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terça-feira, 14 de junho de 2011

RAIMUNDO CORREIA - MESTRE PARNASIANO

- Nasceu em São Luís, Maranhão, em 1859, e faleceu em Paris, em 1911.
- Formou-se em Direito. Trabalhou como juiz e diplomata.
- Poeta com linguagem classicizante, de grande rigor métrico.
- Sonetista esplêndido, entre seus temas estavam o desencanto e as amarguras humanas.
- Efetuou poemas descritivos sobre a natureza e os objetos.
- Fez muitos poemas filosóficos e com certo tom pessimista.
- Por vezes, aproximou-se dos modelos simbolistas ao desenvolver aspectos visuais associados à sonoridade em alguns poemas.
- Foi membro-fundador da Academia Brasileira de Letras, em que ocupou a cadeira número 5.
- Obras: Primeiros sonhos (1879); Sinfonias (1883); Versos e versões (1887); Aleluias (1891); Poesias (1898).


Vulnus

Com bons olhos, quem ama, em torno tudo vê!
Folga, estremece, ri, sonha, respira e crê;
A crença doira e azula o círculo que o cinge;
Da volúpia do bem o grau supremo atinge!

Eu também atingi esse supremo grau:
Também fui bom e amei, e hoje odeio e sou mau!
E as culpadas sois vós, visões encantadoras,
Virgínias desleais, desleais Eleonoras!

Minha alma juvenil, ígnea, meridional,
Num longo sorvo hauriu o pérfido e letal
Filtro do vosso escuro e perigoso encanto!

A vossos pés rasguei tantos castelos! Tanto
Sonho se esperdiçou! Tanta luz se perdeu!...
Amei: nem uma só de vós me compreendeu!

(Raimundo Correia)



As Pombas

Vai-se a primeira pomba despertada ...
Vai-se outra mais ... mais outra ... enfim dezenas
De pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada ...

E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...

Também dos corações onde abotoam,
Os sonhos, um por um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;

No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...

(Raimundo Correia)



Anoitecer

Esbraseia o Ocidente na agonia
O sol... Aves em bandos destacados,
Por céus de oiro e de púrpura raiados
Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia...

Delineiam-se, além, da serrania
Os vértices de chama aureolados,
E em tudo, em torno, esbatem derramados
Uns tons suaves de melancolia...

Um mundo de vapores no ar flutua...
Como uma informe nódoa, avulta e cresce
A sombra à proporção que a luz recua...

A natureza apática esmaece...
Pouco a pouco, entre as árvores, a lua
Surge trêmula, trêmula... Anoitece.

(Raimundo Correia)

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