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sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

UNIFESP 2008 - PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Prova de língua portuguesa - Vestibular UNIFESP 2008


01. Considere o texto e analise as três afirmações seguintes.

I. A frase Toda criança deve ser assistida quanto ao seu direito à atenção e ao carinho dos adultos está correta quanto aos sentidos propostos no texto e também quanto à regência.
II. Deve-se interpretar a referência do pronome você como criança, conforme sugerido pelo título do texto.
III. As duas orações que compõem as perguntas estabelecem entre si relação de adversidade.

Está correto apenas o que se afirma em

(A) I.   (B) II.   (C) III.   (D) I e II.   (E) II e III.

INSTRUÇÃO: Considere o trecho de notícia seguinte para responder às questões de números 02 e 03.

Polícia investiga troca de bebê por casa

A polícia do Paraná está investigando três casos de doação ilegal de bebês no Estado, que teriam sido trocados pelos pais por material de construção, cestas básicas e por uma casa.

(Folha de S.Paulo, 10.06.1999.)

02. Comparando o primeiro texto, De criança para criança, como texto da notícia, é correto afirmar que a atitude dos pais

(A) viola o exposto naquele texto, já que eles não obtiveram vantagens pessoais com a doação.
(B) confirma o que vem exposto naquele texto, já que os bebês foram doados para que tivessem uma vida melhor.
(C) contradiz o que vem exposto naquele texto, já que os bebês não foram devidamente respeitados.
(D) nega o que vem exposto naquele texto, já que a adoção não violou o direito dos bebês.
(E) confirma o que vem exposto naquele texto quanto à doação, que é ilegal, mas necessária.

03. Tendo em vista que a investigação policial não estava concluída na época da publicação da notícia, o emprego da forma verbal teriam sugere que os casos investigados eram

(A) fantasiosos. (B) possíveis. (C) confirmados. (D) contraditórios. (E) idealizados.

INSTRUÇÃO: As questões de números 04 a 08 baseiam-se no texto de Moacyr Scliar.

A casa das ilusões perdidas

Quando ela anunciou que estava grávida, a primeira reação dele foi de desagrado, logo seguida de franca irritação. Que coisa, disse, você não podia tomar cuidado, engravidar logo agora que estou desempregado, numa pior, você não tem cabeça mesmo, não sei o que vi em você, já deveria ter trocado de mulher havia muito tempo. Ela, naturalmente, chorou, chorou muito. Disse que ele tinha razão, que aquilo fora uma irresponsabilidade, mas mesmo assim queria ter o filho. Sempre sonhara com isso, com a maternidade — e agora que o sonho estava prestes a se realizar, não deixaria que ele se desfizesse.
— Por favor, suplicou. — Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me deixe ser mãe.
Ele disse que ia pensar. Ao fim de três dias daria a resposta. E sumiu.
Voltou, não ao cabo de três dias, mas de três meses. Àquela altura ela já estava com uma barriga avantajada que tornava impossível o aborto; ao vê-lo, esqueceu a desconsideração, esqueceu tudo — estava certa de que ele vinha com a mensagem que tanto esperava, você pode ter o nenê, eu ajudo você a criá-lo.
Estava errada. Ele vinha, sim, dizer-lhe que podia dar à luz a criança; mas não para ficar com ela. Já tinha feito o negócio: trocariam o recém-nascido por uma casa. A casa que não tinham e que agora seria o lar deles, o lar onde — agora ele prometia — ficariam para sempre.
Ela ficou desesperada. De novo caiu em prantos, de novo implorou. Ele se mostrou irredutível. E ela, como sempre, cedeu.
Entregue a criança, foram visitar a casa. Era uma modesta construção num bairro popular. Mas era o lar prometido e ela ficou extasiada. Ali mesmo, contudo, fez uma declaração:
— Nós vamos encher esta casa de crianças. Quatro ou cinco, no mínimo.
Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo. 

(Moacyr Scliar, Folha de S.Paulo, 14.06.1999.)

04. No texto, a idéia de ilusões perdidas diz respeito à

(A) realização da maternidade que, na verdade, não atinge a sua plenitude.
(B) desolação da jovem mãe ao ver que a casa recebida não era luxuosa como concebera.
(C) alegria da mãe com a casa e à superação da tristeza pela doação da criança.
(D) melancolia da mãe por programar todas as crianças que teria para trocar por casas.
(E) certeza do homem de que a mulher não formará com ele um lar na casa nova.

