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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2014 - 1º semestre

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2014 - 1º semestre

PORTUGUÊS

Leia o texto de Vinicius de Moraes e responda às questões abaixo:

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

1ª Questão. Por três vezes “sempre” aparece nas duas primeiras estrofes. Respeitando o contexto, essa repetição pode ser interpretada como:

(A) necessidade do poeta de selecionar palavras que contribuam para a construção da metrificação adequada dos versos.
(B) uma provocação ao leitor a fim de que ele preste atenção à linguagem, buscando interpretá-la segundo diferentes pontos de vista.
(C) sugestão de que o “amigo” é valorizado dentro de uma relação que se quer permanente, e não passageira.
(D) sugestão de que tudo acaba e se transforma, obedecendo ao ritmo cíclico e de permanentes mudanças da vida.
(E) uma provocação ao leitor a fim de que ele pense no valor da amizade para a sua vida.

2ª Questão. A interpretação do poema permite afirmar que:

(A) há determinados amigos que são eternos e devem ser valorizados por toda a vida.
(B) as amizades são inconstantes e um amigo substitui o outro.
(C) a amizade é algo que perece com o tempo e não se renova.
(D) apesar das relações humanas terem se deteriorado substancialmente na atual sociedade do consumo, os amigos são eternos.
(E) apesar de se manifestar em pessoas diferentes, a amizadeé um valor permanente e único, que morre para renascer.

3ª Questão. A terceira estrofe evidencia que:

(A) a amizade é vista como exercício de fraternidade em que o “eu” comunga com o “outro”.
(B) as relações humanas põem em destaque os aspectos animalescos do homem, por isso o “outro” se opõe ao “eu”.
(C) a consciência de si mesmo contrasta com o outro, opondo-se a ele ao fingir-se comovido.
(D) o engano se dá na medida em que o “eu” se percebe melhor do que o “outro”.
(E) o “outro” é visto como concorrente do “eu”, colocando em perigo sua integridade moral.

4ª Questão. O raciocínio desenvolvido pelo poema permite afirmar que:

(A) só há amizade da pessoa consigo mesma e nunca com o outro.
(B) o “amigo” é metáfora da condição inerente à existência humana, em que o “eu” se reconhece no “outro”.
(C) o “amigo” pode ser desprezado, porque pouco contribui para a vida do sujeito.
(D) o eu-lírico representa a sua amada na imagem do “amigo”.
(E) o “amigo” é a representação metafórica da condição inerente à existência humana em que o “eu” não se reconhece no “outro”.

5ª Questão. No poema de Vinicius de Moraes, identifica-se o desenvolvimento de um tema, analisado em:

(A) dois quartetos e dois tercetos, estruturados sem lógica clara.
(B) estrofes irregulares, que obedecem a uma estrutura lógica, reconhecida no raciocínio desenvolvido.
(C) dois quartetos e dois tercetos, elaborados como introdução, desenvolvimento e conclusão de um raciocínio lógico.
(D) quatro estrofes que apresentam estruturas regulares, mas não desenvolvem um raciocínio lógico.
(E) quatro estrofes, dividas em partes reconhecidas em proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo.

6ª Questão. Sobre a métrica e o esquema rítmico do poema citado, é correto afirmar que:

(A) os versos são brancos e livres.
(B) a metrificação se diferencia dentro do esquema rítmico A B A B.
(C) os versos são dodecassílabos e as rimas são fixas.
(D) os versos são decassílabos e as rimas obedecem a um rígido esquema rítmico.
(E) os versos livres buscam um rigoroso esquema rítmico.

7ª Questão. Vinicius de Moraes dedicou-se aos versos e ao texto dramático, vindo a ser conhecido ao lado de escritores:

(A) interessados na história e nas características específicas das regiões internas do país, cuja tendência era a pesquisa sobre os costumes locais.
(B) voltados para a experimentação da linguagem nos mais diversos âmbitos e à exploração dos sentidos da existência humana.
(C) voltados para a contestação da cultura acadêmica e a crítica contra os valores burgueses.
(D) interessados no sentido da existência humana, nas relações entre o homem e o mundo, sem a necessidade de combater as formas poéticas tradicionais.
(E) interessados em combater temas existencialistas e espiritualistas, vistos como superficiais, e em desprezar as formas poéticas tradicionais.

