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domingo, 29 de junho de 2014

Tema de Redação - UFG - 2011 - 2º Semestre

Tema de Redação - UFG - 2011 - 2º Semestre

Instruções

            A prova de redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu texto, você deve escolher um dos gêneros indicados abaixo:
            A – Artigo de opinião
            B – Carta de leitor
            C – Conto
            O tema é único para os três gêneros e deve ser desenvolvido segundo a proposta escolhida.
            A fuga do tema anula a redação. A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu texto. Independentemente do gênero escolhido, o seu texto NÃO deve ser assinado.

Tema: Entre a cultura do individualismo e a manutenção de valores sociais

Coletânea

1. Os ombros suportam o mundo - Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Disponível em: <http://www.releituras.com/drummond_osombros.asp>. Acesso em: 21 mar. 2011.

2. Indivíduo e sociedade

            […] Onde poderíamos encontrar, nas grandes cidades, os chamados ritos de passagens para a vida adulta? Ante a inexistência de uma comunidade coesa, que partilha com todos os seus membros valores comuns, dificilmente poderemos encontrar um único ritual que marque simbolicamente a passagem do adolescente para o universo adulto. Em uma sociedade fragmentada, hierarquizada, capaz de comportar distintas manifestações culturais, esses rituais apenas podem ser identificados e apreendidos na trajetória individual de cada adolescente.
            Conforme a história de vida, as relações familiares, a situação financeira, as crenças religiosas e os laços de sociabilidades, cada jovem armazenará em sua experiência de vida algum tipo de evento simbólico que sinalizará sua entrada no mundo adulto. Por exemplo, o vestibular, o trote, o serviço militar, o culto religioso ou até a maternidade precoce.

            Ritual e religião
           
            Em algumas tradições religiosas, o jovem ingressa no mundo dos adultos depois de participar de uma elaborada cerimônia religiosa. Na religião judaica, por exemplo, há o bar mitzvah, para os meninos que completam 13 anos, e o bat mitzvah, para as meninas de 12. Julga-se que esses adolescentes, já maduros nessas idades, são capazes de contribuir para a sociedade à qual pertencem. Por isso, em um ritual que a todos reúne, os jovens recitam trechos sagrados e seguem determinadas prescrições a fim de que, publicamente, possam ser reconhecidos como pessoas preparadas para mais uma etapa da vida.
            Na Igreja Católica, a crisma, considerada, ao lado do batismo e da eucaristia, um dos sacramentos da iniciação cristã, apresenta um propósito semelhante. Meninos e meninas com mais de 15 anos podem participar dos rituais a ser ungidos pelo padre ou bispo com óleo sagrado, símbolo da purificação da alma, que vai abençoá-los e prepará-los para maior compreensão dessa doutrina religiosa.
            Evidentemente, para os jovens inclinados a um caminho de reclusão, os rituais são um pouco mais elaborados. Ao atravessarem os portões de um monastério ou de um convento, precisam deixar para trás os antigos costumes da vida mundana. Por isso, em geral enfrentam um período de noviciato, no qual precisam abandonar as vestes seculares e fazer diversos votos (entre eles, o de abstinência sexual), com o intuito de poder assumir efetivamente o compromisso de uma vida voltada para o cultivo da fé e da compaixão. Depois do noviciato, caso estejam preparados, recebem um novo título, conforme a doutrina de sua religião, que os qualifica para uma atuação maior em sua comunidade espiritual.

EL FAR, Alessandra. O olhar adolescente – mente e cérebro, n. 4. Dueto Editorial. São Paulo, [s.d.], p. 17-20.

3. Bem comum passa pela educação e solidariedade - Marina Dias

            O bem comum é o objetivo que une os homens em sociedade e determina o modo como devem se organizar. A atual era individualista que vivemos, com bases na especulação financeira, coloca-se contrária ao coletivismo e, consequentemente, à prática do bem comum. Para discutir a aplicação desse conceito e entender sobre os caminhos que levam à solidariedade, o Espaço Cidadania entrevistou Luiz Roberto Alves, que atualmente é professor titular do Programa de Pós-graduação em Administração e coordenador acadêmico da Cátedra de Gestão de Cidades da Universidade Metodista de São Paulo.

