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terça-feira, 10 de abril de 2012

CARLOS PENA FILHO – O POETA DO AZUL

CARLOS PENA FILHO – O POETA DO AZUL

- Nasceu em Recife, em 1929, e faleceu na mesma cidade, em 1960, aos 31 anos, vítima de acidente de carro. 
- Formou-se em Direito pela Universidade de Recife. Foi poeta, advogado e jornalista.
- Obra de tons simbolistas, carregada de musicalidade, ritmo e plasticidade.
- Em sua obra, destacam-se as cores, o movimento, o jogo de luzes e sombras, as imagens pictóricas.
- Forte predominância da cor azul em seus poemas, daí alguns críticos o chamarem de “O Poeta do Azul”.
- Entre seus temas, destacam-se ainda o mar, o lirismo confessional e a cidade de Recife.
Obras: “O tempo da busca” (1952), “Memórias de Boi Serapião” (1956), “A vertigem lúcida” (1958), “Livro geral (1959)”.

Assim o poeta dedicava a sua obra “Livro geral” a sua esposa Tânia:

“Tânia: recebe este livro
agora mesmo composto
na face azul do teu rosto,
ilha de sal e de areias
azuis como as nossas veias”

(Carlos Pena Filho) 

Quando da morte do autor, Manuel Bandeira expressou seu pesar, lembrando a predileção do autor pelo azul:

"Escrevo esse nome, e estou certo de que o inscrevo na eternidade. Pois me parece impossível que as presentes e as futuras gerações  esqueçam o poeta encantador, tão cedo e tão tragicamente desaparecido. Como Mallarmé, tinha o poeta pernambucano a obsessão do azul: a sua bela Maria Tânia lhe parecia ‘bela e azul’, na rosa que ele amou via, nos seios da rosa, dois bêbedos marujos ‘desesperados, sós, raros, azuis’, há uma orgia de azul no ‘Soneto do desmantelo azul’, onde acaba nascendo um sol vertiginosamente azul". 

Jorge Amado prestou-lhe bela homenagem: 

“Eras frágil de carne e osso, tão leve na balança, um vento mais forte podia te arrastar como uma folha de árvore ou um pedaço roto de poema. Por isso talvez sempre me deste a ideia de um anjo por amor perdido nas ruas do Recife. Mas como eras denso de vida por dentro, como eras tão homem e tão povo, tão pernambucano e universal!”

E o sociólogo Gilberto Freyre o compara a um pintor de palavras:

“É característico de Carlos Pena Filho ter dado a alguns de seus poemas títulos que confirmam nele o artista pictórico a servir-se por vezes de palavras como se serviria de tintas. A escrever, pintando com palavras.” 

"Bailarinas Azuis". Edgar Degas, Pastel 1899.
Soneto do desmantelo azul

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vestiginosamente azul. Azul.

(Carlos Pena Filho)


Para Fazer um Soneto 

Tome um pouco de azul, se a tarde é clara, 
e espere um instante ocasional 
neste curto intervalo Deus prepara 
e lhe oferta a palavra inicial. 

Ai, adote uma atitude avara 
se você preferir a cor local 
não use mais que o sol da sua cara 
e um pedaço de fundo de quintal. 


Se não procure o cinza e esta vagueza 
das lembranças da infância, e não se apresse 
antes, deixe levá-lo a correnteza 

Mas ao chegar ao ponto em que se tece 
dentro da escuridão a vã certeza 
ponha tudo de lado e então comece. 

(Carlos Pena Filho) 


A Solidão e Sua Porta

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar
(nem o torpor do sono que se espalha)

Quando pelo desuso da navalha
A barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha

Arquitetar na sombra a despedida
Deste mundo que te foi contraditório
Lembra-te que afinal te resta a vida

Com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída
Entrar no acaso e amar o transitório.

(Carlos Pena Filho)

"Nostalgia". Josef Kote.
Soneto

Por seres bela e azul é que te oferto 
a serena lembrança desta tarde:
tudo em torno de mim vestiu um ar de
quem não te tem mas te deseja perto.

O verão que fugiu para o deserto
onde, indolente e sem motivos, arde,
deixou-nos este leve e vago e incerto
silêncio que se espalha pela tarde.

Por seres bela e azul e improcedente
é que sabes que a flor, o céu e os dias
são estados de espírito, somente,

como o leste e o oeste, o norte e o sul.

