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terça-feira, 9 de agosto de 2011

FATEC 2011 - 1º Semestre - Prova de Língua Portuguesa

Fatec – Prova de Língua Portuguesa - 1º Semestre – 2011 


Leia o texto e responda às questões de números 49 a 53.


Modo de aferventar a couve-flor

  É indispensável, qualquer que seja o fim a que se destine a couve-flor, prepará-la, antes, da seguinte forma: depois de tirar suas folhas, lave-a, deixando por algum tempo num molho de água e vinagre, para largar qualquer bichinho que possa ter. Lave a couve-flor outra vez, antes de ir para a caçarola, a fim de sair bem o gosto do vinagre. Ela pode ser aferventada inteira ou em pedaços. Se for em pedaços, faz-se da seguinte maneira: corta-se a couve-flor em diversos ramos e põe-se numa caçarola com água salgada a ferver em quantidade tal que os pedaços fiquem completamente cobertos de água para não escurecerem.

Questão 49 -  A função sintática do termo couve-flor no trecho – ... corta-se a couve-flor... – é a seguinte:

(A) sujeito. (B) objeto direto. (C) objeto indireto. (D) adjunto adnominal. (E) predicativo do objeto.

Questão 50 - A oração – ...para não escurecerem... – indica uma:

(A) causa.  (B) finalidade. (C) indefinição. (D) comparação. (E) intensificação.

Questão 51 - A primeira oração do trecho – Se for em pedaços, faz-se da seguinte maneira... – sinaliza a presença de:

(A) uma imposição. (B) uma hipótese. (C) uma ordem. (D) um pedido. (E) um desejo.

Questão 52 - O emprego da palavra "A" no trecho – ... qualquer que seja o fim a que se destine a couve-flor... – justifica-se da seguinte forma:

(A) classifica-se como parte da locução conjuntiva a que.
(B) funciona como uma preposição regida pelo verbo destinar-se.
(C) trata-se de um artigo feminino que acompanha a palavra que.
(D) é empregada com um valor redundante, daí ser uma partícula expletiva.
(E) atua como um pronome pessoal oblíquo que substitui a palavra couve-flor.

Questão 53 - A oração principal – É indispensável – mantém correspondência com a oração subordinada "prepará-la, antes, da seguinte forma...", que deve ser classificada como oração subordinada:

(A) substantiva predicativa.
(B) adverbial concessiva.
(C) substantiva subjetiva.
(D) adjetiva explicativa.
(E) adjetiva restritiva.

Leia o texto para responder à questão de número 54.

Mama África Mama África (a minha mãe)
é mãe solteira
e tem que fazer mamadeira
todo dia
além de trabalhar
como empacotadeira
nas Casas Bahia

Mama África tem tanto o que fazer
além de cuidar neném
além de fazer denguim
filhinho tem que entender
Mama África vai e vem
mas não se afasta de você

Quando Mama sai de casa
seus filhos se olodunzam
rola o maior jazz
Mama tem calos nos pés
Mama precisa de paz
Mama não quer brincar mais
filhinho dá um tempo
é tanto contratempo
no ritmo de vida de Mama

(Chico César. Mama África.In: www.radio.uol.com.br Acesso em: 07.10.2010. Adaptado)

Questão 54 -  Assinale a afirmação correta sobre o texto.

(A) Embora haja trechos descritivos e narrativos, o que predomina é a dissertação. 
(B) As atribulações e contratempos do dia a dia tornam Mama África alheia e indiferente aos seus filhos. 
(C) Através de Mama África, tem-se o perfil da mulher que exercita vários papéis em diferentes esferas sociais. 
(D) Em – seus filhos se olodunzam | rola o maior jazz – as palavras foram empregadas em sentido próprio, isto é, denotativo. 
(E) Trata-se de uma narrativa cuja personagem principal ficou grávida, teve seu filho e, depois, foi abandonada pelo marido.

