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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

UNESP 2012 – Prova de Língua Portuguesa – 1º Fase

UNESP 2012 – Prova de Língua Portuguesa – 1º Fase

Instrução: As questões de números 01 a 05 tomam por base um fragmento de uma crônica de Eça de Queirós (1845-1900) escrita em junho de 1871.

Uma campanha alegre, IX

Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder, perdem o Poder, reconquistam o Poder, trocam o Poder... O Poder não sai duns certos grupos, como uma pela* que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no Poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão — os corruptos, os esbanjadores da Fazenda, a ruína do País!
Os outros, os que não estão no Poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais — os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País.
Mas, coisa notável! — os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da Fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no Poder movem-se, conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem — os verdadeiros liberais, e os interesses do País!
Até que enfim caem os cinco do Poder, e os outros, os verdadeiros liberais, entram triunfantemente na designação herdada de esbanjadores da Fazenda e ruína do País; em tanto que os que caíram do Poder se resignam, cheios de fel e de tédio — a vir a ser os verdadeiros liberais e os interesses do País.
Ora como todos os ministros são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos, não há nenhum deles que não tenha sido por seu turno esbanjador da Fazenda e ruína do País...
Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...
Não há nenhum que não tenha sido julgado incapaz de dirigir as coisas públicas — pela Imprensa, pela palavra dos oradores, pelas incriminações da opinião, pela afirmativa constitucional do poder moderador...
E todavia serão estes doze ou quinze indivíduos os que continuarão dirigindo o País, neste caminho em que ele vai, feliz, abundante, rico, forte, coroado de rosas, e num chouto** tão triunfante!

(*) Pela: bola.
(**) Chouto: trote miúdo.

(Eça de Queirós. Obras. Porto: Lello & Irmão-Editores, [s.d.].)

Questão 01 - Considere as frases com relação ao que se afirma na crônica de Eça de Queirós:

I. Os que estão no poder não querem sair e os que não estão querem entrar.
II. Quando um partido ético está no poder, tudo fica melhor.
III. Os governantes são bons e éticos, mas vivem a trocar acusações infundadas.
IV. Os políticos que estão fora do poder julgam-se os melhores eticamente para governar.
As frases que representam a opinião do cronista estão contidas apenas em:

(A) I e II.   (B) I e III.   (C) I e IV.   (D) I, II e III.   (E) II, III e IV.

Questão 02 - ... cheios de fel e de tédio...
Nesta passagem do sexto parágrafo, o cronista se utiliza figuradamente da palavra fel para significar

(A) rancor.   (B) eloquência.   (C) esperança.   (D) medo.   (E) saudade.

Questão 03 - Considerando que o último parágrafo do fragmento representa uma ironia do cronista, seu significado contextual é:

(A) Portugal vai muito bem, apesar de seus maus governantes.
(B) A alternância dos grupos no poder faz bem ao país.
(C) O país experimenta um progresso vertiginoso.
(D) O país vai mal em todos os sentidos.
(E) Portugal não se importa com seus políticos.

Questão 04 - Não há nenhum que não tenha sido demitido, ou obrigado a pedir a demissão, pelas acusações mais graves e pelas votações mais hostis...

Com esta frase, o cronista afirma que

(A) a atividade política está sempre sujeita a acusações descabidas.
(B) é altamente honroso, em certos casos, demitir-se para evitar males ao estado.
(C) a defesa de boas ideias frequentemente leva à renúncia.
(D) os políticos honestos sofrem acusações e perseguições dos desonestos.
(E) todos os políticos se equivalem pelos desvios da ética.

Questão 05 - Assinale a alternativa cuja frase contém um numeral cardinal empregado como substantivo.

(A) Há muitos anos que a política em Portugal apresenta...
(B) Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o Poder...
(C) ... os cinco que estão no Poder fazem tudo o que podem para continuar...
(D) ... são tirados deste grupo de doze ou quinze indivíduos...
(E) ... aos quatro cantos de uma sala...

Instrução: As questões de números 06 a 10 tomam por base um artigo de Don Tapscott (1947-).

