Seguidores

sábado, 17 de março de 2012

MACIEL MONTEIRO – POEMAS

MACIEL MONTEIRO

– Antônio Peregrino de Maciel Monteiro, 2º Barão de Itamaracá, nasceu em Recife, em 1804, e faleceu em Lisboa, em 1868.
– Doutorou-se em Medicina pela Universidade de Paris. Foi médico, jornalista, diplomata e político, exercendo diversos cargos públicos.
– Não teve nenhum livro publicado em vida. Sua pequena produção foi compilada somente no início do século XX.
– É o patrono da cadeira 27 da Academia Brasileira de Letras.
– Segundo o célebre crítico Silvio Romero, Maciel Monteiro foi um dos escritores cujas poesias já manifestavam as características da estética romântica, antes mesmo de Gonçalves de Magalhães.
– Obra de caráter essencialmente lírico-amoroso. Seu soneto mais famoso, “Formosa”, é presença constante em antologias poéticas sobre o século XIX.



FORMOSA

"Angelica", Pino Daeni.
Formosa, qual pincel em tela fina
Debuxar jamais pôde ou nunca ousara;
Formosa, qual jamais desabrochara

Na primavera rosa purpurina;

Formosa, qual se a própria mão divina
Lhe alinhara o contorno e a forma rara;
Formosa, qual jamais no céu brilhara

Astro gentil, estrela peregrina;

Formosa, qual se a natureza e a arte,
Dando as mãos em seus dons, em seus lavores

Jamais soube imitar no todo ou parte;

Mulher celeste, oh! anjo de primores!
Quem pode ver-te, sem querer amar-te?
Quem pode amar-te, sem morrer de amores?!

(Maciel Monteiro)

ERA JÁ POSTO O SOL

Era já posto o sol. A natureza
Em ondas de perfume se banhava;
Aqui, pendia a rosa, além brilhava
Alguma flor de virginal pureza.

Nuvem sutil, de pálida tristeza,
Pelo cândido rosto lhe vagava.
Nas negras tranças do cabelo estava
Murcha e mais triste uma saudade presa.

Oh! pintor que a pintaste! Era mais bela
Que a lua deslumbrante de fulgores,
Surgindo dentre as sombras da procela!

Ao vê-la, aos meus olhos matadores,
Voou meu coração aos lábios dela,
Minh´alma ardente se banhou de amores.

(Maciel Monteiro)

UM SONHO

Ao embarque e partida de uma Senhora.

Ela foi-se! E com ela foi minh’alma
n’asa veloz da brisa sussurrante,
que ufana do tesouro que levava,
ia... corria... e como vai distante!

Voava a brisa e no atrevido rapto
frisava do Oceano a face lisa:
eu que a brisa acalmar tentava insano,
com meus suspiros alentava a brisa!

No horizonte esconder-se anuviado
eu a vi; e dois pontos luminosos
apenas onde ela ia me mostravam:
eram eles seus olhos lacrimosos!

Pouco e pouco empanou-se a luz confusa,
que me sorria lá dos olhos seus;
e dalém ondulando uma aura amiga
aos meus ouvidos repetiu adeus!

Nada mais via eu, nem mesmo um raio
fulgir a furto a esperança bela;
mas meus olhos ilusos descobriram
numa amável visão a imagem dela.

Esvaiu-se a visão, qual nuvem áurea
ao bafejar da vespertina aragem;
se aos olhos eu perdia a imagem sua,
no meu peito eu achava a sua imagem.

Ela foi-se! ... E com ela foi minh’alma
na asa veloz da brisa sussurrante,
que ufana do tesouro que levava,
ia... corria... e como vai distante!

(Maciel Monteiro)

"Ao nascerdes, senhora, um astro novo
Vos inundou de luz, que inda hoje ensina,
No fogo desses vossos olhos belos,
Vossa origem divina.

O ar, que respirastes sobre a terra,
Foi um sopro de Deus embalsamado
Entre as flores gentis que vos ornavam
O berço abençoado.

Ao ver-vos sua igual no empíreo os anjos
Hinos de amor cantaram nesse dia;
E o que se escuta, se falais, é o eco
Da angélica harmonia.

