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sábado, 31 de outubro de 2015

EXERCÍCIOS DE VOCABULÁRIO - 5

EXERCÍCIOS DE VOCABULÁRIO - 5

Anátema - Arrebatar - Balizar - Casuísmo - Cercear - Ceticismo - Coação - Compulsório - Descomunal - Desvincular - Infligir - Insurgente - Liturgia - Mesquinho - Pérfido - Perpetrar - Postular - Represália - Sufrágio - Velado

Anátema
Excomunhão, execração, maldição, reprovação enérgica, repreensão severa, condenação.
Arrebatar
Arrancar, provocar um estado de grande alegria, arroubar, enlevar, extasiar.
Balizar
Marcar por meio de balizas, separar, distinguir, marcar, determinar, sinalizar.
Casuísmo
Ação que tem em vista favorecer ou resolver o problema de uma pessoa, ou de grupo de pessoas, sem levar em conta o bem coletivo; conformidade passiva com ideias, opiniões, teorias, princípios.
Cercear
Restringir, impor limites, diminuir, cortar o que está ao redor.
Ceticismo
Ausência de qualquer tipo de crença; característica daquele que é cético; postura na qual as pessoas tendem a examinar o conhecimento e as percepções de forma crítica.
Coação
Ação ou efeito de coagir; causar constrangimento ou agir de modo violento (moral ou fisicamente) para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa.
Compulsório
Que possui caráter obrigatório; que possui a capacidade de compelir.
Descomunal
Colossal, exagerado, grandioso, gigantesco, desproporcional.
Desvincular
Desatar, desligar, desobrigar, soltar, retirar os vínculos.
Infligir
Aplicar pena, castigo ou punição; ocasionar prejuízo a.
Insurgente
Pessoa que se insurge, que possui uma opinião contrária a, que se revolta contra algo ou alguém, rebelde, insubordinado.
Liturgia
Conjunto dos modos usados no desenvolvimento dos ofícios e/ou sacramentos; rito ou ritual. reunião dos elementos ou práticas que, regulamentados por uma igreja ou seita religiosa, fazem parte de um culto.
Mesquinho
Que é excessivamente agarrado a dinheiro e/ou propriedades; que não tem facilidade para dividir; avarento ou sovina; que não possui significância nem importância; ordinário; que não denota grandeza.
Pérfido
Desleal, falso, traidor, enganador.
Perpetrar
Cometer, praticar, realizar (ato condenável).
Postular
Solicitar, requerer, pedir, implorar, rogar.
Represália
Vingança; ação que se pratica contra alguém para reparar uma ofensa ou para compensar um dano causado por essa pessoa.
Sufrágio
Processo de seleção feito através de uma votação; eleição.
Velado
Oculto, escondido, encoberto.
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Complete com o termo adequado (eventuais flexões podem ser necessárias)

