Seguidores

domingo, 29 de janeiro de 2012

CONCURSO PÚBLICO – CARGO: SOLDADO PM TEMPORÁRIO – SP – 2011 – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

CONCURSO PÚBLICO – CARGO: SOLDADO PM TEMPORÁRIO – SP – 2011

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 05.

Solteiros e solteiras

Uma queixa habitual das mulheres é de que faltam homens na praça − leia-se homens solteiros e disponíveis. Mas o IBGE, que veio ao mundo para desfazer dúvidas quantitativas, acaba de apurar que há 31,9 milhões de homens solteiros no Brasil contra 30,4 milhões de mulheres. Ou seja, com um saldo de 1,5 milhão de homens prontos para o abate, não será por falta de material que tantas mulheres continuarão encalhadas.
O problema, no entanto, não é estatístico, mas comportamental: a tendência do homem a não ter pressa de assumir compromissos sérios e passar anos pesquisando o mercado antes de se decidir a investir. Sempre foi assim.
E, se a querida leitora já estava desanimada, lamento informá-la de que a situação tem tudo para piorar. Com a recente mania dos homens de continuarem morando com a mãe até os 40 anos, a taxa de rapazes casadouros promete diminuir ainda mais.
Segundo o IBGE, essa discrepância quantitativa não é geograficamente uniforme, alguns Estados do Brasil serão mais propícios do que outros para que as mulheres encontrem seu par do baralho.
Nesse sentido, nenhum supera Santa Catarina. Lá são 122 solteiros para cada cem solteiras. Outros Estados em que a oferta masculina é considerável são Tocantins, Mato Grosso e Espírito Santo. Já São Paulo está apenas na média: 108 contra cem. E, em
alguns Estados, há tantos homens quanto mulheres.
O Rio, por exemplo, tem pequeno déficit: são 99,55 homens para cada cem mulheres − o 0,45 saiu para comprar cigarros e não voltou.
Já no Distrito Federal faltam nove homens para as cem mulheres. Se o amigo nunca encontrou motivo para ir até lá, agora já tem um.

(Ruy Castro, Folha de S.Paulo, 13.09.2010. Adaptado)

01. De acordo com a leitura do texto, pode-se concluir que

(A) o IBGE provou que, no Brasil, há menos homens do que mulheres, portanto é válida a queixa das mulheres sobre esse assunto.
(B) o cronista escreve o texto especialmente para as mulheres, não se dirigindo, portanto, aos homens, ao fazer suas considerações.
(C) no Rio de Janeiro há uma expressiva diferença entre o número de mulheres e o de homens.
(D) as mulheres que procuram um companheiro terão mais chances de encontrá-lo em Santa Catarina.
(E) os homens não têm pressa em se casar porque se preocupam, primeiramente, com o mercado de trabalho e com os investimentos.

02. Para o cronista, a situação para as mulheres “tem tudo para piorar”, pois

(A) as estatísticas apresentadas pelo IBGE não são confiáveis.
(B) Tocantins, Mato Grosso e Espírito Santo têm baixa população masculina.
(C) os homens preferem aproveitar, até os 40 anos, as mordomias da casa dos pais.
(D) as mulheres tachadas de “encalhadas” são discriminadas na sociedade contemporânea.
(E) os homens casadouros na faixa dos 40 anos são considerados muito velhos para algumas mulheres.

03. Assinale a alternativa em cujo trecho o cronista usou o humor para expressar suas ideias.

(A) ... acaba de apurar que há 31,9 milhões de homens solteiros no Brasil... (1.º parágrafo)
(B) O problema, no entanto, não é estatístico, mas comportamental... (2.º parágrafo)
(C) Lá são 122 solteiros para cada cem solteiras. (5.º parágrafo)
(D) E, em alguns Estados, há tantos homens quanto mulheres. (5.º parágrafo)
(E) ... o 0,45 saiu para comprar cigarros e não voltou. (6.º parágrafo)

04. Considere o trecho do texto.

Segundo o IBGE, essa discrepância quantitativa não é geograficamente uniforme, alguns Estados do Brasil serão mais propícios do que outros para que as mulheres encontrem seu
par do baralho.

O termo em destaque pode ser substituído, sem alteração do sentido do texto, por

(A) divergência.
(B) harmonia.
(C) imparcialidade.
(D) paridade.
(E) semelhança.

05. Considere os trechos em destaque.

I. Ou seja, com um saldo de 1,5 milhão de homens prontos para o abate...
II. ... mais propícios do que outros para que as mulheres encontrem seu par do baralho.
III. E, em alguns Estados, há tantos homens quanto mulheres.

Apresenta(m) linguagem figurada

(A) I, apenas.
(B) III, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) II e III, apenas.
(E) I, II e III.

Considere a tirinha em que aparecem, respectivamente, as personagens do Recruta Zero e de seu colega Dentinho, para responder às questões de números 06 e 07.

06. No último quadrinho, a intenção é que o humor seja conseqüência

(A) da chegada dos oficiais que surpreendem os dois soldados.
(B) do fato de Dentinho não compreender as práticas militares.
(C) da maneira autoritária com que o Recruta Zero se dirige ao colega.
(D) do receio que os dois soldados têm de serem advertidos pelos superiores.
(E) do gesto de Dentinho que tem o objetivo de ofender o colega


07. Em − Bata continência de novo! − o verbo em destaque está no imperativo.
Assinale a alternativa em que o verbo empregado também está no imperativo.

(A) O soldado pôs diesel nos caminhões do quartel.
(B) Se ela quisesse, poderia se alistar nas Forças Armadas.
(C) Quando sair, informe o seu destino aos oficiais de plantão.
(D) Em novembro, o quartel passará por várias reformas.
(E) O soldado foi chamado para prestar esclarecimentos sobre o acidente.

Considere o texto para responder às questões de números 08 e 09.

