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terça-feira, 30 de setembro de 2014

ERROS COMUNS NA LÍNGUA PORTUGUESA - PARTE III

ERROS COMUNS NA LÍNGUA PORTUGUESA - PARTE III


Seguem mais 30 erros comuns na língua portuguesa.

ERROS COMUNS NA LÍNGUA PORTUGUESA

Forma errada
Forma correta
1
Analizar
Analisar
2
Ascenção
Ascensão
3
Atravéz
Através
4
Buginganga
Bugiganga
5
Calabreza
calabresa
6
Churiço
Chouriço
7
Conciência/consiência
Consciência
8
Concientizar
Conscientizar
9
Coquitel
Coquetel
10
Disperdício
Desperdício
11
Envólucro
Invólucro
12
Errônio
Errôneo
13
Esteje
Esteja
14
Esteriotipo
Estereótipo
15
Etinia
Etnia
16
Excessão
Exceção
17
Facismo
Fascismo
18
Florecer
Florescer
19
Frustação
Frustração
20
Hipocresia
Hipocrisia
21
Holoforte
Holofote
22
Instantaniedade
Instantaneidade
23
Meio-dia e meio
Meio-dia e meia
24
Paralizar / paralização
Paralisar / paralisação
25
Pixar / pixação / pixador
Pichar / pichação / pichador
26
Previnir
Prevenir
27
Seje
Seja
28
Simplismente
Simplesmente
29
Tijela
Tigela
30
Xuxu
Chuchu

por Prof. Maurício Fernandes da Cunha
Exercícios

1. Vale lembrar a máxima de La Rochefoucauld: "A ________é um tributo que o vício paga à virtude." (hipocresia / hipocrisia)
2. O meia Kaká disse ter sentido muita ________ pelo fato de o seu time ter sofrido o gol de empate nos últimos minutos de jogo. (frustração / frustação)
3. Secretaria do Meio Ambiente de Araraquara utiliza ________ para espantar pombos de parque. (holofotes / holofortes)
4. O Twitter é importante pela _____________ da comunicação. (instantaniedade  / instantaneidade)
5. A greve dos bancários __________ diversas agências em São Paulo. (paralisou / paralizou)
6. Açaí na _______ é uma boa opção para os dias quentes. (tijela / tigela)
7.  Aumento no atacado em São Paulo é liderado pelo preço do _______. (chuchu / xuxu)
8. Grupo protesta no centro de São Paulo contra morte de _________ por PMs. (pixadores / pichadores)
9. Bancos investem em tecnologia para ________ golpes. (previnir / prevenir)
10. É ________ inaceitável que a equipe jogue tão mal. (simplesmente / simplismente)
11. ______ dita a verdade, o blog Veredas da Língua apresenta inúmeros exercícios de vestibulares. (seja / seje)
12. Talvez o Estado de São Paulo _______ vivendo uma pequena retração econômica. (esteje / esteja)
13. É importante o aluno conhecer a história da _______ e queda do Império Romano. (ascenção / ascensão)
14. Cabe ao eleitor _______ as propostas dos candidatos ao governo estadual. (analisar / analizar)
15. O sol espreitava _______ das nuvens. (atravéz / através)
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16.  Um novo estudo fez incríveis descobertas na detecção de traços de _______ em pacientes em estado vegetativo. (consiência / consciência / conciência)
17. A alternativa para o problema do lixo é recorrer a campanhas de __________ da sociedade. (conscientização / concientização)
18. No último sábado, foi realizado um _______ em homenagem aos novos autores da editora. (coquitel / coquetel)
19. O ________________ de comida é um dos maiores males dos países desenvolvidos. (desperdício / disperdício)
20. Para fidelizar o cliente, a alternativa é personalizar _________. (envólucros / invólucros)
21. O novo chanceler decidiu ainda ceder a passagem de alemães pelo Muro de Berlim, embora a medida tenha sido antecipada pelo anúncio ________ do porta-voz do partido . (errôneo / errônio)
22. A palma talipot também é conhecida como "palmeira dos 100 anos", porque em sua região de origem demora cerca de oito décadas para _______. (florecer / florescer)
23. __________ é a denominação que se dá ao regime político que surgiu na Europa entre 1919 e 1945, portanto, no intercurso das duas grandes guerras mundiais. (Fascismo / Facismo)
24. Cessar-fogo é respeitado na Ucrânia com ________ de incidentes isolados. (excessão / exceção)
25. Tensões entre _______ afegãs reacendem medo de guerra civil. (etnias / etinias)
26. Autor mexicano trata com ironia __________ que surgem na Copa. (esteriótipos / estereótipos)
27. O jogo começará exatamente ao meio-dia e _________ (meio / meia)
28. Minha pizza favorita é a de ____________. (calabresa / calabreza)
29. Preciso de ajuda para organizar livro, papéis e algumas ___________ antigas. (bugigangas / bugingangas)
30. Naquele restaurante, a atração é o bufê, que culmina numa poderosa grelha onde nacos de picanha e _________ são assados na hora. (churiço / chouriço)