O fim do marketing

A empresa vende ao consumidor — com a web não é mais assim

Com a internet se tornando onipresente, os Quatro Ps do marketing — produto, praça, preço e promoção — não funcionam mais. O paradigma era simples e unidirecional: as empresas vendem aos consumidores. Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem. A internet transforma todas essas atividades.
(...)
Os produtos agora são customizados em massa, envolvem serviços e são marcados pelo conhecimento e os gostos dos consumidores. Por meio de comunidades online, os consumidores hoje participam do desenvolvimento do produto. Produtos estão se tornando experiências. Estão mortas as velhas concepções industriais na definição e marketing de produtos.
(...)
Graças às vendas online e à nova dinâmica do mercado, os preços fixados pelo fornecedor estão sendo cada vez mais desafiados. Hoje questionamos até o conceito de “preço”, à medida que os consumidores ganham acesso a ferramentas que lhes permitem determinar quanto querem pagar. Os consumidores vão oferecer vários preços por um produto, dependendo de condições específicas. Compradores e vendedores trocam mais informações e o preço se torna fluido. Os mercados, e não as empresas, decidem sobre os preços de produtos e serviços.
(...)
A empresa moderna compete em dois mundos: um físico (a praça, ou marketplace) e um mundo digital de informação (o espaço mercadológico, ou marketspace). As empresas não devem preocupar-se com a criação de um web site vistoso, mas sim de uma grande comunidade online e com o capital de relacionamento. Corações, e não olhos, são o que conta.
Dentro de uma década, a maioria dos produtos será vendida no espaço mercadológico. Uma nova fronteira de comércio é a marketface — a interface entre o marketplace e o marketspace.
(...)
Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder. As comunidades online perturbam drasticamente esse modelo. Os consumidores com frequência têm acesso a informações sobre os produtos, e o poder passa para o lado deles. São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública” online.
Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.

(Don Tapscott. O fim do marketing. INFO, São Paulo, Editora Abril, janeiro 2011, p. 22.)

Questão 06 - A leitura atenta deste instigante artigo de Don Tapscott revela que o tema central de sua mensagem é:

(A) O advento do comércio via internet subverteu as teorias tradicionais de marketing.
(B) O comércio via internet confirma todas as teorias de publicidade e marketing vigentes.
(C) A aplicação dos princípios tradicionais de marketing se tornou vital para o sucesso do comércio online.
(D) O comércio realizado em lojas físicas é ainda preferível ao realizado online.
(E) A lei da oferta e da procura não influencia de nenhum modo o comércio via internet.

Questão 07 - Publicidade, promoção, relações públicas etc. exploram “mensagens” unidirecionais, de um-para-muitos e de tamanho único, dirigidas a consumidores sem rosto e sem poder.
Nesta passagem do quinto parágrafo, ao empregar a expressão consumidores sem rosto e sem poder, o autor sugere que:

(A) nas compras via internet, o consumidor é sempre anônimo.
(B) no sistema de marketing tradicional, pensa-se nos consumidores como massa, e não como indivíduos personalizados.
(C) a identidade e a opinião do consumidor não interessam a nenhum comerciante, mas apenas as vendas.
(D) o anonimato é o princípio fundamental de todo tipo de comércio.
(E) o poder do consumidor é proporcional ao dinheiro que possui.

Questão 08 - São eles que controlam as regras do mercado, não você. Eles escolhem o meio e a mensagem. Em vez de receber mensagens enviadas por profissionais de relações públicas, eles criam a “opinião pública” online.
Nesta passagem do penúltimo parágrafo do texto, o autor repete por três vezes o pronome eles, para referir-se enfaticamente aos

(A) proprietários de lojas.                      (B) veículos de comunicação.
(C) profissionais de relações públicas.  (D) consumidores online.         (E) fabricantes dos produtos.

Questão 09 - Nós criamos produtos; fixamos preços; definimos os locais onde vendê-los; e fazemos anúncios. Nós controlamos a mensagem.
Nas orações que compõem os dois períodos transcritos, os termos destacados exercem a função de

(A) sujeito.                          (B) objeto direto.                   (C) objeto indireto. 
(D) predicativo do sujeito.  (E) predicativo do objeto.
Questão 10 - Os marqueteiros estão perdendo o controle, e isso é muito bom.
O termo marqueteiro, presente nesta frase, foi formado em português por influência do inglês e tem como uma de suas acepções usuais:

(A) consumidor de mercado.
(B) construtor de marquises de lojas.
(C) investidor do mercado financeiro.
(D) profissional de marketing.
(E) empresário de supermercado.

