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quinta-feira, 31 de março de 2016

Texto: “Negócio de menino com menina” — Ivan Ângelo

Negócio de menino com menina

O menino, de uns dez, onze anos, pés no chão, vinha andando pela estrada de terra da fazenda com a gaiola na mão. Sol forte de uma hora da tarde. A menina, de uns nove anos, dez anos, ia de carro com o pai, novo dono da fazenda. Gente de São Paulo. Ela viu o passarinho na gaiola e disse ao pai: 
            ¾ Olha que lindo! Compra pra mim?
            ¾ O homem parou o carro e chamou:
            ¾ Ô menino.
O menino voltou, chegou perto, carinha boa. Parou ao lado da janela da menina. O homem:
            ¾ Esse passarinho é pra vender?
            ¾ Não, senhor.
O pai olhou para a filha com cara de deixa pra lá. A filha pediu suave como se o pai tudo pudesse:
            ¾ Fala pra ele vender.
            O pai, mais para atendê-la, apenas intermediário:
            ¾ Quanto você quer pelo passarinho?
            ¾ Não tou vendendo não senhor.
            A menina ficou decepcionada e segredou:
            ¾ Ah, pai, compra.
            Ela não considerava, ou não aprendera ainda, que negócio só se faz quando existe um vendedor e um comprador. No caso, faltava o vendedor. Mas o pai era um homem de negócios, águia da Bolsa de Valores, acostumado a encorajar os mais hesitantes ou a virar a cabeça dos mais recalcitrantes:
            ¾ Dou cinqüenta reais.
            ¾ Não senhor.
            ¾ Cem.
            ¾ Vendo não.
            O homem meteu a mão no bolso, tirou o dinheiro, mostrou três notas, irritado.
            ¾ Cento e cinqüenta reais.
            ¾ Não estou vendendo, não, senhor.
            O homem resmungou “que menino chato” e falou para a filha:
            ¾ Ele não quer vender. Paciência.
            A filha, baixinho, indiferente às impossibilidades de transação:
            ¾ Mas eu queria. Olha que bonitinho.
            O homem olhou a menina, a gaiola, a roupa encardida do menino, com um rasgo na manga, o rosto vermelho de sol.
            ¾ Deixa comigo.
            Levantou-se, deu a volta, foi até lá. A menina procurava intimidade com o passarinho, dedinho nas gretas da gaiola. O homem, maneiro, estudando o adversário:
            ¾ Qual o nome deste passarinho?
            ¾ Ainda não botei nome nele, não. Peguei ele agora.
            O homem, quase impaciente:
            ¾ Não perguntei se ele é batizado ou não, menino. É pintassilgo, é sabiá, é o quê?
            ¾ Aaaah. É bico-de-lacre.
            A menina, pela primeira vez, falou com o menino:
            ¾ Ele vai crescer?
            O menino parou os olhos pretos nos olhos azuis.
            ¾ Cresce nada. Ele é assim mesmo, pequenininho.
            O homem:
            ¾ E canta?
            ¾ Canta nada. Só faz chiar assim.
            ¾ Passarinho besta, hein?
            ¾ É. Não presta pra nada, é só bonito.
            ¾ Você pegou ele dentro da fazenda?
            ¾ É. Aí no mato.
            ¾ Essa fazenda é minha. Tudo que tem nela é meu.
            O menino segurou com mais força a alça da gaiola, ajudou com a outra mão nas grades. O homem achou que estava na hora e falou já botando a mão na gaiola, dinheiro na outra mão:
            ¾ Dou duzentos reais, pronto. Toma aqui.
            ¾ Não senhor, muito obrigado.
            O homem veio mandão:
¾ Vende isso logo, menino. Não vendo que é pra menina?
            ¾ Não, não tou vendendo, não.
            ¾ Trezentos reais! Toma aqui!         ¾ e puxou a gaiola.
            Com trezentos reais se comprava um saco de feijão, ou dois pares de sapatos, ou uma bicicleta velha.
            O menino resistiu, segurando a gaiola, voz trêmula:
            ¾ Quero não senhor. Tou vendendo não.
            ¾ Não vende por quê, hein? Por quê?
            O menino acuado, tentando explicar:
            ¾ É que eu demorei a manhã todinha pra pegar ele e tou com fome e com sede, e queria ter ele mais um pouquinho. Mostrar pra mamãe.
            O homem voltou para o carro nervoso. Bateu a porta, culpando a filha pelo aborrecimento.
            ¾ Viu no que dá mexer com essa gente? É tudo ignorante, filha. Vam’bora.
            O menino chegou pertinho da menina e falou baixinho, para só ela ouvir:
            ¾ Amanhã eu dou ele pra você.
            Ela sorriu e compreendeu.

