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domingo, 29 de junho de 2014

Tema de Redação - UFG - 2011 - 2º Semestre

Tema de Redação - UFG - 2011 - 2º Semestre

Instruções

            A prova de redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu texto, você deve escolher um dos gêneros indicados abaixo:
            A – Artigo de opinião
            B – Carta de leitor
            C – Conto
            O tema é único para os três gêneros e deve ser desenvolvido segundo a proposta escolhida.
            A fuga do tema anula a redação. A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu texto. Independentemente do gênero escolhido, o seu texto NÃO deve ser assinado.

Tema: Entre a cultura do individualismo e a manutenção de valores sociais

Coletânea

1. Os ombros suportam o mundo - Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Disponível em: <http://www.releituras.com/drummond_osombros.asp>. Acesso em: 21 mar. 2011.

2. Indivíduo e sociedade

            […] Onde poderíamos encontrar, nas grandes cidades, os chamados ritos de passagens para a vida adulta? Ante a inexistência de uma comunidade coesa, que partilha com todos os seus membros valores comuns, dificilmente poderemos encontrar um único ritual que marque simbolicamente a passagem do adolescente para o universo adulto. Em uma sociedade fragmentada, hierarquizada, capaz de comportar distintas manifestações culturais, esses rituais apenas podem ser identificados e apreendidos na trajetória individual de cada adolescente.
            Conforme a história de vida, as relações familiares, a situação financeira, as crenças religiosas e os laços de sociabilidades, cada jovem armazenará em sua experiência de vida algum tipo de evento simbólico que sinalizará sua entrada no mundo adulto. Por exemplo, o vestibular, o trote, o serviço militar, o culto religioso ou até a maternidade precoce.

            Ritual e religião
           
            Em algumas tradições religiosas, o jovem ingressa no mundo dos adultos depois de participar de uma elaborada cerimônia religiosa. Na religião judaica, por exemplo, há o bar mitzvah, para os meninos que completam 13 anos, e o bat mitzvah, para as meninas de 12. Julga-se que esses adolescentes, já maduros nessas idades, são capazes de contribuir para a sociedade à qual pertencem. Por isso, em um ritual que a todos reúne, os jovens recitam trechos sagrados e seguem determinadas prescrições a fim de que, publicamente, possam ser reconhecidos como pessoas preparadas para mais uma etapa da vida.
            Na Igreja Católica, a crisma, considerada, ao lado do batismo e da eucaristia, um dos sacramentos da iniciação cristã, apresenta um propósito semelhante. Meninos e meninas com mais de 15 anos podem participar dos rituais a ser ungidos pelo padre ou bispo com óleo sagrado, símbolo da purificação da alma, que vai abençoá-los e prepará-los para maior compreensão dessa doutrina religiosa.
            Evidentemente, para os jovens inclinados a um caminho de reclusão, os rituais são um pouco mais elaborados. Ao atravessarem os portões de um monastério ou de um convento, precisam deixar para trás os antigos costumes da vida mundana. Por isso, em geral enfrentam um período de noviciato, no qual precisam abandonar as vestes seculares e fazer diversos votos (entre eles, o de abstinência sexual), com o intuito de poder assumir efetivamente o compromisso de uma vida voltada para o cultivo da fé e da compaixão. Depois do noviciato, caso estejam preparados, recebem um novo título, conforme a doutrina de sua religião, que os qualifica para uma atuação maior em sua comunidade espiritual.

EL FAR, Alessandra. O olhar adolescente – mente e cérebro, n. 4. Dueto Editorial. São Paulo, [s.d.], p. 17-20.

3. Bem comum passa pela educação e solidariedade - Marina Dias

            O bem comum é o objetivo que une os homens em sociedade e determina o modo como devem se organizar. A atual era individualista que vivemos, com bases na especulação financeira, coloca-se contrária ao coletivismo e, consequentemente, à prática do bem comum. Para discutir a aplicação desse conceito e entender sobre os caminhos que levam à solidariedade, o Espaço Cidadania entrevistou Luiz Roberto Alves, que atualmente é professor titular do Programa de Pós-graduação em Administração e coordenador acadêmico da Cátedra de Gestão de Cidades da Universidade Metodista de São Paulo.

