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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Tema de redação – UEMA – 2010

Tema de redação – UEMA – 2010

PRODUÇÃO TEXTUAL

Leia os textos com atenção:

TEXTO I - O paulistano Sílvio de Abreu é um noveleiro experiente. [...] Como todo autor de um folhetim bem sucedido, Abreu conseguiu entrar em sintonia com as preocupações e os interesses de uma ampla fatia da sociedade brasileira. Ele se confessa chocado, porém, com a descoberta de que o público mudou seu modo de encarar os desvios de conduta dos personagens. [...]

VEJA - A novela Belíssima chegou ao sucesso com personagens ambíguas. Por que deu certo sua trama?
ABREU - Considero que incluir a ambiguidade moral numa trama é um grande avanço. Personagens desse tipo fazem o público pensar. Ao analisar as causas dessa aceitação, contudo, confesso que fiquei chocado. Como sempre acontece na Globo, realizamos uma pesquisa com os espectadores para ver como o público estava absorvendo a trama e constatamos que uma parcela considerável deles já não valoriza tanto a retidão de caráter. Para eles, fazer o que for necessário para se realizar na vida é o certo. Esse encontro com o público me fez pensar que a moral do país está em frangalhos.

Revista Veja. Entrevista. 21 jun 2009.

TEXTO II - Como colunista, observo e comento a realidade. O quadro não anda muito animador, embora na crise mundial o Brasil parece estar se saindo melhor que a maioria dos países. De tirar o chapéu, se isso se concretizar e perdurar. Do ponto de vista da moralidade, por outro lado, até em instituições públicas que julgamos venerandas, a cada dia há um novo espanto. Não por obra de todos os que lá foram colocados (por nós), mas o que ficamos sabendo é dificíl de acreditar. Teríamos de andar feito o velho filósofo grego Diógenes, que percorria as ruas em dia claro com uma lanterna na mão. Questionado, respondia procurar um homem honrado. [...]
                A sorte é que apesar de tudo o país anda, a grande maioria de nós labuta na sua vidinha, trabalhando, pagando contas, construíndo casas, ruas e pontes e amores e família legais. Lutamos para ser pessoas decentes, as que carregam nas costas o mundo de verdade [...]

Lya Luft. In: http://veja.abril.uol.com.br/outra-epidemia. Acesso em 11 set 2009.

INSTRUÇÕES

Considerando que os textos têm apenas caráter motivador e servem como ponto inicial de reflexão, redija um texto dissertativo, desenvolvendo argumentos compatíveis com o ponto de vista escolhido, com, no mínimo, 20 linhas como resposta ao questionamento decorrente das ideias dos autores citados. Dê um título a sua redação.

TEMA: A MORAL ESTÁ TORTA  INSTALOU-SE ENTRE NÓS UMA EPIDEMIA MORAL?

INFORMAÇÕES
O candidato deve:
- obedecer, obrigatoriamente, ao tema e à tipologia textual indicados;
- articular suas próprias informações às ideias apresentadas nos fragmentos motivadores, desenvolvendo seu ponto de vista, de modo a justificar a que conclusão pretende chegar, mantendo, assim, uma coerência argumentativa;
- obedecer ao que consta no Edital nº 105/2009-PROG/UEMA a respeito da correção da Produção Textual:


Será atribuída nota zero à prova de Produção Textual (redação) do candidato que: identificar a folha destinada a sua produção textual; desenvolver texto sob forma não-articulada verbalmente (apenas com números, desenhos, palavras soltas); fugir à temática proposta ou sugerida na prova de produção textual; escrever de forma ilegível ou a lápis; escrever menos de vinte linhas na folha de redação; desenvolver o texto em forma de verso.”


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post8-setembro

domingo, 25 de setembro de 2016

Tema de redação – UMC – 2016

Tema de Redação – UMC – 2016

REDAÇÃO – UMC – 2016

Instruções:
A.
1. Leia, com atenção, a proposta.
2. Utilize o espaço destinado para fazer o rascunho da redação.
3. Antes de passar a redação para a folha definitiva, a caneta, leia as instruções impressas na mesma.