Gerada para o Céu, que o Céu somente
Da criação a pompa e o brilho encerra,
Das mãos do Criador vos escapastes,
Caístes cá na terra.

Um anjo vos seguiu para guardar-vos;
E quais gêmeos um no outro retratado,
Quem pode distinguir o anjo que guarda
Do anjo que é guardado?

Só um raio do Céu arde perene
Sem que o tempo lhe apague o fulgor santo!
Por isso os vossos dons são sempre os mesmos,
O mesmo o vosso encanto.

Em vós é tudo eterno. E se na fronte
(Tão bela sempre em tempos tão diversos!)
Uma c’roa murchar-se, é decerto
A c’roa dos meus versos.

Dos meus versos! Ah! Não! Que inextinguível
É o incenso queimado à divindade:
E ao canto que inspirais, vós dais, senhora,
Vossa imortalidade."

(Maciel Monteiro)

Leia também:

"Luzia-Homem" - Domingos Olímpio
Cassiano Ricardo
"Rita Baiana" - "O cortiço" - Aluísio Azevedo
"A borboleta preta" - Machado de Assis

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Conheça as apostilas do blog Veredas da Língua. Clique em uma das imagens abaixo e saiba como adquiri-las.















PREPARE-SE PARA OS PRINCIPAIS VESTIBULARES DO PAÍS. ADQUIRA AGORA MESMO O PROGRAMA 500 TEMAS DE REDAÇÃO!



sexta-feira, 16 de março de 2012

Texto - "Luzia-Homem" - Domingos Olímpio

Luzia-Homem

             