            Espaço Cidadania: As pessoas estão preocupadas com o bem comum ou voltadas para os interesses particulares?
            Luiz Roberto Alves: Eu não generalizaria. As maiorias lutam pelo seu espaço, ganho, sobrevivência. No entanto, organizações e movimentos sociais em todo o mundo se movimentam pelo ambiente saudável, por reivindicações de políticas de qualidade, pela transparência nas coisas públicas e pelo direito à migração, ou por fazer da saúde um direito universal.
            Espaço Cidadania: Por que o coletivismo enfatiza o bem comum?
            Luiz Roberto: Em vez de pensar o coletivismo, prefiro pensar os projetos comunitários. Pensar comunitariamente é uma tendência minoritária, mas forte, como condição para nos localizarmos na globalidade com identidade.
            Espaço Cidadania: Quais são as formas de atingir o bem comum nessa sociedade individualista?
            Luiz Roberto: Visar e buscar o bem comum implica participar de ações de educação social e de cultura política em nossas cidades. Fazer, como diria Paulo Freire, leituras de palavra e mundo. Descobrir novos códigos de relações humanas e fazer a crítica do tipo de sociedade em que fomos envolvidos. Denunciar o “financismo” que
agora nos rouba as economias e os sacrifícios feitos em décadas. Educar as novas gerações para a solidariedade e para o entendimento da cultura como construção de valores simbólicos a favor do que é comum, local e universal a um só tempo, próximo e distante.

Disponível em: <http://www.metodista.br/cidadania/numero-63/entrevista>.  [Adaptado].

4. Solteiro até que a morte nos separe - Ronaud Pereira

            Ontem a noite, assistindo à televisão, pulando de canal em canal, por acaso, parei num programa daqueles de cunho religioso, mas muito atual, com ares de programa pop onde discutiam a opção de permanecer solteiro nos dias de hoje. O tema era: “A gente pega mas não se apega” e a questão era: “Medo da decepção, falta de opção ou convicção?”. Pelo telefone as pessoas respondiam a essa questão e até me surpreendi com o resultado. Eu acreditava que a falta de opção ganharia ênfase, mas ficou com nenhum voto, ao passo que o medo da decepção das pessoas com seus pares ficou com 90% dos votos dos telespectadores.
            Eu vejo essa opção de permanecer solteiro motivada por todos os três itens da questão levantada acima, e não somente por um. Temos medo da decepção, já que conhecemos bem a natureza humana e sabemos que os comportamentos se repetem. Se temos medo de nos decepcionar, é evidente que é por não encontrarmos uma opção (alguém) melhor que afaste de nós esse medo e nos torne confiantes num futuro a dois. Todos os bons partidos já estão casados, ouvi uma vez. Por fim, ficamos convictos de que é melhor estar só do que mal acompanhado, o que ainda é uma grande verdade.
            Hoje fala-se que vivemos numa sociedade muito individualista, como se algum dia essa sociedade tivesse sido plenamente coletivista. Lênin bem que tentou. Mas o russo trabalhador, que fazia sua parte, não gostou de saber que pagava indiretamente a comida do outro compatriota preguiçoso que não queria saber de nada. O Capitalismo permaneceu porque incentiva o esforço individual. E muito além disso, o Capitalismo permaneceu porque nada mais é do que a institucionalização da natureza humana, que é individualista desde sempre. O que há de coletivo em nosso comportamento é mais estimulado por fatores alheios à nossa vontade do que por um sentimento genuíno de fraternidade. E esse individualismo se manifesta em todos os aspectos da nossa vida,
financeira (descaradamente), mas também na vida amorosa e afetiva (aqui meio que mascarada).
            De fato, somos seres individuais (ou alguém já nasceu casado?), o que desanda é justamente essa necessidade imposta a nós pelos outros de que precisamos achar um par, contrariando nossa natureza. Não perguntam como estamos nos sentindo, perguntam por que não agimos como eles. Aliás qualquer forma de imposição “força a
amizade” – na gíria jovem. Se a sua natureza é viver acompanhado, e essa é natureza de muitos, ótimo, vá à luta, ache o seu amor e seja feliz. Mas e se não for? E há pessoas que realmente não nasceram para viver a dois. Nesse caso, o melhor é assumir sua liberdade, manter-se independente, e ser feliz assim. O que há de mal? O importante é fazer o que manda o coração e sentir-se bem consigo mesmo.
            Sou um defensor da liberdade, mais do que qualquer outro sentimento (para mim liberdade é antes de mais nada um sentimento – há quem crie as próprias prisões). Vejo com alegria qualquer progresso alheio que torne o sujeito mais independente do que antes. Mas as pessoas se casam justamente porque não sabem o que fazer com sua liberdade – eu digo, há quem crie suas próprias prisões. O casamento, um subterfúgio? Em muitos casos, com certeza. Ele pode se tornar um refúgio para não precisarmos mais encarar certas situações, ou melhor, para não termos mais de pensar. Você nunca ouviu aquele ditadozinho ridiculamente verdadeiro: “Quem pensa, não casa. Quem casa, não pensa!”?

