Seguidores

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

"Reinauguração" - Carlos Drummond de Andrade

FELIZ ANO NOVO!


Reinauguração

Entre o gasto dezembro e o florido janeiro,
entre a desmitificação e a expectativa,
tornamos a acreditar, a ser bons meninos,
e como bons meninos reclamamos
a graça dos presentes coloridos.
Nossa idade — velho ou moço — pouco importa.
Importa é nos sentirmos vivos
e alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza, a
exata beleza que vem dos gestos espontâneos
e do profundo instinto de subsistir
enquanto as coisas em redor se derretem e somem
como nuvens errantes no universo estável.
Prosseguimos. Reinauguramos. Abrimos olhos gulosos
a um sol diferente que nos acorda para os
descobrimentos.
Esta é a magia do tempo.
Esta é a colheita particular
que se exprime no cálido abraço e no beijo comungante,
no acreditar na vida e na doação de vivê-la
em perpétua procura e perpétua criação.
E já não somos apenas finitos e sós.
Somos uma fraternidade, um território, um país
que começa outra vez no canto do galo de 1º de janeiro
e desenvolve na luz o seu frágil projeto de felicidade.

(Carlos Drummond de Andrade)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

"A flor no asfalto" — Otto Lara Resende
"Brasileiro, homem do amanhã" — Paulo Mendes Campos
"A última vez" — Fabrício Carpinejar
"Olhos de ressaca" — Machado de Assis

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Escritores falecidos em 2014

Escritores falecidos em 2014

A homenagem do blog “Veredas da Língua” a alguns grandes escritores luso-brasileiros que nos deixaram em 2014. Lembremo-nos das palavras de Machado quando da morte de José de Alencar:

E ao tornar este sol, que te há levado,
Já não acha a tristeza. Extinto é o dia
Da nossa dor, do nosso amargo espanto.

Porque o tempo implacável e pausado,
Que o homem consumiu na terra fria,
Não consumiu o engenho, a flor, o encanto...


Ariano Suassuna - escritor e dramaturgo brasileiro (1927 - 2014)




Ivan Junqueira - poeta brasileiro (1934 - 2014)
João Ubaldo Ribeiro - escritor e jornalista brasileiro (1941 - 2014)




Júlio Cesar Monteiro Martins - escritor brasileiro (1955 - 2014)
Manoel de Barros - 13/11/2014 - poeta brasileiro (1916 - 2014)




Nicolau Sevcenko - historiador e escritor brasileiro13/08/14 (1952 - 2014)
Rubem Alves - escritor, psicanalista, teólogo e educador brasileiro (1933 - 2014)




quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal!

Feliz Natal a todos!

"O nascimento de Cristo". Gerard van Honthorst.
Nas palavras de Santo Agostinho: “Fé é acreditarmos no que não vemos, a recompensa dessa fé é vermos aquilo em que acreditamos”.

Que a graça do menino Jesus ilumine todas as famílias nesta noite de Natal, levando a todos muita paz, amor e harmonia.

Litania do Natal

A noite fora longa, escura, fria.
Ai noites de Natal que dáveis luz,
Que sombra dessa luz nos alumia?
Vim a mim dum mau sono, e disse: «Meu Jesus…»
Sem bem saber, sequer, porque o dizia.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

Na cama em que jazia,
De joelhos me pus
E as mãos erguia.
Comigo repetia: «Meu Jesus…»
Que então me recordei do santo dia.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

Ai dias de Natal a transbordar de luz,
Onde a vossa alegria?
Todo o dia eu gemia: «Meu Jesus…»
E a tarde descaiu, lenta e sombria.

E o Anjo do Senhor: «Ave, Maria!»

De novo a noite, longa, escura, fria,
Sobre a terra caiu, como um capuz
Que a engolia.
Deitando-me de novo, eu disse: «Meu Jesus…»
E assim, mais uma vez, Jesus nascia.

(José Régio, in "Filho do Homem")



segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

"Veredas da Língua" - 1 milhão de visualizações!

"Veredas da Língua" - 1 milhão de visualizações!

Prof, Maurício Fernandes da Cunha

E o blog "Veredas da Língua" chega a 1 milhão de visualizações. Sempre com os alunos, para os alunos e pelos alunos.

Sinto-me extremamente lisonjeado e satisfeito com o retorno que obtenho dos internautas quanto ao conteúdo aqui disposto. 