Era Luzia, conduzindo para a obra, arrumados sobre uma tábua, cinquenta tijolos.
Viram-na outros levar, firme, sobre a cabeça, uma enorme jarra d'água, que valia três potes, de peso calculado para a força normal de um homem robusto. De outra feita, removera, e assentara no lugar próprio, a soleira de granito da porta principal da prisão, causando pasmo aos mais valentes operários, que haviam tentado, em vão, a façanha... (...)
Pouco expansiva, sempre em tímido recato, vivia só, afastada dos grupos de consortes de infortúnio, e quase não conversava com as companheiras de trabalho, cumprindo, com inalterável calma, a sua tarefa diária, que excedia à vulgar, para fazer jus a dobrada ração.
- É de uma soberbia desmarcada - diziam as moças da mesma idade, na grande maioria desenvoltas ou deprimidas e infamadas pela miséria.
- A modos que despreza de falar com a gente, como se fosse uma senhora dona - murmuravam os rapazes remordidos pelo despeito da invencível recusa, impassível às suas insinuações galantes. - Aquilo nem parece mulher fêmea - observava uma velha, alcoveta e curandeira de profissão. Reparem que ela tem cabelos nos braços e um buço que parece bigode de homem... (...)
- Deixem estar que há de ser como as outras. Em boniteza, verdade, verdade, mete vocês todas num chinelo. Aquilo é mulher para dar e apanhar - disse chasqueando um soldado de linha, destacado no Curral do Açougue para manter a ordem, pois não raro rixavam e se engalfinhavam mulheres, ou se esboroavam homens por fúteis pretextos: houvera mesmo sérios conflitos e lutas sangrentas, tão abatido estava naquela pobre gente o senso moral.
- Vão ver que você, seu Crapiúna, também está fazendo roda a Luzia-Homem?!...
Crapiúna, o tal soldado, era mal afamado entre os homens e muito acatado pelas mulheres, graças à correção do fardamento irrepreensível, os botões doirados, o cinturão e a baioneta polidos e reluzentes: todo ele tresandando ao patchouli da pomada, que lhe embastia a marrafa e o bigode, teso e fino como um espeto. Possuía, apesar das duras feições, o encanto militar, a que é tão caroável o animal caprichoso, e fútil, a mulher de todas as categorias e condições sociais, talvez porque, sendo fraca, naturalmente, se deixa atrair pelas manifestações da força. (...)
A insinuação de Romana ferira certo o alvo, e assanhara a secreta cupidez de Crapiúna, que não se conformava com os modos retraídos e a impassível frieza da mulher-homem, resistência passiva e calma, ante a qual se amesquinhava a sua fama e sentia arranhado o amor-próprio de vitorioso em fáceis conquistas. Sempre que a encontrava, dirigia-lhe, com saudações reverentes, palavras de ternura e erotismos incontinentes, olhares e gestos de desejos mal sofreados. E, tão frequentes se tornaram esses meios de obsessão, que um dia a moça os rebateu secamente, com firmeza inelutável:
- Deixe-me sossegada. Não se meta com a minha vida. Eu não sou o que o senhor supõe...
- Deixa-te de luxos, rapariga - respondeu Crapiúna, mostrando-lhe um grosso anel de ouro. - Olha a memória de ouro que tenho para ti... Não te zangues com o teu mulato...
Desde então entrou a acompanhá-la, a persegui-la por toda a parte, nas horas de trabalho na penitenciária, nas caminhadas ao rio e a rondar durante a noite pela vizinhança da casinha velha, lá para as bandas da Lagoa do Junco, onde ela morava com a mãe, velha e enferma, a boa, a santa tia Zefa.
Exasperada por essa obsessão afrontosa, cada vez mais ardente e descomedida, Luzia queixou-se ao administrador que obteve do tenente, comandante do destacamento, a remoção do temerário galante para outros serviços, guarda e faxina da prisão e, nos dias de folga, a polícia da feira.
O tão severo, merecido castigo penetrou fundo no duro coração do soldado, remexendo a vasa de instintos, ali sedimentada em demorado repouso. Mais ainda lhe moeram os melindres, os comentários irreverentes, os aplausos, as insinuações ferinas... (...)
Crapiúna sabia dessas más ausências, das calúnias e falsos testemunhos que lhe levantavam, cobardemente, pelas costas; das pragas e esconjuros, arrogados pelas suas vítimas e desafetos. Safados uns, ingratos outros. Corja de mal-agradecidos, que já se não lembravam dos benefícios de ontem. (...) seria, entretanto, melhor sair da obra por sua livre vontade e não por queixa... E logo de quem? De Luzia-Homem... Oh? o diabo daquela sonsa era capaz de virar pelo avesso o juízo de uma criatura, e provocar muita desgraça por causa daquele imposão de querer ser melhor que as outras... Tirando-lhe a força bruta, não passava de uma pobre tatu, que só tem por si o dia e a noite.
- Você está... - mas é fisgado pela macho e fêmea - arriscou o camarada Belota que lhe ouvia a confidência - Aquilo tem mandinga... Quem sabe se não te enfeitiçou!... Olha que ela tem uns olhos que furam a gente.. . E então - aquela cabeleira... Acho melhor pedir à Chica Seridó uma oração forte para desmanchar quebrantos e fechar o corpo contra mau olhado.
- Qual, o quê!... - retorquiu Crapiúna, com afetado desdém - Eu até nem gosto dela... Não lhe acho graça... Depois... com semelhante força... nem parece mulher...
- Tira o cavalo da chuva e conta a história direito, Crapiúna. Todas as mulheres são iguais e merecem tudo; a demora é grelar no coração o capricho, principalmente, quando resistem. Fora ela um monstro da natureza; paixão não enxerga nem repara e, quando nos ataca, é como o sarampo: até jasmim de cachorro é remédio. E deixa falar quem quiser, que é soberba, sonsa, mal-ensinada... Ela não é nenhum peixe podre. Não reparaste naqueles quartos redondos, no caculo do queixo. Na boca encarnada como um cravo?! E o buço?!... Sou caidinho por um buço... Ela quase que tem passa-piolho, o demônio da cabrocha...
- O que mais me admira é que não se diz dela tanto assim – afirmou Crapiúna pensativo, riscando com a unha do polegar a ponta do indicador.
- É por ser mais velhaca que as outras... Pergunta ao Alexandre...
- Que Alexandre? Aquele alvarinto que servia de apontador na obra: e passou depois para o armazém da Comissão?... Aquilo é defunto em pé. Não é qualidade de homem para um como eu.
- O caso é que ele gosta dela. Estão sempre perto um do outro, ao passo que o Crapiúna velho foi posto fora, como um cachorro tinhoso, e está aqui gemendo no serviço...
E como o soldado, em cujo coração se derramara fel, ficasse a cismar, Belota afastou-se com um gracejo ferino:
- Ali é ver com os olhos e comer com a testa ou lamber vidro de veneno por fora, como rato de botica. Toma o meu conselho. Não te metas com a bruxa que cheiras vara!
Crapiúna não o ouviu. Contorcendo-se no martírio de onça acuada, com o coração caldeado no peito, estremecia à suspeita de um rival venturoso na disputa da cobiçada presa.

