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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Texto: “O Coronel e o Lobisomem” – José Cândido de Carvalho

O Coronel e o Lobisomem

Em vão tentei retirar de mim tais quebrantos. Por dentro do luar, de rédea perdida, viajei tempo sem conta. Ao dar acordo de Ponciano, já o ventão da costa andava longe e um jeito de alma penada imperava nos ermos. Nesse entrementes, tive a atenção chamada por uns pés de cuité, onde um vulto parecia escondido. Freei no supetão, não fosse uma tocaia armada contra a minha pessoa. Cocei as armas, pronto para limpar a estrada a fogo de garrucha. Mas o luar pulou na frente e desbaratou o vulto da cuitezeira, que não passava de um mal-entendido da noite. Aliviado, catuquei a mula de sobre-leve. Não acusou roseta. Piquei de novo, e quem disse que ela arredava casco da estrada? Orelha em pé como bicho em presença de perigo, a teimosa fincou as patas no calhau. Mais uma vez risquei espora na barriga dela e de novo a bichinha rejeitou as ordens. Conhecedor das manhas dos escuros, não quis fazer prevalecer a vontade do coronel, embora tivesse poder para tanto. Deixei de lado esse direito e procurei entrar em entendimento com a birrenta: 
        – Que faniquito é esse? Respeite a patente e deixe de ficar sestrosa.
Foi quando, sem mais nem menos, deu entrada no meu ouvido aquele assovio fininho, vindo não atinei de onde. Podia ser cobra em vadiagem de luar. Se tal fosse, a mula andava recoberta de razão. Por isso, dei prazo de espera para que a peçonha saísse no claro. Nisso, outro assobio passou rentoso de minha barba, com tanta maldade que a mula estremeceu da anca ao casco, ao tempo em que sobrevinha do mato um barulho de folha pisada. Inquiri dentro do regulamento militar:
– Quem vem lá?
De resposta tive novo assobio. Num repente, relembrei estar em noite de lobisomem – era sexta-feira. Tanto caçoei do povo de Juca Azeredo que o assombrado tomou a peito tirar vingança de mim, como avisou o Sinhozinho. Pois muito pesar levava eu não poder, em tal estado, dar provimento ao caso dele. Sujeito de patente, militar em serviço de água benta, carecia de consentimento para travar demanda com lobisomem ou outra qualquer penitência dos pastos, mesmo que fosse uma visagenzinha de menino pagão. Sempre fui cioso de lei e não ia em noite de batizado manchar, na briga de estrada, galão e patente:
– Nunca!
A mulinha, a par de tamanha responsabilidade, que mula sempre foi bicho de grande entendimento, largou os cascos na poeira. Para a frente a montaria não andava, mas na direção do Sobradinho corria de vento em popa. Já um estirão era andado quando, numa roça de mandioca, adveio aquele figurão de cachorro, uma peça de vinte palmos de pelo e raiva. Na frente de ostentação tão provida de ódio, a mulinha de Ponciano debandou sem minha licença por terra de dormideira e cipó, onde imperava toda a raça de espinho, caruru-de-sapo e roseta-de-frade. 
O luar era tão limpo que não existia matinho desimportante para as suas claridades – tudo vinha à tona, de quase aparecer raiz. Aprovei a manobra da mula na certeza de que lobisomem algum arriscava sua pessoa em tamanho carrascal. Enganado estava eu. Atrás, abrindo caminho e destorcendo mato, vinha o vigancista do lobisomem. Roncava como porco cevado. Assim acuada, a mulinha avivou carreira, mas tão desinfeliz que embaralhou a pata do coice numas embiras-de-corda. Não tive mais governo de sela e rédea. Caí como sei cair, em posição militar, pronto para repelir qualquer ofendimento. Digo, sem alarde, que o lobisomem bem podia sair da demanda sem avaria ou agravo, caso não fosse um saco de malquerença. Estando eu em retirada, pelo motivo já sabido de ser portador de galão e patente, não cabia a mim entrar em arruaça desguarnecido de licença superior. Disso não dei conta ao enfeitiçado, do que resultou a perdição dele. Como disse, rolava eu no capim, pronto a dar ao caso solução briosa, na hora em que o querelante apresentou aquela risada de pouco caso e deboche:
– Quá-quá-quá...
Não precisou de mais nada para que o gênio dos Azeredos e demais Furtados viesse de vela solta. Dei um pulo de cabrito e preparado estava para a guerra do lobisomem. Por descargo de consciência, do que nem carecia, chamei os santos de que sou devocioneiro:
– São Jorge, Santo Onofre, São José!
Em presença de tal apelação, mais brabento apareceu a peste. Ciscava o chão de soltar terra e macega no longe de dez braças ou mais. Era trabalho de gelar qualquer cristão que não levasse o nome de Ponciano de Azeredo Furtado.
Dos olhos do lobisomem pingava labareda, em risco de contaminar de fogo o verdal adjacente. Tanta chispa largava o penitente que um caçador de paca, estando em distância de bom respeito, cuidou que o mato estivesse ardendo. Já nessa altura eu tinha pegado a segurança de uma figueira e lá de cima, no galho mais firme, aguardava a deliberação do lobisomem. Garrucha engatilhada, só pedia que o assombrado desse franquia de tiro. Sabidão, cheio de voltas e negaças, deu ele de executar macaquices que nunca cuidei lobisomem pudesse fazer. Aquele par de brasas espiava aqui e lá na esperança de que eu pensasse ser uma súcia deles e não uma pessoa sozinha. O que o galhofista queria era que eu, coronel de ânimo desenfreado, fosse para o barro denegrir a farda e deslustrar a patente. Sujeito especial em lobisomem como eu não ia cair em armadilha de pouco pau. No alto da figueira estava, no alto da figueira fiquei. Diante de tão firme deliberação, o vingativo mudou o rumo da guerra. Caiu de dente no pé de pau, na parte mais afunilada, como se serrote fosse:
– Raque-raque-raque.
Não conversei – pronto dois tiros levantaram asa da minha garrucha. Foi o mesmo que espalhar arruaça no mato todo. Subiu asa de tudo que era bicho da noite e uma sociedade de morcegos escureceu o luar. No meio da algazarra, já de fugida, vi o lobisomem pulando coxo, de pernil avariado, língua sobressaída na boca. Na primeira gota de sangue a maldição desencantava, como é de lei e dos regulamentos dessa raça de penitentes. No raiar do dia, sujeito que fosse visto de perna trespassada, ainda ferida verde, podia contar, era o lobisomem.

