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terça-feira, 5 de julho de 2016

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2011

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2011

1ª fase - Exame de Qualificação -Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 1 A 3.

Os poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

MÁRIO QUINTANA - Poesia completa -  . Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005.

De acordo com esses versos, um dos efeitos da compreensão da leitura é :
(A) alimentar o leitor com novas perspectivas e opções
(B) revelar ao leitor suas próprias sensações e pensamentos
(C) transformar o leitor em uma pessoa melhor e mais consciente
(D) deixar o leitor maravilhado com a beleza e o encantamento do poema

O texto é todo construído por meio do emprego de uma figura de estilo. Essa figura é denominada de:

(A) elipse
(B) metáfora
(C) metonímia
(D) personificação

Como e porque sou romancista

Minha mãe e minha tia se ocupavam com trabalhos de costuras, e as amigas para não ficarem ociosas as ajudavam. Dados os primeiros momentos à conversação, passava-se à leitura e era eu chamado ao lugar de honra.
Muitas vezes, confesso, essa honra me arrancava bem a contragosto de um sono começado ou de um folguedo querido; já naquela idade a reputação é um fardo e bem pesado. Lia-se até a hora do chá, e tópicos havia tão interessantes que eu era obrigado à repetição. Compensavam esse excesso, as pausas para dar lugar às expansões do auditório, o qual desfazia-se em recriminações contra algum mau personagem, ou acompanhava de seus votos e simpatias o herói perseguido.
Uma noite, daquelas em que eu estava mais possuído do livro, lia com expressão uma das páginas mais comoventes da nossa biblioteca. As senhoras, de cabeça baixa, levavam o lenço ao rosto, e poucos momentos depois não puderam conter os soluços que rompiam-lhes o seio.
Com a voz afogada pela comoção e a vista empanada pelas lágrimas, eu também cerrando ao peito o livro aberto, disparei em pranto e respondia com palavras de consolo às lamentações de minha mãe e suas amigas.
Nesse instante assomava à porta um parente nosso, o Revd.º Padre Carlos Peixoto de Alencar, já assustado com o choro que ouvira ao entrar – Vendo-nos a todos naquele estado de aflição, ainda mais perturbou-se:
- Que aconteceu? Alguma desgraça? Perguntou arrebatadamente.
As senhoras, escondendo o rosto no lenço para ocultar do Padre Carlos o pranto e evitar seus remoques, não proferiram palavra. Tomei eu a mim responder:
- Foi o pai de Amanda que morreu! Disse, mostrando-lhe o livro aberto.

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 4
A 9.

Eles não têm pouso
nem porto
v. 6-7)

Os versos acima podem ser lidos como uma pressuposição do autor sobre o texto literário. Essa pressuposição está ligada ao fato de que a obra literária, como texto público, apresenta o  seguinte traço:

(A) é aberta a várias leituras
(B) provoca desejo de transformação
(C) integra experiências de contestação
(D) expressa sentimentos contraditórios

Não me animo a resolver esta questão psicológica, mas creio que ninguém contestará a influência das primeiras impressões. (l.28-29)

Ao final do texto o autor levanta uma questão, mas diz que não pode resolvê-la. Entretanto, a segunda parte da frase sugere que o autor tem uma resposta. Este é um conhecido processo retórico, pelo qual o autor adota o procedimento indicado em:

(A) criticar para negar
(B) negar para afirmar
(C) duvidar para justificar
(D) reconhecer para criticar

05 A reação do Padre Carlos é muito diferente daquela que apresentam as senhoras diante da “morte”  do personagem, situação que, no texto, é demarcada também pelo emprego de certas palavras. A diferença entre a reação das senhoras e a do Padre Carlos é indicada pelo uso das seguintes  palavras:

(A) consolo - riso
(B) lágrimas - desgraça
(C) homérica - inesgotável
(D) comoção - gargalhada

04 Compreendeu o Padre Carlos e soltou uma gargalhada, como ele as sabia dar, verdadeira gargalhada homérica, que mais parecia uma salva de sinos a repicarem do que riso humano. E após esta, outra e outra, que era ele inesgotável, quando ria de abundância de coração, com o gênio prazenteiro de que a natureza o dotara.
Foi essa leitura contínua e repetida de novelas e romances que primeiro imprimiu em meu espírito a tendência para essa forma literária [o romance] que é entre todas a de minha predileção?
Não me animo a resolver esta questão psicológica, mas creio que ninguém contestará a influência das  primeiras impressões.