Durante esses três anos e meio de postagens, o site foi fonte de pesquisa para milhares de estudantes, além de ter servido como material de apoio para a elaboração de provas e concursos, mantendo, assim, sua proposta inicial de servir de guia de consulta para os vestibulandos de todo o país.

Em homenagem aos meus alunos, reitero um de meus bordões em sala de aula: "THE LIÇÃO NEVER ENDS!" Claro que se trata de uma brincadeira, mas o fato é que também este espaço nunca ficará terminado por completo, pois ele é um processo de desenvolvimento contínuo, uma vez que os desafios da educação se renovam diariamente.

Walt Whitman escreveu certa vez:

"Esta manhã, antes do alvorecer, subi numa colina para admirar o céu povoado. E disse à minha alma: '- Quando abarcarmos esses mundos e o conhecimento e o prazer que encerram, estaremos finalmente fartos e satisfeitos?' E minha alma disse: '- Não, uma vez alcançados esses mundos, prosseguiremos no caminho'."

Prossigamos, pois, caros amigos, no caminho infindável do conhecimento.

Forte abraço a todos!

Prof. Maurício Fernandes da Cunha

www.veredasdalingua.blospot.com.br

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Texto: "A flor no asfalto" – Otto Lara Resende

A flor no asfalto

     Conheço essa estrada genocida, o começo da Rio-Petrópolis. Duvido que se encontre um trecho rodoviário ou urbano mais assassino do que esse. São tantos os acidentes que já nem se abre inquérito. Quem atravessa a avenida Brasil fora da passarela quer morrer. Se morre, ninguém liga. Aparece aquela velinha acesa, o corpo é coberto por uma folha de jornal e pronto. Não se fala mais nisso. 
"Death and the woman". Käthe Kollwitz

     Teria sido o destino de dona Creusa, se não levasse nas entranhas a própria vida. Na pista que vem para o Rio, a 20 metros da passarela de pedestres, dona Creusa foi apanhada por uma Kombi. O motorista tentou parar e não conseguiu. Em seguida, veio um outro carro, um Apolo, e sobreveio o segundo atropelamento. A mesma vítima. Ferida, o ventre aberto pelas ferragens, deu-se aí o milagre.
     Dona Creusa estava grávida e morreu na hora. Mas no asfalto, expelida com a placenta, apareceu uma criança. Coberta a mãe com um plástico azul, um estudante pegou o bebê e o levou para o acostamento. Nunca tinha visto um parto na sua vida. Entre os curiosos, uma mulher amarrou o umbigo da recém-nascida. Uma menina. Por sorte, vinha vindo uma ambulância. Depois de chorar no asfalto, o bebê foi levado para o hospital de Xerém.
     Dona Creusa, aos 44 anos, já era avó, mãe de vários filhos e viúva. Pobre, concentração humana de experiências e de dores, tinha pressa de viver. E era uma pilha carregada de vida. Quem devia estar ali era sua nora Marizete. Mas dona Creusa  se ofereceu para ir no seu lugar porque, grávida, não pagava a passagem. Com o dinheiro do ônibus podia comprar sabão. Levava uma bolsa preta, com um coração de cartolina vermelha.
     No cartão estava escrito: quinta-feira. Foi o dia do atropelamento. Apolo é o símbolo da vitória sobre a violência. Diz o poeta Píndaro que é o deus que põe no coração o amor da concórdia. No hospital, sete mães disputaram o privilégio de dar de mamar ao bebê. A vida é forte. E bela, apolínea, apesar de tudo. Por que não?

(Otto Lara Rezende, Folha de S. Paulo, 30/05/1992)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

"Brasileiro, homem do amanhã" — PauloMendes Campos
"A última vez" — Fabrício Carpinejar
"Café com leite" — Antonio Maria
"Reinauguração" — Carlos Drummond deAndrade

Prova de Língua Portuguesa – Mackenzie – 2012 - 2º Semestre

Universidade Mackenzie – Vestibular - 2012 - 2º Semestre – Prova de Língua Portuguesa


Textos para as questões de 01 a 05

Texto I

            Temos uma notícia triste: o coração não é o órgão do amor! Ao contrário do que dizem, não é ali que moram os sentimentos. Puxa, para que ele serve, afinal? Calma, não jogue o coração para escanteio, ele é superimportante. “É um órgão vital. É dele a função de bombear sangue para todas as células do nosso corpo”, explica Sérgio Jardim, cardiologista do Hospital do Coração. Ele é um músculo oco, por onde passa o sangue, e tem dois sistemas de bombeamento independentes. Com essas “bombas”, ele recebe o sangue das veias e lança para as artérias. Para isso, contrai e relaxa, diminuindo e aumentando de tamanho. E o que tem a ver com o amor? “Ele realmente bate mais rápido quando uma pessoa está apaixonada. O corpo libera adrenalina, aumentando os batimentos cardíacos e a pressão arterial”.

