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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Tema de redação — ESPM — 1º Semestre de 2013

Tema de redação — ESPM — 1º Semestre de 2013


PROVA DE REDAÇÃO

TEMA 1

O BRASILEIRO TEM PAIXÃO PELO LUXO

            “No Brasil,a classe C tem estabelecido padrões culturais,como na música,que estão sendo adota­dos pelos mais ricos,um fenômeno que não é exclusivo do Brasil. Ele acontece em outro países também, a exemplo da China, e é um reflexo do novo significado do luxo.
            Hoje não há mais regras para o consumo do luxo, já que ele se traduz como uma expressão do individualismo. Cada um tem a sua ideia do que seja luxo. E é aí que entram as expressões culturais das camadas populares e experiências singulares, como, por exemplo, comer um prato típico em uma favela do Rio de Janeiro, o que já se tornou um programa turístico ou de ricos excêntricos.”

Gilles Lipovetsky – Revista ISTOÉ – 15/8/2012.

PROPOSTA: Elabore um texto dissertativo que apresente as suas considerações sobre a seguinte afirmação: “Os desejos de consumo das pessoas não estão mais fechados em códigos ligados a determinadas classes sociais.”

TEMA 2

O ESPETÁCULO DO SOFRIMENTO

            “Por mais que as imagens espetaculares dos vencedores tenham sido repetidas para 1,5 bilhão de pessoas, a Olimpíada é também o espetáculo da angústia e do sofrimento.Por que Diego Hypólito,que de novo falhou grosseiramente em uma Olimpíada,foi tão perseguido nas redes sociais depois de deixar escapar a chance de disputar uma medalha? Sua queda teve a mesma visibilidade do ouro de Arthur Zanetti,ele também um ginasta. Se fosse possível fazer uma escala dos acontecimentos olímpicos mais comentados pelos brasileiros,a desistência de Fabiana Murer,que colocou a culpa no vento para seu fracasso,provavelmente estaria no topo. Daqui a dois anos,pouca gente se lembrará do título de Sarah Menezes no judô. Mas ninguém vai esquecer do desastre protagonizado por Fabiana.”

Amauri Segalla – Revista ISTOÉ – Outubro/2012.

PROPOSTA: Com base nas informações apresentadas e em outras de seu conhecimento, elabore um texto dissertativo que apresente algumas considerações acerca da seguinte questão: “O que explica o fato de algumas derrotas repercutirem mais do que vitórias ?”

ORIENTAÇÕES:

ü    Escolha um dos temas acima e desenvolva uma dissertação com o mínimo de 20 linhas e o máximo de 30 linhas, considerando-se letra de tamanho regular.
ü Assinale o tema escolhido (1 ou 2) nos quadradinhos correspondentes (próxima página).
ü Dê um título sugestivo e criativo à sua redação.
ü Defenda ou refute as ideias apresentadas através de uma dissertação integrada, coeren­te, organizada e estruturada. Fundamente suas ideias com argumentos, sem sair do tema. Aderência ao tema é um dos itens de avaliação.
ü Importante: Não há uma resposta ou alternativa certa ou errada a ser encontrada. Não vamos julgar suas opiniões, mas sua capacidade de análise e argumentação.


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PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 2º Semestre de 2014

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 2º Semestre de 2014


Texto para as questões 1 a 3:

ROLEZINHOS

            Uma amiga me diz que ela passeia pelos shoppings para ter a impressão de estar fora do Brasil, ou seja, num espaço público que não seja ansiógeno1 e violento. Claro, é uma ilusão fugaz; basta olhar para as vitrines para constatar que tudo é brutalmente mais caro do que no exterior - pelos impostos, pela produtividade medíocre ou pela corrupção endêmica, tanto faz. Mesmo assim, insiste mi­nha amiga, a ilusão de civilidade é um alívio. Hoje, à brutalidade de impostos, cor­rupção e mediocridade produtiva acrescen­tam-se os “rolezinhos” dos jovens da perife­ria. O que eles querem, afinal? Talvez eles gostem de apavorar. Não se­ria de se estranhar. É um axioma2: para quem vive na incerteza (de seu status, do reconhe­cimento dos outros, de seu lugar no mundo), apavorar é um jeito de encontrar no medo dos outros uma confirmação de sua própria relevância. Apavoro, logo existo: espelho-me na preocupação dos seguranças e na cara fechada dos clientes que voltam correndo para o estacionamento. Mas apavorar é um efeito colateral. Os jovens dos «rolezinhos» pedem sobretudo uma bola branca: a admissão ao clube. A prova, a roupa que eles preferem e que grita para ser reconhecida como luxo.Tudo bem, alguém perguntará, eles pedem acesso a quê? À classe privilegiada? Ao consumo de quem tem grana? Não acredito em nada disso, aposto que eles pedem acesso ao próprio lugar para o qual eles vão: eles pedem acesso ao shop­ping. O que esse lugar tem de mágico? De desejável? Qual é seu valor simbólico? Na nossa cultura (justamente pela qua­se inexistência de espaços públicos minima­mente frequentáveis, ou seja, pelo horror que a rua é para todos, ricos e pobres), os shop­pings integram a lista histórica dos refúgios.

(Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo, 06.02.2014, adaptado) ¹ansiógeno: que gera ansiedade 2axioma: premissa admitida universal­mente como verdadeira, sem exigência de demonstração; máxima; sentença

Questão 1 - Segundo o texto, o autor:

a) concorda com a amiga, ao ver o shopping como um espaço público que passa a ilu­são de um lugar sem violência.
b) olha para as vitrines dos shoppings e tam­bém tem a sensação de estar fora do país.
c) responsabiliza impostos, produtividade me­díocre e corrupção endêmica por desfaze­rem a imagem de civilidade de um shopping.
d) reconhece ser uma ilusão achar que os preços dos produtos no Brasil seriam me­nores do que os do exterior.
e) aponta o preço dos produtos daqui como um dos fatores para se perceber a ilusão efêmera que é um shopping.

Questão 2 - Ainda segundo o texto, o autor entende que:

a) os “rolezinhos” dos jovens da periferia também são um fator contribuinte para a desilusão representada por um shopping.
b) aterrorizar os outros seria uma forma ine­ficaz de os jovens da periferia obterem a dimensão da própria existência.
c) instaurar medo nos clientes é um modo de enfatizar uma importância já reconhe­cida pela sociedade.
d) torna-se uma verdade universal o fato de os jovens da periferia não terem status, re­conhecimento e lugar no mundo.
e) os “rolezinhos” dos jovens da periferia são protestos injustos por parte daqueles que não são excluídos da sociedade con­sumidora.

Questão 3 - O autor acredita que o shopping:

a) torna-se uma opção mais atraente do que as ruas horrorosas sem espaço para po­bres.
b) representa historicamente um lugar públi­co frequentável apenas pelos mais ricos.
c) simboliza um espaço reivindicado pelos jovens que desejam ascender à classe alta.
d) passa a ser um refúgio para os jovens da periferia, espaço do qual eles ainda não se sentem detentores.
e) possui um aspecto quase mágico que passa a ser um espaço público desejável por todos.

Texto para as questões de 4 a 7:

            No terceiro século do domínio portu­guês é que temos um afluxo maior de imi­grantes para além da faixa litorânea, com o descobrimento do ouro das Gerais (...) E mesmo essa emigração faz-se largamente a despeito de ferozes obstruções artificial­mente instituídas pelo governo; os estrangei­ros, então, estavam decididamente excluídos delas (apenas eram tolerados – mal tolera­dos – os súditos das nações amigas: ingleses e holandeses), bem assim como os monges; considerados piores contraventores das de­terminações régias, os padres sem empre­go, os negociantes estalajadeiros, todos os indivíduos enfim que pudessem não ir ex­clusivamente a serviço da insaciável avidez da metrópole. Em 1720 pretendeu-se mesmo fazer uso de um derradeiro recurso, o da proibi­ção de passagens para o Brasil. Só as pes­soas investidas de cargo público poderiam embarcar com destino à colônia. Não acom­panhariam esses funcionários mais do que os criados indispensáveis. Dentre os eclesi­ásticos podiam vir os bispos e missionários, bem como os religiosos que já tivessem pro­fessado no Brasil e precisassem regressar aos seus conventos. Finalmente seria dada a licença excepcionalmente a particulares que conseguissem justificar a alegação de terem negócios importantes, e comprome­tendo-se a voltar dentro de prazo certo.

(Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil)

Questão 4  Do texto, pode-se afirmar que a política de colonização:

a) orientava-se sobretudo por estímulos concedidos à vinda de comerciantes es­trangeiros dos países amigos.
b) procurava atender às necessidades e prioridades estabelecidas pela coroa portuguesa.
c) buscava distinguir entre os padres de maus costumes e o clero engajado na prestação de serviços políticos.
d) obedecia a critérios casuísticos e de­monstrava repugnância pelos forasteiros, sobretudo ingleses e holandeses..
e) tinha como único alvo assentar aqui o con­junto de instituições e grupos sociais exis­tentes na metrópole.

Questão 5 - A proibição que se pretendeu impor em 1720 isentava apenas:

a) funcionários públicos, monges e comer­ciantes estalajadeiros.
b) detentores de cargos públicos, ingleses e membros do clero atuantes na colônia.
c) eclesiásticos com tarefas na colônia, fun­cionários públicos graduados e particula­res com seus criados.
d) autoridades públicas e seus acompa­nhantes, padres sem emprego e alguns negociantes de peso.
e) representantes da coroa, bispos e missio­nários e comerciantes sob a condição de voltar.

Questão 6 - As medidas em relação ao clero:

a) não discriminavam seus integrantes con­forme as posições ocupadas na hierar­quia eclesiástica.
b) distinguiam os padres que transgrediam as determinações da coroa daqueles que estavam desempregados.
c) privilegiavam os ocupantes de posições episcopais e aqueles dedicados ao traba­lho realizado no Brasil.
d) estabeleciam divisão nítida entre os qua­dros do clero secular e os integrantes das ordens religiosas.
e) davam prioridade àqueles padres que ti­vessem negócios na colônia e que tives­sem um nível razoável de renda.

Questão 7 - A corrida para o interior do país por causa do ouro se fez:

a) com apoio político da coroa portuguesa.
b) por pressão dos ingleses e holandeses.
c) mesmo com os obstáculos impostos pelo governo.
d) com os estrangeiros a serviço da metró­pole.
e) com a ajuda de monges e padres desem­pregados.

A escola e outras instituições – edito­ras, jornais etc. – “precisam” ou pensam que precisam uniformizar a língua. Se pudessem, uniformizariam também nosso pensamento. As gramáticas e dicionários não são “insti­tuições” revolucionárias. Pelo contrário. Por exemplo, não só ensinam que “obedecer” é um verbo transitivo indireto (...), como seus exemplos também são “educativos”, do tipo “Devemos obedecer às ordens”. 

(Sírio Possenti, terramagazine.terra.com.br/blogdo­sírio)

Questão 8 - Segundo o texto, o autor:

a) apoia as escolas e todas as instituições que exerçam um modo revolucionário de pensar a língua.
b) vê nas escolas, editoras e jornais a mesma postura conservadora das gramáticas e dicionários no tocante à língua.
c) reconhece a necessidade de um cunho ideológico nas frases usadas como exem­plos gramaticais.
d) critica a escola e outras instituições por não promoverem a uniformização da língua.
e) utiliza aspas em vocábulos e frase para in­dicar, em todos os casos, uma conotação irônica.

Questão 9 - Em uma das manchetes de jornal, é possível fazer dupla leitura. Aponte-a:

a) Árbitro que errou em jogo no Rio denuncia ameaças de torcedores à polícia.
b) Governo suspende venda de 111 planos de saúde de 47 operadoras.
c) Governo quer proibir uso de máscaras e fazer apreensão de câmeras durante protestos.
d) Despesas com habitação pressionam cus­to de vida da população paulistana.
e) Pequenas e médias empresas são foco de apenas 20% dos jovens brasileiros inician­tes no mercado.