            Espaço Cidadania: As pessoas estão preocupadas com o bem comum ou voltadas para os interesses particulares?
            Luiz Roberto Alves: Eu não generalizaria. As maiorias lutam pelo seu espaço, ganho, sobrevivência. No entanto, organizações e movimentos sociais em todo o mundo se movimentam pelo ambiente saudável, por reivindicações de políticas de qualidade, pela transparência nas coisas públicas e pelo direito à migração, ou por fazer da saúde um direito universal.
            Espaço Cidadania: Por que o coletivismo enfatiza o bem comum?
            Luiz Roberto: Em vez de pensar o coletivismo, prefiro pensar os projetos comunitários. Pensar comunitariamente é uma tendência minoritária, mas forte, como condição para nos localizarmos na globalidade com identidade.
            Espaço Cidadania: Quais são as formas de atingir o bem comum nessa sociedade individualista?
            Luiz Roberto: Visar e buscar o bem comum implica participar de ações de educação social e de cultura política em nossas cidades. Fazer, como diria Paulo Freire, leituras de palavra e mundo. Descobrir novos códigos de relações humanas e fazer a crítica do tipo de sociedade em que fomos envolvidos. Denunciar o “financismo” que
agora nos rouba as economias e os sacrifícios feitos em décadas. Educar as novas gerações para a solidariedade e para o entendimento da cultura como construção de valores simbólicos a favor do que é comum, local e universal a um só tempo, próximo e distante.

Disponível em: <http://www.metodista.br/cidadania/numero-63/entrevista>.  [Adaptado].

4. Solteiro até que a morte nos separe - Ronaud Pereira

            Ontem a noite, assistindo à televisão, pulando de canal em canal, por acaso, parei num programa daqueles de cunho religioso, mas muito atual, com ares de programa pop onde discutiam a opção de permanecer solteiro nos dias de hoje. O tema era: “A gente pega mas não se apega” e a questão era: “Medo da decepção, falta de opção ou convicção?”. Pelo telefone as pessoas respondiam a essa questão e até me surpreendi com o resultado. Eu acreditava que a falta de opção ganharia ênfase, mas ficou com nenhum voto, ao passo que o medo da decepção das pessoas com seus pares ficou com 90% dos votos dos telespectadores.
            Eu vejo essa opção de permanecer solteiro motivada por todos os três itens da questão levantada acima, e não somente por um. Temos medo da decepção, já que conhecemos bem a natureza humana e sabemos que os comportamentos se repetem. Se temos medo de nos decepcionar, é evidente que é por não encontrarmos uma opção (alguém) melhor que afaste de nós esse medo e nos torne confiantes num futuro a dois. Todos os bons partidos já estão casados, ouvi uma vez. Por fim, ficamos convictos de que é melhor estar só do que mal acompanhado, o que ainda é uma grande verdade.
            Hoje fala-se que vivemos numa sociedade muito individualista, como se algum dia essa sociedade tivesse sido plenamente coletivista. Lênin bem que tentou. Mas o russo trabalhador, que fazia sua parte, não gostou de saber que pagava indiretamente a comida do outro compatriota preguiçoso que não queria saber de nada. O Capitalismo permaneceu porque incentiva o esforço individual. E muito além disso, o Capitalismo permaneceu porque nada mais é do que a institucionalização da natureza humana, que é individualista desde sempre. O que há de coletivo em nosso comportamento é mais estimulado por fatores alheios à nossa vontade do que por um sentimento genuíno de fraternidade. E esse individualismo se manifesta em todos os aspectos da nossa vida,
financeira (descaradamente), mas também na vida amorosa e afetiva (aqui meio que mascarada).
            De fato, somos seres individuais (ou alguém já nasceu casado?), o que desanda é justamente essa necessidade imposta a nós pelos outros de que precisamos achar um par, contrariando nossa natureza. Não perguntam como estamos nos sentindo, perguntam por que não agimos como eles. Aliás qualquer forma de imposição “força a
amizade” – na gíria jovem. Se a sua natureza é viver acompanhado, e essa é natureza de muitos, ótimo, vá à luta, ache o seu amor e seja feliz. Mas e se não for? E há pessoas que realmente não nasceram para viver a dois. Nesse caso, o melhor é assumir sua liberdade, manter-se independente, e ser feliz assim. O que há de mal? O importante é fazer o que manda o coração e sentir-se bem consigo mesmo.
            Sou um defensor da liberdade, mais do que qualquer outro sentimento (para mim liberdade é antes de mais nada um sentimento – há quem crie as próprias prisões). Vejo com alegria qualquer progresso alheio que torne o sujeito mais independente do que antes. Mas as pessoas se casam justamente porque não sabem o que fazer com sua liberdade – eu digo, há quem crie suas próprias prisões. O casamento, um subterfúgio? Em muitos casos, com certeza. Ele pode se tornar um refúgio para não precisarmos mais encarar certas situações, ou melhor, para não termos mais de pensar. Você nunca ouviu aquele ditadozinho ridiculamente verdadeiro: “Quem pensa, não casa. Quem casa, não pensa!”?

