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sábado, 30 de junho de 2012

PUC – SP – 2011 – 2 º Semestre – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

PUC – SP – 2011 – 2 º Semestre – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA



Os três pioneiros

Livro registra a prodigiosa saga dos brasileiros que, há oitenta anos, viajaram do Rio de Janeiro a Washington de carro.

Na Casa Branca - Oliveira entrega proposta para a Rodovia Panamericana ao presidente Roosevelt, em 1938.
Fava está atrás do presidente e Cruz, à esquerda.

A história do Brasil é mesmo um território virgem. Durante 62 anos, o mecânico paulista Mário Fava guardou em uma mala empoeirada os registros de uma aventura extraordinária e desconhecida, a qual lhe permitiu conhecer, entre outras  ersonalidades, o presidente americano Franklin Delano Roosevelt, o empresário Henry Ford, o ditador brasileiro Getúlio Vargas e o guerrilheiro nicaraguense Augusto César Sandino, cuja morte ele testemunhou. Entre 1928 e 1938, Fava, o tenente Leônidas Borges de Oliveira, paulista, e o engenheiro Francisco Lopes da Cruz, catarinense, realizaram um feito inédito: percorreram o continente americano, de sul a norte, de carro. Todo o trajeto foi vencido a bordo de dois Ford T, partindo do Rio de Janeiro e consumiu dez anos.
O objetivo era fazer o mapeamento topográfico para traçar a rota da Rodovia Panamericana. Os brasileiros rodaram quase 28000 quilômetros. Destes, 10000 quilômetros nunca haviam sido percorridos por automóveis. Florestas, montanhas e rios sem pontes tiveram de ser desbravados com machados, dinamite e balsas improvisadas. Um trecho de 450 quilômetros da Cordilheira dos Andes, no Peru, por exemplo, levou quatro meses para ser transposto. Quando chegavam a uma cidade, os três aventureiros eram recebidos com pompa por militares, prefeitos, empresários e presidentes. A mística de exploradores que enfrentavam ambientes hostis, animais selvagens e doenças tropicais lhes conferia de heróis principalmente entre as mulheres, como Fava gostava de ressaltar.
As fotos, os documentos e um relato básico dessa epopeia estão em “O Brasil através das Três Américas” (Canal 6; 336 páginas; 99.90 reais), que chega neste mês às livrarias em duas versões bilíngues: português-inglês e português espanhol. A obra baseia-se no acervo de Mário Fava, em entrevistas feitas pelo autor, o empresário paulista Beto Braga, com o mecânico e em uma narrativa datilografada da viagem deixada por Leônidas de Oliveira. É impossível não se surpreender com a imagem dos calhambeques cruzando um pântano puxados por bois, com a sequência de presidentes posando ao lado dos três brasileiros ou com a reprodução de documentos como a licença para dirigir em Cleveland, nos Estados Unidos, concedida a Fava e assinada por Eliot Ness, o homem que prendeu o mafioso Al Capone. De volta ao Brasil, Oliveira foi nomeado cônsul na Bolívia, Cruz tomou-se funcionário em uma construtora e Fava seguiu no ofício de mecânico. Morreu na pobreza aos 93 anos, em janeiro de 2000, sonhando com o dia em que seria a reconhecido por seu feito épico.

Diogo Schelp (Revista , 6 abr.2011, texto adaptado)

1. O texto de Diogo Schelp tem por função social

A) mostrar aos leitores os documentos e as fotos da viagem guardados por Francisco Lopes Cruz.
B) explicar o que o pioneirismo implica.
C) divulgar o percurso da viagem dos três amigos, realizada há mais de oitenta anos.
D) apresentar resumidamente o assunto de livro sobre a viagem de três brasileiros, realizada há mais de oitenta anos.
E) provar como os calhambeques se saíram bem na aventura.

2. No título da matéria, o uso do substantivo “pioneiros” decorre da necessidade de reforçar

A) a ação pioneira dos viajantes de conhecer personalidades importantes.
B) o registro dessa viagem por meio de fotos e documentos.
C) a novidade do lançamento de um livro sobre viagens através das Américas.
D) a atitude de três brasileiros que foram recebidos pelo presidente americano, entre outras personalidades.
E) o caráter desbravador da aventura dos três brasileiros.

