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quarta-feira, 30 de julho de 2014

UFG - 2008 - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Prova de Língua Portuguesa - UFG - 2008 - 1ºfase


QUESTÃO 01 - Observe a fotografia a seguir.


EDUCAR É AMAR A DOBRAR
CARVALHO, José Manuel. Disponível em: <www.1000imagens.com>

Considerando-se as formas retratadas e a circunstância que elas representam, o título da foto sugere que educar é

(A) viver momentos de descontração.
(B) compartilhar experiências.
(C) construir um ambiente seguro.
(D) alcançar a condição do outro.
(E) transmitir ensinamentos adequados.

Leia o texto abaixo para responder às questões de 02 a 05.

Aprenda a falar difícil

            Em minha empresa, parece que o povo, do gerente para cima, fala outro idioma. Por que as pessoas ficam inventando expressões estranhas ou usando palavras estrangeiras, quando é muito mais fácil falar português?

Lélio, São Caetano, SP

            Para impressionar, Lélio. As pessoas que complicam o vocabulário fazem isso com dois propósitos bem claros. O primeiro é financeiro. “Falar abobrinha” pode ser sinônimo de “Verbalizar cucurbitáceas”, mas a segunda turma, via de regra, ganha mais. Você mesmo confirmou isso, ao dizer: “de gerente para cima”. O segundo motivo é se proteger. Através dos tempos, cada profissão foi desenvolvendo sua maneira particular de se expressar. Economista fala diferente de advogado, que fala diferente de engenheiro, que fala diferente de psicólogo, e todos eles falam diferente de nós.
            Quanto mais complicado uma pessoa fala, mais fácil ela poderá depois explicar: “Não foi bem isso que eu disse”. Na prática, a coisa funciona assim. Se você tiver uma pergunta – qualquer pergunta — e consultar alguém de Marketing, ouvirá como resposta que é preciso “fazer um brainstorming e extrapolar os dados”. Alguém de Recursos Humanos dirá que, “enquanto seres funcionais, temos de vivenciar parâmetros
holísticos”. Um engenheiro opinaria que a coisa se deve a fatores inerciais de natureza não-técnica”. E uma pessoa de Sistemas diria que a empresa está “num processo de reformulação de conteúdo”. E assim por diante.
            Essa foi uma grande lição que aprendi na vida corporativa. Quando tinha alguma dúvida, perguntava a um Diretor. E aprendia uma palavra nova. Aí, ia me informar com o Seu Anísio da Portaria. Porque ele era o único capaz de me explicar direitinho a situação. “É, vem chumbo grosso por aí”.
            Portanto, Lélio, e para bem de sua carreira, sugiro que você comece a aprender esses “idiomas estranhos”. Falando de maneira simples, e sendo entendido por todos, você chegará, no máximo, a Supervisor. Adotando uma verbalização direcional intrínseca, poderá chegar a Diretor.

GEHRINGER, Max. Sua carreira. Época, São Paulo: Editora Globo, n. 411, 3 abr. 2006, p. 67.

QUESTÃO 02 - Na pergunta do leitor, há uma concepção de língua portuguesa que

(A) rejeita as variações de caráter técnico-profissional, por considerá-las desnecessárias.
(B) defende o uso da língua padrão nas atividades profissionais, por sugerir mais status.
(C) expressa um preconceito com o falar coloquial, por relacioná-lo às classes populares.
(D) incorpora o uso de palavras estrangeiras como necessário à comunicação.
(E) considera as mudanças de estilo uma consequência inevitável das diferentes personalidades.

QUESTÃO 03 - O conselho para que Lélio “adote uma verbalização direcional intrínseca” pode ser parafraseado por:

(A) assuma uma linguagem objetiva.
(B) prefira uma retórica rebuscada.
(C) use um jargão adequado.
(D) escolha uma comunicação atraente.
(E) utilize uma fala despojada.

QUESTÃO 04 - Na elaboração da resposta, o consultor Max Gehringer sugere que

(A) o profissional deve manter em situações discursivas informais a mesma linguagem própria da área na qual atua.
(B) diferentes enunciados têm um mesmo significado e sua expressão independe das características da profissão.
(C) uma mesma informação pode ser veiculada por enunciados diferentes, dependendo do papel social exercido pelo locutor.
(D) os funcionários de uma empresa devem ser prolixos em todas as situações que envolvam comunicação com clientes.
(E) um mesmo enunciado pode desencadear diferentes reações no interlocutor quando proferido em espaço de trabalho.