Como a razão por que não renuncias 
ao privilégio de ser bela e azul.

(Carlos Pena Filho)

A Charles Baudelaire

Carlos também
embora sem
flores nem aves
vinho nem naves,

eu te remeto
este soneto
para saberes,
se o acaso o leres,

que existe alguém
no mundo, cem
anos após

que não vaiou
e nem magoou
teu albatroz.


(Carlos Pena Filho, in “Livro Geral”)

Poema De Natal

— Sino, claro sino,
tocas para quem?
— Para o Deus menino
que de longe vem.

— Pois se o encontrares
traze-o ao meu amor.
— E que lhe ofereces,
velho pecador?

- Minha fé cansada,
meu vinho, meu pão,
meu silêncio limpo,
minha solidão.

(Carlos Pena Filho)

Soneto raspado das telas de Aloísio Magalhães

Aquém do sonho e além dos movimentos
uma nesga de azul perdeu as asas.
Quem a invadir, invade os próprios ventos
que varrem mares e entram pelas casas.

Às vezes, penso: não tem dor nem mágoas
quem se ofertou a tão alegre ofício,
mas a mulher que mora atrás do início,
diz: são meus estes céus, minhas as águas

que dormem neste chão, minhas as cores
que apascentam teus olhos e que vêm
de mim e vão das nuvens ou das flores.

Mas só pode ir além dos movimentos,
onde, serena, habito há muito, quem
pela nesga de azul entrar nos ventos.

(Carlos Pena Filho)

Soneto oco

Neste papel levanta-se um soneto,
de lembranças antigas sustentado,
pássaro de museu, bicho empalhado,
madeira apodrecida de coreto.

De tempo e tempo e tempo alimentado,
sendo em fraco metal, agora é preto.
E talvez seja apenas um soneto
de si mesmo nascido e organizado.

Mas ninguém o verá? Ninguém. Nem eu,
pois não sei como foi arquitetado
e nem me lembro quando apareceu.

Lembranças são lembranças, mesmo pobres,
olha pois este jogo de exilado
e vê se entre as lembranças te descobres.

(Carlos Pena Filho)



"Kiss by the window". 1892. Munch.
Soneto da Busca 

Eu quase te busquei entre os bambus
para o encontro campestre de janeiro
porém, arisca que és, logo supus
que há muito já compunhas fevereiro.

Dispersei-me na curva como a luz
do sol que agora estanca-se no outeiro
e assim também, meu sonho se reduz
de encontro ao obstáculo primeiro.

Avançada no tempo, te perdeste
sobre o verde capim, atrás do arbusto
que nasceu para esconder de mim teu busto.

Avançada no tempo, te esqueceste
como esqueço o caminho onde não vou
e a face que na rua não passou.

(Carlos Pena Filho)

Testamento do homem sensato

Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: “Ele era assim...”
Mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em voo se arremeda,

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve.

(Carlos Pena Filho)



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Leia também:
"O crime do açougueiro" - Mário Prata


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sexta-feira, 6 de abril de 2012

BANCO DO BRASIL – CONCURSO PÚBLICO – 2011 – CARGO: ESCRITURÁRIO – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

BANCO DO BRASIL – CONCURSO PÚBLICO – 2011 – CARGO: ESCRITURÁRIO


PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Atenção: As questões de números 1 a 7 referem-se ao texto seguinte.

Será a felicidade necessária?

Felicidade é uma palavra pesada. Alegria é leve, mas felicidade é pesada. Diante da pergunta "Você é feliz?", dois fardos são lançados às costas do inquirido. O primeiro é procurar uma definição para felicidade, o que equivale a rastrear uma escala que pode ir da simples satisfação de gozar de boa saúde até a conquista da bem-aventurança. O segundo é examinar-se, em busca de uma resposta. 
Nesse processo, depara-se com armadilhas. Caso se tenha ganhado um aumento no emprego no dia anterior, o mundo parecerá belo e justo; caso se esteja com dor de dente, parecerá feio e perverso. Mas a dor de dente vai passar, assim como a euforia pelo aumento de salário, e se há algo imprescindível, na difícil conceituação de felicidade, é o caráter de permanência. Uma resposta consequente exige colocar na balança a experiência passada, o estado presente e a expectativa futura. Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara.
Os pais de hoje costumam dizer que importante é que os filhos sejam felizes. É uma tendência que se impôs ao influxodas teses libertárias dos anos 1960. É irrelevante que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profissão. O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. É esperar, no mínimo, que o filho sinta prazer nas pequenas coisas da vida. Se não for suficiente, que consiga cumprir todos os desejos e ambições que venha a abrigar. Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos. Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança.