(Ivan Ângelo, in “Pode me beijar se quiser”)


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"O homem; as viagens" — Carlos Drummond de Andrade
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“Amar” – Carlos Drummond de Andrade



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Instituto Mauá – 2011 – Prova de Língua Portuguesa e Redação

Instituto Mauá de Tecnologia – Vestibular 2011 – Prova de Língua Portuguesa e Redação


REDAÇÃO

Sem ultrapassar vinte linhas, componha uma redação com o título:

A infância vê naturalmente verde. (Machado de Assis)

QUESTÕES DISSERTATIVAS

O texto a seguir serve de base para as questões 11 a 14:

            Vindo agora pela Rua da Glória, dei com sete crianças, meninos e meninas, de vário tamanho, que iam em linha, presas pelas mãos. A idade, o riso e a viveza chamaram-me a atenção, e eu parei na calçada, a fitá-las. Eram tão graciosas todas, e pareciam tão amigas que entrei a rir de gosto. Nisto ficaria a narração, caso chegasse a escrevê-la, se não fosse o dito de uma delas, uma menina, que me viu rir parado e disse às suas companheiras:
            – Olha aquele moço que está rindo para nós.
            Esta palavra me mostrou o que são olhos de crianças. A mim, com estes bigodes brancos e cabelos grisalhos, chamaram-me moço! Provavelmente dão este nome à estatura da pessoa, sem lhe pedir certidão de idade.
            Deixei andar as crianças e vim fazendo comigo aquela reflexão. Elas foram saltando, parando, puxando-se à direita e à esquerda, rompendo alguma vez a linha e recosendo-a logo. Não sei onde se dispersaram; sei que daí a dez minutos não vi nenhuma delas, mas outras, sós ou em grupos de duas. Algumas destas carregavam trouxas ou cestas, que lhes pesavam à cabeça ou às costas, começando a trabalhar, ao tempo em que as outras não acabavam ainda de rir. Dar-se-á que a não ter carregado nada na meninice devo eu o aspecto de “moço” que as primeiras me acharam agora? Não, não foi isso. A idade dá o mesmo aspecto às coisas; a infância vê naturalmente verde. Também estas, se eu risse, achariam que “aquele moço ria para elas”, mas eu ia sério, pensando, acaso doendo-me de as sentir cansadas; elas, não vendo que os meus cabelos brancos deviam ter-lhes o aspecto de pretos, não diziam coisa nenhuma, foram andando e eu também.

(Machado de Assis)

Questão 11) O que motivou o narrador a alongar-se no seu relato?

Questão 12) Em que diferem os dois grupos de crianças?

Questão 13) Apresente justificativa do narrador para as crianças vistas por último não o terem chamado de moço.

Questão 14) Siga o modelo, respondendo no caderno de respostas:

1) Vindo aqui, você saberá onde as crianças se dispersaram.
2) Se você viesse aqui, saberia onde as crianças se dispersaram.
a) 1) Vendo aquelas crianças, você vai rir de gosto.

2) ...
b) 1) Refazendo o mesmo caminho, você descobrirá outra realidade.
2) ...



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Prova de Língua Portuguesa – FAAP – 2012 – 1º semestre

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Língua Portuguesa - Etapa Final

Para responder as questões de 01 a 10, leia atentamente o soneto abaixo:

Nel mezzo del camin...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

(Olavo Bilac)

01. O título do poema fora extraído de uma famosa obra europeia. Aquela obra inicia assim:

Nel mezzo del camin de nostra vita
mi retrovai por una selva oscura:
ché la viritta via era smarrita.
(No meio do caminho de nossa vida
fui me encontrar em uma selva escura:
estava no caminho correto minha via perdida).

Estamos falando de:

a) "A Ilíada" – Homero
b) "A Eneida" – Vergílio
c) "A Divina Comédia" – Dante Alighieri
d) "A Odisséia" – Homero
e) "Orlando Furioso" – Ariosto

02. O poema pode ser dividido em três momentos: o encontro dos amantes, a vida em comum dos amantes e a separação dos amantes.

a) primeiro quarteto, segundo quarteto e os dois últimos tercetos;
b) os dois quartetos, o primeiro terceto e o último terceto;
c) o primeiro quarteto, o segundo quarteto somado ao primeiro terceto e o último terceto;
d) os dois quartetos somados ao primeiro terceto, o último terceto com exclusão do último verso e o último verso;
e) os dois primeiros versos, o restante do poema com exclusão do último verso e o último verso.

