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terça-feira, 18 de junho de 2019

CITAÇÕES FAMOSAS - PARTE 1

CITAÇÕES FAMOSAS - PARTE 1 







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segunda-feira, 17 de junho de 2019

TEMA DE REDAÇÃO – PUC-RIO – 2018 – 1º Semestre

TEMA DE REDAÇÃO – PUC-RIO – 2018 – 1º Semestre


REDAÇÃO

Produza um texto dissertativo-argumentativo — com cerca de 25 linhas e título sugestivo —, em que você mostre como uma ou mais mulheres (sugerimos entre uma e cinco) conhecidas — cientistas, artistas, empresárias, ativistas, líderes comunitárias, personalidades históricas ou mesmo personagens da mitologia ou da ficção, além de heroínas (reais ou imaginárias), entre outras — afetaram ou afetam a sociedade (e por quê).
Abaixo, apenas para ajudá-lo a pensar no desenvolvimento de sua redação, reproduzimos fragmentos de dois artigos acerca de figuras de nosso universo de referências.

Carolina Maria de Jesus

A história de Carolina Maria de Jesus é uma história de lutas que lembra a de muitas mulheres na favela. Filha de mãe solteira, negra e pobre, trabalhou na roça em Sacramento, cidade onde nasceu, no interior de Minas Gerais. A vida difícil obrigou mãe e filha a migrarem para cidades maiores até que Carolina chegou a São Paulo. Ali, começou trabalhando como doméstica, mas ficou grávida de seu primeiro filho. Como, na época, não havia direitos trabalhistas, ficou desempregada e não viu alternativa senão ir morar na favela e ganhar a vida como catadora de papel. Teve ainda mais dois filhos — todos de pais diferentes —, e acabou tendo que ser mãe e pai do José, do João e da Vera Eunice. Viveu 12 anos na favela do Canindé, que ela chamava de “o quarto de despejo da cidade de São Paulo”: tudo quanto a sociedade paulistana queria jogar no lixo — roupas usadas e móveis velhos, assim como pessoas pobres, negras, nordestinas que ali viviam marginalizadas e em precárias condições — ia parar lá. Carolina, que havia cursado apenas dois anos de ensino básico quando ainda criança, tinha o hábito de ler. Lia tudo o que encontrava no lixo e separava alguns papéis em que poderia registrar sua história. Foi assim que começou a escrever “Quarto de Despejo: diário de uma favelada”, livro publicado em 1960. Isso ocorreu porque Carolina mostrou seus escritos ao jornalista Audálio Dantas, em 1958, quando ele fazia uma visita à favela do Canindé para escrever uma matéria de jornal. Durante dois anos, o jornalista trabalhou para conseguir a publicação do livro de Carolina. “Quarto de Despejo” foi um sucesso na medida em que constituiu uma denúncia que os governantes e a elite — não só a paulistana, mas a brasileira — não podiam ignorar: a vida miserável daquelas mulheres batalhadoras e “invisíveis”. A prefeitura extinguiu a favela do Canindé. Carolina ficou rica com a venda de seus livros, mas, sem jeito para administrar seus bens, perdeu quase tudo e morreu em 1977, aos 63 anos, pobre, num pequeno sítio do interior de São Paulo. Canindé não existe mais, nem Carolina, mas muitas são as favelas no Brasil e muitas são as mulheres pobres, sem pai, mães solteiras, que batalham, lutam diariamente pelo direito à vida e pelo direito à história, que Carolina de Jesus ajudou a contar.

Texto adaptado do jornal “O Cidadão” (06/03/2014).
Disponível em: <http://jornalocidadao.net/centenario-de-carolina-maria-de-jesus>. Acesso em: 14 ago. 2017.