(Trecho do artigo de Roberto Pompeu de Toledo. Veja. 24 de março de 2010, p. 142)

1. De acordo com o texto,

(A) a realização pessoal que geralmente faz parte da vida humana, como o sucesso no trabalho, costuma ser percebida como sinal de plena felicidade.
(B) as atribuições sofridas podem comprometer o sentimento de felicidade, pois superam os benefícios de conquistas eventuais.
(C) o sentimento de felicidade é relativo, porque pode vir atrelado a circunstâncias diversas da vida, ao mesmo tempo que deve apresentar constância.
(D) as condições da vida moderna tornam quase impossível a alguma pessoa sentir-se feliz, devido às rotineiras situações da vida.
(E) muitos pais se mostram despreparados para fazer com que seus filhos planejem sua vida no sentido de que sejam, realmente, pessoas felizes.

2. A afirmativa correta, em relação ao texto, é:

(A) A expectativa de muitos, ao colocarem a felicidade acima de quaisquer outras situações da vida diária, leva à frustração diante dos pequenos sucessos que são regularmente obtidos, como, por exemplo, no emprego.
(B) Sentir-se alegre por haver conquistado algo pode significar a mais completa felicidade, se houver uma determinação, aprendida desde a infância, de sentir-se feliz com as pequenas coisas da vida.
(C) As dificuldades que em geral são encontradas na rotina diária levam à percepção de que a alegria é um sentimento muitas vezes superior àquilo que se supõe, habitualmente, tratar-se de felicidade absoluta.
(D) A possibilidade de que mais pessoas venham a sentir-se felizes decorre de uma educação voltada para a simplicidade de vida, sem esperar grandes realizações, que acabam levando apenas a frustrações.
(E) Uma resposta provável à questão colocada como título do texto remete à constatação de que felicidade é um estado difícil de ser alcançado, a partir
da própria complexidade de conceituação daquilo que se acredita ser a felicidade.

3.  O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes. Ora, felicidade é coisa grandiosa. (3o parágrafo)

Com a palavra grifada, o autor

(A) retoma o mesmo sentido do que foi anteriormente afirmado.
(B) exprime reserva em relação à opinião exposta na afirmativa anterior.
(C) coloca uma alternativa possível para a afirmativa feita anteriormente.
(D) determina uma situação em que se realiza a probabilidade antes considerada.
(E) estabelece algumas condições necessárias para a efetivação do que se afirma.

4. Nos pares de frases abaixo, é correto afirmar que o sentido expresso na frase I está sendo retomado com outras palavras na frase II APENAS em:

(A)  I. O primeiro [fardo] é procurar uma definição para felicidade...
       II.  ...que importante é que os filhos sejam felizes.
(B)  I.  O segundo [fardo] é examinar-se, em busca de uma resposta.
       II.  O que espero, eis a resposta correta, é que sejam felizes.
(C)  I.  Nesse processo, depara-se com armadilhas.
       II.  ...colocar na balança a experiência passada...
(D)  I.  ... até a conquista da bem-aventurança.
       II.  Se ainda for pouco, que atinja o enlevo místico dos santos.
(E)  I.  ... felicidade é coisa grandiosa.
       II.  ...que o filho sinta prazer nas pequenas coisas da vida.

5. O segmento cujo sentido original está reproduzido com outras palavras é:

(A)  dois fardos são lançados às costas do inquirido = sérios embates se apresentam à questão.
(B)  a rastrear uma escala = a estabelecer um novo caminho.
(C)  depara-se com armadilhas = as interferências são enormes.
(D)  assim como a euforia pelo aumento de salário = tendo em vista um pagamento maior.
(E)  ao influxo das teses libertárias = sob a influência das ideias em defesa da liberdade.

6.  É irrelevante que entrem na faculdade, que ganhem muito ou pouco dinheiro, que sejam bem-sucedidos na profissão. (3o parágrafo)

O emprego das formas verbais grifadas acima denota

(A) hipótese passível de realização.
(B) fato real e definido no tempo.
(C) condição de realização de um fato.
(D) finalidade das ações apontadas no segmento.
(E) temporalidade que situa as ações no passado.

