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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

PUC – SP – 2010 – 2 º Semestre – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA – PUC-SP  2010

Composição da letra do Hino Nacional completa 100 anos

Em 2009, além do centenário desse importante símbolo nacional, foi aprovada lei que define como obrigatória a execução do Hino ao menos uma vez por semana em escolas públicas e particulares de ensino fundamental. Leia este conjunto de textos, quase todos adaptados, que fazem várias referências ao Hino Nacional. 

TEXTO 1

Pátria amada, mãe gentil?

Como lembrava o arcebispo Desmond Tutu, incansável na luta pelos direitos civis: “Se ficarmos neutros numa situação de injustiça, teremos escolhido o lado do opressor”. Presidente, principalmente você, que tem história para ser o exemplo, pode atender ao grito ensurdecedor de tantos filhos da nação.
Assumindo o combate sem limites ao grupo de predadores assentados no poder.  Exigindo que a Justiça faça das leis instrumentos verdadeiros de defesa dos direitos, e não objetos de proteção aos ímprobos e poderosos.
E, tomado por compaixão,  adotando ações genuínas para reduzir os efeitos da desigualdade e para resgatar a condição humana ddesses brasileiros. Só assim, perfilado no dia da pátria, você conseguirá, marejado, declamar com a multidão: “Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada, Brasil”.

Miguel Srougi, In: Folha de S. Paulo, 06/09/2009.

TEXTO 2

Nossa pátria mãe gentil

Preserve a Amazônia, mãe gentil
Com sua beleza sem igual
Ela é o tesouro do Brasil
Com suas riquezas naturai

Estão vendendo nossa nação
Estão entregando nosso quinhão
A gente tem que gritar
Não vamos nos acomodar
Pois isso aqui é nossa terra

Esses homens vão ter que entender
Que isto aqui é o nosso Brasil
Nosso chão, nossa vida, nossa pátria mãe gentil
Isso um dia vai ter que mudar
A justiça vai ter que acordar
E a igualdade um dia vai raia

Intérprete: Beth Carvalho
Composição: Vaguinho / Boneco, In: Pagode de mesa ao vivo – vol. 2

TEXTO 3

PAINEL DO LEITOR

Mãe gentil

“O artigo do doutor Miguel Srougi de domingo ("Pátria amada, mãe gentil?", “Tendências/Debates') é um grande alento, principalmente por tratar-se de alguém que, sendo um dos nossos mais ilustres e respeitados profissionais da medicina, optou por não se omitir, colocando sua liderança e credibilidade a serviço da cidadania ativa e da justiça social.
Sua voz qualificada renova as esperanças de que o Estado brasileiro, sistematicamente saqueado ao longo de sua história por vorazes minorias públicas e privadas, que o manipulam em benefício próprio, venha a tornar-se, um dia, a mãe gentil de todos os brasileiros.”

JOSÉ BENJAMIM DE LIMA, promotor de Justiça aposentado, (Assis, SP) - In: FOLHA  de S. Paulo. Opinião, 08/09/2009

1. Em relação a cada um dos três textos, indique: [a] o gênero a que pertencem; [b] o propósito comunicativo; [c] em que o(s) autor(es) se baseia(m) para apontar o propósito comunicativo e/ou o que o(s) motivou a manifestá-lo.