Mototáxi terá de usar antena contra linha com cerol

Antenas contra linhas com cerol e proteção para as pernas conhecidas como “mata-cachorro” passam a ser obrigatórias a partir de hoje em motos usadas para frete e transporte. As multas, porém, só serão aplicadas daqui a um ano.
De acordo com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), o prazo está estabelecido em uma lei que trata da regulamentação da profissão de mototáxi e motofretista e serve para a adaptação às novas regras.
Ontem o Órgão confirmou que as multas irão ocorrer apenas em 2012.

(Folha de S.Paulo, 04.08.2011. Adaptado)

08. Assinale a alternativa correta sobre o texto.

(A) Os mototáxis e motofretistas receberão multas se, em 2012, não estiverem circulando em conformidade com a nova lei.
(B) Para evitar acidentes, especialmente com linhas com cerol, o passageiro deverá usar o mata-cachorro, mas o piloto fica dispensado de usar esse equipamento.
(C) As multas serão aplicadas apenas em 2012, porque a lei está em discussão e ainda não foi aprovada pelo município.
(D) A nova lei que exige antenas e mata-cachorro tem por objetivo proteger aqueles que usam a moto como lazer.
(E) Antenas e proteção para as pernas serão de uso obrigatório para os motoqueiros somente a partir de 2012.

09. Em − As multas, porém, só serão aplicadas daqui a um ano. − o termo em destaque pode ser substituído, sem alterar o sentido do texto, por

(A) portanto.
(B) pois.
(C) embora.
(D) no entanto.
(E) desse modo.

Considere a tirinha para responder às questões de números 10 e 11.


  10. Pela leitura, conclui-se que a encrenca a que a personagem se refere é

(A) a pensão que tem de pagar à ex-esposa todo mês.
(B) a alta taxa de cobrança do imposto de renda.
(C) a dificuldade de compreender o extrato bancário.
(D) o valor recebido pelas horas extras que não corresponde às despesas.
(E) o desequilíbrio entre o salário recebido e os gastos necessários.


11. Em − ... e a linha 3 é a encrenca em que estou metido. – o trecho em destaque pode ser substituído, sem alteração de sentido, por

(A) da qual me encontro.
(B) com que me deparo.
(C) para que me vejo.
(D) em que me preocupo.
(E) pela qual me percebo.

Considere o texto para responder às questões de números 12 a 14.

Superlotada, cadeia de Sobral usa gansos para evitar fuga de presos

O diretor da cadeia pública de Sobral (CE) resolveu usar gansos para evitar fugas. As duas aves ficam fora do prédio e “avisam” se algum preso chega perto da muralha, pois elas grasnam muito alto.
“Está funcionando. Eles dão o alerta a qualquer movimento. Ainda não tivemos fugas”, diz o diretor da unidade, Wellington Picanço.
A unidade está superlotada: tem 153 vagas e 208 presos. Há dois agentes penitenciários no local, quando o recomendado, segundo Picanço, são quatro.
O diretor afirmou que ganhou os gansos de presente e os levou para a unidade após saber que outros Estados já haviam feito a experiência.

(Folha de S.Paulo, 12.08.2011. Adaptado)

12. Assinale a alternativa correta sobre o texto.

(A) Os Estados brasileiros usarão gansos para ajudar no controle dos presos, pois há número insuficiente de agentes penitenciários.
(B) O diretor da cadeia pública de Sobral será punido por ter substituído agentes penitenciários por gansos.
(C) Os gansos alertam os agentes penitenciários, pois as aves fazem muito barulho quando um preso se aproxima da muralha.
(D) Ao levar os gansos para a cadeia, o diretor foi criativo, pois foi o primeiro a pensar nessa solução para a falta de funcionários.
(E) A unidade está superlotada, por isso são necessários bem mais do que os quatro agentes penitenciários existentes.

13. Assinale a alternativa em que a expressão destacada expressa finalidade.

(A) ... resolveu usar gansos para evitar fugas.
(B) As duas aves ficam fora do prédio...
(C) Ainda não tivemos fugas, diz o diretor...
(D) A unidade está superlotada: tem 153 vagas e 208 presos.
(E) O diretor afirmou que ganhou os gansos de presente...

14. Assinale a alternativa que apresenta a relação correta entre o trecho em destaque e a circunstância que ele expressa.

(A) As duas aves ficam fora do prédio... (modo)
(B) ... se algum preso chega perto da muralha... (causa)
(C) ... pois elas grasnam muito alto. (meio)
(D) Eles dão o alerta a qualquer momento. (tempo)
(E) Ainda não tivemos fugas... (intensidade)

Considere a charge para responder às questões de números 15 e 16.

  
15. De acordo com a leitura da charge, pode-se afirmar que o personagem não consegue dormir porque

(A) sofre de insônia há vários anos, o que o deixa desgastado para o trabalho.
(B) teme o surgimento de alguma máquina que realize o tipo de atividade que ele exerce.
(C) sente a pressão dos patrões para que a produtividade de seu setor na empresa aumente.
(D) considera-se, apesar dos receios, uma pessoa versátil e jovem, como espera o mercado de trabalho.
(E) está preocupado com os estrangeiros que estão assumindo os postos de brasileiros no mercado de trabalho.

16. Em − ... em algum lugar do mundo, alguém está inventando algo... − os termos em destaque são

(A) adjetivos, pois informam as características do personagem.
(B) advérbios, pois indicam como o personagem se comporta.
(C) substantivos, pois expressam a angústia do personagem.
(D) pronomes demonstrativos, pois descrevem o ambiente onde vive o personagem.
(E) pronomes indefinidos, pois passam as informações de forma generalizada.