8ª Questão. O poeta Vinicius de Moraes é reconhecido, para efeitos didáticos, no movimento artístico conhecido por:

(A) Barroco (B) Modernismo (C) Romantismo (D) Realismo (E) Pós-modernismo

9ª Questão. Ao longo do poema, é possível identificar imagens especulares, tais como:

(A) ódio e amor; fidelidade e infidelidade; amizade e inimizade; todo e parte.
(B) todo e parte; passado e futuro; eu e outro; nós e eles.
(C) sempre e nunca; passado e presente; único e múltiplo; eu e outro.
(D) sempre e nunca; passado e futuro; todo e parte; amigo e inimigo.
(E) ontem e hoje; todo e parte; eu e outro; amigo e inimigo.

10ª Questão. Dentre os gêneros literários, o poema pertence ao lírico, porque:

(A) há ênfase no universo subjetivo do eu-lírico.
(B) a ênfase recai sobre a realidade.
(C) o narrador evita mergulhar na própria intimidade.
(D) celebram-se os feitos heroicos de uma nação.
(E) atualizam-se os sentimentos dos personagens.
11ª Questão. A análise da estrutura do poema permite afirmar que ele é um(a):

(A) écloga (B) soneto (C) elegia (D) ode (E) balada

12ª Questão. Há em “O amigo: um ser que a vida não explica” exemplo de:

(A) metonímia (B) comparação (C) personificação (D) ironia (E) eufemismo

13ª Questão. Em “Enfim, depois de tanto erro passado” (verso 01), o termo em destaque se classifica morfologicamente como:

(A) advérbio (B) numeral (C) pronome (D) substantivo (E) adjetivo

14ª Questão. Sobre o termo em destaque em “É bom sentá-lo novamente ao lado” (verso 05), afirma-se corretamente que:

(A) Trata-se de um pronome pessoal do caso oblíquo, responsável por retomar um termo anterior.
(B) Trata-se de um pronome pessoal do caso reto, responsável por retomar um termo anterior.
(C) Trata-se de um artigo definido, responsável por fazer referência ao “amigo”.
(D) É um pronome demonstrativo, cuja função é a de especificar o “amigo”.
(E) É um pronome indefinido, cuja função é a de retomar a ideia anterior.

15ª Questão. Em “Que só se vai ao ver outro nascer” (verso 13), os termos em destaque compõem:

(A) uma oração que evidencia a causa da ação anterior.
(B) uma oração que apresenta o sujeito do termo anterior.
(C) uma oração que complementa o verbo da oração anterior.
(D) uma oração que expressa circunstância temporal.
(E) uma oração que adjetiva a ação de “ir” e “vir”.

16ª Questão. A conjunção e, que aparece em três versos diferentes, é:

(A) adversativa (B) causal (C) subordinativa (D) aditiva (E) alternativa

17ª Questão. Em “E a disfarçar com o meu próprio engano” (verso 11), o termo em destaque é:

(A) preposição
(B) pronome pessoal do caso reto
(C) artigo definido
(D) pronome pessoal do caso oblíquo
(E) artigo indefinido

18ª Questão. O trecho destacado de “Sabendo se mover e comover” (verso 10) é exemplo de:

(A) voz passiva            (B) voz ativa
(C) oração sem sujeito (D) oração passiva (E) voz reflexiva

19ª Questão. O verso 06 (“Com olhos que contêm o olhar antigo”), se flexionado no pretérito perfeito do indicativo, ficaria:

(A) “Com olhos que continham o olhar antigo”.
(B) “Com olhos que conterão o olhar antigo”.
(C) “Com olhos que conteriam o olhar antigo”.
(D) “Com olhos que conterem o olhar antigo”.
(E) “Com olhos que contiveram o olhar antigo”.