05. O casal age de modo contrário aos sentimentos comuns de justiça e dignidade. No contexto da narrativa, tais comportamentos explicam-se

(A) pela falta de amor que há entre a mulher e o companheiro, fazendo com que tudo que os rodeia se torne um negócio vantajoso.
(B) pelo amor exagerado que a mulher sente e pela confusão de sentimentos que o companheiro vive na descoberta desse amor.
(C) pelo ódio exagerado que a mulher sente do companheiro e pela forma displicente e pouco amável como ele a vê.
(D) pela submissão exagerada da mulher ao companheiro e pela forma mesquinha e interesseira como ele resolve as coisas.
(E) pela forma irresponsável com que a mulher age em relação ao companheiro, o que o faz tomar atitudes impensadas.

06. Ele não disse nada, mas ficou pensando. Quatro ou cinco casas, aquilo era um bom começo.

As duas frases finais do texto deixam evidente que ter mais filhos

(A) é uma possibilidade pouco atraente para o casal que, por hora, já conquistou algo à custa de sofrimento.
(B) será para o casal uma forma de alcançar a felicidade, já que a mulher e seu companheiro poderão ter a casa cheia de crianças.
(C) pode tornar-se lucrativo na ótica do companheiro, embora a mulher ainda veja isso com olhos sonhadores.
(D) se torna uma forma de compensar o episódio pouco feliz da doação do primeiro filho do casal.
(E) não alteraria em nada a vida do casal, já que não haveria como fazer os dois esquecerem a criança doada.

07. Eu faço tudo que você quiser, eu dou um jeito de arranjar trabalho, eu sustento o nenê, mas, por favor, me deixe ser mãe. 
Mantida a mesma forma de tratamento e supondo que a frase fosse proferida pelo homem, ela assumiria a seguinte forma:

(A) Faças tudo que eu quero, dês um jeito de arranjar trabalho, sustentas o nenê, que eu te deixo ser mãe.
(B) Faz tudo que eu quero, dê um jeito de arranjar trabalho, sustenta o nenê, que eu lhe deixo ser mãe.
(C) Faz tudo que eu quero, dá um jeito de arranjar trabalho, sustenta o nenê, que eu deixo você ser mãe.
(D) Faça tudo que eu quero, dá um jeito de arranjar trabalho, sustente o nenê, que eu lhe deixo ser mãe.
(E) Faça tudo que eu quero, dê um jeito de arranjar trabalho, sustente o nenê, que eu a deixo ser mãe.

08. No texto, há muitas retomadas pronominais, basicamente expressas pelos pronomes ele e ela. Isso não gera ambiguidade principalmente porque

(A) se alternam os pronomes com sinônimos.
(B) as referências dos pronomes são muito restritas.
(C) as formas verbais estão todas no mesmo tempo.
(D) todos os pronomes poderiam ser omitidos.
(E) as frases curtas limitam a interpretação.

INSTRUÇÃO: Considere trecho da Bíblia para responder às questões de números 09 e 10.

E disse [Deus]: Certamente tornarei a ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara escutava à porta da tenda, que estava atrás dele.
E eram Abraão e Sara já velhos, e adiantados em idade; já a Sara havia cessado o costume das mulheres.
Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho? (...)
E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha falado. 

(www.bibliaonline.com.br, Gn 18, 10-12; 21, 2.)

09. No trecho, afirma-se que Abraão e Sara já estavam adiantados em idade e que a Sara já havia cessado o costume das mulheres. Essas expressões são

(A) eufemismos, que remetem, respectivamente, à velhice e ao ciclo menstrual.
(B) metáforas, que remetem, respectivamente, à idade adulta e ao vigor sexual.
(C) hipérboles, que remetem, respectivamente, à velhice e à paixão feminina.
(D) sinestesias, que remetem, respectivamente, à decrepitude e à sensualidade.
(E) sinédoques, que remetem, respectivamente, à idade adulta e ao amor.

10. Em
Assim, pois, riu-se Sara consigo...
... que Deus lhe tinha falado.
a conjunção pois tem valor ........... e o pronome lhe refere-se ao termo ............