B. A redação deve seguir as seguintes instruções.
1. Seu texto deve ter aproximadamente 25 linhas;
2. Não se esqueça de dar um título sugestivo ao texto;
3.Não copie trechos dos excertos de textos;
4. Sua produção textual será avaliada com base nos seguintes critérios:
- Domínio da língua portuguesa culta;
- Compreensão da proposta de redação e domínio do gênero de texto solicitado;
- Seleção, organização e construção de argumentos em defesa de um ponto de vista sobre o tema proposto;
- Emprego de organizadores textuais necessários à construção da argumentação;
- Utilização adequada das marcas de segmentação textual: título, paragrafação, pontuação e outros sinais gráficos.

Observação: A redação valerá no máximo 100 pontos, sendo que cada critério especificado acima poderá atingir de zero a 20 pontos, desclassificando-se o candidato que totalizar pontuação menor que 20 ao final da avaliação.

Tema: "A utópica solidariedade humana"

            Você deve ler os textos de apoio.
            Para produzir o texto da redação, são propostos dois recortes desse tema, você deverá produzir, em prosa, um texto argumentativo, uma dissertação, ou texto narrativo, uma crônica.
            Escolha uma das duas propostas para redação (dissertação ou crônica) e indique sua escolha no alto da página da redação.
            Os textos de apoios são válidos, para as duas propostas. Leia todos e selecione o que julgar pertinente para a realização da proposta escolhida. Articule os elementos selecionados com sua experiência de leitura e reflexão.
            O uso de um ou mais textos de apoio é obrigatório.
            ATENÇÃO - sua redação será anulada se você desconsiderar os textos de apoio, ou fugir ao recorte temático, ou ainda, não atender ao gênero textual da proposta escolhida.

TEXTOS DE APOIO:

