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segunda-feira, 16 de outubro de 2017

UFBA – 2011 – Prova de Redação

UFBA – 2011 – Prova de Redação

INSTRUÇÕES:

• Escreva sua Redação, com caneta de tinta AZUL ou PRETA, de forma clara e legível.
• Caso utilize letra de imprensa, destaque as iniciais maiúsculas.
• O rascunho deve ser feito no local apropriado do Caderno de Questões.
• Na Folha de Resposta, utilize apenas o espaço a ela destinado.
• Assine a prova APENAS NO CABEÇALHO. A assinatura no campo da resposta ANULARÁ a sua Redação!
• Será atribuída pontuação ZERO à Redação que
– não se atenha ao tema proposto;
– esteja escrita a lápis, ainda que parcialmente;
– apresente texto incompreensível ou letra ilegível;
– esteja escrita em verso;
– apresente texto padronizado, comum a vários candidatos;
– NÃO SEJA RESPONDIDA NA RESPECTIVA FOLHA DE RESPOSTA;
– ESTEJA ASSINADA FORA DO LOCAL APROPRIADO;
– POSSIBILITE, DE ALGUMA FORMA, A IDENTIFICAÇÃO DO CANDIDATO.

Os textos apresentados a seguir devem servir para uma reflexão sobre os sonhos.

I. SONHO. 1. ato ou efeito de sonhar. 2. conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam à mente durante o sono. 3. (p.ext.). Sequência de ideias soltas e incoerentes às quais o espírito se entrega; devaneio, fantasia, (entrega-se aos sonhos para fugir da realidade). 4. [...] 5. (fig.) desejo vivo, intenso e constante; anseio (o sonho dele é enriquecer o mais rápido possível). 6. [...] 7. ideia ou ideal dominante que alguém ou um grupo busca com interesse ou paixão; (o sonho da liberdade). [...]

In: HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de
Janeiro: Objetiva, 2001, p. 2608.

II. SOBRE O “SONHO BRASILEIRO”

Foi James Truslow Adams (1879-1949) quem cunhou, em The Epic of America (1931), a expressão “the American Dream”: “O Sonho Americano”, disse ele, “é o sonho de uma terra onde a vida é melhor, mais rica e mais completa para todos, com oportunidade para cada um de acordo com a capacidade ou desempenho. “Não é apenas um sonho de altos salários, mas um sonho de ordem social em que cada homem e cada mulher sejam reconhecidos por outros pelo que eles são, sem levar em conta as circunstâncias fortuitas de berço ou posição.”
Essas ideias deitam raízes na Declaration of Independence (1776), que afirma (início do segundo parágrafo): “Nós defendemos como verdades evidentes que todos os homens foram criados iguais; que eles são dotados por seu Criador de certos Direitos inalienáveis; que entre estes estão a Vida, a Liberdade e a busca da Felicidade.” [...]
O Sonho Americano — tal como se espera venha a ser um possível “Sonho Brasileiro” — é farol a guiar destinos, a motivar projetos coletivos e individuais. [...] 
O Brasil vai beneficiar-se se vier a ter uma visão socialmente compartilhada e politicamente relevante de seu futuro. Principalmente se, como proposto, o Sonho Brasileiro expressar-se no lema “Desenvolvimento com Inclusão”.

ALBUQUERQUE, Roberto Cavalcanti de. Sobre o “Sonho Brasileiro”. In: Fórum Nacional Especial 2009. Rio de Janeiro, 17 e 18 set. 2009. INAE. Disponível em: <http://forumnacional.org.br/ EPO328.pdf>. Acesso: 31 jul. 2010.

III. SONHO IMPOSSÍVEL

Sonhar
Mais um sonho impossível
Lutar
Quando é fácil ceder
Vencer
O inimigo invencível
Negar
Quando a regra é vender
Sofrer
A tortura implacável
Romper
A incabível prisão
Voar
Num limite improvável
Tocar
O inacessível chão

É minha lei, é minha questão
Virar esse mundo
Cravar esse chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã, se esse chão que eu beijei
For meu leito e perdão
Vou saber que valeu delirar
E morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

DARION, Joe; LEIGH, Mitch. Sonho impossível. Versão em português de Chico Buarque. Disponível em: <http://www.letras.terra.com.br/chico-buarque/sonho-impossivel/print>. Acesso em: 31 jul. 2010.

