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domingo, 31 de agosto de 2014

UFG - 2010 - 1º Semestre - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Prova de língua portuguesa - UFG - 2010 - 1º semestre - 1º fase

LÍNGUA PORTUGUESA

Os textos I e II oferecem subsídios para responder às questões de 01 a 03.

TEXTO I
PORTINARI, Candido. Autorretrato (1956). São Paulo: Penakoteke, 2002/2003. p. 18-19.

TEXTO II

AUTORRETRATO

A maneira de andar
como quem busca
estrelas pelo chão.
A cabeça a dar contra os muros.
Em cada olho, o mundo como um punhal
– cravado.
O pensamento a abrir estradas
numa várzea distante.
Os ângulos do sonho formando orlas
povoadas de fêmeas
que a meu encontro viriam
do outro lado, em lânguidas posturas.
Diante do mar, a sede, a sede
de beber a vida em infinitas viagens.
As garras de gato ante paredes impostas.
A impaciência de que chegue a manhã e a praia,
a tarde e o amor.
[…]
O coração que bate
ao som de fábulas.
Que bate
contra rochedos mortos
numa praia de cinza
onde palpita o primeiro amor.
O coração eterno.
O amor eterno
que bate.
[...]

SOUSA, Afonso Felix. Nova antologia poética. Goiânia: CEGRAF/ UFG, 1991. p. 15-16.

QUESTÃO 01 - Seja na pintura, seja na literatura, uma obra em autorretrato

(A) apresenta um texto voltado para temas pessoais em que autor e obra remetem a um mesmo referente.
(B) prevê distanciamento entre a representação feita pelo autor e a imagem original a que a obra se refere.
(C) leva o leitor a identificar sua autoimagem com base no perfil reconstruído no texto.
(D) auxilia na composição da identidade presumida entre o autor e o público leitor da obra.
(E) impõe ao leitor a compreensão limitada ao ponto de vista do autor da obra.

QUESTÃO 02 - Quanto à recriação do real, a composição temática dos autorretratos de Portinari e de Afonso Felix de Sousa

(A) integra um conjunto de obras relativas a um mesmo movimento artístico e literário.
(B) resulta de uma figurativização realizada por imagens não verbais, na pintura, e por imagens verbais, no poema.
(C) situa-se nos extremos de uma linha discursiva que vai do plano subjetivo, no poema, ao plano objetivo, na pintura.
(D) sugere uma reelaboração baseada em características físicas comuns entre as pessoas retratadas.
(E) recorre a estratégias estruturais exclusivas para os gêneros do discurso poético.

QUESTÃO 03 - Quanto à caracterização das personagens, pode-se dizer que, no quadro e no poema, há semelhança em relação

(A) à construção do perfil de um homem vaidoso, ao fim da vida, e orgulhoso de seus feitos.
(B) ao modo de representação das marcas físicas dos protagonistas, que remete às incertezas humanas.
(C) à escolha do gênero discursivo para o desenvolvimento da temática, que envolve a velhice dos autores.
(D) ao trabalho com a memória na recuperação de traços identitários de uma fase da vida dos retratados.
(E) ao estado de desilusão dos autores, que se angustiam perante a efemeridade da vida.

Leia o texto para responder às questões de 04 a 08.

Capitu, Bentinho e Darwin

            […] A releitura do clássico de Machado à luz da seleção natural está num artigo na revista científica “Ometeca”, assinado por Marie-Odile Monier e Emma Otta (respectivamente doutoranda e professora do Instituto de Psicologia da USP).
            O título, traduzido do original inglês: “Era Machado de Assis um Psicólogo Evolutivo?”. A resposta, sugere a dupla, é um sonoro sim, ainda que o gênio brasileiro não se desse muita conta desse fato curioso. [...]
            A abordagem evolutiva de um clássico da literatura é um dos ramos mais férteis e controversos da crítica literária dos últimos tempos. Com a alcunha de darwinismo literário, a ideia já foi aplicada a Homero, Flaubert e até a contos de fadas.
            Um dos principais expoentes do campo é Joseph Caroll, da Universidade do Missouri (Estados Unidos), que se correspondeu com as pesquisadoras brasileiras e as incentivou durante a análise da obra machadiana.
            Otta explica que, para a psicologia evolutiva e sua aplicação no darwinismo literário, é preciso ter em mente que os seres humanos, como todas as demais coisas vivas, têm sua mente moldada para a diretriz número 1 da seleção natural: ter sucesso reprodutivo.
            “O sucesso reprodutivo, a união sexual e a produção de uma prole bem-sucedida são centrais para as preocupações humanas e, portanto, também para os trabalhos literários. A obra literária, como outras manifestações artísticas, reflete e articula os motivos e interesses dos seres humanos como organismos vivos”, resume Otta.
            Com esse fato básico em mente, não é difícil acompanhar a análise feita pelas pesquisadoras. Parece até que Machado comete atos falhos de natureza darwinista. A começar pelo nascimento do protagonista. Não seria um absurdo evolutivo a mãe de Bentinho prometer que, se tivesse um filho, iria mandá-lo ao seminário (eliminando, portanto, suas chances de descendência)?
            Repare no que diz Machado: “Tendo-lhe nascido morto o primeiro filho, minha mãe pegou-se com Deus para que o segundo vingasse, prometendo, se fosse varão, metê-lo na Igreja. Talvez esperasse uma menina”. A mãe de Bentinho, portanto, “troca” com Deus a ausência de descendentes por uma chance de pelo menos 50% de passar seus genes adiante, caso desse a sorte de ser mãe de uma menina.
            Pista darwinista número 2: a relutância dos parentes solteirões da pia senhora (um irmão e uma prima) em concordar com a transformação de Bentinho em seminarista. Os dois, sem prole própria, têm no garoto a única chance de transmitir parte de seu patrimônio genético às futuras gerações.
            Toda a história complicada do romance com Capitu ilustra outra tese da psicologia evolutiva: a de que os homens em geral valorizam atrativos físicos, sinalizadores de fertilidade, em uma parceira, enquanto as moças buscam segurança financeira no amado (não é à toa que a família de Bentinho é de longe a mais endinheirada das duas).
            Finalmente, quando Bentinho passa a desconfiar que o pequeno Ezequiel é, na verdade, filho de seu amigo Escobar, outros fenômenos da psicologia evolutiva emergem. O mais marcante é o efeito Cinderela, explica Chelini: “Os dados mostram que, em famílias nas quais pelo menos um dos membros do casal não é o pai biológico dos filhos, os maus-tratos podem ser 40 vezes mais frequentes”. A motivação, implacável, tem a ver com a inutilidade de ajudar a propagar genes que não são os seus. Não é à toa que Bentinho chega muito perto de matar Ezequiel com uma taça de café envenenado. [...]