Questão 10 - A charge acima faz alusão:

a) à harmonia política entre presidenta e po­líticos do Congresso.
b) à submissão da presidenta em relação a um partido oposicionista.
c) à dificuldade de relacionamento entre go­verno e partido aliado.
d) ao excesso de autonomia nos ministérios por parte dos políticos aliados.
e) à barganha política por meio de loteamen­to de cargos pelo partido da base aliada.


Questão 11 - Causada pelo vírus VHA, a hepatite A pode ser transmitida também por meio de _____________________________ .
Segundo a norma padrão, o espaço só não poderia ser preenchido com:

a) alimento e água contaminada
b) alimento e água contaminados
c) água e alimento contaminado
d) água e alimento contaminados
e) alimento e água contaminadas

Questão 12 - Uma das frases apresenta uma transgressão de Regência Verbal, segundo a norma culta. Indique-a:

a) Os novos ministros do STF alegam que os crimes foram cometidos em coautoria, o que não implica num novo delito, como formação de quadrilha.
b) Obama prefere espionagem e veícu­los aéreos não tripulados a soldados em campo.
c) Maduro assiste impotente à inflação mais alta da América Latina - 56% no ano pas­sado.
d) Com a falta de chuvas, seguro do gover­no federal assiste financeiramente famílias que vivem só da pesca.
e) A cirurgia plástica não visa só ao rejuve­nescimento, mas também a tratamentos reparadores.

Questão 13 - Sobre a frase "A imprensa publica o que ouve e não o que houve.", atribuída ao poeta e escritor modernista Oswald de Andrade, assinale a afirmação incorreta:

a) critica a falta de comprovação dos fatos por parte da imprensa.
b) subentende que a verdade da imprensa não corresponde aos fatos.
c) estabelece um jogo de palavras com vo­cábulos homófonos. d) recorre também a vocábulos parônimos.
e) faz um trocadilho constituindo a figura de linguagem chamada paronomásia.

Questão 14 - Em todos os itens, constata-se a figura de linguagem denominada SINESTESIA, exceto em um. Indique-o:

a) “Agora o cheiro áspero das flores / leva­-me os olhos por dentro de suas pétalas.”
(Cecília Meireles)
b) “...com os seus grandes e belos olhos, que davam uma sensação singular de luz úmida; eu deixei-me estar a vê-los...”
(Machado de Assis)
c) “Grifam-me sons de cor e de perfumes, / Ferem-me os olhos turbilhões de gu­mes,...”
(Mário de Sá-Carneiro)
d) “Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / Brancas sonoridades de cascatas...”
(Cruz e Sousa)
e) “Eu preparo uma canção, / em que minha mãe se reconheça / todas as mães se re­conheçam / e que fale como dois olhos.”
(C.Drummond de Andrade)

Questão 15 - Considerado pelo narrador como “vadio­-mestre”, “vadio-tipo”, no final, Leonardo sai da prisão, é promovido a sargento de milícias e casa-se com moça de boa con­dição social. Um jogo dúbio a que Antonio Candido chamou de “dialética da malan­dragem”. Poderíamos estabelecer um pa­ralelismo temático entre esse quadro e os versos a seguir:

a) “e, para mais m’espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos”
(Camões)
b) “Que os brasileiros são bestas
E estarão a trabalhar
Toda a vida por manter
Maganos [malandros] de Portugal”
(Gregório de Matos)
c) “Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!”
(Álvaro de Campos)
d) “Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!”
(Mário de Andrade)
e) “Amigo Doroteu, prezado amigo,
Abre os olhos, boceja, estende os braços
E limpa, das pestanas carregadas,
O pegajoso humor, que o sono ajunta”
(Tomás Ant. Gonzaga)

Ora, suposto que já somos pó, e não pode deixar de ser, pois Deus o disse; perguntar-me-eis, e com muita razão, em que nos distin­guimos logo os vivos dos mortos? Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos mortos, assim como e distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mor­tos são pó caído; os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz: “Hic jacet”¹.

