Seguidores

domingo, 31 de agosto de 2014

Bocage - poemas

Bocage - Poemas

Olha, Marília, as flautas dos pastores

Olha, Marília, as flautas dos pastores
Que bem que soam, como estão cadentes!
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes
Os Zéfiros brincar por entre as flores?

Vê como ali beijando-se os Amores
Incitam nossos ósculos ardentes!
Ei-las de planta em planta as inocentes,
As vagas borboletas de mil cores.

Naquele arbusto o rouxinol suspira,
Ora nas folhas a abelhinha pára,
Ora nos ares sussurrando gira.

Que alegre campo! Que manhã tão clara!
Mas ah! Tudo o que vês, se eu não te vira,
Mais tristeza que a noite me causara.

(Bocage)

www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Leia também:

"O remo" – António Carneiro Gonçalves
"O pôr-do-sol no Peloponeso" – Affonso Romano de Sant´Anna
"Os terroristas" – Moacyr Scliar
"O mato" – Rubem Braga


www.veredasdalingua.blogspot.com.br

Conheça as apostilas do blog Veredas da Língua. Clique em uma das imagens abaixo e saiba como adquiri-las.















PREPARE-SE PARA OS PRINCIPAIS VESTIBULARES DO PAÍS. ADQUIRA AGORA MESMO O PROGRAMA 500 TEMAS DE REDAÇÃO!



UFG - 2011 - 2º Semestre - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Prova de Língua Portuguesa - UFG - 2011 - 2º Semestre - 1º Fase

LÍNGUA PORTUGUESA

Leia o Texto 1 a seguir para responder às questões de 01 a 08.

Texto 1
Sandra Speidel/Getty Images.

O gosto da surpresa - Betty Milan

            Nada é melhor do que se surpreender, olhar o mundo com olhos de criança. Por isso as pessoas gostam de viajar.
            Nem o trânsito, nem a fila no aeroporto, nem o eventual desconforto do hotel são empecilhos neste caso. Só viajar importa, ir de um para outro lugar e se entregar à cena que se descortina.
            Como, aliás, no teatro. O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca da surpresa. Porque é dela que nós precisamos mais. Isso explica a célebre frase navegar é preciso, viver não, erroneamente atribuída a Fernando Pessoa, já que data da Idade Média.
            Agora, não é necessário se deslocar no espaço para se surpreender e se renovar. Olhar atentamente uma flor, acompanhar o seu desenvolvimento, do botão à pétala caída, pode ser tão enriquecedor quanto visitar um monumento histórico. Tudo depende do olhar. A gente tanto pode olhar sem ver nada quanto se maravilhar, uma capacidade natural na criança e que o adulto precisa conquistar, suspendendo a agitação da vida cotidiana e não se deixando absorver por preocupações egocêntricas. Como diz um provérbio chinês, a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila. O que nós vemos e ouvimos depende de nós. A meditação nos afasta do clamor do cotidiano e nos permite, por exemplo, ouvir a nossa respiração. Quem escuta com o espírito, e não com o ouvido, percebe os sons mais sutis. Ouve o silêncio, que é o mais profundo de todos os sons, como bem sabem os músicos. Numa de suas letras, Caetano Veloso diz que só o João (Gilberto) é melhor do que o silêncio. Porque o silêncio permite entrar em contato com um outro eu, que só existe quando nos voltamos para nós mesmos.
            Há milênios, os asiáticos, que valorizam a longevidade, se exercitam na meditação, enquanto nós, ocidentais, evitamos o desligamento que ela implica. Por imaginarmos que
sem estar ligado não é possível existir, ignoramos que o afastamento do circuito habitual propicia uma experiência única de nós mesmos, uma experiência sempre nova.
            Desde a Idade Média, muitos séculos se passaram. Mas o lema dos navegadores continua atual. Surpreender-se é preciso. A surpresa é a verdadeira fonte da juventude, promessa de renovação e de vida.

VEJA. São Paulo: Abril, ed. 2184, set. 2010, p. 116.

QUESTÃO 01 - A estratégia textual utilizada para relacionar as grandes navegações às viagens turísticas contemporâneas centra-se no uso do lema navegar é preciso, viver não é preciso. Os sentidos construídos pelo lema, nas respectivas épocas, são:

(A) mercantilismo – conhecimento. (B) certeza – crença.
(C) fantasia – êxtase.                        (D) conquista – surpresa.   (E) convicção – imaginação.

QUESTÃO 02 - No trecho Nem o trânsito, nem a fila no aeroporto, nem o eventual desconforto do hotel são empecilhos neste caso, as palavras sublinhadas estabelecem uma relação de inclusão.
No plano argumentativo, esse procedimento

(A) arrola argumentos favoráveis ao desejo de se surpreender com novos cenários.
(B) promove entrave na linha discursiva estabelecida pela autora.
(C) agrupa ideias que em princípio funcionam como contra-argumento ao desejo de viajar.
(D) constrói argumentos que neutralizam a capacidade contemplativa do leitor.
(E) exemplifica fatos esporádicos de viagens turísticas de longa duração.