17. Assinale a alternativa correta quanto ao emprego do acento indicativo de crase.

(A) O chefe disse à ele que treinasse os novos estagiários.
(B) Escolhemos às frutas conforme a nutricionista orientou.
(C) Viajou à São Paulo para rever amigos.
(D) Vendeu toda a mercadoria à prazo.
(E) O rapaz saiu às pressas para encontrar a namorada.

18. Assinale a alternativa em que o pronome foi empregado de acordo com as normas gramaticais.

(A) Pediu para mim conferir as planilhas de gastos.
(B) O médico avisou ela que tudo estava bem.
(C) No jantar, contou-nos sobre os colegas de profissão.
(D) Nós se encontramos durante um evento esportivo.
(E) Levaremos um amigo com nós na próxima viagem.

19. Assinale a alternativa em que o verbo em destaque foi empregado de acordo com as normas gramaticais.

(A) O jornal nos mantém informados sobre os fatos nacionais e mundiais.
(B) Até agora, não houveram fugas da cadeia de Sobral.
(C) Fazem anos que ele se divorciou da esposa.
(D) Terminou os cursos de férias oferecidos neste centro cultural.
(E) O casal ficaram felizes com a adoção do bebê.

20. Assinale a alternativa correta quanto à pontuação.

(A) Os soldados, que demonstraram, coragem no perigoso resgate deram gentilmente depoimentos aos jornalistas.
(B) Os soldados que demonstraram coragem no perigoso resgate, deram gentilmente, depoimentos aos jornalistas.
(C) Os soldados que demonstraram coragem, no perigoso resgate deram gentilmente depoimentos aos jornalistas.
(D) Os soldados que demonstraram coragem no perigoso resgate deram, gentilmente, depoimentos aos jornalistas.
(E) Os soldados que demonstraram, coragem no perigoso resgate, deram gentilmente depoimentos aos jornalistas.

Gabarito da Prova de Soldado Temporário

1-D 2-C, 3-E, 4-A, 5-C, 6-B, 7-C, 8-A, 9-D, 10-E,

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Manuel António Pina - Poemas

MANUEL ANTÓNIO PINA

"Narciso", por Caravaggio, óleo sobre tela.
Narciso

Quando me dizes "Vem", já eu parti
e já estou tão próximo de ti
que sou eu quem me chama e quem te chama
e é o meu amor que em ti me ama.

Se me olhas sou eu que me contemplo
longamente através do teu olhar
e moro em ti e sou eu o lugar
e demoro-me em ti e sou o tempo.

Eu sou talvez aquilo que me falta
(a alma se sou corpo, o corpo se sou alma)
em ti, e afogo-me na tua vida
como na minha imagem desmedida:

Sol, Lua, água, ouro,
horizontalidade, concordância,
indiferente ordem da infância,
união conjugal, morte, repouso.


(Manuel António Pina)


Esplanada

Naquele tempo falavas muito de perfeição,
da prosa dos versos irregulares
onde cantam os sentimentos irregulares.
Envelhecemos todos, tu, eu e a discussão,

agora lês saramagos & coisas assim
e eu já não fico a ouvir-te como antigamente
olhando as tuas pernas que subiam lentamente
até um sítio escuro dentro de mim.

O café agora é um banco, tu professora do liceu;
Bob Dylan encheu-se de dinheiro, o Che morreu.
Agora as tuas pernas são coisas úteis, andantes,
e não caminhos por andar como dantes.


(Manuel António Pina)



As coisas melhores

As coisas melhores são feitas no ar,
andar nas nuvens, devanear,
voar, sonhar, falar no ar,
fazer castelos no ar
e ir lá para dentro morar
ou então estar em qualquer sítio só a estar,
a respirar a respirar,
o coração a pulsar,
o sangue a sangrar,
a imaginação a imaginar,
os olhos a olhar.

(embora sem ver)
e ficar muito quietinho a ser,
os tecidos a tecer,
os cabelos a crescer.
E isto tudo a saber
que isto tudo está a acontecer!
As coisas melhores são de ar
só é preciso abrir os olhos e olhar,
basta respirar!

(Manuel António Pina)

Café do Molhe

Perguntavas-me 
(ou talvez não tenhas sido
tu, mas só a ti
naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,
e não outra coisa qualquer:
a filosofia, o futebol, alguma mulher?
Eu não sabia

que a resposta estava
numa certa estrofe de
um certo poema de
Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)
conhecia de cor,
em castelhano e tudo.
Porém se o soubesse

de pouco me teria
então servido, ou de nada.
Porque estavas inclinada
de um modo tão perfeito

sobre a mesa
e o meu coração batia
tão infundadamente no teu peito
sob a tua blusa acesa

que tudo o que soubesse não o saberia.
Hoje sei: escrevo
contra aquilo de que me lembro,
essa tarde parada, por exemplo.

(Manuel António Pina)

A um jovem poeta 

Procura a rosa.
Onde ela estiver
estás tu fora
de ti. Procura-a em prosa, pode ser

que em prosa ela floresça
ainda, sob tanta
metáfora; pode ser, e que quando
nela te vires te reconheças

como diante de uma infância
inicial não embaciada
de nenhuma palavra
e nenhuma lembrança.

Talvez possas então
escrever sem porquê,
evidência de novo da Razão
e passagem para o que não se vê.


(Manuel António Pina, in "Nenhuma Palavra e Nenhuma Lembrança")

Na biblioteca 

O que não pode ser dito
guarda um silêncio
feito de primeiras palavras
diante do poema, que chega sempre demasiadamente tarde,

quando já a incerteza
e o medo se consomem
em metros alexandrinos.
Na biblioteca, em cada livro,

em cada página sobre si
recolhida, às horas mortas em que
a casa se recolheu também
virada para o lado de dentro,

as palavras dormem talvez,
sílaba a sílaba,
o sono cego que dormiram as coisas
antes da chegada dos deuses.

Aí, onde não alcançam nem o poeta
nem a leitura,
o poema está só.
E, incapaz de suportar sozinho a vida, canta.