Disponível em: <http://www.ronaud.com/arte-de-viver/solteiro-ate-que-a-morte-nos-separe/>. 
 [Adaptado].

5. Sociedade narcisista - Luciana C. Berlinck

            Nossa sociedade alimenta o gosto pelo efêmero; passado e futuro não são referências psicológicas e sociais predominantes, mas sim o presente como instante fugaz. Porém, a ordem humana surge exatamente como capacidade para simbolizar, isto é, para lidar com o ausente, e a primeira relação com a ausência é dada pela relação com o outro sob a forma do tempo, seja como relação com o morto – relação com o que se tornou ausente – seja como relação com a natureza por meio do trabalho, que torna presente o que estava ausente. A temporalidade, relação com a ausência, é, assim, decisiva para a realização do trabalho do luto, e a impossibilidade dessa relação temporal é o que opera na melancolia e dificulta (quando não impede) o trabalho de sua superação. Ora, a sociedade do efêmero, do tempo reduzido ao instante presente fugaz abandonou a densidade e profundidade do tempo, desencadeando a impossibilidade de simbolizar a ausência e, portanto, gerando depressão, isto é, a melancolia.
            A sociedade narcisista desvaloriza culturalmente o passado, não sendo surpreendente que este apareça sob a forma da "nostalgia", como se o passado fosse o mesmo que velhos estilos e velhas modas sempre repostos pelo mercado como um bem de consumo volátil. De fato, sem interesse pelo passado, o narcisista também não se interessa pelo futuro, achando difícil a interiorização de associações e de lembranças felizes com as quais poderia enfrentar a velhice que, no seu entender, sempre traz tristeza e dor. A incapacidade para atar os laços do passado e do futuro coloca a sociedade e os indivíduos na mesma condição de Narciso, incapaz de amadurecer.
            Também a ameaça de catástrofes (de guerras de extermínio geral, desastres ecológicos irreversíveis, surgimento de novos vírus etc.) tornou-se uma preocupação cotidiana. E, assim, justifica-se viver o momento, o viver para si, e não para as gerações futuras. Perdeu-se o sentido de continuidade histórica, na qual as gerações se sucediam
do passado para o futuro. A sociedade sem futuro se dispõe a um narcisismo coletivo. Nessa cultura do individualismo competitivo, o indivíduo é levado pelo desejo desenfreado da felicidade, identificada ao sucesso, sendo este identificado à supremacia pela eliminação do outro (eliminação que, se não é física, é moral e profissional).
            O núcleo da sociedade narcisista é a necessidade do espelho, isto é, das imagens. O indivíduo da cultura do narcisismo é aquele que depende do espelho dos outros para validar sua precária ou inexistente autoestima, traço que, como vimos, marca indelevelmente o melancólico. Ficando a sós consigo mesmo, cresce sua insegurança,
pois ele precisa de plateia e admiração. Se tomarmos a relação dos indivíduos com as imagens produzidas pelos instrumentos produtores de realidade virtual e pelos outros meios de comunicação de massa, veremos repetir-se exatamente o que se passa no mito de Narciso.
            A imagem midiática, espelho que reflete uma imagem que deve ser desejada ou desejável, é, por sua irrealidade, inteiramente inalcançável. Há um abismo entre o dever-ser da imagem e o ser do indivíduo que, identificando-se com a imagem, sente-se distante de si e experimenta uma perda contínua. Isso é tanto mais relevante para compreendermos a extensão assumida pela melancolia (com o nome de depressão) quanto mais levarmos em conta que as mensagens midiáticas, visando à sedução, operam com simulacros, imagens do real intensificado, dotado de uma aparência mais real do que o próprio real, para torná-lo absolutamente desejável.
            Isso significa que a identificação por meio do espelho ou da imagem inalcançável e absoluta impossibilita uma identidade pessoal positiva ou afirmativa e instaura uma identidade negativa ou por falta. Eis a razão por que um dos traços mais marcantes da experiência contemporânea é o autoexame corporal e psíquico incessante com a finalidade de detectar imperfeições, incorreções e faltas por comparação com a imagem hiperreal ou virtual. Não poderia ser mais óbvia a consequência: tem um nome preciso uma experiência contínua de falta e perda, de desconhecimento de si por identificação negativa com um outro que é o próprio eu. Chama-se melancolia.