GABARITO

49. A      50. B      51. B      52. B      53. C    54. C

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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

- Nasceu em Recife, em 1886, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1968.
- Foi escritor, tradutor e professor.
- Começou como parnasiano em “Cinza das Horas”, mas logo aderiu ao Modernismo.
- Foi um dos principais nomes da primeira geração do Modernismo.
- Participou indiretamente da Semana de Arte Moderna através da leitura de seu poema “Os Sapos”, em que criticava os poetas parnasianos.
- Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1940.
- Poeta das coisas simples; poesia lírica, melancólica e autobiográfica; uso da linguagem coloquial.
- Conviveu desde cedo com a doença (foi diagnosticado com tuberculose), tema também de sua poética.
- Alguns temas de sua poesia: a infância, o espectro da morte, o cotidiano, a cidade de Recife.


Velha Chácara

A casa era por aqui...
Onde? Procuro-a e não acho.
Ouço uma voz que esqueci:
É a voz deste mesmo riacho.

Ah quanto tempo passou!
(Foram mais de cinquenta anos.)
Tantos que a morte levou!
(E a vida... nos desenganos...)

A usura fez tábua rasa
Da velha chácara triste:
Não existe mais a casa...

- Mas o menino ainda existe.

(Manuel Bandeira)

Poema só para Jaime Ovalle

Quando hoje acordei, ainda fazia escuro
(Embora a manhã já estivesse avançada).
Chovia.
Chovia uma triste chuva de resignação
Como contraste ao calor tempestuoso da noite.
Então me levantei,
Bebi o café que eu mesmo preparei.
Depois me deitei novamente, acendi um cigarro e fiquei pensando...

- Humildemente pensando na vida e nas mulheres que amei.

(Manuel Bandeira)

Porquinho-da-Índia

Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele prá sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…

- O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

(Manuel Bandeira)

POÉTICA

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de apreço ao sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis
Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo.
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário do amante exemplar com cem modelos de cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres etc.
Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbados
O lirismo dos clowns de Shakespeare

- Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

(Manuel Bandeira)

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


(Manuel Bandeira)

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem tua pureza. Nem tua impureza.
O que eu adoro em ti - lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida.

(Manuel Bandeira)

A Estrela

Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.

Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.

Por que da sua distância
Para a minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta luzia?

E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.


(Manuel Bandeira)

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"Defenestração" - Luis Fernando Verissimo
"Aula de inglês" - Rubem Braga
José Paulo Paes - Poemas
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quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Texto - "Defenestração" - Luis Fernando Verissimo