Mulher Maravilha

Criada por William Moulton Marston, em 1941, no meio da Segunda Guerra Mundial, a primeira super-heroína norte-americana, reaparece, em 2017, em grande produção cinematográfica. O filme narra a trajetória de Diana — filha do deus grego Zeus com uma amazona — e seu percurso até tornar-se a Mulher Maravilha, atualização da deusa romana Diana Caçadora, que, entre os gregos, era chamada de Ártemis.
Para proteger sua filha, Zeus criou uma ilha paradisíaca, escondida por uma neblina, onde a menina cresceu com as demais amazonas, a salvo da ira do deus Ares, que invejava as guerreiras e queria destruir a humanidade. A deusa, criada por uma mãe superprotetora, que lhe negava informações importantes sobre o mundo além da ilha e sobre ela mesma, acreditava na possibilidade da paz, caso Ares fosse eliminado. A queda de um avião, com o piloto e espião americano Steve Trevor a bordo, quebra a invisibilidade da ilha. Ao resgatar o jovem, Diana fica sabendo que há uma guerra em curso, longe de seu lar, e sente um chamado para cumprir o que considerava sua missão: derrotar Ares.
A saída da ilha, tão temida pela mãe da moça, que escondia dela a identidade do pai e sua condição de deusa, é a metáfora para a iniciação da heroína. Frente à advertência da mãe de que, se ela partisse, poderia nunca mais voltar, Diana reage com a frase psicanalítica: “Quem serei eu se ficar? ” Diana segue seu caminho, deixando a ingênua e protegida deusa-menina para trás, a fim de encontrar, em meio aos horrores de uma guerra, a valente mulher que irá se tornar. [...] Além da força, das habilidades no manejo da espada e no desempenho da luta, sobressai, em Diana, a compaixão. Ao chegar a uma Europa devastada, sente-se arrasada com a miséria humana. A crença na paz e num mundo só de luz a ser alcançado pela derrota de Ares será a ilusão que deverá abandonar para poder se tornar a Mulher Maravilha.
É um filme sobre a jornada do Eu, mas é claro que o fato de esse sujeito ser uma mulher faz toda a diferença. Ela desperta a admiração dos meninos, não apenas pela beleza, mas pela garra, pela força, pela lealdade. A personagem mostra que não há limites para as mulheres e que isso não deve ser motivo de temor e, sim, de admiração. [...]
Em tempo de guerra como o nosso, a Mulher Maravilha nos obriga a enfrentar o Ares que habita em cada um de nós, pois, diferentemente do que pensamos, “o inferno não são os outros”. E essa foi a desilusão de Diana: a culpa não era de um único deus (seu irmão) e, sim, da humanidade. Mata-se um Ares hoje; nasce outro amanhã. Tomada por essa desilusão — entretanto movida por compaixão e por amor (como uma força divina) —, resolve ficar e lutar diariamente, assumindo que a humanidade ainda vale a pena. E dessa desilusão, e dessa decisão, nasce uma heroína.

Texto adaptado de artigo de Adriana Maria de Abreu Barbosa. In: “Revista Cotoxó”, ano VII, número LXXII, Jequié (Bahia), julho de 2017, p. 10.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

UNIFESP 2019 – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Prova de língua portuguesa – Unifesp 2019



Examine a tira de André Dahmer para responder às questões de 01 a 03.

(Malvados, 2008. Adaptado.)

QUESTÃO 01 – A fala “Demora, mas eles aprendem.” (3o quadrinho) sugere que o anjo, a propósito das afirmações do personagem retratado nos dois primeiros quadrinhos,

(A) não tem uma opinião formada sobre elas.
(B) concorda com elas.
(C) nota uma contradição entre elas.
(D) não dá importância a elas.
(E) considera-as pessimistas.

QUESTÃO 02 – Assinale a alternativa em que se verifica a análise correta de um fato linguístico presente na tira.

(A) Em “Viu, Senhor?” (3o quadrinho), o termo “Senhor” exerce a função sintática de sujeito do verbo “viu”.
(B) Em “um cão nervoso correndo em círculos, amarrado ao poste da ignorância” (2o quadrinho), a oposição entre os termos “correndo” e “amarrado” configura um pleonasmo.
(C) Em “A humanidade é isso” (2o quadrinho), o termo “isso” retoma o conteúdo de um enunciado expresso no quadrinho anterior.
(D) Em “Ele vai voltar atrás, você vai ver” (3o quadrinho), a expressão “voltar atrás” constitui uma redundância.
(E) Em “Ele vai voltar atrás, você vai ver” (3o quadrinho), a expressão “voltar atrás” pode ser substituída por “se arrepender”.

QUESTÃO 03 – Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a supressão de um verbo

(A) no segundo e no terceiro quadrinhos.
(B) no segundo quadrinho, apenas.
(C) no terceiro quadrinho, apenas.
(D) no primeiro e no terceiro quadrinhos.
(E) no primeiro quadrinho, apenas.

Leia o trecho inicial do conto “A doida”, de Carlos Drummond de Andrade, para responder às questões de 04 a 10.