(José Cândido de Carvalho, in “O Coronel e o Lobisomem”)


Leia também:
"Tormento não tem idade" - Moacyr Scliar
Mário de Sá-Carneiro - Poemas
"A repartição dos pães" - Clarice Lispector

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domingo, 22 de setembro de 2013

Camilo Pessanha – Poemas

Camilo Pessanha

Caminho – I

Tenho sonhos cruéis; n'alma doente
Sinto um vago receio prematuro. 
Vou a medo na aresta do futuro,
Embebido em saudades do presente...

Saudades desta dor que em vão procuro
Do peito afugentar bem rudemente,
Devendo, ao desmaiar sobre o poente,
Cobrir-me o coração dum véu escuro!...

Porque a dor, esta falta d'harmonia,
Toda a luz desgrenhada que alumia
As almas doidamente, o céu d'agora,

Sem ela o coração é quase nada:
Um sol onde expirasse a madrugada,
Porque é só madrugada quando chora.

(Camilo Pessanha)

Caminho – II

Encontraste-me um dia no caminho
Em procura de quê, nem eu o sei.
– Bom dia, companheiro – te saudei,
Que a jornada é maior indo sozinho.

É longe, é muito longe, há muito espinho!
Paraste a repousar, eu descansei...
Na venda em que poisaste, onde poisei,
Bebemos cada um do mesmo vinho.

É no monte escabroso, solitário.
Corta os pés como a rocha dum calvário,
E queima como a areia!... Foi no entanto

Que choramos a dor de cada um...
E o vinho em que choraste era comum:
Tivemos que beber do mesmo pranto.

(Camilo Pessanha)

Caminho – III

Fez-nos bem, muito bem, esta demora:
Enrijou a coragem fatigada...
Eis os nossos bordões da caminhada,
Vai já rompendo o sol: vamos embora.

Este vinho, mais virgem do que a aurora,
Tão virgem não o temos na jornada...
Enchamos as cabaças: pela estrada,
Daqui inda este néctar avigora!...

Cada um por seu lado!... Eu vou sozinho,
Eu quero arrostar só todo o caminho,
Eu posso resistir à grande calma!...

Deixai-me chorar mais e beber mais,
perseguir doidamente os meus ideais,
E ter fé e sonhar – encher a alma.

(Camilo Pessanha)


"The Flute Player". Frederick McCubbin.
Ao Longe os Barcos de Flores

Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila,

– Perdida voz que de entre as mais se exila,
– Festões de som dissimulando a hora.