Texto 1 - Refugiados - a honra perdida da Europa

            A morte do menino sírio Aylan, que deu à costa numa praia da Turquia depois do barco em que viajava ter naufragado, comoveu o mundo, operou uma viragem no posicionamento de muitos líderes europeus e sobretudo gerou um movimento de solidariedade nas redes sociais que promete resgatar a honra perdida do velho continente.
            À ignomínia do arame farpado, dos cães e das cargas policiais, dos números inscritos nos braços a marcador, do sofrimento imposto nas fronteiras da Sérvia, da Grécia e da Hungria; ao desprezo pelas obrigações internacionais que decorrem dos tratados e convenções que os países da Europa subscreveram; à vergonha das declarações do primeiro ministro britânico David Cameron, comparando os migrantes a uma “praga”, sucede-se agora uma onda de simpatia por esses condenados da terra, acolhidos com aplausos, água e brinquedos à chegada à Alemanha, cuja chanceler Angela Merkel, depois de semanas de hesitação, já havia declarado estar disponível para acolher até 800 000 refugiados vindos da Síria.
            Berlim parece ter compreendido, melhor e mais cedo que as outras capitais europeias, que os refugiados, longe de serem apenas um problema, podem ser um activo – embaratecimento da força trabalho, reforço do sistema de segurança social e estímulo ao crescimento demográfico.
            Na Islândia, depois que uma jovem escritora endereçou uma carta aberta ao governo, pelo menos 10.000 pessoas – 4% da população - ofereceram as suas casas para acolher refugiados; na Finlândia, o próprio presidente colocou a moradia à disposição, num gesto destinado a incentivar a generosidade do resto do país e em Espanha, Madrid e Barcelona declararam-se cidades-refúgio, dando as boas-vindas aos imigrantes.           Ontem, domingo, o próprio Papa apelou às organizações católicas de toda a Europa para acolherem refugiados.
            Tudo isto, porém, não apaga, antes acentua, o sentimento de indiferença e incapacidade que decorre das declarações oficiais da UE, cujos líderes, no auge da crise, marcaram uma reunião “urgente” para daí a 15 dias, ou seja, apenas para 14 de Setembro!
            No seu conjunto, as instituições europeias – Conselho, Comissão e Parlamento – destituídas de um mínimo sentido de solidariedade e urgência à altura da tragédia de proporções bíblicas a que vimos assistindo, mostraram-se totalmente impreparadas para fazer face ao problema, não gerando até agora qualquer política de consenso minimamente coerente.
            Depois do escândalo dos naufrágios no Mediterrâneo, que já ceifaram dezenas de milhar de vidas, a muito custo, a UE tinha acordado receber este ano até 40.000 refugiados – número bastante reduzido face às necessidades, mas que mesmo assim se mostrava difícil de cumprir porque vários países levantavam objecções às quotas que lhes haviam sido destinadas.
            Agora, face ao súbito avolumar do problema, e à crescente indignação da opinião pública, que se acentuou depois da foto do menino sírio morto, a Comissão fala de uma meta de 120.000, três vezes mais do que o limite que a UE a si própria se havia imposto.
            Mais uma vez, os europeus parecem correr atrás do prejuízo – o Alto Comissariado da ONU para os refugiados já pediu que a UE abra espaço para pelo pelos 200.000 pessoas.
            Tudo indica, portanto, que as decisões europeias vão ser too little, too late – muito pouco, demasiado tarde. Depois de ser compelida a abrir caminho aos refugiados, a Hungria fala já de novo em fechar as fronteiras e prossegue na construção de um muro de 175 kms e 4 metros de altura na fronteira com a Sérvia.
            Por outro lado, longe de se questionar sobre as razões profundas da crise – a miséria extrema em que vivem milhões de pessoas e as guerras e intervenções militares no Médio Oriente, algumas das quais ela própria promoveu ou de que foi cúmplice – a UE mostra tendência para se concentrar apenas nas consequências, como a repressão ao tráfico de seres humanos que a onda migratória suscita. Ou seja, procura, quando muito, mitigar efeitos, em vez de tentar resolver problemas.
            Fica assim a dúvida: será a corrente de solidariedade suscitada pela foto do menino morto suficiente para resgatar a honra perdida da Europa?

(Carlos Fino, O Globo, 07/09/2015)

Texto 2 - Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins,
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

(Carlos Drummond de Andrade, 1940)

Texto 3 - Texto bíblico


As faltas contra a justiça e a caridade para com o próximo ou mesmo por omissão são apontadas como a causa do castigo, realçando, assim os gestos de solidariedade praticados para com o próximo que levam a uma recompensa positiva. Há, pois, um evidenciar das atitudes que Jesus espera que todos tomem; mais do que atitudes, diremos, Jesus espera do ser humano uma forma de estar na vida conforme aos ensinamentos que lhe dá, ensinamentos esses que se resumem nos dois mandamentos que deixou: Ama o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu entendimento e Ama ao teu próximo como a ti mesmo [Mat. 22: 37 e 39].


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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

“O operário em construção” — Vinícius de Moraes

O operário em construção


E o Diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo. E disse-lhe o Diabo: 

- Dar-te-ei todo este poder e a sua glória, porque a mim me foi entregue e dou-o a quem quero; portanto, se tu me adorares, tudo será teu. 

E Jesus, respondendo, disse-lhe: 
- Vai-te, Satanás; porque está escrito: adorarás o Senhor teu Deus e só a Ele servirás. 
Lucas, cap. V, vs. 5-8. 

Era ele que erguia casas  
"Operários". 1933. Tarsila do Amaral.

Onde antes só havia chão. 
Como um pássaro sem asas 
Ele subia com as casas 
Que lhe brotavam da mão. 
Mas tudo desconhecia 
De sua grande missão: 
Não sabia, por exemplo 
Que a casa de um homem é um templo 
Um templo sem religião 
Como tampouco sabia 
Que a casa que ele fazia 
Sendo a sua liberdade 
Era a sua escravidão. 

