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domingo, 12 de maio de 2019

TEMA DE REDAÇÃO – PUC-RIO – 2017 – 1º Semestre

TEMA DE REDAÇÃO – PUC-RIO – 2017 – 1º Semestre


REDAÇÃO

Produza um texto dissertativo-argumentativo — com cerca de 25 linhas e título sugestivo —, discorrendo sobre se é possível (recomendável, viável, desejável) ou não responder às agressões do mundo contemporâneo com afeto. Os trechos a seguir têm por objetivo ajudá-lo a desenvolver suas próprias ideias acerca do assunto. Esses trechos — assim como os da prova de Português e Literatura — podem ser reproduzidos, em parte, na sua redação, mas em forma de DISCURSO INDIRETO ou de PARÁFRASE, com menção às devidas fontes. NÃO ASSINE.

1. Trecho adaptado do artigo “O afeto no tempo” (2005)1 , do psicanalista Carlos Pinto Corrêa

Afeto é a adesão por outrem, designando um estado moral — bom ou mau. É, também, uma disposição de alma: agrado e desagrado; emoção (amizade, amor, ira, paixão). Na filosofia, entendem-se como afeto, em seu senso comum, as emoções positivas que se referem a pessoas e que não têm o caráter dominantemente totalitário da paixão. Enquanto as emoções podem se referir a pessoas e coisas, os afetos são emoções que acompanham algumas relações interpessoais, das quais fica excluída a dominação pela paixão. Daí a temporalidade indicada pelo adjetivo afetuoso que traduz atitudes como a bondade, a benevolência, a inclinação, a devoção, a proteção, o apego, a gratidão, a ternura, etc. Segundo o filósofo italiano Nicola Abbagnano (1901-1990), a palavra “afeição” é usada, filosoficamente, em sua maior extensão e generalidade: designa toda condição que consiste em “sofrer uma ação, sendo influenciado ou modificado por ela”. Implica, portanto, uma ação sofrida. Diz-se que um metal é afetado pelo ácido, e que alguém tem uma afecção pulmonar, mas as palavras afeto e paixão são reservadas aos humanos. [...] O homem moderno parece viver uma espécie de
contradição com o tempo, uma disputa em que as horas são, ao mesmo tempo, amigas e inimigas. Com isso, o tempo perde sua suposta condição de objetividade, tornando-se um ponto de incidência de suas reações afetivas. O tempo que passa, o difícil dia que se finda, a marca atenuada ou culposa do passado, a implacável incisão do presente, ou o campo de incertezas do futuro, são marcas de uma adjetivação clara em que falar do tempo sugere sempre uma conotação de bom, mau, produtivo, triste, alegre. O afeto incide sobre o tempo vivido transformando-o e tornando-o um atributo (com qualidades que não pertencem à sua essência). Estados diferentes de afeto são responsáveis pela percepção alterada do tempo. Já se definiu a angústia como uma concentração de tempo. Palavras, ocorrências, dificuldades a resolver, o trabalho e afetos diferentes, muitas vezes coisas toleráveis a seu tempo, se reúnem em um espaço de tempo impossível à consciência. De outra forma, a relação entre afeto e percepção subjetiva do tempo é uma vivência comum a todos nós. A lentidão do tempo de sofrimento e de espera e o tédio imobilizador do relógio fazem contraponto aos momentos felizes, ao encontro com o prazer, quando tudo passa tão depressa.

2. Trecho adaptado da entrevista — “Entre o afeto e a agressão, como nos relacionamos?”2 — com Maria Rita Bicalho Kehl, publicada na edição 327, de junho de 2002, do “Jornal Mundo Jovem”

