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quarta-feira, 30 de julho de 2014

UFG - 2008 - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Prova de Língua Portuguesa - UFG - 2008 - 1ºfase


QUESTÃO 01

Observe a fotografia a seguir.

EDUCAR É AMAR A DOBRAR
CARVALHO, José Manuel. Disponível em: <www.1000imagens.com>

Considerando-se as formas retratadas e a circunstância que elas representam, o título da foto sugere que educar é

(A) viver momentos de descontração.
(B) compartilhar experiências.
(C) construir um ambiente seguro.
(D) alcançar a condição do outro.
(E) transmitir ensinamentos adequados.

Leia o texto abaixo para responder às questões de 02 a 05.

Aprenda a falar difícil

            Em minha empresa, parece que o povo, do gerente para cima, fala outro idioma. Por que as pessoas ficam inventando expressões estranhas ou usando palavras estrangeiras, quando é muito mais fácil falar português?

Lélio, São Caetano, SP

            Para impressionar, Lélio. As pessoas que complicam o vocabulário fazem isso com dois propósitos bem claros. O primeiro é financeiro. “Falar abobrinha” pode ser sinônimo de “Verbalizar cucurbitáceas”, mas a segunda turma, via de regra, ganha mais. Você mesmo confirmou isso, ao dizer: “de gerente para cima”. O segundo motivo é se proteger. Através dos tempos, cada profissão foi desenvolvendo sua maneira particular de se expressar. Economista fala diferente de advogado, que fala diferente de engenheiro, que fala diferente de psicólogo, e todos eles falam diferente de nós.
            Quanto mais complicado uma pessoa fala, mais fácil ela poderá depois explicar: “Não foi bem isso que eu disse”. Na prática, a coisa funciona assim. Se você tiver uma pergunta – qualquer pergunta — e consultar alguém de Marketing, ouvirá como resposta que é preciso “fazer um brainstorming e extrapolar os dados”. Alguém de Recursos Humanos dirá que, “enquanto seres funcionais, temos de vivenciar parâmetros
holísticos”. Um engenheiro opinaria que a coisa se deve a fatores inerciais de natureza não-técnica”. E uma pessoa de Sistemas diria que a empresa está “num processo de reformulação de conteúdo”. E assim por diante.
            Essa foi uma grande lição que aprendi na vida corporativa. Quando tinha alguma dúvida, perguntava a um Diretor. E aprendia uma palavra nova. Aí, ia me informar com o Seu Anísio da Portaria. Porque ele era o único capaz de me explicar direitinho a situação. “É, vem chumbo grosso por aí”.
            Portanto, Lélio, e para bem de sua carreira, sugiro que você comece a aprender esses “idiomas estranhos”. Falando de maneira simples, e sendo entendido por todos, você chegará, no máximo, a Supervisor. Adotando uma verbalização direcional intrínseca, poderá chegar a Diretor.

GEHRINGER, Max. Sua carreira. Época, São Paulo: Editora Globo, n. 411, 3 abr. 2006, p. 67.

QUESTÃO 02

Na pergunta do leitor, há uma concepção de língua portuguesa que

(A) rejeita as variações de caráter técnico-profissional, por considerá-las desnecessárias.
(B) defende o uso da língua padrão nas atividades profissionais, por sugerir mais status.
(C) expressa um preconceito com o falar coloquial, por relacioná-lo às classes populares.
(D) incorpora o uso de palavras estrangeiras como necessário à comunicação.
(E) considera as mudanças de estilo uma consequência inevitável das diferentes personalidades.

QUESTÃO 03

O conselho para que Lélio “adote uma verbalização direcional intrínseca” pode ser parafraseado por:

(A) assuma uma linguagem objetiva.
(B) prefira uma retórica rebuscada.
(C) use um jargão adequado.
(D) escolha uma comunicação atraente.
(E) utilize uma fala despojada.

QUESTÃO 04

Na elaboração da resposta, o consultor Max Gehringer sugere que

(A) o profissional deve manter em situações discursivas informais a mesma linguagem própria da área na qual atua.
(B) diferentes enunciados têm um mesmo significado e sua expressão independe das características da profissão.
(C) uma mesma informação pode ser veiculada por enunciados diferentes, dependendo do papel social exercido pelo locutor.
(D) os funcionários de uma empresa devem ser prolixos em todas as situações que envolvam comunicação com clientes.
(E) um mesmo enunciado pode desencadear diferentes reações no interlocutor quando proferido em espaço de trabalho.

