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segunda-feira, 19 de novembro de 2012

TEMAS DE REDAÇÃO DA FUVEST – 1990 A 1995

TEMAS DE REDAÇÃO DA FUVEST DE 1990 A 1995


FUVEST 1990

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Tema da Dissertação

"– Não é preciso zangar-se. Todos nós temos as nossas opiniões.
– Sem dúvida. Mas é tolice querer uma pessoa ter opinião sobre assunto que desconhece. (...) Que diabo! Eu nunca andei discutindo gramática. Mas as coisas da minha fazenda julgo que devo saber. E era bom que não me viessem dar lições. Vocês me fazem perder a paciência."

Você tem opinião sobre as afirmações acima?
Se tem, defenda sua opinião.
Se não, explique por quê.

FUVEST 1991

PROPOSTA DE REDAÇÃO

O trabalhador brasileiro, em sua grande maioria, recebe salário mensal que tem como ponto de referência a chamada "Cesta Básica". Leia o texto a seguir e, baseado no que ele significa para você, escreva a sua redação, dissertativa.

COMIDA

(Arnaldo Antunes/ Marcelo Fromer/Sérgio Britto) 

Bebida é água
Comida é pasto
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comida,
A gente quer comida, diversão e arte.
A gente não quer só comida,
A gente quer saída para qualquer parte.
A gente não quer só comida,
A gente quer bebida, diversão, balé.
A gente não quer só comida,
A gente quer a vida como a vida quer.
Bebida é água.
Comida é pasto.
Você tem sede de quê?
Você tem fome de quê?
A gente não quer só comer,
A gente quer comer e quer fazer amor.
A gente não quer só comer,
A gente quer prazer pra aliviar a dor.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer dinheiro e felicidade.
A gente não quer só dinheiro,
A gente quer inteiro e não pela metade.
em Jesus não tem dentes no país dos banguelas

(Titãs, 1988)

FUVEST 1992

PROPOSTA DE REDAÇÃO


Faça uma dissertação discutindo as opiniões expostas a seguir.

É importante que você assuma uma posição a favor ou contra as ideias apresentadas. Justifique-a com argumentos convincentes.

Você poderá também assumir uma posição diferente, alinhando argumentos que a sustentem.

I.Alega-se, com freqüência, que o vestibular, como forma de seleção dos candidatos à escola superior, favorece os alunos de melhor situação econômica que têm condições de cursar as melhores escolas e prejudica os menos favorecidos que são obrigados a estudar em escolas de padrão inferior de ensino.


II. Por outro lado, há quem considere que o vestibular é apenas um processo de seleção que procura avaliar o conhecimento dos candidatos num determinado momento, escolhendo aqueles que se apresentam melhor preparados para ingressar na Universidade. Culpá-lo por possíveis injustiças é o mesmo que culpar o termômetro pela febre.

FUVEST 1993

PROPOSTA DE REDAÇÃO

O trecho a seguir do conto "A Igreja do Diabo", de Machado de Assis, descreve a necessidade que o homem teria de regras que lhe digam o que fazer e como se comportar. Uma vez conseguido isso, ele passaria a violar secretamente as normas que tanto desejou.
Escreva uma dissertação que analise esta visão que o autor tem do comportamento humano. Você pode discordar ou concordar com ela, desde que seus argumentos sejam fundamentados.
O maior mérito estará numa argumentação coesa capaz de levar a uma conclusão coerente.

