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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Prova de língua portuguesa – concurso público – cargo: PAPILOSCOPISTA

Prova de língua portuguesa – concurso público – cargo: PAPILOSCOPISTA – POLÍCIA CIVIL/SP – 2002

Prova preambular realizada na data 14/04/2002

PORTUGUÊS 

01) Assinale a alternativa em que o acento gráfico das palavras se justifica pela mesma regra de acentuação. 

a. mês - pára (verbo) - táxi 
b. crânio - suíço - está (verbo) 
c. ninguém - até - água 
d. estréia - jibóia - céus 

ps. A prova foi mantida em seu formato original, porém, observe o aluno que o Novo Acordo Ortográfico, que entra em vigor definitivamente em 2012, não mais permite a acentuação nos ditongos decrescentes paroxítonos, tais como "estreia" e "jiboia".

02) Assinale a alternativa em que a divisão silábica está correta. 

a. de-cep-ção, co-lhe-i-ta 
b. pneu-mo-ni-a, bí-ceps 
c. Sa-a-ra, tea-tro 
d. ra-pa-du-ra, á-gu-a 

03) As palavras PASSATEMPO e EMBORA são formadas, respectivamente, por 

a. justaposição e aglutinação. 
b. hibridismo e redução. 
c. derivação regressiva e composição. 
d. composição e derivação regressiva. 

04) Assinale a alternativa em que o elemento mórfico em destaque está corretamente analisado. 

a. partiremos (-mos) desinência de futuro do indicativo. 
b. falassem (-sse-) desinência de segunda pessoa do plural. 
c. menina (-a) desinência nominal de gênero. 
d. louvaste (-a-) vogal de ligação. 

05) Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas da frase. Quando você o _________ , __________ que já concluímos o trabalho. 

a. ver, diga-lhe 
b. ver, diz-lhe 
c. vir, dize-lhe 
d. vir, diga-lhe 

06) Convém que todos se concentrem nesse problema. A oração destacada é subordinada substantiva 

a. subjetiva. 
b. objetiva direta. 
c. completiva nominal. 
d. objetiva indireta. 

07) "Com efeito, se me escapa o retrato moral de minha mulher, para que serve esta narrativa? Para nada, mas sou forçado a escrever". A oração em destaque classifica-se como subordinada 

a. adverbial final. 
b. substantiva completiva nominal. 
c. adverbial temporal. 
d. adverbial condicional. 

08) Assinale a alternativa que preenche corretamente os espaços na frase. Eu não ___ vi na festa do clube ontem. Os diretores não ___ convidaram? Não ___ disseram que era ontem? Eu ___ avisei de que não podia confiar neles. 

a. o, o, o, o 
b. o, lhe, lhe, o 
c. o, o, lhe, o 
d. lhe, lhe, o, o 

09) Assinale a alternativa que preenche corretamente os espaços na frase. Hoje, quem _____ , porque, ontem _____ tu que ______ . 

a. paga sou eu - fostes - pagastes 
b. paga sou eu - foi - pagou 
c. paga sou eu - foste - pagaste 
d. paga é eu - foi - pagaste 

10) Assinale a alternativa que preenche corretamente os espaços na frase. 

Não ____ razões para acreditarmos nele, pois ____ provas suficientes e ____ anotações memoráveis a seu favor. 

a. faltava, haviam, existiam 
b. faltavam, haviam, existiam 
c. faltava, havia, existia 
d. faltavam, havia, existiam 

GABARITO

01 – d ,     02 – b ,    03 – a ,    04 – c ,    05 – d ,
06 – a ,     07 – d ,    08 – c ,    09 – c ,    10 – d.

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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Manuel Alegre - Poemas

Manuel Alegre - Poemas

Coisa Amar

Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como dói

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

(Manuel Alegre)

Letra para um hino

É possível falar sem um nó na garganta
É possível amar sem que venham proibir
É possível correr sem que seja a fugir.
Se tens vontade de cantar não tenhas medo: canta.

É possível andar sem olhar para o chão
É possível viver sem que seja de rastos.
Os teus olhos nasceram para olhar os astros,
Se te apetece dizer não, grita comigo: não.