20ª Questão. O poema começa com o advérbio “Enfim”. Esse poderia ser substituído sem perda do sentido original por:

(A) entretanto (B) afinal (C) casualmente (D) onde (E) quando

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!

Feliz Natal a todos!

       Nesta noite de Natal, que a graça do menino Jesus leve a todas as famílias muita paz, amor e harmonia.
        
         Nas palavras de Santo Agostinho: “Fé é acreditarmos no que não vemos, a recompensa dessa fé é vermos aquilo em que acreditamos”.

"O nascimento de Jesus". Fúlvio Pennacchi.

Natal

Jesus nasceu. Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria...

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal,

Natal! Natal! Em toda a natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da humildade e da pobreza
Nascido numa pobre estrebaria.

(Olavo Bilac)


Leia também:

"Herbarium"— Lygia Fagundes Telles
"Brinquedos incendiados" — Cecília Meireles 

"A morte da tartaruga" — Millôr Fernandes
"Ano Novo" – Ferreira Gullar

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2013 - 2º semestre

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2013 - 2º semestre

PORTUGUÊS

Leia atentamente o texto abaixo e responda a seguir:

Homem no Mar - Rubem Braga

            De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.
            Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água.
            Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de vista, pois um telhado a esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros; isto me parece importante; é
preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, e que eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
            É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando — "vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele o atingiu".
            Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
            Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.

1ª Questão. O narrador se diz responsável pelo nadador, segundo o contexto, porque:

(A) acredita que o sucesso da arriscada tentativa de cruzar o mar a nado represente a promessa de um futuro mais harmonioso e fraterno.
(B) o nadador poderia se afogar e o narrador queria evitar um desfecho trágico para aquele dia.
(C) no Rio de Janeiro, faz-se necessária uma teia de solidariedade para combater a violência cotidiana.
(D) torna-se cúmplice da ação desenvolvida pelo nadador, a quem ele acompanha atentamente.
(E) quer se eximir da sua responsabilidade histórica.

2ª Questão. Em “O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde”, há:

(A) a tentativa de apreender de modo literal a natureza na sua força física.
(B) a busca de compor um olhar metafórico da natureza física, cujas qualidades são reconhecidas nos seres animados.
(C) a personificação do vento e das espumas em função dos animais presentes é um modo de reafirmar o poder da natureza.
(D) a ação de marchar, atribuída às espumas, confere um caráter impessoal à paisagem vista pelo narrador.
(E) o reconhecimento de que a humildade é algo inerente à natureza física e aos seres humanos.

3ª Questão. Em “É apenas a imagem de um homem” , a ocorrência de um artigo definido e de um artigo indefinido se justifica, porque:

(A) a “imagem” é desprovida de especificidade e de importância, assim como o “homem”.
(B) há necessidade de variar os artigos quando ocorrem em um mesmo período.
(C) o “homem” poderia ser qualquer um, já que ele não vale por si mesmo, mas pelo que representa para o observador por intermédio daquela “imagem” específica.
(D) o “homem” poderia ser somente aquele, um nadador específico e determinado, assim como a “imagem”, que adquire importância maior.
(E) a “imagem” poderia ser qualquer uma, já que não vale por si mesma, mas pelo que o “homem” é no contexto em que se apresenta.

4ª Questão. O primeiro parágrafo é predominantemente:

(A) descritivo   (B) narrativo (C) dissertativo (D) dissertativo-argumentativo (E) reflexivo

5ª Questão. O texto acima deve ser lido como:

(A) conto, porque apresenta todos os elementos narrativos que lhe são próprios.
(B) crônica, pois trata de uma cena de cotidiano de modo literário.
(C) fragmento de romance, dada a sua evidente falta de sentido.
(D) literatura de cordel, porque conta histórias populares.
(E) artigo de opinião, o que se evidencia pelo claro posicionamento do escritor com relação a um fato cotidiano.