Disponível em: <http://www.ronaud.com/arte-de-viver/solteiro-ate-que-a-morte-nos-separe/>. 
 [Adaptado].

5. Sociedade narcisista - Luciana C. Berlinck

            Nossa sociedade alimenta o gosto pelo efêmero; passado e futuro não são referências psicológicas e sociais predominantes, mas sim o presente como instante fugaz. Porém, a ordem humana surge exatamente como capacidade para simbolizar, isto é, para lidar com o ausente, e a primeira relação com a ausência é dada pela relação com o outro sob a forma do tempo, seja como relação com o morto – relação com o que se tornou ausente – seja como relação com a natureza por meio do trabalho, que torna presente o que estava ausente. A temporalidade, relação com a ausência, é, assim, decisiva para a realização do trabalho do luto, e a impossibilidade dessa relação temporal é o que opera na melancolia e dificulta (quando não impede) o trabalho de sua superação. Ora, a sociedade do efêmero, do tempo reduzido ao instante presente fugaz abandonou a densidade e profundidade do tempo, desencadeando a impossibilidade de simbolizar a ausência e, portanto, gerando depressão, isto é, a melancolia.
            A sociedade narcisista desvaloriza culturalmente o passado, não sendo surpreendente que este apareça sob a forma da "nostalgia", como se o passado fosse o mesmo que velhos estilos e velhas modas sempre repostos pelo mercado como um bem de consumo volátil. De fato, sem interesse pelo passado, o narcisista também não se interessa pelo futuro, achando difícil a interiorização de associações e de lembranças felizes com as quais poderia enfrentar a velhice que, no seu entender, sempre traz tristeza e dor. A incapacidade para atar os laços do passado e do futuro coloca a sociedade e os indivíduos na mesma condição de Narciso, incapaz de amadurecer.
            Também a ameaça de catástrofes (de guerras de extermínio geral, desastres ecológicos irreversíveis, surgimento de novos vírus etc.) tornou-se uma preocupação cotidiana. E, assim, justifica-se viver o momento, o viver para si, e não para as gerações futuras. Perdeu-se o sentido de continuidade histórica, na qual as gerações se sucediam
do passado para o futuro. A sociedade sem futuro se dispõe a um narcisismo coletivo. Nessa cultura do individualismo competitivo, o indivíduo é levado pelo desejo desenfreado da felicidade, identificada ao sucesso, sendo este identificado à supremacia pela eliminação do outro (eliminação que, se não é física, é moral e profissional).
            O núcleo da sociedade narcisista é a necessidade do espelho, isto é, das imagens. O indivíduo da cultura do narcisismo é aquele que depende do espelho dos outros para validar sua precária ou inexistente autoestima, traço que, como vimos, marca indelevelmente o melancólico. Ficando a sós consigo mesmo, cresce sua insegurança,
pois ele precisa de plateia e admiração. Se tomarmos a relação dos indivíduos com as imagens produzidas pelos instrumentos produtores de realidade virtual e pelos outros meios de comunicação de massa, veremos repetir-se exatamente o que se passa no mito de Narciso.
            A imagem midiática, espelho que reflete uma imagem que deve ser desejada ou desejável, é, por sua irrealidade, inteiramente inalcançável. Há um abismo entre o dever-ser da imagem e o ser do indivíduo que, identificando-se com a imagem, sente-se distante de si e experimenta uma perda contínua. Isso é tanto mais relevante para compreendermos a extensão assumida pela melancolia (com o nome de depressão) quanto mais levarmos em conta que as mensagens midiáticas, visando à sedução, operam com simulacros, imagens do real intensificado, dotado de uma aparência mais real do que o próprio real, para torná-lo absolutamente desejável.
            Isso significa que a identificação por meio do espelho ou da imagem inalcançável e absoluta impossibilita uma identidade pessoal positiva ou afirmativa e instaura uma identidade negativa ou por falta. Eis a razão por que um dos traços mais marcantes da experiência contemporânea é o autoexame corporal e psíquico incessante com a finalidade de detectar imperfeições, incorreções e faltas por comparação com a imagem hiperreal ou virtual. Não poderia ser mais óbvia a consequência: tem um nome preciso uma experiência contínua de falta e perda, de desconhecimento de si por identificação negativa com um outro que é o próprio eu. Chama-se melancolia.