De fato, como podia 
Um operário em construção 
Compreender por que um tijolo 
Valia mais do que um pão? 
Tijolos ele empilhava 
Com pá, cimento e esquadria 
Quanto ao pão, ele o comia... 
Mas fosse comer tijolo! 
E assim o operário ia 
Com suor e com cimento 
Erguendo uma casa aqui 
Adiante um apartamento 
Além uma igreja, à frente 
Um quartel e uma prisão: 
Prisão de que sofreria 
Não fosse, eventualmente 
Um operário em construção. 

Mas ele desconhecia 
Esse fato extraordinário: 
Que o operário faz a coisa 
E a coisa faz o operário. 
De forma que, certo dia 
À mesa, ao cortar o pão 
O operário foi tomado 
De uma súbita emoção 
Ao constatar assombrado 
Que tudo naquela mesa 
- Garrafa, prato, facão - 
Era ele quem os fazia 
Ele, um humilde operário, 
Um operário em construção. 
Olhou em torno: gamela 
Banco, enxerga, caldeirão 
Vidro, parede, janela 
Casa, cidade, nação! 
Tudo, tudo o que existia 
Era ele quem o fazia 
Ele, um humilde operário 
Um operário que sabia 
Exercer a profissão. 

Ah, homens de pensamento 
Não sabereis nunca o quanto 
Aquele humilde operário 
Soube naquele momento! 
Naquela casa vazia 
Que ele mesmo levantara 
Um mundo novo nascia 
De que sequer suspeitava. 
O operário emocionado 
Olhou sua própria mão 
Sua rude mão de operário 
De operário em construção 
E olhando bem para ela 
Teve um segundo a impressão 
De que não havia no mundo 
Coisa que fosse mais bela. 

Foi dentro da compreensão 
Desse instante solitário 
Que, tal sua construção 
Cresceu também o operário. 
Cresceu em alto e profundo 
Em largo e no coração 
E como tudo que cresce 
Ele não cresceu em vão 
Pois além do que sabia 
- Exercer a profissão - 
O operário adquiriu 
Uma nova dimensão: 
A dimensão da poesia. 

E um fato novo se viu 
Que a todos admirava: 
O que o operário dizia 
Outro operário escutava. 

E foi assim que o operário 
Do edifício em construção 
Que sempre dizia sim 
Começou a dizer não. 
E aprendeu a notar coisas 
A que não dava atenção: 

Notou que sua marmita 
Era o prato do patrão 
Que sua cerveja preta 
Era o uísque do patrão 
Que seu macacão de zuarte 
Era o terno do patrão 
Que o casebre onde morava 
Era a mansão do patrão 
Que seus dois pés andarilhos 
Eram as rodas do patrão 
Que a dureza do seu dia 
Era a noite do patrão 
Que sua imensa fadiga 
Era amiga do patrão. 

E o operário disse: Não! 
E o operário fez-se forte 
Na sua resolução. 

Como era de se esperar 
As bocas da delação 
Começaram a dizer coisas 
Aos ouvidos do patrão. 
Mas o patrão não queria 
Nenhuma preocupação 
- "Convençam-no" do contrário - 
Disse ele sobre o operário 
E ao dizer isso sorria. 

Dia seguinte, o operário 
Ao sair da construção 
Viu-se súbito cercado 
Dos homens da delação 
E sofreu, por destinado 
Sua primeira agressão. 
Teve seu rosto cuspido 
Teve seu braço quebrado 
Mas quando foi perguntado 
O operário disse: Não! 

Em vão sofrera o operário 
Sua primeira agressão 
Muitas outras se seguiram 
Muitas outras seguirão. 
Porém, por imprescindível 
Ao edifício em construção 
Seu trabalho prosseguia 
E todo o seu sofrimento 
Misturava-se ao cimento 
Da construção que crescia. 

