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domingo, 29 de junho de 2014

Tema de Redação - UFG - 2011 - 1º Semestre

Tema de Redação - UFG - 2011 - 1º Semestre


Instruções

            A prova de redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu texto, você deve escolher um dos gêneros indicados abaixo:
            A – Artigo de opinião
            B – Carta de leitor
            C – Conto
            O tema é único para os três gêneros e deve ser desenvolvido segundo a proposta escolhida.
            A fuga do tema anula a redação. A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu texto. Independentemente do gênero escolhido, o seu texto NÃO deve ser assinado.

Tema: Fantasia: força motriz e/ou força alienadora?

Coletânea

1. O mundo da fantasia: sempre fantasiamos o que não temos e não somos... e gostaríamos de ter e ser

            Especialista em sexualidade humana, Gina Strozzi é professora na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Faculdade Teológica Batista de São Paulo. Nesta entrevista, a psicóloga aconselha: “Não devemos permitir que as fantasias dominem nossa atividade real, porque a realidade precisa ser vivida e modificada com base na objetividade”.

            Ultimato: O que é fantasia em psicologia?
            Gina: É um mecanismo de defesa que proporciona uma satisfação ilusória para os desejos que não podem ser realizados. A fantasia é criada pelo inconsciente para dar a ideia de satisfação, mas essa satisfação substitui a satisfação real. Na verdade, a fantasia é uma síntese de ideias, sentimentos, interpretações e memória, com predomínio de elementos instintivos e afetivos. Por meio da satisfação substituta e da omissão da realidade, a fantasia pode ajudar a resolver os conflitos e prevenir a angústia. Entretanto, uma dose constante e profunda de fantasia e devaneio pode fazer com que a pessoa se desvie da realidade, acostumando-se a um mundo irreal, e dificultar o enfrentamento dos problemas concretos.
            Ultimato: Qual a diferença entre sonhar durante o sono e sonhar acordado?
            Gina: A diferença é que nos sonhos temos pouco controle sobre os conteúdos. O sonho é a realização disfarçada de um desejo reprimido, ou a tentativa de realização de um desejo. Mas é um produto do inconsciente, de forma que não pode ser controlado pelo individuo. Já no devaneio (sonhar acordado) podemos criar ou recriar uma “cena” com o propósito de gerar satisfação quando e quantas vezes desejarmos.

ULTIMATO. Disponível em: <http://www.usina21.com.br>. Acesso em: 20 out. 2010.

2. Emma Bovary e a realidade paralela

            Considerada a obra mais importante do francês Gustave Flaubert, Madame Bovary não tem nada de um romance de suspense moderno. Trata-se da história banal de uma mulher mal casada que trai o marido, o arruína e acaba se suicidando, por ter se perdido, perseguindo quimeras inspiradas em romances “água com açúcar”. De onde vem, então, o fascínio exercido por essa mulher cuja única particularidade é sonhar com aventuras maravilhosas, enquanto leva uma vida comum? A descrição de seus estados de espírito é tão precisa que foi forjado um termo para designar o mal que a consome: o bovarismo.
            […]
            “Emma personificou essa doença original da alma humana, para a qual seu nome pode servir de rótulo, se entendermos por 'bovarismo' a faculdade que faz o ser humano conceber a si mesmo de outro modo que não aquele que é na verdade”. Ou seja, o bovarismo consiste em “se imaginar diferente do que se é”. Essa capacidade remete não a uma fraqueza de caráter, mas a um funcionamento psicológico, típico da espécie humana.
            Podemos pensar que há um bovarismo intelectual e um sentimental, e cada um apresenta tanto aspectos “normais” quanto patológicos. Estes últimos representam o falseamento exagerado da concepção de si mesmo e a ausência de senso crítico em relação a um erro cometido. O bovarismo clínico implica não nos darmos conta de que imaginamos a nós mesmos de maneiras muito diferentes do que realmente somos.

DIEGUEZ, S. Scientific American – mente e cérebro, São Paulo, out. 2010, p. 66.