03. Observe as rimas, Chamemos "A" ao som da palavra "fatigada"; "B" ao som da palavra "vinha"; "C" ao som da palavra "partida"; "D" ao som da palavra "umedece"; "E" ao som da palavra "tremo". Então, o soneto ganha a seguinte posição rimática:

a) AAbb – Aabb – DCC – DEE
b) Abba – Abba – CCD – EED
c) bbAA – bbAA – CCD – EED
d) bAAb – bAAb – DDC – DDE
e) AbAb – AbAb – CDC – EDE

04. "Quiasmo" é figura de estilo em que os termos se cruzam numa repetição invertida, tal qual as retas se cruzam na formação de uma cruz ou X. Identifica o quiasmo:

a) ... vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha
b) E paramos de súbito na estrada
da vida
c) ... longos anos, presa à minha
a tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha
d) ... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece
e) E eu, solitário, volto a face, e tremo

05. Olavo Bilac filia‐se ao movimento poético do Parnasianismo. São características do Parnasianismo a "Arte pela Arte" – a beleza de um poema é o próprio poema; linguagem cuidada; predileção pelo soneto; perfeição formal. O próprio Bilac defende sua escola num poema Profissão de Fé do parnasianismo em cuja primeira estrofe se lê:

a) Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
b) Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve!
c) Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
d) Ah! plangentes violões dormentes, mornos,
Soluços ao luar, choros ao vento
e) Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas
Vagam nos velhos vórtices velozes

06.
Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

Assinale a análise que não procede:

a) "fatigada e triste" é predicativo do sujeito "tu";
b) "triste e fatigado" é predicativo do sujeito "eu";
c) os dois últimos versos na ordem direta:
Tinhas a alma povoada de sonhos
E eu tinha a alma povoada de sonhos
d) "Alma" é objeto indireto do verbo ter;
e) repetição expressiva da conjunção "e" a que chamamos polissíndeto:
E triste, e triste e fatigado
E a alma de sonhos

07.
E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.
a) estrada da vida
b) longos anos
c) a tua mão presa à minha e a vista deslumbrada
d) luz
e) teu olhar

08.
Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

"Nem o pranto os teus olhos umedece". Na voz passiva analítica:

a) Nem o pranto é umedecido pelos teus olhos;
b) Nem os teus olhos são umedecidos pelo pranto;
c) Nem se umedecem os teus olhos;
d) Nem se umedece o pranto;
e) Nem o pranto umedece os teus olhos.

09.
E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

"Voltar a face, tremer, ver o teu vulto e desaparecer"
Só em uma alternativa o imperativo está errado:

a) Volta a face, treme, vê o teu vulto e desaparece;
b) Volte a face, trema, veja o seu vulto e desapareça;
c) Voltemos a face, tremamos, vejamos nosso vulto e desapareçamos;
d) Voltai a face, tremei, vede o vosso vulto e desaparecei;
e) Voltam a face, tremam, vejam o seu vulto e desaparecem.

10. Certamente outro poeta inspirou‐se no poema "Nel Mezzo Del Camin" de Olavo Bilac para escrever este soneto:

a)
Argila

Nascemos um para o outro, dessa argila
De que são feitas as criaturas raras;
Tens legendas pagãs nas carnes claras
E eu tenho a alma dos faunos na pupila...

Se um dia eu fosse teu e fosses minha,
O nosso amor conceberia um mundo
E do teu ventre nasceriam deuses...

Raul de Leoni
b)
Soneto

Ó Virgens que passais, ao Sol‐poente,
Pelas estradas ermas, a cantar!
Eu quero ouvir uma canção ardente,
Que me transporte ao meu perdido Lar.

Cantai, nessa voz onipotente,
O Sol que tomba, aureolando o Mar,
A fartura da seara reluzente,
O vinho, a Graça, a formosura, o luar!

c)
Duas almas

Ó tu que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
Entra, e, sob este teto encontrarás carinho:
Eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
Vives sozinha sempre, e nunca foste amada...

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
Essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
Podes partir de novo, ó nômade formosa!
Já não serei tão só, nem irás tão sozinha.
Há de ficar comigo uma saudade tua...
Hás de levar contigo uma saudade minha..

Alceu Wamosy

d)
Suave Caminho

Assim . . . Ambos assim, no mesmo passo,
iremos percorrendo a mesma estrada;
tu ‐ no meu braço trêmulo amparada,
eu ‐ amparado no teu lindo braço.

