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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 2º Semestre de 2015

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 2º Semestre de 2015



Texto para as questões de 1 a 7:

Abraço caudaloso

            Amizade entre cronistas é um perigo: todo papo esbarra em crônica, já que toda crônica é uma espécie de papo. Foi numa conversa com o Antonio Prata, meu ex-ami­go-platônico – “ex” não por não ser mais amigo, mas por não ser mais platônico – que a bola começou a quicar. “Isso dá uma crô­nica”, ele disse. Mas nenhum dos dois es­creveu, por escrúpulos de estar roubando a ideia do outro. Eu, que tenho menos escrú­pulos e menos ideias, resolvi escrever.
            Palavras, percebemos, são pessoas. Al­gumas são sozinhas: Abracadabra. Eureca. Bingo. Outras são promíscuas (embora pre­firam a palavra “gregária”): estão sempre cercadas de muitas outras: Que. De. Por.
            Algumas palavras são casadas. A pala­vra caudaloso, por exemplo, tem união está­vel com a palavra rio – você dificilmente verá caudaloso andando por aí acompanhada de outra pessoa. O mesmo vale para frondosa¹, que está sempre com a árvore. Perdidamen­te, coitado, é um advérbio que só adverbia o adjetivo apaixonado. Nada é ledo² a não ser o engano, assim como nada é crasso³ a não ser o erro. Ensejo é uma palavra que só ser­ve para ser aproveitada. Algumas palavras estão numa situação pior, como calculis­ta, que vive em constante ménage, sempre acompanhada de assassino, frio e e.
            Algumas palavras dependem de outras, embora não sejam grudadas por um hífen - quando têm hífen elas não são casadas, são siamesas. Casamento acontece quando se está junto por algum mistério. Alguns dirão que é amor, outros dirão que é afinidade, carência, preguiça e outros sentimentos me­nos nobres (a palavra engano, por exemplo, só está com ledo por pena - sabe que ledo, essa palavra moribunda, não iria encontrar mais nada a essa altura do campeonato).
            Esse é o problema do casamento entre as palavras, que por acaso é o mesmo do casa­mento entre pessoas. Tem sempre uma pala­vra que ama mais. A palavra árvore anda com várias palavras além de frondosa. O casamen­to é aberto, mas para um lado só. A palavra rio sai com várias outras palavras na calada da noite: grande, comprido, branco, vermelho - e caudaloso fica lá, sozinho, em casa, esperando o rio chegar, a comida esfriando no prato.
            Um dia, caudaloso cansou de ser mal­tratado e resolveu sair com outras palavras. Esbarrou com o abraço que, por sua vez, es­tava farto de sair com grande, essa palavra tão gasta. O abraço caudaloso deu tão certo que ficaram perdidamente inseparáveis. Foi em Manuel de Barros. Talvez pra isso sirva a poesia, pra desfazer ledos enganos em prol de encontros mais frondosos.

(Gregório Duvivier, 02/02/2015, Folha de S.Paulo) ¹frondoso: que tem muitas folhas ou fron­des; abundante em ramos. ²ledo: risonho, alegre, contente, jubiloso. ³crasso: grosseiro, rude, bronco.

Questão 01  - Quando o autor usa a expressão “a bola co­meçou a quicar” significa que:

a) faltaram escrúpulos por parte do autor por ter roubado a ideia do amigo.
b) foi o princípio do estremecimento da ami­zade entre o autor e o amigo.
c) quando o amigo deixou de ser platônico houve a quebra da amizade.
d) deu início, a partir daí, ao processo criati­vo da crônica.
e) a amizade entre os cronistas ficou com­prometida pelo fato de a conversa ter vi­rado crônica.

Questão 02 - Segundo o autor, a princípio só NÃO fazia parte do grupo das “palavras casadas” o par:

a) árvore frondosa    b) perdidamente apaixonado
c) ledo engano         d) erro crasso                            e) abraço caudaloso

Questão 03  - Dado o uso constante, as “palavras casa­das”, citadas pelo autor, podem ser enten­didas como exemplos de:

a) idiotismos     b) lugar comum     c) neologismos     d) jargões     e) pleonasmos

Questão 04  - Num tom bem humorado e lançando mão de expressões informais ou populares, o autor elabora uma crônica com reflexões meta­linguísticas. Dos segmentos abaixo, o único que se diferencia das demais em termos de nível de linguagem é:

a) “todo papo esbarra em crônica”
b) “a bola começou a quicar”
c) “Eu, que tenho menos escrúpulos e me­nos ideias,...”
d) “encontrar mais nada a essa altura do campeonato”
e) “Talvez pra isso sirva...”

Questão 05 - O que justificaria haver palavras “promís­cuas” (ou “gregárias”) como “que”, “de” e “por” seria o fato de estas:

a) serem elementos de ligação ou estabele­cerem relações entre as palavras.
b) serem regidas por verbos ou adjetivos.
c) concordarem com qualquer termo da oração.
d) variarem de gênero conforme o termo a que se referem.
e) substituírem nomes ou pronomes.

Questão 06 - A conclusão do texto leva o leitor a acreditar que:

a) a união entre as palavras, assim como en­tre as pessoas, apresenta invariavelmente desequilíbrios de relacionamento.
b) o papel da poesia é o da reconfiguração (seja da linguagem, seja do relaciona­mento) em busca de combinações mais ricas.
c) a função da poesia é atenuar conflitos in­terpessoais, visando a uma relação mais harmônica entre as pessoas.
d) a poesia tem a função de ver a realidade por um filtro melhor, proporcionando idí­lios românticos variados.
e) o problema do casamento, seja entre pa­lavras, seja entre pessoas, é o diferente grau de dedicação que cada um confere ao outro.