Os espaços devem ser preenchidos, respectivamente, com

(A) conclusivo e Abraão. 
(B) explicativo e Sara. 
(C) causal e Sara. 
(D) explicativo e Abraão.
(E) condicional e Abraão.

INSTRUÇÃO: Considere a tirinha para responder às questões de números 11 a 13.

11. O termo hedonismo, na fala do pai de Calvin, está relacionado

(A) à sua busca por valores mais humanos.
(B) ao seu novo ritmo de vida.
(C) à sua busca por prazer pessoal e imediato.
(D) à sua forma convencional de viver.
(E) ao seu medo de enfrentar a realidade.

12. Assinale a alternativa correta, tendo como referência todas as falas do menino Calvin.

(A) O emprego de termos como gente e tem é inadequado, uma vez que estão carregados de marcas da linguagem coloquial desajustadas à situação de comunicação apresentada.
(B) Calvin emprega o pronome você não necessariamente para marcar a interlocução: antes, trata-se de um recurso da linguagem coloquial utilizado como forma de expressar idéias genéricas.
(C) O emprego de termos de significação ampla — como noção, tudo, normal — prejudica a compreensão do texto, pois o leitor não consegue entender, com clareza,
o que se pretende dizer.
(D) O pronome eles é empregado duas vezes, sendo impossível, no contexto, recuperar-lhe as referências.
(E) O termo bem é empregado com valor de confirmação das informações precedentes.

13. Em — E correr uns bons 20 km! — o termo uns assume va lor de

(A) posse.   (B) exatidão.   (C) definição.   (D) especificação.    (E) aproximação.


INSTRUÇÃO: As questões de números 14 a 17 baseiam-se no texto de Mário de Andrade.

É por causa do meu engraxate que ando agora em plena desolação. Meu engraxate me deixou.
Passei duas vezes pela porta onde ele trabalhava e nada. Então me inquietei, não sei que doenças mortíferas, que mudança pra outras portas se passaram em mim, resolvi perguntar ao menino que trabalhava na outra cadeira. O menino é um retalho de hungarês, cara de infeliz, não dá simpatia alguma. E tímido, o que torna instintivamente a gente muito combinado com o universo no propósito de desgraçar esses desgraçados de nascença. “Está vendendo bilhete de loteria”, respondeu antipático, me deixando numa perplexidade penosíssima: pronto! Estava sem engraxate! Os olhos do menino chispeavam ávidos, porque sou um dos que ficam fregueses e dão gorjeta. Levei seguramente um minuto pra definir que tinha de continuar engraxando sapatos toda a vida minha e ali estava um menino que, a gente ensinando, podia ficar engraxate bom.

(Mário de Andrade, Os Filhos da Candinha.)

14. A desolação por que passa o narrador resulta

(A) do sumiço do engraxate, por quem o narrador, ao valer-se dos serviços, criara certa afeição.
(B) da ausência do engraxate, de cujos serviços, mesmo precários, aquele se valia.
(C) da presença do menino hungarês, pouco aberto ao diálogo, em substituição obrigatória ao antigo engraxate.
(D) do sumiço do engraxate com quem ele evitava a todo custo criar laços afetivos.
(E) da necessidade dos serviços do tímido menino hungarês, que certamente não chegaria a ser bom engraxate.

15. A timidez do engraxate despertava no narrador um sentimento de

(A) pena dele e daqueles que, como ele, também viviam mal.
(B) repulsa por ele e pelos de sua condição de mal-nascido.
(C) enternecimento por ele e pelos mal-nascidos, por sua natural infelicidade.
(D) distanciamento dele e daqueles que o viam com interesse.
(E) indignação com ele e com aqueles que pouco faziam para progredir.

16. É correto afirmar que

(A) o narrador ficou sem engraxate, mas queria encontrar o menino para agradecer pelos bons serviços que recebera.
(B) o menino hungarês é antipático, pois se refere, com ironia, ao outro que, um dia, já esteve trabalhando ao seu lado como engraxate, prestando serviços ao narrador.
(C) a possibilidade de ficar definitivamente sem seu engraxate, que poderia lograr êxito no novo emprego, perturbava demais o narrador.
(D) o espírito generoso do narrador com o engraxate, ficando freguês e dando gorjetas, não foi suficiente para evitar ser maltratado pelo menino.
(E) a forma dissimulada como o menino hungarês trata o narrador naquele momento difícil mostra-o como se estivesse se divertindo com a situação.

