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quinta-feira, 30 de junho de 2016

Tema de redação — UNB — 2013 — 2º Semestre

Tema de redação — UNB — 2013 — 2º Semestre

PROVA DE REDAÇÃO

ATENÇÃO: Nesta prova, faça o que se pede, utilizando, caso deseje, o espaço indicado para rascunho neste caderno. Em seguida, escreva o texto na folha de texto definitivo da prova de redação em língua portuguesa, no local apropriado, pois não serão avaliados fragmentos de texto escritos em locais indevidos. Respeite o limite máximo de linhas disponibilizado. Qualquer fragmento de texto além desse limite será desconsiderado. Na folha de texto definitivo da prova de redação em língua portuguesa, utilize apenas caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente.

            Leia os trechos abaixo, extraídos de entrevista concedida pelo ensaísta brasileiro Tales A. M. Ab’Sáber, autor da obra A Música do Tempo Infinito. Durante a leitura, é aconselhável que você assinale trechos ou palavras que julgar relevantes para comporem um comentário crítico a ser elaborado ao final da leitura.

            Em Berlim, em uma usina elétrica desativada, cenário de máquinas, fiações e tubos da era do nazismo, uma boate vira a noite sem fechar. É a Berghain/Panorama Bar, que promove uma festa intensa, que deseja não terminar jamais. Pulsa quase diariamente, a partir das 23 h 59 min, e entorpece o público com música eletrônica. O ensaísta brasileiro Tales Ab’Sáber foi um dos que lá baixou. E de lá saiu com material valioso para uma perícia sobre a grande noite de diversão industrial. Esse material, utilizado na obra A Música do Tempo Infinito, é objeto da entrevista a seguir.

O que, em geral, caracteriza uma balada?
Certa vez, um jovem me falou: “A balada é um lugar em que tudo muda. Quando você entra numa balada, tudo vira outra coisa, você, as pessoas, o mundo. Nada do que vale fora de lá continua valendo. É um mundo à parte.” Essa fala revela que a balada sustenta esse desejo. Ela dá uma amostra, um sampler, do mundo do luxo e da luxúria para os que não o têm, ou da experiência estética antiburguesa para os adaptados. É um dispositivo de época para a gestão do prazer. A balada é mais bonita, mais livre e mais erótica que a vida e, no entanto, está totalmente articulada, econômica e socialmente, à vida como ela é. Na balada, os jovens vivem uma experiência sensorial sem compartilhamento.

A balada agrega todas as classes sociais? De que juventude estamos tratando?
De uma juventude desencantada, que teve os impulsos críticos de radicalização humanista, estética e democrática, próprios do movimento da juventude ocidental do século XX, reduzidos a práticas de consumo a partir da aceleração da cultura do dinheiro nos anos 1990 e 2000. Essa juventude tenta manter valores de vanguarda. É comprometida com seu destino de venda de um trabalho sem garantias no mundo das corporações. É uma juventude atomizada, que caminha entre a baixa vida de mercado e o hedonismo de consumo do teatro excitado de sua noite.

O que esses jovens costumam festejar?
É um paradoxo. Festejam suas vidas difíceis de mercado e sua inserção por um fio na coisa toda. A ordem do poder atual exige celebração contínua, ligada à afirmação do indivíduo de realização do próprio prazer, desde que de mercado, apolítico. E esses jovens, que, por vezes, fingem um cuidadoso punkismo construído em lojas caras da moda, promovem a mesma celebração geral de seu mundo ou festejam o fato de não haver nada a festejar. É a compulsão a ser feliz, que está associada à propaganda.