É possível viver de outro modo. 
É possível transformares em arma a tua mão.
É possível o amor. É possível o pão.
É possível viver de pé.

Não te deixes murchar. Não deixes que te domem.
É possível viver sem fingir que se vive.
É possível ser homem.
É possível ser livre livre livre

(Manuel Alegre)

Trova do vento que passa
 
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
 
Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.
 
(...)
 
Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.
 
(...)
 
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
 
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
(Manuel Alegre) 
Canção tão simples

Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
 
Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
 
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
 
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?
(Manuel Alegre) 

Regresso
 
E contudo perdendo-te encontraste.
E nem deuses nem monstros nem tiranos
te puderam deter. A mim os oceanos.
E foste. E aproximaste.
 
Antes de ti o mar era mistério.
Tu mostraste que o mar era só mar.
Maior do que qualquer império
foi a aventura de partir e de chegar.
 
Mas já no mar quem fomos é estrangeiro
e já em Portugal estrangeiros somos.
Se em cada um de nós há ainda um marinheiro
vamos achar em Portugal quem nunca fomos.
 
De Calicute até Lisboa sobre o sal
e o Tempo. Porque é tempo de voltar
e de voltando achar em Portugal
esse país que se perdeu de mar em mar.

(Manuel Alegre)

Balada do Poema que não Há

Quero escrever um poema
Um poema não sei de quê
Que venha todo vermelho
Que venha todo de negro
Às de copas às de espadas
Quero escrever um poema
Como de sortes cruzadas

Quero escrever um poema
Como quem escreve o momento
Cheiro de terra molhada
Abril com chuva por dentro
E este ramo de alfazema
Por sobre a tua almofada
Quero escrever um poema
Que seja de tudo ou nada 

Um poema não sei de quê
Que traga a notícia louca
Da história que ninguém crê
Ou esta afta na boca
Esta noite sem sentido
Coisa pouca coisa pouca
Tão aquém do pressentido
Que me dói não sei porquê

Quero um poema ao contrário
Deste estado que padeço
Meu cavalo solitário
A cavalgar no avesso
De um verso que não conheço 

(...)

Quero o poema perfeito 
Que ninguém há-de escrever 
Que ele traga a estrela negra 
Do canto e da solidão 
Ou aquela toutinegra 
De Camões quando escrevia 
Sôbolos rios que vão 

Que venha como um destino 
Às de copas às de espadas 
Que venha para viver 
Que venha para morrer 
Se tiver que ser será 
E não há cartas marcadas 
Só assim poderá ser 
O poema que não há 

(Manuel Alegre)

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Jorge de Lima

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Texto - "A Causa Secreta" - Machado de Assis

    Mais uma página antológica saída da pena de Machado de Assis. Um retrato da maldade humana ao descrever o prazer que sente um sádico ao torturar um rato.