A) Texto 1: [a] artigo de opinião; [b] o autor apresenta por que o presidente tem de exigir justiça; [c] desfaçatez dos criminosos que ficam impunes.
     Texto 2: [a] poema épico; [b] os autores incitam os brasileiros a protestarem com veemência contra impunidade; [c] devastação que todo o Brasil, especialmente a Amazônia, vem sofrendo.
     Texto 3: [a] carta de leitor; [b] o aposentado manifesta sua esperança de que o país consiga ser justo igualmente a todos os brasileiros; [c] o texto do médico, publicado dois dias antes.
B) Texto 1: [a] artigo de opinião; [b] o autor propõe ações que o presidente poderia realizar para tornar o Brasil um país mais justo; [c] impunidade aos que cometem crimes, mas continuam no poder.
     Texto 2: [a] canção; [b] os autores incitam os brasileiros a protestarem com veemência; [c] devastação que a Amazônia vem sofrendo.
     Texto 3: [a] carta de leitor; [b] o aposentado manifesta sua esperança de que o país seja justo para todos seus cidadãos; [c] o texto do médico, publicado dois dias antes.
C) Texto 1: [a] artigo de opinião; [b] o autor relembra os dizeres do arcebispo Desmond Tutu; [c] impunidade aos que cometem crimes, mas continuam no poder.
     Texto 2: [a] canção; [b] os autores incitam os brasileiros a protestarem com veemência; [c] devastação que a Amazônia vem sofrendo.
     Texto 3: [a] carta de leitor; [b] o aposentado concorda com o que o médico defende; [c] a necessidade de mudar o país.
D) Texto 1: [a] notícia; [b] o autor questiona se o Brasil é realmente o país justo e acolhedor a que o Hino se refere; [c] a permanência no poder dos que cometem crimes, mas ficam impunes.
     Texto 2: [a] canção; [b] os autores incitam os brasileiros a protestarem com veemência; [c] devastação que a Amazônia vem sofrendo.
     Texto 3: [a] artigo de opinião; [b] o aposentado se manifesta confiantemente quanto ao país ser justo para com todos seus cidadãos; [c] a concordância com o texto do médico, manifestada dois dias antes.
E) Texto 1: [a] artigo de opinião; [b] o autor questiona se o Brasil é realmente o país justo e acolhedor a que o Hino se refere; [c] impunidade aos que cometem crimes, mas continuam no poder.
     Texto 2: [a] poema épico; [b] os autores incitam os brasileiros a protestarem com veemência; [c] devastação que a Amazônia vem sofrendo.
     Texto 3: [a] carta ao leitor; [b] o aposentado aposta numa justiça equilibrada para todos os cidadãos brasileiros; [c] a esperança de que o país se recupere em benefício próprio

2. No texto 1, o autor dirige-se ao presidente para pedir que ele atenda “ao grito ensurdecedor de tantos filhos da nação”. O gerúndio (em negrito) é empregado em três passagens para expressar ideia de:

A) concessão.
B) comparação.
C) oposição.
D) condição.
E) causa.

3. No texto 2, os versos “A gente tem que gritar / Não vamos nos acomodar”, há mistura de pessoas verbais: a gente (3ª pessoa do singular) e nós (1ª pessoa do plural). Trata-se de:

A) uma característica da linguagem coloquial e, considerando a situação comunicativa, não configura erro.
B) um erro, pois, ainda que se trate de um samba, deve seguir o que prescreve a norma culta.
C) um acerto, pois em sambas tem de haver essa mistura.
D) uma característica da linguagem coloquial e, considerando a situação comunicativa, configura erro.
E) uma característica da linguagem coloquial, cujo alto grau de formalidade está adequado para o contexto em que circula.

4. Relacione os trechos da Coluna A aos recursos de linguagem presentes na Coluna B:

COLUNA A

1   Ela é o tesouro do Brasil [texto 2]
2   A justiça vai ter que acordar [texto 2]
3   Sua voz qualificada renova as esperanças [texto 3]
4   vorazes minorias públicas e privadas [texto 3]
5   Benefício próprio [texto 3]

COLUNA B

(  ) Metonímia,  por designar o todo pela parte.
(  ) Eufemismo como recurso intencional para suavizar a carga conotativa de roubalheira.
(  ) Hipérbole como recurso intencional para aumentar a carga expressiva de outra palavra.
(  ) Metáfora para qualificar designação de um objeto ou qualidade mediante uma palavra que designa outro objeto.
(  ) Personificação, por atribuir características humanas a algo. 

A) 3 – 4 – 2 – 1 – 5
B) 5 – 3 – 2 – 1 – 4
C) 1 – 4 – 2 – 5 – 3
D) 3 – 5 – 2 – 1 – 4
E) 3 – 5 – 4 – 1 – 2

5. Para a construção do título Pátria amada, mãe gentil? (texto 1), o autor se vale de uma pergunta, entendida como recurso estratégico:

A) para desencadear uma reflexão sobre algo que não se questiona, além de estimular uma resposta imediata do presidente, ou seja, fazer com que ele responda ao jornal.
B) que exige uma resposta dos leitores, isto é, que eles se dirijam ao presidente com um discurso ornamentado com figuras de linguagem.
C) sem a intenção de obter resposta, mas que tem como efeito de sentido despertar o interesse do leitor e levá-lo a refletir sobre algo que é inquestionável; no caso, mostrar que o presidente pode atender ao que necessitam muitos brasileiros.
D) sem intenção de obter resposta, mas com vistas a introduzir um apelo à leitura e impor uma resposta imediata do presidente, que deverá atender ao que necessitam muitos brasileiros.
E) que apresenta um questionamento ao leitor, cuja intenção é tornar o discurso mais dinâmico e estimulá-lo a pensar na melhor resposta a ser dada ao presidente.

