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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Clarice Lispector - Fragmentos

CLARICE LISPECTOR

"Todos os dias, quando acordo, vou correndo tirar a poeira da palavra amor."



"Com todo o perdão da palavra, eu sou um mistério para mim. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior que eu mesma, e não me alcanço"

(Clarice Lispector)

"Ah, e dizer que isto vai acabar, que por si mesmo não pode durar. Não, ela não está se referindo ao fogo, refere-se ao que sente. O que sente nunca dura, o que sente sempre acaba, e pode nunca mais voltar. Encarniça-se então sobre o momento, come-lhe o fogo, e o fogo doce arde, arde, flameja. Então, ela que sabe que tudo vai acabar, pega a mão livre do homem, e ao prendê-la nas suas, ela doce arde, arde, flameja..."

(Clarice Lispector, in "Onde Estivestes de Noite?")


"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."

(Clarice Lispector)


“O medo sempre me guiou para o que eu quero.

E porque eu quero temo.
Muitas vezes foi o medo que me tomou pela mão e me levou.
O medo me leva ao perigo.
E tudo que eu amo é arriscado”

(Clarice Lispector)

“Tu eras a pessoa mais antiga que eu jamais conheci. Eras a monotonia do meu amor eterno, e eu não sabia. Eu tinha por ti o tédio que sinto nos feriados. O que era? Era como água escorrendo numa fonte de pedra, e os anos demarcados na lisura da pedra, o musgo entreaberto pelo fio d´água correndo, e a nuvem no alto, e o homem amado repousando, e o amor parado, era feriado, e o silêncio no voo dos mosquitos. E o presente disponível. E minha libertação lentamente entediada, a fartura, a fartura do corpo que não pede e não precisa.”

(Clarice Lispector, in "A Paixão Segundo G.H.")


“Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, Depende de quando e como você me vê passar.”

(Clarice Lispector)

'- A roseira não assusta você? perguntou suave.

- Esta não: esta tem espinhos.

Vitória franziu as sobrancelhas:

- E que diferença faz se tem espinhos?

- É que só tenho medo, disse Ermelinda com certa voluptuosidade, quando uma flor é bonita demais: sem espinho, toda delicada demais, e toda bonita demais."

(Clarice Lispector, in "A Maçã no Escuro")

"Eu sinto uma beleza quase insuportável e indescritível. Como um ar estrelado, como a forma informe, como o não-ser existindo, como a respiração esplêndida de um animal. Enquanto eu viver terei de vez em quando a quase-não-sensação do que não se pode nomear. Entre oculto e quase revelado. É também um desespero faiscante e a dor se confunde com a beleza e se mistura a uma alegria apocalíptica."

(Clarice Lispector)

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Leia também:

"ABC" - Luís Fernando Verissimo
Vicente de Carvalho - Poemas
"Camelos também choram" - Affonso Romano de Sant´Anna
"Coração Segundo" - Carlos Drummond de Andrade

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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Texto: "ABC" - Luis Fernando Verissimo


