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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

UNIFESP 2011 - PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Prova de língua portuguesa - Vestibular UNIFESP 2011


LÍNGUA PORTUGUESA

Instrução: As questões 01 e 02 tomam por base o texto seguinte.

      A palavra bullying ainda é pouco conhecida do grande público brasileiro. De origem inglesa e ainda sem tradução no Brasil, é utilizada para qualificar comportamentos violentos no âmbito escolar, tanto de meninos quanto de meninas. Dentre esses comportamentos podemos destacar as agressões, os assédios e as ações desrespeitosas, todos realizados de maneira recorrente e intencional por parte dos agressores. É fundamental explicitar que as atitudes tomadas por um ou mais agressores contra um ou alguns estudantes, geralmente, não apresentam motivações específicas ou justificáveis. Isso significa dizer que, de forma quase “natural”, os mais fortes utilizam os mais frágeis como meros objetos de diversão, prazer e poder, com o intuito de maltratar, intimidar, humilhar e amedrontar suas vítimas. E isso, invariavelmente, produz, alimenta e até perpetua muita dor e sofrimento nos vitimados.

(Ana Beatriz Barbosa Silva. Bullying: mentes perigosas nas escolas, 2010. Adaptado.)

01. Segundo o texto,

(A) embora a palavra bullying ainda não seja muito familiar em nosso país, com o tempo ela se tornará quase natural para nós.
(B) os comportamentos violentos de garotos e garotas, em contexto escolar, têm recebido a denominação inglesa de bullying.
(C) mesmo ignorado pela maior parte das pessoas, o termo bullying designa um fenômeno que está sendo encarado com crescente naturalidade.
(D) a falta de uma tradução para a palavra inglesa bullying provoca dificuldades para qualificar comportamentos violentos na escola.
(E) somente a metade das manifestações violentas, na escola, qualificadas como bullying, apresenta motivações justificáveis.

02. De acordo com o texto,

(A) os estudantes mais fortes usam de sua prepotência e do constrangimento e intimidação dos mais frágeis, com o objetivo de se divertirem.
(B) as ações violentas, praticadas no ambiente escolar, são invariavelmente frequentes, involuntárias e motivadas por sofrimentos dos agressores.
(C) o sofrimento proveniente das manifestações violentas na escola pode demandar tratamentos dispendiosos, porém eficientes.
(D) em geral, as agressões sofridas pelos alunos não são gratuitas e possuem causas cada vez mais claramente identificáveis.
(E) a humilhação e o medo a que são submetidas as vítimas do bullying são consequências naturais da sociedade contemporânea.

03. Leia o texto.

      O cyberbullying é um problema crescente justamente porque os jovens usam cada vez mais a tecnologia. Ana, 13 anos, já era perseguida na escola – e passou a ser acuada, prisioneira de seus agressores via internet. Hoje, vive com medo e deixou de adicionar “amigos” em seu perfil no Orkut. Além disso, restringiu o acesso ao MSN. Mesmo assim, o tormento continua. As meninas de sua sala enviam mensagens depreciativas, com apelidos maldosos e recados humilhantes, para amigos comuns. Os qualificativos mais leves são “nojenta, nerd e lésbica”. Outros textos dizem: “Você deveria parar de falar com aquela piranha” e “A emo já mudou a sua cabeça, hein? Vá pro inferno”. Ana, é claro, fica arrasada. “Uso preto, ouço rock e pinto o cabelo. Curto coisas diferentes e falo de outros assuntos. Por isso, não me aceitam.”

(Beatriz Santomauro. Nova Escola, junho/julho 2010. Adaptado.)

Conforme o texto,

(A) o desenvolvimento da tecnologia extinguirá o problemas do cyberbullying entre os jovens.
(B) apenas os jovens que não frequentam a escola são perseguidos implacavelmente pela internet.
(C) Ana é vítima do cyberbullying porque tem gostos e interesses que seu grupo social não aprecia.
(D) os qualificativos enviados pelas colegas de sala a amigos comuns levaram Ana a usar preto e pintar o cabelo.
(E) a restrição do acesso ao MSN e o uso mais limitado do Orkut eliminam, significativamente, problemas de cyberbullying.

04. Leia o texto.

Dimitria cursava a oitava série no colégio e desapareceu durante as férias de julho de 2008. Segundo a polícia, a garota avisou que iria viajar em companhia do caseiro, mas
nunca mais foi vista. (...) De acordo com a polícia, [o caseiro] Silva disse que matou a menina porque era apaixonado por ela, mas ela não o correspondia.

(Folha de S.Paulo, 16.08.2010.)

No texto, há um erro gramatical. O tipo de erro e a versão que o corrige estão, respectivamente, em

(A) uso de conectivo – Silva disse no depoimento o qual matou a menina (...)
(B) uso de pronome – (...) porque era apaixonado por ela, mas ela não correspondia.
(C) uso de conectivo – (...) iria viajar em companhia do caseiro, porém nunca mais foi vista.
(D) uso de adjetivo – (...) porque era obcecado por ela, mas ela não o correspondia.
(E) uso de verbo – Dimitria frequentava a oitava série no colégio (...)

Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 05 a 07.

      Nos últimos três anos foram assassinadas mais de 140 mil pessoas no Brasil. Uma média de 47 mil pessoas por ano. Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes. São 25 assassinatos ao ano por cada 100 mil pessoas, índice considerado de violência epidêmica, segundo organismos internacionais. Se os assassinatos com armas de fogo são uma face da violência vivida na nossa sociedade, ela não é a única. Logo atrás, em termos de letalidade, estão os acidentes fatais de trânsito, com cerca de 33 mil mortos em 2002 e 35 mil mortes por ano em 2004 e 2005. Isto, sem falar nos acidentados não fatais socorridos pelo Sistema Único de Saúde, que multiplicam muitas vezes os números aqui apresentados e representam um custo que o IPEA estima em R$ 5,3 bilhões para o ano de 2002.
      A lista da violência alonga-se incrivelmente. Sobre as mulheres, os negros, os índios, os gays, sobre os mendigos na rua, sobre os movimentos sociais etc. Uma discussão num botequim de periferia pode terminar em morte. A privação do emprego, do salário digno, da educação, da saúde, do transporte público, da moradia, da segurança alimentar, tudo isso pode ser compreendido, considerando que incide sobre direitos assegurados por nossa Constituição, como tantas outras formas de violência.

(Silvio Caccia Bava. Le Monde Diplomatique Brasil, agosto 2010. Adaptado.)