Na orgia, ao longe, que em clarões cintila
E os lábios, branca, do carmim desflora...
Só, incessante, um som de flauta chora,
Viúva, grácil, na escuridão tranquila.

E a orquestra? E os beijos? Tudo a noite, fora,
Cauta, detém. Só modulada trila
A flauta flébil... Quem há-de remi-la?
Quem sabe a dor que sem razão deplora?

Só, incessante, um som de flauta chora... 

(Camilo Pessanha)

Em um Retrato

De sob o cômoro quadrangular
Da terra fresca que me há de inumar,
E depois de já muito ter chovido,
Quando a erva alastrar com o olvido,

Ainda, amigo, o mesmo meu olhar
Há de ir humilde, atravessando o mar,
Envolver-te de preito enternecido,
Como o de um pobre cão agradecido.

(Camilo Pessanha, in “Clepsidra”)

O meu coração desce

O meu coração desce,
Um balão apagado...
– Melhor fora que ardesse,
Nas trevas, incendiado. 

Na bruma fastidienta.
Como um caixão à cova...
– Porque antes não rebenta
De dor violenta e nova?!

Que apego ainda o sustém?
Átomo miserando...
– Se o esmagasse o trem
Dum comboio arquejando!...

O inane, vil despojo
Da alma egoísta e fraca!
Trouxesse-o o mar de rojo,
Levasse-o a ressaca.

(Camilo Pessanha, in “Clepsidra”)

Floriram por engano as rosas bravas

Floriram por engano as rosas bravas 
"Spring". Lawrence Alma-Tadema.
No Inverno: veio o vento desfolhá-las...
Em que cismas, meu bem? Porque me calas
As vozes com que há pouco me enganavas?

Castelos doidos! Tão cedo caístes!...
Onde vamos, alheio o pensamento,
De mãos dadas? Teus olhos, que num momento
Perscrutaram nos meus, como vão tristes!

E sobre nós cai nupcial a neve,
Surda, em triunfo, pétalas, de leve
Juncando o chão, na acrópole de gelos...

Em redor do teu vulto é como um véu!
Quem as esparze – quanta flor! – do céu,
Sobre nós dois, sobre os nossos cabelos?

(Camilo Pessanha)

Estátua

Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, – frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre o mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado...

Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

(Camilo Pessanha)

Na cadeia os bandidos presos!

Na cadeia os bandidos presos!
O seu ar de contemplativos!
Que é das flores de olhos acesos?!
Pobres dos seus olhos cativos.

Passeiam mudos entre as grades,
Parecem peixes num aquário.
– Campo florido das Saudades,
Porque rebentas tumultuário?

Serenos... Serenos... Serenos...
Trouxe-os algemados a escolta.
– Estranha taça de venenos
Meu coração sempre em revolta.

Coração, quietinho... quietinho...
Por que te insurges e blasfemas?
Pschiu... Não batas... Devagarinho...
Olha os soldados, as algemas!

(Camilo Pessanha, in “Clepsidra”)

Crepuscular

Há no ambiente um murmúrio de queixume,
De desejos de amor, d'ais comprimidos...
Uma ternura esparsa de balidos,
Sente-se esmorecer como um perfume.

As madressilvas murcham nos silvados
E o aroma que exalam pelo espaço,
Tem delíquios de gozo e de cansaço,
Nervosos, femininos, delicados.

Sentem-se espasmos, agonias d'ave,
Inapreensíveis, mínimas, serenas...
– Tenho entre as mãos as tuas mãos pequenas,
O meu olhar no teu olhar suave.

As tuas mãos tão brancas d'anemia...
Os teus olhos tão meigos de tristeza...
– É este enlanguescer da natureza,
Este vago sofrer do fim do dia.

(Camilo Pessanha)

Quem poluiu?

Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho,
Onde esperei morrer – meus tão castos lençóis?
Do meu jardim exíguo os altos girassóis
Quem foi que os arrancou e lançou no caminho?

Quem quebrou (que furor cruel e simiesco!)
A mesa de eu cear - tábua tosca de pinho?
E me espalhou a lenha? E me entornou o vinho?
– Da minha vinha o vinho acidulado e fresco...

Ó minha pobre mãe!... Nem te ergas mais da cova.
Olha a noite, olha o vento. Em ruína a casa nova...
Dos meus ossos o lume a extinguir-se breve.