QUESTÃO 03 - No trecho O turista compra a viagem baseado nas garantias que a agência de turismo oferece, mas se transporta em busca da surpresa, a palavra sublinhada admite mais de uma leitura. No sentido conotativo, ela significa

(A) mudar-se.  (B) conduzir-se.  (C) carregar-se.  (D) afastar-se.  (E) enlevar-se.

QUESTÃO 04 - A imagem impressionista complementa as ideias do texto “O gosto da surpresa”. Nesse estilo artístico, a construção do sentido parte, predominantemente,

(A) da forma geométrica, pois a obra de arte representa a realidade fracionada.
(B) do olhar do contemplador, pois a imagem sugere noções subjetivas e sensoriais.
(C) do conteúdo, pois ignoram-se as figuras e ressaltam-se as ideias.
(D) da temática, pois o recorte da realidade social é feito de modo objetivo.
(E) do automatismo psíquico, pois as formas reproduzem o funcionamento real do pensamento.

QUESTÃO 05 - Autores como Fernando Pessoa e Caetano Veloso apropriam-se do lema Navegar é preciso, viver não é preciso. Essa apropriação é produtiva porque o lema é um

(A) pleonasmo – repetição consciente de ideias com o mesmo sentido.
(B) provérbio – enunciado utilizado como estratégia de aconselhamento.
(C) clichê – frase aparentemente rebuscada, recorrente em determinado gênero.
(D) jargão – expressão abusivamente repetida, caracterizadora de um grupo social.
(E) aforismo – sentença moral breve, contendo um ensinamento.

QUESTÃO 06 - De acordo com os estudos da Biologia, a visão é um sistema receptor de luz, e, segundo o texto, o que nós vemos depende de nós. Essas afirmativas constituem paradoxo, pois são elaboradas com base na

(A) ressignificação do sistema sensorial como personagem humano.
(B) conjugação de funções cerebrais e em atividades do sistema de visão.
(C) negação dos significados contextuais atribuídos ao termo visão.
(D) percepção física do ambiente e na interpretação da realidade.
(E) reelaboração dos significados produzidos pelos sentidos humanos.

QUESTÃO 07 - O texto diferencia o homem asiático do homem ocidental. Essa diferença está centrada

(A) na concepção de existência.    (B) na relação com a viagem.
(C) na valorização da aparência.   (D) no ideal de perfeição.        (E) no sentimento de aventura.

QUESTÃO 08 - Conforme a temática desenvolvida no texto, infere-se do provérbio chinês a lua só se reflete perfeitamente numa água tranquila que a

(A) interpretação do cotidiano prescinde do desprendimento total da realidade.
(B) necessidade de maravilhamento requer o gosto pela vida social.
(C) capacidade de percepção exige domínio dos conflitos internos.
(D) reflexão sobre a vida permite o encontro do homem com o seu próximo.
(E) liberdade assegura a conquista de estratégias eficientes para a busca da verdade.

Leia o Texto 2 para responder às questões 09 e 10.

Texto 2
FOLHA DE S. PAULO, São Paulo, 7 nov. 2010, Ilustríssima, p. 5.

QUESTÃO 09 - Os Textos 1 e 2 apresentam diferentes reações decorrentes da surpresa. Essas reações são, respectivamente,

(A) agitação – melancolia.    (B) encantamento – pesar.
(C) decepção – assombro.     (D) susto – rejeição.           (E) empatia – compulsão.

QUESTÃO 10 - Considerando-se a composição enunciativa do Texto 2, o ápice da narrativa configura-se

(A) na suspensão da voz do narrador e na introdução do diálogo entre as personagens.
(B) na sequência cronológica dos fatos narrados.
(C) na introdução do espaço narrativo.
(D) no silêncio sugerido na linguagem não verbal dos dois primeiros quadrinhos.
(E) no desfecho narrativo e na retomada da voz do narrador no último quadrinho.

LITERATURA BRASILEIRA

QUESTÃO 11 - Leia a seguinte passagem de O demônio familiar.

CENA IV
EDUARDO, CARLOTINHA.
CARLOTINHA – Onde vai, mano?
EDUARDO – Vou ao Catete ver um doente; volto já.
CARLOTINHA – Eu queria falar-lhe.
EDUARDO – Quando voltar, menina.
CARLOTINHA – E por que não agora?
EDUARDO – Tenho pressa, não posso esperar. Queres ir hoje ao Teatro Lírico?
CARLOTINHA – Não, não estou disposta.
EDUARDO – Pois representa-se uma ópera bonita. (Enche a carteira de charutos.) Canta a Charton. Há muito tempo que não vamos ao teatro.

