uma pessoa e eu sou um gato - e gatos, ao menos segundo os humanos, costumam ter donos. Na verdade, eu o considero mais um aliado, um amigo que me compreende profundamente. Podemos nos comunicar sem que eu emita sequer um miado. Ele lê os meus pensamentos, senhor coordenador, e a partir daí escreveu esta carta. Que é uma carta de protesto, senhor coordenador. Estou profundamente magoado com o fato de ter sido excluído do Bolsa Família, através do qual recebia a mísera quantia de R$ 20 mensais que, como o senhor pode verificar em qualquer pet-shop, não paga a mais barata das rações. A alegação para isso é óbvia: o senhor dirá que eu não poderia estar nesse programa governamental, porque sou um gato. 
O que não passa de uma grande injustiça. Eu era considerado, senhor coordenador, um membro da família. Meu dono e sua esposa tinham por mim o maior carinho, carinho este que eu retribuía. Ah, sim, e prestava serviços também. Naquela casa, senhor coordenador, jamais entrou um rato. Ratos sim, poderiam ser excluídos do Bolsa Família; afinal são bichos asquerosos, que dão grandes prejuízos. Mas um gato, senhor coordenador! Gatos sempre foram estimados pela humanidade e até imortalizados em livros, em desenhos animados. Pense no Gato de Botas, senhor coordenador, aquele felino bem-humorado, tão humano que chegava a se vestir com apuro (as botas que o digam). Pense no espirituoso Garfield. Pense até no Tom - sim, no Tom, eterna vítima do pérfido Jerry. Pense na simbologia do gato, senhor coordenador. Vocês, humanos, dizem que temos sete vidas, e isso reflete a admiração que vocês têm por nossa vitalidade e resistência.
E agora o detalhe mais importante. Faço, sim, jus ao Bolsa Família. Pela simples razão de que tenho família. Uma só, não. Várias. Como aqueles marinheiros que têm uma namorada em cada porto, eu tinha uma gata (gata mesmo, não é metáfora) em cada telhado desta cidade, e olhe que não são poucos os telhados por aqui. A cada uma das minhas gatas dei carinho, dei afeto e dei gatinhos. Gatinhos que fazem a felicidade de centenas de pessoas. Se a minha Bolsa Família fosse calculada em função das famílias que gerei, o orçamento federal inteiro não seria suficiente para me pagar. Pense nisso, senhor coordenador. E receba meus cordiais miados." 

(Moacyr Scliar, crônica para o jornal Folha de São Paulo, janeiro de 2009)

terça-feira, 19 de julho de 2011

SUBSTANTIVO - FLEXÃO DE GÊNERO

Substantivo – Flexão de Gênero

            Existem dois gêneros para o substantivo na língua portuguesa: masculino e feminino. Os substantivos são classificados quanto ao gênero em biformes e uniformes. Os substantivos biformes possuem uma forma para cada gênero, enquanto os uniformes possuem uma única forma para o masculino e o feminino.

Substantivos biformes 

São aqueles que apresentam duas formas para a indicação de gênero, como no exemplo abaixo: leão e leoa.


Flexão dos substantivos biformes:


Forma-se o substantivo:
Exemplos
Pela mudança da terminação –o por –a.
O menino – a menina; o gato – a gata.
Pela mudança da terminação –ão por –ã, -oa, -ona.
O irmão – a irmã; o leão – a leoa; o folião – a foliona.
Pela mudança da terminação –e por –a.
O parente – a parenta.
Pelo acréscimo de –a.
O doutor – a doutora; o juiz – a juíza.
Pelo uso da terminação –esa.
O cônsul – a consulesa.
Pelo uso da terminação –essa.
o visconde – a viscondessa.
Pelo uso da terminação –isa.
o poeta – a poetisa; o proeta – a profetisa.
Pelo uso da terminação –ina.
o czar – a czarina; o maestro – a maestrina.
Pelo uso da terminação –triz.
o imperador – a imperatriz.
Por palavras diferentes.
O bode – a cabra; o boi – a vaca.