O Estado de S.Paulo, 09/06/2012, caderno suplementar, p. 6

Texto II

            Para os egípcios, o coração era o centro do pensamento. Eles acreditavam que o órgão controlava as emoções e as funções nervosas e seria capaz de guardar as lembranças de coisas boas e ruins. Eles até pesavam o coração em uma balança! Se fosse leve, queria dizer que a pessoa era boa e teria um lugar junto aos deuses. Já os sacerdotes astecas arrancavam o coração do peito do inimigo vivo para oferecê-los aos deuses.

O Estado de S.Paulo, 09/06/2012, caderno suplementar, p. 6

Questão nº 01 - Assinale a alternativa correta sobre o Texto I.

a) Trata-se de texto narrativo, na medida em que apresenta personagens envolvidos em enredo que se encaminha para um clímax final.
b) O leitor depara-se com estrutura tipicamente descritiva, na qual se expõem características e peculiaridades do objeto tratado.
c) Em uma construção expositiva, o objetivo central do texto é transmitir informações a respeito do coração, em uma linguagem informal e não técnica.
d) Observa-se predomínio do jargão técnico na apresentação do assunto do texto, o que se evidencia ainda mais com a referência a opiniões de um especialista no assunto.
e) Partindo de uma tese central, o texto elabora argumentos de natureza hipotético-dedutiva para defender o ponto de vista do veículo que o divulga.

Questão nº 02 - Assinale a alternativa correta sobre o Texto II.

a) Expõe justificativas para conteúdos apresentados e defendidos no Texto I.
b) A pontuação de caráter subjetivo, como o ponto de exclamação, indicia que estamos diante de um texto expressivo, de posicionamento pessoal das sensações de seu autor.
c) Utiliza linguagem irônica que, o tempo todo, procura direcionar o leitor para a tese de que os antigos jamais alcançaram algum tipo de sabedoria.
d) Estabelece diálogo intertextual com o texto I, na medida em que apresenta outras informações sobre um tema em comum, vistos, no entanto, de perspectivas diferentes.
e) Como no texto I, são expostos posicionamentos de caráter científico em tudo coincidentes com visões contemporâneas sobre o funcionamento do corpo humano.

Questão nº 03 - Assinale a alternativa correta.

a) No texto I, os dois pontos (linha 01) introduzem uma sequência linguística que se relaciona com a anterior estabelecendo uma relação de oposição.
b) No texto I, a expressão puxa (linha 03) indicia a presença de um tom de informalidade, uma vez que tem valor de interjeição.
c) No texto I, a pergunta E o que tem a ver com o amor? (linhas 10 e 11) é na verdade retórica, prescindindo, assim, de uma resposta de fato, como se evidencia na sequência do texto.
d) No texto II, a partícula até (linha 04) denota a delimitação de um limite temporal relacionado à ideia central do fragmento.
e) No texto II, a expressão Se fosse leve (linha 04) relaciona-se com o fragmento que lhe é posterior, estabelecendo ideia de causalidade.

Questão nº 04 - Considere as seguintes afirmações sobre os textos:

I. Há índices da presença da função expressiva da linguagem e da função conativa, com destaque para o diálogo estabelecido com o leitor.
II. Linguagem figurada, comparações e uso de argumento de autoridade são alguns dos recursos utilizados na construção textual.
III. Os textos apresentam como objetivo principal persuadir o leitor para colaborar em uma campanha implicitamente sugerida.
Assinale:

a) se apenas as afirmações I e II estiverem corretas.
b) se apenas as afirmações I e III estiverem corretas.
c) se apenas as afirmações II e III estiverem corretas.
d) se as afirmações I, II e III estiverem corretas.
e) se as afirmações I, II e III estiverem incorretas.

