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quinta-feira, 9 de maio de 2024

Fatec – Prova de Língua Portuguesa – 2º Semestre – 2018

 Fatec – Prova de Língua Portuguesa – 2º Semestre – 2018

 


Leia o texto para responder às questões de números 50 a 53.

13 de maio

     Hoje amanheceu chovendo. É um dia simpatico para mim. É o dia da Abolição. Dia que comemoramos a libertação dos escravos.

...Nas prisões os negros eram os bodes espiatorios. [....]

Continua chovendo. E eu tenho só feijão e sal. A chuva está forte. Mesmo assim, mandei os meninos para a escola. Estou escrevendo até passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferros. Com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça. A chuva passou um pouco. Vou sair.

...Eu tenho tanto dó dos meus filhos. Quando eles vê as coisas de comer eles brada:

– Viva a mamãe!

A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o habito de sorrir. Dez minutos depois eles querem mais comida. Eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura a Dona Ida. Ela não tinha. Mandei-lhe um bilhete assim:

– “Dona Ida peço-te se pode me arranjar um pouco de gordura, para eu fazer uma sopa para os meninos. Hoje choveu e eu não pude ir catar papel. Agradeço. Carolina.”

...Choveu, esfriou. É o inverno que chega. E no inverno a gente come mais. A Vera começou pedir comida. E eu não tinha. Era a reprise do espetaculo. Eu estava com dois cruzeiros. Pretendia comprar um pouco de farinha para fazer um virado. Fui pedir um pouco de banha a Dona Alice. Ela deu-me a banha e arroz. Era 9 horas da noite quando comemos.

E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome! 

29 de maio [....]

 ...Há de existir alguem que lendo o que eu escrevo dirá...isto é mentira! Mas, as miserias são reais.


MARIA DE JESUS, Carolina. Quarto de Despejo: Diário de uma favelada. São Paulo: Editora Ática, 2017. Adaptado.

Questão 50 - O texto foi retirado do livro Quarto de Despejo, diário escrito por Carolina Maria de Jesus, moradora da favela do Canindé, em São Paulo, na década de 1950. A edição reproduz fielmente os manuscritos originais.

Analisando a linguagem apresentada no trecho, conclui-se corretamente que


(A) a autora não apresenta reflexão crítica sobre suas experiências por desconhecer a variedade culta do português.
(B) o fato de a autora não utilizar a variedade culta se deve ao gênero do texto, uma vez que diários não são escritos visando à publicação.
(C) os problemas de ortografia, como em “espiatorio”, e de concordância, como em “quando eles vê”, ocorrem por predominar no texto o sentido denotativo.
(D) o texto é predominantemente conotativo, o que se nota por expressões como “hoje amanheceu chovendo” e “a chuva passou”.
(E) o texto aborda, de forma crítica e empregando linguagem informal, temas relevantes à sociedade, como fome e pobreza.

Questão 51 – Assinale a alternativa que, de acordo com o contexto, apresenta a figura de linguagem metáfora.

(A) Dona Ida peço-te se pode arranjar um pouco de gordura, para eu fazer uma sopa para os meninos.
(B) E assim no dia 13 de maio de 1958 eu lutava contra a escravatura atual – a fome!
(C) Mesmo assim, mandei os meninos para a escola.
(D) Dez minutos depois eles querem mais comida.
(E) Hoje choveu e eu não pude ir catar papel.

Questão 52 -Considere a charge.


 
<https://tinyurl.com/y9y5og93> Acesso em: 09.03.2018. Original colorido.

Comparando a charge ao texto de Carolina Maria de Jesus, conclui-se corretamente que ambos se relacionam à temática

(A) do subemprego, a exemplo das passagens “com o dinheiro dos ferros vou comprar arroz e linguiça” e “eu não pude ir catar papel”.
(B) do racismo, a exemplo da passagem “Estou escrevendo até passar a chuva, para eu ir lá no senhor Manuel vender os ferros”.
(C) da solidariedade, a exemplo da passagem “eu mandei o João pedir um pouquinho de gordura a Dona Ida”.
(D) da violência urbana, a exemplo da passagem “A manifestação agrada-me. Mas eu já perdi o hábito de sorrir”.
(E) da adversidade climática, a exemplo da passagem “...Choveu, esfriou. É o inverno que chega”.

Questão 53 -Assinale a alternativa em que o trecho do diário foi reescrito, mantendo-se as correlações semânticas originais e respeitando-se a variedade culta da língua portuguesa.

(A) Hoje amanheceu chovendo por ser um dia simpático para mim, posto que é o dia da Abolição quando comemoramos a libertação dos escravos.
(B) Eu tenho tanto dó dos meus filhos, pois, quando eles veem as coisas para comer, eles bradam: “Viva a mamãe”.
(C) Como continua chovendo, eu só tenho feijão e sal. A chuva está forte, logo, mandei os meninos para a escola.
(D) Estou escrevendo mesmo que passe a chuva, depois disso eu irei ao senhor Manuel vender ferros.
(E) A manifestação me agrada, desde que eu já perdera o hábito de sorrir.