Questão 07 - “Algumas palavras estão numa situação pior, como calculista, que vive em cons­tante ménage, sempre acompanhada de assassino, frio e e.”. O termo em destaque traduz ideia de: ________________ e pode ser substituído sem prejuízo de sentido por: ___________________. O item que preenche corretamente as lacunas é:

a) comparação – à maneira de
b) causa – porque
c) comparação – tal qual
d) conformidade – conforme
e) modo – à maneira de

Questão 08 - Na tira acima, temos respectivamente no 1º e último quadrinhos:

a) onomatopeia e função metalinguística.
b) aliteração e função metalinguística.
c) assonância e função conativa.
d) onomatopeia e função fática.
e) assonância e função emotiva.

Questão 09  - Leia: A luta dos usuários dos fretados pelo di­reito de descer a Serra pela Pista Sul da Imi­grantes intensificou-se durante a onda de pro­testos que atingiu boa parte do País em junho.  (jornal A Tribuna, 25/09/2015, Santos)
Na frase acima:

a) haveria uma vírgula optativa depois do termo “usuários”.
b) a expressão “pela Pista Sul” deveria estar entre vírgulas.
c) faltou uma vírgula obrigatória antes de “intensificou-se”.
d) o segmento “pelo direito de descer a Ser­ra” deveria estar entre vírgulas.
e) a rigor não há obrigatoriedade de vírgula alguma no período todo.


Questão 10 - Assinale o item em que o termo grifado da frase transgride as normas cultas da língua:

a) As declarações do ministro do Planeja­mento foram dadas pouco depois de ele receber o cargo da antecessora.
b) A taxa de crescimento do PIB ficará abai­xo da do ano passado.
c) Segundo João Goulart na época, o golpe de 64 teria ceifado a oportunidade de o Brasil dar um grande impulso para o pro­cesso democrático na América Latina.
d) A Coreia do Norte tornou-se uma amea­ça nuclear (segundo os EUA), apesar do país conviver com seriíssimos problemas sociais.
e) É maior a chance de a mulher (e não o homem) manifestar algum sentimento de estresse no trabalho.

Questão 11 - Assinale o item em que o termo grifado foi usado de modo indevido:

a) Muitos teriam tachado de mera propa­ganda a fundação de um califado por par­te do Estado Islâmico. (Folha de SP)
b) “Fui tachado de arrogante, prepotente e babaca” (Rafinha Bastos).
c) Nosso humor, que sempre foi amoral, é agora taxado de imoral. Resta saber se a alternativa do humor politizado é possível. (Joel Pinheiro)
d) O consumo de álcool na cidade deve ser taxado e servir diretamente ao tratamen­to sistêmico da situação. (Folha de SP)
e) Com a queda do petróleo, abre-se espa­ço para reduzir subsídios e até taxar os combustíveis fósseis. (Folha de SP) 

Questão 12 - Levando em conta os elementos verbais e não verbais nas propagandas apresentadas abaixo, assinale aquela cuja indicação NÃO esteja correta:

a) ambiguidade   b) trocadilho   c) comparação   d) catacrese   e) paronomásia

Questão 13 - Assinale a única frase aceita pelas normas de regência verbal:

a) Sem-terra preferem a Bolsa Família a Re­forma Agrária.
b) O jogador disse que preferia jogar no Mo­rumbi do que jogar no Interior.
c) O consumidor endividado prefere mais a bebida barata que o uísque importado.
d) Deputado petista preferiu ficar no Con­gresso que assumir cargo administrativo.
e) A presidente afirmou que “prefere o ba­rulho da imprensa livre ao silêncio das di­taduras”.

Questão 14 - Leia:

Hora do pôr do sol? - hora fagueira,
Qu’encerras tanto amor, tristeza tanta!
Quem há que de te ver não sinta enlevos,
Quem há na terra que não sinta as fibras
Todas do coração pulsar-lhe amigas,
Quando desse teu manto as pardas franjas
Soltas, roçando a habitação dos homens?
Há i prazer tamanho que embriaga,
Há i prazer tão puro, que parece
Haver anjos dos céus com seus acordes
A mísera existência acalentado!

(Gonçalves Dias, trecho de “A Tarde”)

Os versos acima exemplificam a caracterís­tica romântica:

a) do sentimentalismo romântico que aponta para a desilusão amorosa.
b) do nacionalismo que exalta a beleza exó­tica da natureza brasileira.
c) do escapismo em que a morte representa a libertação da vida material.
d) da projeção do estado de espírito do poe­ta nos elementos da natureza.
e) do pessimismo e da melancolia, configu­rando o chamado “mal do século”.

Questão 15 - A colônia só deixa de o ser quando passa a sujeito de sua história.(Alfredo Bosi). 
Histo­ricamente pode-se afirmar que a literatura brasileira conseguiu sua efetiva autonomia em relação às influências da matriz euro­peia somente no:

a) Arcadismo, quando Tomás Antonio Gon­zaga denunciou os desmandos dos gover­nantes da época em “Cartas Chilenas”.
b) Romantismo, quando este tematizou ele­mentos tipicamente brasileiros como o ín­dio, a fauna e a flora e apresentou um eu lírico egocêntrico, centralizador do uni­verso.
c) Naturalismo, quando sob a óptica cienti­ficista da época retrataram-se o coletivo, os desvios de comportamento, o meio de­gradado dos cortiços e pensões.
d) Modernismo da geração de 22, quando houve uma revolução nas artes e na cul­tura brasileira em que se buscaram novas linguagens, formas e abordagens, além de um nacionalismo crítico dentre outros.
e) Modernismo da geração de 30, quando se consolidaram as propostas revolucio­nárias da primeira fase e se abordaram temas sociais e metafísicos.

Questão 16 - Pode-se afirmar que não houve no Brasil um movimento literário surrealista propriamen­te dito. No entanto, é possível detectar aqui e acolá um ou outro poema com nítidos traços surrealistas. Identifique-o abaixo:

a) Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
(Manuel Bandeira)
b) Mamãe vestida de renda
tocava piano no caos.
Uma noite abriu as asas
Cansada de tanto som,
Equilibrou-se no azul,
De tonta não mais olhou
Para mim, para ninguém:
Cai no álbum de retratos.
(Murilo Mendes)
c) Parece, Senhor, que me desdobrei,
que me multipliquei,
que a chuva dos céus cai dentro de minhas mãos...
(Vinícius de Moraes)
d) Eu não tinha esse rosto de hoje
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio tão amargo.
(Cecília Meireles)
e) Fazer o que seja é inútil.
Não fazer nada é inútil.
Mas entre fazer e não fazer
mais vale o inútil do fazer.