17. Assinale a alternativa correta.

(A) Respeitando-se os sentidos do texto, a primeira frase pode ser parafraseada por: Embora meu engraxate tenha me deixado, ando agora em plena desolação.
(B) Em — Os olhos do menino chispeavam ávidos... — a forma verbal significa observavam placidamente.
(C) Na norma padrão, a frase — Meu engraxate me deixou. — também pode assumir a forma: Me deixou meu engraxate.
(D) Afrase — “Está vendendo bilhete de loteria”, respondeu antipático... —, em discurso indireto, assume a forma: Respondeu antipático que estaria vendendo bilhete de loteria.
(E) A frase — ... ali estava um menino que, a gente ensinando, podia ficar engraxate bom. — na norma padrão, na primeira pessoa do plural, assume a seguinte forma: ... ali estava um menino que, se nós ensinássemos, poderia tornar-se bom engraxate.

18. Sobre Mário de Andrade e a Semana de 22, afirma-se:

I. A Semana desencadeou na cultura brasileira um período que Mário denominou orgia intelectual, favorecida pelas mãos da burguesia culta do Rio de Janeiro e de São Paulo, da qual ele era um representante.
II. Apesar de estar em contato com as novas tendências das artes, Mário manteve-se fiel àqueles que os modernistas chamaram de conservadores, em geral os parnasianos, dos quais sua obra recebe influência decisiva.
III. Ao contrário de Oswald, que era irreverente em relação à dominação cultural europeia, Mário não tinha um projeto literário em que houvesse preocupação significativa com a cultura nacional.

Está correto apenas o que se afirma em

(A) I.    (B) II.   (C) III.   (D) I e II.   (E) II e III.

19. Leia a charge.

Assinale a alternativa em que a frase mantém o sentido da resposta do policial.

(A) Achei algo.
(B) Achei alguma coisa.
(C) Achei algum futuro.
(D) Não achei futuro algum.
(E) Não achei muita coisa.

INSTRUÇÃO: As questões de números 20 a 23 referem-se ao texto seguinte.

No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser questão de grau. Há liberdades que não podem ser toleradas. Uma vez conheci uma senhora que afirmava não se dever proibir coisa alguma a uma criança, pois ela deve desenvolver sua natureza de dentro para fora. “E se a sua natureza a levar a engolir alfinetes?” indaguei; lamento dizer que a resposta foi puro vitupério. No entanto, toda criança abandonada a si mesma, mais cedo ou mais tarde engolirá alfinetes, tomará veneno, cairá de uma janela alta ou doutra forma chegará a mau fim. Um pouquinho mais velhos, os meninos, podendo, não se lavam, comem demais, fumam até enjoar, apanham resfriados por molhar os pés, e assim por diante — além do fato de se divertirem importunando anciãos, que nem sempre possuem a capacidade de resposta de Eliseu. Quem advoga a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta. Deve existir um elemento de disciplina e autoridade: a questão é até que ponto, e como deve ser exercido.

(Bertrand Russell, Ensaios céticos.)

20. Do ponto de vista do autor, fica claro que a liberdade

(A) é essencial à criança e sua falta é prejudicial, quando não se entende o porquê da restrição.
(B) não deve ser concebida de forma absoluta, havendo necessidade de que sejam coibidos os excessos.
(C) é um modo de a criança desenvolver-se de forma independente, quando criada sem restrições.
(D) deve ser tolerada para que não haja prejuízo ao desenvolvimento pessoal e social da criança.
(E) serve para atos de prejuízo pessoal, por isso não possui nada que seja realmente bom à criança.

21. As liberdades não toleradas

(A) dizem respeito a fatos externos ao ambiente escolar.
(B) comprometem o rendimento escolar da criança.
(C) representam riscos à integridade da criança e de adultos.
(D) impedem que a criança se desenvolva plenamente.
(E) são exemplos de disciplina e autoridade.

INSTRUÇÃO: As questões de números 22 e 23 baseiam-se na frase — Quem advoga a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta.

22. O termo advoga deve ser entendido como

(A) impõe.   (B) afirma.   (C) estuda.   (D) exige.   (E) defende.