ALENCAR, José de. O demônio familiar. 2. ed. Campinas: Pontes, 2003. p. 11.

O texto teatral, exemplificado pelo trecho acima, apresenta semelhanças com o texto narrativo por utilizar personagens, representar ações e marcação de tempo e espaço. No texto teatral,

(A) as ações das personagens são descritas por um narrador, sendo este o mediador da narrativa.
(B) as falas das personagens são diluídas no texto, sendo confundidas com a voz do narrador.
(C) as características das personagens são reveladas por meio de suas falas e assim a ação é conduzida por elas mesmas.
(D) as vozes das personagens são importantes para a construção da narrativa, embora haja a voz de um narrador onisciente.
(E) as atitudes das personagens são conduzidas por um narrador intruso, embora o conflito esteja nos diálogos.

QUESTÃO 12 - Nos contos da obra Livro dos homens, de Ronaldo Correia de Brito, há o predomínio de

(A) enredo linear e marcado pela plurissignificação.
(B) foco narrativo limitado e na 3ª pessoa do singular.
(C) personagens-tipos e de dimensão exteriorizada.
(D) linguagem estilizada e de caráter ambíguo.
(E) tempo concentrado e interrompido por flashbacks.

QUESTÃO 13 - Leia o fragmento apresentado a seguir.

            Aquele foi provavelmente o melhor fim de semana que passaram em Minas do Camaquã, uma vila fantasmagórica perto da qual se ergue um conjunto de formações rochosas […]. Situada no sudoeste do Rio Grande do Sul, a vila se desenvolveu a partir do início do século XX, com a descoberta de jazidas de cobre, ouro e prata. […] suas casas e ruas abandonadas, cercadas de uma geografia mutilada pela extração de minérios, dão um adorável ar de fim de mundo a um recanto já naturalmente isolado.

GALERA, Daniel. Mãos de Cavalo. São Paulo: Companhia das Letras, 2006. p. 23-24.

A exploração de minérios no Brasil é tematizada em Mãos de Cavalo por meio das Minas do Camaquã (RS). Considerando a realidade representada no romance, as atividades mineradoras brasileiras e as transformações espaciais decorrentes destas, verifica-se que

(A) o abandono da região do Camaquã é motivado não só pelo aspecto econômico, mas também pela desconfiguração espacial, percebida na descrição do narrador.
(B) Hermano e Renan utilizam como cenário para o montanhismo uma paisagem já alterada pelo extrativismo e que sofreu declínio após o auge da mineração.
(C) as Minas do Camaquã são um exemplo de uma região que sofreu êxodo populacional, apesar da existência de uma atividade economicamente viável e produtiva.
(D) o narrador critica o abandono gerado pelo fim das atividades mineradoras em Camaquã, uma vila que dependia dessa exploração.
(E) o turismo, como o feito por Hermano e Renan, torna-se a solução para a depressão econômica do espaço descrito.

QUESTÃO 14 - Leia o poema a seguir.

br

um ônibus
na estrada
é só uma faixa
contínua
que puxa
& piche
& placas & postes
& mais & mais
asfalto
& pastos
& bois
& soja & cana
ao longo da estrada
interminável
& monótona
& sem fim

PEREIRA, Luís Araujo. Minigrafias. Goiânia: Cânone Editorial, 2009. p. 75.

A anáfora é um recurso de linguagem cuja função é de organização textual, de retomada referencial ou de repetição da mesma palavra ou construção. No poema apresentado, emprega-se “&” por meio dessa figura de linguagem, fazendo a anáfora produzir efeito de sentido equivalente ao

(A) movimento acelerado do ônibus, evidente na imagem “um ônibus/ na estrada/ é só uma faixa/ contínua/ que puxa”.
(B) tipo de vida monótono dos motoristas de ônibus implicado na anáfora e na repetição de consoantes e de vogais.
(C) som do ônibus na estrada, sugerido pelo emprego de aliterações e assonâncias ao longo do poema.
(D) panorama econômico da rodovia, reiterado nas palavras “piche”, “placas”, “postes”, “asfalto”, “pasto”, “bois”, “soja” e “cana”.
(E) cenário da rodovia, igual a todas as estradas, presente na imagem “interminável/ & monótona/ & sem fim”.

QUESTÃO 15 - Memórias de um sargento de milícias é um romance cuja narrativa se refere ao início do “tempo do rei”, quer dizer, o período joanino. No entanto, o romance foi escrito e publicado durante a fase final desse tempo, ou seja, durante o 2º. Reinado. Por isso, Memórias de um sargento de milícias contém elementos de uma sociedade

(A) marcada pelos princípios republicanos.
(B) organizada nas bases do mercantilismo.
(C) focada nas relações de formação da burguesia.
(D) formada pelos fundamentos do nacionalismo.
(E) caracterizada pelos valores do bonselvagerismo.

QUESTÃO 16 - Leia a parte transcrita do poema I-Juca-Pirama.