Questão nº 05 - Da leitura dos textos infere-se corretamente que:

a) assim como os egípcios e os sacerdotes astecas pensavam, o coração funciona apenas para bombear sangue para outros órgãos do corpo humano, possibilitando a circulação de hormônios como a adrenalina.
b) o peso do coração deve-se ao fato de ele ser um músculo oco e muito leve que, na verdade, apresenta como funções vitais relacionar-se com o cérebro, na articulação do pensamento e da cognição humana.
c) é impossível provar com evidências que o coração relaciona-se com o estado emocional dos indivíduos, sendo sua função primordial o controle de um hormônio chamado de adrenalina.
d) a variação do tamanho do coração deve-se ao fato de que seu peso está relacionado à quantidade de adrenalina que o corpo humano produz, dependendo do estado emocional do indivíduo.
e) ao contrário da imagem poética e dos saberes antigos, a visão contemporânea sobre o coração está predominantemente vinculada a descobertas científicas sobre o funcionamento do corpo humano.
Textos para as questões de 06 a 08

Texto I

Mais claro e fino do que as finas pratas
o som da tua voz deliciava…
Na dolência velada das sonatas
como um perfume a tudo perfumava.

Era um som feito luz, eram volatas
em lânguida espiral que iluminava,
brancas sonoridades de cascatas…
Tanta harmonia melancolizava.

Cruz e Sousa

Observação – volatas: progressão de notas musicais / dolência: sofrimento

Texto II

Antes de tudo, a Música. Preza
Portanto o Ímpar. Só cabe usar
O que é mais vago e solúvel no ar,
Sem nada em si que pousa ou que pesa.

Verlaine (Trad. de Augusto de Campos)

Questão nº 06 - A leitura do texto I confirma que:

a) o eu lírico expressa sua particular percepção do som inebriante de uma orquestra de vozes harmoniosas, como prova o uso da expressão dolência velada das sonatas (v.3).
b) o poeta expressa subjetivamente a impressão que lhe causava o som da voz do interlocutor, conforme se pode compreender da leitura do verso 2.
c) o autor descreve com metáforas sombrias o cantar melancólico de sua musa, por isso afirma, no verso 8, que Tanta harmonia melancolizava.
d) o eu lírico tem uma visão idealizada da falecida amada; daí o uso do verbo no passado imperfeito (deliciava, perfumava etc.).
e) o autor narra o envolvimento amoroso que marcou sua vida – som da tua voz deliciava…(v.2) – e, ao mesmo tempo, lamenta, no verso 8, a perda da mulher amada.

Questão nº 07 -  A proposta estética expressa no texto II realiza-se em I por meio dos seguintes expedientes estilísticos, EXCETO:

a) recorrência de sons vocálicos e consonantais.
b) metáforas que sugerem volatilidade.
c) léxico requintado.
d) sinestesias.
e) rupturas sintáticas.

Questão nº 08 - Considerados os seus principais traços estilísticos, o texto I exemplifica:

a) uma tendência estética da primeira metade do século XIX que valoriza a assimetria da forma e a temática espiritualista.
b) aspectos importantes da arte parnasiana: o apuro formal preconizado pelo ideal da arte pela arte e a impassibilidade.
c) o modo pelo qual a literatura do final do século XIX reaproveita, de modo original, uma forma poética da tradição.
d) a estética clássico-renascentista, em que se destaca a regularidade métrica e a contenção emotiva.
e) preceitos estéticos que caracterizaram o Modernismo brasileiro, em especial a musicalidade e a valorização da percepção sensorial.

Texto para as questões de 09 a 11

            As crônicas da vila de Itaguaí dizem que em tempos remotos vivera ali um certo médico, o Dr. Simão Bacamarte, filho da nobreza da terra e o maior dos médicos do Brasil, de Portugal e das Espanhas. [...] Aos quarenta anos casou com D. Evarista da Costa e Mascarenhas, senhora de vinte e cinco anos, viúva de um juiz-de-fora, e não bonita nem simpática. Um dos tios dele, caçador de pacas perante o Eterno, e não menos franco, admirou-se de semelhante escolha e disse-lho. Simão Bacamarte explicou-lhe que D. Evarista reunia condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem, digeria com facilidade, dormia regularmente, tinha bom pulso, e excelente vista; estava assim
apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes. [...] D. Evarista mentiu às esperanças do Dr. Bacamarte, não lhe deu filhos robustos nem mofinos.

Machado de Assis, trecho inicial do conto “O alienista”

Observação –caçador de pacas perante o Eterno: alusão ao rei Nimrod, poderoso, arrogante e herege, famoso também por ser exímio caçador de javalis. A expressão, extraída do texto bíblico, tem conotações irônicas.