A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado. E a rua descia para o córrego, onde os meninos costumavam banhar-se. Era só aquele chalezinho, à esquerda, entre o barranco e um chão abandonado; à direita, o muro de um grande quintal. E na rua, tornada maior pelo silêncio, o burro que pastava. Rua cheia de capim, pedras soltas, num declive áspero. Onde estava o fiscal, que não mandava capiná-la?
Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho. Só com essa intenção. Mas era bom passar pela casa da doida e provocá-la. As mães diziam o contrário: que era horroroso, poucos pecados seriam maiores. Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados. Não explicavam bem  quais fossem esses benefícios, ou explicavam demais, e restava a impressão de que eram todos privilégios de gente adulta, como fazer visitas, receber cartas, entrar para irmandades. E isso não comovia ninguém. A loucura parecia antes erro do que miséria. E os três sentiam-se inclinados a lapidar1 a doida, isolada e agreste no seu jardim.
Como era mesmo a cara da doida, poucos poderiam dizê-lo. Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma. Só o busto, recortado numa das janelas da frente, as mãos magras, ameaçando. Os cabelos, brancos e desgrenhados. E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca. Eram palavras da Bíblia misturadas a termos populares, dos quais alguns pareciam escabrosos, e todos fortíssimos na sua cólera. Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto (contava mais de sessenta anos, e loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo). Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão. O marido ergueu-se terrível e empurrou-a, no calor do bate-boca; ela rolou escada abaixo, foi quebrando ossos, arrebentando-se. Os dois nunca mais se veriam. Já outros contavam que o pai, não o marido, a expulsara, e esclareciam que certa manhã o velho sentira um amargo diferente no café, ele que tinha dinheiro grosso e estava custando a morrer – mas nos racontos2 antigos abusava-se de veneno. De qualquer modo, as pessoas grandes não contavam a história direito, e os meninos deformavam o conto. Repudiada por todos, ela se fechou naquele chalé do caminho do córrego, e acabou perdendo o juízo. Perdera antes todas as relações. Ninguém tinha ânimo de visitá-la. O padeiro mal jogava o pão na caixa de madeira, à entrada, e eclipsava-se. Diziam que nessa caixa uns primos generosos mandavam pôr, à noite, provisões e roupas, embora oficialmente a ruptura com a família se mantivesse inalterável. Às vezes uma preta velha arriscava-se a entrar, com seu cachimbo e sua paciência educada no cativeiro, e lá ficava dois ou três meses, cozinhando. Por fim a doida enxotava-a. E, afinal, empregada nenhuma queria servi-la. Ir viver com a doida, pedir a bênção à doida, jantar em casa da doida, passaram a ser, na cidade, expressões de castigo e símbolos de irrisão3.
Vinte anos de uma tal existência, e a legenda está feita. Quarenta, e não há mudá-la. O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave, uma coisa aberrante, instalou-se no espírito das crianças. E assim, gerações sucessivas de moleques passavam pela porta, fixavam cuidadosamente a vidraça e lascavam uma pedra. A princípio, como justa penalidade. Depois, por prazer. Finalmente, e já havia muito tempo, por hábito. Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.
Em vão os pais censuravam tal procedimento. Quando meninos, os pais daqueles três tinham feito o mesmo, com relação à mesma doida, ou a outras. Pessoas sensíveis lamentavam o fato, sugeriam que se desse um jeito para internar a doida. Mas como? O hospício era longe, os parentes não se interessavam. E daí – explicava-se ao forasteiro que porventura estranhasse a situação – toda cidade tem seus doidos; quase que toda família os tem. Quando se tornam ferozes, são trancados no sótão; fora disto, circulam pacificamente pelas ruas, se querem fazê-lo, ou não, se preferem ficar em casa. E doido é quem Deus quis que ficasse doido... Respeitemos sua vontade. Não há remédio para loucura; nunca nenhum doido se curou, que a cidade soubesse; e a cidade sabe bastante, ao passo que livros mentem.

(Contos de aprendiz, 2012.)
1 lapidar: apedrejar.
2 raconto: relato, narrativa.
3 irrisão: zombaria.

QUESTÃO 04 – De acordo com o segundo parágrafo,

(A) os garotos, ao descerem a rua, tinham como principal objetivo provocar a doida.
(B) as explicações dadas pelas mães para condenar as provocações à doida não comoviam os garotos.
(C) as provocações dos garotos à doida não comoviam ninguém.
(D) as mães, apesar de dizerem o contrário, consideravam as provocações dos seus filhos à doida uma mera brincadeira.
(E) as mães, por considerarem a doida responsável por sua loucura, não repreendiam seus filhos.