X
Um velho Timbira, coberto de glória,
Guardou a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite, nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Dizia prudente: – “Meninos, eu vi!”
“Eu vi o brioso no largo terreiro
Cantar prisioneiro
Seu canto de morte, que nunca esqueci:
Valente, como era, chorou sem ter pejo;
Parece que o vejo,
Que o tenho nest'hora diante de mi.
“Eu disse comigo: que infâmia d'escravo!
Pois não, era um bravo;
Valente e brioso, como ele, não vi!
E à fé que vos digo: parece-me encanto
Que quem chorou tanto,
Tivesse a coragem que tinha o Tupi!”
Assim o Timbira, coberto de glória,
Guardava a memória
Do moço guerreiro, do velho Tupi!
E à noite nas tabas, se alguém duvidava
Do que ele contava,
Tornava prudente: “Meninos, eu vi!”

DIAS, Gonçalves. I-Juca-Pirama .In:_____. I-Juca-Pirama seguido de Os Timbiras. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1997. p. 28.

A exemplo dos versos destacados, o poema de Gonçalves Dias é considerado épico por causa

(A) do caráter narrativo e da tendência de voltar-se para o passado em tom heroico.
(B) do depoimento do narrador e da garantia de que é uma história da tradição do povo.
(C) da coragem do índio Tupi e do senso de nacionalismo inerente ao tom de seu comportamento.
(D) da imagem indianista do cenário e do teor de ambientação bélica da história.
(E) da construção dialogada do texto e do tipo descritivo detalhadamente explorado.

QUESTÃO 17 - A enchente é um fenômeno do regime dos rios, que decorre do ciclo da água. No conto O que veio de longe, da obra Livro dos homens, de Ronaldo Correia de Brito, esse fenômeno é representado no processo composicional para

(A) caracterizar o trajeto do protagonista.
(B) vincular a narração a um espaço rural.
(C) demarcar a dimensão linear do enredo.
(D) refletir a estrutura narrativa da história.
(E) enfatizar o conflito e o desfecho do conto.

QUESTÃO 18 - Leia o seguinte trecho do romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida. Cumpre-nos agora dizer alguma coisa a respeito de uma personagem que representará no correr desta história um importante papel, e que o leitor apenas conhece, porque nela tocamos de passagem no primeiro capítulo: é a comadre, a parteira que, como dissemos, servira de madrinha ao nosso memorando.

ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. 24. ed. São Paulo: Ática, 1995. p. 29-30.

No romance, a comadre é uma personagem que foge aos moldes românticos femininos por sua perspicácia e pela prática de arranjos. O “importante papel” a que o narrador se refere, para o desfecho da narrativa, foi o fato de a comadre ter

(A) livrado Leonardo Pataca da cadeia, após o episódio da feitiçaria.
(B) planejado uma vida de artista para o afilhado Leonardo na Conceição.
(C) arranjado a união de sua sobrinha Chiquinha com Leonardo Pataca.
(D) tramado contra o pretendente de Luisinha, José Manuel, diante de D. Maria.
(E) conseguido o perdão do afilhado junto a Vidigal com o apoio da chantagem de Maria-Regalada.

QUESTÃO 19 - Como escrita literária contemporânea, Mãos de Cavalo, de Daniel Galera, e o conjunto de poemas Minigrafias, de Luís Araujo Pereira, são obras nas quais

(A) o sentido de memória do vivido concatenaram as partes, dadas, à primeira leitura, como fragmentos, sem conexão.
(B) o conflito de estar no mundo angustia a voz das personagens, no romance, e a voz do eu lírico, no poema.
(C) o embate entre a representação do mundo e a palavra escrita prevalece, mantendo o discurso atento ao próprio fazer artístico.
(D) o tempo e o espaço são representações dadas em diálogo com a tradição da prosa de ficção e da poesia.
(E) o detalhismo das descrições torna evidente, em primeira instância, um modo mais realista de representação do mundo.

QUESTÃO 20 - Leia os fragmentos a seguir, respectivamente de I-Juca- Pirama e de O demônio familiar:

– Mentiste, que um Tupi não chora nunca,
E tu choraste!... parte, não queremos
Com carne vil enfraquecer os fortes.

DIAS, Gonçalves. I-Juca-Pirama. In:_____. I-Juca-Pirama seguido de Os Timbiras. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1997. p. 20.

[…] a modéstia mesmo é uma espécie de vaidade inventada pela pobreza para seu uso exclusivo.

ALENCAR, José de. O demônio familiar. 2. ed. Campinas: Pontes, 2003. p. 26.