Não venhas mais ao lar. Não vagabundes mais,
Alma da minha mãe... Não andes mais à neve,
De noite a mendigar às portas dos casais. 

(Camilo Pessanha)

Interrogação

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo; 
"The Kiss". Francesco Hayez

E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

(Camilo Pessanha, in “Clepsidra”)

Paisagens de Inverno

Ó meu coração, torna para trás.
Onde vais a correr desatinado?
Meus olhos incendidos que o pecado
Queimou! Volvei, longas noites de paz.

Vergam da neve os olmos dos caminhos.
A cinza arrefeceu sobre o brasido.
Noites da serra, o casebre transido...
Cismai, meus olhos, como uns velhinhos.


Extintas primaveras, evocai-as.
Já vai florir o pomar das maceiras.
Hemos de enfeitar os chapéus de maias.

Sossegai, esfriai, olhos febris...
Hemos de ir a cantar nas derradeiras
Ladainhas...Doces vozes senis.

(Camilo Pessanha)

Soneto

Foi um dia de inúteis agonias…
Dia de sol, inundado de sol!…
Fulgiam nuas as espadas frias…
Dia de sol, inundado de sol!…

Foi um dia de falsas alegrias.
Dália a esfolhar-se, — o seu mole sorriso…
Voltavam os ranchos das romarias.
Dália a esfolhar-se, — o seu mole sorriso.

Dia impressível mais que os outros dias.
Tão lúcido… Tão Pálido… Tão lúcido!…
Difuso de teoremas, de teorias…

O dia fútil mais que os outros dias!
Minuete de discretas ironias…
Tão lúcido… Tão pálido… Tão lúcido!…

(Camilo Pessanha)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

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terça-feira, 17 de setembro de 2013

PROVA COMENTADA – CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE TRÂNSITO

PROVA COMENTADA – CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE TRÂNSITO – NÍVEL MÉDIO



A prova a seguir é, a princípio, similar à próxima a ser aplicada em 29 de setembro de 2013 no concurso público para  provimento de cargos do DETRAN-SP, pois foi elaborada pela mesma instituição responsável, a VUNESP, e para o mesmo cargo previsto, o de AGENTE DE TRÂNSITO, que requer nível médio de escolarização.

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Leia o texto para responder às questões de números 01 a 04.

Trabalho infantil e exploração

Segundo dados do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), do governo federal, Campinas poderia comemorar uma redução dos casos de incorporação de menores em atividades laborais de risco. Os números oficiais mostram que, no ano passado, houve apenas 32 casos registrados.
Essa redução pode estar relacionada a algumas formas de controle estabelecidas pelos programas públicos, especialmente os que exigem a comprovação de frequência escolar, como o Bolsa Família.
No entanto, ainda observamos, pelas ruas, um número elevado de crianças e jovens envolvidos em atividades diversas, nos cruzamentos pedindo esmolas ou ligados ao comércio informal, com ou sem o agravante do afastamento das escolas. Práticas como essas exigem uma fiscalização mais rigorosa e é preciso punir os responsáveis por esses menores.
No Brasil, ainda persiste o conceito de que o trabalho é enobrecedor e pode ser incorporado ao processo de formação da personalidade, até porque, em uma sociedade desigual, muitas vezes o trabalho de todos os membros de uma família é questão de sobrevivência. Isso é possível, desde que se observem a responsabilidade de frequência escolar e os preceitos estabelecidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que garantem uma infância feliz, produtiva, segura e saudável.

(Correio Popular, Campinas, 08.03.2012. Adaptado)

01. De acordo com o texto, o trabalho na infância

(A) forma indivíduos com desvio de caráter, que viverão de práticas ilícitas.
(B) deve ser combatido, embora em muitos casos seja visto como questão de sobrevivência.
(C) serve de aprendizado e pode substituir a escola na formação das pessoas.
(D) é inevitável, porque não existem políticas públicas que estimulem a frequência escolar.
(E) faz com que a criança desenvolva habilidades úteis a sua formação escolar, por isso deve ser incentivado.

RESPOSTA: B

Comentário: O texto afirma que o trabalho infantil é um mal ser combatido, no entanto, ressalta que ocorre muitas vezes devido à necessidade familiar. Isso fica evidente no trecho: “muitas vezes o trabalho de todos os membros de uma família é questão de sobrevivência.”