Costumamos usar a palavra cordial num sentido afetivo, simpático, doce. Entretanto, é um termo que foi usado pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda para definir um modo de dominação próprio da cultura brasileira. Ele usa esse termo no seu sentido bem radical mesmo: cordial, no dicionário, é aquilo que é do coração. Assim, dizer que, no Brasil, a cultura é cordial não tem nada a ver com o cordial no sentido de simpático, bonzinho, mas no sentido de guiado pelo coração. E isso significa que as relações podem ser muito afetuosas, ou muito sedutoras, mas que também podem ser muito violentas, muito agressivas. Estou fazendo esse percurso só para chegar à atualidade, no início do século XXI, porque a gente tem a impressão, ainda hoje, de que se vivia num país cordial, no sentido do senso comum dessa palavra, e que, de décadas para cá, o país se tornou violento. De repente acabou a cordialidade nas relações interpessoais? Subitamente, todos nos tornamos agressivos? Tenho a impressão de que não. O que nós vemos hoje é consequência da cordialidade na cultura brasileira. Nunca se estabeleceu um modo de livre negociação entre as classes, em que as que são exploradas, como acontece em qualquer lugar do mundo, tivessem uma certa dignidade, uma certa possibilidade de apresentar as suas reivindicações, de se fazer ouvir, de se fazer respeitar. Todos estão sempre esperando aparecer um favor daqui, uma proteção dali, um jeitinho. E enquanto isso não vai acontecendo, o outro modo de se impor é pela violência. Vivemos o limite da cordialidade com uma cultura impregnada, ao mesmo tempo, de sedução afetiva e de violência. São as duas faces da moeda.

1 Disponível em: <http://www.cbp.org.br/rev2806.htm>. Acesso em: 31 jul. 2016.
2 Disponível em: <http://www.mundojovem.com.br/entrevistas/edicao-327-entrevista-entre-o-afeto-e-a-agressao-como-nos-relacionamos>.
Acesso em: 31 jul. 2016.

3. Trecho de palestra da escritora Adélia Prado, publicada na revista “Ecológico” (28/10/2013)3  

“Quando falo em ética e poesia, estou falando de dois fenômenos humanos que nascem, como diria Guimarães Rosa, da ‘terceira margem da alma’, que é onde brota a criação artística e onde se estabelece em nós a sensibilidade. O senso moral e o senso estético da beleza não são uma invenção do homem, mas uma descoberta. Acredito que, para fazer e consumir poesia, assim como para tratar um doente, é absolutamente necessário considerar os afetos. Sou afetada em minha vida e aquilo que me faz feliz ou infeliz não é uma coisa que eu sei, mas algo que sinto. Do ponto de vista acadêmico, posso ser o melhor da turma, o que detém mais títulos, mas se eu não tiver o olhar, uma atenção real para o outro, todo o meu saber científico não vai trabalhar em função da cura. As nossas doenças e dificuldades nascem nesse lugar onde eu me faço pessoa e, para existir de modo feliz, eu preciso ser amada e amar.”

3 Disponível em: <http://www.revistaecologico.com.br/materia.php?id=71&secao=1121&mat=1213>. Acesso em: 30 jul. 2016.


CRASE – 15 TESTES DE CONCURSOS

CRASE – 15 TESTES DE CONCURSOS


1. (Carcereiro – DECAP – 2004) Assinale a alternativa que completa corretamente o período:

.......noite estava clara os namorados foram ...... praia ver a chagada dos pescadores que voltavam ...... terra.

a) À – a – à.
b) À – à – a.
c) A – à – à.
d) A – a – à.
e) A – à – a.

2. (Auxiliar de Papiloscopista – DECAP – 2005) Apenas uma das alternativas abaixo apresenta erro quanto ao emprego da crase, indique-a:

a) Refiro-me àquele colégio.
b) Vou à Ubatuba.
c) Arroz à grega foi servido à uma hora.
d) Indique o caminho à senhora Lúcia Helena.
e) Minha opinião é semelhante à dele.

3. (Carcereiro – Demacro – 2004) Indique a alternativa onde o emprego da crase não é admitido:

a) Solicito à Vossa Senhoria determinar o arquivamento
do expediente.
b) Fui à escola.
c) Os servidores compareceram às reuniões.
d) Refiro-me à mesa do centro da sala.
e) E uma exposição de calçados à Luis XV.

4. (Carcereiro – DEMACRO – 2004) Assinale a alternativa em que a crase foi empregada corretamente.

a) O início da prova será as nove horas.
b) Irei aquela cidade.
c) Refiro-me as notícias de ontem.
d) A prova pode ser feita à lápis.
e) A obediência às leis é primordial.

5. (Agente Policial – DECAP – 2004) Aponte a alternativa correta, para completar as lacunas da frase, conforme o emprego do sinal indicativo de crase.

Daqui ....... três semanas, os resultados da atual reforma farão referência ......... impostos, precisamente ............ questão da neutralidade, caso semelhante .......... mudança de
decisão.

a) A – aqueles – à – a.
b) À – àqueles – à – a.
c) A – aqueles – à – à.
d) A – àqueles – à – à.
e) À – aqueles – a – a.