Por que há tantos megaeventos para uma geração tão voltada para si mesma?
Podemos dizer que o hiperindivíduo, que busca a singularidade do seu prazer nas ofertas de mercado, acaba pensando como todos os demais, em uma grande uniformidade cultural. Estamos diante de um mundo que, na mesma medida em que afirma o indivíduo, o empobrece e o torna apenas idêntico a todos.

 a música? De onde veio a necessidade da pirotecnia para acompanhá-la?
Quando os Beatles tocavam nos estádios nos anos 1960, quando inauguraram essa era de espetáculo de massa e expressão pop, grandiosa e sedutora, eram quatro músicos em cima de um palco, e só. Depois, começa a surgir a  espetacularização visual do mundo da canção. Em 1968, 69, Pink Floyd começa a fazer projeções de imagens. Então, num certo momento dos anos 1980, isso vira um espetáculo pirotécnico gigantesco, com explosões, bolas de fogo. Agora, tem aumentado a espetacularização, o que significa que a música perdeu importância.

Trechos resumidos de entrevista concedida a Mônica Manir. Internet: <estadao.com.br> (com adaptações).

            Redija, utilizando o registro da língua padrão, um comentário crítico sobre as principais ideias expressas na entrevista acima. Explicite sua concordância e(ou) discordância a respeito dessas ideias. Dê um título a seu texto.



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Texto: "Conversa de viajante" — Stanislaw Ponte-Preta

Conversa de viajante

            É muito interessante a mania que têm certas pessoas de comentar episódios que viveram em viagens, com   descrições de lugares e coisas, na base de “imagine você que...”. Muito interessante também é o ar superior que cavalheiros, menos providos de espírito pouquinha coisa, costumam ostentar depois que estiveram na Europa ou nos Estados Unidos (antigamente até Buenos Aires dava direito à empáfia). Aliás, em relação a viajantes, ocorrem episódios que, contando, ninguém acredita. 
"The flower seller". Louis-Marie de Schryver.
            O camarada que tinha acabado de chegar de Paris e – por sinal – com certa humildade, estava sentado numa poltrona, durante a festinha, quando a dona da casa veio apresentá-lo a um cavalheiro gordote, de bigodinho empinado, que logo se sentou a seu lado e começou a “boquejar” (como diz o Grande Otelo): 
            - Quer dizer que está vindo de Paris, hem? – arriscou. 
            O que tinha vindo fez um ar modesto: - É!!! 
            - Naturalmente o amigo não se furtou ao prazer de ir visitar o Palácio de Versalhes. 
            - Não. Não estive em Versalhes. Era muito longe do hotel onde me hospedei. 
            - Mas o amigo cometeu a temeridade de não ficar no Plaza Athénée? 
            O que não ficara no Plaza Athénée deu uma desculpa, explicou que o seu hotel fora reservado pela Cia. onde trabalha e, por isso, não tivera escolha. 
            - Bem – concordou o gordinho -, o Plaza realmente é um pouco caro, mas é muito central e há outros hotéis mais modestos que ficam perto do Plaza. – E depois de acender um cigarro, lascou: - Passeou pelo Bois? 
            - Passei pelo Bois uma vez, de táxi. 
            - Mas meu amigo vai me desculpar a franqueza; o amigo bobeou. Não há nada mais lindo do que um passeio a pé pelo Bois de Boulogne, ao cair da tarde. E não há nada mais parisiense também. 
            - É... eu já tinha ouvido falar nisso. Mas havia outras coisas a fazer. 
            - Claro... Claro... Há coisas mais importantes, principalmente no setor das artes – e sem tomar o menor fôlego: - Visitou o Louvre?... 
            - Visitei. 
            - Viu a Gioconda?
            Não. O recém-chegado não tinha visto a Gioconda. No dia em que esteve no Louvre, a Gioconda não estava em exposição. 
            - Mas o senhor prevaricou - disse o gordinho, quase zangado. – A Gioconda só está em exposição as quintas e sábados e ir ao Louvre noutros dias é negar a si mesmo uma comunhão maior com as artes. Passou uma senhora, cumprimentou o ex-viajante e, mal ela foi em frente, nova pergunta do cara: 
            - E a comida de Paris, hem amigo? Você jantava naqueles bistrozinhos de Saint-Germain? Ou preferia os restaurantes típicos de montmartre? Há um bistrô que fica numa transversal da Rue de... 
            Mas não pôde acabar de esclarecer qual era a rua, porque o interrogado foi logo afirmando que jantara quase sempre no hotel. E sua paciência se esgotou quando o chato quis saber que tal achara as mulheres do Lido. 
            - Eu não fui ao Lido também. O senhor compreende. Eu estive em Paris a serviço e sou um homem de poucas posses. Quase não tinha tempo para me distrair. De mais a mais, lá é tudo muito caro. 
            - Caríssimo – confirmou o gordinho, sem se mancar. 
      - O senhor, naturalmente, esteve lá a passeio e pôde fazer essas coisas todas – aventou, como quem se desculpa. 
            Foi aí que o gordinho botou a mãozinha rechonchuda sobre o peito e exclamou: - Eu??? Mas eu nunca estive em Paris! 