(João Cabral de Melo Neto)

Texto para as questões de 17 a 20:

            Levo ou não levo, é isso. Talvez seja melhor sofrer a sorte da gente de qual­quer jeito, porque deve estar escrito. Ou é melhor brigar com tudo e acabar com tudo. Morrer é como que dormir e dormindo é quando a gente termina as con­sumições, por isso é que a gente sempre quer dormir. Só que dormir pode dar so­nhos e aí fica tudo no mesmo. Por isso é que é melhor morrer, porque não tem so­nhos, quando a gente solta a alma e tudo finda. Porque a vida é comprida demais e tem desastres. Quem aguenta a velhice que vai chegando, os espotismos e as or­dens falsas, a dor de corno, as demoras em tudo, as coisas que não se entende e a in­gratidão, quando a gente não merece, se a gente mesmo pode se despachar, até com uma faca? Quem é que aguenta esse peso, nessa vida que só dá suor e briga? Quem aguenta é quem tem medo da morte, por­que de lá nenhum viajante voltou e isso é que enfraquece a vontade de morrer. E aí a gente vai suportando as coisas ruins, só para não experimentar outras, que a gente não conhece ainda. E é pensando que a gente fica frouxo e a vontade de brigar se amarela quando se assunta nisso, e o que a gente resolveu fazer, quando a gente se lembra disso e se desvia e acaba não se fazendo nada.

(João Ubaldo Ribeiro, Sargento Getúlio, RJ, Nova Fron­teira)

Questão 17 - Assinale a alternativa cuja afirmação NÃO seja condizente com o texto:

a) o dilema inicial do narrador oscila en­tre ser obrigado a se sujeitar ao destino, que já está escrito, e enfrentar a tudo e a todos.
b) o narrador protagonista estabelece um paralelo entre “morrer” e “dormir”, já que em ambos haveria a ideia de fim.
c) “dormir” acaba sendo uma fuga para as “consumições”, ou seja, aquilo que con­some o ser humano, como os sofrimentos.
d) a morte é encarada como superior ao sono, uma vez que neste os sonhos não alterariam o quadro catastrófico da vida e naquela tudo findaria.
e) o peso da existência se dá pelo fato de a vida não ser efêmera, além de conter mui­tos “suores” e “brigas”.

Questão 18 - O trecho: “Quem aguenta a velhice que vai chegando, os espotismos e as or­dens falsas, a dor de corno, as demoras em tudo, as coisas que não se entende e a ingratidão, quando a gente não mere­ce, se a gente mesmo pode se despachar, até com uma faca?” relata os desastres da vida. Nele só não houve menção:

a) ao autoritarismo e às mentiras.    b) à traição conjugal.
c) ao desconhecido.                         d) ao suicídio.              e) à fugacidade do tempo

Questão 19 - Assinale a afirmação CORRETA:

a) os questionamentos do narrador sobre a vida ganham uma evolução até desembo­car na vontade de morrer.
b) a constatação de que na morte não há vol­ta faz as pessoas preferirem a vida e de­sistirem decididamente da morte.
c) o medo da morte e, sobretudo, do desco­nhecido faz com que as pessoas supor­tem os desastres da vida.
d) os reveses da vida impelem o indivíduo a ser frouxo, a abdicar das iniciativas e, por fim, a não fazer nada.
e) a sucessão de perguntas traduz a falta de respostas do narrador para os enigmas da vida após a morte.

Questão 20 - Aforismo é uma sentença moral breve e conceituosa, soando como máxima, como verdade. Das frases abaixo a única que NÃO pode ser considerada aforismo é:

a) Morrer é como que dormir e dormindo é quando a gente termina as consumições...
b) Levo ou não levo, é isso.
c) Porque a vida é comprida demais e tem desastres.
d) Quem aguenta é quem tem medo da mor­te, porque de lá nenhum viajante voltou...
e) E é pensando que a gente fica frouxo...


PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 1º Semestre de 2015

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA — ESPM — 1º Semestre de 2015


Texto para as questões de 1 a 5:

            Numa sociedade fortemente hierarqui­zada, onde as pesso­as se ligam entre si e essas ligações são consideradas como fundamentais (valen­do mais, na verdade, do que as leis universalizantes que go­vernam as instituições e as coisas), as relações entre senhores e escravos po­diam se realizar com muito mais “intimi­dade, confiança e consideração”. Aqui, o senhor não se sente ameaçado ou cul­pado por estar submetendo um outro homem ao trabalho escravo, mas, mui­to pelo contrário, ele vê o negro como seu “complemento natural”, como um “outro” que se dedica ao trabalho duro, mas complementar às suas próprias ati­vidades que são as do espírito. Assim a lógica do sistema de relações sociais no Brasil é a de que pode haver intimida­de entre senhores e escravos, superiores e inferiores, porque o mundo está real­mente hierarquizado, tal qual o céu da Igreja Católica, também repartido e tota­lizado em esferas, círculos, planos, todos povoados por anjos, arcanjos, querubins, santos de vários méritos etc., sendo tudo consolidado na Santíssima Trindade, todo e parte ao mesmo tempo; igualda­de e hierarquia dados simultaneamente. O ponto crítico de todo nosso sistema é a sua profunda desigualdade.(...)
            Neste sistema, não há necessidade de segregar o mestiço, o mulato, o índio e o ne­gro, porque as hierarquias asseguram a supe­rioridade do branco como grupo dominante.