Disponível em: <http://revistacult.uol.com.br/website/dossie/Default.asp?sqlPage=46>.  
[Adaptado].

6.
Disponível em: <www.eunaofacoideia.blogspot.com>. Acesso em: 17 mar. 2011.

Propostas de redação

A – Artigo de opinião

            O artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo que tem a finalidade de expressar o ponto de vista do autor a respeito de um determinado tema. A validade da argumentação é evidenciada pelas justificativas de posições assumidas pelo autor ao apresentar informações e opiniões que se complementam ou se opõem. No texto, predominam sequências expositivo-argumentativas.
            Suponha que você foi convidado por um jornal de circulação local para escrever um artigo de opinião a respeito do papel do individualismo na formação do jovem contemporâneo. Defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos que evidenciem a oposição individualismo versus coletivismo.

B – Carta de leitor

            De natureza persuasivo-argumentativa, a carta de leitor é um gênero discursivo no qual o leitor manifesta sua opinião sobre assuntos publicados em jornal, revista ou em outro veículo de comunicação, dirigindo-se ao editor ou ao autor de um texto publicado. O texto da carta é caracterizado pela construção da imagem do interlocutor e por estratégias de convencimento. Os argumentos do autor buscam convencer o destinatário a acatar o seu ponto de vista e suas ideias.
            Escreva uma carta de leitor a um jornal local, posicionando-se em relação às ideias sobre a cultura do individualismo e a manutenção de valores sociais, defendidas por Luiz Roberto Alves, professor titular do Programa de Pós-graduação em Administração e coordenador acadêmico da Cátedra de Gestão de Cidades da Universidade Metodista de São Paulo. Para construir seus argumentos, relacione dados e fatos que possam convencer o seu interlocutor a acatar o seu ponto de vista.
            Para escrever sua carta, considere as características interlocutivas próprias desse gênero.
            NÃO IDENTIFIQUE O REMETENTE DA CARTA.

C – Conto

            O conto é um gênero do discurso narrativo. Sua constituição formal é pouco extensa. Essa característica de síntese exige um número reduzido de personagens, esquema temporal e espacial econômico e um número limitado de ações. O narrador elabora o ponto de vista que sustenta a trama. O enredo estabelece um único conflito. No desenvolvimento do texto, o conflito poderá ou não ser solucionado.
            Escreva um conto sobre o tema Entre a cultura do individualismo e a manutenção de valores sociais. Para escrever seu texto, imagine que você seja um individualista radical e se vê forçado a viver uma experiência de coletividade extrema. A história que você vai criar deve estabelecer um conflito que envolva a oposição individualismo versus coletivismo.