QUESTÃO 05 - Resumindo-se os motivos apresentados no texto para explicar a complicação do vocabulário, “falar difícil” funciona como

(A) marca de poder aquisitivo e mecanismo de autopreservação profissional.
(B) maneira de separar funcionários e patrões e tática de garantia da produtividade.
(C) meio para aumentar lucros e artimanha para impedir as ideias dos concorrentes.
(D) garantia de competência técnica e recurso para valorizar os ouvintes.
(E) indicador da competição entre funcionários e instrumento de aproximação dos clientes.

Leia o texto abaixo para responder às questões 06 e 07.

BUSCATO, Marcela. Época. São Paulo: Editora Globo, n. 487, set. 2007. p. 17.

QUESTÃO 06 - Que diferença física os cientistas acreditam ter descoberto entre conservadores e liberais?

(A) A maior atividade do córtex cingulado anterior no cérebro dos liberais.
(B) A flexibilidade biológica dos liberais diante da rigidez dos conservadores.
(C) A diferente localização no cérebro das áreas responsáveis pelo monitoramento de conflitos.
(D) O ponto de sensibilidade nervosa observada no cérebro dos conservadores.
(E) O formato da área responsável pelo gerenciamento de situações rotineiras no cérebro dos liberais.

QUESTÃO 07 - A referência espacial sugerida no título é recuperada com base

(A) na posição enunciativa do leitor.
(B) nas informações não-verbais.
(C) no conteúdo do texto.
(D) nas expressões indicadoras de lugar.
(E) no espaço de circulação do texto.

Leia os textos a seguir para responder às questões de 08 a 10.

Quer tomar bomba?

Quer tomar bomba? Pode aplicar
Mas eu não garanto se vai inchar
Efeito estufa, ação, reação
Estria no corpo, aí, vai, vacilão
Deca, winstrol, durateston, textex
A fórmula mágica pra você ficar mais sexy
Mulher, dinheiro, oportunidade
Um ciclo de winstrol e você é celebridade
Barriga estilo tanque, pura definição
Duas horas de tensão, não vacila, vai pro chão
Três, quatro, quanto mais repetição
Vai perder muito mais rápido
Então, vem, sente a pressão

MAG. Quer tomar bomba? Disponível em: <www.vagalume.com.br>

Canção

Dá-me pétalas de rosa
Dessa boca pequenina:
Vem com teu riso, formosa!
Vem com teu beijo, divina!

Transforma num paraíso
O inferno do meu desejo...
Formosa, vem com teu riso!
Divina, vem com teu beijo!

Oh! tu, que tornas radiosa
Minh’alma, que a dor domina,
Só com teu riso, formosa,
Só com teu beijo, divina!

Tenho frio, e não diviso
Luz na treva em que me vejo:
Dá-me o clarão do teu riso!
Dá-me o fogo do teu beijo!

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 70. (Coleção Melhores poemas).

QUESTÃO 08 - No rap “Quer tomar bomba?”, a associação do uso de “medicamentos” ao exercício físico sugere o seguinte dilema:

(A) O culto à beleza física versus o cultivo da beleza interior.
(B) O zelo com a saúde mental versus a preocupação com a saúde corporal.
(C) A obtenção de resultados pela força de vontade versus o recurso à medicina desportiva.
(D) A manutenção da juventude versus a aceitação do envelhecimento.
(E) O cuidado consigo mesmo versus o desejo de ser atraente ao outro.

QUESTÃO 09 - No poema “Canção”, um dos recursos lingüísticos utilizados para expressar a dependência do poeta em relação à mulher amada é

(A) a recuperação da voz feminina pela citação direta e explícita.
(B) a oposição semântica entre termos dos universos da razão e da espiritualidade.
(C) a construção da antítese mediante o encadeamento de orações coordenadas.
(D) a alternância das formas verbais nos modos indicativo e imperativo.
(E) a sequência sonora indicativa da melancolia causada pela distância entre eles.