JOSÉ DE ALENCAR

Como e porque sou romancista
. Campinas: Pontes, 1990.

6- Foi o pai de Amanda que morreu! Disse, mostrando-lhe o livro aberto.
Compreendeu o Padre Carlos e soltou uma gargalhada, (l21-22)

De acordo com o texto, a compreensão que o padre teve da situação foi possível pela combinação das palavras do narrador com:

(A) um gesto simultâneo à fala
(B) um senso apurado de humor
(C) uma opinião formada sobre a família
(D) um conhecimento prévio do problema

08 Vendo-nos a todos naquele estado de aflição, (16)

O fragmento acima poderia ser reescrito, com o emprego de um conectivo.
A reescritura que preserva o sentido original do fragmento é:

(A) caso nos visse a todos naquele estado de aflição
(B) porém nos viu a todos naquele estado de aflição
(C) quando nos viu a todos naquele estado de aflição
(D) não obstante nos ver a todos naquele estado de aflição

07 que rompiam-lhes o seio. (l.11)

O vocábulo sublinhado faz referência a uma palavra já enunciada no texto.
Essa palavra a que se refere o vocábulo lhes é:

(A) soluços
(B) páginas
(C) senhoras
(D) momentos

09 Na composição das suas memórias, o escritor José de Alencar relaciona indiretamente sua infância a questões da vida adulta.
Essa relação entre a memória da infância e uma reflexão sobre o presente está mais claramente estabelecida em:

(A) passava-se à leitura e era eu chamado ao lugar de honra. (l. 2-3)
(B) já naquela idade a reputação é um fardo e bem pesado. (l. 5)
(C) lia com expressão uma das páginas mais comoventes da nossa biblioteca. (l. 9-10)
(D) mas creio que ninguém contestará a influência das primeiras impressões. (l. 28-29)

Ler e crescer

Com a inacreditável capacidade humana de ter ideias, sonhar, imaginar, observar, descobrir, constatar, enfim, refletir sobre o mundo e com isso ir crescendo, a produção textual vem se ampliando ao longo da história. As conquistas tecnológicas e a democratização da educação trazem a esse acervo uma multiplicação exponencial, que começa a afligir homens e mulheres de várias formas. Com a angústia do excesso. A inquietação com os limites da leitura. A sensação de hoje ser impossível abarcar a totalidade do conhecimento e da experiência (ingênuo sonho de outras épocas). A preocupação com a abundância da produção e a impossibilidade de seu consumo total por meio de um indivíduo. O medo da perda. A aflição de se querer hierarquizar ou organizar esse material. Enfim, constatamos que a leitura cresceu, e cresceu demais.
Ao mesmo tempo, ainda falta muito para quanto queremos e necessitamos que ela cresça. Precisa crescer muito mais. Assim, multiplicamos campanhas de leitura e projetos de fomento do livro. Mas sabemos que, com todo o crescimento, jamais a leitura conseguirá acompanhar a expansão incontrolável e necessariamente caótica da produção dos textos, que se multiplicam ainda mais, numa infinidade de meios novos. Muda-se então o foco dos estudiosos, abandona-se o exame dos textos e da literatura, criam-se os especialistas em leitura, multiplicam-se as reflexões sobre livros e leitura, numa tentativa de ao menos entendermos o que se passa, já que é um mecanismo que recusa qualquer forma de domínio e nos fugiu ao controle completamente.
Falar em domínio e controle a propósito da inquietação que assalta quem pensa nessas questões equivale a lembrar um aspecto indissociável da cultura escrita, e nem sempre trazido com clareza à consciência: o poder.
Ler e escrever é sempre deter alguma forma de poder. Mesmo que nem sempre ele se exerça sob a forma do poder de mandar nos outros ou de fazer melhor e ganhar mais dinheiro (por ter mais informação e conhecer mais), ou sob a forma de guardar como um tesouro a semente do futuro ou a palavra sagrada como nos mosteiros medievais ou em confrarias religiosas, seitas secretas, confrarias de todo tipo. De qualquer forma, é uma caixinha dentro da outra: o poder de compreender o texto suficientemente para perceber que nele há várias outras possibilidades de compreensão sempre significou poder – o tremendo poder de crescer e expandir os limites individuais do humano.
Constatar que dominar a leitura é se apropriar de alguma forma de poder está na base de duas atitudes antagônicas dos tempos modernos. Uma, autoritária, tenta impedir que a leitura se espalhe por todos, para que não se tenha de compartilhar o poder. Outra, democrática, defende a expansão da leitura para que todos tenham acesso a essa parcela de poder.
Do jeito que a alfabetização está conseguindo aumentar o número de leitores, paralelamente à expansão da produção editorial que está oferecendo material escrito em quantidades jamais imaginadas antes, e ainda com o advento de meios tecnológicos que eliminam as barreiras entre produção e consumo do material escrito, tudo levaria a crer que essa questão está sendo resolvida. Será? Na verdade, creio que ela se abre sobre outras questões. Que tipo de alfabetização é esse, a que tipo de leitura tem levado, com que tipo de utilidade social?