6. (Agente de Telecomunicações – DEINTER – 2005) Em qual frase usamos a crase:

a) Esta é a mulher a quem fiz referência.
b) Saiu a andar a pé.
c) Ele está aqui desde as sete horas.
d) Respondi as que me perguntaram.
e) Refiro-me a todas as alunas.

7. (Escrivão – DEMACRO – 2002) Assinale a alternativa que apresenta o uso correto da crase:

a) Admiro os quadros à óleo.
b) Usa cabelos a Sansão.
c) Não vai à festas nem à reuniões.
d) Fez alusão às pesquisas.

8. (Agente Policial – DEMACRO – 2004) Quanto ao uso da crase, assinale a opção incorreta:

a) Fomos à Curitiba para o festival.
b) Essa jaqueta é igual à que comprei ontem.
c) Referia-me à Lisboa de Camões.
d) Não gostei da decoração à Luiz XV.
e) N.D.A.

9. (Escrivão – DEMACRO – 2005) Assinale a alternativa em que o uso da crase está incorreto.

a) Procure obedecer às leis de trânsito.
b) Os meninos voltaram à escola.
c) Mamãe não tem ido à festas.
d) Fui ontem àquele restaurante.
e) Refiro-me àqueles que não concordam comigo.

10. (Auxiliar de Papiloscopista – DECAP – 2005) Assinale a alternativa correta que completa a frase: “Após ........ reunião, todos foram ter ........ sala, para assistir ........... chegada dos hóspedes.

a) A, à, à.
b) A, à, a.
c) À, à, à.
d) A, a, a.
e) À, a, à.

11. (Escrivão – DECAP – 2005) Em qual das alternativas a crase está mal empregada.

a) Dediquei um poema à jovem que há muito tempo admiro.
b) O delegado teve de percorrer um longo caminho à pé.
c) Todos se portaram a contento, atendendo às ordens
de instrutor.
d) À quem devo enviar este relatório.
e) Cheguei à esta conclusão.

12. (Agente de Telecomunicações – DECAP – 2005) A crase não é usada.

a) Diante do pronome relativo feminino “a qual”.
b) Antes da palavra moda (expressa ou não).
c) Diante dos pronomes demonstrativos “a”(s), “aquele”(s), “aquela”(s), “aquilo”(s).
d) Diante de verbo.
e) Diante de palavra feminina precedida do artigo definido (“a”), singular ou plural.

13. (Escrivão – DEINTER – 2005) A indicação da crase está correta em:

a) Avançava à passos largos.
b) Não tinha amor à ninguém.
c) Chegaram à vender tudo.
d) Todos sairão mais cedo à partir de amanhã.
e) Mostrou sua dedicação à esposa.

14. (Investigador – DEINTER – 2004) Considerando as regras quanto ao emprego ou não da crase, a frase está incorreta em:

a) O professor referiu-se àquele livro.
b) Chegou cedo a casa.
c) Joana gosta de andar à cavalo.
d) Tomou o remédio gota a gota.
e) A policia ficou à distância de cem metros dos manifestantes.

15. (Investigador – DEMACRO – 2002) Assinale a alternativa incorreta.

a) Devemos obedecer às leis.
b) Discutam à portas fechadas.
c) Era bonito o entardecer à beira do lago.
d) A saudade aumentava à proporção que chegavam suas cartas.
e) Iremos à França no verão.

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quarta-feira, 24 de abril de 2019

GÊNEROS TEXTUAIS – 12 QUESTÕES DO ENEM

GÊNEROS TEXTUAIS – 12 QUESTÕES DO ENEM

(ENEM-2018) QUESTÃO 01 – A imagem da negra e do negro em produtos de beleza e a estética do racismo

Resumo: Este artigo tem por finalidade discutir a representação da população negra, especialmente da mulher negra, em imagens de produtos de beleza presentes em comércios do nordeste goiano. Evidencia-se que a presença de estereótipos negativos nessas imagens dissemina um imaginário racista apresentado sob a forma de uma estética racista que camufla a exclusão e normaliza a inferiorização sofrida pelos(as) negros(as) na sociedade brasileira. A análise do material imagético aponta a desvalorização estética do negro, especialmente da mulher negra, e a idealização da beleza e do branqueamento a serem alcançados por meio do uso dos produtos apresentados. O discurso midiático-publicitário dos produtos de beleza rememora e legitima a prática de uma ética racista construída e atuante no cotidiano. Frente a essa discussão, sugere-se que o trabalho antirracismo, feito nos diversos espaços sociais, considere o uso de estratégias para uma “descolonização estética” que empodere os sujeitos negros por meio de sua valorização estética e protagonismo na construção de uma ética da diversidade.