(Domingos Olímpio, in "Luzia-Homem")

Leia também:

Cassiano Ricardo
"Rita Baiana" - "O cortiço" - Aluísio Azevedo
Pedro Kilkerry - Poemas
Maciel Monteiro - Poemas



Conheça as apostilas de literatura do blog Veredas da Língua. Clique em uma das imagens abaixo e saiba como adquiri-las.














ATENÇÃO: Além das apostilas, o aluno recebe também, GRATUITAMENTE, o programa em Powerpoint: 500 TEMAS DE REDAÇÃO

quinta-feira, 15 de março de 2012

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA – CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE POLÍCIA CIVIL

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA – CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE POLÍCIA CIVIL – DF – (2004)


TEXTO – DIAGNÓSTICO

O Globo, 15/10/2004

Em oito anos, o número de turistas no Rio de Janeiro dobrou, enquanto os assaltos a turistas foram multiplicados por três, alcançando hoje a média de dez casos por dia. Considerando a importância que o turismo tem para a cidade – que anualmente recebe 5,7 milhões de visitantes de outros estados e do estrangeiro, destes, aliás, quase 40% dos que chegam ao Brasil têm como destino o Rio – é alarmante esse grau crescente de insegurança.
Por   maior que tenha sido a indignação manifestada pelo governo federal, são números que reforçam o alerta do Departamento de Estado americano a agências de turismo dos Estados Unidos, divulgado no início do mês, a respeito do perigo que apresentam o Rio e outras grandes cidades brasileiras.
Não é exagero classificar de urgente a tarefa de fazer o turista se sentir mais seguro no Rio, considerando que os visitantes movimentam 13% da economia da cidade e que dentro de três anos teremos aqui o Pan. Parte da solução é simples: reforçar o policiamento ostensivo. A Secretaria de Segurança do Estado informa que há quase duas centenas de policiais patrulhando a orla, do Leblon ao Leme, mas não é o que se vê – nem é o que percebem os assaltantes.
Muitos destes  aliás, são menores de idade com que o poder público simplesmente não sabe lidar, por falta de ação integrada entre autoridades estaduais e
municipais, empenhadas num jogo de empurra sobre a responsabilidade por tirá-los das ruas. O que lhes confere uma percepção de impunidade que só faz piorar a situação.
Impunidade é também a sensação que resulta do deficiente trabalho de investigação policial: se não se consegue impedir o crime, sua gravação pelas câmeras da orla de pouco serve, pois não há um esquema eficaz de inteligência nem estrutura técnica adequada para seguir pistas.
É fácil atribuir todos os problemas à falta de verbas. Mas é mais justo falar em dinheiro mal aplicado. As próprias autoridades anunciam fartos investimentos em aparato tecnológico contra o crime; o retorno que deveria produzir a aplicação eficiente desse dinheiro seria o que não está acontecendo: a redução a níveis mínimos dos assaltos a turistas.

1- O título Diagnóstico se justifica porque o texto:

a) trata da insegurança como uma doença social;
b) mostra as causas históricas da insegurança na cidade do Rio;
c) indica o conhecimento das causas de determinado fenômeno;
d) aponta os remédios para uma doença observada;
e) faz uma análise científica de um problema atual.

2 - “Em oito anos, o número de turistas no Rio de Janeiro dobrou, enquanto os assaltos a turistas foram multiplicados por três”; essa relação mostra que:

a) a insegurança aumenta quando se reduz o número de turistas;
b) o nº de turistas cresce, apesar dos assaltos;
c) a redução do nº de turistas faz crescer a segurança;
d) quanto mais aumentam os turistas, menos assaltos ocorrem;
e) os turistas aumentam na mesma proporção que os assaltos.