IV. DEVER DE SONHAR

Eu tenho uma espécie de dever
de dever de sonhar,
de sonhar sempre,
pois, sendo mais do que um espectador de mim mesmo
eu tenho que ter o melhor espetáculo que posso.
E assim me construo a ouro e sedas,
em salas supostas,
invento palcos, cenário para viver o meu sonho
entre luzes brandas e músicas invisíveis.

PESSOA, Fernando. Dever de sonhar. Disponível em: <http://wanderleyelian.blobspot.com/2010/10/ dever-de-sonhar>. Acesso em: 31 jul. 2010.

V. PRELÚDIO

Sonho que se sonha só
É só um sonho que se sonha só
Mas sonho que se sonha junto é realidade
[...]

SEIXAS, Raul. Prelúdio. Disponível em: <http://letras.terra.com.br/raul-seixas/165312/preludioprint. html>. Acesso em: 31 jul. 2010.

VI.
“O futuro não é um presente, é uma conquista.”

Harry Lauder

In: SHINYASHIKI, Roberto T. Os donos do futuro. São Paulo: Infinito, 2000. p. 173.

A partir da leitura dos textos apresentados, das ideias neles contidas e da sua forma de enxergar o mundo, produza um texto dissertativo/argumentativo sobre o tema: A importância dos sonhos na vida do ser humano.

RECOMENDAÇÕES:

• Use a forma de prosa que julgar conveniente, mas lembre-se de que não deverá conter nenhuma identificação.
• Discuta a questão do “sonho” como algo vital para o ser humano, sendo ponto de partida para as grandes transformações do indivíduo e até da humanidade.
• Apresente exemplos de transformações da atualidade que, no passado, foram apenas sonhos de determinados homens.
• Proponha formas essenciais para que os sonhos individuais ou coletivos se concretizem.


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UFBA – 2010 – Prova de Redação

UFBA – 2010 – Prova de Redação

INSTRUÇÕES:

• Escreva sua Redação, com caneta de tinta AZUL ou PRETA, de forma clara e legível.
• Caso utilize letra de imprensa, destaque as iniciais maiúsculas.
• O rascunho deve ser feito no local apropriado do Caderno de Questões.
• Na Folha de Resposta, utilize apenas o espaço a ela destinado.
• Assine a prova APENAS NO CABEÇALHO. A assinatura no campo da resposta ANULARÁ a sua Redação!
• Será atribuída pontuação ZERO à Redação que
– não se atenha ao tema proposto;
– esteja escrita a lápis, ainda que parcialmente;
– apresente texto incompreensível ou letra ilegível;
– esteja escrita em verso;
– apresente texto padronizado, comum a vários candidatos;
– NÃO SEJA RESPONDIDA NA RESPECTIVA FOLHA DE RESPOSTA;
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– POSSIBILITE, DE ALGUMA FORMA, A IDENTIFICAÇÃO DO CANDIDATO.

I. O menino parado no sinal de trânsito vem em minha direção e pede esmola. Eu preferia que ele não viesse. [...] Sua paisagem é a mesma que a nossa: a esquina, os meios-fios, os postes. Mas ele se move em outro mapa, outro diagrama. Seus pontos de
referência são outros.
Como não tem nada, pode ver tudo. Vive num grande playground, onde pode brincar com tudo, desde que “de fora”. O menino de rua só pode brincar no espaço “entre” as coisas. Ele está fora do carro, fora da loja, fora do restaurante. A cidade é uma grande vitrine de impossibilidades. [...] Seu ponto de vista é o contrário do intelectual: ele não vê o conjunto nem tira conclusões históricas — só detalhes interessam. O conceito de tempo para ele é diferente do nosso. Não há segunda-feira, colégio, happy hour. Os momentos não se somam, não armazenam memórias. Só coisas “importantes”: “Está na hora do português da lanchonete despejar o lixo...” ou “estão dormindo no meu caixote...” [...]
Se não sentir fome ou dor, ele curte. Acha natural sair do útero da mãe e logo estar junto aos canos de descarga pedindo dinheiro. Ele se acha normal; nós é que ficamos anormais com a sua presença.