Causa Secreta

     Garcia lembrou-se que na véspera ouvira ao Fortunato queixar-se de um rato, que lhe levara um papel importante; mas estava longe de esperar o que viu. Viu Fortunato sentado à mesa, que havia no centro do gabinete, e sobre a qual pusera um prato com espírito de vinho. O líquido flamejava. Entre o polegar e o índice da mão esquerda segurava um barbante, de cuja ponta pendia o rato atado pela cauda. Na direita tinha uma tesoura. No momento em que o Garcia entrou, Fortunato cortava ao rato uma das patas; em seguida desceu o infeliz até a chama, rápido, para não matá-lo, e dispôs-se a fazer o mesmo à terceira, pois já lhe havia cortado a primeira. Garcia estacou horrorizado.
     — Mate-o logo! disse-lhe.
     — Já vai.
     E com um sorriso único, reflexo de alma satisfeita, alguma coisa que traduzia a delícia íntima das sensações supremas, Fortunato cortou a terceira pata ao rato, e fez pela terceira vez o mesmo movimento até a chama. O miserável estorcia-se, guinchando, ensanguentado, chamuscado, e não acabava de morrer. Garcia desviou os olhos, depois voltou-os novamente, e estendeu a mão para impedir que o suplício continuasse, mas não chegou a fazê-lo, porque o diabo do homem impunha medo, com toda aquela serenidade radiosa da fisionomia. Faltava cortar a última pata; Fortunato cortou-a muito devagar, acompanhando a tesoura com os olhos; a pata caiu, e ele ficou olhando para o rato meio cadáver. Ao descê-lo pela quarta vez, até a chama, deu ainda mais rapidez ao gesto, para salvar, se pudesse, alguns farrapos de vida.
     Garcia, defronte, conseguia dominar a repugnância do espetáculo para fixar a cara do homem. Nem raiva, nem ódio; tão-somente um vasto prazer, quieto e profundo, como daria a outro a audição de uma bela sonata ou a vista de uma estátua divina, alguma coisa parecida com a pura sensação estética. Pareceu-lhe, e era verdade, que Fortunato havia-o inteiramente esquecido. Isto posto, não estaria fingindo, e devia ser aquilo mesmo. A chama ia morrendo, o rato podia ser que tivesse ainda um resíduo de vida, sombra de sombra; Fortunato aproveitou-o para cortar-lhe o focinho e pela última vez chegar a carne ao fogo. Afinal deixou cair o cadáver no prato, e arredou de si toda essa mistura de chamusco e sangue.
     Ao levantar-se deu com o médico e teve um sobressalto. Então, mostrou-se enraivecido contra o animal, que lhe comera o papel; mas a cólera evidentemente era fingida.
     “Castiga sem raiva”, pensou o médico, “pela necessidade de achar uma sensação de prazer, que só a dor alheia lhe pode dar: é o segredo deste homem”.

(Machado de Assis, in “Várias histórias”)

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Provas de Língua Portuguesa – Mackenzie – 2010 – 2º Semestre

Universidade Mackenzie – Vestibular 2010 – 2º Semestre – Provas de Língua Portuguesa


PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA – Grupos I - IV - V - V

Textos para as questões de 01 a 05

Proibir caminhões é bom para São Paulo?

Texto I

01        Sim. A Prefeitura acertou ao proibir caminhões em vias como a
02        Marginal e a Bandeirantes. É inadmissível que grandes caminhões
03        ainda precisem entrar nas regiões centrais para realizar as entregas.
04        A logística das empresas precisa ser bem pensada e organizada, para
05        que a carga chegue a um armazém nas rodovias e depois seja levada
06        até a cidade em veículos menores. O trânsito pesado e a poluição
07        crescente agradecem.

Texto II

01        Não. A Prefeitura esquece que nem todos os caminhões seguem para
02        os portos do litoral. Muitos deles são responsáveis pelo abastecimento
03        da cidade. O setor concorda que as entregas nas regiões centrais
04        precisam ser feitas por veículos de tamanho menor, mas a Marginal
05        e a Bandeirantes, que estão entre as vias interditadas a caminhões,
06        concentram algumas indústrias pesadas. E a carga que as abastece
07        é de grande peso e volume. Problemas mais complexos não podem
08        ser imputados apenas a um tipo de veículo e seu tráfego.

Adaptado de O Estado de s.Paulo

Questão nº 01 - Assinale a alternativa correta sobre o Texto I:

a) em A Prefeitura acertou ao proibir caminhões  (linha 01), a partícula ao apresenta valor 
temporal e pode ser substituída, sem prejuízo para a construção textual, por “enquanto”.
b) inadmissível (linha 02) é uma palavra que aceita, segundo a norma culta da língua escrita, duas representações ortográficas possíveis: “inadmissível” e “inadimissível”.
c) a palavra logística (linha 04) pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido original do texto, pela palavra “lógica”.
d) para que  (linhas 04 e 05) é uma construção que estabelece nexo entre sentenças do texto conferindo, no contexto,  sentido de finalidade.
e) a forma verbal precisem (linha 03) pode ser substituída pela forma “precisam”, sem que haja modificação nos sentidos, uma vez que ambas as formas verbais estão no modo indicativo.