(Roberto da Matta, Relativizando - Uma Introdução à Antropologia Social)

Questão 01 - Conforme o autor:

a) Numa sociedade, em que as ligações são mais importantes do que as leis univer­sais, não existem hierarquias.
b) Os senhores e escravos se estimam quan­do há intimidade, confiança e consideração e, portanto, não há discriminação social.
c) Hierarquia, intimidade, confiança e consi­deração não estão necessariamente em oposição.
d) Só há discriminação social quando as leis que governam valem menos que as liga­ções entre as pessoas.
e) Quando leis universalizantes são conside­radas fundamentais, então é possível ha­ver intimidade, confiança e consideração.

Questão 02 - Segundo o texto:

a) O escravo nunca ameaçava o senhor quan­do havia intimidade, confiança e considera­ção.
b) As relações familiares criadas entre se­nhores e escravos acabaram lançando as bases das leis universalizantes.
c) Em sistemas sociais fortemente hierarqui­zados, o trabalho escravo substituía as ati­vidades do espírito.
d) Em sociedade hierarquizada, senhores e escravos eram percebidos naturalmente como complementares.
e) Hierarquia e complementaridade são for­mas naturais de relações sociais.

Questão 03 - Depreende-se do texto que:

a) o sentimento de culpa do senhor, gerado pelo grau de intimidade com o negro es­cravo, ficava escamoteado.
b) a ideia de trabalho escravo era relativiza­da pelas relações existentes entre senho­res e escravos.
c) a Igreja Católica possui um modelo hie­rárquico herdado de um sistema escravo­crata de relações.
d) dadas as relações amistosas, havia, em­bora de modo parcial, igualdade entre se­nhores e escravos.
e) numa sociedade em que um grupo social é superior, justifica-se manter a segrega­ção de grupos considerados inferiores.

Questão 04 - “igualdade e hierarquia dados simulta­neamente. O ponto crítico de todo nosso sistema é a sua profunda desigualdade.” No contexto, ao fazer essa afirmação, o autor dá a entender que:

a) caiu em contradição nos seus postulados.
b) hierarquia e desigualdade são antônimos.
c) hierarquia deveria ser simultânea a desi­gualdade.
d) o ponto crítico da igualdade é a desigual­dade.
e) a igualdade a que se refere é apenas apa­rente.

Questão 05 - O vocábulo “Aqui” no segundo período se reporta a:

a) “relações entre senhores e escravos” b) “sociedade fortemente hierarquizada”
c) “leis universalizantes”                       d) “instituições e coisas”                          e) “trabalho duro”

Texto para as questões de 6 a 10:

O PATO SOCIAL

            Amigos que atuam no mercado editorial e na imprensa de Lisboa, externando com bom humor a sua indignação, argumenta­vam: “Queremos igualdade de condições e direitos. Se não podemos ser ‘exactos’ em nosso idioma, então vocês não podem ter um ‘pacto’, mas, sim, um pato social”.
            Avicultura sociopolítica à parte, os lusos, a despeito de seus questionamentos, e os demais governos da Comunidade dos Paí­ses de Língua Portuguesa, com exceção de Angola, já ratificaram o acordo ortográfico. O mais importante de tudo isso é entender que as mudanças que unificaram a ortografia não alteraram a gramática e a riqueza do portu­guês, com sua multiplicidade de expressões homônimas e parônimas e infinitas possibili­dades sintáticas para a composição das fra­ses e sentenças.
            Ademais, o alto grau de redundância linguística de nosso idioma permite que os textos sejam lidos rapidamente e na diago­nal, sem prejuízo de se assimilar a informa­ção mínima, e também facilita o mecanismo da previsibilidade (ou seja, mesmo quando faltam letras numa palavra, o leitor consegue ler de maneira correta). Tudo isso vai a favor do consenso nacional quanto à necessidade de estimular a leitura.
            Considerando a adequada e rápida adaptação do Brasil e levando-se em conta que até os portugueses já ratificaram o acordo ortográfico, são incompreensíveis as propos­tas que às vezes surgem no nosso Legislati­vo ou na retórica de pretensos estudiosos do tema, de se produzirem novas mudanças.

(Karine Pansa, Folha de SP, adaptado, 19.08.2014)

Questão 06 - De uma leitura atenta do texto, pode-se afir­mar que:

a) o mercado editorial e a imprensa de Lis­boa defendem uma igualdade de direitos sociopolíticos.
b) os portugueses resolveram não aderir à reforma ortográfica da língua portuguesa.
c) o acordo ortográfico trouxe padronização da ortografia, mas também mudanças sig­nificativas na estrutura gramatical.
d) a multiplicidade de expressões homôni­mas e parônimas é que tornam complexa a língua portuguesa.
e) os lusitanos reivindicam uma paridade de mudanças ortográficas em Portugal e no Brasil.

Questão 07 - Pode-se afirmar que segundo a autora do texto:

a) a elevada redundância linguística trabalha a favor da contextualização do vocábulo.
b) a supressão de uma letra altera totalmen­te o significado de uma palavra.
c) o leitor possui uma capacidade limitada de previsibilidade para uma palavra.
d) a rápida adaptação do Brasil ao acordo ortográfico estimulou novas propostas pelo Legislativo.
e) novas mudanças linguísticas deveriam ser encaminhadas às autoridades para esti­mular a leitura no país.

Questão 08 - No trecho: "Avicultura sociopolítica à par­te, os lusos, a despeito de seus questiona­mentos, ...", a expressão em negrito pode ser substituída, sem prejuízo semântico, por:

a) à custa de   b) apesar de   c) à procura de   d) a respeito de   e) no âmbito de

Questão 09 - Na última linha, o segmento “retórica de pre­tensos estudiosos do tema” possui um tom:

a) de elogio, significando a arte de conven­cer de pesquisadores sábios.
b) exortativo, significando detentores do sa­ber que possuem o dom da oratória.
c) irônico, significando o discurso pomposo de supostos estudiosos.
d) pejorativo, significando esforçados estu­dantes com surpreendente eloquência.
e) crítico, significando o discurso ardiloso de linguistas soberbos.