1. No comunicado, a PUC-SP ainda ressaltou que não tem intenção de discriminar os fumantes ou ___________________ a liberdade dentro da universidade e faz um apelo para que os fumantes observem os locais onde se pode fumar. (Folha de São Paulo, 30/10/2009)
2. O comando da PM de São Paulo criou um grupo para estudar a possibilidade de ___________________ de seus quadros o efetivo do Corpo de Bombeiros.
3. Não há destino mais romântico no mundo. Para que não haja dúvida, convém repetir: n-ã-o/ h-á/ d-e-s-t-i-n-o/ m-a-i-s/ r-o-m-â-n-t-i-c-o/ n-o/ m-u-n-d-o. E não importa o perfil do casal, Paris vai ___________________ você. (Folha de São Paulo, 05/11/2014)
4. Em Roma, durante a ___________________ do último dia do ano, o Papa Francisco pediu aos cristãos de todo o mundo que ajudem as "famílias ainda em dificuldades" devido à crise mundial.
5. A aposentadoria ___________________ ocorre quando o servidor público estatutário atinge a idade máxima no serviço público.
6. O juiz ___________________ uma pena severa aos desordeiros que picharam a estátua de Drummond.
7. Apenas o tempo revela o homem justo; basta um dia para pôr a nu um ___________________. (Sófocles)
8. ___________________ sunitas liderados pelo grupo jihadista Estado Islâmico no Iraque e no Levante (EIIL) tomaram o controle de um posto fronteiriço com a Síria, afirmaram fontes de segurança e testemunhas. (Portal G1)
9. Outro argumento do MP aceito pelo desembargador Dárcio Mendes é que 14 condicionantes exigidas pelo Sisema para a concessão de futura licença de instalação referem-se a ações que deveriam ___________________, na verdade, a concessão da licença prévia. (Folha de São Paulo, 04/08/2012)
10. O empresário Oscar Maroni, preso sob a suspeita de ___________________ de uma testemunha no curso de um processo, foi transferido do 13º Distrito Policial para o 40º DP.
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11. Micheletti afirmou ainda que "o ___________________ é o fundamento da democracia" e que "desconhecer ou desvirtuar este direito é atentar contra a vontade e a dignidade de todo um povo". (Folha de São Paulo, 01/09/2009)
12. "É preciso que aquele que busca a eleição para um cargo público tenha honestidade para ___________________ o mandato", afirmou o presidente da OAB. (Folha de São Paulo, 22/02/2010)
13. Essa ânsia em arranjar destino imediato para o excedente de arrecadação lembra o que de pior tivemos em nossa recente história econômica: o ___________________ irresponsável, de visão curta. E a imprudência pune. (Folha de São Paulo, 24/06/2014)
14. Sem citar o período eleitoral, Alckmin fez uma crítica ___________________ ao uso político da crise de desabastecimento do Sistema Cantareira.
15. Em março passado, um tribunal condenou Zaidi, o jornalista que jogou um sapato no presidente americano, a três anos de prisão, por considerá-lo culpado de ___________________ um ato hostil contra um chefe de Estado estrangeiro.
16. Vinte e seis policiais afegãos morreram nesta terça-feira em um ataque de talibãs em Puli Alam, província de Logar, ao sul de Cabul, em um ataque em ___________________ às operações do exército afegão contra redutos rebeldes no sul do país.
17. Padrões básicos de gestão e transparência administrativa soam como ___________________ no universo do futebol brasileiro. Os clubes, de forma geral, convivem com crônicos desequilíbrios orçamentários, dívidas volumosas e falta de planejamento.
18. Na última década, houve um aumento _______________ de 500% na população dos percevejos em todo o mundo.
19. Vista com ___________________ quando surgiu, a possível candidatura de Ciro ao governo de São Paulo já apresenta avanços concretos nas negociações. (Folha de São Paulo, 12/07/2009)
20. "Um espírito ___________________ é como um microscópio: aumenta as pequenas coisas, mas impede de ver as grandes". (Philip Chesterfield)

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2010 – 2º semestre

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2010 – 2º semestre



Estranhas gentilezas (Ivan Ângelo)