Questão nº 02 - Assinale a alternativa correta sobre o Texto II:

a) a partícula que (linha 01) apresenta a mesma função presente em “Todos compraram o 
brinquedo que ficou muito mais caro”.
b) a conjunção mas (linha 04) pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido original do texto, por “embora”, uma vez que esta conjunção apresenta mesmo sentido adversativo.
c) a palavra interditadas (linha 05) pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido do texto, por “fechadas”. No entanto, a troca passaria a exigir a presença de crase antes de caminhões.
d) a partícula as (linha 06) é elemento de coesão textual e faz referência a indústrias pesadas, que 
se localiza no período imediatamente anterior.
e) imputados (linha 08) equivale à noção semântica de “multados”, palavra que poderia figurar no trecho, sem que isso provocasse alteração de sentidos.

Questão nº 03 - Os dois textos

a) revelam orientação crítica, no sentido de que ambos defendem posicionamentos semelhantes 
com relação ao tema.
b) expõem argumentos plausíveis para a defesa dos respectivos posicionamentos.
c) são narrativas breves, pois apresentam desenvolvimento sucinto de enredos.
d) desenvolvem-se narrativamente a partir de um conflito temático entre protagonista e antagonista.
e) são constituídos de fatos e dados objetivos que buscam legitimar, a partir de uma perspectiva quantitativa, as respectivas opiniões.

Questão nº 04 - Depreende-se corretamente da leitura dos textos que

a) a proibição de caminhões em vias públicas atende exclusivamente a um pedido dos ecologistas, tendo em vista a questão ambiental.
b) a circulação restrita de caminhões ou veículos pesados é um primeiro passo em direção a uma atitude mais agressiva: a aplicação de multas.
c) trânsito e poluição são questões complexas que suscitam posicionamentos vinculados a 
interesses de natureza diversa.
d) as grandes cidades devem evitar, sempre que possível, a construção de complexos industriais, uma vez que eles são os responsáveis pela poluição e pelo trânsito.
e) veículos de grande porte, ao contrário do que muitos pensam, colaboram para que o tráfego se torne mais leve, uma vez que ocupam o espaço tomado por vários outros veículos menores.

Questão nº 05 - Assinale a alternativa correta sobre o título que introduz os dois textos: Proibir caminhões é bom para São Paulo?

a) A troca do verbo proibir por um substantivo resultaria, de acordo com a norma culta, na 
seguinte redação: “A proibição de caminhões é bom para São Paulo?”.
b) A correção gramatical seria preservada caso a redação fosse “Proibir caminhões é bom para 
São Paulo, por quê?”.
c) A partícula para pode ser substituída, de acordo com a norma culta, pelo artigo feminino craseado “à”.
d) A presença de uma vírgula após bom conferiria ao título um tom mais formal, provocando distanciamento do leitor.
e) O fato de o título ser uma interrogação orienta o leitor para o posicionamento negativo em 
relação à pergunta, o que deveria ser evitado em textos jornalísticos.

Questão nº 06

É o princípio do outono... Quantas flores
Já vi murchar, e quantos verdes frutos
Não vi, depois, na terra apodrecendo,
Derrubados dos galhos pelos ventos!
[...]

Pelas minhas janelas dentro em pouco
Verei chegar a doce luz do outono.
E minh’alma estará, enfim, madura.

Augusto Frederico Schmidt

Nas duas estrofes acima, a linguagem descritiva  

a) cria um espaço poético de idealização, caracterizado como locus amoenus, onde o poeta, assumindo-se como um pastor, consagra o mundo natural.
b) constrói um cenário idílico, coerente com a expressão do amor romântico revelada pelo 
eu lírico.
c) formaliza poeticamente uma imagem do mundo natural que reflete o estado de alma do poeta.
d) tem como função estabelecer um contraponto antitético entre o mundo natural e o mundo 
interior do poeta.
e) vincula-se a uma tradição poética cujo ideal expressivo valoriza prioritariamente o pitoresco e a cor local.