Tanto no primeiro fragmento, que é uma fala do chefe Timbira ao prisioneiro Tupi, quanto no segundo, que é uma fala de Azevedo a Eduardo, explicita-se

(A) a indicação de uma superioridade social, visto que o emissor despreza a condição do outro.
(B) um contexto de classes sociais representativas da ordem instituída pelo poder estabelecido.
(C) um cenário do Brasil no período romântico, considerando-se o ambiente citadino e o meio indígena.
(D) uma diversidade de tipos sociais representativos da nação brasileira durante o século XIX.
(E) a demarcação de um discurso comum, considerando-se a sublimação da classe burguesa pelo Romantismo.

UFG - 2011 - 1º Semestre - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

UFG - 2011 - 1º Semestre - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

LÍNGUA PORTUGUESA

Leia os Textos 1 e 2 para responder às questões de 01 a 04.

Texto 1

o livro como fresta

é certo
que um livro
quando se deságua
a tinta negra de suas páginas
além de suas quatro margens
um rio que escorre letras
metáforas que rompem diques
pelo postigo
de quem escreve
tudo – olhos, sóis, lentes –
na vigília, nas insônias
: o universo às escâncaras
além, nos telescópios
tudo o que a vista desalcança
– os minimundos vazios –
diante de uma veneziana
entreaberta

PEREIRA, Luís Araujo. Minigrafias. Goiânia: Cânone, 2009. p. 19.

Texto 2

Livros de biblioteca instalada em favela inspiram músicas

            Anderson Aparecido Bandeira da Silva, 16, ficou conhecido no Jardim Panorama, favela da zona oeste de São Paulo bem ao lado do shopping Cidade Jardim, por seus raps, que tratavam, quase sempre, da violência.
            A fonte de inspiração do garoto apelidado MC Guri, no entanto, mudou completamente há cerca de um ano, quando ele passou a frequentar a biblioteca comunitária da região onde mora.
            A partir da leitura de um livro cujo tema central é a lembrança – ironia: ele não se lembra do nome do livro –, fez uma música para três pessoas queridas que perdeu.
            Em casa, MC Guri não tem nenhum livro de leitura, “só os que uso para a escola”. Mas sua presença na biblioteca comunitária é assídua. Tudo para manter fresco o novo repertório que apresenta em shows feitos em comunidades pobres da região.
            Os versos de MC Guri, que está no 9o ano do ensino fundamental, passaram de “E olha o Panô aí de novo / botando a chapa quente” para “A favela não é a mesma / se liga no meu papo / porque se foram embora / Paulinho, Kevin e Renato” – estes últimos versos são da primeira música sob a influência dos livros, em homenagem a três vizinhos que morreram, um deles por culpa da dengue.
            Os quadrinhos foram a porta de entrada de MC Guri para a literatura. Depois, vieram os livros de aventura. Hoje, ele lê até poesias.
            Além da mudança de tom das letras, houve ainda uma mudança no ritmo. MC Guri trocou a batida do rap pela do funk, para combinar mais com a sua nova fase.

REWALD, Fabiana. Livros de biblioteca instalada em favela inspiram músicas. Folha de S. Paulo, S. Paulo, 13 set. 2010. p. C5. Cotidiano.

QUESTÃO 01 -  Os Textos 1 e 2 aproximam-se quanto à temática abordada. A esse respeito, ambos evidenciam que a leitura é

(A) uma habilidade que exige formação técnica apurada, adquirida nos estabelecimentos escolares.
(B) um processo de transformação pessoal, que demanda acesso ao conhecimento e às sensações.
(C) um recurso para se conseguir ascensão na pirâmide social.
(D) uma atividade de decodificação de elementos linguísticos que representam a realidade.
(E) uma prática característica das elites intelectuais, estabelecedoras de padrões de comportamento.

QUESTÃO 02 - No Texto 1, os versos um rio que escorre letras / metáforas que rompem diques remetem às consequências da leitura de um livro. Qual fato da vida de MC Guri (Texto 2) associa-se a esses versos?

(A) Criação de seu novo repertório musical.
(B) Frequência assídua à biblioteca.
(C) Autoria de raps com temas sobre a violência.
(D) Consulta aos livros escolares.
(E) Saída do Jardim Panorama.

QUESTÃO 03 - No terceiro parágrafo do Texto 2, há uma alteração na sequência discursiva. Essa alteração e o modo como ela se realiza são, respectivamente,

(A) digressão – suspensão da narrativa.
(B) fluxo de consciência – retomada dos fatos relatados em primeira pessoa.
(C) preterição – negação explícita do tema central das músicas.
(D) descrição – exposição minuciosa da cena retratada.
(E) flashback – interrupção do tempo presente com retorno ao passado.

QUESTÃO 04 - O Texto 2 apresenta uma especifidade na construção das vozes enunciativas. O jogo interlocutivo é estabelecido com base na

(A) seleção de citações literárias que expressam voz de autoridade.
(B) articulação dos enunciados por meio do estabelecimento de relações intertextuais.
(C) utilização de mecanismos discursivos que exploram a oposição sonho e realidade.
(D) instauração de um interlocutor geral e de um interlocutor particular.
(E) constituição de um leitor onisciente, capaz de prever os eventos relativos à realidade descrita.