05. Segundo o texto,

(A) as formas de violência mais difíceis de eliminar são aquelas relacionadas aos assassinatos e aos acidentes fatais de trânsito.
(B) os assassinatos com armas de fogo, nas periferias, constituem a face perversa da impunidade exercida pela polícia.
(C) nossa Constituição assegura direitos restritos aos negros, aos índios e aos gays e, assim, eles costumam também ser alvo de muita violência.
(D) como causa de mortalidade, os acidentes de trânsito são quase tão importantes quanto os assassinatos, no ranking da violência no Brasil.
(E) o conjunto das mortes pela violência – assassinatos, acidentes de trânsito e constrangimentos a vários grupos sociais – onera os cofres do Estado.

06. No período Uma parcela expressiva destas mortes, que varia de região para região, é atribuída à ação da polícia, que se respalda na impunidade para continuar cometendo seus crimes, as palavras sublinhadas referem-se, respectivamente,

(A) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra polícia e tem a função de sujeito.
(B) à palavra mortes e tem a função de sujeito; à palavra polícia e tem a função de sujeito.
(C) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra polícia e tem a função de objeto.
(D) à palavra parcela e tem a função de objeto; à palavra ação e tem a função de sujeito.
(E) à palavra parcela e tem a função de sujeito; à palavra ação e tem a função de sujeito.

07. Considere as afirmações.

I. A falta de empregos, a baixa remuneração e o déficit habitacional raramente são compreendidos como forma de violência.
II. O não-oferecimento de educação, saúde e transporte público a toda a população também pode ser visto como uma forma de violência.
III. Uma briga de bar que resulta em morte é um ingrediente a mais a engrossar o caldo da violência no país.

As ideias apresentadas no texto encontram-se em

(A) I, apenas.   (B) I e II, apenas.   (C) I e III, apenas.   (D) II e III, apenas.   (E) I, II e III.

Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 08 a 10.

      Por causa do assassinato do caminhoneiro Pascoal de Oliveira, o Nego, pelo – também caminhoneiro – japonês Kababe Massame, após uma discussão, em 31 de julho de 1946, a população de Osvaldo Cruz (SP), que já estava com os nervos à flor da pele em virtude de dois atentados da Shindô-Renmei* na cidade, saiu às ruas e invadiu casas, disposta a maltratar “impiedosamente”, na palavra do historiador local José Alvarenga, qualquer japonês que encontrasse pela frente. O linchamento dos japoneses só foi totalmente controlado com a intervenção de um destacamento do Exército, vindo de Tupã, chamado pelo médico Oswaldo Nunes, um herói daquele dia totalmente atípico na história de Osvaldo Cruz e das cidades brasileiras.
      Com o final da Segunda Guerra Mundial, o eclipse do Estado Novo e o desmantelamento da Shindô-Renmei, inicia-se um ciclo de emudecimento, de ambos os lados, sobre as quatro décadas de intolerância vividas pelos japoneses. Do lado local, foi sedimentando-se no mundo das letras a ideia do país como um “paraíso racial”. Do lado dos imigrantes, as segundas e terceiras gerações de filhos de japoneses se concentraram, a partir da década de 1950, na construção da sua ascensão social. A história foi sendo esquecida, junto com o idioma e os hábitos culturais de seus pais e avós.

(Matinas Suzuki Jr. Folha de S.Paulo, 20.04.2008. Adaptado.)

* Shindô-Renmei foi uma organização nacionalista, que surgiu no Brasil após o término da Segunda Guerra Mundial, formada por japoneses que não acreditavam na derrota do Japão na guerra. Possuía alguns membros mais fanáticos que cometiam atentados, tendo matado e ferido diversos cidadãos nipo-brasileiros.

08. O texto permite afirmar que

(A) o antigo e pernicioso sentimento de intolerância entre brasileiros e japoneses, cultivado há quatro décadas, recrudesce no pós-guerra.
(B) a ideia de um “paraíso racial”, cristalizada no mundo das letras, foi bastante benéfica para o desenvolvimento do país.
(C) a ideologia, de um lado, e o pragmatismo, de outro, criaram condições para uma fase de silêncio sobre a intolerância antinipônica.
(D) as motivações racistas do assassinato do caminhoneiro Pascoal pelo caminhoneiro Kababe, em 1946, desencadearam as hostilidades entre brasileiros e japoneses.
(E) a violência dos atentados da Shindô-Renmei reprimiu a intolerância dos brasileiros contra os japoneses.

09. No texto, as orações (...) que já estava com os nervos à flor da pele em virtude de dois atentados da Shindô-Renmei na cidade (...) e (...) que encontrasse pela frente (...) são exemplos, respectivamente, de oração subordinada adjetiva explicativa e subordinada adjetiva restritiva, porque:

(A) a primeira limita o sentido do termo antecedente (a população de Osvaldo Cruz), enquanto a segunda explica o sentido do termo antecedente (qualquer japonês).
(B) a pausa, antes e depois da primeira oração, revela seu caráter de restrição e precisão do sentido do termo antecedente, tal como se dá com a segunda oração.
(C) na primeira, a oração é indispensável para precisar o sentido da anterior, enquanto, na segunda, a oração pode ser eliminada.
(D) a primeira explica o sentido do termo antecedente (a população de Osvaldo Cruz), enquanto a segunda limita o sentido do termo antecedente (qualquer japonês).
(E) o sentido do termo “qualquer japonês”, explicado na segunda oração, é determinante para a compreensão da primeira.

10. No texto, os termos à flor da pele e eclipse trazem as ideias de, respectivamente,

(A) irritação e ressurgimento.        (B) ódio e obscurecimento.
(C) vingança e desaparecimento.   (D) nervosismo e recrudescimento.  (E) ultrassensibilidade e final.

Instrução: Leia o excerto para responder às questões de números 11 e 12.

Ontem a Serra Leoa,
A guerra, a caça ao leão,
O sono dormido à toa
Sob as tendas d’amplidão!
Hoje... o porão negro, fundo,
Infecto, apertado, imundo,
Tendo a peste por jaguar...
E o sono sempre cortado
Pelo arranco de um finado,
E o baque de um corpo ao mar...

Ontem plena liberdade,
A vontade por poder...
Hoje... cúm’lo de maldade,
Nem são livres p’ra morrer...
Prende-os a mesma corrente
– Férrea, lúgubre serpente –
Nas roscas da escravidão.
E assim roubados à morte,
Dança a lúgubre coorte
Ao som do açoite... Irrisão!...

(Castro Alves. Fragmento de O navio negreiro – tragédia no mar.)

11. Considere as seguintes afirmações.

I. O texto é um exemplo de poesia carregada de dramaticidade, própria de um poeta-condor, que mostra conhecer bem as lições do “mestre” Victor Hugo.
II. Trata-se de um poema típico da terceira fase romântica, voltado para auditórios numerosos, em que se destacam a preocupação social e o tom hiperbólico.
III. É possível reconhecer nesse fragmento de um longo poema de teor abolicionista o gosto romântico por uma poesia de recursos sonoros.