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Instruções

            A prova de redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu texto, você deve escolher um dos gêneros indicados abaixo:
            A – Artigo de opinião
            B – Carta de leitor
            C – Conto
            O tema é único para os três gêneros e deve ser desenvolvido segundo a proposta escolhida.
            A fuga do tema anula a redação. A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu texto. Independentemente do gênero escolhido, o seu texto NÃO deve ser assinado.

Tema: Fantasia: força motriz e/ou força alienadora?

Coletânea

1. O mundo da fantasia: sempre fantasiamos o que não temos e não somos... e gostaríamos de ter e ser

            Especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi é professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Nesta entrevista, a psicóloga aconselha: “Não devemos permitir que as fantasias dominem nossa atividade real, porque a realidade precisa ser vivida e modificada com base na objetividade”.

            Ultimato: O que é fantasia em psicologia?
            Gina: É um mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não podem ser realizados. A fantasia é criada pelo inconsciente para dar a ideia de satisfação, mas essa satisfação substitui a satisfação real. Na verdade, a fantasia é uma síntese de ideias, sentimentos, interpretações e memória, com predomínio de elementos instintivos e afetivos. Por meio da satisfação substituta e da omissão da realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a angústia. Entretanto, uma dose constante e profunda de fantasia e devaneio pode fazer com que a pessoa se desvie da realidade, acostumando-se a um mundo irreal, e dificultar o enfrentamento dos problemas concretos.
            Ultimato: Qual a diferença entre sonhar durante o sono e sonhar acordado?
            Gina: A diferença é que nos sonhos temos pouco controle sobre os conteúdos. O sonho é a realização disfarçada de um desejo reprimido, ou a tentativa de realização de um desejo. Mas é um produto do inconsciente, de forma que não pode ser controlado pelo individuo. Já no devaneio (sonhar acordado) podemos criar ou recriar uma “cena” com o propósito de gerar satisfação quando e quantas vezes desejarmos.

ULTIMATO. Disponível em: <http://www.usina21.com.br>. Acesso em: 20 out. 2010.

2. Emma Bovary e a realidade paralela

            Considerada a obra mais importante do francês Gustave Flaubert, Madame Bovary não tem nada de um romance de suspense moderno. Trata-se da história banal de uma mulher mal casada que trai o marido, o arruína e acaba se suicidando, por ter se perdido, perseguindo quimeras inspiradas em romances “água com açúcar”. De onde vem, então, o fascínio exercido por essa mulher cuja única particularidade é sonhar com aventuras maravilhosas, enquanto leva uma vida comum? A descrição de seus estados de espírito é tão precisa que foi forjado um termo para designar o mal que a consome: o bovarismo.
            […]
            “Emma personificou essa doença original da alma humana, para a qual seu nome pode servir de rótulo, se entendermos por 'bovarismo' a faculdade que faz o ser humano conceber a si mesmo de outro modo que não aquele que é na verdade”. Ou seja, o bovarismo consiste em “se imaginar diferente do que se é”. Essa capacidade remete não a uma fraqueza de caráter, mas a um funcionamento psicológico, típico da espécie humana.
            Podemos pensar que há um bovarismo intelectual e um sentimental, e cada um apresenta tanto aspectos “normais” quanto patológicos. Estes últimos representam o falseamento exagerado da concepção de si mesmo e a ausência de senso crítico em relação a um erro cometido. O bovarismo clínico implica não nos darmos conta de que imaginamos a nós mesmos de maneiras muito diferentes do que realmente somos.

DIEGUEZ, S. Scientific American – mente e cérebro, São Paulo, out. 2010, p. 66.