ANA MARIA MACHADO www.dubitoergosum.xpg.com.br

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 10
A 13.

11 - Segundo o texto, as atitudes autoritárias e democráticas em relação à leitura possuem um pressuposto comum. Esse pressuposto está sintetizado em:

(A) o reconhecimento de que a leitura se associa ao poder
(B) a percepção de que a leitura se expande com o tempo
(C) a expectativa de que a leitura se popularize na sociedade
(D) a necessidade de que a leitura se identifique com a tecnologia

12- Com a inacreditável capacidade humana de ter ideias, sonhar, imaginar, observar, descobrir, constatar, enfim, refletir sobre o mundo e com isso ir crescendo , a produção textual vem se ampliando ao longo da história. (l 1-3)
O trecho destacado acima estabelece uma relação de sentido com o restante da frase.
Essa relação de sentido pode ser definida como:

(A) simultaneidade
(B) consequência
(C) oposição
(D) causa

10 tudo levaria a crer que essa questão está sendo resolvida. Será? (l 35)
O emprego da forma verbal “levaria” e a forma interrogativa que se segue – “Será?” – sugerem um procedimento argumentativo, empregado no texto. Esse procedimento está explicitado em:

(A) a exposição de um problema que será detalhado
(B) a incerteza diante de fatos que serão comprovados
(C) a divergência em relação a uma ideia que será contestada
(D) o questionamento sobre um tema que se mostrará limitado

11 Enfim, constatamos que a leitura cresceu, e cresceu demais.
Ao mesmo tempo, ainda falta muito para quanto queremos e necessitamos que ela cresça. Precisa crescer muito mais. (l 8-11)
Ao afirmar que a leitura cresceu, mas ainda precisa crescer mais, a autora mostra seu ponto de vista. Esse ponto de vista se relaciona com a seguinte constatação:

(A) os novos meios tecnológicos não aproximaram de imediato os leitores
(B) a ampliação da produção textual não alterou o número de alfabetizados
(C) a eliminação de barreiras não representou de verdade uma conscientização
(D) o aumento de quantidade não se verificou do mesmo modo na qualidade

O processo de composição da imagem de Pep Montserrat é o de “colagem”, misturando e combinando signos visuais diferentes. Esse processo de mistura e combinação pode ser relacionado diretamente ao seguinte trecho do texto de Ana Maria Machado:

(A) jamais a leitura conseguirá acompanhar a expansão incontrolável e necessariamente caótica da produção dos textos, que se multiplicam ainda mais, numa infinidade de meios novos.
(B) abandona-se o exame dos textos e da literatura, criam-se os especialistas em leitura,
multiplicam-se as reflexões sobre livros e leitura.
(C) o poder de compreender o texto suficientemente para perceber que nele há várias outras possibilidades de compreensão.
(D) Constatar que dominar a leitura é se apropriar de alguma forma de poder está na base de duas atitudes antagônicas dos tempos modernos.