Questão nº 07 - Desde que a febre de possuir se apoderou dele totalmente, todos os seus atos, todos, fosse o  mais simples, visavam um interesse pecuniário. [...] Aquilo já não era ambição, era uma 
moléstia nervosa, uma loucura, um desespero de acumular, de reduzir tudo a moeda.

Aluísio Azevedo, O cortiço

No excerto acima, a percepção do narrador traz marcas do estilo naturalista, pelo fato de  

a) caracterizar o modo de ser da personagem como uma patologia.
b) trazer ao leitor, com objetividade e parcimônia, o lado cômico do comportamento humano. 
c) criar analogia entre homem e animal, imagem resultante da projeção subjetiva do observador sobre o observado.
d) criticar explicitamente a ambição desmesurada da alta burguesia.
e) apresentar sintaxe e léxico inovadores e temática cientificista.  

Textos para as questões 08 e 09

Texto I

Torce, aprimora, alteia, lima
       A frase; enfim,
No verso de ouro engasta a rima,
       Como um rubim.

Olavo Bilac

Texto II

Lava, escorre, agita
a areia. E enfim, na bateia,
Fica uma pepita.

“O haicai”, Guilherme de Almeida

Observação
Haicai : forma de poesia japonesa surgida no século XVI e ainda hoje em voga, composta 
de três versos: o primeiro e o terceiro  com cinco sílabas e o segundo com sete.

Questão nº 08 - É correto afirmar que o Texto I

a) tematiza o trabalho poético como fruto do esforço artesanal.
b) exemplifica a tendência barroca da poesia brasileira do século XIX.
c) traz índices da estética simbolista, na medida em que não respeita a regularidade métrica e substitui o decassílabo por versos populares.
d) ironiza a delicadeza do poeta, concebido como um escultor de jóias, que trabalha incansavelmente até encontrar a rima preciosa.
e) recupera aspectos formais e temáticos defendidos pelos poetas românticos.

Questão nº 09 - Considere as seguintes afirmações:

I. O Texto II corresponde a uma paródia do Texto I, na medida em que valoriza a concepção de arte como fruto da inspiração e do acaso. 
II. O diálogo entre os textos exemplifica o repúdio dos modernistas às estéticas do século XIX.
III. Os dois textos metaforizam o fazer poético e, portanto, configuram discursos metalinguísticos.

Assinale:
a) se apenas I estiver correta.
b) se apenas II estiver correta.
c) se apenas III estiver correta.
d) se apenas II e III estiverem corretas.
e) se todas estiverem corretas.

Texto para as questões 10 e 11

01        Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética
02        para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. [...] Quantos minutos
03        gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse
04        tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por
05        não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades
06        e dos suplícios. Há de dobrar o gozo aos bem-aventurados do céu
07        conhecer a soma dos tormentos que já terão padecido no inferno os
08        seus inimigos; assim também a quantidade das delícias que terão
09        gozado no céu os seus desafetos aumentará as dores aos condenados
10        do inferno.

Machado de Assis, Dom Casmurro

Questão nº 10 - Assinale a alternativa correta.

a) O narrador onisciente, assumidamente realista, expõe sua dificuldade em descrever os olhos de Capitu (linha 02) dentro de um padrão romântico.
b) Segundo o autor, a alegria dos apaixonados é indiretamente proporcional às dores dos condenados (linha 09).
c) Para o narrador de terceira pessoa, os apaixonados não percebem diferença entre o sofrimento no inferno (linha 07) e as delícias no céu (linhas 08 e 09).
d) A descrença de Machado de Assis com relação ao amor vem explicitada pelo jogo antitético presente no texto: exata e poética (linha 01), felicidades e suplícios (linhas 05 e 06).
e) D.Casmurro deseja reconstituir a percepção que tivera ao ver os olhos de Capitu no tempo de menino, daí a invocação à Retórica dos namorados (linha 01).

Questão nº 11 - Considere as seguintes afirmações:

I. No fragmento citado tem-se exemplo de tendência machadiana caracterizada por comentários digressivos do narrador.
II. Uma visão amarga da humanidade está expressa na reflexão acerca da eternidade (linha 04), lugar em que se reproduzem os aspectos negativos da alma humana.
III. A referência ao tempo infinito e breve (linha 04) sugere dupla percepção do tempo: 
psicológica e cronológica.