Sentindo que a violência 

Kathe Kollwitz.
Não dobraria o operário 
Um dia tentou o patrão 
Dobrá-lo de modo vário. 
De sorte que o foi levando 
Ao alto da construção 
E num momento de tempo 
Mostrou-lhe toda a região 
E apontando-a ao operário 
Fez-lhe esta declaração: 
- Dar-te-ei todo esse poder 
E a sua satisfação 
Porque a mim me foi entregue 
E dou-o a quem bem quiser. 
Dou-te tempo de lazer 
Dou-te tempo de mulher. 
Portanto, tudo o que vês 
Será teu se me adorares 
E, ainda mais, se abandonares 
O que te faz dizer não. 

Disse, e fitou o operário 
Que olhava e que refletia 
Mas o que via o operário 
O patrão nunca veria. 
O operário via as casas 
E dentro das estruturas 
Via coisas, objetos 
Produtos, manufaturas. 
Via tudo o que fazia 
O lucro do seu patrão 
E em cada coisa que via 
Misteriosamente havia 
A marca de sua mão. 
E o operário disse: Não! 

- Loucura! - gritou o patrão 
Não vês o que te dou eu? 
- Mentira! - disse o operário 
Não podes dar-me o que é meu. 

E um grande silêncio fez-se 
Dentro do seu coração 
Um silêncio de martírios 
Um silêncio de prisão. 
Um silêncio povoado 
De pedidos de perdão 
Um silêncio apavorado 
Com o medo em solidão. 

Um silêncio de torturas 
E gritos de maldição 
Um silêncio de fraturas 
A se arrastarem no chão. 
E o operário ouviu a voz 
De todos os seus irmãos 
Os seus irmãos que morreram 
Por outros que viverão. 
Uma esperança sincera 
Cresceu no seu coração 
E dentro da tarde mansa 
Agigantou-se a razão 
De um homem pobre e esquecido 
Razão porém que fizera 
Em operário construído 
O operário em construção.


(Vinícius de Moraes)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

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Tema de redação – UMC – 2015

Tema de Redação – UMC – 2015

Instruções:
1. Leia, com atenção, a proposta.
2. Utilize o espaço destinado para fazer o rascunho da redação.
3. Antes de passar a redação para a folha definitiva, a caneta, leia as instruções impressas na mesma.

PROPOSTA:

Faça uma redação, obedecendo o gênero textual indicado.

Orientações para a produção de seu texto.

1. Seu texto deve ter aproximadamente 25 linhas;
2. Não se esqueça de dar um título sugestivo ao texto;
3.Não copie trechos dos excertos de textos;
4. Sua produção textual será avaliada com base nos seguintes critérios:
- Domínio da língua portuguesa culta;
- Compreensão da proposta de redação e domínio do gênero de texto solicitado;
- Seleção, organização e construção de argumentos em defesa de um ponto de vista sobre o tema proposto;
- Emprego de organizadores textuais necessários à construção da argumentação;
- Utilização adequada das marcas de segmentação textual: título, paragrafação, pontuação e outros sinais gráficos.

Observação: A redação valerá no máximo 100 pontos, sendo que cada critério especificado acima poderá atingir de zero a 20 pontos, desclassificando-se o candidato que totalizar pontuação menor que 20 ao final da avaliação.

Tema: "No Brasil existe racismo?"

            Você deve ler os textos de apoio.
           Para produzir o texto da redação, são propostos dois recortes desse tema, você deverá produzir, em prosa, um texto argumentativo: uma dissertação, ou uma carta aberta a um jornal.
         Escolha uma das duas propostas para redação (dissertação ou carta aberta a um jornal) e indique sua escolha ao lado do título da redação.
      Os textos de apoios são válidos, para as duas propostas. Leia todos e selecione o que julgar pertinente para a realização da proposta escolhida. Articule os elementos selecionados com sua experiência de leitura e reflexão.
        O uso de um ou mais textos de apoio é obrigatório.
     ATENÇÃO - sua redação será anulada se você desconsiderar os textos de apoio, ou fugir ao recorte temático, ou ainda, não atender ao gênero textual da proposta escolhida.

