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domingo, 31 de agosto de 2014

UFG - 2009 - 2º Semestre - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Prova de Língua Portuguesa - UFG - 2009 - 2º Semestre - 1º Fase


Leia o texto para responder às questões de 01 a 03.

Como é mesmo o nome?

            Levou o manequim de madeira à festa porque não tinha companhia e não queria ir sozinho. Gravata bordeaux, seda. Camisa pregueada, cambraia. Terno riscado, lã. Tudo de bom. Suas melhores roupas na madeira bem talhada, bem lixada, bem pintada, melhor corpo. Só as meias um pouco grossas, o que porém se denunciaria apenas se o manequim cruzasse as pernas. Para o nariz firmemente obstruído, um lenço no bolsinho. [...] Sorridentes, os donos da casa se declararam encantados por ele ter trazido um amigo.
― Os amigos dos nossos amigos são nossos amigos ― disseram saboreando a generosidade da sua atitude. E o apresentaram a outros convidados, amigos e amigos de nossos amigos. Todos exibiam os dentes em amável sorriso.
            Recebeu o copo de uísque, sua senha. E foi colocado no canto esquerdo da sala, entre a porta e a cômoda inglesa, onde mais se harmonizaria com a decoração. [...]
            A própria dona da casa ocupou-se dele na refrega de gentilezas. Trocou-lhe o copo ainda cheio e suado por outro de puras pedras e âmbar. Atirou-se à conversa sem preocupações de tema, cuidando apenas de mantê-lo entretido. [...].
            Um doutor enalteceu-lhe a modéstia. Um senhor acusou-lhe a empáfia. E o jovem que o segurou pelo braço surpreendeu-se com sua rígida força viril.
            Nenhum suor na testa. Nenhum tremor na mão. Sequer uma ponta de tédio. Imperturbável, o manequim de madeira varava a festa em que os outros aos poucos se descompunham. Já não eram como tinham chegado. As mechas escapavam, amoleciam os colarinhos, secreções escorriam nas peles pegajosas. Só os sorrisos se mantinham, agora descorados.
            No relógio torneado do pulso rijo a festa estava em tempo de acabar. [...].
            Mais tarde, a dona da casa, tirando a maquilagem na paz final do banheiro, dedos no pote de creme, comentava a festa com o marido.
            ― Gostei ― concluiu alastrando preto e vermelho no rosto em nova máscara ― gostei mesmo daquele convidado, aquele atencioso, de terno riscado, aquele, como é mesmo o nome?

COLASSANTI, M. O leopardo é um animal delicado. Rio de Janeiro: Rocco, 1998. p.131-133.

QUESTÃO 01

O boneco adquire durante a festa aspectos da personalidade humana. Essa personificação é construída com base

(A) nas atitudes soberbas do boneco para com os demais convidados da festa.
(B) na referência à sua amizade com os anfitriões e com os demais convidados da festa.
(C) na valorização de sua beleza física comparada com a dos demais convidados.
(D) nas características de diferentes tipos humanos traduzidas nos julgamentos dos convidados.
(E) na exaltação das fraquezas humanas demonstradas pelo manequim de madeira.

QUESTÃO 02

O texto tece uma crítica a um comportamento típico da sociedade atual. Que comportamento é esse?

(A) A supervalorização dos atributos intelectuais.
(B) O excesso de gentileza espontânea.
(C) A busca pelo consumismo exagerado.
(D) O desprezo pelas regras de etiqueta.
(E) A superficialidade das relações pessoais.

QUESTÃO 03

Na caracterização do manequim de madeira, o termo “, na linha 5, marca uma

(A) contradição entre seus gostos simplórios e os gostos sofisticados do amigo.
(B) oposição entre o que ele é e o que ele foi preparado para aparentar ser.
(C) negação da tarefa de acompanhar o amigo a um evento social.
(D) retomada de sua capacidade de adaptação a diferentes contextos sociais.
(E) dúvida quanto à escolha de um figurino que seja apropriado para a festa.

Leia a charge para responder às questões de 04 a 07.