QUESTÃO 10 - Os textos “Quer tomar bomba?” e “Canção” pertencem a gêneros discursivos diferentes. Contudo, apresentam semelhanças quanto à constituição enunciativa, pois em ambos observa-se

(A) o desprezo do locutor em relação aos questionamentos do interlocutor.
(B) a ocorrência da interação por meio da evocação do interlocutor.
(C) o apagamento do interlocutor marcado pela diminuição gradual de suas falas.
(D) a instauração de uma voz mediadora das falas dos interlocutores.
(E) o confronto de pontos de vista caracterizado pela sobreposição de vozes.

LITERATURA BRASILEIRA

QUESTÃO 11 - Leia o fragmento do poema “Ofertas de Aninha (Aos moços)”, de Cora Coralina.

Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
[...]
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
e na descoberta de uma profilaxia
futura dos erros e violências
do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.

CORALINA, Cora. Melhores poemas. Seleção de Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 132-133. (Coleção Melhores poemas).

Somam-se a esse texto poético outros poemas, tais como “Lembranças de Aninha (Colhe dos velhos plantadores)”, “Normas de educação”, “Pai e filho”, “Cora Coralina, quem é você?” e “Mestra Silvina”, que são unidos por uma temática central que trata da

(A) condição intergeracional que funciona como base para a educação humana.
(B) situação física precária que exemplifica o universo escolar da Cidade de Goiás.
(C) idealização dos professores antigos que valorizavam a pedagogia humanista.
(D) crença nos avanços da ciência que cumpre o papel de gerar bem-estar social.
(E) arte literária engajada que deve ser usada como instrumento de ensino formal.

QUESTÃO 12 - Leia o soneto abaixo.

XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 54. (Coleção Melhores poemas).

Olavo Bilac, mais conhecido como poeta parnasiano, expressa traços românticos em sua obra. No soneto apresentado observa-se o seguinte traço romântico:

(A) objetividade do eu lírico.
(B) predominância de descrição.
(C) utilização de universo mitológico.
(D) erudição do vocabulário.
(E) idealização do tema amoroso.

QUESTÃO 13 - Os contos de O leopardo é um animal delicado, de Marina Colasanti, permitem a reconfiguração de concepções ideológicas cristalizadas ao focalizar as relações entre homens e mulheres sob diferentes nuanças. O conto em que é apresentada uma abordagem diferenciada dessa relação é

(A) “Não há nada no bosque” – o cotidiano do lar é afetado por uma ameaça externa.
(B) “Um dia, afinal” – o desgaste do relacionamento é fator de estranhamento do cônjuge.
(C) “É a alma, não é?” – o casamento é entendido pela esposa como aprisionamento.
(D) “As regras do jogo” – o acontecimento real é substituído pela aventura virtual.
(E) “Como se pode amar” – a experiência amorosa é encaminhada para uma situação trágica.

QUESTÃO 14 - A modernidade do romance brasileiro já se faz notar na segunda fase da obra de Machado de Assis, antecipando essa tendência na literatura brasileira. Em Memorial de Aires, uma marca dessa modernidade é

(A) a presença recorrente do pano de fundo histórico.
(B) a crítica social aos diversos desmandos políticos.
(C) o retrato incisivo do cotidiano artificial burguês.
(D) o comentário metalingüístico sobre fatos relatados.
(E) a expressão rigorosa de ideologias antagônicas.

QUESTÃO 15 - A característica apresentada pela obra Memorial do fim, de Haroldo Maranhão, que a enquadra em uma das tendências do romance brasileiro contemporâneo, é a

(A) predominância de uma voz narrativa determinante na condução do relato.
(B) representação de grupos sociais marginalizados em uma sociedade consumista.
(C) presença do tema da violência oriunda de uma formação social autoritária.
(D) releitura da tradição literária com a livre representação da vida cultural brasileira.
(E) prevalência do cenário urbano com o retrato da metrópole moderna.

QUESTÃO 16 - As narrativas O fantasma de Luis Buñel, de Maria José Silveira, Memorial de Aires, de Machado de Assis, e Memorial do fim, de Haroldo Maranhão, usam formas extraliterárias, tais como o diário, o jornal, a carta, o bilhete e o roteiro. A presença desses recursos estilísticos propicia

(A) criar o efeito do real no texto literário.
(B) ressaltar a relevância cultural dos enredos.
(C) fortalecer o empenho ideológico dos textos.
(D) inserir a literatura no âmbito vanguardista.
(E) valorizar o caráter informativo das obras.