Está correto o que se afirma em

(A) I, apenas. (B) II, apenas. (C) III, apenas. (D) I e II, apenas. (E) I, II e III.

12. Nesse fragmento do poema,

(A) o poeta se vale do recurso ao paralelismo de construção apenas na primeira estrofe.
(B) o eu-poemático aborda o problema da escravidão segundo um jogo de intensas oposições.
(C) os animais evocados – leão, jaguar e serpente – têm, respectivamente, sentidos denotativo, denotativo e metafórico.
(D) o tom geral assumido pelo poeta revela um misto de emoção, vigor e resignação diante da escravidão.
(E) os versos são constituídos alternadamente por sete e oito sílabas poéticas.

Instrução: As questões de números 13 e 14 tomam por base o texto.

      Amaro lia até tarde, um pouco perturbado por aqueles períodos sonoros, túmidos de desejo; e no silêncio, por vezes, sentia em cima ranger o leito de Amélia; o livro escorregava-lhe das mãos, encostava a cabeça às costas da poltrona, cerrava os olhos, e parecia-lhe vê-la em colete diante do toucador desfazendo as tranças; ou, curvada, desapertando as ligas, e o decote da sua camisa entreaberta descobria os dois seios muito brancos. Erguia-se, cerrando os dentes, com uma decisão brutal de a possuir.
      Começara então a recomendar-lhe a leitura dos Cânticos a Jesus.
      – Verá, é muito bonito, de muita devoção! Disse ele, deixando-lhe o livrinho uma noite no cesto da costura.
      Ao outro dia, ao almoço, Amélia estava pálida, com as olheiras até o meio da face. Queixou-se de insônia, de palpitações.
      – E então, gostou dos Cânticos?
      – Muito. Orações lindas! respondeu.
      Durante todo esse dia não ergueu os olhos para Amaro. Parecia triste – e sem razão, às vezes, o rosto abrasava-se-lhe de sangue.

(Eça de Queirós. O crime do padre Amaro.)

13. O trecho em que a ação de uma personagem se demonstra impregnada de determinismo biológico e permite associar o romance de Eça de Queirós ao movimento estético denominado Naturalismo é:

(A) Erguia-se, cerrando os dentes, com uma decisão brutal de a possuir.
(B) Começara então a recomendar-lhe a leitura dos Cânticos a Jesus.
(C) (...) deixando-lhe o livrinho uma noite no cesto da costura.
(D) Queixou-se de insônia, de palpitações.
(E) Durante todo esse dia não ergueu os olhos para Amaro.

14. O texto permite afirmar que

(A) o livro de orações que Amaro costumava ler desperta seu amor por Amélia.
(B) a observação diária de certas ações de Amélia desperta o desejo de Amaro.
(C) embora Amélia ache lindas as orações do livro, a obra a deixa perturbada.
(D) o livro que Amaro empresta a Amélia aumenta, aos poucos, sua religiosidade.
(E) com a leitura do livro, Amélia passa a corresponder aos sentimentos de Amaro.

Instrução: As questões de 15 a 17 tomam por base o fragmento.

      (...) Um poeta dizia que o menino é o pai do homem. Se isto é verdade, vejamos alguns lineamentos do menino.
      Desde os cinco anos merecera eu a alcunha de “menino diabo”; e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto, traquinas e voluntarioso. Por exemplo, um dia quebrei a cabeça de uma escrava, porque me negara uma colher do doce de coco que estava fazendo, e, não contente com o malefício, deitei um punhado de cinza ao tacho, e, não satisfeito da travessura, fui dizer à minha mãe que a escrava é que estragara o doce “por pirraça”; e eu tinha apenas seis anos. Prudêncio, um moleque de casa, era o meu cavalo de todos os dias; punha as mãos no chão, recebia um cordel nos queixos, à guisa de freio, eu trepava-lhe ao dorso, com uma varinha na mão, fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado, e ele obedecia, – algumas vezes gemendo – mas obedecia sem dizer palavra, ou, quando muito, um – “ai, nhonhô!” – ao que eu retorquia: “Cala a boca, besta!” – Esconder os chapéus das visitas, deitar rabos de papel a pessoas graves, puxar pelo rabicho das cabeleiras, dar beliscões nos braços das matronas, e outras muitas façanhas deste jaez, eram mostras de um gênio indócil, mas devo crer que eram também expressões de um espírito robusto, porque meu pai tinha-me em grande admiração; e se às vezes me repreendia, à vista de gente, fazia-o por simples formalidade: em particular dava-me beijos. Não se conclua daqui que eu levasse todo o resto da minha vida a quebrar a cabeça dos outros nem a esconder-lhes os chapéus; mas opiniático, egoísta e algo contemptor dos homens, isso fui; se não passei o tempo a esconder-lhes os chapéus, alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.

(Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas.)

15. Indique a frase que, no contexto do fragmento, ratifica o sentido de o menino é o pai do homem, citação inicial do narrador.

(A) (...) fui dos mais malignos do meu tempo (...)
(B) (...) um dia quebrei a cabeça de uma escrava (...)
(C) (...) deitei um punhado de cinza ao tacho (...)
(D) (...) fustigava-o, dava mil voltas a um e outro lado (...)
(E) (...) alguma vez lhes puxei pelo rabicho das cabeleiras.

16. É correto afirmar que

(A) se trata basicamente de um texto naturalista, fundado no Determinismo.
(B) o texto revela um juízo crítico do contexto escravista da época.
(C) o narrador se apresenta bastante sizudo e amargo, bem ao gosto machadiano.
(D) o texto apresenta papéis sociais ambíguos das personagens em foco.
(E) os comportamentos desumanos do narrador são sutilmente desnudados.

17. Para reforçar a caracterização do “menino diabo” atribuída ao narrador, é utilizado principalmente o seguinte recurso estilístico:

(A) amplo uso de metáforas que se reportam aos comportamentos negativos do menino.
(B) seleção lexical que emprega muitos vocábulos raros à época, particularmente os adjetivos.
(C) recurso frequente ao discurso direto para exemplificar as traquinagens do garoto.
(D) utilização recorrente de orações coordenadas sindéticas aditivas.
(E) emprego significativo de orações subordinadas adjetivas restritivas.

Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 18 e 19.

Crescia naturalmente
Fazendo estripulia,
Malino e muito arguto,
Gostava de zombaria.
A cabeça duma escrava
Quase arrebentei um dia.