7. Considere as alterações feitas nos segmentos abaixo grifados.

I.  Dá trabalho, e a conclusão pode não ser clara.
    Dá trabalho, e a conclusão não pode ser clara.
II.  Nesse processo, depara-se com armadilhas.
      Depara-se com armadilhas nesse processo.
III.  Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a pobre criança.
       Não dá para preencher caderno de encargos mais cruel para a criança pobre.

Com as modificações feitas na 2a frase, altera-se o sentido do que foi afirmado na 1
a frase em

(A)  II, apenas.
(B)  III, apenas.
(C)  I e II, apenas.
(D)  I e III, apenas.
(E)  I, II e III.

Atenção:  As questões de números 8 a 11 referem-se ao texto seguinte.

A média universal do Índice de Desenvolvimento Humano aumentou 18% desde 1990. Mas a melhora estatística está longe de animar os autores do Relatório de 2010. Eles argumentam que, embora os números reflitam avanços em determinadas áreas, o mundo continua a conviver com problemas graves, que exigem uma nova perspectiva política.
O cenário apresentado pelo Relatório não é animador. O documento adverte que, nestes 20 anos, parte dos países enfrentou sérios problemas, sobretudo na saúde, anulando em alguns anos os ganhos de várias décadas. Além disso, o crescimento econômico tem sido desigual. Os padrões de produção e consumo atuais são considerados inadequados.
Embora não queira apresentar receitas prontas, o Relatório traça caminhos possíveis. Entre eles, o reconhecimento da ação pública na regulação da economia para proteger grupos mais vulneráveis. Outro aspecto ressaltado é a necessidade de considerar pobreza, crescimento e desigualdade como temas interligados. "Crescimento rápido não deve ser o único objetivo político, porque ignora a distribuição do rendimento e negligencia a sustentabilidade do crescimento", informa o texto.
Um aspecto importante revelado pelo Relatório é que muitas das ações para melhoria da saúdde e da educação não necessitam de grande investimento financeiro. Isso está mais presente sobretudo onde os indicadores são ruins. "Numa primeira etapa, medidas simples como inclusão do soro caseiro e lavagem das mãos já trazem impacto relevante", avalia Flávio Comim, economista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

(Adaptado de Lígia Formenti. O Estado de S. Paulo, A30 Vida, 5 de novembro de 2010)

8. De acordo com o texto, o Relatório de 2010

(A) aponta vários problemas de saúde da população mundial, com as medidas a serem adotadas para resolvê-los.
(B) deixa de lado a avaliação das causas do crescimento econômico desigual, que ocorre no mundo todo.
(C) mostra preocupação com a persistência de problemas no mundo, apesar da constatação de alguns avanços, desde 1990.
(D) assinala algumas divergências, entre os autores do documento, em relação às conclusões possíveis a partir de seus dados.
(E) reconhece a importância da intervenção da ação pública no controle permanente da economia.

9. O texto informa claramente que

(A) muitas ações voltadas para a melhoria das condições de vida em situação precária se valem de expedientes bastante simples, como a adoção de hábitos de higiene.
(B) alguns dados estatísticos sobre desenvolvimento humano vêm melhorando desde 1990, realçando os indiscutíveis avanços em todo o mundo.
(C) os atuais índices encontrados a respeito de desenvolvimento humano demonstram que os problemas mais sérios já estão solucionados.
(D) os grandes investimentos financeiros necessários para a solução de problemas mundiais, como as crises econômicas, ainda não têm sido suficientes.
(E) os ganhos em crescimento econômico, cujos resultados foram comprovados pelo recente Relatório, foram bastante expressivos nas últimas décadas.

10. O trecho colocado entre aspas, no final do 3o parágrafo, indica que se trata de 

(A) comentário pessoal do autor do texto sobre dados do Relatório.
(B) insistência na correção dos dados apresentados pelo Relatório.
(C) repetição desnecessária de informação já citada no texto.
(D) transcrição exata do que consta no texto do Relatório de 2010.
(E) resumo do assunto principal constante do Relatóriode 2010.

11. A frase eem que a concordância verbal e nominal está inteiramente respeitada é:

(A) Ainda não foi suficiente os investimentos na tentativa de redução dos índices de pobreza verificados em todo o mundo.
(B) Em relação ao poder aquisitivo, ainda se observa dados assustadores quanto à miséria em que vivem populações inteiras.
(C) São claras algumas implicações políticas na área do desenvolvimento humano, pois é imprescindível a ação do poder público na erradicação da miséria.
(D) Deve ser levado em conta a sustentabilidade do crescimento econômico, para que se garanta melhorias efetivas das condições de vida da população.
(E) Alguns especialistas tende a atribuir à crise financeira a principal razão do retrocesso nos resultados satisfatórios que já tinha sido alcançado.