(Manuel António Pina, in “Cuidados Intensivos”)

O escritor português Manuel António Pina, vencedor do prêmio Camões 2011
O quarto 

Quem te pôs a mão no ombro,
a faca que te atravessou o coração,
são feridas alheias, talvez algo que leste;
entretanto partiste

para lugares menos iluminados
e corações menos vulneráveis,
pode perguntar-se é o que fazes ainda aqui
se já cá não estás.

A hora havia de chegar em que
nos perderíamos um do outro.
E acabaríamos necessariamente assim,
mortos inventariando mortos.

Morrer, porém, não é fácil,
ficam sombras nem sequer as nossas,
e a nossa voz fala-nos
numa língua estrangeira.

Apaga a luz e vira-te para o outro lado
e acorda amanhã como novo,
barba impecavelmente feita,
o dia um sonho sólido onde a noite se limpa e se deita.


(Manuel António Pina, in "Como se Desenha uma Casa")

Arte poética

Vai pois, poema, procura
a voz literal
que desocultamente fala
sob tanta literatura.

Se a escutares, porém, tapa os ouvidos,
porque pela primeira vez estás sozinho.
Regressa então, se puderes, pelo caminho
das interpretações e dos sentidos.

Mas não olhes para trás, não olhes para trás,
ou jamais te perderás;
e teu canto, insensato, será feito
só de melancolia e de despeito.

E de discórdia. E todavia
sob tanto passado insepulto
o que encontraste senão tumulto,
senão de novo ressentimento e ironia?


(Manuel António Pina)


www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

"Um certo capitão Rodrigo" - Érico Veríssimo
"Calunga" - Jorge de Lima
Alphonsus de Guimaraens - O Solitário de Mariana
Paulo Bomfim - Poemas
O ADEUS A MANUEL ANTÓNIO PINA

PREPARE-SE PARA OS PRINCIPAIS VESTIBULARES DO PAÍS. ADQUIRA AGORA MESMO O PROGRAMA 500 TEMAS DE REDAÇÃO!



segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Texto - "Um certo capitão Rodrigo" - Érico Veríssimo

UM CERTO CAPITÃO RODRIGO


Toda a gente tinha achado estranha a maneira como o cap. Rodrigo Cambará entrara na vida de Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém sabia de onde, com o chapéu de barbicacho puxado para a nuca, a bela cabeça de macho altivamente erguida, e aquele seu olhar de gavião que irritava e ao mesmo tempo fascinava as pessoas. Devia andar lá pelo meio da casa dos trinta, montava um alazão, trazia bombachas claras, botas com chilenas de prata e o busto musculoso apertado num dólmã militar azul, com gola vermelha e botões de metal. Tinha um violão a tiracolo; sua espada, apresilhada aos arreios, rebrilhava ao sol daquela tarde de outubro de 1828 e o lenço encarnado que trazia ao pescoço esvoaçava no ar como uma bandeira. Apeou na frente da venda do Nicolau, amarrou o alazão no tronco dum cinamomo, entrou arrastando as esporas, batendo na coxa direita com o rebenque, e foi logo gritando, assim com ar de velho conhecido: 
— Buenas e me espalho! Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!
Havia por ali uns dois ou três homens, que o miraram de soslaio sem dizer palavra. Mas dum canto da sala ergueu-se um moço moreno, que puxou a faca, olhou para Rodrigo e exclamou:
— Pois dê!
Os outros homens afastaram-se como para deixar a arena livre, e Nicolau, atrás do balcão, começou a gritar:
— Aqui dentro não! Lá fora! Lá fora!
Rodrigo, porém, sorria, imóvel, de pernas abertas, rebenque pendente do pulso, mãos na cintura, olhando para o outro com um ar que era ao mesmo tempo de desafio e simpatia.
— Incomodou-se comigo? — perguntou, jovial, examinando o rapaz de alto a baixo.
— Não sou de briga, mas não costumo aguentar desaforo.
— Oôi bicho bom!
Os olhos de Rodrigo tinham uma expressão cômica.
— Essa sai ou não sai? — perguntou alguém do lado de fora, vendo que Rodrigo não desembainhava a adaga.
O recém-chegado voltou a cabeça e respondeu calmo:
— Não sai. Estou cansado de pelear. Não quero puxar arma pelo menos por um mês. — Voltou-se para o homem moreno e, num tom sério e conciliador, disse: — Guarde a arma, amigo.
O outro, entretanto, continuou de cenho fechado e faca em punho. Era um tipo indiático, de grossas sobrancelhas negras e zigomas salientes.
— Vamos, companheiro — insistiu Rodrigo. — Um homem não briga debalde. Eu não quis ofender ninguém. Foi uma maneira de falar...
Depois de alguma relutância o outro guardou a arma, meio desajeitado, e Rodrigo estendeu-lhe a mão, dizendo:
— Aperte os ossos.
O caboclo teve uma breve hesitação, mas por fim, sempre sério, apertou a mão que Rodrigo lhe oferecia.
— Agora vamos tomar um trago — convidou este último.
— Mas eu pago — disse o outro.
Tinha lábios grossos, dum pardo avermelhado e ressequido.
— O convite é meu.
— Mas eu pago — repetiu o caboclo.
— Está bem. Não vamos brigar por isso.
Aproximaram-se do balcão.
— Duas caninhas! — pediu Rodrigo.
Nicolau olhava para os dois homens com um sorriso desdentado na cara de lua cheia, onde apontava uma barba grossa e falha.
— É da boa — disse ele, abrindo uma garrafa de cachaça e enchendo dois copinhos.
Houve um silêncio durante o qual ambos beberam: o moço em pequenos goles e Rodrigo dum sorvo só, fazendo muito barulho e por fim estralando os lábios. Tornou a pôr o copo sobre o balcão, voltou-se para o homem moreno e disse:
— Meu nome é Rodrigo Cambará. Como é a sua graça?
— Juvenal Terra.
— Mora aqui no povo?
— Moro.
— Criador?
O outro sacudiu a cabeça negativamente.
— Faço carreteadas daqui pro Rio Pardo e de lá pra cá.
— Mais um trago?
— Não. Sou de pouca bebida.
Rodrigo tornou a encher o copo, dizendo:
— Pois comigo, companheiro, a coisa é diferente. Não tenho meias medidas. Ou é oito ou oitenta.
— Hai gente de todo o jeito — limitou-se a dizer Juvenal.
Rodrigo olhou para o vendeiro.
— Como é a sua graça mesmo, amigo?
— Nicolau.
— Será que se arranja por aí alguma coisa de comer? Nicolau coçou a cabeça.
— Posso mandar fritar uma linguiça.
— Pois que venha. Sou louco por linguiça!
O capitão tomou seu terceiro copo de cachaça. Juvenal, que o observava com olhos parados e inexpressivos, puxou dum pedaço de fumo em rama e duma pequena faca e ficou a fazer um cigarro.
— Pois lhe garanto que estou gostando deste lugar  — disse Rodrigo. — Quando entrei em Santa Fé, pensei cá comigo: Capitão, pode ser que vosmecê só passe aqui uma noite, mas também pode ser que passe o resto da vida...