6. “E bem, qualquer que seja a solução, uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me... que a terra lhes seja leve!”

O trecho acima integra o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, cujo personagem Bentinho considera o comportamento de Capitu, marcado por procedimentos negativos, como dissimulação, astúcia, arte de fingir, mobilização pelo interesse, falsidade e traição. Assim, a condenação do marido quanto à presumida conduta adulterina da mulher apoia-se em dados factuais. Todos os fatos relacionados abaixo alimentam a suspeita dele, exceto um. Indique-o.

A) Bentinho vai ao teatro sozinho, já que a esposa está adoentada, volta antes de a peça terminar e surpreende Escobar em sua casa, a pretexto de tratar de "embargos de terceiros".
B) A ajuda que Escobar presta a Capitu na conversão em libras esterlinas de algumas economias, fato que contrariava Bentinho.
C) A semelhança física entre o filho Ezequiel e Escobar, percebida no hábito que tinha o menino de imitar as pessoas.
D) Os olhos de ressaca, de cigana oblíqua e dissimulada, capazes de arrastar para dentro como a vaga que se retira da praia.
E) Reação de Capitu no enterro de Escobar, seu choro e o olhar que dirige ao morto.

7. “E naquela terra encharcada e fumegante, naquela umidade quente e lodosa, começou a minhocar, a esfervilhar, a crescer, um mundo, uma coisa viva, uma geração, que parecia brotar espontânea, ali mesmo, daquele lameiro, e multiplicar-se como larvas no esterco.”

O trecho acima caracteriza o espaço germinal de O Cortiço, obra de Aluísio Azevedo. No romance, descrevem-se dois grandes conjuntos: o cortiço São Romão e o sobrado de Miranda, que mantêm entre si um restrito e controlado regime de trocas. 
Sobre o romance NÃO é permitido afirmar que:

A) no cortiço, do ponto de vista racial, a grande maioria da população é de negros e mestiços e, do ponto de vista social, todos são empregados e assalariados, nivelam-se pela miséria e pobreza e identificam-se mais pelas semelhanças que pelas diferenças.
B) há no cortiço, enquanto espaço físico, um nítido movimento de expansão que compreende várias etapas progressivas como a da Taverna, a da venda, a da quitanda, a da casa de pasto, a do bazar, a do grande armazém, a da estalagem, a do sobrado e finalmente, a da Avenida São Romão.
C) no cortiço de João Romão verifica-se o predomínio do instinto, revelando o lado mais animal do homem, vivendo em espaço horizontal e solucionando seus conflitos pela violência.
D) no sobrado de Miranda há a dominância da razão, indiciando um homem posto mais ao lado da cultura, vivendo em espaço vertical e solucionando seus conflitos por via de trocas e de interesses.
E) a construção do muro que divide as propriedades de João Romão e as do Miranda simboliza o conflito entre eles e denuncia a impossibilidade de qualquer sistema de alianças de que ambos poderiam auferir alguma vantagem.

8. Leia os trechos abaixo.

Trecho A

A Mulher que passa

Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!

Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!

Teus sentimentos são poesia
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são o relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
(...)

Trecho B

A brusca poesia da mulher amada

Longe dos pescadores os rios infindáveis vão morrendo de sede lentamente ...
Eles foram vistos caminhando de noite para o amor – oh, a mulher amada é como a fonte!
A mulher amada é como o pensamento do filósofo sofrendo
A mulher amada é como o lago dormindo no cerro perdido
Mas quem é essa misteriosa que é como um círio crepitando no peito?
Essa que tem olhos, lábios e dedos dentro da forma inexistente?
Pelo trigo a nascer nas campinas de sol a terra amorosa elevou a face pálida dos lírios
E os lavradores foram se m udando em príncipes de mãos finas e rostos transfigurados ...
Oh, a mulher amada é como a onda sozinha correndo distante das praias
Pousada no fundo estará a estrela, e mais além.