LOPES, Reinaldo José. Folha de S. Paulo, São Paulo, 4 out. 2009. Ciência.

QUESTÃO 04 - Segundo o texto, a análise literária baseada na Teoria Evolutiva, de Darwin, considera que

(A) a prole determina as escolhas amorosas dos humanos e das personagens.
(B) a falha evolutiva é manifesta no comportamento dos protagonistas.
(C) a psicologia evolutiva deve diagnosticar personagens com distúrbios emocionais.
(D) as personagens, como os seres humanos, ignoram a a descendência genética.
(E) as personagens refletem características dos seres humanos como organismos vivos.

QUESTÃO 05 - Observe o trecho do sexto parágrafo transcrito a seguir: “Tendo-lhe nascido morto o primeiro filho, minha mãe pegou-se com Deus para que o segundo vingasse, prometendo, se fosse varão, metê-lo na Igreja. Talvez esperasse uma menina”. Que referente é retomado pelos termos sublinhados?

(A) O filho de Escobar. (B) Machado.(C) Bentinho.(D) O irmão de Bentinho.(E) O filho de Capitu.

QUESTÃO 06 - Conforme o texto, para a psicologia evolutiva, o drama vivido por Bentinho diante da possibilidade de ter sido traído por Capitu, é motivado

(A) pela rejeição natural do ser vivo em propagar genes que não os seus.
(B) pelo fenômeno evolutivo que marca os traços físicos que sinalizam a fertilidade.
(C) pela recusa humana em transmitir parte de sua genética a gerações desconhecidas.
(D) pelo patrimônio genético que define os traços masculinos e femininos das espécies.
(E) pela falha da diretriz da seleção natural responsável pelo sucesso reprodutivo.

QUESTÃO 07 - Ao concluir que “não é à toa que Bentinho chega muito perto de matar Ezequiel com uma taça de café envenenado”, o autor do artigo sugere que as teses da psicologia evolutiva aplicadas à literatura

(A) recusariam a improcedente desconfiança de Bentinho quanto à paternidade.
(B) confirmariam o enigma da obra Dom Casmurro, atestando a traição de Capitu.
(C) fundamentariam a relutância de Capitu em revelar a paternidade do filho.
(D) descartariam a traição do amigo Escobar pelo fato de este não possuir um porte físico ideal.
(E) revelariam a impotência de Bentinho diante da suposta traição de Capitu.

QUESTÃO 08 - De acordo com o texto, o que produz o fenômeno da psicologia evolutiva conhecido como “efeito Cinderela”?

(A) Os ideais de felicidade eterna no casamento.
(B) A convivência entre irmãos não biológicos.
(C) Os maus-tratos de enteados por madrastas.
(D) A perda da mãe em decorrência do parto.
(E) O sonho das jovens por um príncipe encantado.

Leia a charge para responder às questões 09 e 10.
 ANGELI. Disponível em: <http://www.olinguadetrapo.blogspot.com>.

QUESTÃO 09 - Uma leitura crítica da charge revela que a nova ordem mundial significa

(A) um equilíbrio entre forças políticas e forças naturais, expressando o desejo dos defensores da igualdade entre os povos.
(B) uma melhoria na qualidade de vida da população mundial, com a promoção do crescimento da economia global pelos países ricos.
(C) um novo ordenamento político das nações sob o comando de um único governante, promotor da harmonia entre países do Sul e do Norte.
(D) uma proposta política baseada na força econômica dos países emergentes, futuros detentores de poder no mundo globalizado.
(E) uma reconfiguração global fundamentada na relação assimétrica entre os países desenvolvidos e os países não desenvolvidos.

QUESTÃO 10 - Na imagem, o jogo metafórico construído com a denominação dos mares sugere que

(A) os países pobres e os países ricos estão envolvidos por problemas graves.
(B) os países pobres lutam até a morte por seus ideais e direitos.
(C) os países ricos são responsáveis pela carência socioeconômica dos países pobres.
(D) os países pobres são indiferentes às guerras promovidas pelos países ricos.
(E) os países ricos e os países pobres são intolerantes quanto às diferenças étnicas.