Palavras-chave: Estética, racismo, mídia, educação, diversidade.

SANT’ANA, J. A imagem da negra e do negro em produtos de beleza e a estética do racismo. Dossiê: trabalho e educação básica.

Margens Interdisciplinar. Versão digital. Abaetetuba, n.16, jun. 2017 (adaptado).

O cumprimento da função referencial da linguagem é uma marca característica do gênero resumo de artigo acadêmico. Na estrutura desse texto, essa função é estabelecida pela

A impessoalidade, na organização da objetividade das informações, como em “Este artigo tem por finalidade
B seleção lexical, no desenvolvimento sequencial do texto, como em “imaginário
racista” e “estética do negro”.
C metaforização, relativa à construção dos sentidos figurados, como nas expressões “descolonização estética” e “discurso midiático-publicitário”.
D nominalização, produzida por meio de processos derivacionais na formação de
palavras, como “inferiorização” e “desvalorização”.
E adjetivação, organizada para criar uma terminologia antirracista, como em “ética da
diversidade” e “descolonização estética”.

(ENEM-2018) QUESTÃO 02 – A trajetória de Liesel Meminger é contada por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adotá-los por dinheiro. O garoto morre no trajeto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler. A vida ao redor é a pseudorrealidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto – e raro – de crítica e público.

Disponível em: www.odevoradordelivros.com. Acesso em: 24 jun. 2014.

Os gêneros textuais podem ser caracterizados, dentre outros fatores, por seus objetivos. Esse fragmento é um(a)

A reportagem, pois busca convencer o interlocutor da tese defendida ao longo do texto.
B resumo, pois promove o contato rápido do leitor com uma informação desconhecida.
C sinopse, pois sintetiza as informações relevantes de uma obra de modo impessoal.
D instrução, pois ensina algo por meio de explicações sobre uma obra específica.
E resenha, pois apresenta uma produção intelectual de forma crítica.

(ENEM-2017) QUESTÃO 03 – Romanos usavam redes sociais há dois mil anos, diz livro

Ao tuitar ou comentar embaixo do post de um de seus vários amigos no Facebook, você provavelmente se sente privilegiado por viver em um tempo na história em que é possível alcançar de forma imediata uma vasta rede de contatos por meio de um simples clique no botão “enviar”. Você talvez também reflita como as gerações passadas puderam viver sem mídias sociais, desprovidas da capacidade de verem e serem vistas, de receber, gerar e interagir com uma imensa carga de informações. Mas o que você talvez não saiba é que os seres humanos usam ferramentas de interação social há mais de dois mil anos. É o que afirma Tom Standage, autor do livro Writing on the Wall — Social Media, The first 2000 years (Escrevendo no mural — mídias sociais, os primeiros 2 mil anos, em tradução livre).
Segundo Standage, Marco Túlio Cícero, filósofo e político romano, teria sido, junto com outros membros da elite romana, precursor do uso de redes sociais. O autor relata como Cícero usava um escravo, que posteriormente tornou-se seu escriba, para redigir mensagens em rolos de papiro que eram enviados a uma espécie de rede decontatos. Estas pessoas, por sua vez, copiavam seu texto, acrescentavam seus próprios comentários e repassavam adiante. “Hoje temos computadores e banda larga, mas os romanos tinham escravos e escribas que transmitiam suas mensagens”, disse Standage à BBC Brasil. “Membros da elite romana escreviam entre si constantemente, comentando sobre as últimas movimentações políticas e expressando opiniões.”
Além do papiro, outra plataforma comumente utilizada pelos romanos era uma tábua de cera do tamanho e da forma de um tablet moderno, em que escreviam recados, perguntas ou transmitiam os principais pontos da acta diurna, um “jornal” exposto diariamente no Fórum de
Roma. Essa tábua, o “iPad da Roma Antiga”, era levada por um mensageiro até o destinatário, que respondia embaixo da mensagem.
Nidecker, F. disponível em www.bbc.co.uk Acesso em: 7 nov. 2013 (adaptado).