6ª Questão. A admiração do narrador pelo homem que vê nadar, segundo o contexto, dá-se porque:

(A) o praticante de nado é popular e desfruta de reconhecimento social.
(B) o homem cumpria a missão a que se tinha proposto com pureza e virilidade.
(C) o nadador, em toda a sua virilidade, conquista admiração dos escritores, figuras sabidamente desprovidas de virilidade.
(D) nadar é um esporte desafiador e quem o pratica é digno de admiração.
(E) o homem se exibia em força e músculos para todos os que o quisessem ver.

7ª Questão. Ao final do texto, há:

(A) o inesperado sentimento de fraternidade, que deriva da identificação espontânea do observador com relação ao nadador.
(B) o intenso sentimento de hostilidade experimentando pelo observador em relação ao nadador.
(C) o sentimento de competitividade com relação ao nadador, sentimento que o observador procura reprimir em vão.
(D) a repressão do amor que emerge subitamente entre o observador e o nadador.
(E) a profunda inveja que o observador sente do nadador.

8ª Questão. É correto afirmar sobre os termos em destaque em “no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno”:

(A) são substantivos que acrescentam informações à oração.
(B) são três advérbios, que modificam o sentido de “rumo”.
(C) ligam-se a “rumo”, qualificando-o com três atributos diferentes.
(D) os três adjetivos modificam o substantivo “ritmo”.
(E) constituem uma explicação do advérbio “no mesmo ritmo”.

9ª Questão. Refletindo no uso do verbo “nadar” e no contexto em que acontece em “Já nadou em minha presença uns trezentos metros”, percebe-se que se trata de um verbo:

(A) intransitivo        (B) transitivo direto (C) transitivo direto e indireto
(D) verbo de estado (E) verbo de ligação

10ª Questão. A introdução do segundo parágrafo pelo elemento coesivo “Mas” adverte o leitor de que algo significativo na narrativa irá mudar, dado que ele estabelece uma relação de:

(A) causalidade (B) concessão (C) explicação (D) oposição (E) condição


11ª Questão. Os dois pontos de “Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz” significam o mesmo que:

(A) mas (B) por isso (C) porque (D) apesar de que (E) ainda assim

12ª Questão. O pronome pessoal do caso oblíquo de “sinto-me solidário com ele” é exemplo de voz:

(A) passiva (B) ativa (C) passiva sintética (D) ativa analítica (E) reflexiva

13ª Questão. Em “cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu”, verifica-se a ocorrência de dois sujeitos, sintaticamente classificados como:

(A) indeterminado e simples
(B) simples e simples
(C) oculto e indeterminado
(D) oculto e elíptico
(E) oculto e simples

14ª Questão. Há duas ocorrências do verbo “estar” em “Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo”. Na primeira, o verbo está no presente do indicativo; na segunda, o verbo está no presente de subjuntivo. A mudança do modo verbal se faz necessária, porque:

(A) o modo indicativo coloca em dúvida o estado em que se encontra o narrador diante do fato enunciado, enquanto o subjuntivo indica assertivamente a atitude do nadador em relação ao fato enunciado.
(B) os verbos se relacionam a sujeitos diferentes e, por isso, devem aparecer no contexto de modos distintos.
(C) “estou” e “esteja”, apesar de estarem em modos diferentes, expressam as mesmas atitudes dos sujeitos em relação aos fatos enunciados.
(D) “estou” indica assertivamente a atitude do sujeito em relação ao fato enunciado, enquanto “esteja” indica dúvidas com relação à atitude do nadador em relação ao fato enunciado.
(E) o modo indicativo, usado para expressar ordens, afirma imperativamente o estado em que se encontra o sujeito diante do fato enunciado, enquanto “esteja” evidencia
dúvidas com relação à atitude do nadador.

15ª Questão. O que garante a especificidade literária do texto é:

(A) a caracterização do personagem.
(B) a linguagem coloquial.
(C) o trabalho da linguagem com preocupação artística.
(D) os traços autobiográficos que permeiam a narrativa.
(E) a lição de moral que o leitor pode depreender dele.