LITERATURA

QUESTÃO 11 - Leia os trechos do poema “I - Canção do exílio”, da coletânea As primaveras, de Casimiro de Abreu.

I
Canção do exílio
[...]
Oh! que saudades tamanhas
Das montanhas,
Daqueles campos natais!
Daquele céu de safira
Que se mira,
Que se mira nos cristais!
[...]
Debalde eu olho e procuro...
Tudo escuro
Só vejo em roda de mim!
Falta a luz do lar paterno
Doce e terno,
Doce e terno para mim.
Distante do solo amado
— Desterrado —
A vida não é feliz.
Nessa eterna primavera
Quem me dera,
Quem me dera o meu país!
[...]

ABREU, Casimiro de. As primaveras. São Paulo: Martin Claret, 2009. p. 23-24.

A estética romântica, impulsionada pelo cenário histórico que vinha se desenhando no país, teve como projeto a busca do nacional pelos escritores, que passaram a dar uma nova significação para os elementos da natureza do Brasil. Dentro desse projeto, Casimiro de Abreu, no poema acima, que abre o “Livro primeiro” da coletânea As primaveras, exprime o amor e a saudade da terra natal. Entretanto, o modo como o poeta canta a pátria diferencia-se da maneira como os demais românticos o fizeram, por evidenciar

(A) intimismo nostálgico.
(B) pessimismo acentuado.
(C) lirismo amoroso.
(D) descritivismo paisagístico.
(E) egocentrismo exaltado.

QUESTÃO 12 - Um dos motores essenciais do riso na comédia é o quiproquó, situação na qual equívocos, mentiras, trocas de objetos ou de pessoas acabam por gerar confusões que alimentam o conflito dramático. Logo nas primeiras cenas de O demônio familiar, de José de Alencar, há referência a um quiproquó, instaurado quando Pedro

(A) entregou a Azevedo uma carta de Carlotinha destinada a Henriqueta, levando Alfredo a sentir-se enganado.
(B) distorceu as palavras de Azevedo, induzindo Vasconcelos a se indispor com o pretendente de Henriqueta.
(C) inventou falsas pretensões de Vasconcelos e este se irritou, indispondo-se com Azevedo.
(D) entregou a Azevedo uma violeta, inventando ter sido enviada, com um beijo, por Carlotinha.
(E) mentiu a Eduardo sobre Henriqueta e este fechou sua janela, fazendo a jovem sentir-se desprezada por ele.

QUESTÃO 13 - No romance A Confissão, de Flávio Carneiro, o protagonista afirma que o tempo “já não se resolve mais do modo normal” (p. 11). Na narração dos eventos que compõem o enredo desse romance, observa-se

(A) inexistência de elementos sugestivos de um tempo mítico.
(B) ênfase nas lembranças do passado com recurso do fluxo de consciência.
(C) interrupção do discurso no presente com recuperação de eventos anteriores.
(D) ausência de traços de subjetividade na elaboração temporal.
(E) recorrência a elementos formais com sugestão de um eterno presente.

QUESTÃO 14 - Leia o fragmento do relato do viajante Johann Emanuel Pohl, que recolheu impressões do Brasil no início do século XIX.

Se algum ponto do Novo Mundo merece, por sua situação e condições naturais, tornar-se um dia teatro de grandes acontecimentos, um foco de civilização e cultura, um empório do comércio mundial é, ao meu ver, o Rio de Janeiro.

POHL, Johann Emanuel. Viagem no interior do Brasil empreendida nos anos de 1817 a 1821. Tradução Milton Amado e Eugenio Amado. Rio de Janeiro: INL, 1951. p. 38.

O relato de viagem transcrito, tomado como fonte pela História, e a representação ficcional sobre o Rio de Janeiro da época de D. João VI, no romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, produzem discursos

(A) análogos, porque promovem imagens positivas desse período, ressaltando o desenvolvimento social da capital da colônia.
(B) díspares, pois o registro histórico positivo desse período opõe-se ao retrato caricaturesco do Rio do “tempo do rei”, no romance.
(C) imparciais, na medida em que representam um quadro despretensioso da sociedade carioca do “tempo do rei”.
(D) complementares, pois o fragmento projeta um futuro promissor para o Rio de Janeiro, e o romance confirma essa ideia.
(E) satíricos, visto que promovem uma visão crítica do Brasil colonial, retratado pelas falhas morais de sua sociedade.

QUESTÃO 15 - Leia o fragmento do soneto III de “Três sonetos crepusculares” do livro Nova antologia poética, de Afonso Felix de Sousa, e o trecho do conto “Livro dos homens”, da obra homônima, de Ronaldo Correia de Brito.

Três sonetos crepusculares
[...]
III
E o resto do caminho? E o resto? E o resto?
Bússola alguma vindo em meu socorro
e a dúvida é o menos indigesto
dos pratos que rumino enquanto morro.
Que morro em ter adiante esse funesto
ter que morrer. E o resto? E o resto? Escorro
rampa abaixo, e é em vão qualquer protesto
como em vão é o uivar do meu cachorro
ou a armadura do Anjo que me guarda.
Fé, esperança, amor – e onde a certeza?
Onde Deus, que não falha, e tarda? E tarda?
[…]

SOUSA, Afonso Felix de. Nova antologia poética. Goiânia: Cegraf/UFG, 1991. p. 142. (Grifos nossos).