(Pe. Antônio Vieira, Sermão da Quarta-Feira de Cinza) 1“Hic jacet”: aqui jaz

Questão 16 - Padre Vieira, maior orador sacro da língua portuguesa, produziu mais de 200 sermões. Percebem-se no texto um tom oral ou carac­terísticas do discurso falado devido:

a) ao uso intensivo da metáfora do “pó”.
b) à repetição enfática de palavras e ao uso da expressão "ora".
c) ao desenvolvimento de um raciocínio ló­gico-dedutivo sobre a condição humana.
d) ao uso de um jogo de palavras e às cons­truções anafóricas.
e) ao rebuscamento da linguagem e ao uso de frase em latim.

Texto para as questões de 17 a 20: 

– Travessa? – disse eu. – Pois já não está em idade própria ao que parece. – Quantos lhe dá? – Dezessete. – Menos um. – Dezesseis. Pois então! É uma moça. Não pôde Eugênia encobrir a satisfa­ção que sentia com esta minha palavra, mas emendou-se logo, e ficou como dantes, ereta, fria e muda. Em verdade, parecia ainda mais mulher do que era; seria criança nos seus fol­gares de moça: mas assim quieta, impassível, tinha a compostura de mulher casada. Talvez essa circunstância lhe diminuía um pouco da graça virginal. Depressa nos familiarizamos; a mãe fazia-lhe grandes elogios, eu escutava­-os de boa sombra, e ela sorria, com os olhos fúlgidos, como se lá dentro do cérebro lhe estivesse a voar uma borboletinha de asas de ouro e olhos de diamante...

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Questão 17 - O comentário sobre a idade, fez com que Eugênia tivesse uma reação inicial de pes­soa:

a) escabreada   b) recompensada   c) ressabiada   d) lisonjeada   e) impassível

Questão 18 - Pode-se constatar pelo texto que Eugênia:

a) alternava satisfação e alegria com frieza e mudez. b) alheia a tudo, fingia ser uma mulher casa­da.
c) conservou-se calada, mas sua imaginação ia longe.
d) era uma mulher casada que dissimulava um ar virginal.
e) era uma moça que intelectualmente se comportava como uma criança.

Questão 19 -De acordo com o texto, Eugênia:

a) tinha dezessete anos, mas queria enco­brir sua verdadeira idade.
b) é uma personagem que não participou do diálogo.
c) era pródiga na conversação com seus fa­miliares.
d) sorria toda vez que o assunto se referia a sua idade.
e) fez o narrador se familiarizar rápido com a mãe.

Questão 20 - O trecho: “como se lá dentro do cérebro lhe estivesse a voar uma borboletinha de asas de ouro e olhos de diamante...”pode ser entendido como uma ironia ao:

a) rebuscamento barroco
b) bucolismo árcade
c) devaneio romântico
d) preciosismo parnasiano
e) inconsciente simbolista

Leia também:

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 1º Semestre de 2014

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Texto: "A descoberta do mundo" — Clarice Lispector