3. No primeiro parágrafo, os pronomes destacados referem-se, respectivamente, a

A) aventura extraordinária e desconhecida, Augusto César Sandino, Mário Fava e Fava.
B) aventura extraordinária e desconhecida, Mário Fava, guerrilheiro nicaraguense e Fava.
C) mala empoeirada, guerrilheiro nicaraguense, Mário Fava e Fava.
D) mala empoeirada, Mário Fava, Augusto César Sandino e Mário Fava.
E) aventura extraordinária e desconhecida, Mário Fava, Augusto César Sandino e guerrilheiro nicaraguense.

4. A ordem sintática contribui para a construção dos sentidos do texto. Em “percorreram o continente americano, de sul a norte, de carro”, há

A) a informação das regiões pelas quais os brasileiros pretendiam passar.
B) um erro, pois não se diz de sul a norte, mas de norte a sul.
C) a indicação do trajeto dos brasileiros que saíram da América do Sul e rumaram para a do Norte.
D) um equívoco em relação ao trajeto percorrido pelos brasileiros.
E) a indicação do trajeto dos brasileiros que saíram da América do Norte e rumaram para a do Sul.

5. Ao longo do texto, são empregadas as palavras “extraordinária”,“epopeia” e “épico”. Elas têm por objetivo

A) enaltecer a grandiosidade da aventura dos brasileiros.
B) facilitar a venda do livro lançado.
C) mostrar o longo percurso da viagem.
D) despertar o interesse das mulheres pelos viajantes.
E) apontar as dificuldades do percurso feito pelos viajantes.

6. Machado de Assis escreveu o romance “Dom Casmurro”. A respeito desta obra, é correto afirmar que

A) divide-se em duas partes rigorosamente simétricas, das quais a primeira apresenta,
seguindo uma ordem temporal rígida, o processo que envolve a promessa da mãe de fazer Bentinho padre.
B) é marcada por digressões, técnica em que o narrador interrompe o fluxo narrativo, dirige-se ao leitor e comenta algo que aparentemente produz um deslocamento do assunto que vinha sendo tratado.
C) apresenta um narrador cuja visão condiciona todos os acontecimentos à sua maneira de vê-los, induzindo o leitor à aceitação dos fatos, tais como são, impedindo a reflexão e o afastamento crítico.
D) caracteriza a figura de Capitu, particularmente na primeira parte da narrativa, como uma jovem voluntariosa, em ações que justificarão sua infidelidade conjugal e a consumação do adultério.
E) arrasta seus leitores por aventuras emocionantes, desvendando a vida de pessoas
ilustres e dando realce à vida sentimental das personagens, e desinteressando-se,
absolutamente, de casos desimportantes de pessoas comuns.

7. Na obra O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, o grupo de mulheres assume um papel de destaque, tanto como espectadoras quanto como agentes dos acontecimentos, e elas se identificam por características comuns. Contudo, aparentemente, fora desse contexto está Pombinha. Considerando então a atuação dela no enredo, é ERRADO afirmar que

A) metaforicamente considerada a “flor de ouro do cortiço”, acaba se transformando em serpente, símbolo do mal e da destruição, e, junto com Leonie serão “uma só cobra de duas cabeças”.
B) diante das lágrimas de Bruno, que sofre com a separação de Leocádia, Pombinha tem um momento de lucidez que dará um novo rumo a sua vida, indiciado por um sorriso no qual já se anteviam garras.
C) vive a experiência de passar de menina a mulher com a chegada das regras tardias,
descrita , essa passagem, de forma lírica, num jogo de cores e de raios solares.
D) amada por todos, é a grande conhecedora do cortiço e de sua gente, pois a ela entregam sua intimidade, pedindo-lhe que escreva cartas e faça suas contas.
E) não sendo lavadeira, a ela está previsto um destino diferente, em outra classe social, e que se realiza por via de um casamento feliz, sob a proteção desinteressada de Leonie e com as bênçãos maternas.

8. A reportagem e as cartas inseridas nas páginas iniciais do livro de Jorge Amado, Capitães de Areia, criam uma relação entre jornal e literatura e acabam compondo a matéria propriamente dita da obra. Dessa relação, é possível afirmar que

A) jornal e literatura tratam do mesmo assunto, e mostram a realidade com igual objetividade e isenção de ânimo.
B) nessa matéria jornalística, os fatos são comprovadamente verdadeiros, enquanto na literatura, são verossímeis e constituem matéria de ficção.
C) o autor se vale da matéria jornalística para dar força de verdade e legitimidade ao seu romance, como retrato fiel da realidade, embora nenhuma pessoa referida nela seja aproveitada como personagem no romance.
D) tanto a matéria jornalística, pseudo-reportagem, quanto a literária mostram-se como objetos do imaginário, criados, portanto, pelo mesmo autor.
E) a matéria jornalística, aí inserida, é independente da do romance e não estabelece com ele nenhum vínculo causal.