Questão 10 - Assinale o item em que o par de vocábulos não seja exemplo de palavras parônimas, mas sim de homônimas:

a) pacto – pato                  b) ratificar – retificar 
c) cumprido – comprido   d) são (verbo ser) – são (santo)   e) descrição – discrição


Questão 11 - Assinale a opção não aceita pelas normas de Concordância Verbal:

a) Pesquisa aponta que 92,7% dos brasileiros querem a redução da maioridade penal.
b) Pesquisa aponta que 92,7% da população quer a redução da maioridade penal.
c) Mesma pesquisa mostra que 49,7% se apresentam contrários a união civil de pessoas de mesmo sexo.
d) A maioria (54,2%) se revelou também contra a aprovação de uma lei permitindo o casamento de pessoas do mesmo sexo.
e) ONU: um terço dos alimentos produzidos no mundo são desperdiçados anualmente.

Questão 12 -

(Folha de S.Paulo, 31.05.2014)
A charge acima é passível de ser interpreta­da como ironizando:

I. A presunção do ministro, ao considerar­-se possuidor de poderes semelhantes a Cristo, quando este ressuscitou depois de três dias.
II. O modo ardiloso, além de certa arrogân­cia, a que o ministro recorre para, ante uma provável condenação ética, “desa­parecer” e “reaparecer” politicamente num curto espaço de tempo.
III. A falácia do discurso político, o qual su­bentende repetidas promessas e planos, ante um grupo de jornalistas ávidos por mudanças.

a) apenas a I está correta.    b) apenas a II está correta.
c) I e II corretas.                  d) I e III corretas.                 e) todas estão corretas.

Questão 13 - Assinale o item em que ocorreu uma con­cordância não gramatical, ou seja, uma con­cordância com a ideia:

a) Penso que todos acreditamos que o futu­ro está nas mãos das nossas crianças, dos nossos jovens.
b) Criminalidade e violência não se combatem com prisão, afirma pesquisa­dora da UFABC.
c) Os Estados Unidos preparam opções mili­tares para pressionar o Estado islâmico na Síria.
d) Analistas avaliam que corrupção eleito­ral e despreparo da população ainda são obstáculos para o voto facultativo.
e) A inadimplência nas operações bancárias das pessoas físicas subiu 6,6% em julho.

Texto para as questões 14 e 15:

            (...) era o Leonardo Pataca. Chamavam assim a uma rotunda e gordíssima perso­nagem de cabelos brancos e carão aver­melhado, que era o decano da corporação, o mais antigo dos meirinhos(¹) que viviam nesse tempo. (...) Fora Leonardo algibe­be(²) em Lisboa, sua pátria; aborreceu-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de quem, alcançou o emprego de que o ve­mos empossado, e que exercia, como dis­semos, desde tempos remotos.

(Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel Antonio de Almeida) ¹meirinho = funcionário da justiça. ²algibebe = vendedor de roupas baratas; mascate.

Questão 14 - No trecho acima, podem ser detectados ele­mentos característicos que fazem com que a obra em questão se afaste dos padrões românticos. Assinale o item que NÃO seria responsável por esse afastamento:

a) descrição física não idealizada da perso­nagem.
b) uso de apelido incorporado ao nome.
c) passado não digno de um herói tradicional.
d) cargo conseguido não por conquistas, mas por privilégios.
e) ser o mais antigo dos meirinhos que vi­viam nesse tempo.

Questão 15 - Na frase: “Fora Leonardo algibebe(²) em Lisboa, sua pátria;...”, a forma verbal em ne­grito pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:

a) tinha ido    b) tinha sido     c) seria     d) foi     e) iria

            – O homem – notou Lentz a sorrir com ar de triunfo – há de sempre destruir a vida para criar a vida. E depois, que alma tem esta árvore? E que tivesse... Nós a elimina­ríamos para nos expandirmos.
            E Milkau disse com a calma da resig­nação:
            – Compreendo bem que é ainda a nos­sa contingência essa necessidade de ferir a Terra, de arrancar do seu seio pela força e pela violência a nossa alimentação; mas virá o dia em que o homem, adaptando-se ao meio cósmico por uma extraordinária longevidade da espécie, receberá a força orgânica da sua própria e pacífica harmo­nia com o ambiente, como sucede com os vegetais; e então dispensará para subsistir o sacrifício dos animais e das plantas. Por ora nos conformaremos com este momen­to de transição... Sinto dolorosamente que, atacando a Terra, ofendo a fonte da nossa própria vida, e firo menos o que há de ma­terial nela do que o seu prestígio religioso e imortal na alma humana...

(Graça Aranha, Canaã)

Questão 16 - No trecho acima, duas personagens alemãs expõem suas posições filosóficas antagôni­cas a respeito do mundo e do homem. No fragmento discutem a necessidade ou não do corte das árvores. Assinale a afirmação NÃO condizente:

a) Enquanto Lentz tem espírito agressivo, destruidor, Milkau é humanista, sensível.
b) Lentz defende a “lei do mais forte”, justi­ficando que para haver vida é preciso ha­ver morte.
c) Milkau se mostra reticente sobre uma fu­tura integração entre homem e natureza.
d) Há uma visão antecipatória de que agredir o Planeta significa agredir o próprio ho­mem.
e) Enquanto Lentz se mostra mais soberbo, Milkau tem uma postura mais humilde.