Questão 54 -Leia um trecho do poema A Flor e a Náusea.

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas,
alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

[....]

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas
da tarde
E lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas
em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo
e o ódio.

ANDRADE, C. D. Antologia Poética. Rio de Janeiro. José Olympio, 1978.

A partir da leitura do trecho de A Flor e a Náusea, poema do modernista Carlos Drummond de Andrade, assinale a alternativa em que o conceito é adequado à temática apresentada nos versos.

(A) Disciplina: obediência às regras, aos superiores, aos regulamentos, postura que é defendida pelo eu lírico.
(B) Dissimulação: ocultação, por um indivíduo, de suas verdadeiras intenções, uma vez que o eu lírico tenta esconder sua reação diante do surgimento da flor.
(C) Esperança: sentimento vivido pelo eu lírico, pois ele vê como possíveis a confiança em algo promissor e a realização de mudanças.
(D) Nostalgia: melancolia profunda causada pelo distanciamento entre o eu lírico e sua terra natal.
(E) Resignação: submissão à vontade do destino, postura adotada pelo eu lírico que se mostra alienado e indiferente.

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

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segunda-feira, 20 de maio de 2019

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segunda-feira, 8 de abril de 2019

APOSTILA – 100 QUESTÕES DE LITERATURA DA FATEC – COM GABARITO

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terça-feira, 8 de maio de 2018

Fatec – 2018 – 1º Semestre – Prova de Língua Portuguesa

Fatec – Prova de Língua Portuguesa – 1º Semestre – 2018

Leia o texto para responder às questões de números 50 a 52.

Palavras: uma questão de estilo

A construção de um bom texto depende da criatividade de quem o escreve.
Veja como o uso das palavras exerce um papel importante nesse contexto.

João Ribeiro, eminente gramático e profundo conhecedor da língua portuguesa, disse certa vez, em entrevista que deu ao jornalista carioca João do Rio (O Momento Literário), que o estilo seria, antes de tudo, “a ideia precisa e exata na sua forma exata e precisa”. De fato, não são poucos os que acreditam que o estilo depende, basicamente, da conjunção precisa entre forma e fundo, ideia em si mesma legítima, embora se saiba que até mesmo o que se considera erro, lacuna, falha ou desvio pode ser, no limite, considerado… uma questão de estilo. Falar em estilo na língua portuguesa remete-nos, imediatamente, a certa escala de valores que não apenas as frases, as orações e os períodos contêm, mas que também as palavras, isoladamente ou não, possuem. Assim, da mesma maneira que temos, no que compete à gramática da língua, as categorias essenciais (substantivos, verbos, adjetivos), auxiliares (artigos, preposições) e determinantes (advérbios, numerais), nas quais os vocábulos se subdividem, em termos de estilo essas categorias são também fundamentais para que possamos apreender a língua não em sua estrutura morfossintática, mas em sua configuração estilística. Uma frase como “Aires não pensava nada, mas percebeu que os outros pensavam alguma cousa”, retirada do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis, é reveladora não apenas pelo sentido que ela tem para a economia do romance, mas também em razão do peso que os verbos possuem no período, ora pelo jogo de oposições entre singular e plural (pensava / pensavam); ora pela dicotomia entre afirmação e negação (pensava / não pensavam); ora pela mediação, entre os dois vocábulos, realizada pelo verbo percebeu (pensava / percebeu / pensavam); ora ainda pelo contraste entre dois tempos verbais, o pretérito imperfeito (pensava / pensavam) e o perfeito (percebeu). Tudo isso se torna significativo, literariamente falando, para a narrativa e, mais do que um traço morfossintático, é um traço estilístico marcante na escala de valores a que aqui nos referimos e que pode, ainda, ter uma natureza sinestésica, estando ligada a determinados sentidos humanos. Por exemplo, é muito comum associarmos determinadas palavras a determinados sentidos, criando assim – no âmbito da percepção estilística – imagens visuais, auditivas, táteis, olfativas ou gustativas.

<https://tinyurl.com/y7wzrn8k> Acesso em: 07.11.2017. Adaptado.

Questão 50 - Assinale a afirmação correta a respeito das ideias presentes no texto.

(A) O autor que busque um estilo narrativo marcante deve preterir a conjunção precisa entre forma e fundo.
(B) A compreensão e a análise do estilo de um autor devem se restringir ao estudo da palavra como unidade isolada no texto.
(C) As características que definem o que é estilo, para João Ribeiro, são a exposição de ideias de forma prolixa e a ausência de incorreções gramaticais.
(D) O estilo transcende as conceituações morfossintáticas, pois as palavras não são consideradas apenas individualmente, mas em seu papel no conjunto do texto.
(E) O emprego das normas gramaticais para a construção de um bom texto é uma questão de estilo, por isso a informalidade da linguagem é inadmissível.