Questão nº 09 - Assinale a alternativa correta.

a) A referência às crônicas da vila de Itaguaí (linha 01), como documento de que se extraiu o relato, prova que o conto resultou de um fato verídico.
b) A informação de que D.Evarista não era bonita nem simpática (linhas 05 e 06) corrobora para a hipótese de que estava assim apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes (linhas 10 e 11).
c) A frase D. Evarista mentiu às esperanças do Dr.Bacamarte (linha 12) insinua que a mulher, embora sabendo de sua infertilidade, nada revelou ao marido.
d) A razão pela qual o médico intencionava casar-se era a possibilidade de procriar, já que avaliava positivamente o fato de a mulher reunir condições fisiológicas e anatômicas de primeira ordem (linhas 08 e 09).
e) O tio do Dr. Simão posicionou-se contra o casamento, exclusivamente pelo fato de D. Evarista não ter aqueles atributos femininos que tanto apreciava, ou seja, não ser bonita nem simpática (linhas 05 e 06).

Questão nº 10 - Com base no texto, considere as seguintes afirmações sobre Machado de Assis:

I. Embora pertença ao Realismo, produziu também, na juventude, obras naturalistas, como, por exemplo, “O alienista”, conto em que valoriza o cientificismo da época.
II. Posicionou-se criticamente com relação aos valores de seu tempo, questionando a supremacia da perspectiva científica vigente na segunda metade do século XIX.
III. A concepção irônica da vida já se revela no fragmento lido, na medida em que se frustra a confiança na avaliação científica do biótipo da mulher.
Assinale:

a) se as afirmações I, II e III estivem corretas.
b) se apenas as afirmações I e II estiverem corretas.
c) se apenas as afirmações II e III estiverem corretas.
d) se apenas as afirmações I e III estiverem corretas.
e) se as afirmações I, II e III estiverem incorretas.

Questão nº 11 - Assinale a alternativa INCORRETA.

a) Em disse-lho (linha 07) temos uma forma arcaica com o mesmo sentido de “disse a ele”.
b) A forma verbal vivera (linha 02) é prova de que o tempo do relato não coincide com o tempo da história.
c) A expressão não bonita nem simpática (linhas 05 e 06) pode ser lida como um eufemismo, assim como em “De fato, ele não gosta muito de trabalhar.”
d) A expressão em tempos remotos (linha 01) pode ser corretamente substituída por “há muito tempo”.
e) A palavra assim (linha 10), elemento de coesão, estabelece relação conclusiva entre as orações a que se refere.


Leia também:

FUVEST 2004 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa
FATEC 2012 – 2º Semestre – Prova de Língua Portuguesa
UNESP 2010 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa
FUVEST 2011 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa
UNESP 2012 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa
FGV– ADM – 2013 – 2º semestre – Prova de Língua Portuguesa

Temas de redação – Mackenzie – 2014

Temas de redação – Mackenzie – 2014


Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2014 – 1º semestre

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.

Obs.: O texto deve ter título e estabelecer relação entre o que é apresentado nos textos da coletânea.

Texto I

            No momento em que o golpe de 1964 completa 50 anos, a democracia brasileira bate um recorde. A convicção no modelo democrático como a melhor via a ser trilhada nunca foi tão alta [...].
         Para 62% dos brasileiros, a democracia “é sempre melhor que qualquer outra forma de governo”. Apenas 16% afirmam que “tanto faz se for uma democracia ou uma ditadura”. E 14% admitem que “em certas circunstâncias, é melhor uma ditadura”.

Folha de S.Paulo, 30/03/2014, p. A4

Texto II

          Estava eu na sucursal do jornal “O Estado de S.Paulo”, no Rio, quando chegou a notícia de que o general Mourão Filho, comandante da Quarta Divisão de Infantaria, sediado em Juiz de Fora, havia se sublevado contra o presidente João Goulart. Era o dia 31 de março de 1964.
         Imediatamente, entrei em contato com os companheiros do Centro Popular de Cultura (CPC), certo de que devíamos nos reunir naquela noite para ver que atitude tomar. Não demorou muito e juntamente com a direção da UNE (União Nacional dos Estudantes), decidiu-se convocar os artistas e intelectuais para encontrarmos um modo de resistir à tentativa de golpe.