[...] Falou o pai de Oliveira, aprovado pelos fazendeiros que também perdiam seus rebanhos naquela demanda escusa. O dinheiro não contava mais, dessem-no por perdido. A justiça, sim, precisava ser feita, pelo único modo que conheciam. A justiça de Deus tarda, mas não falha. A dos homens tarda e falha. Com firmeza e coragem, ela podia ser apressada. O nome de Oliveira estava registrado no Livro dos Homens, na paróquia onde foi batizado. Honrasse o livro ou nunca mais voltasse para casa. [...]

BRITO, Ronaldo Correia de. Livro dos homens. São Paulo: Cosac Naify, 2005. p. 171-172. (Grifos nossos).

As expressões em negrito remetem a uma reflexão frequente tanto na poesia de Afonso Felix de Sousa como nos contos de Ronaldo Correia de Brito. Os sentidos dessas expressões no soneto e no conto são, respectivamente,

(A) descrença na imediata providência divina; inconformismo com a justiça implacável de Deus.
(B) crença na bondade infinita de Deus; incerteza da impunidade das transgressões humanas.
(C) angústia ante a morte iminente; questionamento da crença na justiça divina.
(D) medo do mistério da morte inevitável; perplexidade ante os acontecimentos imprevisíveis da vida.
(E) incerteza sobre a salvação pela fé; capacidade de reação às injustiças humanas.

QUESTÃO 16 - Leia os excertos dos poemas “Fragmento”, do “Livro negro”, da coletânea As primaveras, de Casimiro de Abreu, e “Ofício de viver”, do livro Nova antologia poética, de Afonso Felix de Sousa.

Excerto I

Fragmento
…..............................................................
O mundo é uma mentira, a glória – fumo,
A morte – um beijo, e esta vida um sonho
Pesado ou doce, que s'esvai na campa!
O homem nasce, cresce, alegre e crente
Entra no mundo c'o o sorrir nos lábios,
Traz os perfumes que lhe dera o berço,
Veste-se belo d'ilusões douradas,
Canta, suspira, crê, sente esperanças,
E um dia o vendaval do desengano
Varre-lhe as flores do jardim da vida
E nu das vestes que lhe dera o berço
Treme de frio ao vento do infortúnio!
[...]
Até que a morte lhe desmancha os sonhos.
Pobre insensato – quer achar por força
Pérola fina em lodaçal imundo!
[...]

ABREU, Casimiro de. As primaveras. São Paulo: Martin Claret, 2009. p. 188.

Excerto II

Ofício de viver

O mundo que encontrei já era isso.
O jeito foi bordá-lo
com palavras.
Palavras e palavras, esta a herança
que tive e vou deixando.
O jeito foi juntá-las
untá-las
soprá-las
dobrá-las a meu jeito.
[…]
O mundo é isso
e o jeito é ir chutando e vou chutando
e vou driblando e vou sendo driblado
[…]
Mestres
meus mestres
qual o sentido
de tudo isso?

SOUSA, Afonso Felix de. Nova antologia poética. Goiânia: Cegraf/UFG, 1991. p. 17-18.

Entre as características identificadoras da poesia de Casimiro de Abreu e de Afonso Felix de Sousa, há uma que está presente no excerto I e predomina no “Livro negro”; e outra, que aparece no excerto II e sobressai em Nova antologia poética. Essas características são, respectivamente,

(A) a confissão do medo da morte; a rendição ao desencanto do mundo.
(B) a tematização do tempo da infância; a indagação sobre o sentido da vida.
(C) a sensação de desalento do eu lírico; a significação da vida pela poesia.
(D) a constatação das ilusões perdidas; a comparação da vida a um jogo.
(E) a reflexão sobre o destino humano; a negação da herança poética.

QUESTÃO 17 - Nos livros Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e O demônio familiar, de José de Alencar, as personagens Leonardo (o filho) e Pedro são retratadas como anti-herois. Nessa condição e no contexto das obras, tais personagens representam a

(A) banalização de aventuras épicas.
(B) negação da idealização romântica.
(C) satirização do sistema escravocrata.
(D) adesão à moral social vigente.
(E) ridicularização dos preceitos religiosos.

QUESTÃO 18 - Leia os fragmentos do poema “Amor e medo”, do livro As primaveras, de Casimiro de Abreu, e do romance A confissão, de Flávio Carneiro.

Amor e medo
I
Quanto eu te fujo e me desvio cauto
Da luz de fogo que te cerca, oh! bela,
Contigo dizes, suspirando amores:
“ - Meu Deus! que gelo, que frieza aquela!”
[...]
II
[…]
Vampiro infame, eu sorveria em beijos
Toda a inocência que teu lábio encerra,
E tu serias no lascivo abraço
Anjo enlodado nos pauis da terra.
[...]
Oh! não me chames coração de gelo!
Bem vês: traí-me no fatal segredo.
Se de ti fujo é que te adoro e muito,
És bela – eu moço; tens amor – eu, medo!...
[...]

ABREU, Casimiro de. As primaveras. São Paulo: Martin Claret, 2009. p.119, 121.