Na reportagem, há uma comparação entre tecnologias de comunicação antigas e atuais. Quanto ao gênero mensagem, identifica-se como característica que perdura ao longo dos tempos o(a)

A imediatismo das respostas.
B compartilhamento de informações.
C interferência direta de outros no texto original.
D recorrência de seu uso entre membros da elite.
E perfil social dos envolvidos na troca comunicativa.

(ENEM-2017) QUESTÃO 04 – Uma noite em 67, de Renato Terra e Ricardo Calil. Editora Planeta, 296 páginas.
Mas foi uma noite, aquela noite de sábado 21 de outubro de 1967, que parou o nosso país. Parou pra ver a finalíssima do III Festival da Record, quando um jovem de 24 anos chamado Eduardo Lobo, o Edu Lobo, saiu carregado do Teatro Paramount em São Paulo depois de ganhar o prêmio máximo do festival com Ponteio, que cantou acompanhado da charmosa e iniciante Marília Medalha.
Foi naquela noite que Chico Buarque entoou sua Roda viva ao lado do MPB-4 de Magro, o arranjador. Que Caetano Veloso brilhou cantando Alegria, alegria com a plateia ao som das guitarras dos Beat Boys, que Gilberto Gil apresentou a tropicalista Domingo no parque com os Mutantes.
Aquela noite acabou virando filme, em 2010, nas mãos de Renato Terra e Ricardo Calil, agora virou livro. O livro que está sendo lançado agora é a história daquela noite, ampliada e em estado que no jargão jornalístico ia chamamos de matéria bruta. Quem viu o filme vai se deliciar com as histórias — e algumas fofocas — que cada um tem para contar, agora sem os cortes necessários que um filme exige. E quem não viu o filme tem diante de si um livro de histórias, pensando bem, de História.

VILLAS, A. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 18 jun. 2014 (adaptado).

Considerando os elementos constitutivos dos gêneros textuais circulantes na sociedade, nesse fragmento de resenha predominam

A caracterizações de personalidades do contexto musical brasileiro dos anos 1960.
B questões polêmicas direcionadas à produção musical brasileira nos anos 1960.
C relatos de experiências de artistas sobre os festivais de música de 1967.
D explicações sobre o quadro cultural do Brasil durante a década de 1960.
E opiniões a respeito de uma obra sobre a cena musical de 1967.

(ENEM-2016) QUESTÃO 05 – Querido diário

Hoje topei com alguns conhecidos meus
Me dão bom-dia, cheios de carinho
Dizem para eu ter muita luz, ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho
[...]
Hoje o inimigo veio me espreitar
Armou tocaia lá na curva do rio
Trouxe um porrete a mó de me quebrar
Mas eu não quebro porque sou macio, viu

HOLANDA, C. B. Chico. Rio de Janeiro: Biscoito Fino, 2013 (fragmento).

Uma característica do gênero diário que aparece na letra da canção de Chico Buarque é o(a)

A diálogo com interlocutores próximos.
B recorrência de verbos no infinitivo.
C predominância de tom poético.
D uso de rimas na composição.
E narrativa autorreflexiva.

(ENEM-2016) QUESTÃO 06 – O humor e a língua

Há algum tempo, venho estudando as piadas, com ênfase em sua constituição linguística. Por isso, embora a a afirmação a seguir possa parecer surpreendente, creio que  posso garantir que se trata de uma verdade quase banal: as piadas fornecem simultaneamente um dos melhores retratos dos valores e problemas de uma sociedade, por um lado, e uma coleção de fatos e dados impressionantes para quem quer saber o que é e como funciona uma língua, por outro. Se se quiser descobrir os problemas com os quais uma sociedade se debate, uma coleção de piadas fornecerá excelente pista: sexualidade, etnia/raça e outras diferenças, instituições (igreja, escola, casamento, política), morte, tudo isso está sempre presente nas piadas que circulam anonimamente e que são ouvidas e contadas por todo mundo em todo o mundo. Os antropólogos ainda não prestaram a devida atenção a esse material, que poderia substituir com vantagem muitas entrevistas e pesquisas participantes. Saberemos mais a quantas andam o machismo e o racismo, por exemplo, se pesquisarmos uma coleção de piadas do que qualquer outro corpus.