(Érico Veríssimo, “Um certo capitão Rodrigo”, capítulo de “O continente)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

"Calunga" - Jorge de Lima
Alphonsus de Guimaraens - O Solitário de Mariana
António Gedeão - Poemas
Manuel António Pina - Poemas

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE SEGURANÇA – METRÔ SP – 2010 – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE SEGURANÇA – METRÔ SP - 2010


PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Atenção: As questões de números 01 a 09 baseiam-se no texto abaixo.

A origem dos vitrais é objeto de controvérsias. Talvez eles tenham nascido no Oriente, mas se desenvolveram grandemente na Europa. Suas formas, temas e funções transformaram-se com o apuro das técnicas de fabricação de vidros, com o desenvolvimento da arquitetura, de tendências artísticas, do gosto, enfim, da cultura e das sociedades. Manter-se-ia, porém, a relação estabelecida no século XII, quando as pinturas sobre vidro, juntamente com os afrescos e as miniaturas, constituíam as principais técnicas de pintura utilizadas pelo homem.
Nos vitrais, a pintura complementa o colorido dos vidros, serve para a criação de sombras e tonalidades, para o aprimoramento das formas, para a modulação da luz. A arte do vitral desenvolveu-se enormemente durante o período medieval, momento em que, com a afirmação do gótico como expressão da arquitetura, as composições de vidros coloridos passaram a vedar grandes superfícies das igrejas e, além das funções decorativas, ganharam funções pedagógicas, ensinando aos fiéis, por meio de imagens, a vida de Cristo, dos Santos e passagens da Bíblia.
Entre os séculos XIV e XVI, os vitrais passaram a ser utilizados como formas de iluminação dos ambientes e a pintura dos vidros adotou a perspectiva, o que tornava os vitrais semelhantes aos quadros. Sua utilização ampliou-se dos espaços públicos, em especial das igrejas, para os ambientes privados, como palácios e sedes de corporações. As representações neles contidas se estenderam, então, para a heráldica, para as epopeias, para as caçadas e para a mitologia.
No Estado de São Paulo, a utilização de vidros coloridos e pintados, montados em perfis de chumbo para decoração e iluminação de ambientes, correspondeu à fase moderna do desenvolvimento da arte de produzir vitrais. Na capital, ampliou-se a partir da virada do século passado, com a expansão de novos bairros, a monumentalização dos edifícios públicos e o requinte arquitetônico das residências.
Até hoje vitrais de edifícios públicos paulistanos, como os do Palácio da Justiça e do Mercado Municipal, causam admiração pela proporção, beleza e integração com o projeto arquitetônico. Representando temas históricos ou referentes às funções públicas dos edifícios, as imagens formam um conjunto das representações que, a partir do fim do século anterior, criaram e reafirmaram um perfil de São Paulo diante do Brasil. Sob esse ponto de vista, os vitrais, além de peças de arte, constituem importantes documentos históricos. Eles nos falam do forjar de ideias que se tornaram referência e moldam nossa relação com o passado e com o presente, justificando papeis e responsabilidades sociais. Produtos materiais de cultura, parte de nosso patrimônio histórico e objetos de fruição de beleza, os vitrais expressam por meio do poder das imagens a tradição, a excelência econômica e cultural de São Paulo, o trabalho, a determinação e o progresso.

(Marly Rodrigues. Leitura. Publicação cultural da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, ano 18, número 1, janeiro de 2000, pp. 32-34, com adaptações)

1. O texto deixa claro que

(A) se torna impossível considerar os vitrais como obras de arte por faltar a eles a originalidade no tratamento dos temas.
(B) se identifica semelhança entre os temas representados de início nos vitrais das igrejas e o emprego desses mesmos temas em residências.
(C) existe relação bastante próxima entre a confecção e o uso de vitrais, desde o início, e o desenvolvimento da arquitetura.
(D) é difícil estabelecer a importância dos vitrais em séculos passados, porque não se sabe onde eles surgiram primeiramente.
(E) poderia ser contraditório manter-se ainda hoje um trabalho feito por artesãos, deixando-se de lado o atual desenvolvimento das indústrias.

2. Segundo o texto, os vitrais

(A) perderam seu objetivo pedagógico quando passaram a decorar as mansões de poderosos industriais paulistas.
(B) se associam, no seu início, ao espírito religioso, tanto na construção de igrejas, como no ensinamento da doutrina cristã.
(C) demonstram intenção primordial de indicar o prestígio social dos moradores de alguns edifícios mais amplos e espaçosos.
(D) lembram a divulgação na Europa, antes do século XII, dos princípios religiosos que marcaram o cristianismo.
(E) constituíram as primeiras formas de pintura utilizadas pelo homem, bem anteriores à época medieval.