9.

ALLEGRO

Sente como vibra
Doidamente em nós
Um vento feroz
Estorcendo a fibra

Dos caules informes
E as plantas carnívoras
E bocas enormes
Lutam contra as víboras

E os rios soturnos
Ouve como vazam
A água corrompida

E as sombras se casam
Nos rios noturnos
Da lua perdida.

O poema acima é de Vinicius de Moraes e integra a obra “Antologia Poética”. Dele é ERRADO afirmar que

A) utiliza uma forma poética fixa em redondilha menor, que compromete a estrutura do poema em sua realização plena.
B) remete a um andamento musical de ritmo aligeirado, apoiado, formalmente, na estrutura do sonetilho.
C) revela um interlocutor identificado pelas formas verbais de segunda pessoa, em modo imperativo.
D) sugere um extravasar de sensações e de movimentos eróticos, conjugados à ação da
natureza e à cadência métrica dos versos.
E) deixa transparecer uma carga semântica de sensualidade, metaforizada nos termos
"plantas carnívoras", "bocas enormes" e "víboras".

10. Era vaqueiro, via-se mais como bicho do que como homem, as pernas faziam dois arcos, os braços moviam-se desengonçados. Parecia um macaco.  (...) Vermelho,
queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos, vivia em terra alheia e
cuidava de animais alheios.

O texto acima, da obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, é uma caracterização de Fabiano, personagem da novela. Indique, nas alternativas abaixo, aquela que também o caracteriza de forma correta.

A) Era bruto, nunca havia aprendido, não sabia explicar-se. Violento, não respeitava o governo e odiava Seu Tomás da Bolandeira, homem que falava bem, lia livros e sabia onde tinha as ventas.
B) Tinha vindo ao mundo para amansar brabo, curar feridas com rezas, consertar cercas de inverno a verão, cortar mandacaru e ensebar látegos, características que o engrandeciam e faziam dele um herói admirado.
C) Vivia longe dos homens, só se dava bem com os animais, tinha um vocabulário pequeno e falava uma língua cantada, monossilábica e gutural.
D) Era de personalidade bem moldada, forte e determinado a vencer o fenômeno da seca, já que dominava o meio e se valia da força comunicativa da linguagem bem articulada.
E) Revoltava-se contra as contas do patrão, tinha de aceitá-las para não perder o emprego mas vingou-se das frustrações no soldado amarelo, quando o reencontrou em plena caatinga.

GABARITO

Novas Fatecs – Prova de Língua Portuguesa - 1º Semestre – 2006

Fatec – Prova de Língua Portuguesa - 1º Semestre – 2006 – Novas Fatecs


Texto I - Leia o texto abaixo para responder às questões de números 43 a 46.

Os bem vizinhos de Naziazeno Barbosa assistem ao “pega” com o leiteiro. Por detrás das cercas, mudos, com a mulher e um que outro filho espantado já de pé àquela hora, ouvem. Todos aqueles quintais conhecidos têm o mesmo silêncio. Noutras ocasiões, quando era apenas a “briga” com a mulher, esta, como um último desaforo de vítima, dizialhe: “Olha, que os vizinhos estão ouvindo”. Depois, à hora da saída, eram aquelas caras curiosas à janela. com os olhos fitos nele, enquanto ele cumprimentava.
O leiteiro diz-lhe aquelas coisas, despenca-se pela escadinha que vai do portão até à rua, toma as rédeas do burro e sai a galope, fustigando o animal, furioso, sem olhar para nada. Naziazeno ainda fica um instante ali sozinho. (A mulher havia entrado.) Um ou outro olhar de criança fuzila através das frestas das cercas. As sombras têm uma frescura que cheira a ervas úmidas. A luz é doirada e anda ainda por longe, na copa das árvores, no meio da estrada avermelhada.
Naziazeno encaminha-se então para dentro de casa. Vai até ao quarto. A mulher ouve-lhe os passos, o barulho de abrir e fechar um que outro móvel. Por fim, ele aparece no pequeno comedouro, o chapéu na mão. Senta-se à mesa, esperando. Ela lhe traz o alimento.
– Ele não aceita mais desculpas...
Naziazeno não fala. A mulher havia-se sentado defronte dele, enquanto ele toma o café.
– Vai nos deixar ainda sem leite...
Ele engole o café, nervoso, com os dedos ossudos e cabeçudos quebrando o pão em pedaços miudinhos, sem olhar a mulher.
– É o que tu pensas. Temores... Cortar um fornecimento não é coisa fácil.
–Porque tu não viste então o jeito dele quando te declarou: “Lhe dou mais um dia!”