Instrução: As questões de números 11 a 15 tomam por base um fragmento de uma elegia de Vinicius de Moraes (1913-1980).

Elegia na morte de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, poeta e cidadão

A morte chegou pelo interurbano em longas espirais metálicas.
Era de madrugada. Ouvi a voz de minha mãe, viúva.
De repente não tinha pai.
No escuro de minha casa em Los Angeles procurei recompor tua lembrança
Depois de tanta ausência. Fragmentos da infância
Boiaram do mar de minhas lágrimas. Vi-me eu menino
Correndo ao teu encontro. Na ilha noturna
Tinham-se apenas acendido os lampiões a gás, e a clarineta
De Augusto geralmente procrastinava a tarde.
Era belo esperar-te, cidadão. O bondinho
Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
Dizíamos: “Ê-vem meu pai!”. Quando a curva
Se acendia de luzes semoventes*, ah, corríamos
Corríamos ao teu encontro. A grande coisa era chegar antes
Mas ser marraio** em teus braços, sentir por último
Os doces espinhos da tua barba.
Trazias de então uma expressão indizível de fidelidade e paciência
Teu rosto tinha os sulcos fundamentais da doçura
De quem se deixou ser. Teus ombros possantes
Se curvavam como ao peso da enorme poesia
Que não realizaste. O barbante cortava teus dedos
Pesados de mil embrulhos: carne, pão, utensílios
Para o cotidiano (e frequentemente o binóculo
Que vivias comprando e com que te deixavas horas inteiras
Mirando o mar). Dize-me, meu pai
Que viste tantos anos através do teu óculo de alcance
Que nunca revelaste a ninguém?
Vencias o percurso entre a amendoeira e a casa como o atleta exausto no último lance da maratona.
Te grimpávamos. Eras penca de filho. Jamais
Uma palavra dura, um rosnar paterno. Entravas a casa
humilde
A um gesto do mar. A noite se fechava
Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
Muitas vezes te vi desejar. Desejavas. Deixavas-te olhando o mar
Com mirada de argonauta. Teus pequenos olhos feios
Buscavam ilhas, outras ilhas... — as imaculadas, inacessíveis
Ilhas do Tesouro. Querias. Querias um dia aportar
E trazer — depositar aos pés da amada as joias fulgurantes
Do teu amor. Sim, foste descobridor, e entre eles
Dos mais provectos***. Muitas vezes te vi, comandante
Comandar, batido de ventos, perdido na fosforência
De vastos e noturnos oceanos
Sem jamais.
Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste
A suprema pobreza: o dom da poesia, e a capacidade de amar
Em silêncio. Foste um pobre. Mendigavas nosso amor
Em silêncio. Foste um no lado esquerdo. Mas
Teu amor inventou. Financiaste uma lancha
Movida a água: foi reta para o fundo. Partiste um dia
Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
Doze luas voltaste. Tua primogênita — diz-se —
Não te reconheceu. Trazias grandes barbas e pequenas águas-marinhas.

(Vinicius de Moraes. Antologia poética. 11 ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1974, p. 180-181.)

(*) Semovente: “Que ou o que anda ou se move por si próprio.”
(**) Marraio: “No gude e noutros jogos, palavra que dá, a quem primeiro a grita, o direito de ser o último a jogar.”
(***) Provecto: “Que conhece muito um assunto ou uma ciência, experiente, versado, mestre.”
(Dicionário Eletrônico Houaiss)

Questão 11 - Compare o conteúdo das frases a seguir com o que o eu-poemático afirma no poema.

I. A notícia da morte do pai chegou por telefone.
II. O falecimento foi informado pela primogênita.
III. A morte do pai provocou reminiscências da infância.
IV. Apesar de não ter sido um bom pai, o filho perdoa e sente saudades.

As frases que correspondem ao que é efetivamente expresso no poema estão contidas apenas em

(A) I e II.   (B) I e III.   (C) I e IV.   (D) I, II e III.   (E) II, III e IV.