POSSENTI, S. Ciência Hoje, n. 176, out. 2001 (adaptado).

A piada é um gênero textual que figura entre os mais recorrentes na cultura brasileira, sobretudo na tradição oral. Nessa reflexão, a piada é enfatizada por

A sua função humorística.
B sua ocorrência universal.
C sua diversidade temática.
D seu papel como veículo de preconceitos.
E seu potencial como objeto de investigação.

(ENEM-2015) QUESTÃO 07 – Embalagens usadas e resíduos devem ser descartados adequadamente

Todos os meses são recolhidas das rodovias brasileiras centenas de milhares de toneladas de lixo. Só nos 22,9 mil quilômetros das rodovias paulistas são 41,5 mil toneladas. O hábito de descartar embalagens, garrafas, papéis e bitucas de cigarro pelas rodovias persiste e tem aumentado nos últimos anos. O problema é que o lixo acumulado na rodovia, além de prejudicar o meio ambiente, pode impedir o escoamento da água, contribuir para as enchentes, provocar incêndios, atrapalhar o trânsito e até causar acidentes. Além dos perigos que o lixo representa para os motoristas, o material descartado poderia ser devolvido para a cadeia produtiva. Ou seja, o papel que está sobrando nas rodovias poderia ter melhor destino. Isso também vale para os plásticos inservíveis, que poderiam se transformar em sacos de lixo, baldes, cabides e até acessórios para os carros.

Disponível em: www.girodasestradas.com.br. Acesso em: 31 jul. 2012.

Os gêneros textuais correspondem a certos padrões de composição de texto, determinados pelo contexto em que são produzidos, pelo público a que eles se destinam, por sua finalidade. Pela leitura do texto apresentado, reconhece-se que sua função é

A apresentar dados estatísticos sobre a reciclagem no país.
B alertar sobre os riscos da falta de sustentabilidade do mercado de recicláveis.
C divulgar a quantidade de produtos reciclados retirados das rodovias brasileiras.
D revelar os altos índices de acidentes nas rodovias brasileiras poluídas nos últimos anos.
E conscientizar sobre a necessidade de preservação ambiental e de segurança nas rodovias.

(ENEM-2015) QUESTÃO 08
Exmº Sr. Governador:

Trago a V. Exa. um resumo dos trabalhos realizados pela Prefeitura de Palmeira dos Índios em 1928. […]

ADMINISTRAÇÃO

Relativamente à quantia orçada, os telegramas custaram pouco. De ordinário vai para eles dinheiro considerável. Não há vereda aberta pelos matutos que prefeitura do interior não ponha no arame, proclamando que a coisa foi feita por ela; comunicam-se as datas históricas ao Governo do Estado, que não precisa disso; todos os acontecimentos políticos são badalados. Porque
se derrubou a Bastilha – um telegrama; porque se deitou pedra na rua – um telegrama; porque o deputado F. esticou a canela – um telegrama.

Palmeira dos Índios, 10 de janeiro de 1929. GRACILIANO RAMOS RAMOS, G. Viventes das Alagoas. São Paulo: Martins Fontes, 1962.

O relatório traz a assinatura de Graciliano Ramos, na época, prefeito de Palmeira dos Índios, e é destinado ao governo do estado de Alagoas. De natureza oficial, o texto chama a atenção por contrariar a norma prevista para esse gênero, pois o autor

A emprega sinais de pontuação em excesso.
B recorre a termos e expressões em desuso no português.
C apresenta-se na primeira pessoa do singular, para conotar intimidade com o destinatário.
D privilegia o uso de termos técnicos, para demonstrar conhecimento especializado.
E expressa-se em linguagem mais subjetiva, com forte carga emocional.

(ENEM-2015) QUESTÃO 09

João Antônio de Barros (Jota Barros) nasceu aos 24 de junho de 1935, em Glória de Goitá (PE). Marceneiro, entalhador, xilógrafo, poeta repentista e escritor de literatura de cordel, já publicou 33 folhetos e ainda tem vários inéditos. Reside em São Paulo desde 1973, vivendo exclusivamente da venda de livretos de cordel e das cantigas de improviso, ao som da viola.
Grande divulgador da poesia popular nordestina no Sul, tem dado frequentemente entrevistas à imprensa paulista sobre o assunto.