Defenestração 


   Certas palavras tem o significado errado. Falácia, por exemplo, devia ser o nome de alguma coisa vagamente vegetal. As pessoas deveriam criar falácias com todas as suas variedades. A Falácia Amazônica. A misteriosa Falácia Negra.
    Hermeneuta deveria ser o membro de uma seita de andarilhos herméticos. Aonde eles chegassem, tudo se complicaria. 
    - Os hermeneutas estão chegando!
    - Ih, agora que ninguém vai entender mais nada… 
    Os hermeneutas ocupariam a cidade e paralisariam todas as atividades produtivas com seus enigmas e frases ambíguas. Ao se retirarem deixariam a população prostrada pela confusão. Levaria semanas até que as coisas recuperassem o seu sentido óbvio. Antes disso, tudo pareceria ter um sentido oculto. 
    - Alô...
    - O que é que você quer dizer com isso?
    Traquinagem devia ser uma peça mecânica.
    - Vamos ter que trocar a traquinagem. E o vetor está gasto.
    Plúmbeo devia ser o barulho que um corpo faz ao cair na água.
    Mas nenhuma palavra me fascinava tanto quanto defenestração.
    A princípio foi o fascínio da ignorância. Eu não sabia o seu significado, nunca me lembrava de procurar no dicionário e imaginava coisas. Defenestrar devia ser um ato exótico praticado por poucas pessoas. Tinha até um certo tom lúbrico. Galanteadores de calçada deviam sussurrar no ouvido das mulheres:
    - Defenestras?
    A resposta seria um tapa na cara. Mas algumas… Ah, algumas defenestravam.
    Também podia ser algo contra pragas e insetos. As pessoas talvez mandassem defenestrar a casa. Haveria, assim, defenestradores profissionais.
    Ou quem sabe seria uma daquelas misteriosas palavras que encerravam os documentos formais? “Nestes termos, pede defenestração..” Era uma palavra cheia de implicações. Devo até tê-la usado uma ou outra vez, como em:
    - Aquele é um defenestrado.
    Dando a entender que era uma pessoa, assim, como dizer? Defenestrada. Mesmo errada, era a palavra exata.
    Um dia, finalmente, procurei no dicionário. E aí está o Aurelião que não me deixa mentir. “Defenestração” vem do francês “defenestration”. Substantivo feminino. Ato de atirar alguém ou algo pela janela.
    Ato de atirar alguém ou algo pela janela!
    Acabou a minha ignorância, mas não a minha fascinação. Um ato como este só tem nome próprio e lugar nos dicionários por alguma razão muito forte. Afinal, não existe, que eu saiba, nenhuma palavra para o ato de atirar alguém ou algo pela porta, ou escada abaixo. Por que, então, defenestração?
   Talvez fosse um hábito francês que caiu em desuso. Como o rapé. Um vício como o tabagismo ou as drogas, suprimido a tempo.
    - Les defenestrations. Devem ser proibidas.
    - Sim; monsieur le Ministre.
    - São um escândalo nacional. Ainda mais agora, com os novos prédios.
    - Sim, monsieur le Ministre.
    - Com prédios de três, quatro andares, ainda era admissível. Até divertido. Mas daí para cima vira crime. Todas as janelas do quarto andar para cima devem ter um cartaz: “Interdit de defenestrer”. Os transgressores serão multados. Os reincidentes serão presos.
    Na Bastilha, o Marquês de Sade deve ter convivido com notórios defenestreurs. E a compulsão, mesmo suprimida, talvez ainda persista no homem, como persiste na sua linguagem. O mundo pode estar cheio de defenestradores latentes.
    - É esta estranha vontade de jogar alguém ou algo pela janela, doutor…
    - Hmm, O impulsus defenestrex de que nos fala Freud. Algo a ver com a mãe. Nada com o que se preocupar – diz o analista, afastando se da janela.
    Quem entre nós nunca sentiu a compulsão de atirar alguém ou algo pela janela? A basculante foi inventada para desencorajar a defenestração. Toda a arquitetura moderna, com suas paredes externas de vidro reforçado e sem aberturas, pode ser uma reação inconsciente a esta volúpia humana, nunca totalmente dominada.
    Na lua-de-mel, numa suíte matrimonial no 17º andar.
    - Querida...
    - Mmmm?
    - Há uma coisa que eu preciso lhe dizer...
    - Fala, amor.
    - Sou um defenestrador.
    E a noiva, em sua inocência, caminha para a cama:
    - Estou pronta para experimentar tudo com você. Tudo!
    Uma multidão cerca o homem que acaba de cair na calçada. Entre gemidos, ele aponta para cima e balbucia:
   - Fui defenestrado...
    Alguém comenta:
    - Coitado. E depois ainda atiraram ele pela janela!
    Agora mesmo me deu uma estranha compulsão de arrancar o papel da máquina, amassá-lo e defenestrar esta crônica. Se ela sair é porque resisti.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Questões de vestibulares e concursos II – Interpretação de texto (com gabarito)

Questões de vestibulares e concursos II – Interpretação de texto (com gabarito)

O trecho a seguir refere-se ao requerimento feito por Policarpo Quaresma ao governo nacional para que a língua Tupi fosse considerada a oficial do país.