JABOR, A. O menino está fora da paisagem. O Estado de São Paulo, São Paulo, 14 abr. 2009. Caderno 2, p. D 10.

II. Vinte anos se passaram desde a queda do Muro de Berlim. A cidade comemora com uma programação rica em atividades. Pode-se conferir, por exemplo, uma grande exposição de fotografias na Alexander Platz ou ver de perto a restauração da East Side Gallery, um pedaço de muro ainda existente que se transformou numa galeria de arte a céu aberto. [...]
Em Berlim, [...] tenho ouvido a afirmação recorrente de que o muro persiste enquanto paisagem interiorizada pelos habitantes da cidade. [...] Onde buscar esse muro internalizado? [...]
Tudo isso faz pensar nas cidades brasileiras, onde os muros tomam conta da paisagem, seja segregando favelas e bairros populares, seja cercando os condomínios fechados dos bairros nobres. Berlim nos ensina que o muro é forma-conteúdo, é produto e também processo, reflete e condiciona o modo como uma sociedade lida com a diferença. O muro também produz a diferença e radicaliza a ocultação do “outro”, transforma diferença em segregação e desigualdade.

SERPA, A. Muros internalizados. A Tarde, Salvador, 1o ago. 2009. Caderno Opinião, p. A 3.

III. Todo muro tem dois lados. Se, do lado de cá, ele impede o avanço do nosso descaso para com os pobres; do lado de lá, ele vai servir de trincheira, casamata e torre para os que se aproveitam da pobreza “criminosamente” [...]. Com o muro, concretiza-se o que o Zuenir Ventura diagnosticou como uma cidade partida que, murada, será irremediavelmente repartida.

DAMATTA, Roberto. O problema do muro no Brasil. O Estado de São Paulo, 15 abr. 2009. Caderno 2. p. D 12.

Os três fragmentos oferecidos para a sua reflexão apresentam situações distintas, mas que se identificam ao tratarem dos muros visíveis e invisíveis que separam as pessoas.
A partir de uma análise das ideias desses fragmentos, produza um texto argumentativo — na forma de prosa que julgar conveniente — em que você discuta a desigualdade reveladora de muros visíveis e invisíveis no Brasil, sugerindo alternativas de mudança.


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segunda-feira, 2 de outubro de 2017

UFBA – 2009 – Prova de Redação

UFBA – 2009 – Prova de Redação

INSTRUÇÕES:

• Escreva sua Redação, com caneta de tinta AZUL ou PRETA, de forma clara e legível.
• Caso utilize letra de imprensa, destaque as iniciais maiúsculas.
• O rascunho deve ser feito no local apropriado do Caderno de Questões.
• Na Folha de Resposta, utilize apenas o espaço a ela destinado.
• Será atribuída pontuação ZERO à Redação que
– não se atenha ao tema proposto;
– esteja escrita a lápis, ainda que parcialmente;
– apresente texto incompreensível ou letra ilegível;
– esteja escrita em verso;
– apresente texto padronizado, comum a vários candidatos;
– NÃO SEJA RESPONDIDA NA RESPECTIVA FOLHA DE RESPOSTA;
– ESTEJA ASSINADA FORA DO LOCAL APROPRIADO;
– POSSIBILITE, DE ALGUMA FORMA, A IDENTIFICAÇÃO DO CANDIDATO.

Os textos apresentados a seguir deverão servir de base para uma reflexão sobre a
família brasileira.

I. Para percorrer a trajetória da família brasileira, o ponto de partida é, inevitavelmente, a família patriarcal. No entanto, esta não pode ser considerada o único modelo. [...]
Sem dúvida alguma, a família patriarcal teve um papel fundamental nas formas de organização política, nas relações de trabalho e de poder e nas relações interpessoais, deixando como herança o coronelismo, o populismo e, até mesmo, os traços de cordialidade típicos do brasileiro. [...]
Nos últimos 50 anos, a família brasileira sofreu profundas modificações. Os processos sociais, culturais e econômicos afetaram significativamente as relações entre pais e filhos, as do casal, a educação da criança, a disciplina no lar, as identificações estabelecidas pelos jovens.