Disponível em: <http://revistacult.uol.com.br/website/dossie/Default.asp?sqlPage=46>.  
[Adaptado].

6.
Disponível em: <www.eunaofacoideia.blogspot.com>. Acesso em: 17 mar. 2011.

Propostas de redação

A – Artigo de opinião

            O artigo de opinião é um gênero do discurso argumentativo que tem a finalidade de expressar o ponto de vista do autor a respeito de um determinado tema. A validade da argumentação é evidenciada pelas justificativas de posições assumidas pelo autor ao apresentar informações e opiniões que se complementam ou se opõem. No texto, predominam sequências expositivo-argumentativas.
            Suponha que você foi convidado por um jornal de circulação local para escrever um artigo de opinião a respeito do papel do individualismo na formação do jovem contemporâneo. Defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos que evidenciem a oposição individualismo versus coletivismo.

B – Carta de leitor

            De natureza persuasivo-argumentativa, a carta de leitor é um gênero discursivo no qual o leitor manifesta sua opinião sobre assuntos publicados em jornal, revista ou em outro veículo de comunicação, dirigindo-se ao editor ou ao autor de um texto publicado. O texto da carta é caracterizado pela construção da imagem do interlocutor e por estratégias de convencimento. Os argumentos do autor buscam convencer o destinatário a acatar o seu ponto de vista e suas ideias.
            Escreva uma carta de leitor a um jornal local, posicionando-se em relação às ideias sobre a cultura do individualismo e a manutenção de valores sociais, defendidas por Luiz Roberto Alves, professor titular do Programa de Pós-graduação em Administração e coordenador acadêmico da Cátedra de Gestão de Cidades da Universidade Metodista de São Paulo. Para construir seus argumentos, relacione dados e fatos que possam convencer o seu interlocutor a acatar o seu ponto de vista.
            Para escrever sua carta, considere as características interlocutivas próprias desse gênero.
            NÃO IDENTIFIQUE O REMETENTE DA CARTA.

C – Conto

            O conto é um gênero do discurso narrativo. Sua constituição formal é pouco extensa. Essa característica de síntese exige um número reduzido de personagens, esquema temporal e espacial econômico e um número limitado de ações. O narrador elabora o ponto de vista que sustenta a trama. O enredo estabelece um único conflito. No desenvolvimento do texto, o conflito poderá ou não ser solucionado.
            Escreva um conto sobre o tema Entre a cultura do individualismo e a manutenção de valores sociais. Para escrever seu texto, imagine que você seja um individualista radical e se vê forçado a viver uma experiência de coletividade extrema. A história que você vai criar deve estabelecer um conflito que envolva a oposição individualismo versus coletivismo.

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