Triste Fim de Policarpo Quaresma (fragmento)

Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se vêem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua; sabendo, além, que dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem no tocante à correção gramatical, vendo-se, diariamente, surgir azedas polêmicas entre os mais profundos estudiosos do nosso idioma - usando do direito que lhe confere a Constituição, vem pedir que o Congresso Nacional decrete o Tupi-Guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro.
O suplicante, deixando de parte os argumentos históricos que militam em favor de sua ideia, pede vênia para lembrar que a língua é a mais alta manifestação da inteligência de um povo, é a sua criação mais viva e original; e, portanto, a emancipação política do País requer como complemento e consequência a sua emancipação idiomática.
Demais, Senhores Congressistas, o Tupi Guarani, língua originalíssima,  aglutinante, é verdade, mas a que o polissintetismo dá múltiplas feições de riqueza, é a única capaz de traduzir as nossas belezas, de pôr-nos em relação com a nossa natureza e adaptar-se perfeitamente aos nossos órgãos vocais e cerebrais, por ser criação de povos que aqui viveram e ainda vivem, portanto possuidores da organização fisiológica e psicológica para que tendemos, evitando-se dessa forma as estéreis controvérsias gramaticais, oriundas de uma difícil adaptação de uma língua de outra região à nossa organização cerebral e ao nosso aparelho vocal - controvérsias que tanto empecem o progresso da nossa cultura literária, científica e filosófica.
Seguro de que a sabedoria dos legisladores saberá encontrar meios para realizar semelhante medida e cônscio de que a Câmara e o Senado pesarão o seu alcance e utilidade.

P. e E. Deferimento.

(Lima Barreto, In “Triste Fim de Policarpo Quaresma”) 



1) A afirmação falsa sobre o requerimento de Policarpo Quaresma é:

a) O requerente deseja que o Tupi-Guarani seja declarada língua oficial e nacional do Brasil.
b) O requerente apresenta inicialmente os dados pessoais necessários à sua identificação.
c) Os destinatários do requerimento não estão registrados no texto.
d) O requerente apresenta justificativas fisiológicas para o seu pedido.
e) O requerimento inclui apreciações sobre língua transplantada.

2) A alternativa que apresenta um argumento que não está presente no requerimento é:

a) a dependência lingüística dos brasileiros em relação a Portugal
b) as divergências internas e externas no tocante às regras gramaticais
c) a significação política de uma língua original
d) a adaptação da língua ao meio ambiente
e) a necessidade de editarem-se obras com a fala brasileira

3) A alternativa em que o elemento sublinhado não se refere a nenhum elemento anteriormente presente no texto é:

a) ...certo também de que, por esse fato, o falar e o escrever em geral...
b) ...de sofrer continuamente censuras ásperas dos proprietários da língua...
c) ...que, dentro do nosso país, os autores e os escritores,...
d) ...que militam em favor de sua idéia,...
e) ...é a sua criação mais viva e original;...

4) A linguagem empregada no requerimento é caracterizada por:

a) formalíssima e bem afinada com a tradição gramatical lusitana.
b) bastante formal, mas com pequenas influências da fala brasileira.
c) informal, já que o requerente condena a própria língua que emprega.
d) informal e descuidada no aspecto gramatical, ainda que com vocábulos cultos.
e) convencional e artificial, com concessões à fala popular

5) A abreviatura final do requerimento significa:

a) por e especial deferimento
b) para e esperado deferimento
c) pede e espera deferimento
d) próprio e especial deferimento
e) propõe e expõe deferimento

6) O requerimento está dividido em quatro parágrafos e um fecho; a alternativa que indica a correlação equivocada entre cada uma dessas partes e seu conteúdo é:

a) primeiro parágrafo - título, cargo que ocupa a pessoa a quem é dirigido o requerimento
b) segundo parágrafo - justificativa do pedido
c) terceiro parágrafo - ampliação da justificativa
d) quarto parágrafo - expectativa esperançosa do requerente
e) fecho - abreviação convencional de solicitação

7) A alternativa em que o adjetivo sublinhado expressa a opinião do requerente é:

a) Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro...
b) ...certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil;...
c) ...se vêem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras...
d) ...não se entendem no tocante à correção gramatical
e) ...possuidores da organização fisiológica e psicológica para que tendemos...