23. Substituindo-se Quem por As pessoas que, obtém-se:

(A) As pessoas que advoga a liberdade da educação não querem dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta.
(B) As pessoas que advogam a liberdade da educação não quer dizerem que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes derem na veneta.
(C) As pessoas que advogam a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta.
(D) As pessoas que advogam a liberdade da educação não querem dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta.
(E) As pessoas que advogam a liberdade da educação não querem dizerem que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes derem na veneta.

INSTRUÇÃO: O poema de Alberto Caeiro é base para responder às questões de números 24 e 25.

A Criança que Pensa em Fadas

A criança que pensa em fadas e acredita nas fadas
Age como um deus doente, mas como um deus.
Porque embora afirme que existe o que não existe
Sabe como é que as cousas existem, que é existindo,
Sabe que existir existe e não se explica,
Sabe que não há razão nenhuma para nada existir,
Sabe que ser é estar em algum ponto
Só não sabe que o pensamento não é um ponto qualquer.

24. Nos versos, fica evidente o perfil do heterônimo de Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, pois ele

(A) entende que o homem está atrelado a uma visão subjetiva da existência.
(B) volta-se para o mundo sensível que o rodeia como forma de conceber a existência.
(C) concebe a existência como apreensão dos elementos místicos e indefinidos.
(D) não acredita que a existência possa ser definida em termos de objetividade.
(E) busca na metafísica a base de uma concepção da existência subjetiva.

25. O teólogo Leonardo Boff, em entrevista à revista Filosofia, diz: Eu me lembro agora, sábado, de um menino de oito anos, que veio e me disse: “Vô, por que as coisas existem?” A filosofia começa com isso. Respondi que elas existem porque existem. E aí até citei um poeta, Angelus Silesius: “A flor floresce por florescer / Não pergunta se a olham / E sorri pro universo. A rosa é sem porquê.” E ele disse: “E eu? O que eu faço aqui nesse mundo?” Oito anos de idade e já colocou as questões da metafísica fundamentais.

(Filosofia – ciência & vida, Ano 1, n.º 05.)

No poema de Caeiro, o ponto de vista de Silesius, com o qual concorda Boff, é

(A) confirmado, pois o eu lírico entende que a existência está ligada a um deus.
(B) negado, pois o eu lírico entende que se deve evitar o questionamento da metafísica.
(C) negado, pois o eu lírico entende que a existência é uma grande falta de razão.
(D) confirmado, pois o eu lírico entende que o existir por si só já basta.
(E) negado, pois o eu lírico entende que não se apreende a realidade senão por intermédio de um deus.

INSTRUÇÃO: Para responder às questões de números 26 a 30, leia o texto de Lygia Fagundes Telles.

Que se chama solidão

Chão da infância. Algumas lembranças me parecem fixadas nesse chão movediço, as minhas pajens. Minha mãe fazendo seus cálculos na ponta do lápis ou mexendo o tacho de goiabada ou ao piano; tocando suas valsas. E tia Laura, a viúva eterna que foi morar na nossa casa e que repetia que meu pai era um homem instável. Eu não sabia o que queria dizer instável mas sabia que ele gostava de fumar charutos e gostava de jogar. A tia um dia explicou, esse tipo de homem não consegue parar muito tempo no mesmo lugar e por isso estava sempre sendo removido de uma cidade para outra como promotor. Ou delegado. Então minha mãe fazia os tais cálculos de futuro, dava aquele suspiro e ia tocar piano. E depois, arrumar as malas.
— Escutei que a gente vai se mudar outra vez, vai mesmo? perguntou minha pajem Maricota. Estávamos no quintal chupando os gomos de cana que ela ia descascando. Não respondi e ela fez outra pergunta: Sua tia vive falando que agora é tarde porque a Inês é morta, quem é essa tal de Inês?
Sacudi a cabeça, não sabia. Você é burra, Maricota resmungou cuspinhando o bagaço. (...)
— Corta mais cana, pedi e ela levantou-se enfurecida: Pensa que sou sua escrava, pensa? A escravidão já acabou!, ficou resmungando enquanto começou a procurar em redor, estava sempre procurando alguma coisa e eu saía atrás procurando também, a diferença é que ela sabia o que estava procurando, uma manga madura? Jabuticaba? Eu já tinha perguntado ao meu pai o que era isso, escravidão. Mas ele soprou a fumaça para o céu (dessa vez fumava um cigarro de palha) e começou a recitar uma poesia que falava num navio cheio de negros presos em correntes e que ficavam chamando por Deus. Deus, eu repeti quando ele parou de recitar. Fiz que sim com a cabeça e fui saindo, Agora já sei.