(Stanislaw Ponte-Preta, in "O melhor de Stanislaw")

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Tema de Redação – UNEAL – 2010

Tema de Redação – UNEAL – 2010

Tema de Redação – UNEAL – Universidade Estadual de Alagoas – 2010

INSTRUÇÕES DA REDAÇÃO 
1. Utilize o espaço reservado ao rascunho para elaborar a sua redação.
2. O candidato terá nota 0,00 (zero) na prova de Redação se:
a) fugir ao tema proposto para a elaboração da Redação;
b) apresentar acentuada desestruturação em todos os níveis (morfológico, sintático, semântico);
c) desenvolver sua Redação em outra tipologia textual (narração / ou descrição) ou em gêneros textuais (carta, resumo etc) que não foram solicitados;
d) redigir seu texto com menos de 20 (vinte) linhas;
e) redigir seu texto com mais de 30 (trinta) linhas;
f) redigir seu texto com menos de 200 (duzentas) palavras independentemente do número de linhas apresentado;
g) redigir seu texto sem atender às margens propostas na Folha de Redação definitiva;
h) utilizar o espaço destinado ao título para redigir seu texto;
i) apresentar identificação de quaisquer natureza (nome próprio, nome fictício, rabiscos, números, recados, códigos etc), que possam identificar o candidato;
j) redigir seu texto a lápis ou à caneta de tinta diferente das cores determinadas azul ou preta.

Especialistas aprovam lei contra palmadas - Kelly Zucatelli

            Especialistas aprovam o formato da lei encaminhada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso Nacional. O texto fortalece o direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigos corporais ou de
tratamento cruel.
            Porém, todos concordam que a mudança da cultura de que uma “palmadinha” ajuda na educação ainda levará um tempo para ser modificada.
            Para a coordenadora do curso de Pedagogia da PUC (Pontifícia Universidade Católica), Maria Stela Santos Graciani, não é o castigo que ajuda na constituição da personalidade da criança e do adolescente. "É necessário que os adultos tenham a prática do diálogo, assim como os professores saibam exigir o respeito verbal de seus alunos. Agressão nunca ajudará", comenta. [...]

Disponível em <http://www.dgabc.com.br.>. Acesso em 04 ag 2010.

Para Rosely Sayão, lei que proíbe palmadas é invasão do Estado na vida privada

            A psicóloga e consultora educacional Rosely Sayão, colunista da Folha, participou de bate-papo nesta quinta-feira (29) sobre o projeto da lei que proíbe palmadas, beliscões e castigos físicos em crianças e adolescentes.
            Para Rosely Sayão, o projeto que altera a lei que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, vetando o uso de castigos físicos e tratamentos cruéis na educação infantil, mostram a invasão do Estado na vida privada.
            "Acho isso muito perigoso. Hoje podemos ser contra a palmada - eu sou - mas amanhã, sabe-se lá o que pode ser transformado em lei?", disse a colunista da Folha durante o bate-papo. [...]

Disponível em <www1.folha.uol.com.br>. Acesso em 02 ag 2010.