E tudo isso porque
Um doce me havia negado,
De cinza no tacho cheio
Inda joguei um punhado,
Daí porque a alcunha
De “Menino Endiabrado”.

Prudêncio era um menino
Da casa, que agora falo.
Botava suas mãos no chão
Pra poder depois montá-lo:
Com um chicote na mão
Fazia dele um cavalo.

(Varneci Nascimento. Memórias póstumas de Brás Cubas em cordel.)

18. A versão modificada, adaptada à oralidade – como usualmente se dá na produção da literatura de cordel – apresenta termos semelhantes aos do texto original de Machado de Assis, que podem ser identificados em todas as palavras da alternativa

(A) malino, botava, inda, pra.         (B) estripulia, malino, inda, pra.
(C) estripulia, zombaria, inda, daí. (D) zombaria, botava, inda, pra. (E) malino, botava, zombaria, daí.

19. Considere as seguintes afirmações:

I. Os versos do poema possuem sete sílabas poéticas.
II. O poema é composto por três sextilhas.
III. As três estrofes obedecem ao esquema de rimas ABCBDB.

Está correto o que se afirma em

(A) I, apenas.   (B) II, apenas.   (C) III, apenas.   (D) I e II, apenas.   (E) I, II e III.

20. Compare o trecho de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, com o fragmento do poema O navio negreiro – tragédia no mar, de Castro Alves (questões 11 e 12). Indique a alternativa que apresenta aspectos observáveis nos dois textos.

(A) Tema da escravidão, contenção expressional, exploração do ritmo da frase, visão crítica da realidade.
(B) Ironia, exploração do ritmo da frase, intertextualidade explícita, denúncia de problemas sociais.
(C) Tema da escravidão, visão crítica da realidade, exploração do ritmo da frase, representação do homem como objeto do homem.
(D) Estilo apurado, visão crítica da realidade, representação do homem como objeto do homem, intertextualidade explícita.
(E) Tema da escravidão, tom arrebatado, visão crítica da realidade, estilo apurado.

Instrução: As questões de números 21 a 24 tomam por base o fragmento seguinte.

      As provocações no recreio eram frequentes, oriundas do enfado; irritadiços todos como feridas; os inspetores a cada passo precisavam intervir em conflitos; as importunações andavam em busca das suscetibilidades; as suscetibilidades a procurar a sarna das importunações. Viam de joelhos o Franco, puxavam-lhe os cabelos. Viam Rômulo passar, lançavam-lhe o apelido:mestre-cuca!
     Esta provocação era, além de tudo, inverdade. Cozinheiro, Rômulo! Só porque lembrava culinária, com a carnosidade bamba, fofada dos pastelões, ou porque era gordo das enxúndias enganadoras dos fregistas, dissolução mórbida de sardinha e azeite, sob os aspectos de mais volumosa saúde? (...)
       Rômulo era antipatizado. Para que o não manifestassem excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade. Ao mais insignificante gracejo de um pequeno, atirava contra o infeliz toda a corpulência das infiltrações de gordura solta, desmoronava-se em socos. Dos mais fortes vingava-se, resmungando intrepidamente.
      Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro.Rômulo, no meio, ficava tonto, esbravejando juras de morte,mostrando o punho. Em geral procurava reconhecer algum dos impertinentes e o marcava para a vindita. Vindita inexorável.
      No decorrer enfadonho das últimas semanas, foi Rômulo escolhido, principalmente, para expiatório do desfastio. Mestrecuca! Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas da terra; mestre-cuca! Por vozes do espaço rouquenhas ou esganiçadas.
      Sentava-se acabrunhado, vendo se se lembrava de haver tratado panelas algum dia na vida; a unanimidade impressionava. Mais frequentemente, entregava-se a acessos de raiva. Arremetia bufando, espumando, olhos fechados, punhos para trás, contra os grupos. Os rapazes corriam a rir, abrindo caminho, deixando rolar adiante aquela ambulância danada de elefantíase.

(Raul Pompeia. O Ateneu.)

21. Considere as seguintes afirmações.

I. A alcunha de mestre-cuca, recebida por Rômulo, advinha do fato de ter praticado, anteriormente, a arte culinária.
II. As agressões e humilhações sofridas por Rômulo eram essencialmente motivadas por sua antipatia.
III. As reações de Rômulo às provocações dos colegas variavam conforme as circunstâncias.

De acordo com o texto, está correto o que se afirma apenas em

(A) I.   (B) II.   (C) III.   (D) I e II.   (E) II e III.

22. Indique a alternativa em que os fragmentos selecionados exemplificam, respectivamente, a manifestação clara do ponto de vista do narrador e a opinião do grupo, a propósito de Rômulo.

(A) Cozinheiro, Rômulo! – Vindita inexorável.
(B) Vindita inexorável. – Cozinheiro, Rômulo!
(C) Mestre-cuca! – Vindita inexorável.
(D) Cozinheiro, Rômulo! – Mestre-cuca!
(E) Mestre-cuca! – Cozinheiro, Rômulo!

23. Sobre o texto, é correto afirmar:

(A) A atmosfera tensa presente no cotidiano do colégio era produto, sobretudo, da marcação cerrada dos inspetores, que intervinham nos muitos conflitos.
(B) Rômulo, devido às provocações que sofre, perde as certezas sobre si mesmo e assume um comportamento que oscila entre a angústia e ataques de fúria.
(C) Alguns alunos, por serem muito suscetíveis, importunavam outros colegas, puxando-lhes o cabelo ou colocando-lhes apelidos.
(D) A brutalidade física de Rômulo era a única solução que encontrava para enfrentar a chacota dos alunos mais fortes.
(E) A unanimidade dos alunos em chamar Rômulo de cozinheiro fazia com que preponderasse sua atitude de entregar-se ao acabrunhamento.

24. Tendo em vista a função sintática da palavra grifada no fragmento Para que o não manifestassem excessivamente, fazia-se temer pela brutalidade, assinale a alternativa em que o termo sublinhado exerce a mesma função:

(A) Dos mais fortes vingava-se, resmungando intrepidamente.
(B) Para desesperá-lo, aproveitavam-se os menores do escuro.
(C) Via-se apregoado por vozes fantásticas, saídas da terra.
(D) Mais frequentemente, entregava-se a acessos de raiva.
(E) Viam de joelhos o Franco, puxavam-lhe os cabelos.

Instrução: As questões de números 25 a 27 tomam por base o fragmento.