3 -  A frase do texto que apresenta uma dupla possibilidade de concordância verbal é:

a) “...o número de turistas no Rio de Janeiro dobrou...”;
b) “...não há um esquema eficaz de inteligência nem estrutura técnica adequada para seguir pistas”;
c) “...quase 40% dos que chegam...”;
d) “...nem o que percebem os assaltantes”;
e) “...que apresentam o Rio e outras grandes cidades brasileiras”.

4 - “...alcançando HOJE a média de dez casos por dia”; o momento a que se refere o vocábulo em maiúsculas depende da situação em que o  texto se insere. O segmento textual cujo elemento em destaque NÃO representa caso idêntico é:

a) “EM OITO ANOS o número de turistas do Rio de Janeiro dobrou,...”;
b ) “...que ANUALMENTE recebe 5,7 milhões de visitantes...”;
c) “...o alerta do Departamento de Estado americano a agências de turismo dos Estados Unidos, divulgado NO INÍCIO DO MÊS...”
d) “...e que DENTRO DE TRÊS ANOS teremos aqui o Pan”;
e ) “...visitantes de outros estados e do ESTRANGEIRO,...”.

5 - O segmento do texto que tem o antecedente do pronome relativo que ERRADAMENTE indicado é:

a) “Considerando a importância QUE o turismo tem para a cidade...” – importância;
b) “...o turismo tem para a cidade – QUE anualmente recebe 5,7 milhões de visitantes...” – cidade;
c ) “...são números QUE reforçam o alerta doDepartamento de Estado...” – números;
d) “Impunidade é também a sensação QUE resulta do deficiente trabalho...” – impunidade;
e) “...seria o QUE não está acontecendo...” – o.

6 - Entre o primeiro e o segundo período do texto, poderíamos inserir, com a alteração da forma do gerúndio considerando, uma conjunção (adequada ao sentido do texto) tal como:

a) embora;
b) já que;
c) mas;
d) portanto;
e) se.

7 - I – “grau crescente DE INSEGURANÇA”
    II – “agências DE TURISMO”
    III – “trabalho DE INVESTIGAÇÃO POLICIAL”
    IV – “por falta DE AÇÃO INTEGRADA”

Entre os segmentos acima, em maiúsculas, aquele que apresenta função DISTINTA da dos demais é:

a) I;
b) II;
c) III;
d) IV;
e) nenhum deles.

8 - Ao dizer que “não há um esquema eficaz de inteligência”, o autor do texto se refere à(ao):

a) capacidade intelectual dos policiais;
b) possibilidade legal de fazer investigações;
c) estrutura militar da corporação;
d) disponibilidade de um serviço de informações;
e) armamento de grande poder de fogo.

9 - “É fácil atribuir todos os problemas à falta de verbas”; nessa frase, o acento grave indicativo da crase resulta da união de uma preposição com um artigo, o mesmo que ocorre em:

a) servir à francesa;
b) ir àquela praia;
c) entregar o prêmio à de vestido verde;
d) dar àquele homem a condecoração;
e) atribuir a culpa à que está armada.

10 - Entre os argumentos apresentados a favor do trabalho das autoridades competentes para a segurança policial do Rio de Janeiro, só NÃO está:

a) instalação de câmeras na orla;
b) falta de verbas;
c) investimentos em aparato tecnológico;
d) presença de policiais nas praias;
e) policiamento ostensivo.

11- “...informa que há quase duas centenas de policiais...”; o fato de se empregar “duas centenas” e não  “duzentos”  mostra,  por  parte da Secretaria de Segurança do Estado, a intenção de:

a) valorizar a quantidade dos policiais empregados;
b) demonstrar a verdade da afirmação feita;
c) conservar certos modismos da linguagem militar;
d) indicar a pouca importância dos assaltos cometidos;
e) mostrar a imensa disponibilidade de pessoal.

12 - “Por maior que tenha sido a indignação manifestada pelo governo federal...”; tal indignação, referida no primeiro parágrafo do texto, se dirige contra:

a) a Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro;
b) o Departamento de Estado americano;
c) o grande número de assaltos a turistas no Rio;
d) o despreparo da polícia carioca;
e) a redução do número de turistas que se dirigem ao Rio

13 - “POR maior que tenha sido a indignação ...”; “...não sabe lidar, POR falta de ação integrada...”; as duas ocorrências do vocábulo em maiúsculas correspondem semanticamente às idéias de, respectivamente:

a) meio – modo;
b) causa – meio;
c) concessão – causa;
d) modo – explicação;
e) explicação – concessão.