FOLHA DE S.PAULO. S. Paulo, 14 jun. 2008. p. A2
QUESTÃO 04

Analisando as imagens e as falas na charge, conclui-se que a expressão “eu quero” é polissêmica porque seu sentido é estabelecido conforme

(A) a postura política exigida pelos interlocutores.
(B) as crenças religiosas das personagens em cena.
(C) o valor dos objetos adquiridos pelos fregueses.
(D) o lugar ideológico de cada sujeito enunciador.
(E) o estilo artístico criado pelo pintor.

QUESTÃO 05

Observando as falas na charge, é correto afirmar que a mudança de significado dos objetos encomendados se dá pela

(A) repetição dos substantivos referentes à encomenda.
(B) substituição dos artigos indefinidos por definidos.
(C) qualificação da personagem com adjetivos depreciativos.
(D) gradação por meio de advérbios na descrição da cena.
(E) sucessão de um verbo de ação por um de estado.

QUESTÃO 06

No primeiro quadro da charge, para demonstrar que tanto o locutor quanto o interlocutor possuem familiaridade com a arte, foi utilizada como recurso a

(A) metonímia.   (B) sinestesia.   (C) catacrese.   (D) antítese.   (E) prosopopeia.

QUESTÃO 07

Considerando que a charge tece uma crítica aos problemas da realidade, pode-se afirmar que o segundo quadro da charge relaciona-se ao seguinte trecho de notícia:

(A) A Polícia Federal tentará descobrir se as pedras preciosas vendidas por E. R. S. para os policiais civis do Deic e Denarc têm origem legal ou se elas foram extraídas de garimpos clandestinos nas regiões Centro-Oeste e Norte do Brasil. (Folha de S. Paulo, 13 jun. 2008. p. C4)
(B) Os policiais civis A. P. e J. R. A. são acusados de ter sequestrado o enteado de M. C., chefe do PCC, e ter exigido R$ 300 mil para não prendê-lo. Também foram denunciados por negociar fuga de traficante da delegacia de Suzano. (Folha de S. Paulo, 13 jun. 2008. p. C4)
(C) Para M. A., Diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo, “a questão é: o que leva as pessoas a fazerem esses roubos? São obras conhecidas que obviamente nunca vão poder ser comercializadas legalmente. Temos que nos perguntar quem está por trás disso”. (Folha de S. Paulo, 13 jun. 2008. p. C3)
(D) O advogado do tenente V. G. M. A., suspeito de comandar os militares que entregaram os jovens a traficantes, afirmou que seu cliente não sabia que eles seriam mortos pelos traficantes. (Folha de S. Paulo, 18 jun. 2008. p. C3)
(E) Uma operação da Polícia Federal prendeu 40 suspeitos de participação em uma quadrilha de contrabandistas. Os suspeitos serão indiciados por contrabando e descaminho, formação de quadrilha e tráfico internacional de arma de fogo. (Folha de S. Paulo, 18 jun. 2008. p. C8. (Adaptado)

Leia o texto para responder às questões de 08 a 10.

