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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

INSPER – Prova de Análise Verbal – 2009 – 1º Semestre

INSPER – Prova de Análise Verbal – 2009 – 1º Semestre

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 1 a 3.

A invasão do politicamente correto

Qual a melhor maneira de se dirigir aos negros, homossexuais e idosos? Como não ofendê-los? Quais palavras usar e quais repudiar? Há dez anos, perguntas como essas dificilmente povoariam a mente dos brasileiros. Hoje, dúvidas assim são comuns. Essa mudança de comportamento, que reflete diretamente em nossa maneira de falar, deve-se ao Movimento do Politicamente Correto. Nascido na militância política pelos direitos civis, nos Estados Unidos, na década de 70, ele ganhou força nas universidades americanas nos anos 80 e desembarcou no Brasil pouco mais de dez anos depois. Prega que alguns termos sejam banidos do vocabulário para evitar manifestações preconceituosas de gênero, idade, raça, orientação sexual, condição física e social. A mania vem sendo incorporada pela sociedade, mas ferve o sangue de intelectuais, escritores e músicos cuja ferramenta de trabalho é justamente a palavra. O professor de linguística da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Bruno Dallare, considera o PC (como é chamado o movimento) autoritário, arbitrário e cerceador. “Ele provoca efeito contrário ao que defende”, diz. “Ao seguir regras, a pessoa perde a naturalidade e se distancia do interlocutor.” Além disso, os termos, em alguns casos, transcendem o bom senso. As expressões “terceira idade” e “melhor idade”, criadas por técnicos da Empresa Brasileira de Turismo (Embratur), para nomear programas de viagem destinados aos idosos, têm como objetivo mascarar a velhice. Trata-se de uma jogada de marketing – o termo, mais positivo que velho, ajudaria a atrair este público. Agora, já há profissionais do setor de turismo utilizando a expressão “suave idade”, como se esta realmente fosse a fase mais suave da vida.
“Não entendo por que ‘velho’ é politicamente incorreto”, diz o escritor Rubem Alves, do alto de seus 77 anos. “Já imaginaram se Ernest Hemingway tivesse dado ao seu livro o nome de O idoso e o mar (o nome é O velho e o mar)?”, questiona. O Ministério do Turismo cunhou “melhor idade” depois que a expressão “terceira idade” foi registrada e eles perderam o direito de utilizá-la. “Não acho o termo bom, mas foi o melhor que encontramos”, diz Maria Flor, do Ministério do Turismo.
As expressões difundidas pelos politicamente corretos estão presentes, principalmente, na militância gay e no movimento negro. A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) editou uma cartilha para educadores e outra para comunicadores, em que sugere quais palavras devem ser usadas. Exemplo disso é a troca de “homossexualismo” por “homossexualidade”. O argumento é forte. Em 1996, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou o homossexualismo da lista de doenças. Por isso, o sufixo “ismo” (que remete a doenças) não teria mais sentido. O movimento negro afirma que eles não querem ser chamados de “neguinho” e “preto”. Preferem afrodescendentes – uma tradução, um pouco torta, do termo usado nos Estados Unidos pelos PCs, afro-americans. Grande parte da linguagem politicamente correta brasileira é inspirada na americana. Mas ela também nasce aqui. “Muitos termos e expressões são criados, mas somente alguns são aceitos pela mídia e passados para a frente”, diz Dallare.
Até mesmo as escolas de ensino infantil são berço dessas manifestações. Há dez anos educadores alteram a letra de canções de roda consagradas. Clássicos como “Atirei o pau no gato”, “O cravo e a rosa” e “Boi da cara preta” foram considerados inadequados. O primeiro, por exemplo, é tido como agressivo e “pouco amigo” dos animais. Os outros dois são tachados, respectivamente, de “desumano” e “racista”. Segundo Claudia Razuk, coordenadora de uma das unidades do Colégio Itatiaia, em São Paulo, o objetivo é, desde cedo, ensinar à criança a maneira correta de agir. “A escola existe para isso”, afirma. Recentemente, a própria educadora mudou a letra de uma canção, que considerava pessimista, para uma versão mais cor-de-rosa.
Em 2005, a Secretaria Especial dos Direitos Humanos, do governo federal, editou a Cartilha do Politicamente Correto. E foi bombardeada de críticas – acusada de cercear a liberdade de expressão e criticada por seus “exageros”. Termos como “peão”, “comunista” e “funcionário público” eram desaconselhados. A obra foi engavetada, mas deixou uma lição. Com o uso de palavras politicamente corretas ou não, o fundamental é ter bom senso.

(Isto é, 5/9/2008)

1. Segundo o texto, é correto afirmar que o autor:

(a) defende que cabe à escola minimizar os preconceitos, ensinando a linguagem politicamente correta.
(b) considera que a linguagem politicamente correta enfraquece a luta contra o racismo e o preconceito.
(c) sugere que o movimento politicamente correto mascara a realidade e torna a linguagem artificial.
(d) contesta a ideia de que o emprego de expressões eufemísticas, como “melhor idade”, tem, na verdade, propósito comercial.
(e) corrobora as ideias dos educadores que alteraram letras de tradicionais canções infantis que propagam a intolerância.