Questão 17 Do léxico de Cruz e Sousa, especial­mente o dos primeiros livros, já se disse que, além da presença explicável de termos litúr­gicos, traía a obsessão do branco, fator co­mum a tantas de suas metáforas (...) Ao que se pode acrescer a não menor frequência de objetos luminosos ou translúcidos. (Alfredo Bosi, História Concisa da Literatura Brasileira)

Os versos que confirmam de modo mais pre­ciso as características apontadas no texto são:

a) Ó Formas alvas, brancas. Formas claras
De luares, de neves, de neblinas!...
Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas...
Incensos dos turíbulos das aras... (“Antífona”)
b) Para as Estrelas de cristais gelados
As ânsias e os desejos vão subindo,
Galgando azuis e siderais noivados
De nuvens brancas a amplidão vestindo. (“Siderações”)
c) Nesse lábio mordente e convulsivo,
Ri, ri risadas de expressão violenta
O Amor, trágico e triste, e passa, lenta,
A morte, o espasmo gélido, aflitivo... (“Lés­bia”)
d) Alma! Que tu não chores e não gemas,
Teu amor voltou agora.
Ei-lo que chega das mansões extremas,
Lá onde a loucura mora! (“Ressurreição”)
e) As minhas carnes se dilaceraram
E vão, das llusões que flamejaram,
Com o próprio sangue fecundando as ter­ras...(“Clamando”)

Texto para as questões de 18 a 20:

            Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio — o rio — pondo perpétuo. Eu sofria já o co­meço da velhice — esta vida era só o demo­ramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reu­matismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais. De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar do vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abai­xo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranquili­dade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.

(ROSA, João Guimarães. “A Terceira Margem do Rio”, Primeiras estórias, Nova Fronteira, 2005)

Questão 18 - O personagem sente-se:

a) humilhado pela atitude vigorosa do pai.
b) solitário, por ser muito idoso.
c) obstinado, à procura do pai.
d) obcecado pela ideia da morte próxima.
e) culpado, embora não consiga identificar sua falta.

Questão 19 - Segundo o texto, o personagem:

a) divaga sobre as palavras tristes.
b) teme pela vida de seu pai, dadas as doen­ças.
c) crê que a verdadeira razão de tudo é a sua idade avançada.
d) talvez quisesse transmitir a própria tran­quilidade ao pai.
e) desvia sua atenção para o rio, a fim de es­quecer a ausência do pai.

Questão 20 - No trecho acima, só NÃO pode ser constatado(a)(s):

a) narrador-personagem em primeira pes­soa.
b) tom de oralidade com longas orações su­bordinadas.
c) linguagem elíptica.
d) neologismos.
e) repetição enfática das palavras.


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Texto para as questões 1 a 3:

ROLEZINHOS

            Uma amiga me diz que ela passeia pelos shoppings para ter a impressão de estar fora do Brasil, ou seja, num espaço público que não seja ansiógeno1 e violento. Claro, é uma ilusão fugaz; basta olhar para as vitrines para constatar que tudo é brutalmente mais caro do que no exterior - pelos impostos, pela produtividade medíocre ou pela corrupção endêmica, tanto faz. Mesmo assim, insiste mi­nha amiga, a ilusão de civilidade é um alívio. Hoje, à brutalidade de impostos, cor­rupção e mediocridade produtiva acrescen­tam-se os “rolezinhos” dos jovens da perife­ria. O que eles querem, afinal? Talvez eles gostem de apavorar. Não se­ria de se estranhar. É um axioma2: para quem vive na incerteza (de seu status, do reconhe­cimento dos outros, de seu lugar no mundo), apavorar é um jeito de encontrar no medo dos outros uma confirmação de sua própria relevância. Apavoro, logo existo: espelho-me na preocupação dos seguranças e na cara fechada dos clientes que voltam correndo para o estacionamento. Mas apavorar é um efeito colateral. Os jovens dos «rolezinhos» pedem sobretudo uma bola branca: a admissão ao clube. A prova, a roupa que eles preferem e que grita para ser reconhecida como luxo.Tudo bem, alguém perguntará, eles pedem acesso a quê? À classe privilegiada? Ao consumo de quem tem grana? Não acredito em nada disso, aposto que eles pedem acesso ao próprio lugar para o qual eles vão: eles pedem acesso ao shop­ping. O que esse lugar tem de mágico? De desejável? Qual é seu valor simbólico? Na nossa cultura (justamente pela qua­se inexistência de espaços públicos minima­mente frequentáveis, ou seja, pelo horror que a rua é para todos, ricos e pobres), os shop­pings integram a lista histórica dos refúgios.

(Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo, 06.02.2014, adaptado) ¹ansiógeno: que gera ansiedade 2axioma: premissa admitida universal­mente como verdadeira, sem exigência de demonstração; máxima; sentença

Questão 1 - Segundo o texto, o autor:

a) concorda com a amiga, ao ver o shopping como um espaço público que passa a ilu­são de um lugar sem violência.
b) olha para as vitrines dos shoppings e tam­bém tem a sensação de estar fora do país.
c) responsabiliza impostos, produtividade me­díocre e corrupção endêmica por desfaze­rem a imagem de civilidade de um shopping.
d) reconhece ser uma ilusão achar que os preços dos produtos no Brasil seriam me­nores do que os do exterior.
e) aponta o preço dos produtos daqui como um dos fatores para se perceber a ilusão efêmera que é um shopping.

Questão 2 - Ainda segundo o texto, o autor entende que:

a) os “rolezinhos” dos jovens da periferia também são um fator contribuinte para a desilusão representada por um shopping.
b) aterrorizar os outros seria uma forma ine­ficaz de os jovens da periferia obterem a dimensão da própria existência.
c) instaurar medo nos clientes é um modo de enfatizar uma importância já reconhe­cida pela sociedade.
d) torna-se uma verdade universal o fato de os jovens da periferia não terem status, re­conhecimento e lugar no mundo.
e) os “rolezinhos” dos jovens da periferia são protestos injustos por parte daqueles que não são excluídos da sociedade con­sumidora.

Questão 3 - O autor acredita que o shopping:

a) torna-se uma opção mais atraente do que as ruas horrorosas sem espaço para po­bres.
b) representa historicamente um lugar públi­co frequentável apenas pelos mais ricos.
c) simboliza um espaço reivindicado pelos jovens que desejam ascender à classe alta.
d) passa a ser um refúgio para os jovens da periferia, espaço do qual eles ainda não se sentem detentores.
e) possui um aspecto quase mágico que passa a ser um espaço público desejável por todos.