(Dyonélio Machado, Os ratos.)

Questão 43 - Considere as seguintes afirmações sobre a cena representada no texto:

I . O confronto entre o protagonista e o leiteiro indica que se trata de uma situação social marcada pela pobreza, já que Naziazeno não dispõe de dinheiro para saldar suas dívidas com a entrega diária do leite.
II. Diante das ofensas que o leiteiro dirige ao protagonista, os vizinhos manifestam sua solidariedade para com Naziazeno, espiando o que ocorre e cumprimentando-o como se nada tivesse ocorrido, logo que ele entra em casa.
III. Embora tente esconder seu nervosismo da mulher, a qual teme as conseqüências da dívida, Naziazeno procura aparentar calma, com frases que possam trazer tranqüilidade.
IV. Na descrição da cena, o narrador revela que a natureza é solidária com as preocupações de Naziazeno, como se vê em “no meio da estrada avermelhada”.

São corretas as afirmações

a) I e III, apenas. b) II e IV, apenas. c) I, II e III, apenas.. d) II, III e IV, apenas. e) I, II, II e IV.

Questão 44 - O romance Os ratos é representante da ficção brasileira dos anos 30, cujas principais características são:

a) análise psicológica, idealização da paisagem, focalização nos tipos humanos universais.
b) análise sociológica, predomínio de temas históricos, presença de personagens caricaturais.
c) análise da relação entre homem e natureza, predominância de enredos rurais, construção de personagens heróicas.
d) análise das tensões entre indivíduo e meio social, tendência a enredos realistas, propensão para personagens anti-heróicas.
e) análise dos determinismos no comportamento humano, predomínio de temas psicológicos envolvendo a vida sexual, criação de personagens doentios.

Questão 45 - Leia o trecho:

A mulher havia-se sentado defronte dele, enquanto ele toma o café.
– Vai nos deixar ainda sem leite...

Assinale a alternativa que substitui o discurso direto pelo discurso indireto, sem que ocorram infrações da norma culta.

a) A mulher lhe disse que o leiteiro ainda iria deixá-los sem leite.
b) A mulher o disse que o leiteiro ainda lhes irá deixar sem leite.
c) A mulher diz-lhe que o leiteiro ainda deixaria eles sem leite.
d) A mulher nos disse que o leiteiro lhes deixaria sem leite.
e) A mulher disse-lhe que o leiteiro ainda nos deixará sem leite.

Questão 46 - Assinale a alternativa que organiza as orações abaixo num único período, criando entre elas relações lógicas adequadas ao contexto:

Naziazeno ainda fica um instante ali sozinho. (A mulher havia entrado.) Um ou outro olhar de criança fuzila através da frestas das cercas.

a) Como a mulher havia entrado, Naziazeno ainda fica um instante ali sozinho, pois um ou outro olhar de criança fuzila através das frestas das cercas.
b) Embora Naziazeno ainda ficasse um instante ali sozinho, a mulher já havia entrado, antes que um ou outro olhar de criança fuzilasse através das frestas das cercas.
c) Porque Naziazeno ainda fica um instante ali sozinho, já que a mulher havia entrado, um ou outro olhar de criança fuzila através das frestas das cercas.
d) À medida que Naziazeno ainda fica um instante ali sozinho, pois a mulher havia entrado, mas um ou outro olhar de criança fuzila através das frestas das cercas.
e) Naziazeno, cuja mulher havia entrado, ainda fica um instante ali sozinho, a fim de que um ou outro olhar de criança fuzilasse através das frestas das cercas.

Texto II - Leia o texto a seguir, para responder às questões de números 47 e 48.

Na ciência e na tecnologia o progresso é real, mas só faz aumentar o conhecimento e o poder do homem, e esse poder pode ser usado tanto para os mais benignos objetivos quanto para os mais desastrosos. Quando o conceito de progresso é aplicado à ética e à política, ele é uma ilusão perigosa. Veja-se, por exemplo, o caso dos gregos e dos romanos antigos. É claro que eles acreditavam no desenvolvimento de novas ferramentas. Mas eles não transferiam essa noção de progresso técnico para a ética ou a política. É óbvio, também, que eles acreditavam no bem e no mal, que as sociedades podiam ser melhores ou piores, e que a prosperidade é preferível à fome e à pobreza. No entanto, para gregos e romanos, os jogos da ética e da política estavam sujeitos a avanços e retrocessos. Ou seja, a história humana era cíclica, com diferentes períodos se alternando, como ocorre na natureza.
A ciência, no geral, chega mais perto da verdade do mundo que outros sistemas de crença, e nós temos testemunhado seu sucesso pragmático em aumentar o poder humano. Mas, do ponto de vista ético, o conhecimento é neutro, desprovido de valor – pode tanto nos levar a realizações maravilhosas quanto atender a propósitos terríveis.