Conta um velho manuscrito beneditino que o Diabo, em certo dia, teve a ideia de fundar uma Igreja. Embora os seus lucros fossem contínuos e grandes, sentia-se humilhado com o papel avulso que exercia desde séculos, sem organização, sem regras, sem cânones, sem ritual, sem nada. Vivia, por assim dizer, dos remanescentes divinos, dos descuidos e obséquios humanos.
(...) Está claro que (o Diabo) combateu o perdão das injúrias e outras máximas de brandura e cordialidade. Não proibiu formalmente a calúnia, mas induziu a exercê-la mediante retribuição, ou pecuniária, ou de outra espécie. (...) A Igreja fundara-se; a doutrina propagava-se; não havia uma região do globo que não a conhecesse, uma língua que não a traduzisse, uma raça que não a amasse. O Diabo alçou brados de triunfo.
Um dia, porém, longos anos depois, notou o Diabo que muitos dos seus fiéis, às escondidas, praticavam as antigas virtudes. (...) Certos glutões recolhiam-se a comer frugalmente três ou quatro vezes por ano (...) muitos avaros davam esmolas, à noite, ou nas ruas mal povoadas; vários dilapidadores do erário restituíam-lhe pequenas quantias; os fraudulentos falavam, uma ou outra vez, com o coração nas mãos, mas com o mesmo rosto dissimulado, para fazer crer que estavam embaçando os outros. [Nota: embaçar: lograr, enganar]

FUVEST 1994

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Relacione os textos abaixo e redija uma dissertação, em prosa, discutindo as ideias neles contidas e apresentando argumentos que comprovem e/ou refutem essas ideias.

"Antes mundo era pequeno
Porque Terra era grande
Hoje o mundo é muito grande
Porque Terra é pequena
Do tamanho da antena parabolicamará"

(Gilberto Gil)

"Como democratizar a TV, o rádio, a imprensa, que são o oxigênio e a fumaça que a nossa imaginação respira? Como seria uma TV sem manipulação? São perguntas difíceis, mas a luta social efetiva, e sobretudo um projeto de futuro, são impossíveis sem entrar nesse terreno."

(Roberto Schwarz)

"Tevê colorida
fará azul-rósea
a cor da vida?"

(Carlos Drummond de Andrade)

FUVEST 1995

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Relacione os textos e a imagem seguintes e escreva uma dissertação em prosa, discutindo as ideias neles contidas e expondo argumentos que sustentem o ponto de vista que você adotou.



Em muitas pessoas já é um descaramento dizerem "Eu".

T.W. Adorno

Não há sempre sujeito, ou sujeitos. (...)
Digamos que o sujeito é raro, tão raro quanto as verdades.

A. Badiou

Todos são livres para dançar e para se divertir, do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das  inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa.

T.W. Adorno   



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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Texto: "O amor e outros males" - Rubem Braga

O amor e outros males


"Confession". Jack Vettriano.
    Uma delicada leitora me escreve: não gostou de uma crônica minha de outro dia, sobre dois amantes que se mataram. Pouca gente ou ninguém gostou dessa crônica; paciência. Mas o que a leitora estranha é que o cronista "qualifique o amor, o principal sentimento da humanidade, de coisa tão incômoda". E diz mais: "Não é possível que o senhor não ame, e que, amando, julgue um sentimento de tal grandeza incômodo." 
    Não, minha senhora, não amo ninguém; o coração está velho e cansado. Mas a lembrança que tenho de meu último amor, anos atrás, foi exatamente isso que me inspirou esse vulgar adjetivo – "incômodo". Na época eu usaria talvez adjetivo mais bonito, pois o amor, ainda que infeliz, era grande; mas é uma das tristes coisas desta vida sentir que um grande amor pode deixar apenas uma lembrança mesquinha; daquele ficou apenas esse adjetivo, que a aborreceu. 
    Não sei se vale a pena lhe contar que a minha amada era linda; não, não a descreverei, porque só de revê-la em pensamento alguma coisa dói dentro de mim. Era linda, inteligente, pura e sensível – e não me tinha, nem de longe, amor algum; apenas uma leve amizade, igual a muitas outras e inferior a várias. 
    A história acaba aqui; é, como vê, uma história terrivelmente sem graça, e que eu poderia ter contado em uma só frase. Mas o pior é que não foi curta. Durou, doeu e – perdoe, minha delicada leitora – incomodou. 
    Eu andava pela rua e sua lembrança era alguma coisa encostada em minha cara, travesseiro no ar; era um terceiro braço que me faltava, e doía um pouco; era uma gravata que me enforcava devagar, suspensa de uma nuvem. A senhora acharia exagerado se eu lhe dissesse que aquele amor era uma cruz que eu carregava o dia inteiro e à qual eu dormia pregado; então serei mais modesto e mais prosaico dizendo que era como um mau jeito no pescoço que de vez em quando doía como bursite. Eu já tive um mês de bursite, minha senhora; dói de se dar guinchos, de se ter vontade de saltar pela janela. 
    Pois que venha outra bursite, mas não volte nunca um amor como aquele. Bursite é uma dor burra, que dói, dói, mesmo, e vai doendo; a dor do amor tem de repente uma doçura, um instante de sonho que mesmo sabendo que não se tem esperança alguma a gente fica sonhando, como um menino bobo que vai andando distraído e de repente dá uma topada numa pedra. E a angústia lenta de quem parece que está morrendo afogado no ar, e o humilde sentimento de ridículo e de impotência, e o desânimo que às vezes invade o corpo e a alma, e a "vontade de chorar e de morrer", de que fala o samba? 
    Por favor, minha delicada leitora; se, pelo que escrevo, me tem alguma estima, por favor: me deseje uma boa bursite.