[Sem-Pernas] queria alegria, uma mão que o acarinhasse, alguém que com muito amor o fizesse esquecer o defeito físico e os muitos anos (talvez tivessem sido apenas meses ou semanas, mas para ele seriam sempre longos anos) que vivera sozinho nas ruas da cidade, hostilizado pelos homens que passavam, empurrado pelos guardas, surrado pelos moleques maiores. Nunca tivera família. Vivera na casa de um padeiro a quem chamava “meu padrinho” e que o surrava. Fugiu logo que pôde compreender que a fuga o libertaria. Sofreu fome, um dia levaram-no preso. Ele quer um carinho, u’a mão que passe sobre os seus olhos e faça com que ele possa se esquecer daquela noite na cadeia, quando os soldados bêbados o fizeram correr com sua perna coxa em volta de uma saleta. Em cada canto estava um com uma borracha comprida. As marcas que ficaram nas suas costas desapareceram. Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora. Corria na saleta como um animal perseguido por outros mais fortes. A perna coxa se recusava a ajudá-lo. E a borracha zunia nas suas costas quando o cansaço o fazia parar. A princípio chorou muito, depois, não sabe como, as lágrimas secaram. Certa hora não resistiu mais, abateu-se no chão. Sangrava. Ainda hoje ouve como os soldados riam e como riu aquele homem de colete cinzento que fumava um charuto.

(Jorge Amado. Capitães da areia.)

25. Considere as afirmações seguintes.

I. O fragmento do romance, ambientado na cidade de Salvador das primeiras décadas do século passado, aborda a vida de uma criança em situação de absoluta exclusão social e
violência, o que destoa do projeto literário e ideológico dos escritores brasileiros que compõem a “Geração de 30”.
II. Valendo-se das conquistas do Modernismo, o romance apresenta linguagem fluente e acessível ao grande público, utilizando-se de um português coloquial, simples, próximo a um modo natural de falar, com o largo emprego da frase curta e econômica.
III. Sem-Pernas é uma personagem que, embora encarne um tipo social claramente delimitado, o do menino “pobre, abandonado, aleijado e discriminado”, adquire alguma
profundidade psicológica, à medida que seu passado e suas experiências dolorosas vêm à tona.

Conforme o texto, está correto o que se afirma apenas em

(A) I.   (B) II.   (C) III.   (D) I e II.   (E) II e III.

26. O zigue-zague temporal ligado à vida de Sem-Pernas, empregado no fragmento para a composição da personagem, é construído de maneira muito precisa, por meio da utilização alternada de diversos tempos verbais. Indique a alternativa em que há, respectivamente, um tempo verbal que expressa fatos ocorridos num tempo anterior a outros fatos do passado e um tempo verbal usado para marcar o caráter hipotético de certas ações ou o desejo de que se realizassem.

(A) Vivera na casa de um padeiro (...) – uma mão que o acarinhasse (...)
(B) Em cada canto estava um com uma borracha comprida. – Sofreu fome.
(C) Nunca tivera família. – A perna coxa se recusava a ajudá-lo.
(D) A princípio chorou muito (...) – Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora.
(E) Ele quer um carinho (...) – Um dia levaram-no preso.

27. O emprego da figura de linguagem conhecida como “prosopopeia” (ou “personificação”) põe mais em evidência a principal razão pela qual Sem-Pernas é estigmatizado. O trecho que contém essa figura é

(A) A perna coxa se recusava a ajudá-lo.
(B) Em cada canto estava um com uma borracha comprida.
(C) (...) depois, não sabe como, as lágrimas secaram.
(D) E a borracha zunia nas suas costas (...)
(E) Mas de dentro dele nunca desapareceu a dor daquela hora.

Instrução: Leia o texto para responder às questões de números 28 a 30.

De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co’os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

(Chico Buarque. Geni e o zepelim.)

28. A partir do início do fragmento selecionado, uma série de versos consecutivos vai caracterizando a personagem Geni numa mesma direção semântica e segundo uma mesma lógica, até que um determinado verso provoca uma ruptura significativa nessa trajetória, criando uma intensa oposição de sentido no poema. Esse verso está transcrito em

(A) Dá-se assim desde menina.
(B) É a rainha dos detentos.
(C) Ela é um poço de bondade.
(D) Joga pedra na Geni.
(E) Ela dá pra qualquer um.

29. Indique a alternativa que identifica corretamente, de modo respectivo, a métrica e a natureza predominante das rimas.

(A) Heptassílabos – rima toante.
(B) Octossílabos – rima toante.
(C) Hexassílabos – rima consoante.
(D) Octossílabos – rima consoante.
(E) Heptassílabos – rima consoante.

30. Indique a alternativa que apresenta a função sintática do verso De tudo que é nego torto.

(A) Adjunto adverbial de modo.   (B) Objeto indireto.
(C) Predicativo do sujeito.            (D) Adjunto adnominal.    (E) Complemento nominal.

 GABARITO

1 – B
2 – A
3 – C
4 – B
5 – D
6 – A
7 – D
8 – C
9 – D
10 – E
11 – E
12 – B
13 – A
14 – C
15 – E
16 – B
17 – D
18 – A
19 – D
20 – C
21 – C
22 – D
23 – B
24 – E
25 – E
26 – A
27 – A
28 – D
29 – E
30 – E

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

António Gedeão - Poemas

António Gedeão - Poemas

"Ensaio de balé" - Edgar Degas
Ballet

Como jogos de água, ascendes vitoriosa e ufana.
Soberana,
à superfície do tablado estendes
as linhas com que nos prendes,
filigrana.

Língua de fumo da taça do turíbulo,
endoideceste em beleza.
Vermelha e quente como o sangue do patíbulo
é tua natureza.

Volátil,
rodopias em torno do teu eixo
centrifugando círculos de espuma.
Estacas. E em sonolento desleixo,
esboçando incompletos gestos lentos,
fragmentos de movimentos,
semeias flores, na bruma.

Ascendes e rodopias.
Rodopias e ascendes.
Fazes-te noites e dias
nas sombras que denuncias,
nos relâmpagos que acendes.

Célere, corres,
mimosa
e assustada.
Gaivota medrosa
na areia dourada.
O sol entontece e morde.
Num repente, libertada,
deslizas, pura escultura,
na macia curvatura
de um acorde.

Nos pontos da trajectória
que descreves, transparece
o clamor da longa história.
Tua beleza é vitória,
dura vitória da espécie.

O escopro de milhões de anos arrancou-te à pedra bruta,
modelou-te em pormenor.
O sangue de milhões de homens, em ti, a ferver, se escuta.
A harmonia dos teus gestos foi revolta, treva e luta.
O perfume do teu corpo foi temperado em suor.

(António Gedeão)

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,

(...)

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

(António Gedeão, in "Movimento Perpétuo")

Amostra sem valor

Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível: 

com ele se entretém 
e se julga intangível.

Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.