            Os dois fragmentos acima ilustram pontos de vista distintos em relação à nova lei que proíbe palmadas em crianças. Com base no conteúdo de ambos e em outros textos de seu conhecimento, redija um texto dissertativo no qual você argumente contra essa nova lei ou a favor dela.

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Tema de Redação – UNEAL – 2009

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Tema de Redação – UNEAL – Universidade Estadual de Alagoas - 2009

O cartum, adaptado de Jules Feiffer, traz o tema desta redação:


Tema: A importância da leitura.

            Redija um texto dissertativo, de 20 a 30 linhas, sobre o tema dado, no qual você exponha suas ideias de forma clara, coerente e em conformidade com a norma culta da língua, sem se remeter a nenhuma expressão do texto motivador. Use caneta esferográfica de tinta azul ou preta.

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25 Respostas iniciadas pela letra “E”

Exercícios de conhecimentos gerais 
25 Respostas iniciadas pela letra "E"

1. Cantor inglês, autor de "Empty garden" e "Goodbye, yellow brick road".

2. Boneca de pano, personagem principal de "O Sítio do Pica-pau Amarelo".

3. O Rei do Rock.

4. "Olhos" em inglês.

5. País que ganhou a Copa do Mundo de futebol em 2010, na África do Sul.

6. Pugilista brasileiro que foi campeão mundial de boxe na década de 60.

7. Cantora brasileira que tinha o apelido de "Pimentinha".

8. Ave grande, parecida com o avestruz.

9. Dor de cabeça muito forte.

10. Papel usado para enviar cartas.

11. Continente conhecido como o "Velho Mundo".

12. Maior animal mamífero terrestre.

13. Cume mais elevado do mundo.

14. Ser mitológico - um leão alado com cabeça e busto humanos que matava os viajantes que não decifravam o enigma que ele propunha.

15. Boneco utilizado nas plantações para afugentar aves.

16. Vulcão mais ativo da Europa.

17. Roedor que vive em árvores e se alimenta de sementes e castanhas.

18. País cuja capital é Cairo.

19. Capital da Suécia.

20. Atriz principal da série de filmes "Harry Potter".

21. Escritor brasileiro, autor de "Os Sertões".

22. Personagem histórica argentina, foi casada com o ex-presidente Juan Perón.

23. País cuja capital é Adis Abeba.

24. Cantor da Jovem Guarda cujo apelido é "Tremendão".

25. País cuja capital é Abu Dabi.


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Peça agora mesmo a apostila "100 QUESTÕES DA FUVEST SOBRE INTERPRETAÇÃO DE TEXTO - COM GABARITO".

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GABARITO – 25 Respostas iniciadas pela letra “E”

Texto: "Escrever" — Clarice Lispector

Escrever 

       Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. 
"Patrice reads Sartre". David Blaine Clemons
       Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação.
       Salva a alma presa, salva a pessoa que se sente inútil, salva o dia que se vive e que nunca se entende a menos que se escreva. Escrever é procurar entender, é procurar reproduzir o irreproduzível, é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.
       Que pena que só sei escrever quando espontaneamente a “coisa” vem. Fico assim à mercê do tempo. E, entre um verdadeiroescrever e outro, podem-se passar anos.
       Lembro-me agora com saudade da dor de escrever livros.

(Clarice Lispector. A descoberta do mundo, 1999)


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quarta-feira, 22 de junho de 2016

UNESP 2014 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa

UNESP 2014 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa


As questões de números 01 a 05 focalizam uma passagem do romance Água-Mãe, de José Lins do Rego (1901-1957).