3. A afirmativa correta, de acordo com o texto, é:

(A) Os vitrais, antes recursos de vedação de igrejas, passaram a ser usados em prédios públicos, tendo havido, portanto, mudança nos temas neles representados.
(B) A mudança de temas dos vitrais, que levou ao abandono dos assuntos religiosos, reduziu a importância antes atribuída pelos poderosos a essa arte.
(C) O emprego de vitrais na vedação de grandes espaços nas construções, como se fazia antigamente, tornou-se desnecessário com o desenvolvimento da arquitetura.
(D) Os jogos de luz e sombra associados às cores dos vitrais só passaram a ser valorizados após a utilização da perspectiva nos desenhos apresentados.
(E) A arte moderna deixou de lado a confecção de vitrais, principalmente em São Paulo, devido ao desinteresse por um tipo de artesanato já ultrapassado.

4. Nos 2o, 3o e 4o parágrafos, a autora

(A) condena, indiretamente, a alteração dos temas apresentados nos vitrais.
(B) apresenta informações históricas sobre o início da difusão do cristianismo.
(C) traz informações sobre a arte de confecção dos vitrais e seu papel histórico.
(D) valoriza especialmente os elementos religiosos representados nos vitrais.
(E) acrescenta novas opiniões a respeito da antiga presença de vitrais em igrejas.

5. No último parágrafo do texto há referência explícita

(A) às imagens trazidas da Europa reaproveitadas nos edifícios de São Paulo, como patrimônio histórico.
(B) ao abandono atual da arte de confecção de vitrais, devido à industrialização de São Paulo.
(C) ao desprestígio que cerca atualmente os motivos dos antigos vitrais das igrejas paulistanas.
(D) à representação de cenas que destacam a importância de São Paulo no território nacional.
(E) à manutenção do espírito religioso medieval nos temas dos vitrais dos edifícios paulistanos.


6. A expressão cujo sentido está transcrito com outras palavras, sem alteração do sentido original, é:

(A) é objeto de controvérsias = suscita opiniões divergentes.
(B) com o apuro das técnicas de fabricação de vidros = quando o vidro passou a ser fabricado.
(C) passaram a vedar grandes superfícies das igrejas = tornaram-se elementos de decoração religiosa.
(D) com a expansão de novos bairros = a partir do aumento da população.
(E) o requinte arquitetônico das residências = a preocupação com a construção de casas.

7. Produtos materiais de cultura, parte de nosso patrimônio histórico e objetos de fruição de beleza ... (final do texto)

A expressão grifada acima

(A) realça o poder econômico traduzido nos vitrais.
(B) salienta o valor artístico expresso pelos vitrais.
(C) opõe a intenção artística dos vitrais ao objetivo pedagógico.
(D) indica a importância histórica dos vitrais.
(E) retoma informações sobre a origem dos vitrais.

8. ... quando as pinturas sobre vidro, juntamente com os afrescos e as miniaturas, constituíam as principais técnicas de pintura utilizadas pelo homem. (1o parágrafo)

O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está na frase:

(A) Talvez eles tenham nascido no Oriente ...
(B) Suas formas, temas e funções transformaram-se com o apuro das técnicas de fabricação de vidros ...
(C) ... a pintura complementa o colorido dos vidros ...
(D) ... o que tornava os vitrais semelhantes aos quadros.
(E) Na capital, ampliou-se a partir da virada do século passado ...

9. O verbo entre parênteses no final de cada frase deverá ser corretamente flexionado no singular para preencher a lacuna da frase:

(A) Artistas italianos, já desde o final do século XIX, ......à fabricação de vitrais em São Paulo. (dedicar-se)
(B) Os magníficos vitrais do Mercado Municipal ...... a força do trabalho e o progresso de São Paulo. (atestar)
(C) A história dos vitrais em São Paulo se ...... grandemente com o desenvolvimento econômico da cidade. (relacionar)
(D) Extraviou-se grande parte do registro das atividades dos profissionais que ...... para embelezar a cidade. (trabalhar)
(E) O material e o acervo do século XX em São Paulo se ...... em grande parte devido à onda de demolições. (perder)

Atenção: As questões de números 10 a 15 baseiam-se no texto abaixo.

Cada vez que se conhece um novo estudo sobre o transporte na Região Metropolitana de São Paulo cresce a perplexidade. E não foi diferente com o mais recente estudo, que abrangeu 59 municípios e consultou 90 mil pessoas. Vê-se
ali que o tempo consumido pelos deslocamentos cresce a cada investigação (está, na média, em 70 minutos por pessoa, 10 minutos mais do que há uma década). O deslocamento mais frequente é a pé, mais do que em ônibus e em trens. Trabalho e
educação são as maiores causas de deslocamentos.
A perplexidade aumenta diante dos custos crescentes e da ausência de alternativas nas políticas públicas. O estudo de Marcos Fernandes, da Fundação Getúlio Vargas, mostra que, com o número de horas consumido nos deslocamentos, as
pessoas poderão desperdiçar milhões de reais em um tempo determinado. E cada vez mais pessoas deslocam-se em automóveis em 1997 eram principalmente as que ganhavam mais de R$ 3.040 e, 10 anos depois, passaram a abranger as que ganham a partir de R$ 1.520 , mas com o tempo de percurso cada vez maior, porque nesse período a frota de carros particulares passou de 3,09 milhões para 3,60 milhões. Nesse espaço de tempo a população da área aumentou de 16,79 milhões para 19,53 milhões. Os veículos coletivos respondem por 55% do transporte e os automóveis, por 30%.
O especialista Nelson Choueri calculou, há alguns anos, que, com o tempo consumido nos deslocamentos em São Paulo, perdem-se 165 vidas úteis por dia (em horas de trabalho) ou cerca de 50 mil por ano, que valem (pelo salário médio) R$ 14,4 bilhões anuais. Se esse valor pudesse ser convertido em investimentos, eles seriam suficientes para, em duas décadas, implantar o metrô em toda a cidade.
E não é só. As pessoas consomem 20% de seu tempo "útil" no transporte. O rendimento energético de um veículo individual não passa de 30% o restante se perde como calor. O deslocamento de uma pessoa por automóvel consome 26 vezes mais energia que o mesmo percurso em metrô. E esse não é o único desperdício: 93% das cargas no Estado de São Paulo são transportadas por caminhões quando o transporte ferroviário, cada vez mais sucateado, é algumas vezes mais barato que, em média, têm 20 anos de uso, sem inspeção veicular, e são conduzidos por motoristas que trabalham de 20 a 30 horas seguidas.
Por essas e outras, a Associação Nacional de Transportes Públicos tem clamado que na cidade de São Paulo o transporte já ocupa mais de 50% do espaço total, somando ruas, avenidas, praças, garagens e estacionamentos. O que
deveria ser meio passa a ser fim em si mesmo.