QUESTÃO 05

Resumindo-se os motivos apresentados no texto para explicar a complicação do vocabulário, “falar difícil” funciona como

(A) marca de poder aquisitivo e mecanismo de autopreservação profissional.
(B) maneira de separar funcionários e patrões e tática de garantia da produtividade.
(C) meio para aumentar lucros e artimanha para impedir as ideias dos concorrentes.
(D) garantia de competência técnica e recurso para valorizar os ouvintes.
(E) indicador da competição entre funcionários e instrumento de aproximação dos clientes.

Leia o texto abaixo para responder às questões 06 e 07.

BUSCATO, Marcela. Época. São Paulo: Editora Globo, n. 487, set. 2007. p. 17.

QUESTÃO 06

Que diferença física os cientistas acreditam ter descoberto entre conservadores e liberais?

(A) A maior atividade do córtex cingulado anterior no cérebro dos liberais.
(B) A flexibilidade biológica dos liberais diante da rigidez dos conservadores.
(C) A diferente localização no cérebro das áreas responsáveis pelo monitoramento de conflitos.
(D) O ponto de sensibilidade nervosa observada no cérebro dos conservadores.
(E) O formato da área responsável pelo gerenciamento de situações rotineiras no cérebro dos liberais.

QUESTÃO 07

A referência espacial sugerida no título é recuperada com base

(A) na posição enunciativa do leitor.
(B) nas informações não-verbais.
(C) no conteúdo do texto.
(D) nas expressões indicadoras de lugar.
(E) no espaço de circulação do texto.

Leia os textos a seguir para responder às questões de 08 a 10.

Quer tomar bomba?

Quer tomar bomba? Pode aplicar
Mas eu não garanto se vai inchar
Efeito estufa, ação, reação
Estria no corpo, aí, vai, vacilão
Deca, winstrol, durateston, textex
A fórmula mágica pra você ficar mais sexy
Mulher, dinheiro, oportunidade
Um ciclo de winstrol e você é celebridade
Barriga estilo tanque, pura definição
Duas horas de tensão, não vacila, vai pro chão
Três, quatro, quanto mais repetição
Vai perder muito mais rápido
Então, vem, sente a pressão

MAG. Quer tomar bomba? Disponível em: <www.vagalume.com.br>

Canção

Dá-me pétalas de rosa
Dessa boca pequenina:
Vem com teu riso, formosa!
Vem com teu beijo, divina!

Transforma num paraíso
O inferno do meu desejo...
Formosa, vem com teu riso!
Divina, vem com teu beijo!

Oh! tu, que tornas radiosa
Minh’alma, que a dor domina,
Só com teu riso, formosa,
Só com teu beijo, divina!

Tenho frio, e não diviso
Luz na treva em que me vejo:
Dá-me o clarão do teu riso!
Dá-me o fogo do teu beijo!

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 70. (Coleção Melhores poemas).

QUESTÃO 08

No rap “Quer tomar bomba?”, a associação do uso de “medicamentos” ao exercício físico sugere o seguinte dilema:

(A) O culto à beleza física versus o cultivo da beleza interior.
(B) O zelo com a saúde mental versus a preocupação com a saúde corporal.
(C) A obtenção de resultados pela força de vontade versus o recurso à medicina desportiva.
(D) A manutenção da juventude versus a aceitação do envelhecimento.
(E) O cuidado consigo mesmo versus o desejo de ser atraente ao outro.

QUESTÃO 09

No poema “Canção”, um dos recursos lingüísticos utilizados para expressar a dependência do poeta em relação à mulher amada é

(A) a recuperação da voz feminina pela citação direta e explícita.
(B) a oposição semântica entre termos dos universos da razão e da espiritualidade.
(C) a construção da antítese mediante o encadeamento de orações coordenadas.
(D) a alternância das formas verbais nos modos indicativo e imperativo.
(E) a sequência sonora indicativa da melancolia causada pela distância entre eles.

QUESTÃO 10

Os textos “Quer tomar bomba?” e “Canção” pertencem a gêneros discursivos diferentes. Contudo, apresentam semelhanças quanto à constituição enunciativa, pois em ambos observa-se

(A) o desprezo do locutor em relação aos questionamentos do interlocutor.
(B) a ocorrência da interação por meio da evocação do interlocutor.
(C) o apagamento do interlocutor marcado pela diminuição gradual de suas falas.
(D) a instauração de uma voz mediadora das falas dos interlocutores.
(E) o confronto de pontos de vista caracterizado pela sobreposição de vozes.

LITERATURA BRASILEIRA

QUESTÃO 11

Leia o fragmento do poema “Ofertas de Aninha (Aos moços)”, de Cora Coralina.