3. Neobovarismo

            A correspondência entre a insatisfação e a dissimulação nossa de cada dia
            “Bovarismo” é a expressão criada por Jules de Gautier para explicar a insatisfação com a própria vida característica de Madame Bovary, heroína do romance de Flaubert que aprendeu nos livros a se iludir sobre a possibilidade de ser outra. O fim de Emma Bovary foi o suicídio, em explícita fuga do real. Bovarismo é, desde então, a postura daquele que, se negando a viver a própria vida, sonha com outra. O bovarista viveria como se fosse o protagonista de um romance.
            [...]
            Para além da literatura, do lado de cá da ficção que chamamos ainda por convenção de “real”, devemos dizer que os integrados a esta cultura hipertecnológica são avatares de Emma Bovary.
            […]
            Como máscara virtual, o avatar permite entrar no virtual sem ser visto no real que carrega por trás. A afirmação do real não vem ao caso no jogo da internet. Afinal, in-lusio significa entrar em jogo. O avatar entre nós promete essa mágica. E quem não gostaria de dominá-lo?
           
            Dissimulação
            Crianças são incentivadas a criar seu avatar – corpos, cabelos, cor da pele, cor dos olhos, roupas, moradias, profissões, gostos, objetos de uso pessoal... –, fazendo dele o outro que o si mesmo almeja ser: o idealizado, o “pertencente a uma tribo” ou o mero sinal, o design, o ícone. O bonequinho – como um botão que substitui o ego – que permite “interagir”. Está em jogo também o destino do que um dia se chamou de “representação”.
            A internet não é mais o lugar de “representações”, uma categoria que servia para explicar tanto a política quanto a estética. Ela é o lugar de “simulações”. Podemos dizer que por trás de toda representação há um irrepresentado, algo que não se contempla, que escapa, que fica de fora no esforço de exposição e de demarcação daquilo que se tem a dizer por meio da representação. Essa sobra é o real. Pode haver enganação na representação, quando alguém tenta representar aquilo que não é.
            A simulação pode ser um modo de fazer arte de computador, mas quando ela chega à vida concreta as coisas podem se complicar. Simular é recriar o real sem que se esteja a representá-lo. Se o real comparece na representação como uma alusão, na simulação ele é a novidade. No entanto, se ao representarmos nos referimos ao real como algo que foi imitado ou alterado, na simulação o real é desconsiderado como o que em nada surpreende.
            [...]
            No começo da modernidade, Torquato Accetto defendeu a ideia de uma “dissimulação honesta como a necessidade, própria do caráter precário da condição humana, de adiamento da verdade na esfera pública. Não seria necessariamente a sustentação da mentira, mas um jeito de sobreviver em um mundo de paixões. Um mundo que deseja a honestidade, mas ao mesmo tempo a teme e, portanto, se especializa em contatos indiretos com ela. Caillois defendeu o mascaramento como uma prática lúdica própria da vida humana e animal. Sem moralismo, enquanto simular é mostrar o que não está presente, dissimular é não deixar aparecer aquilo que está presente. O dissimulado disfarça, mas o que pode ver? Para além do prazer de usar máscaras, ou de fingir, ou de atuar, é, para muitas pessoas, a única chance de viver uma vida menos insatisfatória. O neobovarismo seria a chance de ser a expressão do que não
se é. Seria também a inexpressão pessoal que encontra um jeito de não aparecer?

TIBURI, M. Cult, São Paulo: Bregantini, n. 139. set. 2009. p. 40-41.

4.

Disponível em: <http://blog0news.blogspot.com/2008/02/charge-carnavalesca.html>.