2. Em “... o sufixo ‘ismo’ (que remete a doenças)...”, mostra-se o papel desse elemento na produção de efeitos de sentido. Nas alternativas abaixo, o sufixo “ismo” tem sentido pejorativo, o que confirma o comentário do autor, EXCETO em:

(a) Com o bairrismo entre paulistas e cariocas, o futebol de outros estados sempre ficou de lado e, algumas vezes, tem pouco destaque, principalmente no noticiário.
(b) Cresce a oferta de produtos que contêm componentes que atuam sobre o metabolismo, reduzindo risco de doenças como o câncer.
(c) Fanatismo religioso ou convicções ideológicas rígidas são os vírus mais poderosos da cegueira social.
(d) O técnico apontou como um dos problemas de seu time, na etapa final, o excesso de preciosismo de alguns jogadores.
(e) Depois de mais de meio século de isolacionismo, o Japão mostra que a China não é o país a fazer opções estratégicas que determinarão o futuro da Ásia.

3. Em “...ganhou força nas universidades americanas nos anos 80 e desembarcou no Brasil pouco mais de dez anos depois”, o trecho em destaque é um exemplo da figura de linguagem chamada de

(a) silepse (b) metonímia (c) catacrese (d) sinestesia (e) anáfora

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 4 a 7.
ÁRIES (21 mar. a 20 abr.)

Lunação em signo complementar destaca importância das relações em sua vida nas próximas semanas. Cuide de sua rede social, mostre-se atencioso com as pessoas. Seu sucesso é resultado disso também e agora essa questão tem importância suprema. Cultive o tato.

(Folha de S. Paulo, “Ilustrada”, Astrologia, Barbara Abramo, 29 set. 2008.)

4. Sobre o texto, pode-se afirmar que:

(a) a ausência de subordinação torna o texto mais ágil e mais compreensível para o leitor.
(b) o uso exclusivo de coordenação tende a torná-lo telegráfico.
(c) o uso dos verbos no imperativo impossibilita o emprego da subordinação.
(d) a subordinação nele existente visa a facilitar a ordenação das orações.
(e) o uso do imperativo pode ser substituído pelo futuro do presente.

5. Em “Seu sucesso é resultado disso também e agora essa questão tem importância suprema.”, os termos “disso” e “essa”

(a) referem-se a algo que ainda vai ser explicitado no texto.
(b) referem-se aos termos citados anteriormente no texto, “sua rede social” e “atencioso com as pessoas”.
(c) referem-se a algo que está próximo ao emissor do texto.
(d) poderiam ser substituídos por “aquilo” e “aquela”, sem prejuízo de sentido para o texto.
(e) poderiam ser substituídos por “isto” e “aquilo”, sem prejuízo de sentido para o texto.

6. Se as formas verbais “cuide”, “mostre-se” e “cultive” fossem empregadas na segunda pessoa do singular, teríamos:

(a) cuidas, mostras-te, cultivas.
(b) cuida, mostra-te, cultiva.
(c) cuidai, mostrai-vos, cultivai.
(d) cuida, mostra-se, cultiva.
(e) cuides, mostres-te, cultives.

7. “Lunação”, “atencioso” e “cultivo” surgem pelos mesmos processos de formação de palavras existentes, respectivamente, em:

(a) cidadão, preconceituoso, jantar.
(b) automóvel, inchaço, luta.
(c) rejeição, anoitecer, desgaste.
(d) burocracia, atraso, atenção.
(e) gatinho, cabeçudo, debate.

8. Compare estes períodos:
I – Os investidores que temiam ser vítimas da crise global financeira abandonaram o
mercado de ações.
II – Os investidores, que temiam ser vítimas da crise global financeira, abandonaram o mercado de ações.
A respeito do emprego de vírgulas, é correto afirmar:

(a) Em I, a ausência de vírgulas cria o pressuposto de que ainda há pessoas investindo na Bolsa de Valores.
(b) Em II, a presença de vírgulas indica que somente alguns investidores temiam ser vítimas da crise financeira.
(c) A análise dos períodos permite afirmar que as vírgulas têm apenas a função de demarcar pausas na leitura.
(d) Em I, subentende-se que todos os investidores deixaram de aplicar seu dinheiro no mercado de ações.
(e) Em II, as vírgulas foram usadas para destacar a ideia de restrição, presente na oração subordinada adjetiva.

9. Da leitura da tira é possível depreender que
_
(Nani, Vereda Tropical, Editora Record)

(a) considerando-se a regência do verbo “combater”, pode-se constatar que, na verdade, não é possível empregar a crase.
(b) há, na última fala, a clara intenção de apresentar um jogo de palavras, fazendo um trocadilho com as palavras “crase” e “crise”.
(c) não ocorrerá crase apenas se o verbo “combater” for empregado como intransitivo, ou seja, se ele não exigir complemento verbal.
(d) haverá crase se a “sombra” representar o modo como será combatido, isto é, com função de adjunto adverbial.
(e) a última fala é uma explicação de que, nesse caso, a crase é facultativa, preservando-se o mesmo sentido.