Eu sou aquela mulher
a quem o tempo
muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos.
Ser otimista.
[...]
Acredito nos moços.
Exalto sua confiança,
generosidade e idealismo.
Creio nos milagres da ciência
e na descoberta de uma profilaxia
futura dos erros e violências
do presente.
Aprendi que mais vale lutar
do que recolher dinheiro fácil.
Antes acreditar do que duvidar.

CORALINA, Cora. Melhores poemas. Seleção de Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 132-133. (Coleção Melhores poemas).

Somam-se a esse texto poético outros poemas, tais como “Lembranças de Aninha (Colhe dos velhos plantadores)”, “Normas de educação”, “Pai e filho”, “Cora Coralina, quem é você?” e “Mestra Silvina”, que são unidos por uma temática central que trata da

(A) condição intergeracional que funciona como base para a educação humana.
(B) situação física precária que exemplifica o universo escolar da Cidade de Goiás.
(C) idealização dos professores antigos que valorizavam a pedagogia humanista.
(D) crença nos avanços da ciência que cumpre o papel de gerar bem-estar social.
(E) arte literária engajada que deve ser usada como instrumento de ensino formal.

QUESTÃO 12

Leia o soneto abaixo.

XXXI

Longe de ti, se escuto, porventura,
Teu nome, que uma boca indiferente
Entre outros nomes de mulher murmura,
Sobe-me o pranto aos olhos, de repente...

Tal aquele, que, mísero, a tortura
Sofre de amargo exílio, e tristemente
A linguagem natal, maviosa e pura,
Ouve falada por estranha gente...

Porque teu nome é para mim o nome
De uma pátria distante e idolatrada,
Cuja saudade ardente me consome:

E ouvi-lo é ver a eterna primavera
E a eterna luz da terra abençoada,
Onde, entre flores, teu amor me espera.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 54. (Coleção Melhores poemas).

Olavo Bilac, mais conhecido como poeta parnasiano, expressa traços românticos em sua obra. No soneto apresentado observa-se o seguinte traço romântico:

(A) objetividade do eu lírico.
(B) predominância de descrição.
(C) utilização de universo mitológico.
(D) erudição do vocabulário.
(E) idealização do tema amoroso.

QUESTÃO 13

Os contos de O leopardo é um animal delicado, de Marina Colasanti, permitem a reconfiguração de concepções ideológicas cristalizadas ao focalizar as relações entre homens e mulheres sob diferentes nuanças. O conto em que é apresentada uma abordagem diferenciada dessa relação é

(A) “Não há nada no bosque” – o cotidiano do lar é afetado por uma ameaça externa.
(B) “Um dia, afinal” – o desgaste do relacionamento é fator de estranhamento do cônjuge.
(C) “É a alma, não é?” – o casamento é entendido pela esposa como aprisionamento.
(D) “As regras do jogo” – o acontecimento real é substituído pela aventura virtual.
(E) “Como se pode amar” – a experiência amorosa é encaminhada para uma situação trágica.

QUESTÃO 14

A modernidade do romance brasileiro já se faz notar na segunda fase da obra de Machado de Assis, antecipando essa tendência na literatura brasileira. Em Memorial de Aires, uma marca dessa modernidade é

(A) a presença recorrente do pano de fundo histórico.
(B) a crítica social aos diversos desmandos políticos.
(C) o retrato incisivo do cotidiano artificial burguês.
(D) o comentário metalingüístico sobre fatos relatados.
(E) a expressão rigorosa de ideologias antagônicas.

QUESTÃO 15

A característica apresentada pela obra Memorial do fim, de Haroldo Maranhão, que a enquadra em uma das tendências do romance brasileiro contemporâneo, é a

(A) predominância de uma voz narrativa determinante na condução do relato.
(B) representação de grupos sociais marginalizados em uma sociedade consumista.
(C) presença do tema da violência oriunda de uma formação social autoritária.
(D) releitura da tradição literária com a livre representação da vida cultural brasileira.
(E) prevalência do cenário urbano com o retrato da metrópole moderna.

QUESTÃO 16

As narrativas O fantasma de Luis Buñel, de Maria José Silveira, Memorial de Aires, de Machado de Assis, e Memorial do fim, de Haroldo Maranhão, usam formas extraliterárias, tais como o diário, o jornal, a carta, o bilhete e o roteiro. A presença desses recursos estilísticos propicia

(A) criar o efeito do real no texto literário.
(B) ressaltar a relevância cultural dos enredos.
(C) fortalecer o empenho ideológico dos textos.
(D) inserir a literatura no âmbito vanguardista.
(E) valorizar o caráter informativo das obras.