(Rubem Braga)

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Leia também:

“O Diamante” – Luis Fernando Verissimo 
Quadras de Fernando Pessoa 
“O Quinze” – Rachel de Queiroz
“O verbo no infinito” – Vinicius de Moraes


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terça-feira, 6 de novembro de 2012

FUVEST 2008 – 1º Fase – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

FUVEST 2008 – 1º FASE – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA  
  
ps. Foi mantida a numeração original da prova.

Texto para as questões de 40 a 42

 Há muitas, quase infinitas maneiras de ouvir música.  Entretanto, as três mais frequentes distinguem-se pela tendência que em cada uma delas se torna dominante: ouvir com o corpo, ouvir emotivamente, ouvir intelectualmente.
 Ouvir com o corpo é empregar no ato da escuta não apenas os ouvidos, mas a pele toda, que também vibra ao contato com o dado sonoro: é sentir em estado bruto. É bastante freqüente, nesse estágio da escuta, que haja um impulso em direção ao ato de dançar.
Ouvir emotivamente, no fundo, não deixa de ser ouvir mais a si mesmo que propriamente a música. É usar da música a fim de que ela desperte ou reforce algo já latente em nós mesmos. Sai-se da sensação bruta e entra-se no campo dos sentimentos.
 Ouvir intelectualmente é dar-se conta de que a música tem, como base, estrutura e forma. Referir-se à música a partir dessa perspectiva seria atentar para a materialidade de seu discurso: o que ele comporta, como seus elementos se estruturam, qual a forma alcançada nesse processo.

Adaptado de J. Jota de Moraes, O que é música.

Questão 40 - De acordo com o texto, quando uma tendência de ouvir se torna dominante, a audição musical

a) supõe a operação prévia da livre e consciente escolha de um dos três modos de recepção.
b) estabelece uma clara hierarquia entre as obras musicais, com base no valor intrínseco de cada uma delas.
c) privilegia determinado aspecto da obra musical, sem que isso implique a exclusão de outros.
d) ocorre de modo a propiciar uma combinação harmoniosa e equilibrada dos três modos de recepção.
e) subordina os modos de recepção aos diferentes propósitos dos compositores.

Questão 41 - Nesse texto, o primeiro parágrafo e o conjunto dos demais articulam-se de modo a constituir, respectivamente,

a) uma proposição e seu esclarecimento.
b) um tema e suas variações.
c) uma premissa e suas contradições.
d) uma declaração e sua atenuação.
e) um paradoxo e sua superação.

Questão 42 - Considere as seguintes afirmações:

I. Ouvir música com o corpo é senti-la em estado bruto.
II. Ao ouvir-se música emotivamente, sai-se do estado bruto.

Essas afirmações articulam-se de maneira clara e coerente no período:

a) Com o corpo, ouve-se música sentindo-a em estado bruto, ocorrendo o mesmo se ouvi-la emotivamente.
b) Sai do estado bruto quem ouve música com o corpo, no caso de quem a sente de modo emotivo.
c) Para sentir a música emotivamente, quem sai do estado bruto é quem a ouve com o corpo.
d) Sai para o estado emotivo de ouvir música aquele que a ouvia no estado bruto do corpo.
e) Quem ouve música de modo emotivo deixa de senti-la no estado bruto, próprio de quem a ouve com o corpo.