10. A leitura da charge permite inferir que:

(Luís Fernando Veríssimo, O Estado de São Paulo, 27/07/2008)

(a) Na fala do avô, está implícita a idéia de que ele admite seu completo desconhecimento da área jurídica.
(b) O avô tenta disfarçar, por meio de suas respostas, seu desconhecimento sobre a origem etimológica da expressão “habeas corpus”.
(c) A resposta deixa pressuposta a idéia de que, na opinião do avô, o assunto em questão não deveria ser do interesse de uma criança.
(d) A fala do avô deve ser compreendida como uma crítica explícita aos políticos de modo geral.
(e) O comentário do avô, no segundo quadrinho, contém uma crítica às iniqüidades permitidas pelo judiciário.

11. Analise o emprego do verbo “fazer” nos excertos a seguir:
I - Seria excessivo dizer que hoje já não se fazem bons filmes, mas não é excessivo dizer que já não se fazem filmes como antigamente.

(Boris Fausto, Folha de São Paulo, 28 de maio de 2006)
II – “Eu tinha apenas dezessete anos
No dia em que saí de casa
E não fazem mais de quatro semanas que eu estou na estrada”
(Primeira canção da estrada, Sá e Guarabyra).

III - Uma coisa é patente: não fazem mais espelhos como antigamente.

Indique V (verdadeiro) ou F (falso) em cada uma das alternativas a seguir:

( ) Nos três excertos, o sujeito de “fazem” tem a mesma classificação: é indeterminado.
( ) Em I, o verbo “fazer” está na voz passiva sintética, e o sujeito é simples.
( ) Em I, ocorre uma falha de concordância verbal, uma vez que o índice de indeterminação do sujeito “se” exige verbo no singular.
( ) Em II, ocorre oração sem sujeito, por isso, o verbo não poderia ser flexionado no plural.
( ) Em III, seria obrigatória a inclusão do índice de indeterminação do sujeito.

A sequência correta é:

(a) V – F – V – F – V
(b) F – F – V – V – F
(c) F – V – F – V – F
(d) V – F – V – F – F
(e) F – V – F – V – V

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 12 a 14.

O enfermeiro

Resmungou ainda muito tempo. Às onze horas passou pelo sono. Enquanto ele dormia, saquei um livro do bolso, um velho romance de d'Arlincourt, traduzido, que lá achei, e pus-me a lê-lo, no mesmo quarto, a pequena distância da cama; tinha de acordá-lo à meia-noite para lhe dar o remédio. Ou fosse de cansaço, ou do livro, antes de chegar ao fim da segunda página adormeci também. Acordei aos gritos do coronel, e levantei-me estremunhado. Ele, que parecia delirar, continuou nos mesmos gritos, e acabou por lançar mão da moringa e arremessá-la contra mim. Não tive tempo de desviar-me; a moringa bateu-me na face esquerda, e tal foi a dor que não vi mais nada; atirei-me ao doente, pus-lhe as mãos ao pescoço, lutamos, e esganei-o. Quando percebi que o doente expirava, recuei aterrado, e dei um grito; mas ninguém me ouviu. Voltei à cama, agitei-o para chamá-lo à vida, era tarde; arrebentara o aneurisma, e o coronel morreu. Passei à sala contígua, e durante duas horas não ousei voltar ao quarto. Não posso mesmo dizer tudo o que passei, durante esse tempo. Era um atordoamento, um delírio vago e estúpido. Parecia-me que as paredes tinham vultos; escutava umas vozes surdas. Os gritos da vítima, antes da luta e durante a luta, continuavam a repercutir dentro de mim, e o ar, para onde quer que me voltasse, aparecia recortado de convulsões. Não creia que esteja fazendo imagens nem estilo; digo-lhe que eu ouvia distintamente umas vozes que me bradavam: assassino! assassino!
(...)
Antes do alvorecer curei a contusão da face. Só então ousei voltar ao quarto. Recuei duas vezes, mas era preciso e entrei; ainda assim, não cheguei logo à cama. Tremiam-me as pernas, o coração batia-me; cheguei a pensar na fuga; mas era confessar o crime, e, ao contrário, urgia fazer desaparecer os vestígios dele. Fui até a cama; vi o cadáver, com os olhos arregalados e a boca aberta, como deixando passar a eterna palavra dos séculos: "Caim, que fizeste de teu irmão?" Vi no pescoço o sinal das minhas unhas; abotoei alto a camisa e cheguei ao queixo a ponta do lençol. Em seguida, chamei um escravo, disse-lhe que o coronel amanhecera morto; mandei recado ao vigário e ao médico.
A primeira ideia foi retirar-me logo cedo, a pretexto de ter meu irmão doente, e, na verdade, recebera carta dele, alguns dias antes, dizendo-me que se sentia mal. Mas adverti que a retirada imediata poderia fazer despertar suspeitas, e fiquei. Eu mesmo amortalhei o cadáver, com o auxílio de um preto velho e míope. Não saí da sala mortuária; tinha medo de que descobrissem alguma coisa. Queria ver no rosto dos outros se desconfiavam; mas não ousava fitar ninguém.