QUESTÃO 17 - Leia os poemas de Cora Coralina e Olavo Bilac.

RIO VERMELHO

IV

Água – pedra.
Eternidades irmanadas.
Tumulto – torrente.
Estática – silenciosa.
O paciente deslizar,
o chorinho a lacrimejar
sutil, dúctil
na pedra, na terra.
Duas perenidades –
sobreviventes
no tempo.
Lado a lado – conviventes,
diferentes, juntas, separadas.
Coniventes.
Meu Rio Vermelho.

CORALINA, Cora. Melhores poemas. Seleção de Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 319. (Coleção Melhores poemas).

Vocabulário:
dúctil: dócil

RIO ABAIXO

Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.

Vivo há pouco, de púrpura, sangrento,
Desmaia agora o ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.

Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:

E o seu reflexo pálido, embebido
Como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 71. (Coleção Melhores poemas).

Vocabulário:
ocaso: pôr-do-sol
fímbria: orla, borda
gládio: espada

Tanto Cora Coralina, em “Rio vermelho”, quanto Olavo Bilac, em “Rio abaixo”, poetizam assuntos semelhantes. Os dois poemas, entretanto, diferenciam-se, respectivamente, por

(A) linguagem coloquial do primeiro e linguagem anacrônica do segundo.
(B) caráter contido do primeiro e caráter intenso do segundo.
(C) tonalidade satírica do primeiro e tonalidade avaliativa do segundo.
(D) ênfase narrativista do primeiro e ênfase descritivista do segundo.
(E) registro regionalista do primeiro e registro universalista do segundo.

QUESTÃO 18 - A composição narrativa em Memorial de Aires, de Machado de Assis, e em Memorial do fim, de Haroldo Maranhão, caracteriza-se pela fragmentação do relato. Essa organização é ocasionada

(A) pelo encadeamento ordenado do tempo.
(B) pelo retrato tipificado do personagem.
(C) pelo centramento estrutural do enredo.
(D) pela articulação subjetiva do narrador.
(E) pela configuração realista do cenário.

QUESTÃO 19 - Maria José Silveira, no romance O fantasma de Luis Buñel, com o objetivo de reproduzir o funcionamento da memória,

(A) emprega o flash-back com múltiplos narradores, relacionando-os ao longo do enredo.
(B) explora o momento da enunciação, considerando a ótica dos narradores.
(C) apresenta os fatos em ordem cronológica, combinando o olhar dos narradores.
(D) mescla o passado com o presente, prevendo o futuro dos personagens.
(E) evoca os eventos distantes, desconectando-os do presente de cada narrador.

QUESTÃO 20 - Leia os seguintes fragmentos do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis.

13 de maio
Enfim, lei. Nunca fui, nem o cargo me consentia ser propagandista da abolição, mas confesso que senti grande prazer quando soube da votação final do Senado e da sanção da Regente. Estava na Rua do Ouvidor, onde a agitação era grande e a alegria geral.
[...]
Ainda bem que acabamos com isto. Era tempo. Embora queimemos todas as leis, decretos e avisos, não poderemos acabar com os atos particulares, escrituras e inventários, nem apagar a instituição da História, ou até da Poesia.

ASSIS, Machado de. Memorial de Aires. São Paulo: Ática, 2007. p. 38-39. (Série Bom livro).

Os fragmentos acima retratam um episódio decisivo da história brasileira, a Abolição da escravatura. Na ótica do narrador desse romance, tal acontecimento é observado como

(A) uma circunstância de forte participação popular no país.
(B) uma ocasião de correção do passado de intensa violência.
(C) uma oportunidade de superação dos resíduos conservadores.
(D) um momento de concessão política das elites brasileiras.
(E) um evento de revelação das contradições nacionais.

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UFG - 2001 - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa


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UFG - 2007 - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Prova de Língua Portuguesa - UFG - 2007 - 1ºfase


Leia a história em quadrinhos para responder às questões 01 e 02.

LAERTE. Folha de S. Paulo, São Paulo, 11 jun. 2006. Ilustrada, p. E6.