16ª Questão. No texto, verifica-se a presença de:

(A) narrador onisciente            (B) narrador testemunha
(C) protagonista e antagonista (D) eu-lírico                     (E) eu-poemático

17ª Questão. Pelas características do texto, é possível afirmar que Rubem Braga é contemporâneo a:

(A) Machado de Assis (B) José de Alencar
(C) Gil Vicente            (D) Arnaldo Jabor  (E) Érico Veríssimo

18ª Questão. O texto está narrado em:

(A) primeira pessoa do singular. (B) terceira pessoa do singular.
(C) segunda pessoa do discurso. (D) primeira pessoa do plural.  (E) terceira pessoa do plural.

19ª Questão. Em “De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar”, há:

(A) um período composto por coordenação.
(B) um período composto por subordinação.
(C) um período simples.
(D) um período composto por coordenação e subordinação.
(E) um período simples e um período composto por coordenação.

20ª Questão. O termo destacado em “Não há ninguém na praia, que resplende ao sol” poderia ser substituído sem perda de sentido por:

(A) responde (B) refrata (C) inebria-se (D) esquenta (E) brilha



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Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2013 - 1º semestre

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2013 - 1º semestre

PORTUGUÊS

Leia o fragmento abaixo, retirado de Capitães da Areia, de Jorge Amado e, contemplando a obra como um todo, responda a seguir:

            “Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem.
            Antigamente aqui era o mar. Nas grandes e negras pedras dos alicerces do trapiche as ondas ora se rebentavam fragorosas, ora vinham se bater mansamente. A água passava por baixo da ponte sob a qual muitas crianças repousam agora, iluminadas por uma réstia amarela de lua. Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes e pintados de estranhas cores, para a aventura das travessias marítimas. Aqui vinham encher os porões e atracavam nesta ponte de tábuas, hoje comidas. Antigamente diante do trapiche se estendia o mistério do mar-oceano, as noites diante dele eram de um verde escuro, quase negras, daquela cor misteriosa que é a cor do mar à noite.
            Hoje a noite é alva em frente ao trapiche. É que na sua frente se estende agora o areal do cais do porto. Por baixo da ponte não há mais rumor de ondas. A areia invadiu tudo, fez o mar recuar de muitos metros. Aos poucos, lentamente, a areia foi conquistando a frente do trapiche. Não mais atracaram na sua ponte os veleiros que iam partir carregados. Não mais trabalham ali os negros musculosos que vieram da escravatura. Não mais cantou na velha ponte uma canção, um marinheiro nostálgico. A areia se estendeu muito alva em frente ao trapiche. E nunca mais encheram de fardos,
de sacos, de caixões, o imenso casarão. Ficou abandonado em meio ao areal, mancha negra na brancura do cais. (...)
            Durante anos foi povoado exclusivamente pelos ratos que o atravessavam em corridas brincalhonas, que roíam a madeira das portas monumentais, que o habitavam como senhores exclusivos. Em certa época um cachorro vagabundo o procurou como refúgio contra o vento e contra a chuva.
            Na primeira noite não dormiu, ocupado em despedaçar ratos que passavam na
sua frente. Dormiu depois algumas noites, ladrando à lua pela madrugada, pois grande parte do teto já ruíra e os raios da lua penetravam livremente, iluminando o assoalho de tábuas grossas. Mas aquele era um cachorro sem pouso certo e cedo partiu em busca de outra pousada, o escuro de uma porta, o vão de uma ponte, o corpo quente de uma cadela. E os ratos voltaram a dominar até que os Capitães da Areia lançaram suas vistas para o casarão abandonado.”

1ª Questão. É correto afirmar sobre Capitães da Areia:

(A) Conta as aventuras de um grupo de meninos que se rebelam contra a ordem social estabelecida.
(B) Narra um período da vida de um grupo de meninos de rua.
(C) Relata as experiências de um grupo de meninos oriundos de famílias abastadas.
(D) Trata da decadência das fazendas de cacau e das consequências disto para os órfãos.
(E) Conta a vitória dos meninos abandonados sobre a miséria dos anos de 1930.