ABC


Quando a gente aprende a ler, as letras, nos livros, são grandes. Nas cartilhas - pelo menos nas cartilhas do meu tempo - as letras eram enormes. Lá estava o A, como uma grande tenda. O B, com seu grande busto e sua barriga ainda maior. O C, sempre pronto a morder a letra seguinte com a sua grande boca. O D, com seu ar próspero de grão-senhor, etc. Até o Z, que sempre me parecia estar olhando para trás. Talvez porque não se convencesse que era a última letra do alfabeto e quisesse certificar-se de que atrás não vinha mais nenhuma.
As letras eram grandes, claro, para que decorássemos a sua forma. Mas não precisavam ser tão grandes. Que eu me lembre, minha visão na época era perfeita. Nunca mais foi tão boa. E no entanto os livros infantis eram impressos com letras graúdas e entrelinhas generosas. E as palavras eram curtas. Para não cansar a vista.
À medida que a gente ia crescendo, as letras iam diminuindo. E as palavras, aumentando. Quando não se tem mais uma visão de criança é que se começa, por exemplo, a ler jornal, com seus tipos miúdos e linhas apertadas que requerem uma visão de criança. Na época em que começamos a prestar atenção em coisas como notas de pé de página, bulas de remédio e subcláusulas de contrato, já não temos mais metade da visão perfeita que tínhamos na infância, e esbanjávamos nas bolas da Lulu e no corre-corre do Faísca.
Chegamos à idade de ler grossos volumes em corpo 6 quando só temos olhos para as letras gigantescas, coloridas e cercadas de muito branco, dos livros infantis. Quanto mais cansada a vista, mais exigem dela. Alguns recorrem à lente de aumento para seccionar as grandes palavras em manejáveis monossílabos infantis. E para restituir às letras a sua individualidade soberana, como tinham na infância.
O E, que sempre parecia querer distância das outras. O R! Todas as letras tinham pé, mas o R era o único que chutava. O V, que aparecia em várias formas: refletido na água (o X), de muletas (o M), com o irmão siamês(o W). O Q, que era um O com a língua de fora.
De tanto ler palavras, nunca mais reparamos nas letras. E de tanto ler frases, nunca mais notamos as palavras, com todo o seu mistério. Por exemplo: pode haver palavra mais estranha do que "esdrúxulo"? É uma palavra, sei lá. Esdrúxula. Ainda bem que nunca aparecia nas leituras da infância, senão teria nos desanimado. Eu me recusaria a aprender uma língua, se soubesse que ela continha a palavra "esdrúxulo". Teria fechado a cartilha e ido jogar bola, para sempre. As cartilhas, com sua alegre simplicidade, serviam para dissimular os terrores que a língua nos reservava. Como "esdrúxulo". Para não falar em "autóctone". Ou, meu Deus, em "seborréia"!
Na verdade, acho que as crianças deviam aprender a ler nos livros do Hegel e em longos tratados de metafísica. Só elas têm a visão adequada à densidade do texto, o gosto pela abstração e tempo disponível para lidar com o infinito. E na velhice, com a sabedoria acumulada numa vida de leituras, com as letras ficando progressivamente maiores à medida que nossos olhos se cansavam, estaríamos então prontos para enfrentar o conceito básico de que vovô vê a uva, e viva o vovô.
Vovô vê a uva! Toda a nossa inquietação, nossa perplexidade e nossa busca terminariam na resolução deste enigma primordial. Vovô. A uva. Eva. A visão. Nosso último livro seria a cartilha. E a nossa última aventura intelectual, a contemplação enternecida da letra A. Ah, o A, com suas grandes pernas abertas.

(Luis Fernando Verissimo, in “Comédias para se ler na escola”)

Leia também:

Vicente de Carvalho - Poemas
Clarice Lispector - Fragmentos


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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

FUVEST 2011 – 1º Fase – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA – COM GABARITO

FUVEST 2011 – 1º Fase – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

ps. Foi mantida a numeração original da prova.

Texto para as questões de 70 a 74

     Todo o barbeiro é tagarela, e principalmente quando tem pouco que fazer; começou portanto a puxar conversa com o freguês. Foi a sua salvação e fortuna.  O navio a que o marujo pertencia viajava para a Costa e ocupava-se no comércio de negros; era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo, e estava pronto a largar.
      — Ó mestre! disse o marujo no meio da conversa, você também não é sangrador?
      — Sim, eu também sangro...
      — Pois olhe, você estava bem bom, se quisesse ir conosco... para curar a gente a bordo;  morre-se ali que é uma praga.
      — Homem, eu da cirurgia não entendo muito...
      — Pois já não disse que sabe também sangrar?
      — Sim...
      — Então já sabe até demais.
     No dia seguinte saiu o nosso homem pela barra fora: a fortuna tinha-lhe dado o meio, cumpria sabê-lo aproveitar; de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro; restava unicamente saber fazer render a nova posição. Isso ficou por sua conta.
     Por um feliz acaso logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros; chamou-se o médico; ele fez tudo o que sabia... sangrou os doentes, e em pouco tempo estavam bons, perfeitos. Com isto ganhou imensa reputação, e começou a ser estimado.  Chegaram com feliz viagem ao seu destino; tomaram o seu carregamento de gente, e voltaram para o Rio. Graças à lanceta do nosso homem, nem um só negro morreu, o que muito contribuiu para aumentar-lhe a sólida reputação de entendedor do riscado.

(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um sargento de milícias.)

70 - Das seguintes afirmações acerca de diferentes elementos linguísticos do texto, a única correta é:

a) A expressão sublinhada em “para curar a gente a bordo” (L. 12) deve ser entendida como pronome de tratamento de uso informal.
b) A fórmula de tratamento (L. 14) com que o barbeiro se dirige ao marujo mantém o tom cerimonioso do início do diálogo.
c) O destaque gráfico da palavra “muito” (L. 14) produz um efeito de sentido que é reforçado pelas reticências.
d) O pronome possessivo usado nos trechos “saiu o nosso homem” (L. 18) e “lanceta do nosso homem” (L. 30) configura o chamado plural de modéstia.
e) A palavra “fortuna”, tal como foi empregada na linha 19, pode ser substituída por “bens”, sem prejuízo para o sentido

71 - Para expressar um fato que seria consequência certa de outro, pode-se usar o pretérito imperfeito do indicativo em lugar do futuro do pretérito, como ocorre na seguinte frase:

a) “era um dos combóis que traziam fornecimento para o Valongo”.
b) “você estava bem bom, se quisesse ir conosco”.
c) “Pois já não disse que sabe também sangrar?”.
d) “de oficial de barbeiro dava um salto mortal a médico de navio negreiro”.
e) “logo nos primeiros dias de viagem adoeceram dois marinheiros”.