Questão 12 - O barbante cortava teus dedos / Pesados de mil embrulhos:

O emprego da expressão mil embrulhos no verso mencionado caracteriza-se como figura de linguagem denominada hipérbole, porque

(A) é uma imagem exagerada, mas expressiva, do fato referido no verso.
(B) “barbante” aparece personificado, com atitudes humanas.
(C) ocorre uma comparação entre um fato real e um fato fictício.
(D) o eu-poemático tenta precisar metonimicamente o que não é preciso.
(E) há uma relação de contiguidade semântica entre “dedos” e “embrulhos”.

Questão 13 - Marque a alternativa cujo verso contém um pleonasmo, ou seja, uma redundância de termos com bom efeito estilístico.

(A) De repente não tinha pai.
(B) Rangia nos trilhos a muitas praias de distância...
(C) Se curvavam como ao peso da enorme poesia
(D) Sobre o grupo familial como uma grande porta espessa.
(E) Deste-nos pobreza e amor. A mim me deste

Questão 14 - Quando a curva / Se acendia de luzes semoventes,
Esta imagem significa, nos versos em que surge,

(A) o mar ao longe refletia as luzes da cidade.
(B) o bonde se aproximava todo iluminado.
(C) a lua despontava no horizonte, trêmula e brilhante.
(D) as luzes dos postes se acendiam, ao anoitecer.
(E) a curvatura do céu todo estrelado aparecia à noite.

Questão 15 - Partiste um dia / Para um brasil além, garimpeiro sem medo e sem mácula.
O emprego da palavra brasil com inicial minúscula, no poema de Vinicius, tem a seguinte justificativa:

(A) O eu-poemático se serve da inicial minúscula para menosprezar o país.
(B) Empregar um nome próprio com inicial minúscula era comum entre os modernistas.
(C) O eu-poemático emprega “brasil” como metáfora de “paraíso”, onde crê estar a alma de seu pai.
(D) O emprego da inicial maiúscula em nomes de países é facultativo.
(E) Na acepção em que é empregada no texto, a palavra “brasil” é um substantivo comum.

Instrução: As questões de números 16 a 20 tomam por base fragmentos de um livro do búlgaro Tzvetan Todorov (1939-), linguista e teórico da literatura.

A literatura em perigo

A análise das obras feita na escola não deveria mais ter por objetivo ilustrar os conceitos recém-introduzidos por este ou aquele linguista, este ou aquele teórico da literatura, quando, então, os textos são apresentados como uma aplicação da língua e do discurso; sua tarefa deveria ser a de nos fazer ter acesso ao sentido dessas obras — pois postulamos que esse sentido, por sua vez, nos conduz a um conhecimento do humano, o qual importa a todos. Como já o disse, essa ideia não é estranha a uma boa parte do próprio mundo do ensino; mas é necessário passar das ideias à ação. Num relatório estabelecido pela Associação dos Professores de Letras, podemos ler: “O estudo de Letras implica o estudo do homem, sua relação consigo mesmo e com o mundo, e sua relação com os outros.” Mais exatamente, o estudo da obra remete a círculos concêntricos cada vez mais amplos: o dos outros escritos do mesmo autor, o da literatura nacional, o da literatura mundial; mas seu contexto final, o mais importante de todos, nos é efetivamente dado pela própria existência humana. Todas as grandes obras, qualquer que seja sua origem, demandam uma reflexão dessa dimensão.
O que devemos fazer para desdobrar o sentido de uma obra e revelar o pensamento do artista? Todos os “métodos” são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem fins em si mesmos. (...)
(...)
(...) Sendo o objeto da literatura a própria condição humana, aquele que a lê e a compreende se tornará não um especialista em análise literária, mas um conhecedor do ser humano. Que melhor introdução à compreensão das paixões e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios? E, de imediato: que melhor preparação pode haver para todas as profissões baseadas nas relações humanas? Se entendermos assim a literatura e orientarmos dessa maneira o seu ensino, que ajuda mais preciosa poderia encontrar o futuro estudante de direito ou de ciências políticas, o futuro assistente social ou psicoterapeuta, o historiador ou o sociólogo? Ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust não é tirar proveito de um ensino excepcional? E não se vê que mesmo um futuro médico, para exercer o seu ofício, teria mais a aprender com esses mesmos professores do que com os manuais preparatórios para concurso que hoje determinam o seu destino? Assim, os estudos literários encontrariam o seu lugar no coração das humanidades, ao lado da história dos eventos e das ideias, todas essas disciplinas fazendo progredir o pensamento e se alimentando tanto de obras quanto de doutrinas, tanto de ações políticas quanto de mutações sociais, tanto da vida dos povos quanto da de seus indivíduos.
Se aceitarmos essa finalidade para o ensino literário, o qual não serviria mais unicamente à reprodução dos professores de Letras, podemos facilmente chegar a um acordo sobre o espírito que o deve conduzir: é necessário incluir as obras no grande diálogo entre os homens, iniciado desde a noite dos tempos e do qual cada um de nós, por mais ínfimo que seja, ainda participa. “É nessa comunicação inesgotável, vitoriosa do espaço e do tempo, que se afirma o alcance universal da literatura”, escrevia Paul Bénichou. A nós, adultos, nos cabe transmitir às novas gerações essa herança frágil, essas palavras que ajudam a viver melhor.