14 A imagem produzida pelo artista combina elementos de modo surpreendente, inesperado na  realidade cotidiana. A figura da mão saindo do computador e oferecendo ao possível leitor um objeto característico de outro espaço de leitura sugere principalmente o sentido de:

(A) coexistência entre práticas diversas de leitura
(B) centralidade da tecnologia na vida contemporânea
(C) artificialidade das leituras instantâneas na sociedade
(D) ambiguidade do leitor na relação com o aparato técnico

15
PEP MONTSERRAT
www.pepmontserrat.com

COM BASE NA IMAGEM ABAIXO  E NO TEXTO ANTERIOR, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 14 A 15.

No cartum apresentado, o significado da palavra escrita é reforçado pelos elementos visuais, próprios da linguagem não verbal. A separação das letras da palavra em balões distintos contribui para expressar principalmente a  seguinte ideia:

(A) dificuldade de conexão entre as pessoas
(B) aceleração da vida na contemporaneidade
(C) desconhecimento das possibilidades de diálogo
(D) desencontro de pensamentos sobre um assunto


CAULOS
Só doi quando eu respiro
. Porto Alegre: L&PM, 2001.

Há um contraste irônico entre o título do conto e o seu desenvolvimento.
As ideias essenciais desse contraste são:

(A) alegria - isolamento
(B) admiração - distorção
(C) ornamentação - inutilidade
(D) multiplicidade – contemplação

04
Múltiplo sorriso

Pendurou a última bola na árvore de Natal e deu alguns passos atrás. Estava bonita. Era um pinheiro artificial, mas parecia de verdade. Só bolas vermelhas. Nunca deixava de armar sua árvore, embora as amigas dissessem que era bobagem fazer isso quando se mora sozinha. Olhou com mais vagar. Na luz do fim da tarde, notou que sua imagem se espelhava nas bolas. Em todas elas, lá estava seu rosto, um pouco distorcido, é verdade – mas sorrindo. “Estão vendo?”, diria às amigas, se estivessem por perto.
“Eu não estou só.”

HELOÍSA SEIXAS Contos mais que mínimos . Rio de Janeiro: Tinta Negra, 2010.

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 2
A 4.

“Estão vendo?”, diria às amigas, se estivessem por perto.
O trecho acima revela o choque entre o mundo imaginário da personagem e a realidade de sua solidão. Esse choque entre imaginação e realidade é enfatizado pela utilização do seguinte recurso de  linguagem:

(A) o uso das aspas duplas
(B) o emprego dos modos verbais
(C) a presença da forma interrogativa
(D) a referência à proximidade espacial

03 Ao dizer que o pinheiro era artificial, “mas parecia de verdade”, a narrativa realça um estado que define a personagem.Isto ajuda o leitor a compreender o fingimento da personagem em relação à:

(A) existência de suas amigas
(B) consciência de sua beleza
(C) presença de várias pessoas
(D) exposição de alguma intimidade

Competição e individualismo excessivos ameaçam saúde dos trabalhadores

Ideologia do individualismo


O novo cenário mundial do trabalho apresenta facetas como a da competição globalizada e a da ideologia do individualismo. A afirmação foi feita pelo professor da Universidade de Brasília (UnB) Mário César Ferreira, ao participar do seminário Trabalho em Debate: Crise e Oportunidades.
Segundo ele, pela primeira vez, há uma ligação direta entre trabalho e índices de suicídio, sobretudo na França, em função das mudanças focadas na ideia de excelência.

Fim da especialização
“A configuração do mundo do trabalho é cada vez mais volátil”, disse o professor. Ele destacou ainda a crescente expansão do terceiro setor, do trabalho em domicílio e do trabalho feminino, bem como a exclusão de perfis como o de trabalhadores jovens e dos fortemente especializados. “As organizações preferem perfis polivalentes e multifuncionais.” Desta forma, a escolarização clássica do trabalhador amplia-se para a qualificação contínua, enquanto a ultraespecialização evolui para a multiespecialização.