A descoberta do mundo

        O que eu quero contar é tão delicado, é tão delicado quanto a própria vida. E eu queria poder usar delicadeza que também tenho em mim, ao lado da grossura de camponesa que é o que me salva.
        Quando criança, e depois adolescente, fui precoce em muitas coisas. Em sentir um ambiente, por exemplo, em aprender a atmosfera íntima de uma pessoa. Por outro lado, longe de precoce, estava em incrível atraso em relação a outras coisas importantes. Continuo aliás atrasada em muitos terrenos. Nada posso fazer: parece que há em mim um lado infantil que não cresce jamais. 
"Where dreams begin". Josef Kote.
       Até mais que treze anos, por exemplo, eu estava em atraso quanto ao que os americanos chamam de fatos da vida. Essa expressão se refere à relação profunda de amor entre um homem e uma mulher, da qual nascem os filhos. Ou será que eu adivinhava mas turvava minha possibilidade de lucidez para poder, sem me escandalizar comigo mesmo, continuar em inocência a me enfeitar para os meninos? Enfeitar-me aos onze anos de idade consistia em lavar o rosto tantas vezes até que a pele esticada brilhasse. Eu me sentia pronta, então. Seria minha ignorância um modo sonso e inconsciente de me manter ingênua para poder continuar, sem culpa, a pensar nos meninos? Acredito que sim. Porque eu sempre soube coisas que nem eu mesma sei que sei.
       As minhas colegas de ginásio sabiam de tudo e inclusive contavam anedotas a respeito. Eu não entendia mas fingia compreender para que elas não me desprezassem e à minha ignorância.
        Enquanto isso, sem saber da realidade, continuava por puro instinto a flertar com os meninos que me agradavam, a pensar neles. Meu instinto precedera a minha inteligência.
        Até que um dia, já passados os treze anos, como se só então eu me sentisse madura para receber alguma realidade que me chocasse, contei a uma amiga íntima o meu segredo: que eu era ignorante e fingira de sabida. Ela mal acreditou, tão bem eu havia fingido. Mas terminou sentindo minha sinceridade e ela própria encarregou-se ali mesmo na esquina de me esclarecer o mistério da vida. Só que também ela era uma menina e não soube falar de um modo que não ferisse a minha sensibilidade de então. Fiquei paralisada olhando para ela, misturando perplexidade, terror, indignação, inocência mortalmente ferida. Mentalmente eu gaguejava: mas por quê? Mas por quê? O choque foi tão grande – e por uns meses traumatizante – que ali mesmo na esquina jurei alto que nunca iria me casar.
        Embora meses depois esquecesse o juramento e continuasse com meus pequenos namoros.
        Depois, com o decorrer de mais tempo, em vez de me sentir escandalizada pelo modo como uma mulher e um homem se unem, passei a achar esse modo de uma grande perfeição. E também de grande delicadeza. Já então eu me transformara numa mocinha alta, pensativa, rebelde, tudo misturado a bastante selvageria e muita timidez.
        Antes de me reconciliar com o processo da vida, no entanto, sofri muito, o que poderia ter sido evitado se um adulto responsável se tivesse encarregado de me contar como era o amor.
        Esse adulto saberia como lidar com uma alma infantil sem martirizá-la com a surpresa, sem obrigá-la a ter toda sozinha que se refazer para de novo aceitar a vida e os seus mistérios.
        Porque o mais surpreendente é que, mesmo depois de saber de tudo, o mistério continua intacto. Embora eu saiba que de uma planta brota um flor, continuo surpreendida com os caminhos secretos da natureza. E se continuo até hoje com pudor não é porque ache vergonhoso, é pudor apenas feminino.
        Pois juro que a vida é bonita.

(Clarice Lispector, in “A descoberta do mundo”)


Leia também:

"O livro da solidão" — Cecília Meireles
"Rigoletto de lança-perfume" — Nelson Rodrigues
Papos" — Luis Fernando Veríssimo
"O salto" — Antonio Prata


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segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2010

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2010

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 1 a 5.

FILME

Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. Cinema era coisa que
ele adorava, sempre sonhara em se tornar cineasta; não o conseguira, claro, mas queria que a
filha partilhasse sua paixão, com o que se sentiria, de certa forma, indenizado pelo destino. Uma
responsabilidade que só fazia aumentar o verdadeiro terror que Berenice sentia quando se aproximava
05 o sábado, dia que habitualmente o pai, homem muito ocupado, escolhia para a sessão cinematográfica
semanal. À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa;
e quando o pai, chegado o sábado, finalmente lhe dizia, está na hora, vamos, ela frequentemente se
punha a chorar e mais de uma vez caíra de joelhos diante dele, suplicando, não, papai, por favor, não
faça isso comigo. Mas o pai, que era um homem enérgico e além disso julgava ter o direito de exigir
10 da filha que o acompanhasse (viúvo desde há muito, criara Berenice sozinho e com muito sacrifício),
mostrava-se intransigente: não tem nada disso, você vai me acompanhar. E ela o fazia, em meio a
intenso sofrimento.
Por fim, aprendeu a se proteger. Ia ao cinema, sim. Mas antes que o filme começasse, corria ao
banheiro, colocava cera nos ouvidos. Voltava ao lugar, e mal as luzes se apagavam cerrava firmemente
15 os olhos, mantendo-os assim durante toda a sessão. O pai, encantado com o filme, de nada se
apercebia; tudo o que fazia era perguntar a opinião de Berenice, que respondia, numa voz neutra
mas firme:
- Gostei. Gostei muito.
Era de outro filme que estava falando, naturalmente. Um filme que o pai nunca veria.