QUESTÃO 01 - A sequência de quadrinhos indica uma progressão da narrativa na qual se percebe

(A) a atuação das personagens em semelhantes papéis na história criada.
(B) o embate das personagens ao quererem assumir o lugar do herói na aventura.
(C) a indecisão das personagens em definir a coerência dos eventos da história.
(D) a responsabilidade de uma das personagens em dirigir as ações de Jet Jackson.
(E) o descaso de Ikky em relação à importância do companheiro na elaboração do enredo.

QUESTÃO 02 - O diálogo das personagens situa parte da história no plano da fantasia, pois as ações narradas

(A) são projetadas para um futuro distante.
(B) constituem lembranças recentes das personagens.
(C) são reveladas pela linearidade dos acontecimentos.
(D) acontecem num tempo anterior à brincadeira.
(E) são construídas enquanto vão sendo enunciadas.

QUESTÃO 03 - Leia o texto.

Professora Etelvina e suas pílulas de sabedoriainstantânea

            Nos primórdios da linguagem escrita, um texto era uma longa sequência de caracteres.
            Sem espaços entre as palavras e sem nenhum sinal que indicasse pausa, ênfase ou pronúncia. Com o surgimento da imprensa, no século XV, o povo passou a ter acesso à leitura e foram, então, aparecendo símbolos variados, como os parênteses que vêm do grego e significam “ação de intercalar”. [...] E quando parecia que nada mais faltava para ser inventado surgiram os emoticons, símbolos criados a partir de outros símbolos, para dar mais vida à comunicação via internet. O mais famoso deles é o “sorriso deitado”... [: )]

ÉPOCA. São Paulo: Globo, 31 jul. 2006, p. 18. [Adaptado].

Com base nas dicas da professora Etelvina, é possível dizer que os símbolos gráficos, como parênteses e emoticons, têm como função

(A) garantir a interlocução, tornando a interação mais efetiva.
(B) recuperar sentidos convencionalizados desde o surgimento da escrita.
(C) evidenciar a interferência da oralidade na organização do sistema escrito das línguas.
(D) perturbar a interação nos meios de comunicação instantânea.
(E) desviar a atenção do leitor para informações secundárias contidas no texto.

QUESTÃO 04 - Leia o texto.

            Plutão foi rebaixado porque não satisfaz a condição referente à limpeza da vizinhança planetária – sua órbita cruza a de Netuno, que é muito maior. Isso significa que, nos primórdios do Sistema Solar, ele não teve força gravitacional para engolir os corpos nos seus arredores.

FOLHA DE S. PAULO. São Paulo, 25 ago. 2006. Ciência, p. A20. [Adaptado].

No texto acima, o sentido dos termos limpeza e engolir é construído de modo

(A) categórico, pois dizem respeito a expressões relativas à astronomia.
(B) intertextual, pois relacionam descobertas científicas ao discurso da astrologia.
(C) metafórico, pois se atribuem a corpos celestes ações relativas a seres animados.
(D) irônico, pois enfatizam a inadequada inclusão de Plutão na categoria “planeta”.
(E) contraditório, pois as informações são incompatíveis com o conhecimento científico.

Leia os textos I e II para responder às questões 05 e 06.

TEXTO I - Uma luta de adjetivos. Touro indomável foi uma solução mais precisa de Ranging Bull do que seria sua tradução literal, “touro enraivecendo”. A adaptação em português enfatiza o aspecto do termo, não a noção de tempo, como o original permitiria. Uma alternativa, Touro irado, tem igualmente menos força que o adjetivo “indomável”.

TEXTO II - Million Dollar Baby (a menina de um milhão de dólares) não entrega o ouro de cara: descreve a protagonista que tenta sair da sarjeta por meio do boxe. Emite a ideia de um prêmio a coroar a obstinação da heroína, que vive sentimentos crus e sem afagos. O título em inglês nos induz a uma expectativa que será redefinida. Menina de ouro esvazia a ambiguidade original e confere uma afetuosidade à personagem que não é a tônica da história.

REVISTA LÍNGUA PORTUGUESA. São Paulo: Segmento, n. 5, 2006, p. 31-32.