Leia o Texto 3 a seguir para responder às questões de 05 a 07.

Texto 3

Ele também engorda as crianças

            Criança reage ao estresse de modo parecido ao dos adultos. A pesquisadora Elizabeth Susman, da Universidade Penn State (EUA), comprovou a ligação entre o excesso de cortisol e de peso, notadamente nas garotas. Ela avaliou 111 meninos e meninas com idades entre 8 e 13 anos à procura de sintomas de depressão e mediu os níveis do hormônio em amostras de saliva após atividades estressantes, como fazer contas mentais. “Houve grande aumento de cortisol em todos, porém nas meninas isso pareceu diretamente associado ao ganho de peso”, […]. Uma das hipóteses é a interação entre as mudanças bioquímicas patrocinadas pelo estresse sobre o hormônio feminino estrogênio.
            O pesquisador Steve Garasky, da Universidade de Iowa (EUA), observou que o casamento entre a obesidade e o estresse começa cedo. Ele analisou crianças de 7 anos até jovens de 15 e verificou que, entre aqueles que sofriam algum tipo de estresse, 56% tinham sobrepeso ou estavam obesos. Garasky constatou que o ambiente e o humor materno têm papel importante. “Quando a mãe é estressada e as crianças vivem em uma casa com comida adequada – e talvez isso seja a comida do conforto, como doces e chocolates – é possível que comam mais”, diz o cientista. Além de depressão, problemas socioeconômicos e falta de orientação para o futuro, estudos mostram que a falta de atenção dos pais em relação aos problemas dos filhos é outro fator que estressa as crianças.

PEREIRA, Cilene; TARANTINO, Mônica. Ele também engorda as crianças. ISTOÉ, São Paulo: Editora Três, n. 2127, ago. 2010, p. 94. [Adaptado]

QUESTÃO 05 - O título do Texto 3 é aparentemente incoerente. Durante a leitura, essa aparência é desfeita pelo estabelecimento da referência textual, que ocorre pela

(A) experiência prévia do leitor com o tema.
(B) introdução do referente no corpo do texto.
(C) subversão do significado referencial da palavra engorda.
(D) conclusão decorrente de inferências permitidas pelo texto.
(E) recuperação de um referente impessoal pelo pronome ele.

QUESTÃO 06 - No Texto 3, o termo casamento (2o parágrafo) é empregado em sentido metafórico. Que traço do sentido denotativo permanece no sentido figurado?

(A) Acordo (B) Afinidade (C) Condição (D) Dependência (E) Relação

QUESTÃO 07 - O Texto 3 pertence ao gênero divulgação científica. No desenvolvimento da temática, as autoras constroem uma linha argumentativa baseada na

(A) negação da tese de que a comida pode funcionar como recompensa à exposição ao estresse.
(B) noção de quantidade indeterminada de hormônios nos diferentes sexos.
(C) ideia de causa e consequência entre o estresse e o cortisol.
(D) refutação de hipóteses favoráveis à tese de que o estrogênio aumenta o cortisol.
(E) conclusão de que crianças reagem ao estresse diferentemente dos adultos.

Leia os Textos 4 e 5 para responder às questões de 08 a 10.

Texto 4
Disponível em: <http://www.integral.br/zoom>. Acesso em: 18 set. 2010.

Texto 5
Disponível em: <http://produtomercadolivre.com.br/mlb-136257487/leonelbrizola-foto-santinho-de-campanha-ppresidente>. Acesso em: 21 set. 2010.

QUESTÃO 08 - O slogan de Getúlio Vargas é escrito no tempo verbal futuro. Tendo em vista os interesses do candidato, que efeito de sentido esse uso ajuda a produzir?

(A) Refutação de opiniões contrárias às do candidato.
(B) Limitação das propostas políticas da oposição.
(C) Garantia de cumprimento das promessas.
(D) Resgate da autoestima do povo.
(E) Estabelecimento de uma situação de paz.

QUESTÃO 09 - Considerando-se a temática do cartaz (Texto 4) e o período histórico a que ele se refere, conclui-se que a plataforma política da Aliança Liberal encabeçada por Getúlio Vargas está alicerçada

(A) na luta a favor da expansão nacional, expressa pela aliança com países imperialistas.
(B) no projeto de governo populista, caracterizado pela regulação dos agentes sociais.
(C) no fortalecimento da paz, baseado em estratégias de conciliação entre as oligarquias.
(D) na igualdade de direitos, traduzida pela legalização do voto feminino.
(E) no ideal de liberdade, revelado na proposta de lisura eleitoral.