Texto para as questões de 4 a 7:

            No terceiro século do domínio portu­guês é que temos um afluxo maior de imi­grantes para além da faixa litorânea, com o descobrimento do ouro das Gerais (...) E mesmo essa emigração faz-se largamente a despeito de ferozes obstruções artificial­mente instituídas pelo governo; os estrangei­ros, então, estavam decididamente excluídos delas (apenas eram tolerados – mal tolera­dos – os súditos das nações amigas: ingleses e holandeses), bem assim como os monges; considerados piores contraventores das de­terminações régias, os padres sem empre­go, os negociantes estalajadeiros, todos os indivíduos enfim que pudessem não ir ex­clusivamente a serviço da insaciável avidez da metrópole. Em 1720 pretendeu-se mesmo fazer uso de um derradeiro recurso, o da proibi­ção de passagens para o Brasil. Só as pes­soas investidas de cargo público poderiam embarcar com destino à colônia. Não acom­panhariam esses funcionários mais do que os criados indispensáveis. Dentre os eclesi­ásticos podiam vir os bispos e missionários, bem como os religiosos que já tivessem pro­fessado no Brasil e precisassem regressar aos seus conventos. Finalmente seria dada a licença excepcionalmente a particulares que conseguissem justificar a alegação de terem negócios importantes, e comprome­tendo-se a voltar dentro de prazo certo.

(Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil)

Questão 4  Do texto, pode-se afirmar que a política de colonização:

a) orientava-se sobretudo por estímulos concedidos à vinda de comerciantes es­trangeiros dos países amigos.
b) procurava atender às necessidades e prioridades estabelecidas pela coroa portuguesa.
c) buscava distinguir entre os padres de maus costumes e o clero engajado na prestação de serviços políticos.
d) obedecia a critérios casuísticos e de­monstrava repugnância pelos forasteiros, sobretudo ingleses e holandeses..
e) tinha como único alvo assentar aqui o con­junto de instituições e grupos sociais exis­tentes na metrópole.

Questão 5 - A proibição que se pretendeu impor em 1720 isentava apenas:

a) funcionários públicos, monges e comer­ciantes estalajadeiros.
b) detentores de cargos públicos, ingleses e membros do clero atuantes na colônia.
c) eclesiásticos com tarefas na colônia, fun­cionários públicos graduados e particula­res com seus criados.
d) autoridades públicas e seus acompa­nhantes, padres sem emprego e alguns negociantes de peso.
e) representantes da coroa, bispos e missio­nários e comerciantes sob a condição de voltar.

Questão 6 - As medidas em relação ao clero:

a) não discriminavam seus integrantes con­forme as posições ocupadas na hierar­quia eclesiástica.
b) distinguiam os padres que transgrediam as determinações da coroa daqueles que estavam desempregados.
c) privilegiavam os ocupantes de posições episcopais e aqueles dedicados ao traba­lho realizado no Brasil.
d) estabeleciam divisão nítida entre os qua­dros do clero secular e os integrantes das ordens religiosas.
e) davam prioridade àqueles padres que ti­vessem negócios na colônia e que tives­sem um nível razoável de renda.

Questão 7 - A corrida para o interior do país por causa do ouro se fez:

a) com apoio político da coroa portuguesa.
b) por pressão dos ingleses e holandeses.
c) mesmo com os obstáculos impostos pelo governo.
d) com os estrangeiros a serviço da metró­pole.
e) com a ajuda de monges e padres desem­pregados.

A escola e outras instituições – edito­ras, jornais etc. – “precisam” ou pensam que precisam uniformizar a língua. Se pudessem, uniformizariam também nosso pensamento. As gramáticas e dicionários não são “insti­tuições” revolucionárias. Pelo contrário. Por exemplo, não só ensinam que “obedecer” é um verbo transitivo indireto (...), como seus exemplos também são “educativos”, do tipo “Devemos obedecer às ordens”. 

(Sírio Possenti, terramagazine.terra.com.br/blogdo­sírio)

Questão 8 - Segundo o texto, o autor:

a) apoia as escolas e todas as instituições que exerçam um modo revolucionário de pensar a língua.
b) vê nas escolas, editoras e jornais a mesma postura conservadora das gramáticas e dicionários no tocante à língua.
c) reconhece a necessidade de um cunho ideológico nas frases usadas como exem­plos gramaticais.
d) critica a escola e outras instituições por não promoverem a uniformização da língua.
e) utiliza aspas em vocábulos e frase para in­dicar, em todos os casos, uma conotação irônica.

Questão 9 - Em uma das manchetes de jornal, é possível fazer dupla leitura. Aponte-a:

a) Árbitro que errou em jogo no Rio denuncia ameaças de torcedores à polícia.
b) Governo suspende venda de 111 planos de saúde de 47 operadoras.
c) Governo quer proibir uso de máscaras e fazer apreensão de câmeras durante protestos.
d) Despesas com habitação pressionam cus­to de vida da população paulistana.
e) Pequenas e médias empresas são foco de apenas 20% dos jovens brasileiros inician­tes no mercado.

Questão 10 - A charge acima faz alusão:

a) à harmonia política entre presidenta e po­líticos do Congresso.
b) à submissão da presidenta em relação a um partido oposicionista.
c) à dificuldade de relacionamento entre go­verno e partido aliado.
d) ao excesso de autonomia nos ministérios por parte dos políticos aliados.
e) à barganha política por meio de loteamen­to de cargos pelo partido da base aliada.


Questão 11 - Causada pelo vírus VHA, a hepatite A pode ser transmitida também por meio de _____________________________ .
Segundo a norma padrão, o espaço só não poderia ser preenchido com:

a) alimento e água contaminada
b) alimento e água contaminados
c) água e alimento contaminado
d) água e alimento contaminados
e) alimento e água contaminadas

Questão 12 - Uma das frases apresenta uma transgressão de Regência Verbal, segundo a norma culta. Indique-a:

a) Os novos ministros do STF alegam que os crimes foram cometidos em coautoria, o que não implica num novo delito, como formação de quadrilha.
b) Obama prefere espionagem e veícu­los aéreos não tripulados a soldados em campo.
c) Maduro assiste impotente à inflação mais alta da América Latina - 56% no ano pas­sado.
d) Com a falta de chuvas, seguro do gover­no federal assiste financeiramente famílias que vivem só da pesca.
e) A cirurgia plástica não visa só ao rejuve­nescimento, mas também a tratamentos reparadores.