E assim, ligados pelos bens supremos,
que para mim o teu carinho trouxe,
placidamente pela Vida iremos

Calcando mágoas, afastando espinhos,
como se a escarpa desta Vida fosse
o mais suave de todos os caminhos.

Mário Pederneiras
e)
Assim Seja

Fecha os olhos e morre calmamente!
Morre sereno do Dever cumprido!
Nem o mais leve, nem um só gemido
traia, sequer, o teu Sentir latente.

Morre com o teu Dever! Na alta
confiança de quem triunfou e sabe quem descansa
desdenhando de toda a Recompensa!

Cruz e Sousa

Língua Portuguesa – Etapa Complementar

Para responder às questões de 46 a 60, leia atentamente o primeiro capítulo, extraído do livro "Dom Casmurro" de Machado de Assis.

Capítulo 1

Do Título

                Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou‐me, sentou‐se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando‐me versos.
                A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.
                ‐ Continue, disse eu acordando.
                ‐ Já acabei, murmurou ele.
                ‐ São muito bonitos.
                Vi‐lhe fazer um gesto para tirá‐los outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando‐me Dom Casmurro. Os vizinhos, que não gostam dos meus hábitos reclusos e calados, deram curso à alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anedota aos amigos da cidade, e eles, por graça, chamam‐me assim, alguns em bilhetes: "Dom Casmurro, domingo vou jantar com você." ‐ "Vou para Petrópolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Renânia; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vai lá passar uns quinze dias comigo." ‐ "Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do teatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou‐lhe camarote, dou‐lhe chá, dou‐lhe cama; só não lhe dou moça."
                Não consultes dicionários. Casmurro não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo. Dom veio por ironia, para atribuir‐me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando!
Também não achei melhor título para a minha narração ‐ se não tiver outro daqui até ao fim do livro, vai este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.

46. Este capítulo inicial de "Dom Casmurro", porque o assunto é ainda o livro ou a linguagem, e não a história ou a narrativa, poderemos chamá‐lo preâmbulo:

a) epistolar b) metalinguístico c) temático d) elíptico e) futurístico

47. Neste capítulo, o narrador explica o motivo por que chamou "Dom Casmurro" ao seu livro. O nome do livro e todo o capítulo indicam tratar‐se de um romance de personagem. O narrador que conta sua história é:

a) Escobar b) Pádua c) José Dias d) Capitu e) Bento Santiago

48. "... encontrei no trem da central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu". Cumprimentar com um ligeiro movimento de chapéu significava, naquela época, o conhecimento:

a) hipócrita b) superficial c) íntimo d) profundo e) duradouro

49. Assinale a alternativa errada:

a) "Cumprimentou‐me, sentou‐se ao pé de mim". Sentou‐se perto de mim, ao meu lado;
b) "... falou da lua e dos ministros". Falou de vários assuntos; não parava de falar;
c) "Vi‐lhe fazer um gesto para tirá‐los outra vez do bolso...". Vi‐lhe fazer um gesto e nunca Vi‐o fazer um gesto. O verbo "ver" exige o pronome indireto "lhe";
d) "Os vizinhos... não gostam dos meus hábitos reclusos". Reclusos: fechados, próprios de quem vive em convento, clausura ou prisão;
e) "Os vizinhos... deram curso à alcunha". Dar curso à alcunha é propagar o apelido.

50. "Não consultes o dicionário". O último parágrafo do capítulo instaura um processo narrativo dialógico que persiste até o final do livro. É um diálogo simulado entre o narrador e:

a) Capitu – olhos de cigana oblíqua e dissimulada;
b) Bentinho – personagem esquizóide;
c) José Dias, que amava diálogos e superlativos;
d) um eventual leitor;
e) Dona Glória – mãe de Bentinho.
51. "Dom veio por ironia, para atribuir‐me fumos de fidalgo". "Fumo", no texto, é:

a) mistura de gás, vapor de água e partículas tênues, que se eleva dos corpos em combustão;
b) partículas tenuíssimas de água que se despenha, formando uma espécie de nuvem;
c) aparência;
d) tabaco para fumar;
e) aquilo que se esvaece, que é transitório tal qual na frase: a vida é fumo que passa.

52. "O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores, alguns nem tanto". Ironia sutil. Existem autores que:

a) se irritam facilmente;
b) oferecem título à obra alheia;
c) são poetas mas não contam histórias;
d) apenas sabem dar título a suas obras;
e) plagiam.

53. "Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu". Vamos destacar a oração principal do período:

a) Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo;
b) ...vindo da cidade para o Engenho Novo;
c) ... que eu conheço de vista e de chapéu;
d) Uma noite destas, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro;
e) ... um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu.