            Estão acontecendo coisas estranhas. Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza. Não é por ruindade, é falta de tempo. Gastam a paciência nos ônibus, no trânsito, nas filas, nos mercados, nas salas de espera, nos embates familiares, e depois economizam com a gente.
            Comigo dá-se o contrário, é o que estou notando de uns dias para cá. Tratam-me com inquietante delicadeza. Já captava aqui e ali sinais suspeitos, imprecisos, ventinho de asas de borboleta, quase nada. A impressão de que há algo estranho tomou corpo mesmo foi na semana passada. Um vizinho que já fora meu amigo telefonou-me desfazendo o engano que nos afastava, intriga de pessoa que nem conheço e que afinal resolvera esclarecer tudo. Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali.
            Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades. O episódio do vizinho fez surgir em meu espírito a hipótese de uma trama, que já mobilizava até pessoas distantes. E as próximas?
            Tenho reparado. As próximas telefonam amáveis, sem motivo. Durante o telefonema fico aguardando o assunto que estaria embrulhado nos enfeites da conversa, e ele não sai. Um número inesperado de pessoas me cumprimenta na rua, com acenos de cabeça. Mulheres, antes esquivas, sorriem transitáveis nas ruas dos Jardins. Num restaurante caro da Rua Amauri, o maître, com uma piscadela, fura a demorada fila de executivos à espera e me arruma rapidinho uma mesa para dois. Um homem de pasta que parecia impaciente à minha frente me cede o último lugar no elevador. O jornaleiro larga sua banca na Avenida Sumaré e vem ao prédio avisar-me que o jornal chegou. Os vizinhos de cima silenciam após as 10 da noite.
            Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na Via Anhanguera. Motoristas, mesmo mulheres, cedem-me a preferência nas esquinas. Vendedores de bugigangas nos faróis de trânsito passam direto pelo meu carro, sem me olhar. Até crianças me cumprimentam cúmplices: oi, tio.
            Que está acontecendo? Quem e por que está querendo me convencer de que as pessoas são um doce? Penso: não são gentilezas, são homenagens aos meus cabelos brancos, por eu ter aguentado tanto, como se fosse um atleta de maratona, daqueles retardatários que são mais aplaudidos na chegada que os vencedores.
            A última manobra: botaram um pintassilgo a cantar para mim na árvore em frente à janela do meu apartamento de 2º andar.
            Que significa isso? Que querem comigo? Que complô é esse? Que vão pedir em troca de tanta gentileza?
            Aguardo, meio apreensivo, meio feliz.
         Interrompo a crônica nesse ponto, saio para ir ao banco, desço pelas escadas porque alguém segura o elevador lá em cima, o segurança do banco faz-me esvaziar os bolsos antes de entrar pela porta giratória, enfrento a fila do caixa, não aceitam cheques de outra pessoa para pagar contas, saio xingando do banco, atravesso a avenida arriscando a vida entre bólidos, um caminhão respinga-me a água suja de uma poça, entro no apartamento, sento-me ao computador e ponho-me de novo a sonhar.

1ª Questão. Em “Estão acontecendo coisas estranhas” (linha 01), há:

(A) sujeito simples (coisas estranhas)
(B) sujeito indeterminado
(C) sujeito implícito
(D) sujeito inexistente
(E) sujeito composto (coisas e estranhas)

2ª Questão. A leitura atenta do texto permite afirmar que:

(A) há predominância de períodos longos, caracterizando uma linguagem rebuscada e de difícil interpretação.
(B) o fraseado complexo do texto oferece poucos recursos para que o leitor interprete o texto.
(C) os longos parágrafos são uma estratégia do autor para que o leitor preste atenção aos significados textuais.
(D) o texto não apresenta a variante linguística culta.
(E) há predominância de períodos curtos, caracterizando uma linguagem ágil e de interpretação direta.

3ª Questão. Observe as frases:

a) “Eles falam muito.”
b) “O professor não falou uma só palavra ao aluno.”
c) “O candidato fala inglês.”
Sobre os usos do verbo falar, é possível afirmar:

I. Dependendo do contexto em que ocorre, pode se apresentar como transitivo direto, bitransitivo ou intransitivo.
II. Independente do contexto, será sempre um verbo intransitivo.
III. Em nenhum contexto precisa de complementos verbais.

(A) Todas as afirmativas estão corretas.
(B) Apenas a afirmativa I está correta.
(C) Apenas a afirmativa II está correta.
(D) Apenas a afirmativa III está correta.
(E) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.

4ª Questão. A ocorrência dos verbos ao longo do texto se dá prioritariamente em que modo verbal?

(A) subjuntivo (B) imperativo (C) particípio (D) indicativo (E) gerúndio

5ª Questão. Sobre o narrador do texto, é possível afirmar:

(A) Trata-se de um jovem bastante crítico para a sua idade.
(B) Trata-se de um homem de mais idade, que pensa sobre o comportamento das pessoas nas grandes cidades.
(C) Trata-se de uma mulher de mais idade, que não se conforma com o comportamento dos jovens da atualidade.
(D) Trata-se de um jornalista que está colhendo dados para a crônica que publica semanalmente em jornal de grande circulação.
(E) Trata-se de um homem de mais idade, que não pratica gentilezas com o próximo, porque não as recebe.