Texto para as questões de 43 a 45

S. Paulo, 13-XI-42
Murilo

 São 23 horas e estou honestissimamente em casa, imagine! Mas é doença que me prende, irmão pequeno. Tomei com uma gripe na semana passada, depois, desensarado, com uma chuva, domingo último, e o resultado foi uma sinusitezinha infernal que me inutilizou mais esta semana toda. E eu com tanto trabalho! Faz quinze dias que não faço nada, com o desânimo de apósgripe, uma moleza invencível, e as dores e tratamento atrozes. Nesta noitinha de hoje me senti mais animado e andei trabalhandinho por aí. (...)
Quanto a suas reservas a palavras do poema que lhe mandei, gostei da sua habilidade em pegar todos os casos “propositais”. Sim senhor, seu poeta, você até está ficando escritor e estilista. Você tem toda a razão de não gostar do “nariz furão”, de “comichona”, etc. Mas lhe juro que o gosto consciente aí é da gente não gostar sensitivamente. As palavras são postas de propósito pra não gostar, devido à elevação declamatória do coral que precisa ser um bocado bárbara, brutal, insatisfatória e lancinante. Carece botar um pouco de insatisfação no prazer estético, não deixar a coisa muito bem-feitinha.(...) De todas as palavras que você recusou só uma continua me desagradando “lar fechadinho”, em que o carinhoso do diminutivo é um desfalecimento no grandioso do coral.

Mário de Andrade, Cartas a Murilo Miranda.

Questão 43 - “... estou honestissimamente em casa, imagine! Mas é doença que me prende, irmão pequeno.”

No trecho acima, o termo grifado indica que o autor da  carta pretende

a) revelar a acentuada sinceridade com que se dirige ao leitor.
b) descrever o lugar onde é obrigado a ficar em razão da doença.
c) demarcar o tempo em que permanece impossibilitado de sair.
d) usar a doença como pretexto para sua voluntária inatividade.
e) enfatizar sua forçada resignação com a permanência em casa.

Questão 44 - No texto, as palavras “sinusitezinha” e “trabalhandinho” exprimem, respectivamente,

a) delicadeza e raiva.
b) modéstia e desgosto.
c) carinho e desdém.
d) irritação e atenuação.
e) euforia e ternura.

Questão 45 - No trecho “...o gosto consciente aí é da gente não gostar sensitivamente”, apresenta-se um jogo de idéias contrárias, que também ocorre em

a) “dores e tratamento atrozes”.
b) “reservas a palavras do poema”.
c) “insatisfação no prazer estético”.
d) “a coisa muito bem-feitinha”.
e) “o carinhoso do diminutivo”.
Texto para as questões 46 e 47

 No início do século XVI, Maquiavel escreveu  O Príncipe – uma célebre análise do poder político, apresentada sob a forma de lições, dirigidas ao príncipe Lorenzo de Médicis. Assim justificou Maquiavel o caráter professoral do texto:
Não quero que se repute presunção o fato de um homem de baixo e ínfimo estado discorrer e regular sobre o governo dos príncipes; pois assim como os [cartógrafos] que desenham os contornos dos países se colocam na planície para considerar a natureza dos montes, e para considerar a das planícies ascendem aos montes, assim também, para conhecer bem a natureza dos povos, é necessário ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é necessário ser do povo.

Tradução de Lívio Xavier, adaptada.

Questão 46 - Ao justificar a autoridade com que pretende ensinar um príncipe a governar, Maquiavel compara sua missão à de um cartógrafo para demonstrar que

a) o poder político deve ser analisado tanto do ponto de vista de quem o exerce quanto do de quem a ele está submetido.
b) é necessário e vantajoso que tanto o príncipe como o súdito exerçam alternadamente a autoridade do governante.
c) um pensador, ao contrário do que ocorre com um cartógrafo, não precisa mudar de perspectiva para situar posições complementares.
d) as formas do poder político variam, conforme sejam exercidas por representantes do povo ou por membros da aristocracia.
e) tanto o governante como o governado, para bem compreenderem oo exercício do poder, devem restringir-se a seus respectivos papéis.