(Machado de Assis, Contos)

12. A respeito do fragmento desse clássico conto de Machado de Assis, assinale a alternativa correta.

(a) Notam-se as características marcantes das obras naturalistas, em que são comuns personagens dominados pelos instintos.
(b) Assim como em “D. Casmurro”, o narrador-personagem deixa-se conduzir por impulsos que infringem a moral e a ética.
(c) Nesse conto, Machado de Assis recorre aos clichês do Romantismo ao abordar temas como a morte e a loucura.
(d) Exploram-se, nessa narrativa, os limites entre a realidade e a imaginação, o ser e o parecer.
(e) O narrador constrói seu relato a partir de uma série de dubiedades e variações de ponto de vista que colocam em xeque a sua própria identidade.

13. No quarto parágrafo, a frase “Caim, que fizeste de teu irmão?”, revela que o enfermeiro

(a) é um homem religioso e logo inicia os rituais funerários, pois teme que o coronel
não “descanse em paz”.
(b) considerava seu paciente como um irmão, dedicando-se a ele, apesar da fatalidade da morte ocorrida.
(c) relaciona o episódio narrado com a passagem bíblica para atribuir a culpa ao coronel.
(d) fica enlouquecido e, em seu delírio, pensa estar diante de Deus, no juízo final.
(e) é dominado pelo drama de consciência e pelo medo de ser descoberto e punido pelo
crime.

14. Leia as afirmações abaixo e identifique a(s) correta(s), de acordo com o texto.

I – Em “Tremiam-me as pernas”, ocorre ênclise porque, segundo a norma culta, não se iniciam frases com pronome oblíquo átono.
II – No trecho “... urgia fazer desaparecer os vestígios dele.”, o pronome destacado refere-se ao cadáver.
III – Em “Queria ver no rosto dos outros se desconfiavam”, o “se” é um pronome reflexivo.

(a) Apenas I. (b) Apenas II. (c) Apenas III. (d) I e II. (e) I e III.

Utilize o texto abaixo para responder ao teste 15.

Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso vôo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na
calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não
esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

(Quintana, Mário. Nova Antologia Poética. São Paulo: Globo, 1998, p. 118.)

15. Na passagem “É preciso dizer-lhes tudo de novo!”, a oração em negrito exerce a mesma função sintática que

(a) “E ela pensa que (...) Atira-se...”
(b) “Vive uma louca chamada Esperança...”
(c) “Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada...”
(d) “Ela lhes dirá bem devagarinho...”
(e) “O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...”


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

DICAS RÁPIDAS 2 - ASTERISCO OU ASTERÍSTICO?

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Texto: “13 de dezembro” – Carlos Heitor Cony

13 de dezembro

Passei de carro pela Esplanada e vi a multidão. Estranhei aquilo. O motorista me lembrou: ""Hoje é 13 de dezembro, Dia de Santa Luzia. A igreja dela está cheia, ela protege os olhos da gente".
Agradeci a informação, mas fiquei inquieto. Bolas, o 13 de dezembro tinha alguma coisa a ver comigo e nada com santa Luzia e sua eficácia nas doenças que ainda não tenho. O que seria?
Aniversário de um amigo? Uma data inconfessável, que tivesse marcado um relacionamento para o bom ou para o pior? 
Não lembrava de nada de importante naquele dia, mas ele piscava dentro de mim. E as horas se passaram iluminadas pelo intermitente piscar da luzinha vermelha dentro de mim. 13 de dezembro! Preciso tomar um desses tonificantes da memória, vivo em parte dela e não posso ter brancos assim, um dia importante e não me lembro por quê. 
Somente à noite, quando não era mais 13 de dezembro, ao fechar o livro que estava lendo, de repente a luz parou de piscar e iluminou com nitidez a cena noturna: eu chegando no prédio em que morava, no Leme, a Kombi que saiu dos fundos da garagem, o homem que se aproximou e me avisou que o comandante do 1º Exército queria falar comigo.
Eram 11 horas da noite, estranhei aquele convite, nada tinha a falar com o general Sarmento e não acreditava que ele tivesse alguma coisa a falar comigo.
Mas o homem insistiu. E outro homem que saíra da Kombi já entrava dentro do meu carro, com uma pequena metralhadora. Naquela mesma hora, a mesma cena se repetia pelo Brasil afora, o governo baixara o AI-5, eu nem ouvira o decreto lido no rádio. Num motel da Barra, eu estivera à toa na vida, e meu amor me chamara e eu não vira a banda passar.
Tantos anos depois, ninguém me chama nem me convida para falar com o comandante do 1º Exército. O país talvez tenha melhorado, mas eu certamente piorei.

(Carlos Heitor Cony, Folha de S. Paulo, 16/12/2001)



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INSPER – Prova de Análise Verbal – 2008 – 2º Semestre

INSPER – Prova de Análise Verbal – 2008 – 2º Semestre

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 1 a 3.

