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segunda-feira, 8 de abril de 2019

Instituto Mauá – 2018 – Prova de Língua Portuguesa e Redação

Instituto Mauá de Tecnologia – Vestibular 2018 – Prova de Língua Portuguesa e Redação

REDAÇÃO

Faça sua redação, a tinta, no caderno de respostas. Utilize, caso necessário, o espaço a seguir para rascunho.

Sem ultrapassar 20 linhas, componha uma redação com o título:

Fiquei a ver navios

QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA


Atenção: o texto a seguir está relacionado às questões de números 01 a 06.

OS NAVIOS DO PIREU

– Há de lembrar-se, disse-me o alienista, daquele famoso maníaco ateniense, que supunha que todos os navios entrados no Pireu eram de sua propriedade. Não passava de um pobretão, que talvez não tivesse, para dormir, a cuba de Diógenes; mas a posse imaginária dos navios valia por todas as dracmas da Hélade. Ora bem, há em todos nós um maníaco de Atenas; e quem jurar que não possuiu, alguma vez, mentalmente, dois ou três patachos, pelo menos, pode crer que jura falso. 
– Também o senhor? Perguntei-lhe. 
– Também eu. 
– Também eu?  
– Também o senhor; e o seu criado não menos, se é seu criado que ali está sacudindo os tapetes à janela.
De fato, era um dos meus criados que batia os tapetes, enquanto nós falávamos no jardim, ao lado. O alienista notou então que ele escancarara as janelas todas desde longo tempo, que alçara as cortinas, que devassara o mais possível a sala, ricamente alfaiada, para que a vissem de fora, e concluiu: – Este seu criado tem a mania do ateniense; crê que os navios são dele; uma hora de ilusão que lhe dá a maior felicidade da terra.

(Machado de Assis)

Glossário do texto:
Alfaiar: enfeitar, adornar 
Alienista: especialista em moléstias mentais. 
Hélade: Grécia
Dracma: moeda da Grécia.   
Patacho: embarcação

Questão 01  Segundo o alienista, não fazia sentido o maníaco de Atenas ser dono dos navios por várias razões, dentre elas, a de que

A) sua saúde mental era duvidosa.
B) não possuía habilitação náutica.
C) só tinha experiência com barcos pequenos.
D) era pessoa de baixa condição social.
E) não tinha a aprovação de Diógenes.

Questão 02  Com a frase Este seu criado tem a mania do ateniense (linha 12), o alienista quis sugerir que o criado

A)  imaginava ser dono de navios.
B)  também não tinha uma cuba para dormir.
C)  imaginava ser dono da casa do patrão.
D)  tinha muito poucas dracmas.
E)  era outro marinheiro frustrado.

Questão 03  Os pronomes senhor e eu (linhas 6 a 9), no diálogo do texto, referem-se, respectivamente, às personagens

A) narrador – alienista – narrador – alienista
B) alienista - narrador – alienista  - narrador
C) narrador – narrador – alienista - alienista
D) narrador – alienista – alienista - narrador
E) alienista - alienista - narrador - narrador

Questão 04  A hipótese de que o maníaco de Atenas não tinha onde morar é 

A) do narrador.
B) de Diógenes.
C) do criado.
D) do alienista.
E) do maníaco.

Questão 05  Se você _______ o mesmo que o ateniense supunha, vai se identificar com ele. Completa-se corretamente a frase acima com a forma verbal:

A) supor.
B) supunhas.
C) supuser.
D) supuseres.
E) supondo.

Questão 06  (...) mas a posse imaginária dos navios valia por todas as dracmas. (linha 3) Substituindo-se, na frase anterior, a conjunção mas pelo advérbio talvez, o verbo valer assumirá, no tempo presente, a forma verbal

A) valha.
B) valerá.
C) valia.
D) valendo.
E) valido.