3. Neobovarismo

            A correspondência entre a insatisfação e a dissimulação nossa de cada dia
            “Bovarismo” é a expressão criada por Jules de Gautier para explicar a insatisfação com a própria vida característica de Madame Bovary, heroína do romance de Flaubert que aprendeu nos livros a se iludir sobre a possibilidade de ser outra. O fim de Emma Bovary foi o suicídio, em explícita fuga do real. Bovarismo é, desde então, a postura daquele que, se negando a viver a própria vida, sonha com outra. O bovarista viveria como se fosse o protagonista de um romance.
            [...]
            Para além da literatura, do lado de cá da ficção que chamamos ainda por convenção de “real”, devemos dizer que os integrados a esta cultura hipertecnológica são avatares de Emma Bovary.
            […]
            Como máscara virtual, o avatar permite entrar no virtual sem ser visto no real que carrega por trás. A afirmação do real não vem ao caso no jogo da internet. Afinal, in-lusio significa entrar em jogo. O avatar entre nós promete essa mágica. E quem não gostaria de dominá-lo?
           
            Dissimulação
            Crianças são incentivadas a criar seu avatar – corpos, cabelos, cor da pele, cor dos olhos, roupas, moradias, profissões, gostos, objetos de uso pessoal... –, fazendo dele o outro que o si mesmo almeja ser: o idealizado, o “pertencente a uma tribo” ou o mero sinal, o design, o ícone. O bonequinho – como um botão que substitui o ego – que permite “interagir”. Está em jogo também o destino do que um dia se chamou de “representação”.
            A internet não é mais o lugar de “representações”, uma categoria que servia para explicar tanto a política quanto a estética. Ela é o lugar de “simulações”. Podemos dizer que por trás de toda representação há um irrepresentado, algo que não se contempla, que escapa, que fica de fora no esforço de exposição e de demarcação daquilo que se tem a dizer por meio da representação. Essa sobra é o real. Pode haver enganação na representação, quando alguém tenta representar aquilo que não é.
            A simulação pode ser um modo de fazer arte de computador, mas quando ela chega à vida concreta as coisas podem se complicar. Simular é recriar o real sem que se esteja a representá-lo. Se o real comparece na representação como uma alusão, na simulação ele é a novidade. No entanto, se ao representarmos nos referimos ao real como algo que foi imitado ou alterado, na simulação o real é desconsiderado como o que em nada surpreende.
            [...]
            No começo da modernidade, Torquato Accetto defendeu a ideia de uma “dissimulação honesta como a necessidade, própria do caráter precário da condição humana, de adiamento da verdade na esfera pública. Não seria necessariamente a sustentação da mentira, mas um jeito de sobreviver em um mundo de paixões. Um mundo que deseja a honestidade, mas ao mesmo tempo a teme e, portanto, se especializa em contatos indiretos com ela. Caillois defendeu o mascaramento como uma prática lúdica própria da vida humana e animal. Sem moralismo, enquanto simular é mostrar o que não está presente, dissimular é não deixar aparecer aquilo que está presente. O dissimulado disfarça, mas o que pode ver? Para além do prazer de usar máscaras, ou de fingir, ou de atuar, é, para muitas pessoas, a única chance de viver uma vida menos insatisfatória. O neobovarismo seria a chance de ser a expressão do que não
se é. Seria também a inexpressão pessoal que encontra um jeito de não aparecer?

TIBURI, M. Cult, São Paulo: Bregantini, n. 139. set. 2009. p. 40-41.

4.

Disponível em: <http://blog0news.blogspot.com/2008/02/charge-carnavalesca.html>.