GABARITO OFICIAL: B

02. Segundo o texto, no que se refere ao trabalho infantil em Campinas,

(A) medidas tomadas pelo governo federal erradicaram o trabalho de jovens e crianças.
(B) estatísticas comprovam o aumento da quantidade de menores trabalhando nas ruas.
(C) o número elevado de crianças trabalhando nas ruas ainda não permite concluir que o problema do trabalho infantil esteja resolvido.
(D) a punição exemplar dos exploradores de menores já reduziu os casos de trabalho infantil a uma quantia insignificante.
(E) o número de casos divulgados pelo governo federal é muito alto e está longe de alcançar a meta de acabar com o trabalho infantil.

RESPOSTA: C

Comentário: Apesar de o número de crianças envolvidas no trabalho infantil ter diminuído, o texto esclarece que o problema ainda persiste.

GABARITO OFICIAL: C

03. Assinale a alternativa que, sem alterar o sentido da frase, apresenta uma substituição correta para o trecho destacado em – Práticas como essas exigem uma fiscalização mais rigorosa e é preciso punir os responsáveis por esses menores.

(A) a esses  (B) desses  (C) com esses  (D) nesses  (E) sobre esses

RESPOSTA: B

Comentário: O termo por esses pode ser substituído por desses mantendo o mesmo sentido – “em relação a”.

GABARITO OFICIAL: B

04. No trecho que inicia o último parágrafo – No Brasil, ainda persiste o conceito de que o trabalho é enobrecedor e pode ser incorporado ao processo de formação da personalidade... – a palavra destacada pode ser substituída, sem alteração de
sentido, por

(A) dignificante.  (B) insidioso.  (C) repreensível.  (D) ameno.  (E) compulsório.

RESPOSTA: A

Comentário: Mera questão semântica. Bastaria ao candidato saber que o termo edificante é sinônimo de enobrecedor.

GABARITO OFICIAL: A

05. Assinale a frase correta quanto à pontuação.

(A) Campinas poderia comemorar, segundo dados do governo federal uma redução, dos casos de incorporação de menores em atividades laborais de risco.
(B) Os números oficiais mostram que, houve no ano passado, apenas 32 casos de trabalho infantil registrados.
(C) Ainda observamos no entanto, um número elevado de crianças e jovens envolvidos, em atividades diversas pelas ruas.
(D) Ainda persiste no Brasil, o conceito de que o trabalho é enobrecedor e pode ser incorporado, ao processo de formação da personalidade.
(E) Muitas vezes, em uma sociedade desigual, o trabalho de todos os membros de uma família é questão de sobrevivência.

RESPOSTA: E

Comentário: A única alternativa em que o uso da pontuação está correto é a E.
Vejamos a forma correta de cada uma das restantes.

(A) Deve-se separar o adjunto adverbial no meio do período entre vírgulas.

Forma correta: Campinas poderia comemorar, segundo dados do governo federal,  uma redução dos casos de incorporação de menores em atividades laborais de risco.

(B) Não pode haver vírgula entre o verbo e a Oração Substantiva Direta.
Forma correta: Os números oficiais mostram que houve, no ano passado, apenas 32 casos de trabalho infantil registrados.

(C) As locuções conjuntivas intercaladas devem ser isoladas entre vírgulas. Nome e complemento não devem vir entre vírgulas.
Forma correta: Ainda observamos, no entanto, um número elevado de crianças e jovens envolvidos em atividades diversas pelas ruas.

(D) Não pode haver vírgula entre o sujeito e o verbo. Nem entre o verbo e seu complemento.
Forma correta: Ainda persiste, no Brasil, o conceito de que o trabalho é enobrecedor e pode ser incorporado ao processo de formação da personalidade.

GABARITO OFICIAL: E

Leia o texto e responda às questões de números 06 a 09.

Os arrependimentos

Se pudesse voltar no tempo, você faria tudo igual? Eu não.
Me arrependo de tantas coisas que fiz, tantas que deveria ter feito, que, se pudesse reescrever minha vida, mudaria um monte de coisas: as que me fizeram sofrer e também outras, em que fiz outras pessoas sofrerem.
Se eu fosse de chorar, era a hora; mas o tempo passou, não há nada a fazer, então fico pensando em como seria minha vida, hoje, se tivesse feito tudo como deveria. Se tivesse tido uma vida equilibrada, se nunca tivesse pisado na bola, se tivesse tido a coragem de largar aquele homem logo que ele começou a me fazer sofrer.
Mas olho para o passado e me divirto com as loucuras que fiz, sendo que algumas me deixaram literalmente de cama, tão grandes foram os vexames, tais as vergonhas que senti.
O tempo que perdi ouvindo a mesma música, esperando um telefonema que nunca veio, e sofrendo. Hoje, quando lembro, dou risada, mas naquele momento pensei que minha vida estava acabada. E as confusões que aprontei, marcando dois encontros para a mesma noite?
Continuo pensando: e se não tivesse feito nada disso? Como estaria, hoje, se minha vida tivesse sido certinha?
Acho que eu estaria morta de arrependimento e, no lugar de estar hoje dando risada, estaria chorando por todas as insanidades que deixei de fazer.