[...] Uma das garotas queria escrever um musical um dia, quando desse, já tinha a ideia toda do roteiro, uma história de amor e medo, ela disse, alguém lembrou que existia um poema com esse título, amor e medo, de um poeta do romantismo, não se lembrava do nome, tinha o livro em casa, pegaria para ela […]

CARNEIRO, Flávio. A confissão. Rio de Janeiro: Rocco, 2006. p. 200.

No trecho transcrito do romance A confissão, o protagonista remete a um poema de Casimiro de Abreu, o qual tematiza a relação amor e medo. Diante do desejo pela mulher amada, o que aproxima o eu lírico do poema e o protagonista do romance é a

(A) vontade mórbida de atrair e subjugar mulheres.
(B) ânsia de corromper a inocência da amada.
(C) falta de escrúpulos no jogo da sedução.
(D) consciência dos efeitos da realização amorosa.
(E) satisfação momentânea do prazer erótico.

QUESTÃO 19 - Embora individualmente os contos do Livro dos homens representem, por sentidos diversos, um espaço característico da geografia brasileira, no conjunto da obra, Ronaldo Correia de Brito caracteriza esse espaço pelo aspecto

(A) cultural, representando situações-limite intensificadas em dramas individuais.
(B) físico, explorando a descrição de um espaço marcado pela seca.
(C) político, mostrando as relações de poder apoiadas em leis próprias.
(D) econômico, apresentando o retrato do sertanejo marcado pela miséria.
(E) natural, evidenciando o sertão de modo estereotipado pela descrição física.

QUESTÃO 20 - Os poemas “Ecce Homo”, “Gênese” e “Soneto do essencial”, da Nova antologia poética, compartilham uma reflexão pela qual se identifica uma das vertentes da lírica de Afonso Felix de Sousa na obra. Tal reflexão relaciona-se

(A) à ideia da morte.             (B) a questões amorosas.
(C) a imagens da infância.    (D) à palavra poética.        (E) à implacabilidade do tempo.

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Leia o texto para responder às questões de 01 a 03.

Como é mesmo o nome?

            Levou o manequim de madeira à festa porque não tinha companhia e não queria ir sozinho. Gravata bordeaux, seda. Camisa pregueada, cambraia. Terno riscado, lã. Tudo de bom. Suas melhores roupas na madeira bem talhada, bem lixada, bem pintada, melhor corpo. Só as meias um pouco grossas, o que porém se denunciaria apenas se o manequim cruzasse as pernas. Para o nariz firmemente obstruído, um lenço no bolsinho. [...] Sorridentes, os donos da casa se declararam encantados por ele ter trazido um amigo.
― Os amigos dos nossos amigos são nossos amigos ― disseram saboreando a generosidade da sua atitude. E o apresentaram a outros convidados, amigos e amigos de nossos amigos. Todos exibiam os dentes em amável sorriso.
            Recebeu o copo de uísque, sua senha. E foi colocado no canto esquerdo da sala, entre a porta e a cômoda inglesa, onde mais se harmonizaria com a decoração. [...]
            A própria dona da casa ocupou-se dele na refrega de gentilezas. Trocou-lhe o copo ainda cheio e suado por outro de puras pedras e âmbar. Atirou-se à conversa sem preocupações de tema, cuidando apenas de mantê-lo entretido. [...].
            Um doutor enalteceu-lhe a modéstia. Um senhor acusou-lhe a empáfia. E o jovem que o segurou pelo braço surpreendeu-se com sua rígida força viril.
            Nenhum suor na testa. Nenhum tremor na mão. Sequer uma ponta de tédio. Imperturbável, o manequim de madeira varava a festa em que os outros aos poucos se descompunham. Já não eram como tinham chegado. As mechas escapavam, amoleciam os colarinhos, secreções escorriam nas peles pegajosas. Só os sorrisos se mantinham, agora descorados.
            No relógio torneado do pulso rijo a festa estava em tempo de acabar. [...].
            Mais tarde, a dona da casa, tirando a maquilagem na paz final do banheiro, dedos no pote de creme, comentava a festa com o marido.
            ― Gostei ― concluiu alastrando preto e vermelho no rosto em nova máscara ― gostei mesmo daquele convidado, aquele atencioso, de terno riscado, aquele, como é mesmo o nome?

COLASSANTI, M. O leopardo é um animal delicado. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p.131-133.

QUESTÃO 01 - O boneco adquire durante a festa aspectos da personalidade humana. Essa personificação é construída com base

(A) nas atitudes soberbas do boneco para com os demais convidados da festa.
(B) na referência à sua amizade com os anfitriões e com os demais convidados da festa.
(C) na valorização de sua beleza física comparada com a dos demais convidados.
(D) nas características de diferentes tipos humanos traduzidas nos julgamentos dos convidados.
(E) na exaltação das fraquezas humanas demonstradas pelo manequim de madeira.

QUESTÃO 02 - O texto tece uma crítica a um comportamento típico da sociedade atual. Que comportamento é esse?

(A) A supervalorização dos atributos intelectuais.
(B) O excesso de gentileza espontânea.
(C) A busca pelo consumismo exagerado.
(D) O desprezo pelas regras de etiqueta.
(E) A superficialidade das relações pessoais.