MOACYR SCLIAR - In: Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Questão 01  - Em certo momento do texto, percebe-se a introdução da fala das personagens mesclada à fala do narrador. A presença do diálogo nesta narrativa tem como principal efeito:

(A) marcar a aceleração do tempo
(B) evidenciar o conflito entre as personagens
(C) promover a alternância do foco narrativo
(D) assinalar a sequenciação dos elementos do enredo

Questão 02 - Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. (l. 1)
O período acima pode ser reescrito, mantendo-se seu sentido original, da seguinte forma:

(A) Como Berenice não gostava de ir ao cinema, o pai a levava à força.
(B) Quando Berenice não gostava de ir ao cinema, o pai a levava à força.
(C) Enquanto o pai a levava à força, Berenice não gostava de ir ao cinema.
(D) À proporção que o pai a levava à força, Berenice não gostava de ir ao cinema.

Questão 03 - Por fim, aprendeu a se proteger. (l. 13)
A forma de proteção desenvolvida por Berenice reforça um traço temático central do texto.
A palavra que melhor define esse traço é:

(A) submissão (B) intolerância (C) dissimulação (D) incomunicabilidade

Questão 04 - À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa; (l. 6) A expressão grifada contribui para a construção da tensão narrativa, porque está relacionada com:

(A) a passagem do tempo                (B) a complicação crescente
(C) o desfecho surpreendente     (D) a evolução da personagem

Questão 05 - Era de outro filme que estava falando, naturalmente. (l. 19) Neste trecho, o termo em destaque cumpre a função de:

(A) afirmar ponto de vista         (B) projetar ideia de modo
(C) revelar sentimento oculto     (D) expressar sentido reiterativo

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 6 a 8.

www2.uol.com.br/laerte/tiras/overman

Questão 06 - No contexto, a comparação entre o primeiro e o último quadrinho produz humor. A produção de humor se deve ao seguinte recurso:

(A) destaque de uma situação embaraçosa            (B) demonstração de uma atitude caricatural
(C) desconstrução de uma expectativa do leitor    (D) negação de uma característica do personagem

Questão 07 - ... mal posso acreditar que acabo de inventá-la! Tendo em vista o conjunto dos efeitos verbais e não verbais expressos no último quadrinho, pode-se dizer que o conectivo mal contribui para exprimir sentido de:

(A) horror e descrença (B) dor e desesperança (C) surpresa e desencanto (D) constatação e desespero
Questão 08 - Para melhor compreensão da tira, o leitor precisa reconhecer alguns elementos implícitos. O fragmento que torna mais evidente essa necessidade é:

(A) “Minha inimiga mais terrível... a LOUVA DEUSA!”
(B) “Uma assassina fria e cruel!”
(C) “... os que sobrevivem ao seu ataque... têm inveja dos que morrem!”
(D) “... seus poderes são sobre-humanos!!”

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 9 A 13.

Existe sempre um conceito por trás do que faço, só que nem sempre a montagem se completa. Os
conceitos se escondem no subconsciente. Ziguezagues que atordoam.
Quando o xadrez funciona, o conceito é formado por encaixes eliminando a importância exagerada que
poderia ser dada a certas fotos mais formais.
Não são acasos felizes, pois, desde o começo de um projeto, uma ideia já existe; apenas ela é flexível e
se deixa impregnar pela existência das pessoas fotografadas. O interessante é fazer a matéria externa
vibrar em toda sua força de maneira que seja espelho de minhas intenções, sem deixar de ser espelho
da vida. CORAÇÃO ESPELHO DA CARNE.
Edward Weston diz nos “Notebooks” que “a câmera deve ser usada para documentar a vida”. Documentar
no sentido íntegro, não o bater chapa automático de algum acontecimento mais importante histórico
ou socialmente, porém o documento de vida. Diria que revelar essa vida, essa força, é o essencial,
pois de qualquer forma documento sempre será a foto tomada. Ele continua: “rendendo a verdadeira
substância da coisa em si, seja ela aço polido ou carne palpitante”.