8) O requerente se refere a si mesmo na terceira pessoa; a alternativa em que, no entanto, se utiliza da primeira é:

a) Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a língua portuguesa é emprestada ao Brasil
b) ...sabendo, além, que, dentro do nosso país, os autores e os escritores, com especialidade os gramáticos, não se entendem...
c) o suplicante, deixando de parte os argumentos históricos que militam em favor de sua idéia, pede vênia para lembrar...
d) ...a emancipação política do País requer como complemento e consequência a sua emancipação idiomática.
e) ...por ser criação de povos que aqui viveram e ainda vivem,...

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A ÁRVORE E O HOMEM

O PRIMEIRO... problema que as árvores parecem propor-nos é o de nos conformarmos com a sua mudez. Desejaríamos que falassem, como falam os animais, como falamos nós mesmos. Entretanto, elas e as pedras reservam-se o privilégio do silêncio, num mundo em que todos os seres têm pressa de se desnudar. Fiéis a si mesmas, decididas a guardar um silêncio que não está à mercê dos botânicos, procuram as árvores ignorar tudo de uma composição social que talvez se lhes afigure monstruosamente indiscreta, fundada como está na linguagem articulada, no jogo de transmissão do mais íntimo pelo mais coletivo. 
Grave e solitário, o tronco vive num estado de impermeabilidade ao som, a que os humanos atingem por alguns instantes e através da tragédia clássica. Não logramos comovê-lo, comunicar-lhe a nossa intemperança. Então, incapazes de trazê-lo para a nossa domesticidade, consideramo-lo um elemento da paisagem, e pintamo-lo. Ele pende, lápis ou óleo, de nossa parede, mas esse artifício não nos ilude, não incorpora a árvore à atmosfera de nossos cuidados. O fumo dos cigarros, subindo até o quadro, parece vagamente aborrecê-la, e certas árvores de Van Gogh, na sua crispação, têm algo de protesto. 

(Carlos Drummond de Andrade, in “Passeios na Ilha”)



9) É FALSO afirmar, a respeito do conteúdo desse texto, que:


a) a capacidade da fala é atribuída a todos os seres animados.
b) seu autor reforça a tese de que, para os seres humanos, a posse da linguagem articulada é um privilégio.
c) o silêncio das árvores é um mistério para os cientistas.
d) o desenho e a pintura são simples artifícios para integrar as árvores no ambiente social e humano.
e) parece às árvores que a socialização da intimidade através da linguagem articulada é uma indiscrição.

10) No texto, a maioria das palavras e expressões refere-se basicamente a dois universos: o das árvores e o dos homens. A alternativa que reúne EXCLUSIVAMENTE palavras relativas ao universo dos homens é:

a) crispação – silêncio
b) intemperança – botânicos
c) paisagem – impermeabilidade
d) cuidados – solitário
e) atmosfera – mudez

11) A atribuição de características humanas às árvores vem expressa no texto por várias expressões/palavras, EXCETO pela da opção:

a) propor-nos   b) fiéis   c) grave   d) ignorar   e) domesticidade

12) Os conectivos “Entretanto” e “Então” encadeiam partes do texto exprimindo, respectivamente:

a) oposição e consequência    b) oposição e tempo
c) tempo e consequência        d) tempo e conclusão    e) tempo e tempo

XENOFOBIA E RACISMO (fragmento)

      As recentes revelações das restrições impostas, há mais de meio século, à imigração de negros, judeus e asiáticos durante os governos de Dutra e Vargas chocaram os brasileiros amantes da democracia. Foram atos injustos, cometidos contra estes segmentos do povo brasileiro que tanto contribuíram para o engrandecimento de nossa nação.
     Já no Brasil atual, a imigração de estrangeiros parece liberalizada e imune às manchas do passado, enquanto que no continente europeu marcha-se a passos largos na direção de conflitos raciais onde a marca principal é o ódio dos radicais de direita aos imigrantes.
     Na Europa, a história se repete com o mesmo enredo centenário: imigrantes são bem-vindos para reforçar a mão-de-obra local em momentos de reconstrução nacional ou de forte expansão econômica; após anos de dedicação e engajamento à vida local, começam a ser alvo da violência e da segregação.