QUESTÃO 03 - Na caracterização do manequim de madeira, o termo “, na linha 5, marca uma

(A) contradição entre seus gostos simplórios e os gostos sofisticados do amigo.
(B) oposição entre o que ele é e o que ele foi preparado para aparentar ser.
(C) negação da tarefa de acompanhar o amigo a um evento social.
(D) retomada de sua capacidade de adaptação a diferentes contextos sociais.
(E) dúvida quanto à escolha de um figurino que seja apropriado para a festa.

Leia a charge para responder às questões de 04 a 07.

FOLHA DE S.PAULO. S. Paulo, 14 jun. 2008. p. A2

QUESTÃO 04 - Analisando as imagens e as falas na charge, conclui-se que a expressão “eu quero” é polissêmica porque seu sentido é estabelecido conforme

(A) a postura política exigida pelos interlocutores.
(B) as crenças religiosas das personagens em cena.
(C) o valor dos objetos adquiridos pelos fregueses.
(D) o lugar ideológico de cada sujeito enunciador.
(E) o estilo artístico criado pelo pintor.

QUESTÃO 05 - Observando as falas na charge, é correto afirmar que a mudança de significado dos objetos encomendados se dá pela

(A) repetição dos substantivos referentes à encomenda.
(B) substituição dos artigos indefinidos por definidos.
(C) qualificação da personagem com adjetivos depreciativos.
(D) gradação por meio de advérbios na descrição da cena.
(E) sucessão de um verbo de ação por um de estado.

QUESTÃO 06 - No primeiro quadro da charge, para demonstrar que tanto o locutor quanto o interlocutor possuem familiaridade com a arte, foi utilizada como recurso a

(A) metonímia.   (B) sinestesia.   (C) catacrese.   (D) antítese.   (E) prosopopeia.

QUESTÃO 07 - Considerando que a charge tece uma crítica aos problemas da realidade, pode-se afirmar que o segundo quadro da charge relaciona-se ao seguinte trecho de notícia:

(A) A Polícia Federal tentará descobrir se as pedras preciosas vendidas por E. R. S. para os policiais civis do Deic e Denarc têm origem legal ou se elas foram extraídas de garimpos clandestinos nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. (Folha de S. Paulo, 13 jun. 2008. p. C4)
(B) Os policiais civis A. P. e J. R. A. são acusados de ter sequestrado o enteado de M. C., chefe do PCC, e ter exigido R$ 300 mil para não prendê-lo. Também foram denunciados por negociar fuga de traficante da delegacia de Suzano. (Folha de S. Paulo, 13 jun. 2008. p. C4)
(C) Para M. A., Diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo, “a questão é: o que leva as pessoas a fazerem esses roubos? São obras conhecidas que obviamente nunca vão poder ser comercializadas legalmente. Temos que nos perguntar quem está por trás disso”. (Folha de S. Paulo, 13 jun. 2008. p. C3)
(D) O advogado do tenente V. G. M. A., suspeito de comandar os militares que entregaram os jovens a traficantes, afirmou que seu cliente não sabia que eles seriam mortos pelos traficantes. (Folha de S. Paulo, 18 jun. 2008. p. C3)
(E) Uma operação da Polícia Federal prendeu 40 suspeitos de participação em uma quadrilha de contrabandistas. Os suspeitos serão indiciados por contrabando e descaminho, formação de quadrilha e tráfico internacional de arma de fogo. (Folha de S. Paulo, 18 jun. 2008. p. C8. (Adaptado)

Leia o texto para responder às questões de 08 a 10.

A MENINA COM A MAÇÃ

            Vimos que a neurociência e a linguística tratam de dois aspectos (como o cérebro funciona? O que é a linguagem?) do mesmo problema. A questão, assim, não é defender esta ou aquela filosofia da mente. A mente e o cérebro seriam duas entidades separadas ou, de acordo com a teoria da identidade, os processos mentais coincidiriam com os do sistema nervoso central? Ou deveríamos defender a tese do interacionismo, segundo a qual mente e cérebro se influenciam mutuamente? Como fazemos para compreender os outros? “Se vejo uma menina comendo uma maçã, como sei o que ela está fazendo e, ainda mais, como compreendo sua intenção, o porquê de sua ação?” São esses os termos do problema formulado pelo eminente neurologista Giacomo Rizzolatti.
            [...] Os antropólogos sustentam, há muito tempo, a hipótese de que a linguagem nasceu ao longo da evolução do hominídeo, primeiro como linguagem de sinais, depois como articulação fonética. Apoiado em sua descoberta e auxiliado por hipóteses paleoantropológicas, Rizzolatti formulou uma tese sobre a evolução da linguagem segundo a qual a capacidade de organizar sons ou gestos expressivos para comunicar teria sido desenvolvida em um contexto no qual os símbolos estariam vinculados a operações do campo manual. Em outras palavras, a comunicação suporia a gesticulação e, mais importante, o impulso a imitar a concatenação de operações dos semelhantes, com a possibilidade de inibir a ação motora e transferir a imitação para o plano dos símbolos expressivos. A teoria de Rizzolatti sobre a origem da comunicação é conhecida como hipótese de “sistema espelho”.
            A compreensão do outro, sugere Rizzolatti, está ligada a imagens que são antes imagens de gestos que traços acústicos, mas, depois, as imagens acústicas também passam a fazer parte dessa gramática simbólica da interação. O outro é agora uma presença intermitente dentro de mim, penetra em meu “cubículo” graças à gramática comum do gesto, que é também a gramática da palavra. “Enfim”, conclui Rizzolatti, “qualquer analogia entre cérebro e computador desmorona, não só por causa da diferença de funcionamento, mas pela lógica intrínseca do cérebro, que é estreitamente ligada ao mundo exterior e aos outros. O surpreendente vínculo entre a nossa ação e a dos outros pode estar na base do comportamento altruístico, como sugeriu recentemente Jean-Pierre Changeux, e representar a base natural, biológica, do comportamento ético.”