(Washington Novaes. O Estado de S. Paulo, A2 Espaço Aberto, 10 de abril de 2009, com adaptações)

10. O que deveria ser meio passa a ser fim em si mesmo.

É correto perceber da frase acima que

(A) os meios de transporte na região metropolitana são insuficientes para atender a toda a população que necessita deles.
(B) o objetivo maior dos transportes em São Paulo é sempre respeitado, apesar de certa demora nos deslocamentos de pessoas.
(C) o transporte público já é predominante na região metropolitana de São Paulo, por atender a um considerável número de pessoas.
(D) o transporte está inteiramente voltado para seu objetivo, o de facilitar o deslocamento de pessoas de um a outro lado da cidade.
(E) as condições de transporte assumem importância maior do que o devido na cidade de São Paulo, em razão dos prejuízos a que elas dão origem.

11. O autor do texto

(A) se vale de dados estatísticos para justificar suas observações críticas sobre a situação dos transportes em toda a região metropolitana.
(B) defende as determinações das autoridades públicas relativas ao trânsito de São Paulo, em razão da enorme extensão da cidade e sua população.
(C) denuncia as condições de trabalho dos profissionais envolvidos com o transporte, como os caminhoneiros, que não têm as horas necessárias ao descanso.
(D) chama a atenção para a retomada do transporte ferroviário, de custos menores, que ofereceria a melhor solução para o trânsito em São Paulo.
(E) considera a eficiência dos transportes públicos em São Paulo, contra a preferência por carros, em número cada vez maior na cidade.

12. A afirmativa correta, considerando-se o que diz o texto, é:

(A) Os dados obtidos em pesquisas sobre o trânsito paulistano nem sempre são utilizados com eficácia para resolver todos os problemas da região metropolitana.
(B) Os deslocamentos por automóvel nas ruas de São Paulo têm sido a melhor opção para os congestionamentos do trânsito, pelas facilidades trazidas pelo uso dos carros.
(C) As ruas de São Paulo devem sofrer intervenções do poder público para haver condições mais favoráveis à circulação dos veículos e das pessoas.
(D) Os números obtidos sobre as condições de transporte em São Paulo são assustadores, por não haver possibilidades de soluções nem a curto nem a longo prazo.
(E) O aumento no número de veículos nas ruas gera perdas significativas no transporte de pessoas e de mercadorias na Região Metropolitana de São Paulo.

13. Considere as afirmativas seguintes sobre os sinais de pontuação empregados no 4o parágrafo:

I. As aspas na palavra "útil" denotam um sentido diferente do habitual para seu emprego, chamando atenção para o tempo perdido no trânsito.
II. Os dois-pontos assinalam a introdução de um segmento que vem explicar a afirmativa imediatamente anterior.
III. Todo o comentário sobre o transporte ferroviário, isolado por travessões, deixa implícita uma observação crítica à predominância do transporte rodoviário em São Paulo.

Está correto o que consta em

(A) II, somente.
(B) I e II, somente.
(C) I e III, somente.
(D) II e III, somente.
(E) I, II e III.

14. O deslocamento de uma pessoa por automóvel consome 26 vezes mais energia ... (4o parágrafo)

A frase cujo verbo exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima é:

(A) ... porque nesse período a frota de carros particulares passou de 3,09 milhões para 3,60 milhões.
(B) Os veículos coletivos respondem por 55% do transporte e os automóveis, por 30%.
(C) E esse não é o único desperdício ...
(D) ... que, em média, têm 20 anos de uso, sem inspeção veicular ...
(E) ... que trabalham de 20 a 30 horas seguidas.

15. A concordância verbo-nominal está inteiramente correta na frase:

(A) Os meios de transporte na cidade de São Paulo ainda provoca insatisfação, especialmente em relação ao tempo que gasta as pessoas que dependem dele.
(B) Os deslocamentos em toda a região metropolitana está cada vez mais demorado, já que as ruas recebem todos os dias um número maior de carros.
(C) As preocupações de dirigentes em todo o mundo se volta para os problemas da emissão de poluentes que comprometem a saúde das pessoas.
(D) O rodízio de carros, que se instalaram há algum tempo na cidade, já deveriam ser revistos, pois tem dado poucos resultados satisfatórios.
(E) Além da perda de tempo precioso no trânsito, os pedestres estão sujeitos a respirar o ar poluído pelas emissões de gases tóxicos dos escapamentos dos veículos.

Atenção: As questões de números 16 a 20 baseiam-se no texto abaixo.