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Instituto Mauá – 2017 – Prova de Língua Portuguesa e Redação

Instituto Mauá de Tecnologia – Vestibular 2017 – Prova de Língua Portuguesa e Redação

REDAÇÃO

Sem ultrapassar 20 linhas, componha uma redação com o título:

Uma pedra no sapato

QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA

TEXTO 1

Vindo agora pela Rua da Glória, dei com sete crianças, meninos e meninas, de vário tamanho, que iam em linha, presas pelas mãos. A idade, o riso e a viveza chamaram-me a atenção, e eu parei na calçada, a fitá-las. Eram tão graciosas todas, e pareciam tão amigas que entrei a rir de gosto. Nisto ficaria a narrativa, caso chegasse a escrevê-la, se não fosse o dito de uma delas, uma menina, que me viu rir parado, e disse às suas companheiras:
- Olha aquele moço que está rindo para nós.
Esta palavra me mostrou o que são olhos de criança. A mim, com estes bigodes brancos e cabelos grisalhos, chamaram-me moço! Provavelmente dão este nome à estatura da pessoa, sem lhe pedir certidão de idade.
Elas foram saltando, parando, puxando-se à direita e à esquerda, rompendo alguma vez a linha e recosendo-a logo. Não sei onde se dispersaram; sei que daí a dez minutos não vi nenhuma delas, mas outras, sós ou em grupos de duas. Algumas destas carregavam trouxas ou cestas, que lhes pesavam à cabeça ou às costas, começando a trabalhar ao tempo em que as outras não acabavam ainda de rir. Dar-se-á que a não ter carregado nada na meninice devo eu o aspecto de “moço” que as primeiras me acharam agora? Não, não foi isso. A idade dá o mesmo aspecto às coisas; a infância vê naturalmente verde. Também estas, se eu risse, achariam que “aquele moço ria para elas”, mas eu ia sério, pensando, acaso doendo-me de as sentir cansadas; elas, não vendo que os meus cabelos brancos deviam ter-lhes o aspecto de pretos, não diziam coisa nenhuma, foram andando e eu também.

(Machado de Assis)

Questão 01 – Na opinião do narrador, uma das crianças o chamou de moço, provavelmente, em razão

A) da cor de seu bigode.
B) da cor de seus cabelos.
C) de sua certidão de nascimento.
D) de seu tamanho.
E) do seu jeito de rir.

Questão 02 – Segundo o texto, o narrador

A) teve uma infância parecida com a das crianças que ele viu primeiro.
B) recordou-se de sua própria infância ao ver as crianças trabalhando.
C) foi alvo de riso dos dois grupos de crianças por ter os cabelos brancos.
D) ficou alegre de ver as crianças carregarem tanto peso.
E) também via tudo com otimismo, quando criança.

Questão 03 – Com a expressão: “acaso doendo-me de as sentir cansadas”, o narrador mostra-se

A) indiferente à sorte das crianças.
B) ressentido com as crianças.
C) sensibilizado com as crianças que trabalhavam.
D) impiedoso com as crianças que brincavam.
E) zangado com a criança que o chamou de moço.

Questão 04 – Das orações a seguir, do primeiro parágrafo, a que indica consequência está na alternativa

A) “vindo agora pela Rua da Glória”.
B) “caso chegasse a escrevê-la”.
C) “que me viu rir parado”.
D) “que entrei a rir de gosto”.
E) “eram tão graciosas todas”.

TEXTO 2

No meio do caminho

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Questão 05 – Identifique o autor do poema do Texto 2.

A) Vinícius de Moraes.
B) Mário de Andrade.
C) Carlos Drummond de Andrade.
D) Oswald de Andrade.
E) Cecília Meireles.

Questão 06 – Se no poema do Texto 2, a pedra no caminho simboliza algo que incomodou o poeta, pode-se dizer que, para o narrador do Texto 1, a pedra foi

A) encontrar-se com as crianças que brincavam.
B) ter os bigodes brancos e os cabelos grisalhos.
C) descobrir que a infância vê naturalmente verde.
D) não ter disfarçado a cor de seus cabelos.
E) ver crianças sem tempo de brincar.

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sábado, 1 de setembro de 2018

Instituto Mauá – 2016 – Prova de Língua Portuguesa e Redação

Instituto Mauá de Tecnologia – Vestibular 2016 – Prova de Língua Portuguesa e Redação

REDAÇÃO

Sem ultrapassar 20 linhas, componha uma redação com o título:

Era um bilhetinho de amor

QUESTÕES DE MÚLTIPLA ESCOLHA

O texto a seguir serve de base para as questões 01 a 05.