5. Bananas de Pijamas

            Se a fantasia já é difícil de engolir como fantasia, imaginem apresentá-la como "documental"
            Nada tenho contra vigilantes. Contra? Minha adolescência cinéfila não foi só Bergman, não foi só Bresson, não foi só Renoir. Nos intervalos, escondido de meus amigos intelectuais, eu gostava de assistir a Clint Eastwood limpando as ruas de San Francisco.
            Nada tenho contra vigilantes, repito. Mas também acrescento que os vigilantes têm de cumprir dois requisitos básicos. Em primeiro lugar, só podem existir na tela, não na vida real. Na vida real, continuo a preferir o Estado de Direito, em que existem leis, polícia e tribunais, e não loucos ou beneméritos que gostam de fazer justiça com as próprias mãos.
            Mas mesmo os vigilantes das telas têm de cumprir um segundo requisito: não podem usar collants, máscaras, pinturas ou capas supostamente voadoras. Dizem-me que Batman, ou Super-Homem, é uma metáfora profunda sobre a nossa condição solitária e urbana; heróis derradeiros da pós-modernidade. Não comento. Exceto para dizer que morro de rir quando vejo um ator, supostamente adulto e racional, enfiado num pijama colorido e disposto a salvar a humanidade das mãos maléficas de um vilão tão ridículo e tão colorido quanto ele.
            Sem falar dos fãs: homens feitos, alguns casados, que continuam a acreditar que um super-herói em pleno voo compensa todas as falhas nos relacionamentos amorosos.
            E foi assim que assisti ao último Batman, "O Cavaleiro das Trevas", dirigido por Christopher Nolan. Não vale a pena apresentar o filme. De acordo com os promotores, Nolan trocara a fantasia sombria de Tim Burton e o espetáculo adocicado de Joel Schumacher por um realismo digno de Michael Mann: desde "Fogo contra Fogo" ninguém filmava assim uma cidade, cruamente e no osso.
            E os atores? Os atores seriam exemplos de um realismo ainda mais brutal, com destaque para o Coringa.
            E confesso que entrei na sala com boa vontade: "O Cavaleiro das Trevas" apresenta o herói (Batman) em luta final contra o mestre da anarquia (Coringa), um lunático que não deseja dinheiro nem poder como os vilões tradicionais, mas sim pura destruição.
            Infelizmente para os criadores, a narrativa não é apenas infantil em sua pretensão política e filosófica; é incongruente quando Batman ou Coringa entram no enquadramento. Razão simples: se a fantasia já é difícil de engolir como fantasia, imaginem apresentá-la em tom "realista" e até "documental".
            Confrontado com Batman e Coringa, nenhum adulto equilibrado vê um super-herói e um supervilão. Vê, simplesmente, dois dementes em pijamas que fugiram do asilo da cidade.

COUTINHO, João Pereira. Bananas de pijamas. Disponível em: 
<http://www1.folha.uol.com.br/sp/ilustrad/fd2907200827.htm>. [Adaptado]

6. Aí pelas Três da Tarde

            Nesta sala atulhada de mesas, máquinas e papéis, onde invejáveis escreventes dividiram entre si o bom senso do mundo, aplicando-se em ideias claras apesar do ruído e do mormaço, seguros ao se pronunciarem sobre problemas que afligem o homem moderno (espécie da qual você, milenarmente cansado, talvez se sinta um tanto excluído), largue tudo de repente sob os olhares a sua volta, componha uma cara de louco quieto e perigoso, faça os gestos mais calmos quanto os tais escribas mais severos, dê um largo "ciao" ao trabalho do dia, assim como quem se despede da vida, e surpreenda pouco mais tarde, com sua presença em hora tão insólita, os que estiveram em casa ocupados na limpeza dos armários, que você não sabia antes como era conduzida. Convém não responder aos olhares interrogativos, deixando crescer, por instantes, a intensa expectativa que se instala. Mas não exagere na medida e suba sem demora ao quarto, libertando aí os pés das meias e dos sapatos, tirando a roupa do corpo
como se retirasse a importância das coisas, pondo-se enfim em vestes mínimas, quem sabe até em pêlo, mas sem ferir o decoro (o seu decoro, está claro), e aceitando ao mesmo tempo, como boa verdade provisória, toda mudança de comportamento. Feito um banhista incerto, assome em seguida no trampolim do patamar e avance dois passos como se fosse beirar um salto, silenciando de vez, embaixo, o surto abafado dos comentários. Nada de grandes lances. Desça, sem pressa, degrau por degrau, sendo
tolerante com o espanto (coitados!) dos pobres familiares, que cobrem a boca com a mão enquanto se comprimem ao pé da escada. Passe por eles calado, circule pela casa toda como se andasse numa praia deserta (mas sempre com a mesma cara de louco ainda não precipitado) e se achegue depois, com cuidado e ternura, junto à rede languidamente envergada entre plantas lá no terraço. Largue-se nela como quem se larga na vida, e vá ao fundo nesse mergulho: cerre as abas da rede sobre os olhos e,  com um impulso do pé (já não importa em que apoio), goze a fantasia de se sentir embalado pelo mundo.

NASSAR, R. Aí lá pelas três da tarde. In: Menina a caminho. Companhia das Letras: São Paulo, 1997. p. 71.