Considerando a obra poética de Vinicius de Moraes e a comparação entre os dois poemas acima, indique a alternativa cujo enunciado está correto.

A) Em A, há a visão idealizada da mulher, resultado da influência da fase religiosa e mística do poeta; em B, a realista, sensual e erótica.
B) Em B, há a exaltação do amor sensual e a descrição voluptuosa de uma experiência.
C) Em A, a mulher é vista não de uma forma idealizada, mas como elemento provocador do sensualismo erótico, o que explicita uma das partes da obra poética de Vinícius, na caracterização da figura feminina.
D) Em ambos, a construção poética se faz pelo largo uso das figuras de linguagem, em que se destacam as metáforas e as antíteses.
E) Em ambos, a proeminência dos elementos da natureza materializa a forma feminina e a revela como objeto sensual de desejo.

9. “Todos reconheceram os direitos de Pedro Bala à chefia, e foi dessa época que a cidade começou a ouvir falar nos Capitães da Areia, crianças abandonadas que viviam do furto. Nunca ninguém soube o número exato de meninos que assim viviam. Eram bem uns cem e destes mais de quarenta dormiam nas ruínas do velho trapiche.”

O trecho acima é do romance Capitães da Areia que, escrito em 1937, se inscreve entre os “romances proletários” de Jorge Amado.
Considerando-o como um todo, é correto afirmar que:

A) destaca e exalta o tema da infância abandonada e delinquente, incentivada pelos interesses da imprensa local e admitida pelas autoridades policiais, caracterizando um cotidiano de ações marginais capazes de transtornar a sociedade baiana da época.
B) consubstancia o percurso de aprendizagem do herói que supera a condição de origem e eleva o protagonista ao plano histórico do confronto social e político.
C) a mãe de santo e o padre progressista, personagens do romance, ainda que pudessem representar a convergência sincrética de forças protetoras e elementos capazes de minimizar a orfandade dos Capitães, nada conseguem porque não têm influência sobre o bando.
D) a prisão e a tortura de Pedro Bala no reformatório, confinado no cubículo escuro da cafua, apenas intensificam seu instinto de violência e a necessidade de vingança contra a sociedade.
E) Pedro Bala, líder dos Capitães, ao final, vê-se derrotado no intento de realizar seu sonho de transformação social e é literalmente abandonado pelos demais porque Volta Seca  junta-se ao bando de Lampião, Professor vai ser artista na capital, Pirulito ingressa na vida religiosa, Boa Vida  torna-se sambista e o Gato adere à marginalidade em Ilhéus.

10. “Fabiano, você é um homem, exclamou em voz alta.
      Conteve-se, notou que os meninos estavam perto, com certeza iam admirar-se ouvindo-o falar só. E, pensando bem, ele não era homem: era apenas um cabra ocupado em guardar coisas dos outros. Vermelho, queimado, tinha os olhos azuis, a barba e os cabelos ruivos; mas como vivia em terra alheia, cuidava de animais alheios, descobria-se, encolhia-se na presença dos brancos e julgava-se cabra.
      Olhou em torno, com receio de que, fora os meninos, alguém tivesse percebido a  frase imprudente. Corrigiu-a, murmurando:
      – Você é um bicho, Fabiano.”

O trecho acima é da obra Vidas Secas, de Graciliano Ramos.  No texto em questão:

A) o narrador interioriza-se no personagem Fabiano e auxilia-o em sua expressão, visto que ele se comunica com muita dificuldade.
B) há exclusividade do discurso direto, presente em: "– Fabiano, você é um homem" e "– Você é um bicho, Fabiano".
C) desaparece o uso do discurso indireto livre, embora o personagem se mostre aturdido e com o pensamento fragmentado.
D) há uma relação de oposição entre homem e bicho, circunscrita no uso apenas do discurso indireto livre.
E) o procedimento narrativo é a base do texto, inexistindo qualquer outra forma de descrição.
GABARITO

1 - B    2 - D    3 - A    4 - E     5 - C 6 - D    7 - E    8 - C    9 - B   10 - A

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