QUESTÃO 17

Leia os poemas de Cora Coralina e Olavo Bilac.

RIO VERMELHO

IV

Água – pedra.
Eternidades irmanadas.
Tumulto – torrente.
Estática – silenciosa.
O paciente deslizar,
o chorinho a lacrimejar
sutil, dúctil
na pedra, na terra.
Duas perenidades –
sobreviventes
no tempo.
Lado a lado – conviventes,
diferentes, juntas, separadas.
Coniventes.
Meu Rio Vermelho.

CORALINA, Cora. Melhores poemas. Seleção de Darcy França Denófrio. São Paulo: Global, 2004. p. 319. (Coleção Melhores poemas).

Vocabulário:
dúctil: dócil

RIO ABAIXO

Treme o rio, a rolar, de vaga em vaga...
Quase noite. Ao sabor do curso lento
Da água, que as margens em redor alaga,
Seguimos. Curva os bambuais o vento.

Vivo há pouco, de púrpura, sangrento,
Desmaia agora o ocaso. A noite apaga
A derradeira luz do firmamento...
Rola o rio, a tremer, de vaga em vaga.

Um silêncio tristíssimo por tudo
Se espalha. Mas a lua lentamente
Surge na fímbria do horizonte mudo:

E o seu reflexo pálido, embebido
Como um gládio de prata na corrente,
Rasga o seio do rio adormecido.

BILAC, Olavo. Melhores poemas. Seleção de Marisa Lajolo. São Paulo: Global, 2003. p. 71. (Coleção Melhores poemas).

Vocabulário:
ocaso: pôr-do-sol
fímbria: orla, borda
gládio: espada

Tanto Cora Coralina, em “Rio vermelho”, quanto Olavo Bilac, em “Rio abaixo”, poetizam assuntos semelhantes. Os dois poemas, entretanto, diferenciam-se, respectivamente, por

(A) linguagem coloquial do primeiro e linguagem anacrônica do segundo.
(B) caráter contido do primeiro e caráter intenso do segundo.
(C) tonalidade satírica do primeiro e tonalidade avaliativa do segundo.
(D) ênfase narrativista do primeiro e ênfase descritivista do segundo.
(E) registro regionalista do primeiro e registro universalista do segundo.

QUESTÃO 18

A composição narrativa em Memorial de Aires, de Machado de Assis, e em Memorial do fim, de Haroldo Maranhão, caracteriza-se pela fragmentação do relato. Essa organização é ocasionada

(A) pelo encadeamento ordenado do tempo.
(B) pelo retrato tipificado do personagem.
(C) pelo centramento estrutural do enredo.
(D) pela articulação subjetiva do narrador.
(E) pela configuração realista do cenário.

QUESTÃO 19

Maria José Silveira, no romance O fantasma de Luis Buñel, com o objetivo de reproduzir o funcionamento da memória,

(A) emprega o flash-back com múltiplos narradores, relacionando-os ao longo do enredo.
(B) explora o momento da enunciação, considerando a ótica dos narradores.
(C) apresenta os fatos em ordem cronológica, combinando o olhar dos narradores.
(D) mescla o passado com o presente, prevendo o futuro dos personagens.
(E) evoca os eventos distantes, desconectando-os do presente de cada narrador.

QUESTÃO 20

Leia os seguintes fragmentos do romance Memorial de Aires, de Machado de Assis.

13 de maio
Enfim, lei. Nunca fui, nem o cargo me consentia ser propagandista da abolição, mas confesso que senti grande prazer quando soube da votação final do Senado e da sanção da Regente. Estava na Rua do Ouvidor, onde a agitação era grande e a alegria geral.
[...]
Ainda bem que acabamos com isto. Era tempo. Embora queimemos todas as leis, decretos e avisos, não poderemos acabar com os atos particulares, escrituras e inventários, nem apagar a instituição da História, ou até da Poesia.

ASSIS, Machado de. Memorial de Aires. São Paulo: Ática, 2007. p. 38-39. (Série Bom livro).

Os fragmentos acima retratam um episódio decisivo da história brasileira, a Abolição da escravatura. Na ótica do narrador desse romance, tal acontecimento é observado como

(A) uma circunstância de forte participação popular no país.
(B) uma ocasião de correção do passado de intensa violência.
(C) uma oportunidade de superação dos resíduos conservadores.
(D) um momento de concessão política das elites brasileiras.
(E) um evento de revelação das contradições nacionais.

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