Ferreira Gullar

Texto III

Folha de S.Paulo, 13/03/2009, p. A2

Temas de redação – Mackenzie – Vestibular 2014 – 2º semestre

Redija uma dissertação a tinta, desenvolvendo um tema comum aos textos abaixo.
Obs.: O texto deve ter título e estabelecer relação entre o que é apresentado nos textos da coletânea.

Texto I

            Dados da edição de 2012 da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência, mostram que os brasileiros estão cada vez mais trocando o hábito de ler jornais, revistas, livros e textos na internet por atividades como ver televisão, assistir a filmes em DVD, reunir-se com amigos e família e navegar na rede de computadores por diversão.

Portal G1 Educação

Texto II

            O problema não é o computador ou a TV, é o uso excessivo deles. Tem criança que fica o dia inteiro com as telinhas ligadas. Não pode. É preciso ter hora para brincar, estudar, sair, comer e, claro, também para o computador e a TV. Tem que ter disciplina.

Ruth Rocha, escritora

Texto III

            O computador pode ser um instrumento que desenvolva o hábito da leitura em crianças usuárias desta ferramenta podendo, portanto, melhorar a capacidade intelectual delas, e ainda possibilitar a realização de atividades lúdicas que contribuem para atrair a atenção e o interesse de leitores iniciantes.

Valéria Gomes da Silva e Elieuza Aparecida de Lima, pesquisadoras


Leia também:
Tema de redação – FUVEST 2014
Tema de redação – FUVEST 2013
Tema de redação – FATEC 2013 – 2º Semestre
Tema de Redação - UFG - 2013 - 2º Semestre
Tema de Redação - UFRJ - 2011

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Texto: "Brasileiro, homem do amanhã" – Paulo Mendes Campos

Brasileiro, homem do amanhã


            Há, em nosso povo, duas constantes que nos induzem a sustentar que o Brasil é o único país brasileiro de todo o mundo. Brasileiro até demais. Colunas da brasilidade, as duas colunas são: a capacidade de dar um jeito; a capacidade de adiar.
           A primeira é, ainda, escassamente desconhecida, e nada compreendida, no exterior; a segunda, no entanto, já anda bastante divulgada lá fora, sem que,direta ou sistematicamente, o corpo diplomático contribua para isso.
         Aquilo que Oscar Wilde e Mark Twain diziam apenas por humorismo (“Nunca se fazer amanhã aquilo que se pode fazer depois de amanhã”), não é, no Brasil, uma deliberada norma de conduta, uma diretriz fundamental. Não, é mais, é bem mais forte do que qualquer princípio da vontade: é um instinto inelutável, uma força espontânea da estranha e surpreendente raça brasileira. Para o brasileiro, os atos fundamentais da existência são: nascimento, reprodução, procrastinação e morte (esta última, se possível, também adiada). 
Michael Cheval.
        Adiamos em virtude de um verdadeiro e inevitável estímulo inibitório, do mesmo modo que protegemos os olhos com a mão, ao surgir, na nossa frente, um foco luminoso intenso. A coisa deu em reflexo condicionado: proposto qualquer problema a um brasileiro, ele reage, de pronto, com as palavras: logo à tarde, só à noite, amanhã, segunda-feira; depois do Carnaval; no ano que vem.
         Adiamos tudo: o bem e o mal, o bom e o mau, que não se confundem, mas, tantas vezes, se desemparelham. Adiamos o trabalho, o encontro, o almoço, o telefonema, o dentista (o dentista nos adia),a conversa séria, o pagamento do imposto de renda, as férias, a reforma agrária, o seguro de vida, o exame médico, a visita de pêsames, o conserto do automóvel, o concerto de Beethoven, o túnel para Niterói, a festa de aniversário da criança, as relações com a China, tudo. Até o amor. Só a morte e a promissória são, mais ou menos, pontuais entre nós. Mesmo assim, há remédio para a promissória: o adiamento bi ou trimestral das reformas, uma instituição sacrossanta no Brasil.
         Quanto à morte, não devem ser esquecidos dois poemas típicos do Romantismo: na “Canção do Exílio”, Gonçalves Dias roga a Deus não permitir que ele morra sem que volte para lá, isto é, para cá. Já Álvares de Azevedo tem aquele poema famoso, cujo refrão é sintomaticamente brasileiro: “Se eu morresse amanhã...”. Como se vê, nem os românticos aceitavam morrer hoje, postulando a Deus prazos mais confortáveis.
        Sim, adiamos por força de um incoercível destino nacional, do mesmo modo que, por obra do fado, o francês poupa dinheiro, o inglês confia no Times, o português adora bacalhau, o alemão trabalha com furor disciplinado, o espanhol se excita com a morte, o japonês esconde o pensamento, o americano escolhe a gravata sempre mais colorida.
         O brasileiro adia; logo, existe.
         A divulgação dessa nossa capacidade autóctone para a incessante delonga transpõe as fronteiras e o Atlântico. A verdade é que já está nos manuais. Ainda há pouco, lendo um livro francês sobre o Brasil, incluído numa coleção quase didática de viagens, encontrei, no fim do volume, algumas informações essenciais sobre nós e a nossa terra. Entre endereços de embaixadas e consulados, estatísticas, indicações culinárias, o autor intercalou o seguinte tópico:
        DES MOTS : Hier = ontem;
        Aujourd’hui = hoje;
        Demain = amanhã.
        Le seul important est le dernier.
        A única palavra importante é última.