5. Bananas de Pijamas

            Se a fantasia já é difícil de engolir como fantasia, imaginem apresentá-la como "documental"
            Nada tenho contra vigilantes. Contra? Minha adolescência cinéfila não foi só Bergman, não foi só Bresson, não foi só Renoir. Nos intervalos, escondido de meus amigos intelectuais, eu gostava de assistir a Clint Eastwood limpando as ruas de San Francisco.
            Nada tenho contra vigilantes, repito. Mas também acrescento que os vigilantes têm de cumprir dois requisitos básicos. Em primeiro lugar, só podem existir na tela, não na vida real. Na vida real, continuo a preferir o Estado de Direito, em que existem leis, polícia e tribunais, e não loucos ou beneméritos que gostam de fazer justiça com as próprias mãos.
            Mas mesmo os vigilantes das telas têm de cumprir um segundo requisito: não podem usar collants, máscaras, pinturas ou capas supostamente voadoras. Dizem-me que Batman, ou Super-Homem, é uma metáfora profunda sobre a nossa condição solitária e urbana; heróis derradeiros da pós-modernidade. Não comento. Exceto para dizer que morro de rir quando vejo um ator, supostamente adulto e racional, enfiado num pijama colorido e disposto a salvar a humanidade das mãos maléficas de um vilão tão ridículo e tão colorido quanto ele.
            Sem falar dos fãs: homens feitos, alguns casados, que continuam a acreditar que um super-herói em pleno voo compensa todas as falhas nos relacionamentos amorosos.
            E foi assim que assisti ao último Batman, "O Cavaleiro das Trevas", dirigido por Christopher Nolan. Não vale a pena apresentar o filme. De acordo com os promotores, Nolan trocara a fantasia sombria de Tim Burton e o espetáculo adocicado de Joel Schumacher por um realismo digno de Michael Mann: desde "Fogo contra Fogo" ninguém filmava assim uma cidade, cruamente e no osso.
            E os atores? Os atores seriam exemplos de um realismo ainda mais brutal, com destaque para o Coringa.
            E confesso que entrei na sala com boa vontade: "O Cavaleiro das Trevas" apresenta o herói (Batman) em luta final contra o mestre da anarquia (Coringa), um lunático que não deseja dinheiro nem poder como os vilões tradicionais, mas sim pura destruição.
            Infelizmente para os criadores, a narrativa não é apenas infantil em sua pretensão política e filosófica; é incongruente quando Batman ou Coringa entram no enquadramento. Razão simples: se a fantasia já é difícil de engolir como fantasia, imaginem apresentá-la em tom "realista" e até "documental".
            Confrontado com Batman e Coringa, nenhum adulto equilibrado vê um super-herói e um supervilão. Vê, simplesmente, dois dementes em pijamas que fugiram do asilo da cidade.

COUTINHO, João Pereira. Bananas de pijamas. Disponível em: 
<http://www1.folha.uol.com.br/sp/ilustrad/fd2907200827.htm>. [Adaptado]

6. Aí pelas Três da Tarde

            Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo "ciao" ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo
como se retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pêlo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. Feito um banhista incerto, assome em seguida no trampolim do patamar e avance dois passos como se fosse beirar um salto, silenciando de vez, embaixo, o surto abafado dos comentários. Nada de grandes lances. Desça, sem pressa, degrau por degrau, sendo
tolerante com o espanto (coitados!) dos pobres familiares, que cobrem a boca com a mão enquanto se comprimem ao pé da escada. Passe por eles calado, circule pela casa toda como se andasse numa praia deserta (mas sempre com a mesma cara de louco ainda não precipitado) e se achegue depois, com cuidado e ternura, junto à rede languidamente envergada entre plantas lá no terraço. Largue-se nela como quem se larga na vida, e vá ao fundo nesse mergulho: cerre as abas da rede sobre os olhos e,  com um impulso do pé (já não importa em que apoio), goze a fantasia de se sentir embalado pelo mundo.

NASSAR, R. Aí lá pelas três da tarde. In: Menina a caminho. Companhia das Letras: São Paulo, 1997. p. 71.