72 - Neste trecho, em que narra uma cena relacionada ao tráfico de escravos, o narrador não emite julgamento direto sobre essa prática. Ao adotar tal procedimento, o narrador

a) revela-se cúmplice do mercado negreiro, pois fica subentendido que o considera justo e irrepreensível.
b) antecipa os métodos do Realismo-Naturalismo, o qual, em nome da objetividade, também abolirá os julgamentos de ordem social, política e moral.
c) prefigura a poesia abolicionista de Castro Alves, que irá empregá-lo para melhor expor à execração pública o horror da escravidão.
d) contribui para que se constitua a atmosfera de ausência de culpa que caracteriza a obra.
e) mostra-se consciente de que a responsabilidade pelo comércio de escravos cabia, principalmente, aos próprios africanos, e não ao tráfico negreiro.

73 - Assim como faz o barbeiro, nesse trecho de Memórias de um sargento de milícias, também a personagem José Dias, de  Dom Casmurro, irá se passar por médico (homeopata), para obter meios de subsistência. Essa correlação indica que

I. estamos diante de uma linha de continuidade temática entre o romance de Manuel Antônio de Almeida e o romance machadiano da maturidade.
II. agregados transgrediam com bastante desenvoltura princípios morais básicos, razão pela qual eram proibidos de conviver com a rígida família patriarcal do Império.
III. os protagonistas desses romances decalcam um mesmo modelo literário: o do pícaro, herói do romance picaresco espanhol.

Está correto o que se afirma em
a) I, apenas.  b) II, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III.

74 - A linguagem de cunho popular que está presente tanto na fala das personagens quanto no discurso do narrador do romance de Manuel Antônio de Almeida, está mais bem exemplificada em:

a) “quando tem pouco que fazer”; “cumpria sabê-lo aproveitar”.
b) “Foi a sua salvação”; “a que o marujo pertencia”.
c) “saber fazer render a nova posição”; “Chegaram com feliz viagem ao seu destino”.
d) “puxar conversa”; “entendedor do riscado”.
e) “adoeceram dois marinheiros”; “sólida reputação”.

75 - Considere a seguinte afirmação:  Ambas as obras criticam a sociedade, mas apenas a segunda milita pela subversão da hierarquia social nela representada.
Observada a sequência, essa afirmação aplica-se a

a)  A cidade e as serras e Capitães da areia.
b)  Vidas secas e  Memórias de um sargento de milícias
c) O cortiço e Iracema.
d)  Auto da barca do inferno e A cidade e as serras.
e)  Iracema e Memórias de um sargento de milícias

76 - Leia o trecho de Machado de Assis sobre Iracema, de José de Alencar, e responda ao que se pede.

“....... é o ciúme e o valor marcial; ....... a austera sabedoria dos anos; Iracema o amor. No meio destes caracteres distintos e animados, a amizade é simbolizada em ....... . Entre os indígenas a amizade não era este sentimento, que à força de civilizar-se, tornou-se raro; nascia da simpatia das almas, avivava-se com o perigo, repousava na abnegação recíproca; ....... e ....... são os dois amigos da lenda, votados à mútua estima e ao mútuo sacrifício”.

(Machado de Assis, Crítica.)

No trecho, os espaços pontilhados serão corretamente preenchidos, respectivamente, pelos nomes das seguintes personagens de Iracema:

a) Caubi, Jacaúna, Araquém, Araquém, Martim.
b) Martim, Irapuã, Poti, Caubi, Martim.
c) Poti, Araquém, Japi, Martim, Japi
d) Araquém, Caubi, Irapuã, Irapuã, Poti.
e) Irapuã, Araquém, Poti, Poti, Martim.

Texto para as questões de 77 a 79

A questão racial parece um desafio do presente, mas trata-se de algo que existe desde há muito tempo. Modifica-se ao acaso das situações, das formas de sociabilidade e dos jogos das forças sociais, mas reitera-se continuamente, modificada, mas persistente.
Esse é o enigma com o qual se defrontam uns e outros, intolerantes e tolerantes, discriminados e preconceituosos, segregados e arrogantes, subordinados e dominantes, em todo o mundo. Mais do que tudo isso, a questão racial revela, de forma particularmente evidente, nuançada e estridente, como funciona a fábrica da sociedade, compreendendo identidade e alteridade, diversidade e desigualdade, cooperação e hierarquização, dominação e alienação.