54. "Vi‐lhe fazer um gesto para tirar os versos outra vez do bolso, mas não passou do gesto...".
Vamos iniciar o período com a terceira oração, sem perturbar o sentido que lhe deu o autor:

a) Não passou do gesto, embora lhe visse fazer um gesto para tirar os versos outra vez do bolso;
b) Não passou do gesto, porque lhe vi fazer um gesto para tirar os versos outra vez do bolso;
c) Não passou do gesto, a fim de que lhe visse fazer um gesto para tirar os versos outra vez do bolso;
d) Não passou do gesto, quando lhe vi fazer um gesto para tirar os versos outra vez do bolso;
e) Não passou do gesto, à medida que lhe vi fazer um gesto para tirar os versos outra vez do bolso.

55. "Sucedeu, porém, que como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso".
A conjunção "porém" – coordenada adversativa, nega, por ser adversativa, uma ideia anterior:

a) Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo;
b) ... encontrei no trem da Central um rapaz;
c) cumprimentou‐me;
d) a viagem era curta;
e) e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus.

56. "Sucedeu...". O sujeito do verbo suceder é uma oração a que chamamos subordinada substantiva subjetiva. Vamos destacá‐la:

a) que fechei os olhos três ou quatro vezes;
b) como eu estava cansado;
c) tanto bastou;
d) para que ele interrompesse a leitura;
e) e metesse os versos no bolso.

57. " – Continue, disse eu acordando.
– Já acabei, murmurou ele".
O discurso é direto. Quem fala é o próprio personagem. Vamos construir o discurso indireto em que o narrador fale pelo personagem:

a) Disse eu acordando que continue. Ele murmurou que já acabou;
b) Disse eu acordando que continuasse. Ele murmurou que já havia acabado;
c) Disse eu acordando que deveria continuar. Ele murmurou que já acabava;
d) Disse eu acordando que continuaria. Ele murmurou que já acabaria;
e) Disse eu acordando: Continuai. Ele murmurou: Já acabarei.

58. "Não consultes dicionário".
O verbo está empregado no imperativo negativo, segunda pessoa do singular (tu). Passando a frase para o imperativo afirmativo, respeitando a mesma pessoa (tu), escreveríamos assim:

a) consultes dicionário;
b) consulte dicionário;
c) consulta dicionário;
d) consultas dicionário;
e) consultai dicionário.

59. Os críticos são unânimes em reconhecer Machado de Assis como o maior ou um dos maiores representantes de:

a) o Naturalismo Científico;
b) a Poesia Parnasiana;
c) o Romance Surrealista;
d) o Romance Psicológico;
e) o Romance Romântico.

60. Todos os trechos abaixo foram extraídos do romance "Dom Casmurro", exceto um que deve ser assinalado:

a) Eia! chora os dois recentes mortos, se tens lágrimas. Se só tens riso, ri‐te! É a mesma coisa. O cruzeiro, que a linda Sofia não quis fitar, como lhe pedia Rubião, está assaz alto para não discernir os risos e as lágrimas dos homens;
b) Cheguei a casa, abri a porta devagarzinho, subi pé ante pé, e meti‐me no gabinete; iam dar seis horas. Tirei o veneno do bolso, fiquei em mangas de camisa, e escrevi ainda uma carta...;
c) ... e ficamos a olhar um para o outro... Confissão de crianças, tu valias bem duas ou três páginas, mas quero ser poupado. Em verdade, não falamos nada; o muro falou por nós;
d) Todo eu era olhos e coração, um coração que desta vez ia sair, com certeza, pela boca fora. Não podia tirar os olhos daquela criatura de quatorze anos, alta, forte e cheia, apertada em um vestido de chita, meio desbotado;
e) Enfim, chegou a hora da encomendação e da partida. Sancha quis despedir‐se do marido, e o desespero daquele lance consternou a todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas.


quarta-feira, 9 de março de 2016

"O homem; as viagens" — Carlos Drummond de Andrade

O homem; as viagens

O homem, bicho da Terra tão pequeno,
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão,
faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para a Lua 

desce cauteloso na Lua
pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
coloniza a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.

Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem chateia-se na Lua.
Vamos para Marte  ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.

Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro  diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus,
vê o visto  é isto?
idem
idem
idem.

O homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com injustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto 
repetitório.

Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só para tever?
Não-vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.

Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
(estará equipado?)
a dificílima dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
civilizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de con-viver.


(Carlos Drummond de Andrade)


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