Eu sei que as dimensões impiedosas da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo.

(António Gedeão)


Soneto 

Ao Luís Vaz, recordando o convívio da nossa mocidade. 

Não pode Amor por mais que as falas mude 
exprimir quanto pesa ou quanto mede. 
Se acaso a comoção concede 
é tão mesquinho o tom que o desilude. 

Busca no rosto a cor que mais o ajude, 
magoado parecer os olhos pede, 
pois quando a fala a tudo o mais excede 
não pode ser Amor com tal virtude. 

Também eu das palavras me arredeio, 
também sofro do mal sem saber onde 
busque a expressão maior do meu anseio. 

E acaso perde, o Amor que a fala esconde, 
em verdade, em beleza, em doce enleio? 
Olha bem os meus olhos, e responde. 

(António Gedeão)


Poema do Futuro

Conscientemente escrevo e, consciente,
medito o meu destino.

No declive do tempo os anos correm,
deslizam como a água, até que um dia
um possível leitor pega num livro
e lê,
lê displicentemente,
por mero acaso, sem saber porquê.
Lê, e sorri.
Sorri da construção do verso que destoa
no seu diferente ouvido;
sorri dos termos que o poeta usou
onde os fungos do tempo deixaram cheiro a mofo;
e sorri, quase ri, do íntimo sentido,
do latejar antigo
daquele corpo imóvel, exhumado
da vala do poema.

Na História Natural dos sentimentos
tudo se transformou.
O amor tem outras falas,
a dor outras arestas,
a esperança outros disfarces,
a raiva outros esgares.
Estendido sobre a página, exposto e descoberto,
exemplar curioso de um mundo ultrapassado,
é tudo quanto fica,
é tudo quanto resta
de um ser que entre outros seres
vagueou sobre a Terra.

(António Gedeão, in "Poemas Póstumos")

Fala do Homem Nascido

(Chega à boca da cena, e diz:)

Venho da terra assombrada,
do ventre de minha mãe;
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém.

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui,
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci.

Trago boca para comer
e olhos para desejar.
Com licença, quero passar,
tenho pressa de viver.
Com licença! Com licença!
Que a vida é água a correr.
Venho do fundo do tempo;
não tenho tempo a perder.

Minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte;
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada.
Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham,
nem forças que me molestem,
correntes que me detenham.

Quero eu e a Natureza,
que a Natureza sou eu,
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu.

Com licença! Com licença!
Que a barca se fez ao mar.
Não há poder que me vença.
Mesmo morto hei-de passar.
Com licença! Com licença!
Com rumo à estrela polar.

(António Gedeão, in "Teatro do Mundo")


Homem

Inútil definir este animal aflito.
Nem palavras,
nem cinzéis,
nem acordes,
nem pincéis
são gargantas deste grito.
Universo em expansão.
Pincelada de zarcão
desde mais infinito a menos infinito.

(António Gedeão, in "Movimento Perpétuo")

"Sobreviventes". Kathe Kollwitz.
Abaixo o mistério da poesia

Enquanto houver um homem caído de bruços no passeio
E um sargento que lhe volta o corpo com a ponta do pé
Para ver quem é,

Enquanto o sangue gorgolejar das artérias abertas
E correr pelos interstícios das pedras, pressuroso e vivo como vermelhas minhocas
Despertas;

Enquanto as crianças de olhos lívidos e redondos como luas,
Órfãos de pais e mães,
Andarem acossados pelas ruas
Como matilhas de cães;

Enquanto as aves tiverem de interromper o seu canto
Com o coraçãozinho débil a saltar-lhes do peito fremente,
Num silêncio de espanto
Rasgado pelo grito da sereia estridente;

Enquanto o grande pássaro de fogo e alumínio
Cobrir o mundo com a sombra escaldante das suas asas
Amassando na mesma lama de extermínio
Os ossos dos homens e as traves das suas casas;

Enquanto tudo isso acontecer, e o mais que se não diz por ser verdade,
Enquanto for preciso lutar até ao desespero da agonia,
O poeta escreverá com alcatrão nos muros da cidade:
ABAIXO O MISTÉRIO DA POESIA. 

(António Gedeão)

Amador sem coisa amada

Resolvi andar na rua
com os olhos postos no chão.
Quem me quiser que me chame
ou que me toque com a mão.

Quando a angústia embaciar
de tédio os olhos vidrados,
olharei para os prédios altos,
para as telhas dos telhados.

Amador sem coisa amada,
aprendiz colegial.
Sou amador da existência,
não chego a profissional.

(António Gedeão)

Amargo estilo novo

Tudo é fácil quando se está brincando com a flor entre os dedos
quando se olham nos olhos as crianças,
quando se visita no leito o amor convalescente.
É bom ser flor, criança, ou ser doente.
Tudo são terras donde brotam esperanças,
pétalas, tranças,
a porta do hospital aberta à nossa frente.

Desde que nasci que todos me enganam,
em casa, na rua, na escola, no emprego, na igreja, no quartel
com fogos de artifício e fatias de pão besuntadas com mel
E o mais grave é que não me enganam com erros nem com falsidades
mas com profundas, autênticas verdades.

E é tudo tão simples quando se rola a flor entre os dedos
Os estadistas não sabem,
mas nós, os das flores, para quem os caminhos do sonho não guardam segredos,
sabemos isso e todas as coisas mais que nos livros não cabem.

(António Gedeão)

Dor de alma

Meu pratinho de arroz doce
polvilhado de canela;
Era bom mas acabou-se
desde que a vida me trouxe
outros cuidados com ela.

Eu, infante, não sabia
as mágoas que a vida tem.
Ingenuamente sorria,
me aninhava e adormecia
no colo da minha mãe.

Soube depois que há no mundo
umas tantas criaturas
que vivem num charco imundo
arrancando arroz do fundo
de pestilentas planuras.

Um sol de arestas pastosas
cobre-os de cinza e de azebre
à flor das águas lodosas,
eclodindo em capciosas
intermitências de febre.

Já não tenho o teu engodo,
Ó mãe, nem desejo tê-lo.
Prefiro o charco e o lodo.
Quero o sofrimento todo,
Quero senti-lo, e vencê-lo.

(António Gedeão)

Impressão digital

Os meus olhos são uns olhos.
E é com esses olhos uns
que eu vejo no mundo escolhos
onde outros, com outros olhos,
não veem escolhos nenhuns.

Quem diz escolhos diz flores.
De tudo o mesmo se diz.
Onde uns veem luto e dores
uns outros descobrem cores
do mais formoso matiz.

Nas ruas ou nas estradas
onde passa tanta gente,
uns veem pedras pisadas,
mas outros, gnomos e fadas
num halo resplandecente.