A narrativa bíblica da Torre de Babel conta que Deus se enfureceu ao notar que os homens sonhavam com o reino dos céus e construíam uma torre para alcançá-lo. Resolveu, então, puni-los por sua arrogância. Logo, cada um dos homens começou a falar uma língua diferente e, com a comunicação comprometida, a construção foi cancelada. Se na Bíblia a pluralidade linguística era uma condenação, para a história é uma bênção, pois mostra a riqueza da humanidade. Os idiomas guardam a alma de um povo, sua história, seus costumes e conhecimentos, passados de geração em geração.
O Atlas das línguas do mundo em perigo de desaparecer 2009, divulgado pela Unesco, contempla a situação de 155 países e divide os idiomas na categoria extinta
e em outras quatro de risco. Ele apresenta a situação de 190 línguas brasileiras, todas indígenas. Dessas, 12 desapareceram e as demais estão em risco. Segundo o americano Denny Moore, antropólogo, linguista colaborador do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e coordenador da área de linguística do Museu Emílio Goeldi, em Belém, o documento deixou de fora os dialetos de descendentes de imigrantes e de grupos afrobrasileiros por falta de dados sistematizados sobre eles estima-se que sejam 20 línguas. Para ele, as informações sobre o Brasil devem ser vistas com cautela muitas das línguas citadas são extremamente parecidas e
inteligíveis entre si e poderiam ser consideradas pelos lingüistas como o mesmo idioma.
Com o objetivo de entender melhor nosso universo linguístico, o Iphan montou o Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística do Brasil (GTDL), que se dedica à criação de um inventário de línguas brasileiras. Hoje, o governo reconhece a importância de preservar esse patrimônio imaterial, mas nem sempre foi assim. Segundo historiadores, em 1500 eram faladas 1.078 línguas indígenas. Para colonizar o país e catequizar os
povos indígenas, os descobridores forçaram o aprendizado do português. Durante o governo Getúlio Vargas defendeu-se a nacionalização do ensino, e os idiomas falados por descendentes de estrangeiros simbolizavam falta de patriotismo. Por isso, caíram em desuso.
Mas por que as línguas desaparecem? Por diversos motivos, como a morte de seu último falante. Em tempos de globalização, é comum também que um idioma mais forte, com mais pessoas que o utilizam em grandes centros, sufoque um mais fraco.

(Cláudia Jordão. Istoé, 11/3/2009, pp.60-62, com adaptações)

16. É correto perceber no texto a

(A) dificuldade de especialistas em descobrir as razões do abandono de uma determinada língua por seus falantes.
(B) divergência entre a punição narrada na Bíblia e a visão do autor quanto à diversidade linguística.
(C) superioridade do poder divino diante da pretensão humana de superar as dificuldades rotineiras da vida.
(D) necessidade de um planejamento adequado para a realização de trabalhos que desafiam a capacidade humana.
(E) importância da participação de todos os envolvidos, como garantia de sucesso em qualquer atividade.

17. Segundo o especialista americano citado no texto,

(A) o grupo de trabalho montado pelo Iphan deve encontrar dificuldades em identificar as línguas de origem africana faladas no Brasil.
(B) as falhas observadas no Atlas da Unesco se justificam porque não se dispõe de registros escritos confiáveis das línguas indígenas.
(C) a sistematização das línguas de origem africana e de descendentes de estrangeiros, faladas no Brasil, deverá ocorrer em breve.
(D) o número exato de línguas faladas no Brasil, devido às semelhanças existentes entre algumas delas, precisa ainda ser revisto.
(E) o levantamento feito das línguas em extinção no mundo peca por falta de estudos mais específicos sobre esses idiomas.

18. Por isso, caíram em desuso. (3o parágrafo)

A expressão grifada na frase acima

(A) retoma as causas que resultaram na extinção de muitos falares indígenas e de idiomas estrangeiros no Brasil.
(B) faz a defesa de medidas restritivas a certos idiomas, tomadas em épocas diferentes por autoridades de governo.
(C) indica as condições em que ocorreu a extinção ou a diminuição do número de idiomas no território brasileiro.
(D) aponta consequências da dificuldade de entendimento entre falantes de línguas diferentes num mesmo território.
(E) salienta a finalidade principal da existência de múltiplas línguas, como garantia de preservação da história de um povo.

19. Hoje, o governo reconhece a importância de preservar esse patrimônio imaterial ... (3o parágrafo) A expressão grifada acima estabelece relação de sentido com a afirmativa de que:

(A) Logo, cada um dos homens começou a falar uma língua diferente e, com a comunicação comprometida, a construção foi cancelada.
(B) Os idiomas guardam a alma de um povo, sua história, seus costumes e conhecimentos, passados de geração em geração.
(C) ... o documento deixou de fora os dialetos de descendentes de imigrantes e de grupos afrobrasileiros por falta de dados sistematizados sobre eles...
(D) ... muitas das línguas citadas são extremamente parecidas e inteligíveis entre si e poderiam ser consideradas pelos linguistas como o mesmo idioma.
(E) Durante o governo Getúlio Vargas defendeu-se a nacionalização do ensino, e os idiomas falados por descendentes de estrangeiros simbolizavam falta de patriotismo.

20. ... estima-se que sejam 20 línguas. (2o parágrafo)

O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está na frase:

(A) ... cada um dos homens começou a falar uma língua diferente...
(B) Se na Bíblia a pluralidade linguística era uma condenação...
(C) ... guardam a alma de um povo, sua história, seus costumes e conhecimentos...
(D) Por isso, caíram em desuso.
(E) ... que um idioma mais forte (...) sufoque um mais fraco.

GABARITO

01 – C   02 – B    03 – A    04 – C    05 – D   06 – A    07 – B    08 - D
09 – C   10 – E    11 – A    12 – E    13 – E    14 – D    15 – E    16 - B
17 – D   18 – A    19 – B    20 - E