(John Gray, em Veja, 23 de novembro de 2005.)

Questão 47 - É correto afirmar que o texto

a) alerta para o perigo de o conhecimento ser usado para maus intentos, em razão de sua neutralidade ética.
b) critica as atitudes dos gregos e troianos, destacando o isolamento de sua filosofia diante da idéia do progresso humano.
c) argumenta a favor da aplicação do progresso científico e tecnológico para aumentar o poder do homem.
d) discorre sobre os benefícios de se aliar o progresso científico às crenças nos ciclos da natureza, como faziam os gregos.
e) incita a afastar o perigo representado pelo progresso, visto que este é cíclico e antiético.

Questão 48 - Assinale a alternativa em que os trechos do texto, reescritos, apresentam pontuação, concordância e colocação de pronomes de acordo com a norma culta.

a) Com a ciência, no geral chega-se mais perto da verdade, do que chega-se com outros sistemas de crença.
b) É certo, portanto, que se sujeitavam os jogos da ética e da política a avanços e retrocessos.
c) Aplicando-se à ética e à política conceitos, como o de progresso, é que vê-se que é: uma ilusão perigosa.
d) Na Grécia e na Roma antigas, já acreditavam-se em novas ferramentas desenvolvidas pela tecnologia.
e) Ainda se prefere, que a fome e a pobreza, dê lugar à prosperidade.

GABARITO

43 – A   44 – D   45 – A    46 – C   47 – A   48 – B   

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

Fatec 2006 – 1º Semestre – Prova de Língua Portuguesa

Fatec – Prova de Língua Portuguesa - 1º Semestre - 2006



Leia o texto, para responder às questões de números 43 a 45.

Enquanto um misto de tragédia e pantomima se desenrola aos nossos olhos atônitos, escrevo esta coluna meio ressabiada: como estará o Brasil quando ela for publicada, isto é, em dois dias? Estamos no meio de um vendaval desconcertante: numa mistura entre público e privado como nunca se viu, correntes inimagináveis de dinheiro sem origem ou destino declarados jorram sobre nós levando embora confiança, ética e ilusões.
O drama é que não somos arrastados por “forças ocultas” ou ventos inesperados. Devíamos ter sabido. Muitos sabiam e vários participaram – embora apontem o dedo uns para os outros feito meninos de colégio: “Foi ele, foi ele, eu não fiz nada, eu nem sabia de nada, ele fez muito pior”. Espetáculo deprimente, que desaloja de seu acomodamento até os mais crédulos.
Se mais bem informados, poderíamos ter optado diferentemente em várias eleições – mas nos entregamos a miragens sedutoras e idéias sem fundamento. Agimos como cidadãos assim como fazemos na vida: omissos por covardia ou fragilidade, por fugir da realidade que assume tantos disfarces. Deixamos de pegar nas mãos as rédeas da nossa condição de indivíduos ou de brasileiros, e isso pode não ter volta. Fica ali feito um fantasma pérfido: anos depois, salta da fresta, mostra a língua, faz careta, ri da nossa impotência. Não dá para voltar, nem sempre há como corrigir o que se fez de errado, ou que deixou de ser feito e causou graves mazelas.

(Lya Luft, É hora de agir. Veja, 27 de julho de 2005.)

Questão 42 - Numa  comunidade  terrestre  ocorrem  os fenômenos I e II, esquematizados abaixo.
Analisando-se o esquema, deve-se afirmar que

a) somente as plantas participam de I e de II.
b) somente os animais participam de I e de II.
c) os  animais  e  as  plantas  participam  tanto  de I  como  de  II.
d) os animais só participam de II.
e) as plantas só participam de I.

Questão 43 - Quanto à organização das idéias no texto,

a) obedece à lógica de um texto de natureza jornalística, que tem o dever de informar sem expressar o ponto de vista do autor ou do jornal.
b) segue o modelo da crônica de costumes, com foco na percepção irônica da vida em sociedade.
c) observa o modelo clássico do texto literário, optando por tratar de temas universais em linguagem filosófica.
d) funda-se na relação entre apreciações de cunho pessoal e argumentos baseados em fatos.
e) centra-se na discussão da vida nacional, adotando o ponto de vista de observador que se abstém de expor avaliações.