6ª Questão. A frase “Sabe-se que as pessoas nas grandes cidades não têm o hábito da gentileza” (linhas 01-02) pressupõe que:

(A) existem pessoas de apenas um tipo, o das cidades grandes.
(B) o comportamento das pessoas que vivem nas grandes cidades é semelhante ao dos que vivem fora delas.
(C) o comportamento das pessoas se altera de acordo com o contexto em que vivem.
(D) o comportamento das pessoas não se altera e é sempre constante.
(E) o comportamento das pessoas se altera constantemente sem motivo aparente.

7ª Questão. Trata-se de um texto prioritariamente:

(A) descritivo. (B) dissertativo. (C) opinativo. (D) narrativo. (E) lírico.

8ª Questão. A observação atenta sobre os aspectos estéticos e temáticos de “Estranhas gentilezas” permite afirmar que se trata de um texto:

(A) contemporâneo. (B) romântico. (C) realista. (D) barroco. (E) árcade.

9ª Questão. Sobre a crônica, gênero em que se apresenta o texto “Estranhas gentilezas”, de Ivan Ângelo, é possível afirmar que:

I. Como sugere a origem da palavra (“Cronos” é o deus grego do tempo), trata de temas do cotidiano.
II. Não precisa estar comprometida com a verdade, como a notícia deve estar.
III. Surge nos periódicos, sendo publicada em diversos jornais.
IV. Está ultrapassada e não é mais publicada em jornais de grande circulação.

(A) Todas as afirmativas estão corretas.
(B) Apenas as afirmativas I e III estão corretas.
(C) Apenas as afirmativas II e IV estão corretas.
(D) Apenas as afirmativas I, II e III estão corretas.
(E) Apenas as afirmativas III e IV estão corretas.

10ª Questão. Ivan Ângelo é do mesmo período literário que:

(A) Machado de Assis (B) Gil Vicente (C) Castro Alves (D) José de Alencar (E) Ferreira Gullar


11ª Questão. Respeitando a construção de sentidos do texto, a observação do cronista em “Tratam-me com inquietante delicadeza” (linhas 05-06) deve-se ao fato de que:

(A) a gentileza se espalha com rapidez entre a população das grandes cidades e isso o incomoda.
(B) a gentileza que lhe é dispensada o inquieta, porque as pessoas parecem estar interessadas na influência que ele tem sobre a opinião pública.
(C) a gentileza que lhe é dispensada causa surpresa porque contraria o comportamento geral das pessoas das grandes cidades.
(D) qualquer ato generoso é mal interpretado socialmente.
(E) há uma trama contra o cronista, que cresce visivelmente, ameaçando sua integridade física e moral.

12ª Questão. Em “Caminhões baixam a luz dos faróis quando cruzam comigo na Via Anhanguera” (linha 23), a conjunção em destaque imprime à frase sentido de:

(A) lugar. (B) oposição. (C) consequência. (D) causa. (E) tempo.

13ª Questão. Sobre o foco narrativo, o ângulo a partir do qual a história é narrada corresponde à:

(A) terceira pessoa do plural.
(B) primeira pessoa do singular.
(C) terceira pessoa do singular.
(D) primeira pessoa do plural.
(E) segunda pessoa do singular.

14ª Questão. Em “Como disse, eu vinha desconfiando tenuemente de algumas amabilidades” (linha 11), o termo em destaque poderia ser substituído sem alterar o sentido da frase por:

(A) declaradamente. (B) ingenuamente. (C) francamente.(D) tranquilamente. (E) ligeiramente.

15ª Questão. A justificativa para a ocorrência de “z” em “gentilezas” é a mesma de:

(A) beleza. (B) gozado. (C) cozinha. (D) azedo. (E) sozinho.

16ª Questão. O desenvolvimento do texto apresenta clara oposição entre duas realidades distintas, explicitadas na composição do último parágrafo, e que podem ser assim sintetizadas:

(A) de início, há a realidade factual; ao final, há o devaneio do cronista.
(B) de início, há o devaneio do cronista, o qual gradativamente vai se concretizando em sua vida diária.
(C) repentinamente, o devaneio do cronista se interrompe e ele enfrenta as tensas relações sociais.
(D) gradativamente, o cronista toma consciência das relações sociais tensas que permeiam a vida nas cidades grandes.
(E) repentinamente, as relações sociais tensas se transformam em um universo pontuado pela solidariedade e gentileza.