Água-Mãe

            Jogava com toda a alma, não podia compreender como um jogador se encostava, não se entusiasmava com a bola nos pés. Atirava-se, não temia a violência e com a sua agilidade espantosa, fugia das entradas, dos pontapés. Quando aquele back1, num jogo de subúrbio, atirou-se contra ele, recuou para derrubá-lo, e com tamanha sorte que o bruto se estendeu no chão, como um fardo. E foi assim crescendo a sua fama. Aos poucos se foi adaptando ao novo Joca que se formara nos campos do Rio. Dormia no clube, mas a sua vida era cada vez mais agitada. Onde quer que estivesse, era reconhecido e aplaudido. Os garçons não queriam cobrar as despesas que ele fazia e até mesmo nos ônibus, quando ia descer, o motorista lhe dizia sempre:
            — Joca, você aqui não paga.
            Quando entrava no cinema era reconhecido. Vinham logo meninos para perto dele. Sabia que agradava muito. No clube tinha amigos. Havia porém o antigo center-forward2 que se sentiu roubado com a sua chegada. Não tinha razão. Ele fora chamado. Não se oferecera. E o homem se enfureceu com Joca. Era um jogador de fama, que fora grande nos campos da Europa e por isso pouco ligava aos que não tinham o seu cartaz. A entrada de Joca, o sucesso rápido, a maravilha de agilidade e de oportunismo, que caracterizava o jogo do novato, irritava-o até ao ódio. No dia em que tivera que ceder a posição, a um menino do Cabo Frio, fora para ele como se tivesse perdido as duas pernas. Viram-no chorando, e por isso concentrou em Joca toda a sua raiva. No entanto, Joca sempre o procurava. Tinha sido a sua admiração, o seu herói.

1 Beque, ou seja, o zagueiro de hoje.
2 Centroavante.

(Água-Mãe, 1974.)
Questão 01
Questão 01 - Com a expressão fugia das entradas, no primeiro parágrafo, o narrador sugere que o jogador Joca manifestava em campo:

(A) preguiça. (B) covardia. (C) despreparo. (D) esperteza. (E) ingenuidade.

Questão 02 - No primeiro parágrafo, predominam verbos empregados no

(A) pretérito perfeito do modo indicativo.
(B) pretérito imperfeito do modo indicativo.
(C) presente do modo indicativo.
(D) presente do modo subjuntivo.
(E) pretérito mais-que-perfeito do modo indicativo.
Questão 03
Questão 03 - Quando entrava no cinema era reconhecido.
A língua portuguesa aceita muitas variações na ordem dos termos na oração e no período, desde que não causem a desestruturação sintática e a perturbação ou quebra do sentido. Assinale a alternativa em que a reordenação dos elementos não altera a estrutura do período em destaque e mantém o mesmo sentido.

(A) Quando era no reconhecido cinema entrava.
(B) Era reconhecido quando entrava no cinema.
(C) Entrava quando no cinema era reconhecido.
(D) Quando era reconhecido entrava no cinema.
(E) Entrava reconhecido quando era no cinema.
Questão 04
Questão 04 - Atitude que, no último parágrafo, melhor sintetiza a reação do antigo center-forward ao sucesso de Joca:

(A) rancor. (B) cavalheirismo. (C) colaboração. (D) admiração. (E) indiferença.
Questão 05
Questão 05 - No dia em que tivera que ceder a posição, a um menino do Cabo Frio, fora para ele como se tivesse perdido as duas pernas.
Segundo o contexto, a imagem como se tivesse perdido as duas pernas revela, com grande expressividade e força emocional,

(A) sensação de estar sendo injustiçado pela torcida.
(B) certeza de que ainda era melhor jogador que o novato.
(C) sentimento de impotência ante a situação.
(D) vontade de trocar o futebol por outra profissão.
(E) receio de sofrer novas contusões e ficar incapacitado.

As questões de números 06 a 10 tomam por base uma passagem do artigo Os operários da música livre, de Ronaldo Evangelista.