QUESTÃO 05 - No texto I, a adaptação do título do filme em português, substituindo enraivecendo por indomável, confere ao touro

(A) uma habilidade provisória.      (B) um estado inconstante.
(C) um comportamento oscilante.  (D) uma característica permanente. (E) um caráter aventureiro.

QUESTÃO 06 - Com base na leitura do texto II, pode-se afirmar que “Million Dollar Baby não entrega o ouro de cara” porque o título expressa

(A) a ambiguidade que induz a uma interpretação que será reformulada.
(B) a ideia de contraposição que sugere o caráter obstinado da personagem.
(C) a ironia que remete ao estado de pobreza incorporado pela protagonista.
(D) o sentido de afetuosidade que revela um tipo complexo de personagem.
(E) o pressuposto que conduz a uma expectativa que será comprovada.

QUESTÃO 07 - Leia o texto de Paul Horowitz, físico da Universidade de Harvard.

Existe vida inteligente fora da terra?

“No Universo? Garantido. Na nossa galáxia? Extremamente provável. Por que não encontramos aliens ainda? Talvez nossos equipamentos não tenham sensibilidade suficiente. Ou não sintonizamos o sinal de rádio correto”.

SUPERINTERESSANTE. São Paulo: Editora Abril, n. 224, mar. 2006, p. 42.

Tendo em vista os argumentos utilizados por Paul Horowitz, pode-se inferir que ele

(A) garante a existência de aliens apoiando-se em comprovações científicas.
(B) prova que nosso encontro com extraterrestre é apenas uma questão de tempo.
(C) sustenta seu ponto de vista com base em resultados verificados por equipamentos adequados.
(D) revela suas ideias em uma escala que varia em diferentes graus de certeza.
(E) reconhece a existência de vida alienígena em nossa galáxia.

QUESTÃO 08 - Leia o texto.

Qual é o animal mais estranho do planeta?

            Existem animais estranhíssimos na natureza, mas poucos são mais bizarros do que o ornitorrinco. Trata-se de um mamífero, mas possui bico de pato e põe ovos! É tão estranho que, em 1798, quando o primeiro exemplar empalhado chegou à Inglaterra, os zoólogos o denunciaram como falso. Até as combinações cromossômicas dos ornitorrincos são estranhas. Enquanto aos outros mamíferos bastam dois cromossomos sexuais (XX ou XY) para que se determine se são machos ou fêmeas, os ornitorrincos precisam de dez. XXXXXXXXXX para uma fêmea e XYXYXYXYXY para um macho.

PLANETA. São Paulo: Editora Três, n. 400, jan. 2006, p. 17.

De acordo com o texto, revela-se determinante para comprovar a estranheza do ornitorrinco, um mamífero que possui bico de pato e põe ovos, o fato de que

(A) poucos animais na natureza são mais bizarros do que ele.
(B) machos e fêmeas da espécie são determinados geneticamente por dez cromossomos.
(C) um exemplar empalhado foi denunciado como um animal falso.
(D) mamíferos apresentam uma combinação mínima de células sexuais.
(E) a constituição física desse animal é motivo de discussão desde o século XVIII.

Leia o texto para responder às questões 09 e 10.

Ricos Esquimós

            O aquecimento global e o derretimento das geleiras, acredite, têm enriquecido os habitantes do Pólo Norte. Localizada no extremo norte da América, a Groelândia é a maior ilha do mundo. Nela, 80% do território é coberto por geleiras e os termômetros marcam uma média de 22o negativos.
            Essa calota polar cujo volume é de 2,85 milhões de km3 está derretendo. Agora, a surpresa: criadores e pescadores começam a comemorar porque com isso eles estão ganhando dinheiro.

ISTOÉ. São Paulo: Editora Três, n. 1922. 23 ago. 2006, p. 26. [Adaptado].

QUESTÃO 09 - No texto, os usos de acredite e agora têm o objetivo de

(A) destacar a opinião do autor pela apresentação de evidências estatísticas.
(B) indicar a criação de um espaço hipotético para o conteúdo do texto.
(C) delimitar a ocorrência dos eventos destacados em um plano temporal.
(D) mostrar aos interlocutores o caráter inverossímil dos fatos mencionados.
(E) estabelecer uma relação de proximidade entre o autor do texto e os interlocutores.