Questão 13 - Sobre a frase "A imprensa publica o que ouve e não o que houve.", atribuída ao poeta e escritor modernista Oswald de Andrade, assinale a afirmação incorreta:

a) critica a falta de comprovação dos fatos por parte da imprensa.
b) subentende que a verdade da imprensa não corresponde aos fatos.
c) estabelece um jogo de palavras com vo­cábulos homófonos. d) recorre também a vocábulos parônimos.
e) faz um trocadilho constituindo a figura de linguagem chamada paronomásia.

Questão 14 - Em todos os itens, constata-se a figura de linguagem denominada SINESTESIA, exceto em um. Indique-o:

a) “Agora o cheiro áspero das flores / leva­-me os olhos por dentro de suas pétalas.”
(Cecília Meireles)
b) “...com os seus grandes e belos olhos, que davam uma sensação singular de luz úmida; eu deixei-me estar a vê-los...”
(Machado de Assis)
c) “Grifam-me sons de cor e de perfumes, / Ferem-me os olhos turbilhões de gu­mes,...”
(Mário de Sá-Carneiro)
d) “Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / Brancas sonoridades de cascatas...”
(Cruz e Sousa)
e) “Eu preparo uma canção, / em que minha mãe se reconheça / todas as mães se re­conheçam / e que fale como dois olhos.”
(C.Drummond de Andrade)

Questão 15 - Considerado pelo narrador como “vadio­-mestre”, “vadio-tipo”, no final, Leonardo sai da prisão, é promovido a sargento de milícias e casa-se com moça de boa con­dição social. Um jogo dúbio a que Antonio Candido chamou de “dialética da malan­dragem”. Poderíamos estabelecer um pa­ralelismo temático entre esse quadro e os versos a seguir:

a) “e, para mais m’espantar,
os maus vi sempre nadar
em mar de contentamentos”
(Camões)
b) “Que os brasileiros são bestas
E estarão a trabalhar
Toda a vida por manter
Maganos [malandros] de Portugal”
(Gregório de Matos)
c) “Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!”
(Álvaro de Campos)
d) “Eu insulto o burguês! O burguês-níquel
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!”
(Mário de Andrade)
e) “Amigo Doroteu, prezado amigo,
Abre os olhos, boceja, estende os braços
E limpa, das pestanas carregadas,
O pegajoso humor, que o sono ajunta”
(Tomás Ant. Gonzaga)

Ora, suposto que já somos pó, e não pode deixar de ser, pois Deus o disse; perguntar-me-eis, e com muita razão, em que nos distin­guimos logo os vivos dos mortos? Os mortos são pó, nós também somos pó: em que nos distinguimos uns dos outros? Distinguimo-nos os vivos dos mortos, assim como e distingue o pó do pó. Os vivos são pó levantado, os mor­tos são pó caído; os vivos são pó que anda, os mortos são pó que jaz: “Hic jacet”¹.

(Pe. Antônio Vieira, Sermão da Quarta-Feira de Cinza) 1“Hic jacet”: aqui jaz

Questão 16 - Padre Vieira, maior orador sacro da língua portuguesa, produziu mais de 200 sermões. Percebem-se no texto um tom oral ou carac­terísticas do discurso falado devido:

a) ao uso intensivo da metáfora do “pó”.
b) à repetição enfática de palavras e ao uso da expressão "ora".
c) ao desenvolvimento de um raciocínio ló­gico-dedutivo sobre a condição humana.
d) ao uso de um jogo de palavras e às cons­truções anafóricas.
e) ao rebuscamento da linguagem e ao uso de frase em latim.

Texto para as questões de 17 a 20: 

– Travessa? – disse eu. – Pois já não está em idade própria ao que parece. – Quantos lhe dá? – Dezessete. – Menos um. – Dezesseis. Pois então! É uma moça. Não pôde Eugênia encobrir a satisfa­ção que sentia com esta minha palavra, mas emendou-se logo, e ficou como dantes, ereta, fria e muda. Em verdade, parecia ainda mais mulher do que era; seria criança nos seus fol­gares de moça: mas assim quieta, impassível, tinha a compostura de mulher casada. Talvez essa circunstância lhe diminuía um pouco da graça virginal. Depressa nos familiarizamos; a mãe fazia-lhe grandes elogios, eu escutava­-os de boa sombra, e ela sorria, com os olhos fúlgidos, como se lá dentro do cérebro lhe estivesse a voar uma borboletinha de asas de ouro e olhos de diamante...

(Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas)

Questão 17 - O comentário sobre a idade, fez com que Eugênia tivesse uma reação inicial de pes­soa:

a) escabreada   b) recompensada   c) ressabiada   d) lisonjeada   e) impassível

Questão 18 - Pode-se constatar pelo texto que Eugênia:

a) alternava satisfação e alegria com frieza e mudez. b) alheia a tudo, fingia ser uma mulher casa­da.
c) conservou-se calada, mas sua imaginação ia longe.
d) era uma mulher casada que dissimulava um ar virginal.
e) era uma moça que intelectualmente se comportava como uma criança.

Questão 19 -De acordo com o texto, Eugênia:

a) tinha dezessete anos, mas queria enco­brir sua verdadeira idade.
b) é uma personagem que não participou do diálogo.
c) era pródiga na conversação com seus fa­miliares.
d) sorria toda vez que o assunto se referia a sua idade.
e) fez o narrador se familiarizar rápido com a mãe.

Questão 20 - O trecho: “como se lá dentro do cérebro lhe estivesse a voar uma borboletinha de asas de ouro e olhos de diamante...”pode ser entendido como uma ironia ao:

a) rebuscamento barroco
b) bucolismo árcade
c) devaneio romântico
d) preciosismo parnasiano
e) inconsciente simbolista

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