NASCIMENTO, A. B. Quem tem medo da geração shopping?: uma abordagem psicossocial. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo. EDUFBA, 1999. p. 57-59.

II.

No dia em que eu vim-me embora
Minha mãe chorava em ai
Minha irmã chorava em ui
E eu nem olhava pra trás
No dia em que eu vim-me embora
Não teve nada de mais
Mala de couro forrada com pano forte brim cáqui
Minha vó já quase morta
Minha mãe até a porta
Minha irmã até a rua
E até o porto meu pai
O qual não disse palavra durante todo o caminho
E quando eu me vi sozinho

Vi que não entendia nada
Nem de pro que eu ia indo
Nem dos sonhos que eu sonhava
Senti apenas que a mala de couro que eu
[carregava
Embora estando forrada
Fedia, cheirava mal
Afora isto ia indo, atravessando, seguindo
Nem chorando nem sorrindo
Sozinho pra Capital
Nem chorando nem sorrindo
Sozinho pra Capital
Sozinho pra Capital.

VELOSO, C. No dia em que eu vim-me embora. Disponível em: <http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/ I44569>. Acesso em: 2 ago. 2008.

III.

Eu passei muito tempo aprendendo a beijar
Outros homens como beijo o meu pai
Eu passei muito tempo pra saber que a mulher
Que eu amei, que amo, que amarei
Será sempre a mulher como é minha mãe
Como é, minha mãe? Como vão seus temores?
Meu pai, como vai?
Diga a ele que não se aborreça comigo

Quando me vir beijar outro homem qualquer
Diga a ele que eu quando beijo um amigo
Estou certo de ser alguém como ele é
Alguém com sua força pra me proteger
Alguém com seu carinho pra me confortar
Alguém com olhos e coração bem abertos
Para me compreender

GIL, G. Pai e mãe. Disponível em: <http://letras.terra.com.br/gilberto-gil/46231>. Acesso em: 2 ago. 2008.

IV. A casa de meu pai, abrigo certo, minha dimensão de mundo. Ali, minha mãe se inscrevia, em silêncios e sussurros. Às vezes, quando meu pai não estava em casa, eu a ouvia cantar, em voz baixa, suspiros e olhar perdido. Não eram as músicas do rádio, mas cantigas que só ela sabia e falavam de amor ou de dança, num salão todo cheio de flores. Minha mãe repetia certas frases. Normas de vida. Em primeiro lugar, o marido, em segundo, o marido, em terceiro, o marido. Depois, os filhos. Sim, ela era muito feliz. Toda cheirosa, à espera de que meu pai voltasse do trabalho. Ela o esperava. Perfumes, silêncios, sussurros. Seu sorriso pequeno. Eu olhava. De longe.

CUNHA, H. P. Mulher no espelho. São Paulo: Art Ed. 1985. As escritoras, v. 4. p. 21.

V

GLAUCO. Casal Neuras. Folha de S. Paulo: Revista Família Brasileira. São Paulo, 7 out. 2007. p. 65.

VI. A cena do filme “Esqueceram de mim” (1992), em que a família enorme lota um único carro para viajar e logo começa o check-in, se repete final de semana sim, final de semana não, na casa de um casal e de seus seis filhos. Epa! Seis? Numa época em que a maioria dos casais tem dois filhos, de onde surgiu tanta criança?
Nada errado com o script dos dois filhos. O fenômeno aqui é de outra natureza, conectada não ao passado de proles enormes, e sim à, digamos, “miscigeração” — para cunhar um neologismo que tende a dar conta das novas famílias com filhos de casamentos desfeitos e refeitos.

BERGAMASCO, D.; BARBIERI, C. Bem-vindo à “miscigeração”. Folha de S. Paulo: Revista Família Brasileira. São Paulo, 7 out. 2007. p. 58.

A partir da leitura dos textos apresentados e incorporando sua experiência de vida, elabore um texto argumentativo em que você discuta as diferentes realidades da família brasileira.
Atenção!
Use a forma de prosa que julgar conveniente, entretanto, se escolher o gênero epistolar, lembre-se de que não deverá utilizar nenhuma identificação. Para respeitar a estrutura do texto, utilize um “Y” em lugar da assinatura.