Texto 1 - Estatuto da Igualdade Racial entra em vigor hoje, 20 de outubro, em todo o país

            Depois de tramitar por quase uma década pelas duas casas legislativas do país e ter sido sancionando pelo presidente Lula, o Estatuto da Igualdade Racial passa a vigorar amanhã, dia 20 de outubro. Trata-se da lei que define uma nova ordem de direitos para os cidadãos negros brasileiros.
            Alcançando cerca de 90 milhões de brasileiros, o Estatuto da Igualdade Racial, com seus 65 artigos, é um instrumento legal que possibilitará a correção de desigualdades históricas, no que se refere às oportunidades e direitos ainda não plenamente desfrutados pelos descendentes de escravos do país. Uma parcela da população que representa, atualmente, 50,6% da sociedade. E que se encontra em situação desprivilegiada, tanto no mercado de trabalho, quanto no que diz respeito à escolarização, às condições de moradia, à qualidade de vida e saúde, de segurança e de possibilidades de ascensão social.
            O ministro da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), Eloi Ferreira de Araujo, vem percorrendo o país de modo a estabelecer o diálogo com a sociedade civil organizada e autoridades governamentais sobre a importância da implementação das medidas apresentadas na nova lei; cuja a próxima fase será a de regulamentação.
            De acordo com o ministro da Igualdade Racial, a lei 12.288/ 2010 é um diploma de ação afirmativa voltado para a reparação das desigualdades raciais e sociais, ainda derivadas da escravidão e do desenvolvimento desigual que o país experimentou e ainda experimenta. O Estatuto da Igualdade Racial dá as condições para a construção de um novo Brasil.

http://www.seppir.gov.br/portal-antigo/noticias/ultimas_noticias/2010/10/estatuto-da-igualdade-racial-entra-em-vigor-hoje-20-de-outubro-em-todo-o-pais

Texto 2 - Por que chamar goleiro de macaco não é racismo?