(Tzvetan Todorov. A literatura em perigo. 2 ed. Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009, p. 89-94.)

Questão 16 - Observe as seguintes opiniões referentes ao ensino de literatura.
I. O estudo de obras literárias na escola tem como objetivo fundamental ensinar os fundamentos da Linguística.
II. A análise das obras feita na escola deve levar o estudante a ter acesso ao sentido dessas obras.
III. O objetivo do ensino da literatura na escola não é formar teóricos da literatura.
IV. De nada adianta a leitura das obras literárias sem a prévia fundamentação das teorias literárias.

Das quatro opiniões, as que se enquadram na argumentação manifestada por Todorov em seu texto estão contidas apenas em:

(A) I e II.   (B) I e III.   (C) II e III.   (D) I, II e III.   (E) II, III e IV.

Questão 17 - Ter como professores Shakespeare e Sófocles, Dostoievski e Proust não é tirar proveito de um ensino excepcional?
Esta questão levantada por Todorov, no contexto do terceiro parágrafo, significa:

(A) O conhecimento enciclopédico desses autores, manifestado em suas obras, equivale a um verdadeiro curso universitário.
(B) Por se tratar de autores de nacionalidades e épocas diferentes, a leitura de suas obras traz conhecimentos importantes sobre seus respectivos países.
(C) Esses autores escreveram com a intenção fundamental de passar ensinamentos para seus contemporâneos e a posteridade.
(D) A leitura das obras desses autores, que focalizam admiravelmente o homem e o humano, seria de excepcional utilidade para os estudantes de relações humanas.
(E) A leitura desses autores não acrescenta nada de excepcional ao ensino.

Questão 18 - Que melhor introdução à compreensão das paixões e dos comportamentos humanos do que uma imersão na obra dos grandes escritores que se dedicam a essa tarefa há milênios?
Com base no fato de que a palavra “imersão”, usada na expressão uma imersão na obra, caracteriza uma metáfora, indique a alternativa que elimina essa metáfora sem perda relevante de sentido:

(A) uma imitação da obra.  (B) uma paráfrase da obra.
(C) uma censura da obra.    (D) uma transformação da obra.   (E) uma leitura da obra.

Questão 19 - No segundo parágrafo do fragmento apresentado, Todorov afirma que Todos os “métodos” são bons, desde que continuem a ser meios, em vez de se tornarem fins em si mesmos.
O autor defende, com essa afirmação, o argumento segundo o qual o verdadeiro valor de um método de análise literária

(A) consiste em ser exato e perfeito, superior a todos os demais.
(B) está em ser completo: quando terminar a análise, nada mais deve restar a explicar.
(C) consiste em servir de instrumento adequado à análise e interpretação da obra.
(D) reside no fato de que, depois de aplicado, deve ser substituído por outro melhor.
(E) é mostrar mais suas próprias virtudes que as da obra focalizada
.
Questão 20 - Considerando que o pronome o, usado na sequência que o deve conduzir, tem valor anafórico, isto é, faz referência a um termo já enunciado no último parágrafo, identifique esse termo.

(A) Ensino literário. (B) Professores de Letras. (C) Acordo. (D) Espírito. (E) Grande diálogo.

GABARITO

1 – C      2 – A    3 – D    4 – E    5 – C    6 – A   7 – B     8 – D    9 – B  10 – D  
11 – B  12 – A  13 – E  14 – B  15 – E  16 – C  17 – D  18 – E  19 – C   20 – A

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