Vem aí a Sessão Saudade de 1968

FALTAM cinco dias para o início da efeméride dos 40 anos de 1968. Os sessentões revisitarão aquele grande ano da aurora de suas vidas, que o tempo não traz mais. Virão as doces lembranças das passeatas e dos festivais de música, até o amargo desfecho da noite de 13 de dezembro, quando a ditadura militar escancarou-se.
Há uma aura mágica em torno de 1968, como se tivesse sido um ano que mudou o mundo. Ele teve muitos acontecimentos inesquecíveis, mas poucos resultados. No Brasil, começou na rua e terminou na sala de jantar do Palácio das Laranjeiras, onde se baixou o AI-5. Na França, teve a revolta dos estudantes em maio e a vitória eleitoral do presidente imperial Charles de Gaulle em junho. Nos Estados Unidos, destroçado pela impopularidade da Guerra do Vietnã, o presidente Lyndon Johnson anunciou em março que não disputaria um novo mandato e, em novembro, foi eleito o republicano Richard Nixon. Em agosto a União Soviética invadiu a Tchecoslováquia, acabando com o que se denominara de Primavera de Praga.
O historiador inglês Tony Judt matou a charada: "Os anos 60 foram a grande era da teoria". Os fatos perderam importância, substituídos pelo que se supunha ser a grande compreensão dos fenômenos. Havia até a expressão "racionar em bloco".
A sacralização de 1968 omite o culto dos jovens rebeldes à violência das massas. Exemplo disso foi o apoio recebido pela Revolução Cultural de Mao Zedong. Da mesma forma, fazia-se de conta que os valentes vietcongs seriam incapazes de instalar uma ditadura que levaria centenas de milhares de pessoas a fugir do país em jangadas de junco.
Até a utopia rural de Pol Pot no Camboja tinha seu charme.
O grande ano da segunda metade do século passado não foi 1968, mas 1989. O colapso do império soviético e a destruição dos regimes socialistas europeus, bem como a inviabilização dos projetos bicentenários de revolução política e social redesenharam o mundo. Foi 1989 que permitiu aos revolucionários de 1968 a acomodação de suas idéias e biografias ao século 21. (Numa perfídia dos algarismos, 89 é 68 invertido e de cabeça para baixo.)
A brutalidade da ditadura militar cobriu com um manto sagrado a natureza autoritária dos projetos de quase toda a esquerda brasileira.
Passado o tempo, essas militâncias são explicadas a partir da ideia de que aquela foi uma geração que correu atrás de um sonho. Tudo bem, pois ninguém pode discutir com uma pessoa que teve um sonho há 40 anos. A sacralização do 1968 brasileiro tem seu melhor momento na gloriosa passeata dos Cem Mil, ocorrida no Rio de Janeiro, na tarde de 26 de junho de 1968. É pena, mas por mais que ela tenha assustado os generais, foi outro fato quem levou todas as águas do São Francisco para a moenda da ditadura escancarada. Naquela madrugada, um comando da VPR jogara um veículo com explosivos contra o portão do QG do 2º Exército, em São Paulo, matando o sentinela Mário Kozel Filho.
No Brasil, 1968 foi o ano de um terrível desencontro provocado pela radicalização política. Talvez não pudesse ser evitado mas, ao contrário de 1989, teria sido melhor que não tivesse existido.

(Elio Gaspari, Folha de São Paulo, 26 de dezembro de 2007.)

1. Considere as afirmações abaixo. Está(ão) correta(s)

I – No período “Os sessentões revisitarão aquele grande ano da aurora de suas vidas, que o tempo não traz mais”, o autor recorre à intertextualidade, retomando os versos do poema “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu, a fim de ironizar a aura de nostalgia de que se cobriram os anos 60.
II – A antítese, presente em “Virão as doces lembranças das passeatas e dos festivais de música até o amargo desfecho da noite de 13 de dezembro, quando a ditadura escancarou-se”, reforça a tese de que existe uma idealização dos acontecimentos ocorridos no ano de 1968.
III – A metalinguagem foi usada como recurso estilístico em “Talvez não pudesse ser evitado mas, ao contrário de 1989, teria sido melhor que não tivesse existido.”

(a) Apenas I e II (b) Apenas I e III (c) Apenas II e III (d) Apenas III. (e) I, II e III

2. Assinale a alternativa correta sobre o texto.

(a) O autor defende que a extinção da União Soviética e a queda do muro de Berlim – fatos ocorridos em 1989 – foram menos significativos para o mundo do que os acontecimentos de 1968.
(b) Segundo o autor, o AI-5 no Brasil, a Primavera de Praga na Tchecoslováquia e a eleição de Charles de Gaulle na França foram inesquecíveis porque representaram vitórias da esquerda.
(c) A expressão “racionar em bloco”, usada nos anos 60, era um indício de que a radicalização política ignorava a violação dos direitos humanos na China e no Vietnã.
(d) Para Elio Gaspari, nem a passeata dos Cem Mil, no Rio de Janeiro, nem o atentado praticado pela VPR contra o QG do 2º Exército, em São Paulo, foram levados a sério pelos militares da época.
(e) O autor relativiza a celebração dos 40 anos de 1968, uma vez que os acontecimentos daquele ano, apesar de inesquecíveis, efetivamente não mudaram o mundo.

3. Releia estas passagens do texto:

• “... o início da efeméride dos 40 anos de 1968.”
• “A sacralização de 1968 omite o culto dos jovens rebeldes à violência das massas”.
• “Numa perfídia dos algarismos, 89 é 68 invertido e de cabeça para baixo.”
• “... essas militâncias são explicadas a partir da idéia de que aquela foi uma geração que correu atrás de um sonho”.