Assinale:
a) se apenas a afirmativa III estiver correta.
b) se apenas as afirmativas I e II estiverem corretas.
c) se apenas a afirmativa II estiver correta.
d) se apenas as afirmativas I e III estiverem corretas.
e) se todas as afirmativas estiverem corretas. 


GABARITO - Grupos I - IV - V - V


1-D   2 – D   3 – B   4 – C   5 – B   6 – C   7 – A   8 – A   9 – C   10 – E   11 – E   

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA – GRUPOS II E III

Textos para as questões de 01 a 03

Texto I

Enredado pelas evidências

01        Novos indícios da morte de Eglê Castroal, trazidos à luz na
02        semana passada, reforçam a suspeita da polícia: o padeiro Brenos
03        Faria, dono de uma das maiores padarias do país, hoje preso, não
04        foi apenas o artífice do crime, mas participou de toda a trama do
05        assassinato da jovem de 25 anos, que o coagia a reconhecer um
06        filho que dizia ser dele.

Adaptado da Revista Veja

Texto II

Por que os homens nos matam?

01        A esta altura, matam-se no Brasil cerca de dez a doze mulheres
02        por dia. Não morte por assalto ou acidente de carro: assassinato na
03        mão do parceiro. Em certos lugares a explicação para os maus-tratos
04        é simplória. Para haver um opressor, dizemos, é preciso haver um
05        oprimido. A mulher-vítima é quem dá coragem ao truculento. O jogo
06        sadomasoquista funciona quando há pelo menos dois parceiros. O
07        que leva uma jovenzinha a aceitar, no começo ou no meio de uma
08        relação, a brutalidade masculina, numa frequência absurda?

Adaptado de Lya Luft

Questão nº 01 - Assinale a alternativa correta.

a) Nos dois textos, há utilização, de formas distintas, de linguagem referencial e denotativa, possibilitando 
ao leitor uma apreensão objetiva dos sentidos.
b) Nos dois textos, há linguagem predominantemente metafórica, considerando que o objetivo principal é provocar efeitos de sentido de ambiguidade.
c) A relação entre os textos se dá apenas no nível da forma, pois os temas apresentados são divergentes e 
exigem do leitor conhecimentos de mundo diversos.
d) Os títulos dos textos funcionam apenas como estratégia retórica, já que dificilmente 
conduziriam o leitor para o conteúdo tratado por seus autores.
e) A semelhança entre os textos se deve ao tom reflexivo e polêmico adotado pelos enunciadores nas 
respectivas sequências narrativas.

Questão nº 02 - Assinale a alternativa Incorreta.

a) O possessivo dele (texto I, linha 06) retoma anaforicamente a figura do padeiro.
b) O pronome que (texto I, linha 05) retoma expressão anterior.
c) Os dois pontos (texto II, linha 02) servem para introduzir esclarecimento de algo que foi 
afirmado anteriormente.
d) A forma passiva  matam-se (texto II, linha 1) está flexionada em concordância com seu sujeito.
e) A presença de crase é facultativa antes do demonstrativo esta (texto II, linha 01).

Questão nº 03 - Assinale a alternativa correta.

a) A palavra artífice (texto I, linha 04) pode ser substituída, sem prejuízo para o sentido original, 
pela expressão “bode expiatório”.
b) Na palavra composta mulher-vítima (texto II, linha 05), o segundo elemento atua como generalizador, ampliando o sentido do primeiro elemento.
c) As palavras  brutalidade e truculento (texto II, linhas 08 e 05, respectivamente) pertencem a campos de sentido divergentes, uma vez que se referem a formas diversas de violência.
d) O verbo coagia (texto I, linha 05) denota sentido equivalente ao expresso pela forma verbal “pressionava”.
e) A palavra altura (texto II, linha 01) está empregada em sentido equivalente ao que se nota em “Mergulhar na piscina desta altura pode ser perigoso”.