QUESTÃO 05 – “Corria, com variantes, a história de que fora noiva de um fazendeiro, e o casamento uma festa estrondosa; mas na própria noite de núpcias o homem a repudiara, Deus sabe por que razão.” (4o parágrafo)

Ao empregar a expressão “Deus sabe por que razão”, o narrador reforça, em relação à história divulgada, o seu caráter

(A) fantasioso.
(B) dramático.
(C) religioso.
(D) incerto.
(E) popular.

QUESTÃO 06 – No trecho “Dos doidos devemos ter piedade, porque eles não gozam dos benefícios com que nós, os sãos, fomos aquinhoados” (2o parágrafo), em respeito à norma-padrão, estaria correto o uso da preposição “a” em lugar de “com” se a expressão sublinhada fosse substituída por

(A) fazemos jus.
(B) recebemos.
(C) somos merecedores.
(D) estamos satisfeitos.
(E) nos orgulhamos.

QUESTÃO 07
• “loucura e idade, juntas, lhe lavraram o corpo” (4o parágrafo)
• “Ninguém tinha ânimo de visitá-la” (4o parágrafo)
• “a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso” (5o parágrafo)
Os termos sublinhados foram empregados, respectivamente, em sentido

(A) literal, literal e literal.
(B) figurado, literal e figurado.
(C) literal, literal e figurado.
(D) figurado, figurado e literal.
(E) figurado, figurado e figurado.

QUESTÃO 08 – “Como a doida respondesse sempre furiosa, criara-se na mente infantil a ideia de um equilíbrio por compensação, que afogava o remorso.” (5o parágrafo)
Em relação ao trecho que o sucede, o trecho sublinhado expressa ideia de

(A) finalidade.
(B) causa.
(C) proporção.
(D) comparação.
(E) consequência.

QUESTÃO 09 – Em “Não aparecia de frente e de corpo inteiro, como as outras pessoas, conversando na calma” (3o parágrafo), o termo sublinhado é um verbo

(A) de ligação.
(B) transitivo direto e indireto.
(C) transitivo direto.
(D) intransitivo.
(E) transitivo indireto.

QUESTÃO 10 – Derivação regressiva: formação de palavras novas pela redução de uma palavra já existente. A redução se faz mediante supressão de elementos terminais (sufixos, desinências).

(Celso Pedro Luft. Gramática resumida, 2004.)

Constitui exemplo de palavra formada pelo processo de derivação regressiva o termo sublinhado em:

(A) “Sabia-se confusamente que a doida tinha sido moça igual às outras no seu tempo remoto” (4o parágrafo)
(B) “E a boca inflamada, soltando xingamentos, pragas, numa voz rouca.” (3o parágrafo)
(C) “Os três garotos desceram manhã cedo, para o banho e a pega de passarinho.” (2o parágrafo)
(D) “A doida habitava um chalé no centro do jardim maltratado.” (1o parágrafo)
(E) “O sentimento de que a doida carregava uma culpa, que sua própria doidice era uma falta grave” (5o parágrafo)

QUESTÃO 11 – É com base no mito da Arcádia que erguem suas doutrinas: destruindo a “hidra do mau gosto”, os árcades procuram realizar obra semelhante à dos clássicos antigos. Daí a imitação dos modelos greco-latinos ser a primeira característica a considerar na configuração da estética arcádica.

(Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1992. Adaptado.)

A “hidra do mau gosto” mencionada no texto refere-se ao estilo

(A) renascentista.
(B) pré-romântico.
(C) neoclássico.
(D) barroco.
(E) medieval.

Leia o poema “Sou um evadido”, do escritor português Fernando Pessoa, para responder às questões de 12 a 17.

Sou um evadido.
Logo que nasci
Fecharam-me em mim,
Ah, mas eu fugi.
Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?
Minha alma procura-me
Mas eu ando a monte1,
Oxalá que ela
Nunca me encontre.
Ser um é cadeia,
Ser eu é não ser.
Viverei fugindo
Mas vivo a valer.

(Obra poética, 1997.)

1 “andar a monte”: andar fugido das autoridades.

QUESTÃO 12 – A fuga retratada no poema é uma fuga

(A) do anonimato.
(B) da identidade.
(C) da multiplicidade.
(D) da sociedade.
(E) da aparência.