17ª Questão. Em “são homenagens aos meus cabelos brancos” (linhas 28-29), verifica-se a construção de uma metonímia (do grego, metonymía, “emprego de um nome por outro”), figura de linguagem baseada na proximidade de ideias entre palavras que apresentam algum tipo de relação. No caso da frase citada, tal relação ocorre porque:

(A) a causa é entendida pelo efeito.
(B) o efeito é a causa.
(C) o continente é entendido pelo seu conteúdo.
(D) o autor é entendido por sua obra.
(E) o símbolo é entendido pela coisa simbolizada.

18ª Questão. Em “Os vizinhos de cima silenciam após as 10 da noite” (linhas 21- 22), o termo em destaque é:

(A) complemento nominal (B) locução adverbial                      (C) complemento verbal
(D) sujeito                          (E) oração subordinada adverbial

19ª Questão. Em “Difícil reconstruir a amizade, mas a inimizade morria ali” (linhas 10-11), o conectivo estabelece relação de:

(A) adição de ideias.          (B) explicação.                  (C) oposição de ideias. 
(D) proporção de ideias.    (E) complementaridade.

20ª Questão. O ditado popular que melhor dialoga com a primeira parte do texto é:

(A) Cuidado, que o santo é de barro.
(B) Antes tarde do que nunca.
(C) A pensar morreu um burro.
(D) Quando o milagre é demais, o santo desconfia.
(E) A união faz a força.

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Tema de Redação – Cásper Líbero – 2015

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            Escreva um texto dissertativo em prosa no qual você analise um (somente um) dos quatro filmes obrigatórios deste exame vestibular (Corações e mentes, de Peter Davis; O dia que durou 21 anos, de Camilo Tavares; Trabalho interno, de Charles Ferguson; e Tropicália, de Marcelo Machado). Em seu texto, comente os pontos positivos da obra e confronte-os com eventuais vulnerabilidades que ela apresente; analise como o documentário trata o problema abordado e apresente uma justificativa para recomendar o filme a interessados.

Observações:

1. Cuide para que seu texto não se transforme em um amontoado de frases feitas e clichês sobre o tema. Procure desenvolver um ponto de vista consistente e expressivo sobre o assunto abordado, expondo as ideias de modo coerente.
2. O texto deve ser escrito na variante culta formal da língua portuguesa. Portanto, não use gírias e certos recursos expressivos muito informais.
3. Embora se trate de um texto dissertativo, é plenamente possível que o candidato se expresse na 1ª, 2ª ou 3ª pessoas do discurso.

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Tema de Redação – Cásper Líbero – 2014

Tema de Redação – Cásper Líbero – 2014



            A partir das ideias expostas nos dois textos a seguir, escreva um texto dissertativo em prosa no qual você discuta a natureza das táticas adotadas pelos black blocs nas manifestações de rua que têm ocorrido no Brasil no ano de 2013.

Texto 1 - “O que nos motiva é a insatisfação com o sistema político e econômico. Nossa sociedade vive permeada por símbolos. Participar de um Black Bloc é fazer uso deles para quebrar preconceitos, não só do alvo atacado, mas da ideia de vandalismo. Não há violência. Há performance. Não me sinto representado por partidos. Não sou a favor de democracia representativa e, sim, de uma democracia direta. Não se trata de depredar pelo simples prazer de quebrar ou pichar coisas, mas de atacar o símbolo representado ali. Quando atacamos uma agência bancária, não somos ingênuos de acreditar que estamos ajudando a falir um banco, mas tornando evidente a insanidade do capitalismo. Política também se faz com as próprias mãos.”

(Roberto [nome fictício], 26 anos, em depoimento à revista Carta Capital n. 760.).