Texto para as questões 04 e 05

Fala-se muito a respeito da importância do estado de ânimo e da personalidade do professor na facilitação do processo de aprendizagem na sala de aula. Além do salário, o reconhecimento da pessoa do mestre por parte da comunidade é muito importante. Se ele sair da sombra, se for conhecido, isso alavancará a sua autoestima, sem a qual o entusiasmo inexiste. Professor é a profissão na qual o entusiasmo é indispensável. A fé na importância da tarefa que ele desempenha depende de reconhecimento e de certa notoriedade, talvez mais do que entre outros profissionais.

Adaptado de Anna Veronica Mautner

Questão nº 04 - Depreende-se corretamente do texto que:

a) a profissão de professor prescinde do salário, uma vez que a grande motivação para os jovens buscarem a profissão está ligada à possibilidade de notoriedade no meio social.
b) há unanimidade entre os governantes a respeito da importância de entusiasmar os professores e especialmente os alunos na sala de aula, pois estimular a escolha profissional é indispensável.
c) é necessário que se estimule positivamente a imagem do educador na comunidade e que se ofereçam boas condições salariais.
d) ser professor é essencialmente um ato de fé, uma vez que só a vocação pode determinar as 
bases de um bom profissional.
e) a eficácia do processo de ensino-aprendizagem depende da motivação do professor e, principalmente, dos conteúdos apresentados em sala de aula.

Questão nº 05 - Assinale a alternativa correta a respeito da construção textual.

a) O texto é construído essencialmente de parágrafo de natureza descritiva, uma vez que há enumeração de pormenores a respeito de um objeto de observação.
b) Em linguagem informal, o texto explora, em parágrafo de natureza narrativa, possíveis causas 
para um problema do cotidiano brasileiro.
c) O parágrafo apresenta claramente circunstâncias em torno de um enredo desenvolvido com o objetivo de apresentar diversas situações dramáticas.
d) O assunto é apresentado no primeiro período, a partir do qual se acrescentam aspectos que ampliam a reflexão sobre o tema.
e) O início do parágrafo utiliza, como estratégia discursiva, uma declaração dubitativa, problematizando, assim, o assunto que será abordado de um ponto de vista polêmico.

Texto para as questões de 06 a 08

01        Já rompe, Nise, a matutina Aurora
02        O negro manto, com que a noite escura,
03        Sufocando do Sol a face pura,
04        Tinha escondido a chama brilhadora.

Cláudio Manuel da Costa

Questão nº 06 - Nessa estrofe, o poeta

a) dirige-se a Nise, com intuito de expressar tristeza pelo fato de o manto negro da noite 
corromper a beleza do dia, representada pela deusa Aurora.
b) dirige-se à amada para lamentar o fim de uma noite de amor pela chegada de novo dia, fato comprovado pelo uso das expressões a matutina Aurora e chama brilhadora.
c) dirige-se a Nise e lhe descreve um quadro da natureza por meio de metáforas como, por exemplo, negro manto e Sufocando do Sol a face pura.
d) declara seu amor a Nise com uma linguagem emotiva (rompe, negro manto etc), estabelecendo uma analogia entre a natureza grandiosa e a beleza da amada.
e) declara seu amor à Musa e lamenta o fato de não ser correspondido, já que a face pura do Sol foi apagada pelo negro manto da noite escura.

Questão nº 07 - Considerando suas imagens e sua forma, é correto dizer que o texto se vincula à

a) tradição clássica, que orientou a produção literária no Brasil colonial. 
b) estética romântica, que caracterizou a literatura brasileira pós-independência política.
c) tradição literária medieval, recuperada pelos poetas brasileiros do século XIX.
d) estética simbolista, que explorou a musicalidade da palavra, em detrimento do conteúdo.
e) estética parnasiana, acentuadamente subjetiva e idealizadora.