Questão 44 - Assinale a alternativa em que o trecho do texto, reescrito, apresenta-se de acordo com os princípios de concordância e colocação pronominal da norma culta.

a) O drama é que “forças ocultas” ou ventos inesperados não o arrasta.
b) Sobre nós jorra dinheiro sem origem ou destino, em correntes que não se imaginam.
c) Escrevo essa coluna mais ressabiada, enquanto nossos olhos atônitos vê se desenrolar um misto de tragédia e pantomima.
d) Se desaloja até os mais crédulos de seu acomodamento, graças a esse espetáculo deprimente.
e) Poderia-se ter optado diferentemente, em várias eleições, se a população toda estivesse mais bem informado.

Questão 45 - Considere as orações em destaque e numeradas nos períodos abaixo.

Muitos sabiam e vários participaram – (I) embora apontem o dedo uns para os outros.
(II) Se mais bem informados, poderíamos ter optado diferentemente em várias eleições – (III) mas nos entregamos a miragens sedutoras e idéias sem fundamento.

Assinale a alternativa correta.

a) A oração (I) expressa condição e tem equivalente adequado em – mesmo apontando o dedo uns para os outros.
b) A oração (II) expressa modo e tem equivalente adequado em – a menos que fôssemos mais bem informados.
c) A oração (III) expressa conseqüência e tem equivalente adequado em –  entretanto nos entregamos a miragens sedutoras e idéias sem fundamento.
d) As orações (I) e (III) são sintaticamente equivalentes, e as conjunções que as introduzem podem ser corretamente substituídas por desde que.
e) As orações (II) e (III) expressam, respectivamente, condição e ressalva, e a (II) tem equivalente adequado em – caso fôssemos mais bem informados.

Leia o texto abaixo para responder às questões de números 46 a 48.

A velha Sinhá não sabia mesmo o que se passava com o seu marido. Fora ele sempre de muito gênio, de palavras duras, de poucos agrados. Agora, porém, mudara de maneira esquisita. Via-o vociferar, crescer a voz para tudo, até para os bichos, até para as árvores. Não podia ser velhice, a idade abrandava o coração dos homens. Pobre da Marta que o pai não podia ver que não viesse com palavras de magoar até as pedras. Por ela não, que era um resto de gente só esperando a morte. Mas não podia se conformar com a sorte de sua filha. O que teria ela de menos que as outras? Não era uma moça feia, não era uma moça de fazer vergonha. E no entanto nunca apareceu rapaz algum que se engraçasse dela. Era triste, lá isso era. Desde pequena via aquela menina quieta para um canto e pensava que aquilo fosse até vantagem. A sua comadre Adriana lhe chamava a atenção:
           – Comadre, esta menina precisa ter mais vida.
       Não fazia questão. Moça era para viver dentro de casa, dar-se a respeito. E Marta foi crescendo e não mudou de gênio. Botara na escola do Pilar, aprendeu a ler, tinha um bom talhe de letra, sabia fazer o seu bordado, tirar o seu molde, coser um vestido. E não havia rapaz que parasse para puxar uma conversa. Havia moças mais feias, mais sem jeito, casadas desde que se puseram em ponto de casamento. Estava com mais de trinta anos e agora aparecera-lhe aquele nervoso, uma vontade desesperada de chorar que lhe metia medo. Coitada da filha. E depois ainda por cima o pai nem podia olhar para ela. Vinha com gritos, com despropósitos, com implicâncias. O que sucederia à sua filha, por que Deus não lhe dera uma sina mais branda?, pensava assim a velha Sinhá enquanto na tenda o mestre José Amaro batia sola. Aquele ofício era doentio.

(José Lins do Rego, Fogo morto.)

Questão 46 - Considere os enunciados a respeito do fragmento:

I. As expectativas familiares de Sinhá frustram-se no momento em que percebe que o marido tem um gênio difícil.
II. A ausência de pretendente para se casar com Marta revela a Sinhá que ela não soubera educar sua filha.
III. A velha Sinhá se dá conta de que o marido vive uma crise cujas razões, porém, ela desconhece.
IV. A relação entre pai e filha, no momento das reflexões da velha Sinhá, está marcada pela violência verbal.
V. A velha Sinhá tem crises de choro ao perceber que sua família está se tornando desconhecida para ela.