QUESTÃO 13 – O eu lírico expressa um desejo em:

(A) “Ser eu é não ser.” (4a estrofe)
(B) “Ah, mas eu fugi.” (1a estrofe)
(C) “Logo que nasci / Fecharam-me em mim,” (1a estrofe)
(D) “Minha alma procura-me / Mas eu ando a monte,” (3a estrofe)
(E) “Oxalá que ela / Nunca me encontre.” (3a estrofe)

QUESTÃO 14 – O eu lírico inclui o leitor em sua argumentação

(A) na terceira estrofe, apenas.
(B) na primeira estrofe, apenas.
(C) na quarta estrofe, apenas.
(D) na segunda estrofe, apenas.
(E) na segunda e na terceira estrofes.

QUESTÃO 15 – Decorre da evasão empreendida pelo eu lírico

(A) sua cisão interna.
(B) seu desprezo pelo mundo.
(C) seu desejo de morrer.
(D) sua ausência de esperança.
(E) seu isolamento social.

QUESTÃO 16 – “Rima rica” é aquela que ocorre entre palavras de classes gramaticais diferentes, a exemplo do que se verifica

(A) na primeira estrofe (“nasci”/“fugi”) e na segunda estrofe (“lugar”/“cansar”).
(B) na terceira estrofe (“monte”/“encontre”), apenas.
(C) na segunda estrofe (“lugar”/“cansar”), apenas.
(D) na primeira estrofe (“nasci”/“fugi”) e na terceira estrofe (“monte”/“encontre”).
(E) na segunda estrofe (“lugar”/“cansar”) e na terceira estrofe (“monte”/“encontre”).

QUESTÃO 17 – “Se a gente se cansa
Do mesmo lugar,
Do mesmo ser
Por que não se cansar?” (2a estrofe)

Os termos sublinhados constituem

(A) pronomes, somente.
(B) conjunção, pronome e pronome, respectivamente.
(C) conjunções, somente.
(D) pronome, conjunção e conjunção, respectivamente.
(E) conjunção, conjunção e pronome, respectivamente.


QUESTÃO 18 – Os haviam “civilizado” a imagem do índio, injetando nele os padrões do cavalheirismo convencional. Os , ao contrário, procuraram nele e no negro o primitivismo, que injetaram nos padrões da civilização dominante como renovação e quebra das convenções acadêmicas.

(Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.)

As lacunas do texto devem ser preenchidas, respectivamente, por

(A) românticos e simbolistas.
(B) árcades e simbolistas.
(C) árcades e modernistas.
(D) românticos e modernistas.
(E) simbolistas e modernistas.

QUESTÃO 19 – Examine a tira de Steinberg, publicada em seu Instagram no dia 20.08.2018.

Colabora para o efeito de humor da tira o recurso à figura de linguagem denominada

(A) eufemismo.
(B) pleonasmo.
(C) hipérbole.
(D) personificação.
(E) sinestesia.

Para responder às questões de 20 a 27, leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.

Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.
Por segurança e precaução contra os corsários, contra os excessos demagógicos, contra as tendências comunistas dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos. Os dois fortes motivos das casas-grandes acabarem sempre mal-assombradas com cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre tijolos soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes ou mesmo estranhos pedindo padres--nossos, ave-marias, gemendo lamentações, indicando lugares com botijas de dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que compadres, viúvas e até escravos lhes tinham entregue para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário. Houve senhores sem escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-se depois de estranhos e desentendidos: “Você está maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”
Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente. Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-grande de Maçangana, morreu sem saber que destino tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e provavelmente enterrada em algum desvão de parede. […] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou escavações, botijas de dinheiro. Na que foi dos Pires d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou enterrar no jardim mais de um negro supliciado por ordem de sua justiça patriarcal. Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já avô, por descobrir que o filho mantinha relações com a mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão mais velho.

(In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000.)

QUESTÃO 20 – De acordo com o texto, os ladrões da época evitavam praticar furtos

(A) devido à violência dos senhores de engenho.
(B) por respeito aos mortos.
(C) devido às crenças religiosas.
(D) em razão do rigor da justiça.
(E) por medo de assombrações.

QUESTÃO 21 – “Noutras casas-grandes só se têm desencavado do chão ossos de escravos, justiçados pelos senhores e mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à revelia das autoridades.” (3o parágrafo)
Conclui-se da leitura desse trecho que, em relação às autoridades, os senhores de engenho assumiam um comportamento

(A) transgressor.
(B) vingativo.
(C) submisso.
(D) isento.
(E) respeitoso.