Questão nº 08 - Assinale a alternativa correta.

a) A forma verbal tinha escondido (verso 4) é da voz passiva e corresponde, na voz ativa, a “escondeu”.
b) O uso de maiúsculas em Aurora e Sol reforça a sugestão de personificação potencializada por essas palavras na estrofe .
c) O texto compõe-se de um único período, com orações subordinadas e coordenadas e 
obedece à ordem linear de colocação de termos.
d) De acordo com a norma culta da língua escrita, o uso da preposição com (verso 2) é, nesse contexto, facultativo. 
e) Os adjetivos pura (verso 3) e escura (verso 2) convergem tanto na forma (sonoridade) como 
no sentido.

Texto para as questões de 09 a 11

01        Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do
02        trabalho.
03        Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa
04        vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais.
05               [...]
06        O resultado foi um desastre. Quinze dias depois do nosso
07        primeiro encontro, o redator do Cruzeiro apresentou-me dois capítulos
08        datilografados, tão cheios de besteiras que me zanguei:
09        — Vá para o inferno, Gondim. Você acanalhou o troço. Está
10        pernóstico, está safado, está idiota. Há lá ninguém que fale dessa
11        forma!
12        Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os
13        cacos da sua pequenina vaidade e replicou amuado que um artista
14        não pode escrever como fala.
15        — Não pode? Perguntei com assombro. E por quê?
16        Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode.
17        — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu
18        Paulo. A gente discute, briga, trata de negócios naturalmente, mas
19        arranjar palavras com tinta é outra coisa. Se eu fosse escrever como
20        falo, ninguém me lia. 

Graciliano Ramos,  São Bernardo.

Questão nº 09 - Considerado o excerto em questão no contexto da obra do escritor Graciliano Ramos, afirma-se que:

I. O narrador Paulo Honório expõe seu espírito pragmático de homem de negócios ao decidir escrever o livro pela divisão do trabalho (linhas 01 e 02).
II. O narrador Paulo Honório apresenta um comportamento rústico e mostra-se refratário a uma linguagem literária mais elaborada. 
III. Na avaliação de Paulo Honório acerca da redação do Gondim, insinua-se ponto de vista do autor Graciliano Ramos sobre a questão do estilo literário.

Das afirmações acima,
a) está correta apenas a I.
b) está correta apenas a III.
c) estão corretas apenas a II e a III.
d) estão corretas apenas a I e a II. 
e) todas estão corretas.

Questão nº 10 - Considerando que a fala de Gondim baseia-se no pressuposto de que, por tradição, a literatura  brasileira esteve associada a uma linguagem acadêmica, rebuscada, de preciosismo vocabular e 
sintático, assinale a alternativa que, apresentando verso parnasiano, exemplifica essa tradição.

a) Quando Ismália enlouqueceu,/ Pôs-se na torre a sonhar.../Viu uma lua no céu./ Viu outra lua no mar.
b) Eu canto porque o instante existe /e a minha vida está completa./Não sou alegre nem sou triste: 
/ sou poeta.
c) Que alegre, que suave, que sonora,/Aquela fontezinha aqui murmura!/E nestes campos cheios 
de verdura/ Que avultado o prazer tanto melhora?
d) Olho-te fixamente para que permaneças em mim./ Toda esta ternura é feita de elementos 
opostos / Que eu concilio na síntese da poesia.
e) Esta de áureos relevos trabalhada / De divas mãos, brilhante copa, um dia, / Já de aos deuses servir como cansada, / Vinda do Olimpo, a um novo deus servia.

Questão nº 11 - Uma das características da linguagem literária é a expressividade, que pode resultar, por exemplo, do uso metafórico de imagens concretas para a representação de aspectos abstratos da realidade. 
É o que se verifica em: 

a) Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho (linhas 01 e 02).
b) Azevedo Gondim apagou o sorriso, engoliu em seco, apanhou os cacos da sua pequenina vaidade (linhas 12 e 13).
c) Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais (linhas 03 e 04).
d) Azevedo Gondim respondeu que não pode porque não pode  (linha 16).
e) — Foi assim que sempre se fez. A literatura é a literatura, seu Paulo (linhas 17 e 18).

GABARITO - GRUPOS II E III


1 – A 2 – E 3 – D 4 – C 5 – D 6 – C 7 – A 8 – B 9 – E 10 – E 11 – B

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