QUESTÃO 10 - A “surpresa” a que o autor se refere no texto se justifica pelo fato de

(A) os habitantes das regiões polares viverem em isolamento.
(B) o degelo trazer sérias conseqüências para a população mundial.
(C) as camadas superficiais de gelo recobrirem o solo da calota polar.
(D) a temperatura média da ilha variar de acordo com o aquecimento global.
(E) a pesca em áreas congeladas requerer habilidades inusitadas dos esquimós.

QUESTÃO 11 - No romance de Maria José Silveira, O fantasma de Luis Buñuel, fatos históricos amplamente conhecidos pelos brasileiros, assim como outros pouco ressaltados pela história oficial, são ficcionalizados. Para a valorização do factual no ficcional, a autora recorre

(A) a manchetes de jornais da época da elaboração do romance.
(B) a nomes de pessoas, a lugares e a situações com caráter verossímil.
(C) ao foco narrativo em primeira pessoa com interpretação subjetiva.
(D) a datas e aos respectivos acontecimentos em ordem cronológica.
(E) a descrições de cenas do passado desconectadas do presente.

QUESTÃO 12 - Leia o poema de Cora Coralina.

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir...
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces.
[Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

CORALINA, Cora. Melhores poemas. Seleção de Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 243. (Coleção melhores poemas).

A coletânea de poemas de Cora Coralina está organizada em sete núcleos temáticos, um dos quais é “Entre pedras e flores” que contém o presente poema, cujo eixo temático relaciona-se

(A) ao trabalho do poeta que deve ser norteado pelo registro metalinguístico.
(B) ao caráter metafórico que é constituído de elementos pitorescos.
(C) ao verso prosaico que renova o modo tradicional de composição.
(D) à educação pela arte que transmite valores estéticos restritos.
(E) à arte poética que incentiva a função de pensar e reformular a vida factual.

QUESTÃO 13 - O enredo de Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra, representa um episódio remoto da formação sociopolítica brasileira que alude ao período da ditadura militar porque

(A) a linguagem apresenta traços denotativos para o enfrentamento da censura.
(B) o espaço da ação histórica restringe-se aos limites físicos do palco.
(C) o passado é colocado em cena sob o olhar contemporâneo e crítico dos autores.
(D) o conflito político ocorre por meio do jogo de poder entre portugueses e holandeses.
(E) a posição ideológica do texto dilui a reflexão crítica expressa pelas partes cantadas.

QUESTÃO 14 - Nos contos “Vestida de preto”, “O peru de natal”, “Frederico Paciência” e “Tempo da camisolinha”, do livro Contos novos, de Mário de Andrade, o aspecto nuclear que
os aproxima é

(A) o recurso à introspecção.    (B) a temática da religiosidade.
(C) o tempo da vida escolar.     (D) a ação de ritmo linear.            (E) o apelo à evasão.

QUESTÃO 15 - Leia o poema de Cruz e Sousa.

Acrobata da dor

Gargalha, ri, num riso de tormenta,
Como um palhaço, que desengonçado,
Nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
De uma ironia e de uma dor violenta.

Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
Agita os guizos, e convulsionado
Salta, “gavroche”, salta, “clown”, varado
Pelo estertor dessa agonia lenta...

Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! retesa os músculos, retesa
Nessas macabras piruetas d’aço...

E embora caias sobre o chão, fremente,
Afogado em teu sangue estuoso e quente,
Ri! Coração, tristíssimo palhaço.

SOUSA, Cruz e. Broquéis, Faróis e Últimos sonetos. 2ª. ed. reform., São Paulo: Ediouro, 2002. p. 39-40. (Coleção super prestígio).

Vocabulário:
gavroche: garoto de rua que brinca, faz estripulias
clown: palhaço
estertor: respiração rouca típica dos doentes terminais
estuoso: que ferve, que jorra

Uma característica simbolista do poema acima é a

(A) linguagem denotativa na composição poética.
(B) biografia do poeta aplicada à ótica analítica.
(C) perspectiva fatalista da condição amorosa.
(D) exploração de recursos musicais e figurativos.
(E) presença de estrangeirismos e de barbarismos.