Metamorfoses do trabalho
Ele ressaltou que as “metamorfoses” no cenário do trabalho não são “indolores” para os que trabalham e provocam erros frequentes, retrabalho, danificação de máquinas e queda de produtividade. Outra grande consequência, de acordo com o professor, diz respeito à saúde dos trabalhadores, que leva à alta rotatividade nos postos de trabalho e aos casos de suicídio. “Trata-se de um cenário em que todos  perdem, a sociedade, os governantes e, em particular, os trabalhadores”, avaliou.

Articulação entre econômico e social
Para a coordenadora da Diretoria de Cooperação e Desenvolvimento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Christiane Girard, a problemática das relações de trabalho envolve também uma questão: qual o tipo de desenvolvimento que nós, como cidadãos, queremos ter?
Segundo Christiane, é preciso “articular” o econômico e o social, como acontece na economia solidária. “Ela é uma das alternativas que aparecem e precisa ser discutida. A resposta do trabalhador se manifesta por meio do estresse, de doenças diversas e do suicídio. A gente não se pergunta o suficiente sobre o peso da gestão do trabalho”, disse a representante do Ipea.

Adaptado de www.diariodasaude.com.br

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 5
A 10.

07 Os subtítulos do texto organizam a leitura, sintetizando o que está diagnosticado ou proposto em  cada parte. Dentre os subtítulos, aquele que anuncia uma proposta é:

(A) ideologia do individualismo
(B) fim da especialização
(C) metamorfoses do trabalho
(D) articulação entre econômico e social

No texto, as falas do professor universitário e da coordenadora do instituto de pesquisa reforçam o sentido geral antecipado pelo título da matéria jornalística. A citação de falas como as referidas acima é um recurso conhecido da argumentação. Esse recurso está corretamente descrito em:

(A) exemplificação de fatos enunciados no texto
(B) registro da divergência entre diferentes autores
(C) apoio nas palavras de especialistas em uma área
(D) apresentação de dados quantificados por pesquisas

Ele ressaltou que as “metamorfoses” no cenário do trabalho não são “indolores” para os que trabalham e provocam erros frequentes, retrabalho, danificação de máquinas e queda de produtividade.
No fragmento acima, a exemplo de outras passagens no texto, o emprego das aspas pelo autor tem a função de:

(A) dar destaque a termos pouco conhecidos
(B) assinalar distanciamento de sentido irônico
(C) retomar uma ideia enunciada anteriormente
(D) identificar citação de palavras do entrevistado

Na coesão textual, os pronomes podem ser empregados para fazer a ligação entre o que está sendo dito e o que foi enunciado anteriormente. O pronome sublinhado que estabelece ligação com uma parte anterior do texto está na seguinte passagem:

(A) “A configuração do mundo do trabalho é cada vez mais volátil”
(B) Outra grande consequência, de acordo com o professor, diz respeito à saúde dos
Trabalhadores.
(C) “Trata-se de um cenário em que todos perdem,”.
(D) qual o tipo de desenvolvimento que nós , como cidadãos, queremos ter?

08 A resposta do trabalhador se manifesta por meio do estresse, de doenças diversas e do suicídio. A gente  não se pergunta o suficiente sobre o peso da gestão do trabalho”, disse a representante do Ipea.
A negação expressa pela fala transcrita acima remete, na verdade, a uma afirmação. Essa afirmação está corretamente enunciada em:

(A) a gestão do trabalho deve ser mais bem avaliada
(B) o mundo do trabalho deve secundarizar a gestão
(C) os gestores precisam ser suficientemente saudáveis
(D) os trabalhadores precisam atender melhor aos gestores

09 Dentre as palavras usadas no texto para descrever o novo regime de trabalho, uma delas implica uma contradição nos próprios termos, ou seja, uma palavra cuja composição contém elementos  que se opõem. A palavra formada por elementos que sugerem sentidos opostos é:

(A) terceirização
(B) escolarização
(C) ultraespecialização
(D) multiespecialização


Desde então procuro descascar fatos, aqui sentado à mesa da sala de jantar
Na sentença acima, o processo metafórico se concentra no verbo “descascar”.
No contexto, a metáfora expressa em “descascar” tem o seguinte significado:

(A) reduzir (B) denunciar (C) argumentar (D) compreender

11 De repente voltou-me a ideia de construir o livro. (...)
Desde então procuro descascar fatos, aqui sentado à mesa da sala de jantar (...).
Às vezes, entro pela noite, passo tempo sem fim acordando lembranças. Outras vezes não me ajeito com esta ocupação nova.
Anteontem e ontem, por exemplo, foram dias perdidos. Tentei debalde canalizar para termo razoável esta prosa que se derrama como a chuva da serra, e o que me apareceu foi um grande desgosto. Desgosto e a vaga compreensão de muitas coisas que sinto.
Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde. (...) Não tenho doença nenhuma.
O que estou é velho. Cinquenta anos pelo S. Pedro. Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros. O resultado é que endureci, calejei, e não é um arranhão que penetra esta casca espessa e vem ferir cá dentro a sensibilidade embotada.
Cinquenta anos! Quantas horas inúteis! Consumir-se uma pessoa a vida inteira sem saber para quê!
Comer e dormir como um porco! Como um porco! Levantar-se cedo todas as manhãs e sair correndo, procurando comida! E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações. Que estupidez! (...)
Coloquei-me acima da minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse, fui guia de cego, vendedor de doce e trabalhador alugado. Estou convencido de que nenhum desses ofícios me daria os recursos intelectuais necessários para engendrar esta narrativa. Magra, de acordo, mas em momentos de otimismo suponho que há nela pedaços melhores que a literatura do Gondim. Sou, pois, superior a mestre Caetano e a outros semelhantes. Considerando, porém, que os enfeites do meu espírito se reduzem a
farrapos de conhecimentos apanhados sem escolha e mal cosidos, devo confessar que a superioridade que me envaidece é bem mesquinha.
(...)
Quanto às vantagens restantes – casas, terras, móveis, semoventes, consideração de políticos, etc. – é preciso convir em que tudo está fora de mim.
Julgo que me desnorteei numa errada.

GRACILIANO RAMOS São Bernardo . Rio de Janeiro: Record, 2004.

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 11
A 15.

Julgo que me desnorteei numa errada.
Na sentença acima ocorre a elipse de um determinado termo, o qual, no entanto, pode-se deduzir pelo contexto e pela construção gramatical. Esse termo está indicado em:

(A) trilha  (B) atalho (C) desvio (D) armadilha

O personagem reclama de uma vida na qual se dedicou a ações que agora vê como negativas. Essas ações estão melhor descritas em:

(A) Tentei debalde canalizar para termo razoável esta prosa que se derrama como a chuva
(B) E depois guardar comida para os filhos, para os netos, para muitas gerações.
(C) Coloquei-me acima da minha classe, creio que me elevei bastante.
(D) fui guia de cego, vendedor de doce e trabalhador alugado.

13 As palavras do narrador expõem a extensão de seu sofrimento na tomada de consciência que  impulsiona a escrita de seu livro. Na tentativa de descrever a si mesmo e confessar suas culpas, o  personagem-narrador muitas vezes parece dirigir-se ao leitor.
Dos fragmentos transcritos abaixo, aquele que exemplifica esse diálogo sugerido com o leitor é:

(A) De repente voltou-me a ideia de construir o livro.
(B) Desgosto e a vaga compreensão de muitas coisas que sinto.
(C) Sou um homem arrasado. Doença? Não. Gozo perfeita saúde.
 (D) Cinquenta anos perdidos, cinquenta anos gastos sem objetivo, a maltratar-me e a maltratar os outros.

14 Comer e dormir como um porco! Como um porco!
A repetição das palavras, neste contexto, constitui recurso narrativo que revela um traço relativo ao personagem. Esse traço pode ser definido como:

(A) carência (B) desespero (C) inabilidade (D) intolerância


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