QUESTÃO 10 - Os cartazes resultam de diferentes concepções artísticas. Quanto à composição visual, essa diferença é explicitada, no Texto 5, pela

(A) troca intencional das formas retilíneas pelas formas curvilíneas.
(B) proporcionalidade regular entre os planos de figura e de fundo.
(C) predominância da linguagem verbal sobre os elementos iconográficos.
(D) substituição da imagem simbólica pela personalização da imagem.
(E) ausência de desenhos geométricos como elementos auxiliares à arte-final.


LITERATURA BRASILEIRA

QUESTÃO 11 - Leonardo Pataca, personagem do romance Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, migra voluntariamente de Portugal para o Brasil, fato comum na primeira metade do século XVIII. As consequências desse movimento migratório, no início da estada dessa personagem no novo país, refletem-se na relação entre nação e população, pois Pataca

(A) torna-se meirinho por meio de apadrinhamento.
(B) destaca-se no trabalho pela rabugice excessiva.
(C) sofre com a opinião pública pelo caso com a cigana.
(D) envolve a vizinhança na punição à traição de Maria.
(E) tenta conservar os costumes portugueses no Brasil.

QUESTÃO 12 - No plano representativo dos ideais românticos, comuns em I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, e O demônio familiar, de José de Alencar, respectivamente, o prisioneiro Tupi e o protagonista Eduardo são

(A) personalidades típicas da visão política crítica de princípio idealista.
(B) sujeitos exemplares da expressão de individualidade própria do subjetivismo.
(C) indivíduos subjugados à mentalidade nacionalista que surgia no Brasil.
(D) tipos sociais frágeis e que se deixam levar pelo sentimentalismo.
(E) personagens determinadas e que voltam suas ações à sublimação das coisas.

QUESTÃO 13 - Em O demônio familiar, a personagem Pedro, por ter sido alforriada, teve sua condição social aparentemente mudada. Entretanto, no contexto brasileiro ao qual a obra de
Alencar se refere, o discurso ideológico subjacente diz respeito à figura do negro

(A) malicioso e trapaceiro que perturbou a paz de uma família.
(B) mentiroso e egoísta que almejava alcançar seu grande sonho.
(C) maroto e astuto que permaneceu na cultura escravocrata brasileira.
(D) doméstico e amigo que fez tudo pela felicidade de seu senhor.
(E) ardiloso e fofoqueiro que fez travessuras visando ao seu próprio benefício.

QUESTÃO 14 - O messianismo é um fenômeno da religiosidade popular, que surgiu em áreas rurais do Brasil Colonial em decorrência da reação à miséria e às necessidades espirituais do sertanejo. A romaria é uma das manifestações desse fato histórico-religioso. O conto Milagre em Juazeiro, da obra Livro dos homens, de Ronaldo Correia de Brito, narra uma romaria ao santuário de Padre Cícero. Tendo em vista as informações históricas e o conto em questão, constata-se que

(A) o enredo fragmentado atualiza o messianismo, que é cultuado em uma figura religiosa, para retratar a busca de identidade de uma das personagens.
(B) o desfecho da história é uma estratégia da narrativa, que se focaliza em terceira pessoa, para reiterar a complexidade dos aspectos religiosos.
(C) a sobreposição de tempos é um recurso narrativo, que evidencia a história de uma das personagens, para expor problemas vividos no passado.
(D) as personagens secundárias constituem uma paisagem humana, as quais seguem em romaria para reforçar no enredo o significado do messianismo.
(E) as duas personagens principais representam romeiros que buscam explicação na fé para os problemas de ordem existencial, religiosa e social.

QUESTÃO 15 - Leia o poema a seguir.

non-sons

o boi berra
a cabra bale
a rã coaxa
o meu telefone
― ai de mim! ―
nenhum
pio

PEREIRA, Luís Araujo. Minigrafias. Goiânia: Cânone, 2009. p. 33.

Nesse poema, o eu poético

(A) descreve a comunicação pelo isolamento da linguagem humana e pela voz dos bichos.
(B) apresenta uma sociedade de afastamento pela linguagem dos bichos e pelo chiste no título.
(C) representa a solidão das pessoas e dos bichos ao associar o telefone à falta de comunicação.
(D) configura a equivalência entre animais e objeto pela voz dos bichos e pelo som do telefone.
(E) tematiza a falta de comunicação e a solidão humanas ao descrever a voz dos bichos.

QUESTÃO 16 - O fator que destaca as personagens do romance Mãos de Cavalo,de Daniel Galera, como contemporâneas é a

(A) certeza quanto ao curso do destino.
(B) proximidade com a realidade da época retratada.
(C) ausência de caracterizações físicas.
(D) consciência de seu papel no mundo.
(E) acentuação das sensações em relação à reflexão.

QUESTÃO 17 - Leia o seguinte fragmento de I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias.