Considerando o significado dos vocábulos destacados e o contexto em que foram empregados, eles poderiam ser substituídos, respectivamente, pelas seguintes palavras e expressões:

(a) homenagem, ufanismo, ironia do destino, militares.
(b) comemoração, consagração, cilada, grupos engajados.
(c) futilidade, exaltação, tramóia, jovens rebeldes.
(d) sandice, idealização, gracejo, apologias.
(e) banalidade, iconoclastia, quimera, milícias.

4. Assinale a alternativa correta quanto ao emprego das formas verbais.

(a) Os grandes bancos não interviram no mercado.
(b) É fundamental que os empresários se precavejam contra a iminente alta dos juros.
(c) Poderei colaborar, se você não se opor.
(d) Diversos professores daquela universidade já requereram a aposentadoria.
(e) Os advogados já haviam entregue o documento.

Utilize a tirinha abaixo para responder ao teste 5.

(Scott Adams, O princípio Dilbert, 3.ª ed. Rio de Janeiro, Ediouro, 1997, p. 90)

5. Levando-se em conta os aspectos textuais e visuais da tirinha, assinale a alternativa correta.

(a) A surpresa e o absurdo, que constroem o humor da tira, restringem-se ao uso da pergunta feita pelo executivo no último quadrinho.
(b) O contexto permite inferir que o funcionário que faz a pergunta inicial é um indivíduo dissimulado.
(c) A sequência de quadrinhos autoriza afirmar que, no mundo corporativo, o trabalho em equipe é condição essencial para o sucesso profissional.
(d) A expressão facial e a resposta ambígua do chefe, no segundo quadrinho, evidenciam que ele não compreendeu a pergunta do funcionário.
(e) O efeito de humor constrói-se a partir da presença da ironia na resposta do chefe, no segundo quadrinho.

6. A campanha publicitária “Heróis pela Democracia” lançada, em março deste ano, pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) provocou uma “polêmica linguística”. Para conscientizar os jovens sobre a importância do voto, foi produzida uma série de filmes que apresentava o seguinte texto: Heróis existem. Não desperdice o direito que eles tanto lutaram e conquistaram para você. Professores apontaram erro de português na propaganda. Para a W/Brasil  (agência responsável pela criação dos filmes), o texto não apresenta erro algum. Analise atentamente a frase da propaganda e assinale a alternativa que contém a afirmação correta.

(a) Na frase da propaganda, há um erro no emprego da preposição “para”, que deveria ser substituída pela preposição “por”.
(b) Admitindo que a frase esteja incorreta, seria possível propor a seguinte correção: Heróis existem. Não desperdice o direito por que eles tanto lutaram e que conquistaram para você.
(c) Não há propriamente um erro gramatical, pois pode-se entender que a palavra “direito” não tem relação sintática com o verbo “lutar”, mas sim com o infinitivo “conquistaram”, do qual é objeto direto.
(d) Na frase da propaganda, há um erro porque “lutar” e “conquistar” apresentam regências diferentes, mas foram empregados com o mesmo complemento: o objeto indireto “para você”.
(e) Para evitar a ambiguidade, bastaria acrescentar uma preposição antes do pronome relativo “que”.

7. Considere estas afirmações sobre o poema abaixo:

Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

(ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. 42. ed. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1998.)

I - O soneto retrata o ciclo da vida, permeado de dor, de sofrimento e da presença constante e ameaçadora da morte inevitável.
II - O poeta inaugura a temática do Parnasianismo, apresentando imagens repulsivas, inspiradas na morte e na decomposição da matéria.
III - O amoníaco representa uma metáfora de alma, pois, segundo o poeta, o homem é composto de corpo (carbono) e alma (amoníaco). No fim da vida, o corpo (orgânico) apodrece, enquanto a alma (inorgânica) mantém-se viva na terra.

Está(ão) correta(s):

(a) Apenas I. (b) Apenas II. (c) Apenas III. (d) Apenas I e III. (e) Apenas II e III.

8. A prosódia trata da correta pronúncia das palavras, segundo a tonicidade da sílaba.
Observe, a seguir, o trecho da canção "Não serve pra mim", um antigo sucesso de Roberto Carlos regravado pelo grupo Ira!. Muitas pessoas têm dúvidas quanto à correta pronúncia da palavra destacada.

Não quero mais seu amor,
não pense que eu sou ruim.
Vou procurar outro alguém
você não serve pra mim...

Nas palavras abaixo, as sílabas tônicas estão destacadas com letras maiúsculas. Identifique a única alternativa que apresenta erro de prosódia.

(a) ruBRIca, ruIM, chanceLER.
(b) aVAro, iBEro, liBIdo
(c) gratuIto, puDIco, RUim
(d) caracTEres, forTUIto, reCORde
(e) cartomanCIa, conDOR, cirCUIto

9. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas das frases abaixo.

Ignoramos ......................... o governo não alterou a tabela do imposto de renda.
O time teve um ....................... desempenho.
Conheci o apartamento ..................... aconteceu aquela tragédia.