Substantivos uniformes

São aqueles que possuem uma só forma para indicar tanto o masculino quanto o feminino. Podemos classificá-los em: epicenos, sobrecomuns e comuns de dois gêneros.

Flexão dos substantivos uniformes:

Epicenos: São substantivos que designam alguns animais e têm um só gênero. Para indicar o sexo são utilizadas as palavras macho ou fêmea.
 Exemplos: Cobra macho - cobra fêmea / peixe macho - peixe fêmea

Sobrecomuns: São substantivos que designam pessoas e tem um só gênero tanto para o masculino como para o feminino.
 Exemplos: A criança - o indivíduo (servem tanto para o masculino quanto para o feminino)

Comuns de dois gêneros: São substantivos que apresentam uma só forma para o masculino e para o feminino. A distinção se dá através do artigo, adjetivo ou pronome.
 Exemplos: O motorista - a motorista; um cineasta – uma cineasta.



Observações:

1.Existem substantivos que têm significados diferentes conforme o seu gênero. Por exemplo:

Quero duzentos gramas de queijo. (o grama)
Por favor, não pise na grama. (a grama)

Na tirinha abaixo, Mafalda usa o substantivo moral no sentido de "estado de espírito", portanto masculino.









Lista de substantivos com significados diferentes conforme o gênero

O banana = molenga
A banana = fruta
A cabeça = parte do corpo
O cabeça = chefe, líder
A caixa = objeto
O caixa = funcionário
A capital = cidade
O capital = montante, dinheiro
A cisma = receio
O cisma = separação religiosa
A coma = cabeleira
O coma = estado crítico do paciente caracterizado pelo sono mórbido
A crisma = sacramento
O crisma = óleo sagrado
A cura = ato de curar
O cura = pároco
A estepe = planície de vegetação herbácea
O estepe = pneu sobressalente
A grama = relva
O grama = unidade de medida
A guarda = a vigilância
O guarda = o policial
A guia = documento
O guia = aquele que guia
A lente = instrumento óptico
O lente = o professor
A língua = idioma; músculo do aparelho digestivo
O língua = o intérprete
A moral = conjunto de regras de conduta
O moral = estado de espírito
A rádio = estação
O rádio = aparelho

2.Alguns substantivos causam dúvidas quanto ao gênero. Veja uma lista dos principais deles:

Masculino
Feminino
O algoz
A alface
O apêndice
A apendicite
O champanha
A bacanal
O clã
A cal
 O dó
A cataplasma 
O eclipse
A comichão
O estigma
A couve
O estratagema
A couve-flor
O formicida
A dinamite
O guaraná
A ojeriza
O herpes
A entorse
O lotação
A omelete
O matiz
A omoplata
O sósia
A usucapião


3. Há pouco tempo, houve uma certa polêmica em relação ao gênero do cargo máximo da República. A gramática normativa traz as duas formas como sendo corretas: a presidente e a presidenta, qualquer uma que esteja sendo usada não pode ser considerada como errada, trata-se apenas da preferência de quem escreve.

por Prof. Maurício Fernandes da Cunha - www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Exercícios - Indique o feminino dos substantivos masculinos abaixo:

Garoto

Cão

Judeu

Padrasto

Monge

Mestre

Macaco

Zangão

Herói

Garçom

Burguês

Cafeicultor

Pagão

Irmão

Órfão

Professor

Peru

Escultor

cortesão

Rei

Vilão

Ancião

Patrão

Imperador

Pavão

Leão

Leitão

Escrivão

Tabelião

Espião

Camponês

Conde

Ladrão

Folião

Guri

Governador

Historiador

Prefeito

Corredor

Aluno

Consumidor

Coordenador

Cavaleiro

Boi

Patriarca

Perdigão

Carneiro

Sacristão

Padrinho

Cidadão

Presidente

Artesão

Pigmeu

Paspalhão

Czar

Figurão

Autor

Maestro

Pastor

Cobrador

Embaixador

Conhecedor

Ator

Deus

Cantor

Decorador

Jogador

Ateu

Ministro

Coordenador


Prof. Maurício Fernandes da Cunha

Leia também:

Substantivo - Flexão de grau
O Substantivo


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