Em depoimento, gremista nega intenção de ofender goleiro do Santos

            A auxiliar de odontologia Patrícia Moreira, 23, torcedora do Grêmio identificada como autora de xingamentos contra o goleiro Aranha, negou na manhã desta quinta-feira (4) que tenha tido a intenção de ofender o jogador do Santos (...)
            De acordo com o delegado Cléber Ferreira, Patrícia esteve calma durante o depoimento e não disse estar arrependida. 'Ela não nega ter proferido aquelas palavras, mas diz que a intenção dela não era ofender o goleiro do Santos. Simplesmente, ela falou porque foi no embalo da torcida', declarou (...)
            Segundo Ferreira, Patrícia disse que os cânticos com a palavra 'macaco' são usuais na torcida e que não foram direcionados ao goleiro Aranha. Apesar de não ter definido formalmente sua atitude como racista, para a polícia, ela reconhece que ofendeu a honra de outra pessoa. Segundo o delegado, a estratégia apresentada pela defesa é de afastar o dolo (...)
            'Ela diz como a torcida estava toda falando 'macaco' e proferindo aquelas palavras, ela também proferiu. Mas a questão dela não é especificamente ofender a honra daquele goleiro', disse o delegado (...)
            O delegado (...) afastou a possibilidade de Patrícia ser acusada por racismo. Para a polícia, o caso é de injúria racial, crime afiançável que pode acarretar pena de um a três anos de reclusão."
            Chamar alguém de macaco, polaco, amarelão ou qualquer outro termo pejorativo com a intenção de ofender a vítima baseado em sua raça, cor ou etnia não é racismo, mas injúria agravada pelo conteúdo racial. A diferença, do ponto de vista jurídico, é enorme.
            Em termos gerais, racismo ocorre quando alguém tenta impedir a vítima de exercer seus direitos devido à sua raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional, ou tenta fazer com que outras pessoas ajam dessa forma. É um crime gravíssimo. Um dos poucos a serem mencionados especificamente pela Constituição, que determina que ele é não só inafiançável como também imprescritível. Ou seja, se você praticar racismo hoje, daqui a 80 anos ainda poderá ser processado. Compare isso com crimes como homicídio ou latrocínio, que prescrevem em 20 anos ou menos, e você terá idéia da gravidade do racismo.
            Já a injúria agravada pelo conteúdo racial é ofender a honra ou dignidade de alguém usando sua raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional como meio de ofensa.
            Quando o criminoso chama a vítima de macaco, ele não está impedindo a vítima de exercer seus direitos, mas está ofendendo sua dignidade citando a cor da pele da vítima como forma de ofender. Daí ser injúria. Racismo seria se o técnico do clube não aceitasse goleiros negros, por exemplo.
            Nos crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria) é necessário a presença de dois elementos para que se possa começar a debater se houve crime: a vítima precisa sentir-se ofendida, e o criminoso precisa ter desejado ou assumido o risco de ofender (dolo).
            Pode parecer estranho a defesa alegar que quem disse algo tão pesado como 'macaco' não tenha, no mínimo, assumido o risco de ofender. É difícil imaginar alguém falar algo sem a intenção de falar. A língua, afinal, é um músculo voluntário, sobre o qual temos controle.
            Mas a jurisprudência e a doutrina fazem algumas exceções na qual embora a pessoa tenha falado, parte-se da presunção que ela não tenha a intenção de ofender. É o que acontece com o jornalista que tem a intenção de informar e por isso é obrigado a reproduzir a fala do criminoso, ou do comediante, que tem a intenção de fazer humor.
            Já alegar que chamou alguém de macaco porque outras pessoas faziam o mesmo não é uma forma de dizer que a pessoa não assumiu o risco. Se fosse, um dos assassinos que atirou na vítima poderia também alegar que atirou apenas porque os demais criminoso também estavam atirando e que logo, ao atirar, não estava assumindo o risco de matar. 
            Então por que o advogado alega isso?
            Porque cometer um crime sob a influência de multidão em um tumulto que não tenha provocado é uma atenuante da pena, ou seja, embora não exima criminoso da pena, diminui a quantidade de pena.

(Folha de S. Paulo, 04/09/2014)

Texto 3

            Uma feita a Sol cobrira os três manos duma escaminha de suor e Macunaíma se lembrou de tomar banho. Porém no rio era impossível por causa das piranhas tão vorazes que de quando em quando na luta pra pegar um naco de irmã espedaçada, pulavam aos cachos pra fora d’água metro e mais. Então Macunaíma enxergou numa lapa bem no meio do rio uma cova cheia d’água. E a cova era que-nem a marca dum pé-gigante. Abicaram. O herói depois de muitos gritos por causa do frio da água entrou na cova e se lavou inteirinho. Mas a água era encantada porque aquele buraco na lapa era marca do pezão do Sumé, do tempo em que andava pregando o evangelho de Jesus pra indiada brasileira. Quando o herói saiu do banho estava branco louro e de olhos azuizinhos, água lavara o pretume dele. E ninguém não seria capaz mais de indicar nele um filho da tribo retinta dos Tapanhumas. Nem bem Jiguê percebeu o milagre, se atirou na marca do pezão do Sumé. Porém, a água já estava muito suja da negrura do herói e por mais que Jiguê esfregasse feito maluco atirando água pra todos os lados só conseguiu ficar da cor do bronze novo. Maanape então é que foi se lavar, mas Jiguê esborrifava toda a água encantada pra fora da cova. Tinha só um bocado lá no fundo e Maanape conseguiu molhar só a palma dos pés e das mãos. Por isso ficou negro bem filho da tribo dos Tapanhumas. Só que as palmas das mãos e dos pés dele são vermelhas por terem se limpado na água santa. E estava lindíssimo no Sol da lapa os três manos: um louro, um vermelho, outro negro, de pé bem erguidos e nus". (ANDRADE, Mário de. Macunaíma)



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