(a) por que, mau, onde
(b) porque, mal, onde
(c) porquê, mal aonde
(d) por que, mau, aonde
(e) porque, mau, aonde

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 10 a 12.

Bolsos

Ganhei uma camiseta. Não tem bolso. Uma camiseta sem bolso tem sua utilidade limitada à função de vestir – desculpe se pareço malagradecido. Com o bolsinho, ela serve mais, acrescenta ao vestir o levar alguma coisa: óculos, cartão, anotação, caneta, talão de cheques, palpite da Mega-sena.
Bolsos das calças não servem para essas coisas, quebram ou entortam os óculos, deformam ou racham cartões de plástico, partem canetas ou elas nos espetam, amarrotam o volante da loteria, são difíceis de alcançar enquanto estamos dirigindo um automóvel. No bolsinho da camiseta essas coisas se acomodam bem. Sentado no carro, onde enfiar rapidinho o tíquete do estacionamento do shopping para procurar a vaga? Li no jornal que um homem escapou da morte porque uma caneta no bolso da camisa desviou a bala destinada ao coração. Não digo que bolsinhos e seu conteúdo sejam um bom escudo, estou só lembrando o caso, de passagem.
Gosto de bolsos. O homem que inventou as calças jeans no século XIX, Levi Strauss, foi previdente. Imaginou que os homens do futuro, nós, sem paletós nem coletes, iríamos ficar com a vida complicada se não tivéssemos bolsos suficientes, pois iríamos ter muita miudeza para levar conosco, e bolou logo cinco bolsos. Imaginem os jeans sem eles: não teriam pegado.
Houve um tempo, sim, em que os homens citadinos tinham, na soma das roupas que vestiam, muito mais bolsos, e curiosamente era um tempo em que talvez carregassem menos coisas consigo. Bolsos tinham um sinônimo até mais usado: algibeiras. As roupas masculinas somavam uma dezena deles, ou mais. Vamos contar. Nas calças, pelo menos dois laterais e dois traseiros. São quatro. Usavam coletes: estes tinham dois bolsinhos na barriga e um do lado esquerdo do peito. São sete. Usavam paletós: duas algibeiras maiores dos lados, um bolsinho no lado esquerdo do peito, onde ia o lencinho fino, mero detalhe elegante, e pelo menos dois maiores internos, no forro, um de cada lado. São mais cinco, com sete: doze. Doze bolsos.
E que levavam esses homens, na época dos coletes? Relógio de bolso, caixinha de rapé, um ou dois charutos, moedas, eventualmente óculos, lenço, lápis ou caneta-tinteiro, algum papel... – algo mais? Consta na cultura geral da língua que nos bolsos dos coletes se levavam soluções mágicas para os problemas, sacadas criativas em que ninguém tinha pensado. Dizia-se com alguma admiração para alguém que apresentava uma solução inesperada: "Essa você tirou do bolso do colete". Também se tirava desse bolsinho algum nome salvador para resolver um impasse político. Donde se conclui que os coletes tinham bolsos para neles se levarem surpresas.
Para que mesmo os antigos precisariam de tantos bolsos? Não havia talão de cheques, cartão do banco, cartão de crédito, cartão do convênio médico, cartão de refeição, passe do ônibus, Carteira Nacional de Habilitação, cartão do seguro, RG, CPF, telefone celular, chaveiro cheio, iPod, pen drive, boletos bancários, óculos de sol... Livros de bolso só foram inventados mais tarde, e nunca ouvi dizer que alguém levasse livro no bolso.
Houve uma época, recente, em que tentaram habituar os homens a usar bolsas a tiracolo. Não deu certo. As fotos da época, anos da década de 1970, mostram homens desajeitados com aquela tira de couro atravessada no peito, senhores de paletó e gravata com aquele sacolão pendurado do lado. A bolsa prejudica a agilidade do homem, atrapalha a corrida, estorva a reação dos muito machos a provocações, tchê.
Por que fizeram as roupas das mulheres sem bolsos? Desde o começo os inventores da moda pensaram na mulher para vender bolsas. Só a mulher teria coragem de pagar mais de 20.000 reais por uma delas.

(Ivan Angelo, Veja SP, 06.09.2007)

10. Assinale a alternativa em que a palavra “bolso” exerce a mesma função sintática que nesta frase: “Uma camiseta sem bolso tem sua utilidade limitada”.

(a) “Bolsos das calças não servem para essas coisas.”
(b) “Gosto de bolsos”.
(c) “Para que mesmo os antigos precisariam de tantos bolsos?”
(d) “Livros de bolso só foram inventados mais tarde.”
(e) “Nunca ouvi dizer que alguém levasse livro no bolso.”

11. Transpondo corretamente para a voz ativa a oração “...nos bolsos dos coletes se levavam soluções mágicas para os problemas...”, obtém-se:

(a) Soluções mágicas para os problemas eram levadas nos bolsos dos coletes.
(b) Levavam nos bolsos dos coletes soluções mágicas para os problemas.
(c) Nos bolsos dos coletes, soluções mágicas para os problemas foram levadas.
(d) Levava-se, nos bolsos dos coletes, soluções mágicas para os problemas.
(e) Eram levados nos bolsos dos coletes soluções mágicas para os problemas.