7. Quadros poéticos


            No poema “Horizonte”, Fernando Pessoa aponta que “o sonho é ver as formas invisíveis da distância imprecisa e, com sensíveis movimentos de esperança e da vontade, buscar na linha fria do horizonte a árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte”. Inspirado por este preceito poético, o pernambucano Bruno Vieira repensa a função do quadro – e do enquadramento – nas leituras estéticas da realidade. Em sua série de objetos “Vista Inevitável”, o artista ironiza a equivalência estabelecida, desde o Renascimento, entre o quadro e a janela, transformando a paisagem em objeto artístico. A janela então se transforma em cortina, de forma a desvelar uma realidade que nunca é certa. Para esse efeito, são usadas persianas, que têm em suas lâminas impressões fotográficas, transformadas em metáforas de paisagens. “Pensei na relação de obrigação que temos com o horizonte. No caso, a persiana destrói essa falsa obrigação que temos”, afirma Vieira. Nas persianas, vislumbram-se paisagens “pré-fabricadas” que, manipuladas pelo artista, são, como o poeta afirmou, sonhadas.
            Mas, mais que imaginar e sonhar, Vieira reafirma o caráter ilusório da perspectiva. Principalmente em relação ao recurso do ponto de fuga como estratégia
de composição das paisagens pictóricas e ao fato de esse modo de representação permanecer instaurado na arte ocidental até hoje. Vieira apresenta atualmente outros trabalhos da série “Vista Inevitável” em outras duas exposições coletivas: uma em Phoenix, nos Estados Unidos, e a outra no Museu Murilo La Greca, no Recife.

GAZIRE, N. Istoé, São Paulo, n. 2130, 8 set. 2010. p. 109.

Propostas de redação

A – Artigo de opinião

            O artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo que tem a finalidade de expressar o ponto de vista do autor a respeito de um determinado tema. A validade da argumentação é evidenciada pelas justificativas de posições assumidas pelo autor ao apresentar informações e opiniões que se complementam ou se opõem. No texto, predominam sequências expositivo-argumentativas.
            Suponha que seu professor de Sociologia tenha resolvido fazer um jornal para circular em um bairro de uma grande cidade. Você, por ser aluno do último ano do Ensino Médio, é convidado a escrever um artigo sobre a atuação da fantasia na realidade de grupos sociais do bairro. Você deve escrever um artigo de opinião a ser publicado no jornal da escola, posicionando-se em relação ao tema Fantasia: força motriz e/ou força alienadora? Defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos
que o sustentem e que possam refutar outros pontos de vista.

B – Carta de leitor

            De natureza persuasivo-argumentativa, a carta de leitor é um gênero discursivo no qual o leitor manifesta sua opinião sobre assuntos publicados em jornal ou revista, dirigindo-se ao editor ou ao autor da matéria publicada. O texto é caracterizado pela construção da imagem do interlocutor e por estratégias de convencimento. Por se tratar de um texto de caráter persuasivo, os argumentos do autor buscam convencer o destinatário a adotar o seu ponto de vista e acatar suas ideias.
            Escreva uma carta ao Jornal Folha de S. Paulo, comentando o artigo de João Pereira Coutinho, que traz uma opinião a respeito da fantasia. Como leitor da Folha, você vai escrever para Coutinho, visando convencê-lo de que a fantasia é ao mesmo tempo força motriz e força alienadora. Para construir seus argumentos, relacione dados e fatos que possam convencer o seu interlocutor a acatar o seu ponto de vista. Para escrever sua carta, considere as características interlocutivas próprias desse gênero.

C – Conto

            O conto é um gênero do discurso narrativo. Sua configuração material é pouco extensa. Essa característica de síntese exige um número reduzido de personagens, esquema temporal e espacial econômico e um número limitado de ações. O narrador constrói o ponto de vista a partir do qual a história será contada. O enredo estabelece um único conflito. No desenvolvimento do texto, o conflito poderá ou não ser solucionado.
            Imagine que seus amigos, observadores de seu comportamento diário, dirigem-se a você, chamando-lhe de bovarista. Ao procurar as razões do apelido, você se depara com o “bovarismo” e com o “neobovarismo”. Após entender o sentido dessas expressões, você resolve escrever um conto sobre uma pessoa que encontra na fantasia motivos para uma vida mais satisfatória. A composição da personagem principal deve estar baseada no tema Fantasia: força motriz e/ou força alienadora? A história que você vai criar deve estabelecer um conflito envolvendo a realidade da personagem e aquilo que ela aspira viver.

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Texto: "Acorrentados" - Paulo Mendes Campos

Acorrentados


"Lonely girl" - Fatemeh Haghnejad.

            Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.

(Paulo Mendes Campos)


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