14 - No primeiro parágrafo do texto, o vocábulo RIO DE JANEIRO reaparece designado como CIDADE, a fim de se evitar a repetição de palavras idênticas; nesse caso, após uma palavra de valor específico (Rio de Janeiro), emprega-se outra de valor geral (cidade). Essa mesma estrutura se repete em:

a) Rio de Janeiro – Cidade Maravilhosa;
b) Rio de Janeiro – RJ;
c) Rio de Janeiro – Rio;
d) Rio de Janeiro – capital;
e) Rio de Janeiro – berço do samba.

15 - “Considerando a importância que o turismo TEM...”; “...quase 40% dos que chegam ao Brasil TÊM como destino o Rio...”; “...dentro de três anos TEREMOS aqui o Pan...”; esses segmentos do texto mostram a ampla utilização do verbo TER no lugar de outros verbos de significação mais específica. Os verbos que poderiam substituir, respectivamente, de forma mais adequada, as formas verbais em destaque são:

a) desfrutar - pretender - realizar;
b) mostrar - desejar - desfrutar;
c) possuir - almejar - sediar;
d) apresentar - tentar - receber;
e) alcançar - querer - organizar.

16  -  De  todos os substantivos abaixo,  aquele que apresenta uma formação diferente da dos demais, a partir da palavra primitiva, é:

a) indignação;
b) aplicação;
c) sensação;
d) situação;
e) investigação.

17 - “...técnica adequada para seguir pistas”; o substantivo cognato adequado ao verbo seguir neste caso é:

a) sucessão;
b) seqüência;
c) seqüenciação;
d) seguimento;
e) seguida.

18 - “É fácil atribuir todos os problemas à falta de verbas. Mas é mais justo falar em dinheiro mal aplicado”; nesse segmento do texto há duas idéias, representadas nos dois períodos transcritos; o comentário correto sobre as idéias aqui representadas é:

a) o autor do texto atribui à falta de verbas e à sua má aplicação os problemas com a segurança;
b) o autor do texto não acredita que a falta de verbas seja responsável pela falta de segurança, mas sim a sua má aplicação;
c) o argumento de má aplicação dos recursos é utilizado pelo Estado como desculpa pelos problemas na área de segurança pública;
d) a desculpa da falta de verbas é dada pelo autor do texto como uma maneira de reduzir a culpa do Estado na segurança;
e) a falta de verbas é uma mentira, assim como a má aplicação de recursos, pois o que falta é inteligência, segundo o autor do texto.

19 -  “...não há um esquema EFICAZ de inteligência...”; “...deveria produzir a aplicação EFICIENTE...”; no minidicionário de língua portuguesa de A. Houaiss aparece a definição desses dois adjetivos:

1.  eficiente: que realiza bem suas funções; que traz bons resultados;
2. eficaz: eficiente; seguro, infalível.

Isso mostra que:

a) só o primeiro está bem empregado;
b) só o segundo está bem empregado;
c) os vocábulos podiam trocar de posição, sem alteração de sentido;
d) nenhum dos dois está bem empregado;
e) deveria ser empregado somente um desses adjetivos.

20 - “Muitos destes, aliás, são menores de idade com que o poder público simplesmente não sabe lidar”; a utilização da preposição COM, nesse segmento, é devida à presença do verbo  lidar. A frase abaixo em que a preposição destacada está mal empregada é:

a) Feijoada é o prato DE que mais gosto;
b) Esse é o problema A que me refiro;
c) Não sei mais DE que estamos falando;
d) Não conheço o lugar A que se dirigiu;
e) Esses são os trabalhos DE que lamentaram.

21 - “Muitos destes, aliás, são menores de idade com que o poder  público não sabe  lidar”;  o comentário INCORRETO sobre os elementos que estruturam esse segmento do texto é:

a) o demonstrativo destes se refere a menores de idade;
b) o termo aliás corresponde semanticamente a além disso;
c) o termo menores é empregado como adjetivo;
d) o relativo que se prende ao antecedente menores de idade;
e) a expressão poder público se refere a órgãos de governo.

