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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal!

Feliz Natal a todos!

       Nesta noite de Natal, que a graça do menino Jesus leve a todas as famílias muita paz, amor e harmonia.
        
         Nas palavras de Santo Agostinho: “Fé é acreditarmos no que não vemos, a recompensa dessa fé é vermos aquilo em que acreditamos”.

"O nascimento de Jesus". Fúlvio Pennacchi.

Natal

Jesus nasceu. Na abóbada infinita
Soam cânticos vivos de alegria;
E toda a vida universal palpita
Dentro daquela pobre estrebaria...

Não houve sedas, nem cetins, nem rendas
No berço humilde em que nasceu Jesus...
Mas os pobres trouxeram oferendas
Para quem tinha de morrer na cruz.

Sobre a palha, risonho, e iluminado
Pelo luar dos olhos de Maria,
Vede o Menino-Deus, que está cercado
Dos animais da pobre estrebaria.

Não nasceu entre pompas reluzentes;
Na humildade e na paz deste lugar,
Assim que abriu os olhos inocentes
Foi para os pobres seu primeiro olhar.

No entanto, os reis da terra, pecadores,
Seguindo a estrela que ao presepe os guia,
Vem cobrir de perfumes e de flores
O chão daquela pobre estrebaria.

Sobem hinos de amor ao céu profundo;
Homens, Jesus nasceu! Natal! Natal!
Sobre esta palha está quem salva o mundo,
Quem ama os fracos, quem perdoa o mal,

Natal! Natal! Em toda a natureza
Há sorrisos e cantos, neste dia...
Salve Deus da humildade e da pobreza
Nascido numa pobre estrebaria.

(Olavo Bilac)


Leia também:

"Herbarium"— Lygia Fagundes Telles
"Brinquedos incendiados" — Cecília Meireles 

"A morte da tartaruga" — Millôr Fernandes
"Ano Novo" – Ferreira Gullar

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal!

Feliz Natal a todos!

"O nascimento de Cristo". Gerard van Honthorst.
Nas palavras de Santo Agostinho: “Fé é acreditarmos no que não vemos, a recompensa dessa fé é vermos aquilo em que acreditamos”.

Que a graça do menino Jesus ilumine todas as famílias nesta noite de Natal, levando a todos muita paz, amor e harmonia.

Litania do Natal

A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.

(José Régio, in "Filho do Homem")

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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

“Canto de Natal” – Manuel Bandeira


Canto de Natal

O nosso menino
nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
o nosso menino.
Mas a mãe sabia
que ele era divino.

Vem para sofrer
a morte na cruz
o nosso menino.
Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita
o humano destino:
Louvemos a glória
de Jesus menino.

(Manuel Bandeira)

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Leia também:

"Perguntas à Língua Portuguesa" - Mia Couto
Jorge de Sena - Poemas
"Dialogando com o público leitor" - João Ubaldo Ribeiro

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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

"Poema de Natal" - Vinicius de Moraes

Feliz Natal a todos!


Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos -
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.

Assim será a nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos -
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.

Não há muito que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez, de amor
Uma prece por quem se vai -
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.

Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte -
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinicius de Moraes)


Leia também:
"A palavra escrita no muro" - Lêdo Ivo
"Vista cansada" - Otto Lara Resende

“A hora e a vez de Augusto Matraga” – Guimarães Rosa


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