Questão 47 - Está redigido com clareza, coerência e correção o seguinte comentário sobre o texto:

a) Temendo ser qualificado de presunçoso, Maquiavel achou por bem defrontar sua autoridade intelectual, tipo um cartógrafo habilitado a desenhar os contrastes de uma região.
b) Maquiavel, embora identificando-se como um homem de baixo estado, não deixou de justificar sua autoridade diante do príncipe, em cujos ensinamentos lhe poderiam ser de grande valia.
c) Manifestando uma compreensão dialética das relações de poder, Maquiavel não hesita em ministrar ao príncipe, já ao justificar o livro, uma objetiva lição de política.
d) Maquiavel parece advertir aos poderosos de que não se menospreze as lições de quem sabe tanto analisar quanto ensinar o comportamento de quem mantenha relações de poder.
e) Maquiavel, apesar de jamais ter sido um governante em seu livro tão perspicaz, soube se investir nesta função, e assim justificar-se diante de um príncipe autêntico.

Texto para a questão 48

A borboleta

Cada vez que o poeta cria uma borboleta, o leitor exclama: “Olha uma borboleta!” O crítico ajusta os nasóculos e, ante aquele pedaço esvoaçante de vida, murmura: – Ah!, sim, um lepidóptero...

Mário Quintana, Caderno H.

nasóculos = óculos sem hastes, ajustáveis ao nariz.

Questão 48 - Depreende-se desse fragmento que, para Mário Quintana,

a) a crítica de poesia é meticulosa e exata quando acolhe e valoriza uma imagem poética.
b) uma imagem poética logo se converte, na visão de um crítico, em um referente prosaico.
c) o leitor e o poeta relacionam-se de maneira antagônica com o fenômeno poético.
d) o poeta e o crítico sabem reconhecer a poesia de uma expressão como “pedaço esvoaçante de vida”.
e) palavras como “borboleta” ou “lepidóptero” mostram que há convergência entre as linguagens da ciência e da poesia.

Texto para as questões 49 e 50

Meses depois fui para o seminário de S. José. Se eu pudesse contar as lágrimas que chorei na véspera e na manhã, somaria mais que todas as vertidas desde Adão e Eva. Há nisto alguma exageração; mas é bom ser enfático, uma ou outra vez, para compensar este escrúpulo de exatidão que me aflige.

Machado de Assis, Dom Casmurro.

Questão 49 - Considerando-se o contexto desse romance de Machado de Assis, pode-se afirmar corretamente que, no trecho acima, ao comentar o próprio estilo, o narrador procura

a) afiançar a credibilidade do ponto de vista que lhe interessa sustentar.
b) provocar o leitor, ao declará-lo incapaz de compreender o enredo do livro.
c) demonstrar que os assuntos do livro são mero pretexto para a prática da metalinguagem.
d) revelar sua adesão aos padrões literários estabelecidos pelo Romantismo.
e) conferir autoridade à narrativa, ao basear sua argumentação na História Sagrada.

Questão 50 - O “escrúpulo de exatidão” que, no trecho, o narrador contrapõe à exageração ocorre também na frase:

a) No momento em que nos contaram a anedota, quase estouramos de tanto rir.
b) Dia a dia, mês a mês, ano a ano, até o fim dos tempos, não tirarei os olhos de ti.
c) Como se sabe, o capitão os alertou milhares de vezes sobre os perigos do lugar.
d) Conforme se vê nos registros, faltou às aulas trinta e nove vezes durante o curso.
e) Com toda a certeza, os belíssimos presentes lhe custaram os olhos da cara.