(Lygia Fagundes Telles, Invenção e Memória.)

26. De acordo com o texto, entende-se que o chão da infância da narradora é marcado

(A) pela incômoda viuvez da tia.
(B) pela ausência do pai.
(C) pelo convívio com família e pajens.
(D) pelo medo da escravidão.
(E) pela indiferença das pajens.

27. Entende-se que a relação da narradora com a pajem baseia-se

(A) na tolerância entre elas, embora a narradora quase não consiga conter sua raiva com os descasos da pajem.
(B) na tensão entre elas, embora a pajem deva respeito à narradora, pois tem uma relação profissional com a família.
(C) na indiferença entre elas, pois tanto a narradora deixa de responder como a pajem deixa de atender-lhe o pedido.
(D) na rivalidade entre elas, fato que se comprova pela agressividade da pajem que sonhava estar no lugar da narradora.
(E) na proximidade entre elas, pois a pajem, por exemplo, externa seus sentimentos de desagrado, quando se vê incomodada por algo.

28. Na resposta enfurecida da pajem à narradora, repete-se a forma verbal pensa. Essa resposta permite entender que ela

(A) não pretende mais cortar cana naquele momento.
(B) se vê na obrigação de atender o pedido.
(C) está, na verdade, fazendo uma brincadeira.
(D) não compreendeu ao certo o que lhe foi pedido.
(E) se dispõe a atender o pedido com prontidão.

29. Leia as estrofes seguintes.

I. Quando uma noite, estando descuidados Na cortadora proa vigiando, Uma nuvem que os ares escurece, Sobre nossas cabeças aparece. Tão temerosa vinha e carregada, Que pôs nos corações um grande medo; Bramindo, o negro mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo. “— Ó Potestade, disse, sublimada: Que ameaço divino ou que segredo Este clima e este mar nos apresenta, Que mor coisa parece que tormenta?”
II. Presa nos elos de uma só cadeia, A multidão faminta cambaleia, E chora e dança ali! Um de raiva delira, outro enlouquece, Outro, que de martírios embrutece, Cantando, geme e ri!No entanto o capitão manda a manobra. E após fitando o céu que se desdobra Tão puro sobre o mar, Diz do fumo entre os densos nevoeiros: “Vibrai rijo o chicote, marinheiros!Fazei-os mais dançar!...”
III. Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar!

No texto, a narradora comenta que seu pai recitava uma poesia que falava num navio cheio de negros presos em correntes e que ficavam chamando por Deus. Observando I, II e III, é correto afirmar que os versos recitados pelo pai estão transcritos apenas em

(A) I: trata-se do poema A Camões, de Manuel Bandeira.
(B) I: trata-se do poema Os Lusíadas, de Luiz Vaz de Camões.
(C) II: trata-se do poema O Monstrengo, de Fernando Pessoa.
(D) II: trata-se do poema O navio negreiro, de Castro Alves.
(E) III: trata-se do poema Mar português, de Álvaro de Campos.

30. O texto de Lygia Fagundes Telles apresenta marcas características do projeto literário da autora, ligado à ficção

(A) do realismo fantástico.    (B) documentária urbano-social.
(C) regionalista.                     (D) metafísica.                             (E) intimista e psicológica.

GABARITO:
01 D 02 C 03 B 04 A 05 D 06 C 07 E 08 B 09 A 10 A 11 C 12 B 13 E 14 A 15 B
16 C 17 E 18 A 19 D 20 B 21 C 22 E 23 D 24 B 25 D 26 C 27 E 28 A 29 D 30 E

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FUVEST 2004 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa
FATEC 2012 – 2º Semestre – Prova de Língua Portuguesa
Mackenzie 2012 – 2º Semestre – Prova de Língua Portuguesa
UNESP 2010 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa
FUVEST 2011 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa
UNESP 2012 – 1º Fase – Prova de Língua Portuguesa

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