         Ora, esse francês astuto agarrou-nos pela perna. O resto eu adio para a semana que vem.

(Paulo Mendes Campos)

Leia também:

sábado, 13 de dezembro de 2014

TEMA DE REDAÇÃO – FATEC 2014 – 2º Semestre

TEMA DE REDAÇÃO – FATEC 2014 – 2º Semestre

Redação

Leia a coletânea a seguir.

Texto 1– Escola x Trabalho

            O coordenador regional da Coordenadoria Nacional de Combate à Exploração do Trabalho de Crianças e Adolescentes (Coordinfância) aponta o trabalho infantil como uma das causas da evasão escolar. “Tudo começa pela vulnerabilidade socioeconômica da família, então os filhos acabam por terem que trabalhar para ajudar na renda da casa, dividindo o tempo entre escola e trabalho”, explica. “Uma criança que consegue angariar algum valor acaba largando a escola porque ela vê ali uma solução imediata, o ambiente escolar passa a perder o sentido. O trabalho tem muita influência para que um jovem deixe de frequentar a escola. Para poder trabalhar durante o dia, é comum os alunos optarem pelo período noturno escolar. Porém, cansados, não conseguem acompanhar as aulas. Trabalhando o dia inteiro, esses meninos e meninas ainda em formação física e psicológica têm seu rendimento afetado ou deixam de frequentar a escola por cansaço. Geralmente, essas crianças não vão trabalhar em escritório, e sim em trabalhos que adultos não querem fazer e que envolvem esforço físico.”
            Para o coordenador nacional do combate à exploração do trabalho de crianças e adolescentes do Ministério Público do Trabalho (MPT), muitas dessas crianças e adolescentes estão perdendo a sua capacidade de elaborar um futuro. “Eles estão desenvolvendo doenças de trabalho que os incapacitam para a vida produtiva quando se tornarem adultos. Essa é uma das mais perversas formas de violação dos direitos humanos de crianças e adolescentes.”

(http://tinyurl.com/aprendizagem-escola-trabalho. Acesso em: 22.03.14. Adaptado)

Texto 2 – Jovem Aprendiz dos Correios divulga balanço de inscritos por município

            Jovens e adolescentes que estão prestes a entrar no mercado de trabalho têm nos programas de estágio e de jovem aprendiz uma ótima oportunidade para ganhar experiência e sair na frente em futuros recrutamentos e seleções. (...)
            O jovem aprendiz tem entre 14 e 24 anos de idade e está matriculado em um programa de aprendizagem numa ONG, escola técnica ou Sistema S. Ele passa pela aprendizagem teórica em alguma dessas instituições e coloca esse conhecimento em prática em alguma empresa.(...)
            O Jovem Aprendiz é regido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Já o estágio tem uma lei própria, não é CLT e, portanto, não gera vínculo empregatício, é uma atividade educacional.

(http://www.ebc.com.br/educacao/2014/01/jovem-aprendiz-e-estagio-esclareca-as-principais-duvidas. Acesso em: 22.03.14. Adaptado)

Texto 3 – Uma geração “nem-nem”

            Às 10h, eles mal acabaram de acordar; às 14h, sentam-se à mesa para saborear a comidinha da mamãe; no fim da tarde, estão na lan house mais próxima; e, lá pelas 22h, se produzem para encarar a balada sem hora para terminar. No meio dessa maratona, ainda encontram tempo para perambular por shoppings, encontrar os amigos, ficar horas falando ao celular ou de olhos grudados no videogame.(...)
            Apelidada pelos especialistas em comportamento de “geração nem-nem”, essa turma cresce e aparece nas pesquisas do IBGE como aquela que nem trabalha nem estuda e tampouco participa das tarefas domésticas.