MIGUEL RIO BRANCO (fotógrafo) - Notes on the tides. Rio de Janeiro: Sol Gráfica , 2006.

Questão 09 - de maneira que seja espelho de minhas intenções, sem deixar de ser espelho da vida. (l. 7-8). O significado essencial do fragmento destacado acima também pode ser observado em:

(A) Os conceitos se escondem no subconsciente. (l. 1-2)
(B) Quando o xadrez funciona, o conceito é formado por encaixes (l. 3)
(C) pois, desde o começo de um projeto, uma ideia já existe; (l. 5)
(D) e se deixa impregnar pela existência das pessoas fotografadas. (l. 5-6)

Questão 10 - O autor afirma que o processo da criação artística parte de um conceito. No texto, o sentido dado à palavra “conceito” se opõe a:

(A) subconsciente (l. 2)    (B) fotos (l. 4)    (C) acasos (l. 5)    (D) pessoas (l. 6)

Questão 11 -  “rendendo a verdadeira substância da coisa em si, seja ela aço polido ou carne palpitante”. (l. 12-13) O emprego do conectivo grifado, no contexto, explica-se porque:

(A) revela ideias excludentes entre si                    (B) expressa fatos em sequência cronológica
(C) representa acontecimentos em simultaneidade  (D) enfatiza a existência de mais de uma alternativa

Questão 12 - Existe sempre um conceito por trás do que faço, só que nem sempre a montagem se completa. (l. 1) Em relação ao que foi dito anteriormente, o uso da expressão destacada tem o valor de:

(A) realce     (B) ressalva     (C) exclusão     (D) contestação

Questão 13 - O texto apresenta algumas figuras de estilo, como, por exemplo, a metáfora. O par de vocábulos com emprego metafórico está indicado em:

(A) ziguezagues (l. 2) - xadrez (l. 3)         (B) subconsciente (l. 2) - espelho (l. 7)
(C) matéria (l. 6) - carne (l. 8)                (D) substância (l. 13) - aço (l. 13)

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 14 e 15.

Não-coisa

O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.
Uma fruta uma flor
um odor que relume...
Como dizer o sabor,
seu clarão seu perfume?
Como enfim traduzir
na lógica do ouvido
o que na coisa é coisa
e que não tem sentido?
A linguagem dispõe
de conceitos, de nomes
mas o gosto da fruta
só o sabes se a comes
(...)
No entanto, o poeta
desafia o impossível
e tenta no poema
dizer o indizível:
subverte a sintaxe
implode a fala, ousa
incutir na linguagem
densidade de coisa
sem permitir, porém,
que perca a transparência
já que a coisa é fechada
à humana consciência.
O que o poeta faz
mais do que mencioná-la
é torná-la aparência
pura – e iluminá-la.
Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,
a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
– essa voz somos nós.

Ferreira Gullar - Cadernos de literatura brasileira. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1998.

Questão 14 - A primeira estrofe expõe ideias no campo da metalinguagem, já que apresenta concepções acerca da própria linguagem poética. Os versos que mais se aproximam dessas ideias são:

(A) Uma fruta uma flor / um odor que relume... (l. 5-6)
(B) sem permitir, porém, / que perca a transparência (l. 25-26)
(C) é torná-la aparência / pura - e iluminá-la. (l. 31-32)
(D) Toda coisa tem peso: / uma noite em seu centro. (l. 33-34)

Questão 15 - O poema sugere que o saber está relacionado à experiência. Essa relação encontra-se expressa principalmente nos seguintes versos:

(A) Como dizer o sabor, / seu clarão seu perfume? (l. 7-8)
(B) A linguagem dispõe / de conceitos, de nomes (l. 13-14)
(C) mas o gosto da fruta / só o sabes se a comes (l. 15-16)
(D) já que a coisa é fechada / à humana consciência. (l. 27-28)

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