Questão 51 - O autor menciona Memorial de Aires, de Machado de Assis, com o intuito de

(A) destacar a preferência de Machado de Assis por um estilo calcado na linguagem informal, popular.
(B) revelar, pela frase do narrador, que o Conselheiro Aires mantinha-se indiferente às circunstâncias que o cercavam.
(C) demonstrar, por meio da análise de um trecho da obra machadiana, que a ausência de coesão entre forma e fundo não compromete o estilo.
(D) evidenciar como Machado de Assis articula recursos morfossintáticos de modo a construir, não somente a narrativa, mas também o próprio estilo.
(E) elucidar a oposição entre a concepção gramatical tradicionalista e a linguagem machadiana, caracterizada pelo desprendimento formal do autor.

Questão 52 - O texto faz referência à sinestesia, um recurso semântico capaz de tornar o texto mais expressivo. Assinale a alternativa que apresenta um exemplo da figura de linguagem conhecida como sinestesia.

(A) O toque de suas mãos era frio como a neve.
(B) Suas palavras eram amargas e frias.
(C) Caía lá fora a neve fria.
(D) O inverno sem você é glacial.
(E) O frio contava as histórias de tempos passados.

Questão 53 - Memorial de Aires é o último romance escrito por Machado de Assis, tendo sido publicado em 1908, ano da morte do autor. Obra de caráter autobiográfico, apresenta-se como diversas entradas em uma espécie de diário, em que a relação com a velhice, as dificuldades dos relacionamentos amorosos e a futilidade da elite brasileira no final do século XIX são retratadas por meio de um série de episódios que se intercalam.
O trecho a seguir foi retirado do prefácio Advertência, que introduz a obra.

Quem me leu Esaú e Jacó talvez reconheça estas palavras do prefácio: “Nos lazeres do ofício escrevia o Memorial, que, apesar das páginas mortas ou escuras, apenas daria (e talvez dê) para matar o tempo da barca de Petrópolis”.
Referia-me ao Conselheiro Aires. Tratando-se agora de imprimir o Memorial, achou-se que a parte relativa a uns dois anos (1888-1889), se for decotada de algumas circunstâncias, anedotas, descrições e reflexões, — pode dar uma narração seguida, que talvez interesse, apesar da forma de diário que tem. Não houve pachorra de a redigir à maneira daquela outra, — nem pachorra, nem habilidade. Vai como estava, mas desbastada e estreita, conservando só o que liga o mesmo assunto. O resto aparecerá um dia, se aparecer algum dia.

ASSIS, Machado de. Memorial de Aires. In:______. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p. 1096.

Com base na leitura dos textos e nas obras de Machado de Assis, é correto afirmar que

(A) Memorial de Aires e O Alienista são obras de crítica social, mas não trazem a visão irônica da sociedade que é comum à produção machadiana.
(B) Quincas Borba e Memorial de Aires narram a trajetória de protagonistas que, apesar das imposições sociais, conseguem atingir seus objetivos.
(C) Memórias Póstumas de Brás Cubas e Memorial de Aires apresentam um narrador em terceira pessoa que relata os fatos tendo limitado conhecimento da história e dos detalhes da trama.
(D) Iaiá Garcia e Memorial de Aires apresentam características claramente identificadas com o movimento Realista, compondo, com Memórias Póstumas de Brás Cubas, a chamada Trilogia Realista.
(E) Dom Casmurro e Memorial de Aires seguem a tradição do romance psicológico, debruçando-se nos motivos íntimos por trás das escolhas e das ações e reações das personagens.

Questão 54 - Na frase de Machado de Assis citada no texto (“Aires não pensava nada, mas percebeu que os outros pensavam alguma cousa”), a relação entre os tempos verbais, embora contrastante, é coerente.
Assinale a alternativa que também apresenta a correta relação entre os tempos verbais.

(A) O pesquisador leu a obra completa de Clarice Lispector para que pudesse identificar as marcas de estilo da escritora.
(B) O pesquisador lia a obra completa de Clarice Lispector para que terá podido identificar as marcas de estilo da escritora.
(C) O pesquisador lê a obra completa de Clarice Lispector para que pudera identificar as marcas de estilo da escritora.
(D) O pesquisador lerá a obra completa de Clarice Lispector para que tivesse podido identificar as marcas de estilo da escritora.
(E) O pesquisador leria a obra completa de Clarice Lispector para que tenha podido identificar as marcas de estilo da escritora.

GABARITO

50 – D   51 – D   52 – B   53 – E   54 – A


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