22 - “É fácil atribuir todos os problemas à falta de verbas”; forma igualmente correta dessa mesma frase é:

a) é fácil atribuir-se todos os problemas à falta de verbas;
b) é fácil que se atribua todos os problemas à falta de verbas;
c) é fácil que se atribuam todos os problemas à falta de verbas;
d) é fácil que se atribuísse todos os problemas à falta de verbas;
e) é fácil que se atribuíssem todos os problemas à falta de verbas.

23 - O segmento abaixo que apresenta adjetivo sem variação de grau é:

a) “Por maior que tenha sido a indignação manifestada...”;
b) “...é alarmante esse grau crescente de insegurança”;
c) “...de fazer o turista se sentir mais seguro no Rio...”;
d) “...a redução a níveis mínimos dos assaltos a turistas”;
e) “Mas é mais justo falar em dinheiro mal aplicado”.

24 - “Mas é mais justo falar em dinheiro mal aplicado. As próprias autoridades anunciam fartos investimentos em aparato tecnológico contra o crime; o retorno que deveria produzir a aplicação eficiente desse dinheiro seria o que não está acontecendo: a redução a níveis mínimos dos assaltos a turistas”; o vocábulo que destoa dos demais quanto ao campo semântico é:

a) dinheiro;
b) investimentos;
c) aparato;
d) aplicação;
e) retorno.

25 - O segmento do texto cujo elemento destacado tem seu valor semântico INCORRETAMENTE indicado é:

a) “EM oito anos...” = tempo;
b) “...visitantes DE outros estados...” = origem;
c) “...da economia DA cidade...” = propriedade;
d) “...não sabe lidar, POR falta de ação integrada...” = causa;
e) “...falar EM dinheiro mal aplicado...” = oposição.

26 - “Em oito anos, o número de turistas no Rio de Janeiro dobrou, enquanto os assaltos a turistas foram multiplicados por três, alcançando hoje a média de dez casos por dia. Considerando a importância que o turismo tem para a cidade – que anualmente recebe 5,7 milhões de visitantes de outros estados e do estrangeiro, destes, aliás, quase 40% dos que chegam ao Brasil têm como destino o Rio – é alarmante esse grau crescente de insegurança”; quanto às referências numéricas presentes nesse primeiro parágrafo do texto pode-se dizer que representam numerais de dois tipos:

a) cardinais e ordinais;
b) cardinais e multiplicativos;
c) multiplicativos e fracionários;
d) cardinais e fracionários;
e) ordinais e multiplicativos.

27 - A relação adequada entre, respectivamente, substantivo-adjetivo-verbo de uma mesma família de palavras e de um mesmo campo semântico é:

a) média-mediático-remediar;
b) policial-policiamento-policiar;
c) crime-criminoso-incriminar;
d) idade-idoso-identificar;
e) gravação-grave-agravar.

28 - O item em que a troca de posição entre substantivo e adjetivo traz nítida modificação de sentido é:

a) grau crescente;
b) policiamento ostensivo;
c) poder público;
d) fartos investimentos;
e) aplicação eficiente.

29 - O segmento do texto que NÃO apresenta estrutura aditiva realizada por meio de conectores desse tipo é:

a) “Em oito anos, o número de turistas no Rio de Janeiro dobrou, enquanto os assaltos a  turistas foram multiplicados por três”;
b) “..recebe 5,7 milhões de visitantes de outros estados e do estrangeiro...”;
c) “...que apresentam o Rio e outras grandes cidades brasileiras”;
d) “...mas não é o que se vê – nem é o que percebem os assaltantes”;
e) ...entre autoridades estaduais e municipais...”.

30 - O texto da prova, por sua estrutura e características, deve ser prioritariamente classificado como:

a) expositivo;
b) narrativo;
c) informativo;
d) argumentativo;
e) descritivo.


GABARITO

Questão
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
Gabarito
C
B
E
E
D
E
E
D
A
B
A
B
C
D
A

Questão
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
Gabarito
C
D
B
C
E
A
C
B
C
E
D
C
C
A
D