Inútil seguir vizinhos,
querer ser depois ou ser antes.
Cada um é seus caminhos
onde Sancho vê moinhos
D. Quixote vê gigantes.

Vê moinhos? São moinhos.
Vê gigantes? São gigantes.

(António Gedeão)

Tempo de poesia

Todo o tempo é de poesia 
"Melodie venetiene". François Fressinier.


Desde a névoa da manhã
à névoa do outro dia.

Desde a quentura do ventre
à frigidez da agonia

Todo o tempo é de poesia

Entre bombas que deflagram.
Corolas que se desdobram.
Corpos que em sangue soçobram.
Vidas que a amar se consagram.

Sob a cúpula sombria
das mãos que pedem vingança.
Sob o arco da aliança
da celeste alegoria.

Todo o tempo é de poesia.

Desde a arrumação ao caos
à confusão da harmonia.

(António Gedeão)

Vento no rosto

À hora em que as tardes descem,
noite aspergindo nos ares,
as coisas familiares
noutras formas acontecem.

As arestas emudecem.
Abrem-se flores nos olhares.
Em perspectivas lunares
lixo e pedras resplandecem.

Silêncios, perfis de lagos,
escorrem cortinas de afagos,
malhas tecidas de engodos.

Apetece acreditar,
ter esperanças, confiar,
amar a tudo e a todos.

(António Gedeão)


Leia também:

"Memórias póstumas de Brás Cubas" - Machado de Assis
Florbela Espanca - Sonetos
"Ostra feliz não faz pérola" - Rubem Alves
Alphonsus de Guimaraens - O solitário de Mariana


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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Texto - "Memórias póstumas de Brás Cubas" - Machado de Assis

Logo após a dedicatória e o prólogo, assim começa esse grande clássico de Machado de Assis:

Memórias póstumas de Brás Cubas

Capítulo primeiro - Óbito do autor



      Algum tempo hesitei se devia abrir estas memórias pelo princípio ou pelo fim, isto é, se poria em primeiro lugar o meu nascimento ou a minha morte. 
Suposto o uso vulgar seja começar pelo nascimento, duas considerações me levaram a adotar diferente método: a primeira é que eu não sou propriamente um autor defunto mas um defunto autor, para quem a campa foi outro berço; a segunda é que o escrito ficaria assim mais galante e mais novo. Moisés, que também contou a sua morte, não a pôs no introito, mas no cabo: diferença radical entre este livro e o Pentateuco.
      Dito isto, expirei às duas horas da tarde de uma sexta-feira do mês de agosto de 1869, na minha bela chácara de Catumbi. Tinha uns sessenta e quatro anos, rijos e prósperos, era solteiro, possuía cerca de trezentos contos e fui acompanhado ao cemitério por onze amigos. Onze amigos! Verdade é que não houve cartas nem anúncios. Acresce que chovia – peneirava uma chuvinha miúda, triste e constante, tão constante e tão triste, que levou um daqueles fiéis da última hora a intercalar esta engenhosa idéia no discurso que proferi. à beira de minha cova: "Vós, que o conhecestes, meus senhores vós podeis dizer comigo que a natureza parece estar chorando a perda irreparável de um dos mais belos caracteres que têm honrado a humanidade. Este ar sombrio, estas gotas do céu, aquelas nuvens escuras que cobrem o azul como um crepe funéreo, tudo isso é a dor crua e má que lhe rói à natureza as mais íntimas entranhas; tudo isso é um sublime louvor ao nosso ilustre finado."
      Bom e fiel amigo! Não, não me arrependo das vinte apólices que lhe deixei. E foi assim que cheguei à cláusula dos meus dias; foi assim que me encaminhei para o undiscovered country de Hamlet, sem as ânsias nem as dúvidas do moço príncipe, mas pausado e trôpego como quem se retira tarde do espetáculo. Tarde e aborrecido.

(Machado de Assis, in "Memórias póstumas de Brás Cubas")

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Leia também:

Florbela Espanca - Sonetos
"Ostra feliz não faz pérolas" - Rubem Alves
Jorge de Lima
António Gedeão - Poemas


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domingo, 11 de dezembro de 2011

Concurso público – Cargo: Papiloscopista - Prova de língua portuguesa - 2006

Concurso público – Cargo: Papiloscopista - Prova de língua portuguesa - 2006

Segue mais uma prova para o cargo público de papiloscopista. Prova preambular do estado do Pará realizada na data 02/04/2006.

Prova de língua portuguesa – concurso público – cargo: Papiloscopista – Polícia civil/PA – 2006

QUESTÃO 1

É voz corrente que a humanidade está vivendo um momento de crise. A excessiva exaltação dos objetivos econômicos, com a eleição dos índices de crescimento como o padrão de sucesso ou fracasso dos governos, estimulou a valorização exagerada da busca de bens materiais. Isso foi agravado pela utilização dos avanços tecnológicos para estimular o consumismo e apresentar maliciosamente a posse de bens materiais supérfluos como padrão de sucesso individual. A conseqüência última desse processo foi a implantação do materialismo e do egoísmo na convivência humana, sufocando-se os valores espirituais, a ética e a solidariedade.

(Dalmo Dallari)

Assinale a opção que não está de acordo com as idéias do texto acima.

a) A crise que a humanidade está vivendo envolve o abafamento de valores espirituais, da ética e da solidariedade.
b) A busca de bens materiais provém da excessiva valorização dos índices de crescimento como padrão de sucesso das nações.
c) O consumismo foi estimulado por meio dos avanços tecnológicos que apresentam os bens materiais como forma de sucesso individual.
d) O processo de valorização exagerada dos bens materiais atenua a manifestação do egoísmo na convivência entre as pessoas.

QUESTÃO 2

1          Do ponto de vista de sua origem, de sua etimologia, a palavra preconceito
     significa pré-julgamento, ou seja, ter idéia firmada sobre
     alguma coisa que ainda não se conhece, ter uma conclusão antes de
4   qualquer análise imparcial e cuidadosa. Na prática, a palavra
     preconceito foi consagrada como um pré-julgamento negativo a
     respeito de uma pessoa ou de alguma coisa. Ter preconceito ou ser
7   preconceituoso significa ter uma opinião negativa antes de conhecer
     o suficiente ou de obter os elementos necessários para um julgamento
     imparcial. Com base nesses elementos, pode-se estabelecer a seguinte
10 definição: preconceito é a opinião, geralmente negativa, que se tem
     a respeito de uma pessoa, de uma etnia, de um grupo social, de uma
     cultura ou manifestação cultural, de uma idéia, de uma teoria ou de
13 alguma coisa, antes de se conhecerem os elementos que seriam
     necessários para um julgamento imparcial.
     Um ponto que merece especial atenção das pessoas é que, não
16 raro, o preconceito age no interior da mente, insinuando-se
     sutilmente, procurando disfarçar sua verdadeira natureza, para que
     sua influência não seja percebida.