2ª Questão. Sobre o foco narrativo, pode-se afirmar que:

(A) É onisciente e não explora a intimidade, os pensamentos e os sentimentos dos personagens.
(B) Está em terceira pessoa e aborda os fatos narrados com absoluta imparcialidade.
(C) Está em terceira pessoa e não é imparcial, evidenciando preferência pelo grupo de meninos.
(D) Está em primeira pessoa e é testemunha dos fatos narrados.
(E) Não é onisciente, pois se limita a narrar os fatos observados.

3ª Questão. Com relação ao gênero, Capitães da Areia é exemplo de:

(A) conto (B) romance (C) crônica (D) texto dramático (E) novela

4ª Questão. Sobre o espaço em que se desenvolve a história narrada, pode-se afirmar que:

(A) Não possui importância para a obra, porque não influencia o desenvolvimento da história.
(B) É construído a partir dos devaneios dos personagens, que projetam um lugar ideal, onde poderiam se sentir seguros e acolhidos.
(C) Deixa claro o desejo de liberdade dos meninos.
(D) Afirma a tese de que a ocupação do espaço é uma questão social e de divisão de renda.
(E) Evidencia a democratização do espaço e a convivência pacífica entre as diversas classes sociais.

5ª Questão. Capitães da Areia se caracteriza por ser:

(A) uma obra da segunda geração modernista, que integra o chamado ciclo do romance de 1930.
(B) uma obra da literatura contemporânea, que revela as contradições das sociedades pós-modernas.
(C) romance romântico, caracterizado por narrar histórias de amor entre adolescentes.
(D) romance modernista, que segue a irreverência dos autores da Semana de 1922.
(E) romance vinculado ao Naturalismo, corrente literária vigente em fins do século XIX.

6ª Questão. Seja pelas características temáticas e estéticas de Capitães da Areia, seja pela geração a que pertence, Jorge Amado é lido muitas vezes ao lado de:

(A) Machado de Assis, autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas.
(B) José de Alencar, que publicou, entre outras obras indianistas, O Guarani.
(C) Mário de Andrade, conhecido por Macunaíma, o herói sem nenhum caráter.
(D) Rachel de Queiroz, que em O Quinze evidencia preocupações de cunho social.
(E) Lygia Fagundes Telles e o seu conto “Venha ver o pôr do sol”.

7ª Questão. Sobre a linguagem de Capitães da Areia, como se pode perceber no fragmento acima transcrito, é correto afirmar:

(A) Há predomínio de linguagem culta, com vocabulário repleto de arcaísmos e uso de longos períodos subordinados.
(B) Há uma tendência de aproximar o texto literário da linguagem um pouco mais coloquial ou popular, com vocabulário de uso corrente e estruturas sintáticas simples.
(C) Há um trabalho experimental com a linguagem, o que se revela por meio da presença de neologismos e de períodos marcados por rupturas sintáticas.
(D) Os tipos populares retratados contrastam com a linguagem formal, quase acadêmica, do texto.
(E) Há um estilo de linguagem marcado por um discurso direto, objetivo, contido e seco.

8ª Questão. Sobre o fragmento acima transcrito, é correto afirmar que:

(A) ele retrata um ambiente marcado pelo abandono e pela miséria.
(B) ele traduz um forte apelo nacionalista, típico da obra de Jorge Amado.
(C) ele sugere que as condições de vida dos meninos de rua em nada se aproximam da condição de vida dos escravos que antes trabalhavam no trapiche.
(D) ele traz elementos que permitem compreender a força e a resistência dos meninos de rua, que lutam por melhores condições de vida.
(E) ele descreve um ambiente que simboliza a modernização do Brasil.

9ª Questão. Com relação ao aspecto temporal, é correto afirmar que o fragmento transcrito:

(A) refere-se a um arco temporal muito curto, restrito ao momento presente.
(B) apresenta referências temporais imprecisas e contraditórias.
(C) constrói-se a partir de referências temporais marcadas por eventos já ocorridos.
(D) apresenta ausência de marcas temporais, dado o caráter literário do texto.
(E) volta-se para o futuro, permitindo entrever a evolução que ocorrerá na ocupação do trapiche depois dos fatos narrados.

