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domingo, 19 de junho de 2016

Texto: "Rita" — Rubem Braga

Rita

"A rosa amarela".
Alfredo Rodriguez.
            No meio  da  noite despertei sonhando com minha filha Rita. Eu a via nitidamente, na graça de seus cinco anos. 
            Seus cabelos castanhos - a fita azul - o nariz reto, correto, os olhos de água, o riso fino, engraçado, brusco...
            Depois um instante de seriedade; minha filha Rita encarando a vida sem medo, mas séria, com dignidade.
            Rita ouvindo música; vendo campos,mares,montanhas; ouvindo de seu pai o pouco, o nada que ele sabe das coisas,mas pegando dele seu jeito de amar - sério, quieto, devagar.
            Eu lhe traria cajus amarelos e vermelhos, seus olhos brilhantes de prazer, eu lhe ensinaria a palavra cica, e também a amar os bichos tristes, a anta e a pequena cutia; o córrego; e a nuvem tangida pela viração.
            Minha filha Rita em meu sonho me sorria - com pena deste seu pai, que nunca teve.

(Rubem Braga)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

“A primeira só” — Marina Colasanti
“Os dois lados” – Murilo Mendes 

“Meus oito anos” – Cassiano Ricardo
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