São corretos os enunciados:

a) I, II e IV. b) II, IV e V. c) II e III. d) III e IV. e) I, III e V.

Questão 47 - Fogo morto, de José Lins do Rego, é um romance característico

a) do regionalismo romântico do século XIX, como se comprova pela descrição da personagem idealizada pelo sofrimento exagerado.
b) da ficção dos anos 30 e 40 do século XX, em que a observação do meio social não reduz o alcance da análise dos conflitos humanos.
c) da experimentação dos anos 20 do século XX, uma vez que o autor critica os valores da família burguesa e sua inadequação aos padrões culturais.
d) do regionalismo realista-naturalista de finais do século XIX, pois o comportamento das personagens é determinado pelo meio natural.
e) da prosa de vanguarda dos anos 60 do século XX.

Questão 48 - Substituindo-se os termos sublinhados em – Nunca apareceu rapaz nenhum que se engraçasse dela –, assinale  a alternativa na qual a regência nominal e/ou verbal se apresenta de acordo com a norma culta.

a) Nunca surgiu rapaz nenhum que com ela se encantasse.
b) Nunca soube de rapaz nenhum que se interessasse dela.
c) Nunca ouviu falar sobre rapaz nenhum que lhe admirasse.
d) Nunca a apresentaram rapaz nenhum que lhe amasse.
e) Nunca conheceu a rapaz algum que namorasse com ela.

GABARITO

43 – D   44 – B   45 – E  46 – D   47 – B  48 – A

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Fagundes Varela

Fagundes Varela

- Nasceu em Rio Claro (RJ), em 1841, e faleceu em Niterói (RJ), em 1875.
- É o patrono da cadeira nº 11 da Academia Brasileira de Letras.
- Cursou Direito em São Paulo e em Recife, sem, no entanto, concluir o curso.
- Pertenceu à segunda geração do Romantismo brasileiro, chamada de geração ultrarromântica, ou ainda geração mal do século, embora em sua poesia já apareçam muitos elementos da terceira geração, caracterizada pela poesia social, sendo por isso considerado por alguns críticos como um poeta de transição entre as duas gerações.
- Poeta que levou uma vida boêmia e desregrada, vindo a falecer aos 34 anos de idade.
- Entre seus temas favoritos figuram a angústia, a solidão, a melancolia, a saudade da pátria, a infância, a abolição da escravatura, a religiosidade.
- Seu poema mais famoso é “O Cântico do Calvário”, feito em homenagem ao filho que morreu com apenas três meses.


"Pensava em ti nas horas de tristeza,
Quando estes versos pálidos compus,
Cercavam-me planícies sem beleza,
Pesava-me na fronte um céu sem luz.

Ergue este ramo solto no caminho.
Sei que em teu seio asilo encontrará.
Só tu conheces o secreto espinho
Que dentro d’alma me pungindo está."


(Fagundes Varela)

Cântico do Calvário

À Memória de Meu Filho, morto a l l de Dezembro de 1863.

Eras na vida a pomba predileta
Que sobre um mar de angústias conduzia
O ramo da esperança. — Eras a estrela
Que entre as névoas do inverno cintilava
Apontando o caminho ao pegureiro.
Eras a messe de um dourado estio.
Eras o idílio de um amor sublime.
Eras a glória, — a inspiração, — a pátria,
O porvir de teu pai! — Ah! no entanto,
Pomba, — varou-te a flecha do destino!
Astro, — engoliu-te o temporal do norte!
Teto, caíste! — Crença, já não vives!

(...)

Mas não! Tu dormes no infinito seio
Do Criador dos seres! Tu me falas
Na voz dos ventos, no chorar das aves,
Talvez das ondas no respiro flébil!
Tu me contemplas lá do céu, quem sabe,
No vulto solitário de uma estrela,
E são teus raios que meu estro aquecem!
Pois bem! Mostra-me as voltas do caminho!
Brilha e fulgura no azulado manto,
Mas não te arrojes, lágrima da noite,
Nas ondas nebulosas do ocidente!
Brilha e fulgura! Quando a morte fria
Sobre mim sacudir o pó das asas,
Escada de Jacó serão teus raios
Por onde asinha subirá minh'alma.


(Fagundes Varela)

SONETO - Desponta a estrela d’alva, a noite morre


Desponta a estrela d’alva, a noite morre.
Pulam no mato alígeros cantores,
E doce a brisa no arraial das flores
Lânguidas queixas murmurando corre.

Volúvel tribo a solidão percorre
Das borboletas de brilhantes cores;
Soluça o arroio; diz a rola amores
Nas verdes balsas donde o orvalho escorre.