10ª Questão. A presença de animais (como “cachorro abandonado” e “ratos”) no trapiche que será ocupado pelos “Capitães da Areia”, segundo o contexto, delimita um campo de significado que aponta para:

(A) a falta de higiene das camadas populares e o descaso dos dirigentes políticos com os lugares públicos.
(B) as péssimas condições de vida das crianças que ocuparam o trapiche.
(C) os transtornos causados pela ocupação dos espaços livres por miseráveis nos grandes centros urbanos.
(D) a necessidade de combater animais que transmitem doenças.
(E) o espaço acolhedor que é um trapiche, em qualquer cidade do país.

11ª Questão. O fragmento acima é predominantemente:

(A) narrativo (B) dissertativo (C) argumentativo (D) expositivo (E) descritivo

12ª Questão. O primeiro parágrafo do livro “Sob a lua, num velho trapiche abandonado, as crianças dormem” é sintaticamente classificado como:

(A) oração coordenada sindética aditiva
(B) oração subordinada adverbial
(C) período composto por subordinação
(D) período composto por coordenação
(E) período simples

13ª Questão. Em “Antigamente aqui era o mar”, identifica-se:

(A) um adjetivo e um advérbio.
(B) dois advérbios de tempo.
(C) um advérbio de tempo e um de lugar.
(D) dois adjetivos.
(E) um advérbio de intensidade e um advérbio de tempo.

14ª Questão. Em “A água passava por baixo da ponte”, o verbo em destaque é classificado sintaticamente como:

(A) transitivo direto (B) transitivo indireto (C) bitransitivo (D) verbo de ligação (E) intransitivo

15ª Questão. Logo depois da oração “que é a cor do mar à noite.” vem a primeira oração do terceiro parágrafo “Hoje a noite é alva em frente ao trapiche”. Colocando em comparação os termos em destaque, é possível entender que o acento grave:

(A) indica a ocorrência de crase na expressão adverbial feminina de tempo.
(B) registra que há o encontro de um pronome pessoal e uma preposição.
(C) indica a ocorrência de crase em expressões adverbiais femininas ou masculinas.
(D) é usado de acordo com o desejo do autor do texto.
(E) é usado sempre que aparece um substantivo feminino precedido por artigo.

16ª Questão. Verifica-se em “E nunca mais encheram de fardos, de sacos, de caixões, o imenso casarão”:

(A) inversão dos termos na oração, que apresenta o sujeito no final do período.
(B) “de fardos, de sacos, de caixões” é o sujeito do verbo “encheram”.
(C) sujeito implícito, evidenciado em orações anteriores.
(D) oração em ordem direta e sem sujeito.
(E) “o imenso casarão” é sujeito do verbo “encheram”.

17ª Questão. Em “pois grande parte do teto já ruíra e os raios da lua penetravam livremente”, os verbos mantêm estreita correlação verbal. O primeiro verbo, “ruir”, expressa uma ação anterior à próxima ação, “penetrar”, já passada. Contextos desse tipo exigem que o primeiro verbo seja flexionado em um tempo conhecido por:

(A) pretérito perfeito    (B) pretérito imperfeito
(C) futuro do pretérito  (D) pretérito mais-que-perfeito (E) presente

18ª Questão. Em “Desta ponte saíram inúmeros veleiros carregados, alguns eram enormes e pintados de estranhas cores”, os pronomes em destaque são respectivamente:

(A) demonstrativo e tratamento
(B) indefinido e demonstrativo
(C) tratamento e indefinido
(D) indefinido e possessivo
(E) demonstrativo e indefinido

19ª Questão. Segundo o contexto, “réstia” significa:

(A) feixe de luz que passa por uma pequena abertura.
(B) trança de cebola ou alho.
(C) conjunto de estrelas e planetas.
(D) fonte de iluminação própria.
(E) luz vibrante.

20ª Questão. Em “Mas aquele era um cachorro sem pouso certo e cedo partiu em busca de outra pousada, o escuro de uma porta, o vão de uma ponte, o corpo quente de uma cadela”, o conectivo em destaque estabelece com a oração anterior uma relação de:

(A) condição (B) adição (C) explicação (D) oposição (E) conclusão



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