QUESTÃO 22 – Guardadas as proporções, o ambiente retratado no texto de Gilberto Freyre aparece com destaque na produção literária de

(A) Euclides da Cunha.
(B) Machado de Assis.
(C) Aluísio Azevedo.
(D) José Lins do Rego.
(E) Lima Barreto.

QUESTÃO 23 – “Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam
entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que ‘negro não devia ter luxo’.” (1o parágrafo)

Em relação à frase anterior, a frase sublinhada constitui uma

(A) condição.
(B) ratificação.
(C) conclusão.
(D) redundância.
(E) ressalva.

QUESTÃO 24 – Em “Não é de admirar. Eram senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os próprios filhos.” (3o parágrafo), a conjunção que poderia unir as duas frases, sem alteração de sentido, é:

(A) como.
(B) mas.
(C) embora.
(D) se.
(E) pois.

QUESTÃO 25 – A expressão do texto cujo sentido está corretamente indicado é:

(A) “ponderável para a época” (1o parágrafo) desprezível para o tempo.
(B) “tempos piedosos” (1o parágrafo) época fervorosa.
(C) “excessos demagógicos” (2o parágrafo) desmando político.
(D) “tendências comunistas” (2o parágrafo) incitação pública.
(E) “zelos exagerados” (2o parágrafo) aflições excessivas.

QUESTÃO 26 – Ao se transpor a frase “Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos.” (1o parágrafo) para a voz passiva analítica, o termo sublinhado assume a seguinte forma:

(A) seriam guardadas.
(B) fossem guardadas.
(C) foram guardadas.
(D) eram guardadas.
(E) são guardadas.

QUESTÃO 27 – A forma verbal destacada deve sua flexão ao termo sublinhado em:

(A) “Deu-me lá alguma cousa para guardar?” (2o parágrafo)
(B) “Sucedeu muita dessa gente ficar sem os seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à morte súbita do depositário.” (2o parágrafo)
(C) “Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco.” (1o parágrafo)
(D) “os grandes proprietários, nos seus zelos exagerados de privativismo, enterraram dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os mortos queridos.” (2o parágrafo)
(E) “Às vezes dinheiro dos outros, de que os senhores ilicitamente se haviam apoderado.” (2o parágrafo)

QUESTÃO 28 – A verve social da poesia de João Cabral de Melo Neto mostra-se mais evidente nos versos:

(A) A cana cortada é uma foice.
Cortada num ângulo agudo,
ganha o gume afiado da foice
que a corta em foice, um dar-se mútuo.
Menino, o gume de uma cana
cortou-me ao quase de cegar-me,
e uma cicatriz, que não guardo,
soube dentro de mim guardar-se.
(B) Formas primitivas fecham os olhos
escafandros ocultam luzes frias;
invisíveis na superfície pálpebras
não batem.
Friorentos corremos ao sol gelado
de teu país de mina onde guardas
o alimento a química o enxofre
da noite.
(C) No espaço jornal
a sombra come a laranja,
a laranja se atira no rio,
não é um rio, é o mar
que transborda de meu olho.
No espaço jornal
nascendo do relógio
vejo mãos, não palavras,
sonho alta noite a mulher
tenho a mulher e o peixe.
(D) Os sonhos cobrem-se de pó.
Um último esforço de concentração
morre no meu peito de homem enforcado.
Tenho no meu quarto manequins corcundas
onde me reproduzo
e me contemplo em silêncio.
(E) O mar soprava sinos
os sinos secavam as flores
as flores eram cabeças de santos.
Minha memória cheia de palavras
meus pensamentos procurando fantasmas
meus pesadelos atrasados de muitas noites.

QUESTÃO 29 – Para exprimir seu pensamento, este escritor teve de forjar uma língua que é só dele. O leitor que aborda pela primeira vez um de seus livros fica desconcertado com a obscuridade dessa língua. Mas ao mesmo tempo é subjugado, e enfeitiçado, por essa maneira inteiramente nova de dizer as coisas. E pouco a pouco tudo começa a adquirir um sentido, um sentido múltiplo, ambíguo, numa palavra, poético. Seu vocabulário é inteiramente renovado pela prática sistemática do neologismo. Todos os recursos da fonética são explorados.

(Paul Teyssier. Dicionário de literatura brasileira, 2003. Adaptado.)

O texto refere-se ao escritor

(A) Guimarães Rosa.
(B) Graciliano Ramos.
(C) Euclides da Cunha.
(D) Machado de Assis.
(E) José de Alencar.

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