(Octavio Ianni. Dialética das relações sociais. Estudos avançados, n. 50, 2004.)

77 - Segundo o texto, a questão racial configura-se como “enigma”, porque 

a) é presa de acirrados anttagonismos sociais.
b) tem origem no preconceito, que é de natureza irracional.
c) encobre os interesses de determinados estratos sociais.
d) parece ser herança histórica, mas surge na contemporaneidade. 
e) muda sem cessar, sem que, por isso, seja superada.

78 - As palavras do texto cujos prefixos traduzem, respectivamente, ideia de anterioridade e contiguidade são

a) “persistente” e “alteridade”.
b) “discriminados” e “hierarquização”.
c) “preconceituosos” e “cooperação”.
d) “subordinados” e “diversidade”.
e) “identidade” e “segregados”.

79 - Conforme o texto, na questão racial, o funcionamento da sociedade dá-se a ver de modo

a) concentrado. b) invertido.  c) fantasioso.  d) compartimentado.  e) latente.

Texto para as questões de 80 a 82

Já na segurança da calçada, e passando por um trecho em obras que atravanca nossos passos, lanço à queima-roupa: 
— Você conhece alguma cidade mais feia do que São Paulo?
— Agora você me pegou, retruca, rindo. Hã, deixa eu ver... Lembro-me de La Paz, a capital da Bolívia, que me pareceu bem feia. Dizem que Bogotá é muito feiosa também, mas não a conheço. Bem, São Paulo, no geral, é feia, mas as pessoas têm uma disposição para o trabalho aqui, uma vibração empreendedora, que dá uma feição muito particular à cidade. Acordar cedo em São Paulo e ver as pessoas saindo para trabalhar é algo que me toca. Acho emocionante ver a garra dessa gente.

(R. Moraes e R. Linsker. Estrangeiros em casa: uma caminhada pela selva urbana de São Paulo.  National Geographic Brasil. Adaptado. )

80 - Os interlocutores do diálogo contido no texto compartilham o pressuposto de que

a) cidades são geralmente feias, mas interessantes.
b) o empreendedorismo faz de São Paulo uma bonita cidade.
c) La Paz é tão feia quanto São Paulo.
d) São Paulo é uma cidade feia. 
e) São Paulo e Bogotá são as cidades mais feias do mundo.

81 - No terceiro parágrafo do texto, a expressão que indica, de modo mais evidente, o distanciamento social do segundo interlocutor em relação às pessoas a que se refere é

a) “disposição para o trabalho”.
b) “vibração empreendedora”.
c) “feição muito particular”.
d) “saindo para trabalhar”. 
e) “dessa gente”.

82 - Ao reproduzir um diálogo, o texto incorpora marcas de oralidade, tanto de ordem léxica, caso da palavra “garra”, quanto de ordem gramatical, como, por exemplo,

a) “lanço à queima-roupa”.
b) “Agora você me pegou”.
c) “deixa eu ver”. 
d) “Bogotá é muito feiosa”.
e) “é algo que me toca”. 

Texto para as questões de 83 a 85

A ROSA DE HIROXIMA

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinicius de Moraes, Antologia poética.

83 - Neste poema,

a) a referência a um acontecimento histórico, ao privilegiar a objetividade, suprime o teor lírico do texto.
b) parte da força poética do texto provém da associação da imagem tradicionalmente positiva da rosa a atributos negativos, ligados à ideia de destruição.
c) o caráter politicamente engajado do texto é responsável pela sua despreocupação com a elaboração formal.
d) o paralelismo da construção sintática revela que o texto foi escrito originalmente como letra de canção popular.
e) o predomínio das metonímias sobre as metáforas responde, em boa medida, pelo caráter concreto do texto e pelo vigor de sua mensagem.

84 - Dentre os recursos expressivos presentes no poema, podem-se apontar a sinestesia e a aliteração, respectivamente, nos versos

a)   2  e  17.
b)   1  e    5.
c)   8  e  15.
d)   9  e  18.
e) 14  e    3.

85 - Os aspectos expressivo e exortativo do texto conjugam-se, de modo mais evidente, no verso:

a) “Mudas telepáticas”. (V. 2)
b) “Mas oh não se esqueçam”. (V. 9)
c) “Da rosa da rosa”. (V. 10)
d) “Estúpida e inválida”. (V. 14)
e) “A antirrosa atômica”. (V. 16)

GABARITO

70 – C    71 – B    72 – D    73 – A    74 – D      75 – A    76 – E   77 – E  
78 – C    79 – E    80 – D    81 – E     82 – C      83 – B     84 – C  85 – B