(Artigo publicado no jornal “O Globo”)

13) A seleção vocabular do primeiro período do texto permite dizer que:


a) o adjetivo recentes traz como inferência que as revelações referidas no texto ocorreram nos dias imediatamente antes da elaboração do artigo.
b) a escolha do substantivo revelações se refere a um conjunto de informações que, para o bem do país, deveria permanecer oculto.
c) o substantivo restrições indica a presença de limitações oficiais na política migratória do país.
d) o adjetivo impostas se liga obrigatoriamente a um poder discricionário, como o presente nas ditaduras de Dutra e Vargas.
e) em razão das referências históricas imprecisas do texto, o segmento há mais de meio século se refere a uma quantidade de anos superior a 50 e inferior a 100.

14) Se as restrições de imigração eram impostas a negros, judeus e asiáticos, podemos dizer que havia, nesse momento, uma discriminação de origem:

a) racial e religiosa
b) exclusivamente racial
c) econômica e racial
d) racial e geográfica
e) religiosa, econômica, racial, geográfica e cultural

15) Em relação ao primeiro período do texto, o segundo:

a) explicita quais as revelações referidas.
b) indica, como informação nova, que os atos cometidos eram negativos.
c) esclarece qual a razão dos atos referidos terem chocado os brasileiros.
d) mostra a conseqüência dos fatos relatados anteriormente.
e) comprova as afirmativas iniciais do jornalista com dados históricos.

16) Ao classificar os atos restritivos à imigração de injustos, o autor do texto mostra:

a) somente a opinião dos brasileiros amantes da democracia
b) a sua opinião e a de alguns brasileiros
c) a sua opinião e a dos leitores
d) somente a sua opinião
e) a sua opinião e a dos brasileiros em geral

17) Ao escrever que os atos injustos foram cometidos “contra esses segmentos do povo brasileiro...”, o autor do texto mostra que:

a) a população brasileira da era Vargas sofria pela discriminação oficial.
b) negros, judeus e asiáticos são vistos como brasileiros pelo autor do texto.
c) o povo brasileiro é constituído de raças e credos distintos.
d) alguns segmentos de nosso povo foram autores de atos injustos.
e) o Brasil e seu povo já passaram por momentos históricos difíceis.

18) O segundo parágrafo do texto é introduzido pelo segmento “Já no Brasil atual...”; tal segmento indica:

a) uma oposição de local e tempo
b) uma oposição de tempo
c) uma consequência do primeiro parágrafo
d) uma comparação de duas épocas
e) uma indicação das causas dos fatos relatados

19) Ao escrever que a imigração de estrangeiros parece “imune às manchas do passado”, o autor do texto quer indicar que:

a) os estrangeiros já esqueceram as injustiças de que foram vítimas.
b) a imigração ainda traz marcas dos atos injustos do passado.
c) os imigrantes atuais desconhecem os fatos passados.
d) nada mais há que possa manchar o nosso passado histórico.
e) o processo migratório atual em nada lembra os erros do passado.

20) De todas as ideias expressas abaixo, aquela que NÃO está contida direta ou indiretamente no texto é:

a) Os imigrantes são bem-vindos no Brasil de hoje.
b) A atual situação dos imigrantes na Europa faz prever conflitos futuros.
c) Os estrangeiros acabam sendo perseguidos, em alguns países, apesar de seus bons serviços.
d) A expansão econômica da Europa provocou a saída de emigrantes.
e) Os imigrantes são fator de colaboração para o progresso das nações.

GABARITO 

1 – C    2 – E    3 –B    4 – A   5 – C   6 – A   7 – C   8 – B   9 – B 10 – B 

11 – E 12 – A 13 – C 14 – A 15 – C 16 – B 17 – C 18 – D 19 – E 20 – D

Prof. Maurício Fernandes da Cunha

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