            Desde o final do século 20, toda a engrenagem industrial do mercado musical passa por intensas transformações, como o surgimento e disseminação de novas tecnologias, em grande parte gratuitas, como os arquivos MP3s, as redes de compartilhamento destes arquivos, mecanismos torrents, sites de armazenamento de conteúdo, ferramentas de publicação on-line — tudo à disposição de quem quisesse dividir com os outros suas canções e discos favoritos. A era pós-industrial atingiu toda a indústria do entretenimento, mas o braço da música foi quem mais sofreu, especialmente as grandes gravadoras multinacionais, as chamadas majors, que sofreram um declínio em todas as etapas de seu antigo negócio, ao mesmo tempo em que rapidamente se aperfeiçoavam ferramentas baratas e caseiras de produção que diminuíam a distância entre amadores e profissionais.
            A era digital é também chamada de pós-industrial porque confronta o modelo de produção que dominava até o final do século 20. Esse modelo industrial é baseado na repetição, em formatar e embalar. Por trás disso, a ideia é obter a máxima produção — o que, para produtos em geral, funciona muito bem. Quando esses parâmetros são aplicados à arte, a venda do produto (por exemplo, o disco) depende do conteúdo (a canção). A canção que vai resultar nessa “produção máxima” é buscada por meio de um equilíbrio entre criatividade e uma fórmula de sucesso que desperte o interesse do público. Como estudos ainda não conseguiram decifrar como direcionar a criatividade de uma maneira que certamente despertará esse interesse (e maximizará a produção), a opção normalmente costuma ser pela solução mais simples.
            “Cada um tem descoberto suas fórmulas e possibilidades, pois tudo tende a ser cada vez menos homogêneo”, opina o baiano Lucas Santtana, que realizou seus discos recentes às próprias custas.“Claro que ainda existe uma distância em relação aos artistas chamados mainstream”, continua. “Mas você muda o tamanho da escala e já está tudo igual em termos de business. A pergunta é se essa geração faz uma música para esse grande mercado ou se ela está formando um novo público. Outra pergunta é se o grande mercado na verdade não passa de uma imposição de uma máfia que dita o que vai ser popular.”

(Galileu, março de 2013. Adaptado.)

Questão 06 - Segundo o autor, desde o final do século 20, as novas tecnologias e softwares voltados para a música beneficiaram

(A) as lojas especializadas na venda de discos de vinil e digitais.
(B) os distribuidores de discos de vinil no mercado internacional.
(C) as grandes gravadoras e produtoras nacionais de discos.
(D) as grandes redes de supermercados e shoppings.
(E) os usuários interessados em compartilhar músicas.
Questão 07
Questão 07 - Numerosas palavras da língua inglesa são adotadas no mundo todo em jornais, revistas e livros especializados, por terem sido incorporadas aos vocabulários da indústria, do comércio, da tecnologia e de muitas outras atividades. Levando em consideração o contexto do artigo, assinale a alternativa em que a palavra da língua inglesa é empregada para designar algo ou alguém que caiu no gosto do público, com vasta disseminação pela mídia:

(A) majors. (B) mainstream. (C) torrents. (D) sites. (E) business.
Questão 08
Questão 08 - No primeiro parágrafo, o termo tudo, por sua relação sintática e semântica com a sequência que o precede, representa

(A) uma forte redundância devida a um lapso do escritor.
(B) a negação do que foi dito pelos termos antes enumerados.
(C) uma circunstância de tempo acrescentada à enumeração.
(D) o elemento que encerra uma enumeração, resumindo-a.
(E) toda a engrenagem tradicional do mercado musical.

Questão 09 - Em seu depoimento no artigo, o músico Lucas Santtana sugere que o grande mercado talvez não passe da imposição de uma máfia. O termo máfia, nesse caso, foi empregado no sentido de

(A) domínio dos partidos políticos sobre o mercado musical, privilegiando tudo o que interesse apenas ao poder público.
(B) organização criminosa com origem na Itália, com poderosas ramificações pelo mundo inteiro.
(C) sindicato de grandes músicos brasileiros que visa impedir a ascensão e o sucesso de músicos mais jovens.
(D) grupos anarquistas constituídos para tumultuar e desmoralizar os músicos mais jovens e a música popular brasileira.
(E) organização que emprega métodos imorais e ilegais para impor seus interesses em determinada atividade.
Questão 10
Questão 10 - Como estudos ainda não conseguiram decifrar como direcionar a criatividade de uma maneira que certamente despertará esse interesse (e maximizará a produção), a opção normalmente costuma ser pela solução mais simples.
O período em destaque apresenta muitos ecos (coincidências de sons de finais de palavras). Uma das formas de evitá-los e tornar a sequência mais fluente seria colocar “conduzir”, “tal”, “quantidade produzida” em lugar de, respectivamente,

(A) direcionar, esse, produção.
(B) decifrar, esse, solução.
(C) direcionar, interesse, produção.
(D) conseguiram, que, opção.
(E) decifrar, interesse, maximizará.