Confira aqui o gabarito:
GABARITO – ERROS COMUNS NA LÍNGUA PORTUGUESA – PARTE III

Prof. Maurício Fernandes da Cunha

Leia também:

Texto: "Meu reino por um pente" - Paulo Mendes Campos

Meu reino por um pente

            Filhos – diz o poeta – melhor não tê-los.
           Já o Professor Aníbal Machado me confiou gravemente que a vida pode ter muito sofrimento, o mundo pode não ter explicação alguma, mas, filhos, era melhor tê-los. A conclusão parece simples, mas não era; Aníbal tinha ido às raízes da vida, e de lá arrancara a certeza imperativa de que a procriação é uma verdade animal, uma coisa que não se discute, fora de alcance do radar filosófico.
            “Eu não sei por que, Paulo, mas fazer filhos é o que há de mais importante.”
"Music lesson". Charles West Cope.
        Engraçado é que depois dessa conversa fui descobrindo devagar a melancólica impostura daquelas palavras corrosivas do final de Memórias Póstumas: “não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria”. Filhos, melhor tê-los, aliás, o mesmo poeta corrige antiteticamente o pessimismo daquele verso, quando pergunta: mas, se não os temos, como sabê-lo? Resumindo: filhos, melhor não tê-los, mas é de todo indispensável tê-los para sabê-lo; logo, melhor tê-los. 
            Você vai se rir de mim ao saber que comecei a crônica desse jeito depois de procurar em vão meu bloco de papel. Pois se ria a valer: o desaparecimento de certos objetos tem o dom de conclamar, por um rápido edital, todas as brigadas neuróticas alojadas nas províncias de meu corpo. Sobretudo instrumentos de trabalho. Vai-se-me por água a baixo o comedimento quando não acho minha caneta, meu lápis-tinta, meu papel, minha cola… Quando isso acontece (sempre) até taquicardia costumo ter; vem-me a tentação de demitir-me do emprego, de ir para uma praia deserta, de voltar para Minas Gerais, renunciar… Ridículo? Sim, ridículo, mas nada posso fazer. Creio que seria capaz (talvez seja presunção) de aguentar com relativa indiferença uma hecatombe que destruísse de vez todos os meus pertences.
            O que não suporto é a repetição indefinida do desaparecimento desses objetos sem nenhum valor, mas, sem os quais, a gente não pode seguir adiante, tem de parar, tem de resolver primeiro. Stanislaw Ponte Preta andou espalhando que eu usava ventilador para pentear os cabelos. Calúnia. Sou o maior comprador de pentes do Estado da Guanabara. Compro-os em quantidades industriais pelo menos duas vezes por mês, de todos os tamanhos, de todas as cores. Sou quase amigo de infância do vendedor de pentes que estaciona ali na esquina de Pedro Lessa e Rua México.
            A princípio, pensou que eu estava substabelecendo o comércio dele, comprando para vender mais caro, mas um dia eu lhe contei minha tragédia familiar, e ele sorriu e confessou: “Lá em casa é a mesma coisa”. Chego em casa com os meus pentes e os distribuo a mancheias. Dois para você, quatro para você – segundo o temperamento e a distração de cada um. Aviso a todos que vou colocar um no armário do quarto, um no banheiro, um em cada mesa de cabeceira, dois na minha gaveta. Terminada essa operação ostensiva, fico malicioso e furtivo; secretamente, vou escondendo outros pentes por todos os cantos e recantos, debaixo do colchão, no alto de um móvel, atrás do exemplar dos Suspiros Poéticos e Saudades. Em seguida, reúno solenemente toda a família, inclusive o Poppy, tiro do bolso um pente singular, o mais ordinário encontrável na praça, e digo: “Este é o meu pente; este ninguém usa; neste, sob pretexto algum, ninguém toca! Estão todos de acordo? Ou algum dos presentes deseja fazer alguma objeção?” Estão todos de acordo.
            A sinceridade do meu clã nesses momentos é de tal qualidade que, por um dia ou dois, tenho a ilusão de que, afinal, venci, de que descobri o approach certo para a família incerta. Mas, meu São Luís de Camões, ó caminhos da vida, sempre errados! Os dias passam, o vento passa a descabelar-nos, e os meus pentes, os meus pentes também passam. Misteriosamente, inexplicavelmente, eles desaparecem, pouco a pouco, com certa malícia, um a um, dois a dois, até chegar o momento dramático no qual, depois de vasculhar todos os meus esconderijos, fico em cabelos no meio da sala e, como Ricardo III em plena batalha, exclamo patético: “Um pente, um pente, meu reino por um pente!”.
            Eu não fui – diz o primeiro; – eu não fui – diz o segundo; – eu não fui – diz o terceiro. Poppy, cuja especialidade é comer meias e sapatos, não diz nada, mas abana o rabo negativamente. Não foi ninguém, foi Mr. Nobody, foi o diabo, foi a minha sina. Minha mansão tem apenas três quartos e uma sala. Pois é inacreditável a quantidade de objetos que estão desaparecidos aqui dentro. Um dia, quando me mudar, a gente vai achar tudo. E sorrir um para o outro com uma nostalgia imprecisa, e dizer em silêncio que, filhos, e pais, melhor tê-los.