A MENINA COM A MAÇÃ

            Vimos que a neurociência e a linguística tratam de dois aspectos (como o cérebro funciona? O que é a linguagem?) do mesmo problema. A questão, assim, não é defender esta ou aquela filosofia da mente. A mente e o cérebro seriam duas entidades separadas ou, de acordo com a teoria da identidade, os processos mentais coincidiriam com os do sistema nervoso central? Ou deveríamos defender a tese do interacionismo, segundo a qual mente e cérebro se influenciam mutuamente? Como fazemos para compreender os outros? “Se vejo uma menina comendo uma maçã, como sei o que ela está fazendo e, ainda mais, como compreendo sua intenção, o porquê de sua ação?” São esses os termos do problema formulado pelo eminente neurologista Giacomo Rizzolatti.
            [...] Os antropólogos sustentam, há muito tempo, a hipótese de que a linguagem nasceu ao longo da evolução do hominídeo, primeiro como linguagem de sinais, depois como articulação fonética. Apoiado em sua descoberta e auxiliado por hipóteses paleoantropológicas, Rizzolatti formulou uma tese sobre a evolução da linguagem segundo a qual a capacidade de organizar sons ou gestos expressivos para comunicar teria sido desenvolvida em um contexto no qual os símbolos estariam vinculados a operações do campo manual. Em outras palavras, a comunicação suporia a gesticulação e, mais importante, o impulso a imitar a concatenação de operações dos semelhantes, com a possibilidade de inibir a ação motora e transferir a imitação para o plano dos símbolos expressivos. A teoria de Rizzolatti sobre a origem da comunicação é conhecida como hipótese de “sistema espelho”.
            A compreensão do outro, sugere Rizzolatti, está ligada a imagens que são antes imagens de gestos que traços acústicos, mas, depois, as imagens acústicas também passam a fazer parte dessa gramática simbólica da interação. O outro é agora uma presença intermitente dentro de mim, penetra em meu “cubículo” graças à gramática comum do gesto, que é também a gramática da palavra. “Enfim”, conclui Rizzolatti, “qualquer analogia entre cérebro e computador desmorona, não só por causa da diferença de funcionamento, mas pela lógica intrínseca do cérebro, que é estreitamente ligada ao mundo exterior e aos outros. O surpreendente vínculo entre a nossa ação e a dos outros pode estar na base do comportamento altruístico, como sugeriu recentemente Jean-Pierre Changeux, e representar a base natural, biológica, do comportamento ético.”

MENTE E CÉREBRO. Ano XIII. n. 151, São Paulo: Duetto Editorial, 2005. p. 65.

Altruístico: relativo a altruísmo, que significa amor ao próximo; abnegação, filantropia. (MICHAELIS, p. 117).

QUESTÃO 08

Analisando a estrutura de construção do texto “A menina com a maçã”, é correto afirmar que se trata de um texto de divulgação científica porque

(A) os recursos linguísticos utilizados dificultam o entendimento dos leitores acerca das questões científicas.
(B) a narrativa se desenvolve com os personagens dialogando sobre o mesmo tema.
(C) a tese é apresentada e desenvolvida por meio da explicação de seu funcionamento.
(D) o assunto discutido extrapola os limites da ficção científica e alcança a realidade.
(E) as informações e os conceitos mobilizados comprometem o rigor exigido pela pesquisa científica.

QUESTÃO 09

No primeiro período do texto, há a informação de que a neurociência e a linguística tratam de dois aspectos do mesmo problema. Considerando o primeiro parágrafo, esse problema pode ser resumido com a seguinte questão:

(A) a linguagem é um aparato mental ou o resultado de um condicionamento comportamental?
(B) os estudos devem defender a filosofia mentalista ou a filosofia da linguagem?
(C) a investigação deve se apoiar na teoria da identidade ou na noção de coincidência dos processos mentais?
(D) o sistema nervoso central é constituído por uma estrutura inata ou pela experiência do indivíduo?
(E) a mente e o cérebro são duas entidades distintas ou se influenciam mutuamente?

QUESTÃO 10

Para fundamentar a teoria sobre a origem da comunicação, Giacomo Rizzolatti vale-se da hipótese de que há

(A) um vínculo entre a gesticulação e a imitação na compreensão entre indivíduos.
(B) uma analogia entre cérebro e computador por ambos ligarem-se estreitamente ao mundo exterior e aos outros.
(C) uma semelhança entre imitação e imagens acústicas na dificuldade de compreensão entre os indivíduos.
(D) uma oposição entre mente e cérebro que compromete o funcionamento de traços acústicos na linguagem.
(E) um antagonismo entre a base natural da ética e as ações altruístas dos indivíduos.


LITERATURA

QUESTÃO 11

Leia o soneto de Olavo Bilac.

O incêndio de Roma

Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,
As muralhas de pedra, o espaço adormecido
De eco em eco acordando ao medonho estampido,
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.

E os templos, os museus, o Capitólio erguido
Em mármore frígio, o Foro, as erectas arcadas
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.