MENTE E CÉREBRO. Ano XIII. n. 151, São Paulo: Duetto Editorial, 2005. p. 65.

Altruístico: relativo a altruísmo, que significa amor ao próximo; abnegação, filantropia. (MICHAELIS, p. 117).

QUESTÃO 08 - Analisando a estrutura de construção do texto “A menina com a maçã”, é correto afirmar que se trata de um texto de divulgação científica porque

(A) os recursos linguísticos utilizados dificultam o entendimento dos leitores acerca das questões científicas.
(B) a narrativa se desenvolve com os personagens dialogando sobre o mesmo tema.
(C) a tese é apresentada e desenvolvida por meio da explicação de seu funcionamento.
(D) o assunto discutido extrapola os limites da ficção científica e alcança a realidade.
(E) as informações e os conceitos mobilizados comprometem o rigor exigido pela pesquisa científica.

QUESTÃO 09 - No primeiro período do texto, há a informação de que a neurociência e a linguística tratam de dois aspectos do mesmo problema. Considerando o primeiro parágrafo, esse problema pode ser resumido com a seguinte questão:

(A) a linguagem é um aparato mental ou o resultado de um condicionamento comportamental?
(B) os estudos devem defender a filosofia mentalista ou a filosofia da linguagem?
(C) a investigação deve se apoiar na teoria da identidade ou na noção de coincidência dos processos mentais?
(D) o sistema nervoso central é constituído por uma estrutura inata ou pela experiência do indivíduo?
(E) a mente e o cérebro são duas entidades distintas ou se influenciam mutuamente?

QUESTÃO 10 - Para fundamentar a teoria sobre a origem da comunicação, Giacomo Rizzolatti vale-se da hipótese de que há

(A) um vínculo entre a gesticulação e a imitação na compreensão entre indivíduos.
(B) uma analogia entre cérebro e computador por ambos ligarem-se estreitamente ao mundo exterior e aos outros.
(C) uma semelhança entre imitação e imagens acústicas na dificuldade de compreensão entre os indivíduos.
(D) uma oposição entre mente e cérebro que compromete o funcionamento de traços acústicos na linguagem.
(E) um antagonismo entre a base natural da ética e as ações altruístas dos indivíduos.


LITERATURA

QUESTÃO 11 - Leia o soneto de Olavo Bilac.

O incêndio de Roma

Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,
As muralhas de pedra, o espaço adormecido
De eco em eco acordando ao medonho estampido,
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.

E os templos, os museus, o Capitólio erguido
Em mármore frígio, o Foro, as erectas arcadas
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.

Longe, reverberando o clarão purpurino,
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte...
– Impassível, porém, no alto do Palatino,

Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 31.

Esse soneto atualiza um acontecimento que se refere, em específico, a um dos comportamentos insanos registrados pela História Antiga. A poetização desse fato atinge seu auge com a

(A) descrição de edifícios públicos destruídos.
(B) constatação da influência grega em Roma.
(C) abrangência de lugares atingidos pelo incêndio.
(D) indiferença da conduta mantida pelo Imperador.
(E) transformação do fogo em elemento ativo.

QUESTÃO 12 - No livro de contos O leopardo é um animal delicado, Marina Colasanti recorre a possibilidades estilísticas variadas, sendo predominante a

(A) prática da metalinguagem.
(B) utilização da prosa poética.
(C) descrição do espaço físico.
(D) ênfase no enredo convencional.
(E) enunciação em discurso direto.

QUESTÃO 13 - As narrativas A confissão, de Flávio Carneiro, e Memorial de Aires, de Machado de Assis, apresentam intrigas em que se

(A) evidencia o caráter autorreflexivo dos narradores.
(B) ocultam os principais mistérios dos protagonistas.
(C) marca a estrutura linearizada dos acontecimentos.
(D) elaboram as mínimas variações das descrições.
(E) restringem os espaços físicos das ações.

QUESTÃO 14 - Leia os fragmentos extraídos do livro Melhores poemas, de Olavo Bilac.

Tercetos

I
Noite ainda, quando ela me pedia
Entre dois beijos que me fosse embora,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:
“Espera ao menos que desponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho...
E olha que escuridão há lá por fora!
[...]
– E ela abria-me os braços. E eu ficava.

II E, já manhã, quando ela me pedia
Que de seu claro corpo me afastasse,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:
“Não pode ser! não vês que o dia nasce?
A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta...
Que diria de ti quem me encontrasse?
[...]
– E ela abria-me os braços. E eu ficava.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2003. p. 87-90.

Nesses excertos, comparecem duas características frequentes na poesia amorosa de Bilac, que são

(A) situação dialogada e materialização do amor e da mulher.
(B) vocabulário rebuscado e separação do par amoroso.
(C) inversões sintáticas e descrição da intimidade do casal.
(D) severidade formal e visão submissa da figura feminina.
(E) frases complexas e sensualidade da mulher e da natureza.

