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sábado, 20 de agosto de 2011

Oswald de Andrade

- Nasceu em São Paulo, em 1890, e faleceu também em São Paulo, em 1954.
Oswald de Andrade
- Formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP).
- Um dos principais nomes da Semana de Arte Moderna de 1922 e um dos membros mais ativos do Modernismo brasileiro.
- Autor dos dois manifestos mais importantes do Modernismo: o Manifesto da Poesia Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago.
- Autor inovador, Oswald é considerado o mais polêmico e rebelde dos modernistas.
- Obra diversificada: poesias, prosas, peças de teatro e ensaios.
- Bastante influenciado pelas vanguardas europeias, pregava uma revisão crítica da história brasileira.
- Objetivava uma linguagem genuinamente nacional, desligada dos modelos poéticos europeus.
- Características de sua obra: ironia, linguagem coloquial, desconstrução sintática, linguagem concisa, paródias, poema-piada, etc.


Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

(Oswald de Andrade, in “Poesias Reunidas”)

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados

(Oswald de Andrade)

Pronominais

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro

(Oswald de Andrade)

3 de Maio

Aprendi com o meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi.

(Oswald de Andrade)

Senhor Feudal

Se Pedro Segundo
Vier aqui
Com história
Eu boto ele na cadeia.

(Oswald de Andrade)

Erro de português

Quando o português chegou
Debaixo de uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português.

(Oswald de Andrade)


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Leia também:

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Eugénio de Andrade - Poemas
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"O Rei dos Animais" - Millôr Fernandes

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