Longe, reverberando o clarão purpurino,
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte...
– Impassível, porém, no alto do Palatino,

Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 31.

Esse soneto atualiza um acontecimento que se refere, em específico, a um dos comportamentos insanos registrados pela História Antiga. A poetização desse fato atinge seu auge com a

(A) descrição de edifícios públicos destruídos.
(B) constatação da influência grega em Roma.
(C) abrangência de lugares atingidos pelo incêndio.
(D) indiferença da conduta mantida pelo Imperador.
(E) transformação do fogo em elemento ativo.

QUESTÃO 12

No livro de contos O leopardo é um animal delicado, Marina Colasanti recorre a possibilidades estilísticas variadas, sendo predominante a

(A) prática da metalinguagem.
(B) utilização da prosa poética.
(C) descrição do espaço físico.
(D) ênfase no enredo convencional.
(E) enunciação em discurso direto.

QUESTÃO 13

As narrativas A confissão, de Flávio Carneiro, e Memorial de Aires, de Machado de Assis, apresentam intrigas em que se

(A) evidencia o caráter autorreflexivo dos narradores.
(B) ocultam os principais mistérios dos protagonistas.
(C) marca a estrutura linearizada dos acontecimentos.
(D) elaboram as mínimas variações das descrições.
(E) restringem os espaços físicos das ações.

QUESTÃO 14

Leia os fragmentos extraídos do livro Melhores poemas, de Olavo Bilac.

Tercetos

I
Noite ainda, quando ela me pedia
Entre dois beijos que me fosse embora,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:
“Espera ao menos que desponte a aurora!
Tua alcova é cheirosa como um ninho...
E olha que escuridão há lá por fora!
[...]
– E ela abria-me os braços. E eu ficava.

II E, já manhã, quando ela me pedia
Que de seu claro corpo me afastasse,
Eu, com os olhos em lágrimas, dizia:
“Não pode ser! não vês que o dia nasce?
A aurora, em fogo e sangue, as nuvens corta...
Que diria de ti quem me encontrasse?
[...]
– E ela abria-me os braços. E eu ficava.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. São Paulo: Global, 2003. p. 87-90.

Nesses excertos, comparecem duas características frequentes na poesia amorosa de Bilac, que são

(A) situação dialogada e materialização do amor e da mulher.
(B) vocabulário rebuscado e separação do par amoroso.
(C) inversões sintáticas e descrição da intimidade do casal.
(D) severidade formal e visão submissa da figura feminina.
(E) frases complexas e sensualidade da mulher e da natureza.

QUESTÃO 15

Em A confissão, de Flávio Carneiro, um narrador anônimo conta a uma mulher várias histórias em algumas horas, havendo, na composição do romance, a relativização

(A) do sobrenatural, ao elucidar o fantástico e o irreal.
(B) da loucura, ao diferenciar realidade e fantasia.
(C) da violência, ao justificar assassinatos e latrocínios.
(D) do tempo, ao abrandar acontecimentos e vivências.
(E) da verdade, ao apresentar monólogo e descrição.

QUESTÃO 16

Leia os fragmentos do poema “À beira de teu corpo”, do livro Nova antologia poética, de Afonso Felix de Sousa.

À beira de teu corpo
I
À beira de teu corpo eu busco, e alcanço-a, e agarro-a,
a mão que, de onde estás, já não me estendes, a mão
que em criança, com toda a confiança, me estendias.
E então, de mãos dadas, saíamos pelo mundo
com que te deslumbravas e eu ia aos poucos
tentando explicar, a ti que o contemplavas
com os olhos arregalados, e o colorias
a teu modo, com tintas próprias, e te soltavas
[...]
II
[...]
Tento fechar tua boca, cobrir teus dentes
que tanto amavam morder os quitutes do mundo,
deste mundo que com ternura mas mordaz olhavas
e em vão à tua maneira refazias.

SOUSA, Afonso Felix de. Nova antologia poética. Goiânia: Cegraf/UFG, 1991. p. 160-61.