(http://www.trela.com.br/arquivo/uma-geracao-nem-nem. Acesso em :22.03.14. Adaptado)

A partir das ideias apresentadas na coletânea acima, elabore um texto dissertativo-argumentativo, em prosa, discutindo a relação entre o trabalho na adolescência e a evasão escolar.

Instruções:

1. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para consolidar suas ideias e pontos de vista.
2. Não copie trechos dos textos selecionados.
3. Organize seu texto obrigatoriamente em parágrafos.
4. Dê um título à sua redação.
5. Apresente a versão definitiva da redação escrita a tinta e na folha específica.


Leia também:
Tema de redação – FUVEST 2014
Tema de redação – FUVEST 2013
Tema de redação – FATEC 2013 – 2º Semestre
Tema de Redação - UFG - 2013 - 2º Semestre
Tema de Redação - UFRJ - 2011

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

TEMA DE REDAÇÃO – FATEC 2014 – 1º Semestre

TEMA DE REDAÇÃO – FATEC 2014 – 1º Semestre

Redação

Texto 1

            Uma pesquisa da União Europeia, realizada com países que lideram as maiores economias do mundo, colocou o Brasil como um dos países com maior tendência para o empreendedorismo.
            A pesquisa, de julho de 2012, apontou que 63% dos brasileiros preferem trabalhar em um negócio próprio. O índice dos que preferem trabalhar como empregados ficou em 33%. O resultado deixou o Brasil em segundo lugar entre as nações pesquisadas.
            Renato Fonseca, gerente do Sebrae-SP, afirma que nosso país passou por uma mudança na motivação dos empreendedores, indo da necessidade de sobrevivência para a identificação de uma oportunidade. “O que norteia a abertura de empresa no Brasil hoje é a oportunidade. O empreendedorismo por necessidade é frágil”, afirma.

(Daniel Tremel, Folha de S. Paulo, 14.01.2013. Adaptado)

Texto 2

            Quantas vezes alguém teve vontade de largar seu emprego? Nestes momentos, a primeira coisa que vem à mente dessa pessoa é: “vou deixar o emprego nessa empresa e vou partir para o meu negócio próprio, daí não precisarei mais dar satisfação para ninguém e serei dono do meu próprio nariz”.
            Porém, uma decisão por impulso leva o indivíduo a desconsiderar vários aspectos importantes, que podem fazer com que se tome uma decisão errada.
            Muitos erram já em um primeiro momento, quando decidem investir em algo para o qual não estão preparados e que pode exigir muito mais de sua capacidade. Na sequência, onde ele irá se instalar, qual estrutura terá, com quem irá se associar, onde captar recursos financeiros adicionais etc. E com o negócio já em andamento, surgem outras dificuldades...
            Aí bate a saudade dos tempos em que essa pessoa trabalhava para uma empresa. Lá o seu salário era depositado todo final de mês, tinha plano de saúde, férias, bonificações e nem precisava trabalhar tanto. “Eu era feliz e não sabia...”
            Portanto, se alguém estiver pensando em se tornar um empreendedor, deve avaliar com cuidado todos os detalhes e exigências do novo empreendimento. Só valerá a pena se essa pessoa se sentir muito preparada para enfrentar todas as situações que poderão surgir no seu caminho.

(Nelson Fukuyama. Disponível em: www.catho.com.br/carreira-sucesso/colunistas/nelson-fukuyama/vale-a-pena-largar-o-seu-emprego-e-ter-um-negocio-proprio Acesso em:
27.08.2013. Adaptado)

Após a leitura dos textos 1 e 2, elabore uma dissertação, de acordo com as normas gramaticais da língua portuguesa, sobre o tema:

Vida profissional: ter um negócio próprio ou trabalhar como empregado de uma empresa?

Instruções:

1. Selecione, organize e relacione argumentos, fatos e opiniões para sustentar suas ideias e pontos de vista.
2. Não copie trechos dos textos selecionados.
3. Organize seu texto obrigatoriamente em parágrafos.
4. Dê um título à sua redação.
5. Apresente a versão definitiva da redação escrita a tinta e na folha específica.


Tema de redação – FUVEST 2014
Tema de redação – FUVEST 2013
Tema de Redação - UFG - 2013 - 2º Semestre
Tema de Redação - UFRJ - 2011