Texto 2 - “(...) passa-se a ter com a realidade uma relação do mesmo tipo: eu quero, então acontece. Como num ato mágico. Sem mediação. Essa relação mágica com a realidade está diretamente relacionada com um elemento poderosíssimo da sociedade de consumo: a satisfação imediata do desejo. É uma das raízes da violência, porque anula a mediação, quando na verdade, o desejo precisa de mediação. No âmbito das manifestações, isso se expressa pela recusa da mediação política. (...) Ora, quando se tira a mediação institucional, o que se pede é a ditadura. Por exemplo, quando vi um rapaz enrolado na bandeira brasileira dizer ‘meu partido é meu país’, falei comigo mesma: ‘É algum neonazista que comanda esse menino, pois esse foi o discurso nazista para a supressão dos partidos políticos!’ (...) Eu sempre digo: a crítica aos partidos brasileiros é justificada, a crítica aos governos é justificada, o que não é justificado é não perceber qual a origem desse sistema partidário, qual é a origem desse sistema eleitoral e como se luta contra ele. Não se luta suprimindo os partidos, mas produzindo uma nova institucionalidade.”

(Marilena Chauí, filósofa, em entrevista à revista Cult n. 182.).

Observações:

1. Você não é obrigado a tomar uma posição contra ou a favor dos black blocs, já que o objetivo da redação é avaliar a capacidade do candidato de examinar uma questão complexa por meio da análise de argumentos variados.
2. Cuide para que seu texto não se transforme em um amontoado de frases feitas e clichês sobre o tema. Procure desenvolver um ponto de vista consistente e expressivo sobre o que será abordado, expondo as ideias de modo coerente.
3. O texto deve ser escrito na variante culta formal da língua portuguesa. Portanto, não use gírias e certos recursos expressivos informais.
4. Embora se trate de um texto dissertativo, é plenamente possível que o candidato se expresse na 1ª, 2ª ou 3ª pessoas do discurso.


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sábado, 24 de outubro de 2015

Texto: "O salto" — Antonio Prata

O salto

"O beijo". Andre Kohn.
            A gente não tem como saber se vai dar certo. Talvez, lá adiante, haja uma mesa num restaurante, onde você mexerá o suco com o canudo, enquanto eu quebro uns palitos sobre o prato — pequenas atividades às quais nos dedicaremos com inútil afinco, adiando o momento de dizer o que deve ser dito. Talvez, lá adiante: mas entre o silêncio que pode estar nos esperando então e o presente — você acabou de sair da minha casa, seu cheiro ainda surge vez ou outra pelo quarto –, quem sabe não seremos felizes? Entre a concretude do beijo de cinco minutos atrás e a premonição do canudo girando no copo pode caber uma vida inteira. Ou duas. 
            Passos improvisados de tango e risadas, no corredor do meu apartamento. Uma festa cheia de amigos queridos, celebrando alguma coisa que não saberemos direito o que é, mas que deve ser celebrada. Abraços, borrachudos, a primeira visão de seu necessaire (para que tanto creme, meu Deus?!), respirações ofegantes, camarões, cafunés, banhos de mar – você me agarrando com as pernas e tapando o nariz, enquanto subimos e descemos com as ondas — mãos dadas no cinema, uma poltrona verde e gorda comprada num antiquário, um tatu bola na grama de um sítio, algumas cidades domesticadas sob nossos pés, postais pregados com tachinhas no mural da cozinha e garrafas vazias num canto da área de serviço. Então, numa manhã, enquanto leio o jornal, te verei escovando os dentes e andando pela casa, dessa maneira aplicada e displicente que você tem de escovar os dentes e andar ao mesmo tempo e saberei, com a grandiosa certeza que surge das pequenas descobertas, que sou feliz.
            Talvez, céus nublados e pancadas esparsas nos esperem mais adiante. Silêncios onde deveria haver palavras, palavras onde poderia haver carinho, batidas de frente, gritos até. Depois faremos as pazes. Ou não?
            Tudo que sabemos agora é que eu te quero, você me quer e temos todo o tempo e o espaço diante de nossos narizes para fazer disso o melhor que pudermos. Se tivermos cuidado e sorte – sobretudo, talvez, sorte — quem sabe, dê certo? Não é fácil. Tampouco impossível. E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo — o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão –, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto.

(Antonio Prata, 23/12/2008)


Leia também:

"A descoberta do mundo" — Clarice Lispector
"O livro da solidão" — Cecília Meireles
"Rigoletto de lança-perfume" — Nelson Rodrigues
"Baú de ossos" — Pedro Nava


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