(Dalmo Dallari)

Assinale a opção em que a justificativa de emprego de sinal de pontuação, no texto acima, está incorreta.

a) Na linha 1, as vírgulas isolam uma expressão explicativa.
b) A vírgula empregada na linha 3 separa oração coordenada assindética.
c) Na linha 10, os dois-pontos indicam a citação de outra voz no texto.  
d) No trecho “é que, não raro, o preconceito” (l.15-16), as vírgulas isolam termo adverbial.

QUESTÃO 3

Considerando os trechos abaixo, que constituem um texto, assinale a opção incorreta no que se refere ao emprego das classes de palavras e suas flexões.

a) A técnica de estabelecer freios ao poder na linha da tradição ocidental não é o único caminho possível para a vigência dos direitos humanos.
b) Não é da essência de um regime de direitos humanos a separação entre o domínio jurídico e os outros domínios da existência humana, como os domínios religioso, moral e social.
c) O Ocidente repetirá hoje os mesmos erros do passado se insistir na existência de um modelo único para a expressão e a proteção dos direitos humanos.
d) Estados Unidos e Europa desrespeitaram a autonomia de destino de cada povo se tentarem impor sua verdade, sua economia, seu modo de vida, seus direitos humanos.

(João Baptista Herkenhoff, com adaptações)

QUESTÃO 4

Considerando os trechos abaixo, que constituem um texto, assinale a opção em que há erro de regência.

a) A Inglaterra deu início ao constitucionalismo, como depois veio a ser entendido, quando, em 1215, os bispos e barões impuseram o rei João Sem Terra a Magna Carta. Era o primeiro freio que se opunha ao poder dos reis.
b) O constitucionalismo inglês desencadeou conquistas liberais na sociedade. Apenas o habeas corpus bastaria para assegurar à Inglaterra um lugar proeminente na História do Direito.
c) Sabe-se, contudo, da origem feudal dos grandes documentos ingleses: não eram cartas de liberdade do homem comum. Pelo contrário, eram contratos feudais escritos, nos quais o rei, como suserano, comprometiase a respeitar os direitos de seus vassalos.
d) Não afirmavam direitos humanos, mas direitos de estamentos. Em consonância com a estrutura social feudal, o patrimônio jurídico de cada um era determinado pelo estamento, ordem ou estado a que pertencesse.

QUESTÃO 5

Considerando os trechos abaixo, que constituem um texto, assinale a opção gramaticalmente correta.

a) Nas declarações de direitos, resultantes das revoluções americana e francesa, o sentido universal, está presente.
b) Os direitos do homem e do cidadão, proclamados nessa fase histórica, quer na América, quer na Europa, tinham, entretanto, um conteúdo bastante individualista, que
consagrava a chamada democracia burguesa.
c) Apenas na Segunda etapa da Revolução Francesa, sob a ação de Robespierre e da força do pensamento de Rousseau, proclamam-se direitos sociais do homem: direitos relativos ao trabalho e à meios de existência, direito de proteção contra a indigência, direito à instrução.
d) Entretanto, a realização desses direitos cabia a sociedade e não ao Estado. Salvaguarda-se, assim, a idéia, então vigente, de que o Estado devia abster-se em face a tais problemas.

QUESTÃO 6

Os interesses econômicos das grandes potências aconselharam o encorajamento das reinvidicações(1) dos trabalhadores, em todo o mundo. Era preciso evitar que países onde as forças sindicais eram débeis(2) fizessem concorrência industrial aos países onde essas forças eram mais ativas. Era preciso impedir a vil(3) remuneração da mão-de-obra operária, em prejuízo(4) das economias então dominantes. Assim, razões extremamente estreitas e egoístas geraram a contradição de contribuir para o avanço do movimento operário, em escala mundial.

(João Baptista Herkenhoff, com adaptações)

Assinale a opção em que o número apresentado corresponde à palavra do texto cuja grafia não está de acordo com as normas da língua padrão.

a) 1.
b) 2
c) 3.
d) 4.

QUESTÃO 7

A dimensão social da democracia marcou o primeiro grande salto na conceituação dos direitos humanos. A afirmação dos direitos sociais surgiu da constatação da fragilidade dos direitos liberais, no sentido de que o homem, a favor do qual se proclamavam liberdades políticas, não satisfez ainda necessidades primárias: alimentar-se, vestir-se, morar, ter condições de saúde, ter segurança diante da doença, da velhice, do desemprego e de outros percalços da vida.

(João Baptista Herkenhoff, com adaptações)

Assinale a opção que está de acordo com as idéias do texto acima.

a) Do primeiro salto na definição dos direitos humanos decorre o caráter social da democracia.
b) A fragilidade dos direitos liberais constitui a dimensão social da democracia.
c) A afirmação dos direitos sociais proveio da constatação de que o homem, para o qual se propunha o direito à liberdade, ainda não havia conquistado suas necessidades primárias.
d) Alimentar-se, vestir-se, morar, ter saúde, ter segurança diante dos percalços da vida foram os primeiros direitos humanos a serem requeridos na história.

QUESTÃO 8

1 A visão dos direitos humanos, modernamente, não se
   enriqueceu apenas com a justaposição dos direitos
   econômicos e sociais aos direitos de liberdade. Ampliaram-se
4 os horizontes. Surgiram os chamados direitos humanos da
   terceira geração, os direitos à solidariedade: a) direito ao
   desenvolvimento; b) direito a um ambiente sadio e
7 ecologicamente equilibrado; c) direito à paz; d) direito de
   propriedade sobre o patrimônio comum da humanidade.

(João Baptista Herkenhoff, com adaptações)

Em relação ao texto acima, assinale a opção correta.

a) O texto é subjetivo, ressente-se de clareza e de concisão, características próprias do texto oficial.
b) Trata-se de um texto de natureza narrativa, que apresenta fatos e personagens agindo no tempo e no espaço.
c) O nível de formalidade, as escolhas vocabulares e a impessoalidade da linguagem do texto estão adequados a textos de correspondências oficiais.
d) O emprego do pronome “se” em “se enriqueceu” (l.1-2) e em “Ampliaram-se” (l.3) contribui para tornar o texto pessoal e subjetivo.

GABARITO

1 – D     2 – C     3 – D     4 – A     5 – B     6 – A     7 – C     8 – C
UNIFESP 2011 - Prova de Língua Portuguesa

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