EVARISTO, M. C. O cordel em sala de aula. In: BRANDÃO, H. N. (Coord.).
Gêneros do discurso na escola: mito, conto, cordel, discurso político,

A biografia é um gênero textual que descreve a trajetória de determinado indivíduo, evidenciando sua singularidade. No caso específico de uma biografia como a de João Antônio de Barros, um dos principais elementos que a constitui é

A a estilização dos eventos reais de sua vida, para que o relato biográfico surta os efeitos desejados.
B o relato de eventos de sua vida em perspectiva histórica, que valorize seu percurso artístico.
C a narração de eventos de sua vida que demonstrem a qualidade de sua obra.
D uma retórica que enfatize alguns eventos da vida exemplar da pessoa biografada.
E uma exposição de eventos de sua vida que mescle objetividade e construção ficcional.

(ENEM-2015) QUESTÃO 10 – Carta ao Tom 74

Rua Nascimento Silva, cento e sete

Você ensinando pra Elizete
As canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz
Ah, que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
Esse Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
E além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza,
É preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor

MORAES, V.; TOQUINHO. Bossa Nova, sua história, sua gente. São Paulo: Universal; Philips,1975 (fragmento).

O trecho da canção de Toquinho e Vinícius de Moraes apresenta marcas do gênero textual carta, possibilitando que o eu poético e o interlocutor

A compartilhem uma visão realista sobre o amor em sintonia com o meio urbano.
B troquem notícias em tom nostálgico sobre as mudanças ocorridas na cidade.
C façam confidências, uma vez que não se encontram mais no Rio de Janeiro.
D tratem pragmaticamente sobre os destinos do amor e da vida citadina.
E aceitem as transformações ocorridas em pontos turísticos específicos.

(ENEM-2014) QUESTÃO 11

A última edição deste periódico apresenta mais uma vez tema relacionado ao tratamento dado ao lixo caseiro, aquele que produzimos no dia a dia. A informação agora passa pelo problema do material jogado na estrada vicinal que liga o município de Rio Claro ao distrito de Ajapi. Infelizmente, no local em questão, a reportagem encontrou mais uma forma errada de destinação do lixo: material atirado ao lado da pista como se isso fosse o ideal. Muitos moradores, por exemplo, retiram o lixo de suas residências e, em vez de um destino correto, procuram dispensá-lo em outras regiões. Uma situação no mínimo incômoda. Se você sai de casa para jogar o lixo em outra localidade, por que não o fazer no local ideal? É muita falta de educação achar que aquilo que não é correto para sua região possa ser para outra. A reciclagem do lixo doméstico é um passo inteligente e de consciência. Olha o exemplo que passamos aos mais jovens! Quem aprende errado coloca em prática o errado. Um perigo!

Disponível em: http://jornaldacidade.uol.com.br. Acesso em: 10 ago. 2012 (adaptado).

Esse editorial faz uma leitura diferenciada de uma notícia veiculada no jornal. Tal diferença traz à tona uma das funções sociais desse gênero textual, que é

A apresentar fatos que tenham sido noticiados pelo próprio veículo.
B chamar a atenção do leitor para temas raramente abordados no jornal.
C provocar a indignação dos cidadãos por força dos argumentos apresentados.
D interpretar criticamente fatos noticiados e considerados relevantes para a opinião pública.
E trabalhar uma informação previamente apresentada com base no ponto de vista do autor da notícia.

(ENEM-2013) QUESTÃO 12 – A diva

Vamos ao teatro, Maria José?
Quem me dera,
desmanchei em rosca quinze kilos de farinha,
tou podre. Outro dia a gente vamos.
Falou meio triste, culpada,
e um pouco alegre por recusar com orgulho.
TEATRO! Disse no espelho.
TEATRO! Mais alto, desgrenhada.
TEATRO! E os cacos voaram
sem nenhum aplauso.
Perfeita.

PRADO, A. Oráculos de maio. São Paulo: Siciliano, 1999.

Os diferentes gêneros textuais desempenham funções sociais diversas, reconhecidas pelo leitor com base em suas características específicas, bem como na situação comunicativa em que ele é produzido. Assim, o texto A diva

A narra um fato real vivido por Maria José.
B surpreende o leitor pelo seu efeito poético.
C relata uma experiência teatral profissional.
D descreve uma ação típica de uma mulher sonhadora.
E defende um ponto de vista relativo ao exercício teatral.


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