Questão 51 - Considere as seguintes afirmações sobre três obras literárias:

Na primeira obra, o catolicismo apresenta-se como religião absoluta, cujos princípios sólidos mais sobressaem ao serem contrapostos às desordens humanas. Na segunda obra, diferentemente, ele aparece como religião relativamente maleável, cujos preceitos as personagens acabam por adaptar a seus desejos e conveniências, sem maiores problemas de consciência subseqüentes. Já na terceira obra, o catolicismo comparece sobretudo como parte de um resgate mais amplo de valores familiares e tradicionais, empreendido pelo protagonista.

Essas afirmações referem-se, respectivamente, às seguintes obras:

a) Dom Casmurro, Memórias de um sargento de milícias e Auto da barca do inferno.
b) Memórias de um sargento de milícias, “A hora e vez de Augusto Matraga” e Vidas secas.
c) “A hora e vez de Augusto Matraga”, A cidade e as serras e Memórias de um sargento de milícias.
d) Auto da barca do inferno, Dom Casmurro e A cidade e as serras.
e) A cidade e as serras, Vidas secas e Auto da barca do inferno.

Questão 52 - Considere as seguintes comparações entre Vidas secas e Iracema:

I. Em ambos os livros, a parte final remete o leitor ao início da narrativa: em Vidas secas, essa recondução marca o retorno de um fenômeno cíclico; em Iracema, a remissão ao início confirma que a história fora contada em retrospectiva, reportando-se a uma época anterior à da abertura da narrativa.
II. A necessidade de migrar é tema de que Vidas secas trata abertamente. O mesmo tema, entretanto, já era sugerido no capítulo final de  Iracema, quando, referindo-se à condição de migrante de Moacir, “o primeiro cearense”, o narrador pergunta: “Havia aí a predestinação de uma raça?”
III. As duas narrativas elaboram suas tramas ficcionais a partir de indivíduos reais, cuja existência histórica, e não meramente ficcional, é documentada: é o caso de Martim e Moacir, em  Iracema, e de Fabiano e sinha Vitória, em Vidas secas.

Está correto o que se afirma em

a) I, somente.   b) II, somente.   c) I e II, somente.   d) II e III, somente.   e) I, II e III.

Questão 53 - Apesar de viver “um pouco ao sabor da sorte”, “sem plano nem reflexão”, “movido pelas circunstâncias”, como uma espécie de “títere” (expressões de Antonio Candido), o protagonista das Memórias de um sargento de milícias, Leonardo (filho), como outras personagens do romance, mostra-se bastante determinado quando se trata de

a) estabelecer estratégias para ascender na escala social.
b) assumir rixas, tirar desforras e executar vinganças.
c) demonstrar afeto e gratidão por aqueles que o amparam e defendem.
d) buscar um emprego que lhe garanta a subsistência imediata.
e) conservar-se fiel ao primeiro amor de sua vida.

Questão 54 - Entre os seguintes versos de Alberto Caeiro, aqueles que, tomados em si mesmos, expressam ponto de vista frontalmente contrário à orientação dominante que se manifesta em A rosa do povo, de Carlos Drummond de Andrade, são os que estão em:

a) “Se o que escrevo tem valor, não sou eu que o tenho: / O valor está ali, nos meus versos.”
b) “Eu nunca daria um passo para alterar / Aquilo a que chamam a injustiça do mundo.”
c) “Como o campo é grande e o amor pequeno! / Olho, e esqueço, como o mundo enterra e as árvores se despem.”
d) “Quando a erva crescer em cima da minha sepultura, / seja esse o sinal para me esquecerem de todo.”
e) “Quem me dera que eu fosse o pó da estrada / E que os pés dos pobres me estivessem pisando...”

Questão 55 - A frase em que todos os vocábulos grifados estão corretamente empregados é:

a) Descobriu-se, instantes, a verdadeira razão por que a criança se recusava à freqüentar a escola.
b) Não se sabe, de fato, porquê o engenheiro preferiu destruir o pátio a adaptá-lo às novas normas.
c) Disse-nos, já a várias semanas, que explicaria o porque da decisão tomada às pressas naquela reunião.
d) Chegava tarde, porque precisava percorrer a pé uma distância de dois à três quilômetros.
e) Não prestou contas à associação de moradores, não compareceu à audiência e até hoje não disse por quê.