II
Em fundos vasos d'alvacenta argila
Ferve o cauim;
Enchem-se as copas, o prazer começa,
Reina o festim.
O prisioneiro, cuja morte anseiam,
Sentado está,
O prisioneiro, que outro sol no ocaso
Jamais verá!
A dura corda, que lhe enlaça o colo,
Mostra-lhe o fim
Da vida escura, que será mais breve
Do que o festim!
Contudo os olhos d'ignóbil pranto
Secos estão;
Mudos os lábios não descerram queixas
Do coração.
Mas um martírio, que encobrir não pode,
Em rugas faz
A mentirosa placidez do rosto
Na fronte audaz!

DIAS, Gonçalves. I-Juca Pirama. In: I-Juca Pirama seguido de Os Timbiras. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1997. p. 13.

Durante o Romantismo, foram simultaneamente escritos poemas com características líricas e épicas. Nessa perspectiva, o fragmento de I-Juca Pirama constitui uma mistura
de gêneros por

(A) descrever o ambiente de sacrifício e as características físicas do prisioneiro.
(B) contar o que se passa no coração dos Timbiras e no coração do prisioneiro.
(C) apresentar a preparação do sacrifício do prisioneiro e o seu estado de espírito.
(D) mostrar a vontade dos Timbiras em matar seu prisioneiro, descrevendo as suas condições físicas.
(E) evitar descrever o estado de ânimo dos Timbiras e se abster de apresentar o do prisioneiro.

QUESTÃO 18 - Tanto Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, quanto Mãos de Cavalo, de Daniel Galera, são romances. O primeiro é calcado em base tradicional e o segundo é de tendência contemporânea. Esse contraste formal entre as duas narrativas é evidenciado na

(A) extensão do tempo.
(B) onisciência do narrador.
(C) edificação dos protagonistas.
(D) estruturação do enredo.
(E) associação de espaço e personagem.

QUESTÃO 19 - As características a seguir se referem à obra Minigrafias, de Luís Araujo Pereira. Dentre elas, a que está presente em toda a obra é

(A) a composição variada da página, que confere aspecto verbivocovisual aos poemas.
(B) a linguagem metapoética dos textos, que reflete a espontaneidade do fazer artístico.
(C) a sonoridade lúdica dos poemas, que implica na condensação dos versos.
(D) o teor humorístico dos versos, que proporciona um caráter jocoso ao cotidiano.
(E) o intertexto pictórico dos poemas, que os relaciona à linguagem publicitária.

Para responder à questão de número 20, leia o seguinte fragmento de I-Juca Pirama, de Gonçalves Dias, e o poema verão, de Luís Araujo Pereira.

I
No meio das tabas de amenos verdores,
Cercado de troncos – cobertos de flores,
Alteiam-se os tetos d'altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes
Assombram das matas a imensa extensão.
São rudos, severos, sedentos de glória,
Já prélios incitam, já cantam vitória,
Já meigos atendem à voz do cantor:
São todos Timbiras, guerreiros valentes!
Seu nome lá voa na boca das gentes,
Condão de prodígios, de glória e terror!
As tribos vizinhas, sem forças, sem brio,
As armas quebrando, lançando-as ao rio,
O incenso aspiraram dos seus maracás:
Medrosos das guerras que os fortes acendem,
Custosos tributos ignavos lá rendem,
Aos duros guerreiros sujeitos na paz.
No centro da taba se estende um terreiro,
Onde ora se aduna o concílio guerreiro
Da tribo senhora, das tribos servis:
Os velhos sentados praticam d'outrora,
E os moços inquietos, que a festa enamora,
Derramam-se em torno dum índio infeliz.

DIAS, Gonçalves. I-Juca Pirama. In: I-Juca Pirama seguido de Os Timbiras. Porto Alegre: L&PM Pocket, 1997. p. 11.

verão

águas
que se movem
como pêndulos
cegos
ninguém no píer
na quase-ilha
península
la presqu'île
Sol a pino
mar
que molda rochedos
e despeja
sargaços na praia
e
deixa em todos os portos
um pouco
dos meus degredos

PEREIRA, Luís Araujo. Minigrafias. Goiânia: Cânone, 2009. p. 39.

QUESTÃO 20 - Ao contrário do fragmento de I-Juca Pirama, constatam-se no poema verão:

(A) ausência de recursos gramaticais de pontuação gráfica, emprego de linguagem coloquial e versos minimalistas.
(B) imagens de apresentação do ambiente, relação de causa e consequência ao longo da descrição e versificação concisa.
(C) ausência de rima entre os versos, descrição do espaço sem povoamento e apresentação coesa do ambiente.
(D) versos breves, economia de adjetivação na descrição e interioridade do eu poético afetada pela apresentação do ambiente.
(E) versos como partículas de frases, variação de terceira à primeira pessoa do singular e distanciamento do eu poético.

www.veredasdalingua.blogspot.com.br


Leia também:

UFG - 2001 - 1º Fase - Prova de Língua Portuguesa

Conheça as apostilas do blog Veredas da Língua. Clique em uma das imagens abaixo e saiba como adquiri-las.