Atenção:  As questões de números 12 a 16 referem-se ao texto seguinte.

Desde o início da evolução humana, buscamos formas alternativas para o nosso desenvolvimento, seja por meio da fala, de ferramentas ou de associações para superar barreiras. Nos últimos tempos, nos acostumamos à expressão Tecnologia Social, sem compreender exatamente o que isso significa. Para a Fundação Banco do Brasil, o conceito de Tecnologia Social percorre as experiências desenvolvidas nas comunidades urbanas e rurais, nos movimentos sociais, nos centros de pesquisa e nas universidades  − que podem produzir métodos, técnicas ou produtos que contribuam para a inclusão e a transformação social, em particular quando desenvolvidas em um processo no qual se soma e se compartilha o conhecimento científico com o saber popular.
Muitas experiências foram desenvolvidas no Brasil, nos últimos anos, tendo como perspectiva a construção do desenvolvimento local, com sustentabilidade. Nesse processo, o objetivo é, ao mesmo tempo, dinamizar as potencialidades locais e desbloquear aqueles entraves que impedem esse potencial de se realizar. Grupos e comunidades organizadas, ou em organização, presentes em todo o país, buscam levar adiante projetos de geração de trabalho e renda nas mais diversas realidades, seja no campo, seja nas pequenas, médias e grandes cidades.
Nos povoados com características do mundo rural, esses projetos aparecem em atividades tradicionais que vão do artesanato, casas de farinha, criação de galinha caipira, produção de rapadura ou de cachaça até às atividades mais novas da
apicultura, piscicultura, fruticultura. Nas grandes cidades, na reciclagem, nos espaços de inclusão digital e nas rádios comunitárias, entre outras atividades, milhares de pessoas desenvolvem empreendimentos econômicos e solidários, dos quais muitos contam com a parceria da Fundação Banco do Brasil.

(Adaptado de artigo de Jacques de Oliveira Pena)

12. O texto afirma que

(A) as áreas rurais, por suas características, têm recebido maior número de propostas direcionadas para seu desenvolvimento.
(B) projetos de desenvolvimento urbano são em número reduzido por serem essas áreas já consideradas em desenvolvimento.
(C) as atividades artesanais que se baseiam no saber popular nem sempre geram emprego e renda na quantidade necessária para as comunidades carentes.
(D) as atividades econômicas, cujo objetivo está no auxílio a comunidades carentes, devem estar vinculadas a instituições financeiras.
(E) projetos de geração de trabalho e renda surgem em todo o país, de acordo com as características e necessidades do lugar onde são desenvolvidos.

13. A afirmativa correta, segundo o texto, é:

(A) A organização de grupos voltados para melhorias das atividades econômicas esbarra na ausência de formação de seus componentes.
(B) O 2o parágrafo explica claramente o significado da expressão Tecnologia Social e seu papel no desenvolvimento sustentável de comunidades.
(C) É difícil determinar, com clareza, quais formas alternativas seriam necessárias para o desenvolvimento de comunidades.
(D) A indefinição sobre o que seja conhecimento científico ou  saber popular torna difícil a aplicação de um ou de outro nas comunidades mais pobres.
(E) Nem sempre as experiências programadas para determinados lugares apresentam resultados satisfatórios, devido à resistência contra inovações no modo de vida local.

14.  . ...que impedem esse potencial de se realizar. (3o parágrafo)

A expressão grifada acima retoma, considerando-se o contexto, o sentido de

(A) busca de formas alternativas.   (1o parágrafo)
(B) compartilhamento do saber científico.  (2o parágrafo)
(C) conceito de Tecnologia Social.   (2o parágrafo)
(D) construção do desenvolvimento local.  (3o parágrafo)
(E) espaço de inclusão digital.   (4o parágrafo)

15.  Nesse processo, o objetivo é, ao mesmo tempo, dinamizar as potencialidades locais e desbloquear aqueles entraves que impedem esse potencial de se realizar. (3o parágrafo)

Os dois segmentos grifados acima podem ser substituídos, mantendo-se o mesmo sentido, na ordem, por:

(A) reduzir - equacionar os problemas
(B) incentivar - afastar os obstáculos
(C) desconsiderar - libertar os fatores 
(D) diversificar - identificar os empecilhos
(E) valorizar - perceber as dificuldades

16.  Desde o início da evolução humana, buscamos formas alternativas para o nosso desenvolvimento ... (1o parágrafo)

A mesma relação existente entre o verbo e o complemento, grifados acima, está em:
(A)  ... o conceito de Tecnologia Social percorre as experiências desenvolvidas nas comunidades urbanas e rurais ...
(B)  ... que contribuam para a inclusão e a transformação social ...
(C)  ... esses projetos aparecem em atividades tradicionais ...
(D)  ... que vão do artesanato (...) até às atividades mais novas da apicultura ...
(E)  ... muitos contam com a parceria da Fundação Banco do Brasil.

Atenção: As questões de números 17 a 19 referem-se ao poema abaixo.

Madrugada na aldeia

Madrugada na aldeia nervosa,
com as glicínias escorrendo orvalho,
os figos prateados de orvalho, 
as uvas multiplicadas em orvalho, 
as últimas uvas miraculosas.

O silêncio está sentado pelos corredores,
encostado às paredes grossas,
de sentinela.

E em cada quarto os cobertores peludos envolvem o
sono:
poderosos animais benfazejos, encarnados e negros.
Antes que um sol luarento
dissolva as frias vidraças,
e o calor da cozinha perfume a casa
com lembrança das árvores ardendo, 
a velhinha do leite de cabra desce as pedras da rua
antiquíssima, antiquíssima,
e o pescador oferece aos recém-acordados
os translúcidos peixes,
que ainda se movem, procurando o rio.

(Cecília Meireles. Mar absoluto, in Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994, p.311)

17. Considere as afirmativas seguintes:

I. O assunto do poema reflete simplicidade de vida, coerentemente com o título.
II. Predominam nos versos elementos descritivos da realidade.
III. Há no poema clara oposição entre o frio silencioso da madrugada e o sol que surge e traz o calor do dia.

Está correto o que consta em

(A)  I, II e III.
(B)  I, apenas.
(C)  III, apenas.
(D)  II e III, apenas.
(E)  I e II, apenas.

18. O verso com lembrança das árvores ardendo remete

(A) ao ambiente natural existente em toda a aldeia.
(B) à queima da lenha no fogão da casa.
(C) ao costumeiro hábito de atear fogo às florestas.
(D) ao nascer do sol, que aquece as frias vidraças.
(E) à colheita de frutas, no quintal da casa.

19. A afirmativa INCORRETA, considerando-se o que dizem os versos, é:

(A) As  cabras e os  peixes são considerados  animais benfazejos, por constituírem a base da alimentação dos moradores.
(B) A  velhinha e o  pescador oferecem seus produtos ainda bastante cedo aos moradores, recém-acordados.
(C) O  silêncio que impera durante a madrugada pode ser visto como guardião do sono das pessoas aconchegadas em suas camas.
(D) O último verso deixa evidente o fato de que o pescador trazia peixes que havia acabado de pescar.
(E) A repetição da palavra orvalho acentua a sensação de frio e de umidade característicos de uma madrugada de inverno.

20. Analise:

1.  Atendendo à solicitação contida no expediente acima referido, vimos encaminhar a V. Sa. as informações referentes ao andamento dos serviços sob responsabilidade deste setor.
2.  Esclarecemos que estão sendo tomadas todas as medidas necessárias para o cumprimento dos prazos estipulados e o atingimento das metas estabelecidas.

A redação do documento acima indica tratar-se

(A) do encaminhamento de uma ata.
(B) do início de um requerimento.
(C) de trecho do corpo de um ofício.
(D) da introdução de um relatório.
(E) do fecho de um memorando.

GABARITO

01 – C   02 – E   03 – B   04 – D   05 – E   06 – A   07 – D   08 – C   09 – A   10 – D
11 – C   12 – E   13 – B   14 – D   15 – B   16 – A   17 – E   18 – B   19 – A    20 – C


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Prova de Língua Portuguesa - CPTM - Concurso público - cargo: Agente Operacional - (2005)


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terça-feira, 3 de abril de 2012

MARIO QUINTANA - POEMAS

MARIO QUINTANA - POEMAS

A letra e a música

"Quando nos encontramos
Dizemo-nos sempre as mesmas palavras  que todos os amantes dizem...
Mas que nos importa que as nossas palavras sejam as mesmas de sempre?
A música é outra!"