A carteira

(...)
- Tu agora vais bem, não? Dizia-lhe ultimamente o Gustavo C..., advogado e familiar da casa.
- Agora vou, mentiu o Honório.
A verdade é que ia mal. Poucas causas, de pequena monta, e constituintes remissos; por desgraça perdera ultimamente um processo em que fundara grandes esperanças. Não só recebeu pouco, mas parece que ele lhe tirou alguma coisa à reputação jurídica; em todo caso, andavam mofinas nos jornais.
D. Amélia não sabia nada; ele não contava nada à mulher; bons ou maus negócios.
(...)
Esquadrinhou os bolsos da carteira. Achou cartas, que não abriu, bilhetinhos dobrados, que não leu, e por fim um cartão de visita; leu o nome; era do Gustavo. Mas então, a carteira?... Examinou-a por fora e pareceu-lhe efetivamente do amigo. Voltou ao interior; achou mais dois cartões, mais três, mais cinco. Não havia duvidar; era dele.
A descoberta entristeceu-o. Não podia ficar com o dinheiro, sem praticar um ato ilícito e, aquele caso, doloroso a seu coração, porque era em dano de um amigo. Todo castelo levantado esboroou-se como se fosse de cartas. Bebeu a última gota de café, sem reparar que estava frio. Saiu, e só então reparou que era quase noite. Caminhou para casa. Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dois empurrões, mas ele desistiu.
Paciência, disse ele consigo; verei amanhã o que posso fazer.
Chegando a casa, já ali achou o Gustavo um pouco preocupado, e a própria D. Amélia o parecia também. Entrou rindo e perguntou ao amigo se lhe faltava alguma coisa.
- Nada.
- Nada?
- Por quê?
- Mete a mão no bolso; não te falta nada?
- Falta-me a carteira, disse o Gustavo sem meter a mão no bolso. Sabes se alguém a achou?
- Achei-a eu, disse Honório entregando-lha.
Gustavo pegou dela precipitadamente e olhou desconfiado para o amigo. Esse olhar foi para Honório como um golpe de estilete; depois de tanta luta com a necessidade, era um triste prêmio. Sorriu amargamente; e como o outro lhe perguntasse onde a achara, deu-lhe as explicações precisas.
- Mas conheceste-a?
- Não; achei os teus bilhetes de visita.
Honório deu duas voltas e foi mudar de toalete para o jantar. Então Gustavo sacou novamente a carteira, abriu-a, foi a um dos bolsos, tirou um dos bilhetinhos, que o outro não quis abrir nem ler e estendeu-o a D. Amélia, que, ansiosa e trêmula, rasgou-o em trinta mil pedaços: era um bilhetinho de amor.

(Machado de Assis)

Questão 01 - Com base no texto, pode-se afirmar que uma das razões por que Honório não se apropriou do dinheiro que estava na carteira foi por

A) ressentimento com a traição de D. Amélia.
B) respeito à classe dos advogados.
C) desdém ao valor que havia nela.
D) seu espírito de lealdade.
E) zelo pela reputação jurídica.

Questão 02 - Segundo o narrador, a identificação do dono da carteira Honório obteve

A) pelos bilhetinhos dobrados.
B) graças à leitura das cartas.
C) pelos cartões de visita.
D) pela marca da carteira.
E) por mera casualidade.

Questão 03 - No texto, a frase Parece que a necessidade ainda lhe deu uns dois empurrões incentivava Honório a

A) devolver a carteira.
B) ficar com a carteira.
C) não praticar ilícitos.
D) não lesar o amigo.
E) reler as cartas.

Questão 04 - A expressão no final do texto “rasgou-o em trinta mil pedaços” é uma figura de linguagem denominada

A) hipérbole.
B) antítese.
C) eufemismo.
D) aliteração.
E) pleonasmo.

Questão 05 - Segundo a norma culta, está correta a frase:

A) Prefiro mais a atitude de Honório que a do Gustavo.
B) Derrepente resolveu ir à casa e mudar de toalete.
C) Machado quis informar-lhes de que a ética é fundamental.
D) Cartas, bilhetinhos, cartão de visita, nada indicavam o dono
da carteira.
E) Entre Gustavo e mim há muita diferença, Amélia.

Questão 06 - As estrofes I e II a seguir são, respectivamente, dos poetas

ESTROFE I

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.

ESTROFE II

Vou-me embora pra Pasargada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasargada

A) Vinícius de Moraes e Carlos Drummond de Andrade.
B) Manuel Bandeira e Augusto dos Anjos.
C) Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira.
D) Oswald de Andrade e João Cabral de Melo Neto.
E) João Cabral de Melo Neto e Vinícius de Moraes.

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