Para responder às questões de números 11 a 15, leia o fragmento de um texto publicado em 1867 no semanário Cabrião.

São Paulo, 10 de março de 1867.

            Estamos em plena quaresma.
            A população paulista azafama-se a preparar-se para a lavagem geral das consciências nas águas lustrais do confessionário e do jejum.
            A cambuquira* e o bacalhau afidalgam-se no mercado.
            A carne, mísera condenada pelos santos concílios, fica reduzida aos pouquíssimos dentes acatólicos da população, e desce quase a zero na pauta dos preços.
            O que não sobe nem desce na escala dos fatos normais é a vilania, a usura, o egoísmo, a estatística dos crimes e o montão de fatos vergonhosos, perversos, ruins e feios que precedem todas as contrições oficiais do confessionário, e que depois delas continuam com imperturbável regularidade.
            É o caso de desejar-se mais obras e menos palavras.
            E se não, de que é que serve o jejum, as macerações, o arrependimento, a contrição e quejandas religiosidades?
            O que é a religião sem o aperfeiçoamento moral da consciência?
            O que vale a perturbação das funções gastronômicas do estômago sem consciência livre, ilustrada, honesta e virtuosa?
            Seja como for, o fato é que a quaresma toma as rédeas do governo social, e tudo entristece, e tudo esfria com o exercício de seus místicos preceitos de silêncio e meditação.
            De que é que vale a meditação por ofício, a meditação hipócrita e obrigada, que consiste unicamente na aparência?
            Pois o que é que constitui a virtude? É a forma ou é o fundo? É a intenção do ato, ou sua feição ostensiva?
            Neste sentido, aconselhamos aos bons leitores que comutem sem o menor escrúpulo os jejuns, as confissões e rezas em boas e santas ações, em esmolas aos pobres.

(Ângelo Agostini, Américo de Campos e Antônio Manoel dos Reis. Cabrião, 10.03.1867. Adaptado.)

* Iguaria constituída de brotos de abóbora guisados, geralmente servida como acompanhamento de assados.
Questão 11
Questão 11 - Pelo seu tema e desenvolvimento argumentativo, o texto pode ser classificado como

(A) crítico. (B) lírico. (C) narrativo. (D) histórico. (E) épico.

Questão 12 - A cambuquira e o bacalhau afidalgam-se no mercado.
Ao empregar o verbo “afidalgar-se” (tornar-se fidalgo, enobrecer; assumir ares de fidalgo, tornar-se distinto), os autores do texto sugerem, com bom humor, que a cambuquira e o bacalhau

(A) são muito pouco encontrados no comércio para compra.
(B) são alimentos venerados e honrados por sua reconhecida fidalguia.
(C) tornam-se no período produtos de grande procura e preços elevados.
(D) não podem ser consumidos pela população plebeia.
(E) são considerados iguarias que agradam ao imperador e à nobreza.
Questão 13
Questão 13 - [...] fica reduzida aos pouquíssimos dentes acatólicos da população.
Na expressão dentes acatólicos, a palavra “dentes” é empregada em lugar de “pessoas”, segundo uma relação semântica de

(A) símbolo pela coisa significada.  (B) parte pelo todo.
(C) continente pelo conteúdo.          (D) causa pelo efeito.    (E) todo pela parte.
Questão 14
Questão 14 - Segundo os autores, os pecados declarados no confessionário

(A) representam uma autorização para voltar a pecar.
(B) não tornam a ser cometidos pelos crentes.
(C) deixam de ser pecados nas próximas vezes.
(D) não são tão graves que mereçam confissão.
(E) voltam a ser cometidos como sempre.