QUESTÃO 15 - Em A confissão, de Flávio Carneiro, um narrador anônimo conta a uma mulher várias histórias em algumas horas, havendo, na composição do romance, a relativização

(A) do sobrenatural, ao elucidar o fantástico e o irreal.
(B) da loucura, ao diferenciar realidade e fantasia.
(C) da violência, ao justificar assassinatos e latrocínios.
(D) do tempo, ao abrandar acontecimentos e vivências.
(E) da verdade, ao apresentar monólogo e descrição.

QUESTÃO 16 - Leia os fragmentos do poema “À beira de teu corpo”, do livro Nova antologia poética, de Afonso Felix de Sousa.

À beira de teu corpo
I
À beira de teu corpo eu busco, e alcanço-a, e agarro-a,
a mão que, de onde estás, já não me estendes, a mão
que em criança, com toda a confiança, me estendias.
E então, de mãos dadas, saíamos pelo mundo
com que te deslumbravas e eu ia aos poucos
tentando explicar, a ti que o contemplavas
com os olhos arregalados, e o colorias
a teu modo, com tintas próprias, e te soltavas
[...]
II
[...]
Tento fechar tua boca, cobrir teus dentes
que tanto amavam morder os quitutes do mundo,
deste mundo que com ternura mas mordaz olhavas
e em vão à tua maneira refazias.

SOUSA, Afonso Felix de. Nova antologia poética. Goiânia: Cegraf/UFG, 1991. p. 160-61.

Esse poema e o conto “Ainda resiste”, da coletânea O leopardo é um animal delicado, de Marina Colasanti, tematizam a ausência do filho. Essa ausência está associada, respectivamente, para o pai, no poema, e para a mãe, no conto, à

(A) angústia do presente e à memória de conflitos do passado.
(B) incompreensão diante da morte e à indignação pelo abandono do filho.
(C) quebra de expectativas e à falta de solidariedade da família.
(D) solidão diante da perda e à dor pelo afastamento sem contato.
(E) presentificação do passado e à ilusão do retorno do filho.

QUESTÃO 17 - Na peça Tarsila, publicada em 2004, Maria Adelaide Amaral aborda fatos do início do século XX, valendo-se de estratégias composicionais contemporâneas, entre as quais é central a

(A) mutação do cenário pela iluminação.
(B) marcação temporal pelas músicas.
(C) exposição de fotografias da época.
(D) modalidade do gênero da entrevista.
(E) mostra de quadros das personagens.

QUESTÃO 18 - Observe a capa do romance A confissão, de Flávio Carneiro. 


Na composição da capa desse romance, a parte superior é vermelha e a inferior é em tons de cinza e, ao centro e no primeiro plano, há uma divisão de espaços com uma cadeira vazia. A correspondência dos elementos compositivos da capa, que reportam ao enredo do livro, dá-se

(A) pela cadeira vazia, que remete ao enunciador da confissão.
(B) pelas divisões de planos, que remetem ao percurso das personagens.
(C) pela instalação do confessionário, que remete à atitude do narrador.
(D) pelos tons de cinza, que remetem à cronologia dos episódios.
(E) pela cor vermelha, que remete ao sangue das mulheres vitimadas.

QUESTÃO 19 - Leia o excerto do poema de Afonso Felix de Sousa.

Diálogo com o pai, companheiro da infância e enamorado das estrelas

Depois de muita cabeçada,
os rumos não deram em nada
e o fim da estrada é outra estrada.
– E agora, pai?
– Meter o peito para a frente,
a favor ou contra a corrente:
de um desses matos, de repente
um coelho sai.
– Um coelho, mas não na medida
que quero.
– E que queres da vida?
– Ó pai, o que quero da vida?
O quê, meu pai?
– Tenhas ou não um sub-reptício
jeito de ser, viver é o ofício
de ir levantando um edifício
que se ergue, e cai.
– Mas vai indo, a gente se cansa
de dar tantas voltas na dança.
– Ora, filho, e a fé? e a esperança?
– E daí, pai?
– Como viste ou talvez não viste,
seja a música alegre ou triste,
o homem que é homem não desiste
e a si não trai.
– Mas acho o avesso tão direito!
De que massa estranha fui feito?
Por que esta alma assim sem jeito?
Por que, meu pai?
– Não bebas tanto esses venenos
da alma, e olha: não és mais nem menos
que os outros que vão ao teu lado.
Assim como eles, um recado
tens gravado na mão, lembrando
a Morte, não se sabe quando.
[...]

SOUSA, Afonso Felix de. Nova antologia poética. Goiânia: Cegraf/UFG, 1991. p. 28-29.

Esse texto apresenta um aspecto recorrente na poesia de Afonso Felix, que pode ser sintetizado

(A) pela atualização da temática regional.
(B) pelo questionamento sobre o fazer poético.
(C) pela abordagem de conflitos familiares.
(D) pela indagação sobre o sentido da vida.
(E) pela centralidade de símbolos religiosos.

QUESTÃO 20 - O enredo de Memorial de Aires, de Machado de Assis, é dinamizado por uma aposta feita entre o Conselheiro Aires e sua irmã Rita, referente

(A) à permanência do jovem casal no Rio de Janeiro.
(B) aos últimos dias do regime imperial.
(C) aos desdobramentos da Lei Áurea.
(D) aos ganhos financeiros de Aguiar.
(E) à fidelidade da viúva à memória do falecido.

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