12. Baseando-se em seus conhecimentos gramaticais, marque V (verdadeiro) ou
F (falso) para as afirmações a seguir.

( ) O travessão usado no primeiro parágrafo tem a função de introduzir um aposto que se refere à utilidade de vestir camisas sem bolso.
( ) Em “... quebram ou entortam os óculos...”, ambos os verbos são formados pelo processo de derivação parassintética.
( ) Embora a gramática normativa indique que advérbios apresentem apenas os graus comparativo e superlativo, é comum, na linguagem informal, o uso de advérbios no diminutivo como em “...enfiar rapidinho o tíquete...”
A sequência correta é

(a) V, F, V (b) F, V, F (c) F, F, V (d) V, V, V (e) V, V, F

Utilize o texto abaixo para responder aos testes de 13 a 15.

Os meninos sumiam-se numa curva do caminho. Fabiano adiantou-se para alcançá-los. Era preciso aproveitar a disposição deles, deixar que andassem à vontade. Sinhá Vitória acompanhou o marido, chegou-se aos filhos. Dobrando o cotovelo da estrada, Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos; o patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia esmoreceram no seu espírito.
E a conversa recomeçou. Agora Fabiano estava meio otimista. Endireitou o saco da comida, examinou o rosto carnudo e as pernas grossas da mulher. Bem. Desejou fumar. Como segurava a boca do saco e a coronha da espingarda, não pôde realizar o desejo. Temeu arriar, não prosseguir na caminhada. Continuou a tagarelar, agitando a cabeça para afugentar uma nuvem que, vista de perto, escondia o patrão, o soldado amarelo e a cachorra Baleia. Os pés calosos, duros como cascos, metidos em alpercatas novas, caminhariam meses. Ou não caminhariam? Sinhá Vitória achou que sim. [...] Por que haveriam de ser sempre desgraçados, fugindo no mato como bichos? Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias. Podiam viver escondidos, como bichos? Fabiano respondeu que não podiam.
–– O mundo é grande.
Realmente para eles era bem pequeno, mas afirmavam que era grande –– e marchavam, meio confiados, meio inquietos. Olharam os meninos que olhavam os montes distantes, onde havia seres misteriosos. Em que estariam pensando? zumbiu Sinhá Vitória. Fabiano estranhou a pergunta e rosnou uma objeção. Menino é bicho miúdo, não pensa. Mas Sinhá Vitória renovou a pergunta –– e a certeza do marido abalou-se. Ela devia ter razão. Tinha sempre razão. Agora desejava saber que iriam fazer os filhos quando crescessem.
–– Vaquejar, opinou Fabiano.
Sinhá Vitória, com uma careta enjoada, balançou a cabeça negativamente, arriscando-se a derrubar o baú de folha. Nossa Senhora os livrasse de semelhante desgraça. Vaquejar, que ideia! Chegariam a uma terra distante, esqueceriam a catinga onde havia montes baixos, cascalhos, rios secos, espinhos, urubus, bichos morrendo, gente morrendo. Não voltariam nunca mais, resistiriam à saudade que ataca os sertanejos na mata. Então eles eram bois para morrer tristes por falta de espinhos? Fixar-se-iam muito longe, adotariam costumes diferentes.

(RAMOS, Graciliano. Vidas secas. 71. ed. Rio de Janeiro: Record, 1996. p. 120-122.)

13. A respeito desse trecho do romance de Graciliano Ramos, é correto afirmar:

(a) O narrador faz uma crítica ao trabalhador rural nordestino, representado pelo protagonista Fabiano, que não tem ambição e conforma-se com a sua insignificância.
(b) As palavras e os pensamentos de Fabiano evidenciam sua inconformidade com a
opressão social e apontam para seu desejo de reformar a sociedade agrária à custa da luta armada.
(c) As reflexões de Sinhá Vitória revelam que, no drama dos retirantes que fogem da seca, há espaço para o sonho de dias melhores.
(d) Fabiano e Sinhá Vitória consideram fundamental a imersão dos meninos no mundo urbano, longe da hostilidade do sertão.
(e) Na narrativa, a família, por mais privações que enfrente, não se abala, já que conta com a mais profunda fé religiosa.

14. A presença do discurso indireto livre é constante em “Vidas Secas”. Esse tipo de discurso ocorre de modo evidente em

(a) “Fabiano sentia distanciar-se um pouco dos lugares onde tinha vivido alguns anos”.
(b) “Como segurava a boca do saco e a coronha da espingarda, não pôde realizar o desejo”.
(c) “–– O mundo é grande”.
(d) “Mas Sinhá Vitória renovou a pergunta”.
(e) “Então eles eram bois para morrer tristes por falta de espinhos?”

15. Ocorre oração sem sujeito em

(a) “Era preciso aproveitar a disposição deles...”.
(b) “Por que haveriam de ser sempre desgraçados?”
(c) “Com certeza existiam no mundo coisas extraordinárias”.
(d) “... onde havia seres misteriosos”.
(e) “Vaquejar, que ideia!”