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quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Tema de redação — UNB — 2015

Tema de redação — UNB — 2015

PROVA DE REDAÇÃO

ATENÇÃO: Nesta prova, faça o que se pede, utilizando, caso deseje, o espaço indicado para rascunho neste caderno. Em seguida, escreva o texto na folha de texto definitivo da prova de redação em língua portuguesa, no local apropriado, pois não serão avaliados fragmentos de texto escritos em locais indevidos. Respeite o limite máximo de linhas disponibilizado. Qualquer fragmento de texto além desse limite será desconsiderado. Na folha de texto definitivo da prova de redação em língua portuguesa, utilize apenas caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente.

Grande parte dos textos da prova objetiva trata da aproximação entre ciência e arte ao longo da história, como evidenciam a história da cartografia e, em especial, as produções de Leonardo da Vinci. Seguindo essa perspectiva, redija um texto dissertativo sobre a relação entre ciência e arte. Ao elaborar seu texto, aborde, necessariamente, os seguintes aspectos:
- avanço da ciência e mudança na produção de obras de arte;
- novas tecnologias e democratização do acesso à arte;
- mudanças no conceito de arte.

Os fragmentos de texto e as imagens apresentados a seguir informam sobre a relação entre ciência e arte. Foram selecionados para ajudar você a desenvolver o tema proposto. Caso queira referir-se a uma ou mais de uma dessas informações, não se esqueça de utilizar as convenções previstas na gramática padrão da língua escrita.

A história da arte mostra que houve momentos em que a necessidade do novo — o esgotamento do atual — levou a um salto qualitativo que determinou a ruptura com a tendência em voga, como, por exemplo, quando Claude Monet pintou a célebre tela Impression, Soleil Levant, que determinou o surgimento do Impressionismo. Para tal, concorreram fatores diversos, que vão desde a implantação das estradas de ferro, que facilitaram a ida das pessoas ao campo, até a nova teoria das cores, que explicava as cores como resultado da vibração da luz solar sobre a superfície. Ferreira Gullar. Folha de S.Paulo, 6/1/2013. Ao longo de grandes períodos históricos, a percepção das coletividades humanas se transforma ao mesmo tempo que seu modo de existência. O modo pelo qual se organiza a percepção humana não é condicionado apenas naturalmente, mas também historicamente. Cada dia fica mais irresistível a necessidade de possuir o objeto de arte, de tão perto quanto possível, na imagem ou na sua cópia, na sua reprodução. Walter Benjamin. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 2012, p. 183 (com adaptações).


Fabricantes de réplicas: chineses fazem cópias de grandes mestres da pintura De Dafen, no sul da China, saem cerca de 60% das reproduções, em óleo sobre tela, de obras de arte produzidas no mundo. No topo da lista, estão obras de Monet e van Gogh. Esse ofício chinês levanta questões centrais para a teoria da arte, como a da identidade do artista e a do valor da imitação. Atualmente, além de reproduções de obras ocidentais, são produzidas cópias da arte tradicional chinesa. 

Folha de S. Paulo, 11/1/2015 (com adaptações).


Nem só de cansaço e crendices vive o cordel. Histórias sobre Newton, Einstein, Copérnico, Galileu e Oswaldo Cruz também são contadas em versos. O assunto chega à literatura de cordel para aproximar a sociedade dos estudos científicos, desmistificar a ciência e mostrar que ela está mais presente no nosso dia a dia do que a maior parte das pessoas imagina. 

Revista de História da Biblioteca Nacional, out./2010, p. 6.


Alguns artistas enxergam poesia em um computador e usam a tecnologia para criar o que chamam de arte computacional, que abarca a convergência entre arte, ciência e tecnologia. Com essa ferramenta, os artistas podem produzir trabalhos interativos que respondem em tempo real. Muitos desses trabalhos resultam de erros de processamento de imagem, que, denominados Glitch Art, podem ser produzidos corrompendo-se os códigos de fotos. 
Correio Braziliense, 7/10/2014.


A arte transgênica é uma nova forma de arte, baseada no uso de técnicas da engenharia genética. Nessas produções artísticas, são criados seres vivos únicos. A genética molecular permite ao artista projetar o genoma de uma planta ou de um animal e criar novas formas de vida. Organismos criados no contexto da arte transgênica podem ser levados para casa pelo público, para serem criados no jardim ou como companheiros. 

Eduardo Kac. I n: Internet: (com adaptações).


Bactérias são úteis tanto para se diagnosticar câncer quanto para criar obras de arte "Há mais bactérias em nossos corpos que estrelas em nossa galáxia", filosofa o bioengenheiro Tal Danino, que fez desses microrganismos sua fonte de inspiração. Danino ampliou a produção científica para outro campo: o das artes visuais. Em boa medida, isso se deveu a seu encontro com o artista brasileiro Vik Muniz, que procurava uma maneira de fazer arte com cientistas. A parceria rendeu a série Colonies, fotografias maximizadas de bactérias e células cancerosas. Em seguida, os dois criaram pratos de porcelana com imagens ampliadas de bactérias. 

Folha de S. Paulo, 29/3/2015.



Uma imagem em 228 palavras O artista brasileiro Walmor Corrêa brinca com a linguagem da biologia para produzir obras que retratam seres fictícios, concebidos segundo os princípios da taxidermia. A obra Ondina (2005), primeira de uma série inspirada em personagens do folclore, lembra a página de um atlas de anatomia. Corrêa registra, por escrito, na tela, detalhes do funcionamento corporal de cada criatura que imagina. A linguagem dos textos é propositalmente técnica, como evidencia a descrição do sistema nervoso de Ondina: "Possui, na jugular, válvulas que são acionadas por barorreceptores em número de dois, com a função de manter o cérebro cheio de sangue." 

Revista de História da Biblioteca Nacional, ed. especial, n.º 1, out./2010, p. 11 (com adaptações).





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