Questão 15 - Pois o que é que constitui a virtude? É a forma ou é o fundo? É a intenção do ato, ou sua feição ostensiva?
Marque a alternativa cuja passagem responde à questão levantada pelos autores no trecho em destaque.

(A) A carne [...] desce quase a zero na pauta dos preços.
(B) [...] tudo esfria com o exercício de seus místicos preceitos de silêncio e meditação.
(C) A população paulista azafama-se a preparar-se para a lavagem geral das consciências [...].
(D) É o caso de desejar-se mais obras e menos palavras.
(E) [...] a quaresma toma as rédeas do governo social [...].

As questões de números 16 a 20 abordam um poema de Raul de Leoni (1895-1926).

A alma das cousas somos nós...
Dentro do eterno giro universal
Das cousas, tudo vai e volta à alma da gente,
Mas, se nesse vaivém tudo parece igual
Nada mais, na verdade,
05 Nunca mais se repete exatamente...
Sim, as cousas são sempre as mesmas na corrente
Que no-las leva e traz, num círculo fatal;
O que varia é o espírito que as sente
Que é imperceptivelmente desigual,
10 Que sempre as vive diferentemente,
E, assim, a vida é sempre inédita, afinal...
Estado de alma em fuga pelas horas,
Tons esquivos e trêmulos, nuanças
Suscetíveis, sutis, que fogem no Íris
15 Da sensibilidade furta-cor...
E a nossa alma é a expressão fugitiva das cousas
E a vida somos nós, que sempre somos outros!...
Homem inquieto e vão que não repousas!
Para e escuta:
20 Se as cousas têm espírito, nós somos
Esse espírito efêmero das cousas,
Volúvel e diverso,
Variando, instante a instante, intimamente,
E eternamente,
25 Dentro da indiferença do Universo!...

(Luz mediterrânea, 1965.)

Questão 16 - Uma leitura atenta do poema permite concluir que seu título representa

(A) a negação dos argumentos defendidos pelo eu lírico.
(B) a confirmação do estado de alma disfórico do eu lírico.
(C) a síntese das ideias desenvolvidas pelo eu lírico.
(D) o reconhecimento da supremacia do homem no mundo.
(E) uma afirmação prévia da incapacidade do homem.
Questão 17
Questão 17 - Considerando o eixo temático do poema e o modo como é desenvolvido, verifica-se que nele se faz uma reflexão de fundo

(A) estético. (B) político. (C) religioso. (D) filosófico. (E) científico.
Questão 18
Questão 18 - Embora pareça constituído de versos livres modernistas, o poema em questão ainda segue a versificação medida, combinando versos de diferentes extensões, com predomínio dos de doze e dez sílabas métricas. Assinale a alternativa que indica, na primeira estrofe, pela ordem em que surgem, os versos de dez sílabas métricas, denominados decassílabos.

(A) 1 e 5. (B) 3 e 4. (C) 1, 2 e 3. (D) 2 e 3. (E) 1, 3 e 5.
Questão 19
Questão 19 - Indique o verso em que ocorre um adjetivo antes e outro depois de um substantivo:

(A) O que varia é o espírito que as sente
(B) Mas, se nesse vaivém tudo parece igual
(C) Tons esquivos e trêmulos, nuanças
(D) Homem inquieto e vão que não repousas!
(E) Dentro do eterno giro universal

Questão 20 - No último verso do poema, o eu lírico conclui que

(A) os espíritos mostram-se insensíveis ao volúvel Universo.
(B) o Universo acompanha de perto a alma ou espírito.
(C) o Universo é indiferente à relação entre o espírito e as coisas.
(D) a variação das coisas é indiferente ao espírito que as sente.
(E) as coisas têm espírito, mas o Universo não tem.

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