Esse poema e o conto “Ainda resiste”, da coletânea O leopardo é um animal delicado, de Marina Colasanti, tematizam a ausência do filho. Essa ausência está associada, respectivamente, para o pai, no poema, e para a mãe, no conto, à

(A) angústia do presente e à memória de conflitos do passado.
(B) incompreensão diante da morte e à indignação pelo abandono do filho.
(C) quebra de expectativas e à falta de solidariedade da família.
(D) solidão diante da perda e à dor pelo afastamento sem contato.
(E) presentificação do passado e à ilusão do retorno do filho.

QUESTÃO 17

Na peça Tarsila, publicada em 2004, Maria Adelaide Amaral aborda fatos do início do século XX, valendo-se de estratégias composicionais contemporâneas, entre as quais é central a

(A) mutação do cenário pela iluminação.
(B) marcação temporal pelas músicas.
(C) exposição de fotografias da época.
(D) modalidade do gênero da entrevista.
(E) mostra de quadros das personagens.

QUESTÃO 18

Observe a capa do romance A confissão, de Flávio Carneiro. 


Na composição da capa desse romance, a parte superior é vermelha e a inferior é em tons de cinza e, ao centro e no primeiro plano, há uma divisão de espaços com uma cadeira vazia. A correspondência dos elementos compositivos da capa, que reportam ao enredo do livro, dá-se

(A) pela cadeira vazia, que remete ao enunciador da confissão.
(B) pelas divisões de planos, que remetem ao percurso das personagens.
(C) pela instalação do confessionário, que remete à atitude do narrador.
(D) pelos tons de cinza, que remetem à cronologia dos episódios.
(E) pela cor vermelha, que remete ao sangue das mulheres vitimadas.

QUESTÃO 19

Leia o excerto do poema de Afonso Felix de Sousa.

Diálogo com o pai, companheiro da infância e enamorado das estrelas

Depois de muita cabeçada,
os rumos não deram em nada
e o fim da estrada é outra estrada.
– E agora, pai?
– Meter o peito para a frente,
a favor ou contra a corrente:
de um desses matos, de repente
um coelho sai.
– Um coelho, mas não na medida
que quero.
– E que queres da vida?
– Ó pai, o que quero da vida?
O quê, meu pai?
– Tenhas ou não um sub-reptício
jeito de ser, viver é o ofício
de ir levantando um edifício
que se ergue, e cai.
– Mas vai indo, a gente se cansa
de dar tantas voltas na dança.
– Ora, filho, e a fé? e a esperança?
– E daí, pai?
– Como viste ou talvez não viste,
seja a música alegre ou triste,
o homem que é homem não desiste
e a si não trai.
– Mas acho o avesso tão direito!
De que massa estranha fui feito?
Por que esta alma assim sem jeito?
Por que, meu pai?
– Não bebas tanto esses venenos
da alma, e olha: não és mais nem menos
que os outros que vão ao teu lado.
Assim como eles, um recado
tens gravado na mão, lembrando
a Morte, não se sabe quando.
[...]

SOUSA, Afonso Felix de. Nova antologia poética. Goiânia: Cegraf/UFG, 1991. p. 28-29.

Esse texto apresenta um aspecto recorrente na poesia de Afonso Felix, que pode ser sintetizado

(A) pela atualização da temática regional.
(B) pelo questionamento sobre o fazer poético.
(C) pela abordagem de conflitos familiares.
(D) pela indagação sobre o sentido da vida.
(E) pela centralidade de símbolos religiosos.

QUESTÃO 20

O enredo de Memorial de Aires, de Machado de Assis, é dinamizado por uma aposta feita entre o Conselheiro Aires e sua irmã Rita, referente

(A) à permanência do jovem casal no Rio de Janeiro.
(B) aos últimos dias do regime imperial.
(C) aos desdobramentos da Lei Áurea.
(D) aos ganhos financeiros de Aguiar.
(E) à fidelidade da viúva à memória do falecido.


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Um comentário:

  1. bom eu achei as perguntas mais na onde estao as resposta

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