QUESTÃO 16 - No tocante à descrição dos costumes indígenas, José de Alencar, em Ubirajara, retoma um procedimento já utilizado nos relatos dos cronistas do século XVI. No romance, o tratamento das informações referentes à cultura indígena resulta na

(A) transformação do passado colonial do Brasil.
(B) idealização da figura do indígena nacional.
(C) indicação dos sentidos da cultura autóctone.
(D) apresentação dos primeiros habitantes do Brasil.
(E) introdução do índio na literatura brasileira.

QUESTÃO 17 - Leia os poemas de Cora Coralina e de Cruz e Sousa.

Todas as vidas

[...]
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
[...]
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
[...]
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
[...]
Todas as vidas dentro de mim.
Na minha vida –
a vida mera das obscuras.

CORALINA, Cora. Melhores poemas., Seleção de Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 253-255. (Coleção melhores poemas).

Afra

Ressurges dos mistérios da luxúria,
Afra, tentada pelos verdes pomos,
Entre os silfos magnéticos e os gnomos
Maravilhosos da paixão purpúrea.

Carne explosiva em pólvoras e fúria
De desejos pagãos, por entre assomos
Da virgindade ─ casquinantes momos
Rindo da carne já votada à incúria.

Votada cedo ao lânguido abandono,
Aos mórbidos delíquios como ao sono,
Do gozo haurindo os venenosos sucos.

Sonho-te a deusa das lascivas pompas,
A proclamar, impávida, por trompas
Amores mais estéreis que os eunucos!

SOUSA, Cruz e. Broquéis, Faróis e Últimos sonetos. 2ª. ed. reform., São Paulo: Ediouro, 2002. p. 24-25. (Coleção super prestígio).

Vocabulário:
silfos: espíritos elementares do ar
assomos: ímpeto, impulso
casquinantes: relativo à gargalhada, risada de escárnio
momos: ator que representa comédia
incúria: falta de cuidado
delíquios: desfalecimento, desmaio
haurindo: extraindo, colhendo, consumindo

Nos poemas apresentados, os autores tematizam a mulher com perspectivas diferenciadas no que diz respeito, respectivamente, à

(A) preocupação com a cor local e à fuga da realidade em situações espirituais.
(B) perspectiva referencial dada ao tema e ao enquadramento conceptista das imagens.
(C) ênfase no misticismo africano e à descrição fantástica do corpo da mulher.
(D) musicalidade recorrente para a composição dos perfis e ao entrelaçamento de poesia e prosa.
(E) valorização de condições sociais marginalizadas e à construção erotizada da figura feminina.

QUESTÃO 18 - O romance O fantasma de Luis Buñuel, de Maria José Silveira, e a peça Calabar, de Chico Buarque e Ruy Guerra, apresentam direta e indiretamente as conseqüências do golpe militar de 1964 na realidade brasileira. Assim, o enfoque literário é semelhante no que se refere

(A) ao processo revisionista dos modos da violência de Estado em tempos históricos remotos.
(B) à captação realista dos modos de rebeldia da juventude formada num contexto ditatorial.
(C) à expressão multifacetada da tradição autoritária na sociedade brasileira.
(D) ao tratamento alegórico das formas de atuação política do poder militar.
(E) à recorrência temática da luta político-partidária contra o poder autoritário vigente.

QUESTÃO 19 - A ênfase na realidade brasileira faz parte dos projetos literários de José de Alencar e Mário de Andrade, apresentando como característica convergente a

(A) revelação literária da identidade nacional.
(B) evocação determinista do povo brasileiro.
(C) exaltação nativista da paisagem tropical.
(D) descrição minuciosa do cenário local.
(E) concepção idealista do tempo histórico.

QUESTÃO 20 - Ubirajara, de José de Alencar, e O Fantasma de Luis de Buñuel, de Maria José Silveira, representam, respectivamente, as tendências romântica e contemporânea da literatura brasileira, caracterizadas

(A) pela configuração realista do enredo no primeiro e pelo enquadramento histórico no segundo.
(B) pelo tom lendário constitutivo tanto das personagens de um quanto do outro.
(C) pelo uso enfático da prosa intimista tanto no primeiro quanto no segundo.
(D) pela predominância da terceira pessoa no primeiro e variação do foco narrativo no segundo.
(E) pela utilização verossímil do tempo psicológico no primeiro e do cronológico no segundo.

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