7. Quadros poéticos


            No poema “Horizonte”, Fernando Pessoa aponta que “o sonho é ver as formas invisíveis da distância imprecisa e, com sensíveis movimentos de esperança e da vontade, buscar na linha fria do horizonte a árvore, a praia, a flor, a ave, a fonte”. Inspirado por este preceito poético, o pernambucano Bruno Vieira repensa a função do quadro – e do enquadramento – nas leituras estéticas da realidade. Em sua série de objetos “Vista Inevitável”, o artista ironiza a equivalência estabelecida, desde o Renascimento, entre o quadro e a janela, transformando a paisagem em objeto artístico. A janela então se transforma em cortina, de forma a desvelar uma realidade que nunca é certa. Para esse efeito, são usadas persianas, que têm em suas lâminas impressões fotográficas, transformadas em metáforas de paisagens. “Pensei na relação de obrigação que temos com o horizonte. No caso, a persiana destrói essa falsa obrigação que temos”, afirma Vieira. Nas persianas, vislumbram-se paisagens “pré-fabricadas” que, manipuladas pelo artista, são, como o poeta afirmou, sonhadas.
            Mas, mais que imaginar e sonhar, Vieira reafirma o caráter ilusório da perspectiva. Principalmente em relação ao recurso do ponto de fuga como estratégia
de composição das paisagens pictóricas e ao fato de esse modo de representação permanecer instaurado na arte ocidental até hoje. Vieira apresenta atualmente outros trabalhos da série “Vista Inevitável” em outras duas exposições coletivas: uma em Phoenix, nos Estados Unidos, e a outra no Museu Murilo La Greca, no Recife.

GAZIRE, N. Istoé, São Paulo, n. 2130, 8 set. 2010. p. 109.

Propostas de redação

A – Artigo de opinião

            O artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo que tem a finalidade de expressar o ponto de vista do autor a respeito de um determinado tema. A validade da argumentação é evidenciada pelas justificativas de posições assumidas pelo autor ao apresentar informações e opiniões que se complementam ou se opõem. No texto, predominam sequências expositivo-argumentativas.
            Suponha que seu professor de Sociologia tenha resolvido fazer um jornal para circular em um bairro de uma grande cidade. Você, por ser aluno do último ano do Ensino Médio, é convidado a escrever um artigo sobre a atuação da fantasia na realidade de grupos sociais do bairro. Você deve escrever um artigo de opinião a ser publicado no jornal da escola, posicionando-se em relação ao tema Fantasia: força motriz e/ou força alienadora? Defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos
que o sustentem e que possam refutar outros pontos de vista.

B – Carta de leitor

            De natureza persuasivo-argumentativa, a carta de leitor é um gênero discursivo no qual o leitor manifesta sua opinião sobre assuntos publicados em jornal ou revista, dirigindo-se ao editor ou ao autor da matéria publicada. O texto é caracterizado pela construção da imagem do interlocutor e por estratégias de convencimento. Por se tratar de um texto de caráter persuasivo, os argumentos do autor buscam convencer o destinatário a adotar o seu ponto de vista e acatar suas ideias.
            Escreva uma carta ao Jornal Folha de S. Paulo, comentando o artigo de João Pereira Coutinho, que traz uma opinião a respeito da fantasia. Como leitor da Folha, você vai escrever para Coutinho, visando convencê-lo de que a fantasia é ao mesmo tempo força motriz e força alienadora. Para construir seus argumentos, relacione dados e fatos que possam convencer o seu interlocutor a acatar o seu ponto de vista. Para escrever sua carta, considere as características interlocutivas próprias desse gênero.

C – Conto

            O conto é um gênero do discurso narrativo. Sua configuração material é pouco extensa. Essa característica de síntese exige um número reduzido de personagens, esquema temporal e espacial econômico e um número limitado de ações. O narrador constrói o ponto de vista a partir do qual a história será contada. O enredo estabelece um único conflito. No desenvolvimento do texto, o conflito poderá ou não ser solucionado.
            Imagine que seus amigos, observadores de seu comportamento diário, dirigem-se a você, chamando-lhe de bovarista. Ao procurar as razões do apelido, você se depara com o “bovarismo” e com o “neobovarismo”. Após entender o sentido dessas expressões, você resolve escrever um conto sobre uma pessoa que encontra na fantasia motivos para uma vida mais satisfatória. A composição da personagem principal deve estar baseada no tema Fantasia: força motriz e/ou força alienadora? A história que você vai criar deve estabelecer um conflito envolvendo a realidade da personagem e aquilo que ela aspira viver.

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