Tudo é luz e esplendor; tudo se esfuma
Às carícias da aurora, ao céu risonho,
Ao flóreo bafo que o sertão perfuma!

Porém minh’alma triste e sem um sonho
Repete olhando o prado, o rio, a espuma:
- Oh! mundo encantador, tu és medonho!

(Fagundes Varela)

"Night". 1903. Edward Okun.
Juvenília VII

Ah! quando face a face te contemplo,
E me queimo na luz de teu olhar,
E no mar de tua alma afogo a minha,
E escuto-te falar;

Quando bebo no teu hálito mais puro
Que o bafejo inefável das esferas,
E miro os róseos lábios que aviventam
Imortais primaveras,

Tenho medo de ti!... Sim, tenho medo
Porque pressinto as garras da loucura,
E me arrefeço aos gelos do ateísmo,
Soberba criatura!

Oh! eu te adoro como a noite
Por alto mar, sem luz, sem claridade,
Entre as refegas do tufão bravio
Vingando a imensidade!

Como adoro as florestas primitivas,
Que aos céus levantam perenais folhagens,
Onde se embalam nos coqueiros presas
As redes dos selvagens!

Como adoro os desertos e as tormentas,
O mistério do abismo e a paz dos ermos,
E a poeira de mundos que prateia
A abóbada sem termos! ...

Como tudo o que é vasto, eterno e belo;
Tudo o que traz de Deus o nome escrito!
Como a vida sem fim que além me espera
No seio do infinito.


(Fagundes Varela)

“Eu amo a noite quando deixa os montes
Bela, mas bela de um horror sublime,
E sobre a face dos desertos quedos
Seu régio selo de mistério imprime.”


(Fagundes Varela)


"A Maja vestida". Francisco Goya.
Estâncias

O que eu adoro em ti não são teus olhos,
Teus lindos olhos cheios de mistérios,
Por cujo brilho os homens deixariam
Da terra inteira o mais soberbo império.

O que eu adoro em ti não são teus lábios,
Onde perpétua juventude mora,
E encerram mais perfumes do que os vales
Por entre as pompas festivais da aurora.

O que eu adoro em ti não é teu rosto,
Perante o qual o mármor descorara,
E ao contemplar a esplêndida harmonia,
Fídias, o mestre, seu cinzel quebrara.

O que eu adoro em ti não é teu colo,
Mais belo que o da esposa israelita,
Torre de graças, encantado asilo,
Aonde o gênio das paixões habita.

O que eu adoro em ti não são teus seios,
Alvas pombinhas que dormindo gemem,
E do indiscreto vôo duma abelha
Cheias de medo em seu abrigo tremem..

O que eu adoro em ti, ouve, é tu'alma,
Pura como o sorrir de uma criança,
Alheia ao mundo, alheia aos preconceitos,
Rica de crenças, rica de esperança.

São as palavras de bondade infinda
Que sabes murmurar aos que padecem,
Os carinhos ingênuos de teus olhos,
Onde celestes gozos transparecem!…

Um não sei quê de grande, imaculado,
Que faz-me estremecer quando tu falas,
E eleva-me o pensar além dos mundos,
Quando, abaixando as pálpebras, te calas,

E por isso em meus sonhos sempre vi-te
Entre nuvens de incenso em aras santas,
E das turbas solícitas no meio
Também contrito hei-te beijado as plantas.

E como és linda assim! Chamas divinas
Cercam-te as faces plácidas e belas;
Um longo manto pende-te dos ombros
Salpicado de nítidas estrelas!

Na doida pira de um amor terrestre
Pensei sagrar-te o coração demente…
Mas ao mirar-te, deslumbrou-me o raio…
Tinhas nos olhos o perdão somente!


(Fagundes Varela)


Soneto - Eu passava na vida errante e vago

Eu passava na vida errante e vago 

Elzbieta Brozek.
Como o nauta perdido em noite escura,
Mas tu te ergueste peregrina e pura
Como o cisne inspirado em manso lago,

Beijava a onda, num soluço mago,
Das moles plumas a brilhante alvura,
E a voz ungida de eternal doçura
Roçava as nuvens em divino afago.

Vi-te; e nas chamas de fervor profundo
A teus pés afoguei a mocidade
Esqueci de mim, de Deus, do mundo ! ...

Mas ai! Cedo Fugiste ! ... da saudade,
Hoje te imploro desse amor tão fundo
Uma idéia, uma queixa, uma saudade!


(Fagundes Varela)


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