GABARITO

40 – C   41 – A   42 – E    43 – E   44 – D   45 – C   46 – A   47 – C  
48 – B   49 – A   50 – D   51 – D   52 – C   53 – B    54 – B   55 – E


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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

TEMAS DE REDAÇÃO DO ENEM – 2010 A 2011

TEMAS DE REDAÇÃO DO ENEM – 2010 A 2011

REDAÇÃO – ENEM 2010

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema O Trabalho na Construção da Dignidade Humana, apresentando experiência ou proposta de ação social, que respeite os direitos humanos.
Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista. 

O que é trabalho escravo

Escravidão contemporânea é o trabalho degradante que envolve cerceamento da liberdade

A assinatura da Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, representou o fim do direito de propriedade de uma pessoa sobre a outra, acabando com a possibilidade de possuir legalmente um escravo no Brasil. No entanto, persistiram situações que mantêm o trabalhador sem possibilidade de se desligar de seus patrões. Há fazendeiros que, para realizar derrubadas de matas nativas para formação de pastos, produzir carvão para a indústria siderúrgica, preparar o solo para plantio de sementes, entre outras atividades agropecuárias, contratam mão de obra utilizando os contratadores de empreitada, os chamados “gatos”. Eles aliciam os trabalhadores, servindo de fachada para que os fazendeiros não sejam responsabilizados pelo crime.
Trabalho escravo se configura pelo trabalho degradante aliado ao cerceamento da liberdade. Este segundo fator nem sempre é visível, uma vez que não mais se utilizam correntes para prender o homem à terra, mas sim ameaças físicas, terror psicológico ou mesmo as grandes distâncias que separam a propriedade da cidade mais próxima.

Disponível em: http://www.reporterbrasil.org.br. Acesso em: 02 set.2010 (fragmento).

O futuro do trabalho

Esqueça os escritórios, os salários fixos e a aposentadoria. Em 2020, você trabalhará em casa, seu chefe terá menos de 30 anos e será uma mulher

Felizmente, nunca houve tantas ferramentas disponíveis para mudar o modo como trabalhamos e, consequentemente, como vivemos. E as transformações estão acontecendo. A crise despedaçou companhias gigantes tidas até então como modelos de administração. Em vez de grandes conglomerados, o futuro será povoado de empresas menores reunidas em torno de projetos em comum. Os próximos anos também vão consolidar mudanças que vêm acontecendo há algum tempo: a busca pela qualidade de vida, a preocupação com o meio ambiente, e a vontade de nos realizarmos como pessoas também em nossos trabalhos. “Falamos tanto em desperdício de recursos naturais e energia, mas e quanto ao desperdício de talentos?”, diz o filósofo e ensaísta suíço Alain de Botton em seu novo livro The Pleasures and Sorrows of Works (Os prazeres e as dores do trabalho, ainda inédito no Brasil).


Instruções:

• Seu texto tem de ser escrito à tinta, na folha própria.
• Desenvolva seu texto em prosa; não redija nem narração, nem poema.
• O texto com até 7 (sete) linhas escritas será considerado texto em branco.
• O texto deve ter, no máximo, 30 linhas.
• O Rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.

www,veredasdalingua.blogspot.com.br

REDAÇÃO – ENEM 2010 – PROVA REAPLICADA

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija um texto dissertativo-argumentativo, em norma culta escrita da língua portuguesa, sobre o tema Ajuda Humanitária, apresentando experiência ou proposta de ação social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para a defesa de seu ponto de vista.

Comitê de Ajuda Humanitária da UEPB treina voluntários para atuar junto às vítimas de Palmares
Quinta, 01 de julho de 2010 16:19

Na manhã desta quinta-feira, cerca de 50 pessoas, entre alunos e professores da Universidade Estadual da Paraíba, participaram do 1º Treinamento de Equipe Multidisciplinar para Atuação em Situação de Emergência, oferecido pelo Comitê de Ajuda Humanitária, Social e da Saúde, criado recentemente pela Instituição. A primeira atividade da equipe terá início já neste domingo, data em que viajarão para a cidade de Palmares (AL), onde permanecerão por uma semana, para oferecer apoio humanitário aos moradores daquela localidade, uma das tantas atingidas pelas chuvas e enchentes que assolaram os estados de Pernambuco e Alagoas nas últimas semanas.