(Mario Quintana)


Eros e Psiquê



Soneto I – “Escrevo diante da janela aberta”

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Pra que pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

(Mario Quintana)

“Não te irrites, por mais que te fizerem…
Estuda, a frio, o coração alheio.
Farás, assim, do mal que eles te querem,
Teu mais amável e sutil recreio…”

(Mario Quintana)



“A vida é um incêndio: nela
dançamos, salamandras mágicas
Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta?

Em meio aos toros que desabam,
cantemos a canção das chamas!
Cantemos a canção da vida,
na própria luz consumida...”

(Mario Quintana)

“O Verão é um senhor gordo sentado na varanda e reclamando cerveja.
O inverno é o vovozinho tiritante.
O outono, um tio solteirão.
A primavera, em compensação, é uma menina pulando corda.”

(Mario Quintana)



"Os penhascos de Varengeville - rajada de vento" - Monet.

Esses inquietos ventos

Esses inquietos ventos andarilhos
Passam e dizem: "Vamos caminhar,
Nós conhecemos misteriosos trilhos,
Bosques antigos onde é bom sonhar...

E há tantas virgens a sonhar idílios!
E tu não vieste, sob a paz lunar,
Beijar os seus entrefechados cílios
E as dolorosas bocas a ofegar..."

Os ventos vêm e batem-me à janela:
"A tua vida, que fizeste dela?"
E chega a morte: "Anda! Vem dormir...”

Faz tanto frio... E é tão macia a cama:
Mas toda a longa noite inda hei de ouvir
A inquieta voz do vento que me chama!

(Mario Quintana, in “A cor do invisível”)

“A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer.”

(Mário Quintana)

As estrelas

Foram-se abrindo aos poucos as estrelas...
De margaridas lindo campo em flor!
Tão alto o Céu! ... Pudesse eu ir colhê-las...
Diria alguma se me tens amor.

Estrelas altas! Que se importam elas?
Tão longe estão... Tão longe deste mundo...
Trêmulo bando de distantes velas
Ancoradas no azul do céu profundo...

Porém meu coração quase parava,
Lá foram voando as esperanças minhas
Quando uma, dentre aquelas estrelinhas,

Deus a guie! do céu se despencou.
Com certeza era o amor que tu me tinhas
Que repentinamente se acabou!

(Mario Quintana, in “A cor do invisível”)

Se o poeta falar num gato

Se o poeta falar num gato, numa flor,
num vento que anda por descampados e desvios
e nunca chegou à cidade...
se falar numa esquina mal e mal iluminada...
numa sacada... num jogo de dominó...
se falar naqueles obedientes soldadinhos de chumbo que morriam de verdade...
se falar na mão decepada no meio de uma escada de caracol...
Se não falar em nada
e disser simplesmente tralalá... Que importa?
Todos os poemas são de amor!

(Mario Quintana, in “Esconderijos do Tempo”)

"Nunca ninguém sabe
Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar
Pois o meu verso tem essa quase imperceptível tremor...
A vida é louca, o mundo é triste:
vale a pena matar-se por isso?
Nem por ninguém!
Só se deve morrer de puro amor!"

(Mário Quintana)

Oração

Dai-me a alegria
Do poema de cada dia.
E que ao longo do caminho
Ás almas eu distribua
Minha porção de poesia
Sem que ela diminua...
Poesia tanta e tão minha
Que por uma eucaristia
Possa eu fazê-la sua
"Eis minha carne e meu sangue!"
A minha carne e meu sangue
Em toda a ardente impureza
Deste humano coração...
Mas, ah Coração Divino,
Deixai-me dar de meu vinho,
Deixai-me dar de meu pão!
Que mal faz uma canção?
Basta que tenha beleza...

(Mario Quintana, in “A cor do invisível”)

Canção de barco e de olvido

Para Augusto Meyer

Não quero a negra desnuda.
Não quero o baú do morto.
Eu quero o mapa das nuvens
E um barco bem vagaroso.

Ai esquinas esquecidas...
Ai lampiões de fins de linha...
Quem me abana das antigas
Janelas de guilhotina?

Que eu vou passando e passando,
Como em busca de outros ares...
Sempre de barco passando,

Cantando os meus quintanares...
No mesmo instante olvidando
Tudo o de que te lembrares.

(Mario Quintana, in "Canções")

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