(Danuza Leão, Folha de S.Paulo, 11.03.2012. Adaptado)

06. Ao olhar para o passado, a autora

(A) conclui que vários dos episódios que lhe fizeram sofrer compõem, hoje, uma recordação prazerosa.
(B) lamenta as loucuras que fez e revela o desejo de reescrever o passado excluindo os momentos difíceis.
(C) demonstra orgulho de ter feito escolhas certas, que não prejudicaram ninguém.
(D) recusa-se a olhar para as situações de sofrimento, concentrando-se nos episódios de alegria e diversão.
(E) sofre novamente com os amores perdidos e torna a se envergonhar dos vexames que experimentou.

RESPOSTA: A

Comentário: Com o passar do tempo, mesmo os episódios mais dolorosos tornaram-se leves para a autora; isso fica evidente no trecho: “Mas olho para o passado e me divirto com as loucuras que fiz...”

GABARITO OFICIAL: A

07. Uma frase condizente com o ponto de vista da autora é:

(A) A pessoa que leva uma vida regrada não terá arrependimentos no fim da vida.
(B) O arrependimento é um sentimento típico de quem vive do passado e não aceita o presente.
(C) Cometer erros pode levar ao arrependimento, mas também pode deixar a vida mais interessante.
(D) A maturidade é uma fase da vida propícia para buscarmos corrigir os equívocos do passado.
(E) Não é saudável olhar para o passado, pois isso só traz sofrimento.

RESPOSTA: C

Comentário: A autora conclui que o arrependimento existe, mas faz parte do processo da vida, como demonstra o trecho: “Continuo pensando: e se não tivesse feito nada disso? Como estaria, hoje, se minha vida tivesse sido certinha?”

GABARITO OFICIAL : C

08. A forma verbal que apresenta valor hipotético está destacada em:

(A) Se pudesse voltar no tempo, você faria tudo igual?
(B) Me arrependo de tantas coisas que fiz...
(C) ... mas o tempo passou, não há nada a fazer...
(D) Mas olho para o passado e me divirto com as loucuras que fiz...
(E) E as confusões que aprontei, marcando dois encontros para a mesma noite?

RESPOSTA: A

Comentário: O modo subjuntivo é aquele que indica hipótese, dúvida, possibilidade. A única oração que apresenta verbo no modo subjuntivo é a A: Se pudesse voltar no tempo – Pretérito Imperfeito do Subjuntivo.

GABARITO OFICIAL : A

09. No trecho – ... mas o tempo passou, não há nada a fazer, então fico pensando em como seria minha vida, hoje, se tivesse feito tudo como deveria. – o termo em destaque expressa ideia de

(A) finalidade.  (B) causa.  (C) modo.  (D) intensidade.  (E) oposição.

RESPOSTA: C

Comentário: Claramente, a autora reflete sobre o modo que sua vida teria caso ela tivesse feito algumas opções anteriores.

GABARITO OFICIAL: C

10. Assinale a alternativa correta quanto à concordância verbal.

(A) Existe algumas pessoas que nunca se arrependem do que fazem.
(B) Da minha juventude, permanece, em minha memória, muitos momentos felizes.
(C) Fazem anos que tudo aconteceu, mas me lembro de cada detalhe como se fosse hoje.
(D) Vistas com certa distância, as confusões que aprontei já não parece tão graves.
(E) Será que você e eu estaríamos felizes hoje, caso tivéssemos feito escolhas diferentes?

RESPOSTA: E

Comentário: Sujeito e verbo devem sempre concordar. A única alternativa em que isso ocorre é a E.

Concordância correta:
a) Existem algumas pessoas...
b) ... permanecem muitos momentos...
c) Faz anos... – O verbo fazer, no sentido de tempo, nunca vai ao plural. Oração sem sujeito.
d) ...as confusões que aprontei já não parecem...

GABARITO OFICIAL: E


Como esperado, a VUNESP elaborou uma prova bastante condizente com o nível esperado do concursando.


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