(Paulo Mendes Campos)

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Leia também:

"A flor e a náusea" – Carlos Drummond de Andrade
"O mato" – Rubem Braga
Bocage – Poemas
"Cartas de amor" – Moacyr Scliar

Tema de Redação - UFRJ - 2009

Tema de Redação - UFRJ - 2009

Redação

Pensar ou agir de modo distinto do da maioria das pessoas pode ser visto como algo simplesmente diferente, ou como inadequação, ou até mesmo como loucura.
Considerando a afirmativa acima e os trechos abaixo, elabore um texto dissertativo-argumentativo em que você apresente suas reflexões a respeito do olhar sobre a normalidade/anormalidade.

Dizem que sou louco
Por pensar assim
Se eu sou muito louco
Por eu ser feliz
Mais louco é quem me diz
Que não é feliz, não é feliz

(BAPTISTA, Arnaldo & LEE, Rita. “Balada do louco”. www.ritalee.com.br)

Normalidade é a habilidade para se adaptar ao mundo exterior com satisfação e para dominar a tarefa de culturação.

(MENINGER, K. In: Ballone GJ - Diagnóstico Psiquiátrico - in. PsiqWeb, Internet, disponível em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005)

LOUCURA
A loucura é diagnosticada pelos sãos, que não se submetem a diagnóstico.
Há um limite em que a razão deixa de ser razão, e a loucura ainda é razoável.

LUCIDEZ
Somos lúcidos na medida em que perdemos a riqueza de imaginação.

(ANDRADE, Carlos Drummond de. Prosa seleta. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2003. p. 928)

ORIENTAÇÕES

1. Evite copiar passagens dos fragmentos apresentados.
2. Redija seu texto em prosa, de acordo com a norma culta escrita da língua.
3. Redija um texto de 25 a 30 linhas.
4. Não se esqueça de atribuir um título a seu texto.

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Tema de Redação - UFMT - 2009

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Proposta de redação

Leia atentamente os textos de apoio.

O uso de tecnologia é paradoxal à vida saudável?

I
Ter qualidade de vida, sonho de qualquer pessoa, pressupõe hábitos saudáveis, cuidados com o corpo, qualidade dos relacionamentos, harmonia entre vida pessoal e profissional, tempo para lazer, saúde espiritual. Mas tornar isso realidade não é fácil, pois as interferências do mundo moderno, vindas de todo tipo de tecnologia, chegam a agredir nosso cotidiano.

II 
Qualidade de vida é mais do que ter uma boa saúde física ou mental. É estar de bem com você mesmo, com a vida, com as pessoas. É ter acesso àquilo que a tecnologia pode facilitar, racionalizando tempo e trabalho, detectando precocemente doenças, oferecendo novas formas de lazer, enfim propiciando melhor condição de vida.

PROPOSTA

Os textos de apoio tratam da relação entre tecnologia e qualidade de vida, apresentando diferentes posições. Reflita sobre o assunto e produza um artigo de opinião, defendendo seu ponto de vista com argumentos pertinentes. Sua posição pode relacionar-se à do texto I, à do II ou pode ser uma outra.

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"A flor e a náusea" - Carlos Drummond de Andrade

A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas, vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

"Hope". George Frederic Watts.
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

(Carlos Drummond de Andrade)

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