Disponível em: http://www.uepb.edu.br. Acesso em: 23 ago. 2010 (adaptado).

TERREMOTO NO HAITI

Redes Sociais da Internet foram o principal meio de comunicação
14/01/2010 00:01h

Durante todo o dia de ontem, a Internet foi o principal meio usado pelo Haiti para se comunicar com o mundo. Mensagens ao exterior foram encaminhadas por estrangeiros no país e por moradores locais. Apesar da instabilidade na rede – os sistemas de luz e telefone também estavam intermitentes –, os sites de relacionamento foram usados para acalmar familiares e clamar por auxílio internacional.
No Brasil, usuários do Twitter divulgavam a ação da ONG Viva Rio, que abriu uma conta para receber doações aos desabrigados no Haiti.

(OT, com Agência Estado)

Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br. Acesso em: 30 abr. 2010.

Instruções:

• Seu texto tem de ser escrito à tinta, na folha própria.
• Desenvolva seu texto em prosa; não redija nem narração, nem poema.
• O texto com até 7 (sete) linhas escritas será considerado texto em branco.
• O texto deve ter, no máximo, 30 linhas.
• O Rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.

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REDAÇÃO – ENEM 2011

PROPOSTA DE REDAÇÃO

Com base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação,redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema: VIVER EM REDE NO SÉCULO XXI: OS LIMITES ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADOapresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Liberdade sem fio

A ONU acaba de declarar o acesso à rede um direito fundamental do ser humano – assim como saúde, moradia e educação. No mundo todo, pessoas começam a abrir seus sinais privados de wi-fi, organizações e governos se mobilizam para expandir a rede para espaços públicos e regiões onde ela ainda não chega, com acesso livre e gratuito.

ROSA, G.; SANTOS, P. Galileu. Nº 240, jul. 2011 (fragmento).

A internet tem ouvidos e memória

Uma pesquisa da consultoria Forrester Research revela que, nos Estados Unidos, a população já passou mais tempo conectada à internet do que em frente à televisão. Os hábitos estão mudando. No Brasil, as pessoas já gastam cerca de 20% de seu tempo on-line em redes sociais. A grande maioria dos internautas (72%, de acordo com o Ibope Mídia) pretende criar, acessar e manter um perfil na rede.  “Faz parte da própria socialização do indivíduo do século XXI estar numa rede social. Não estar equivale a não ter uma identidade ou um número de telefone no passado”, acredita Alessandro Barbosa Lima, CEO da e.Life, empresa de monitoração e análise de mídias.
As redes sociais são ótimas para disseminar ideias, tornar alguém popular e também arruinar reputações. Um dos maiores desafios dos usuários da internet é saber ponderar o que se publica nela. Especialistas recomendam que não se deve publicar o que não se fala em público, pois a internet é um ambiente social e, ao contrário do que se pensa, a rede não acoberta anonimato, uma vez que mesmo quem se esconde atrás de um pseudônimo pode ser rastreado e identificado. Aqueles que, por impulso, se exaltam e cometem gafes podem pagar caro.

Disponível em: http://www.terra.com.br. Acesso em: 30 jun. 2011 (adaptado).


                    DAHMER, A. Disponível em: http://malvados.wordpress.com. Acesso em: 30 jun. 2011.

Instruções:

• O rascunho da redação deve ser feito no espaço apropriado.
• O texto definitivo deve de ser escrito à tinta, na folha própria, em até 30 linhas.
• A redação com até 7 (sete) linhas escritas será considerada “insuficiente” e receberá nota zero.
• A redação que fugir ao tema ou que não atender ao tipo dissertativo-argumentativo receberá nota zero.
• A redação que apresentar cópia dos textos da Proposta de Redação ou do Caderno de Questões terá o número de linhas copiadas desconsiderados para efeito de correção.

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