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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2013 - 2º semestre

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2013 - 2º semestre

PORTUGUÊS

Leia atentamente o texto abaixo e responda a seguir:

Homem no Mar - Rubem Braga

            De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar. Não há ninguém na praia, que resplende ao sol. O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde.
            Mas percebo um movimento em um ponto do mar; é um homem nadando. Ele nada a uma certa distância da praia, em braçadas pausadas e fortes; nada a favor das águas e do vento, e as pequenas espumas que nascem e somem parecem ir mais depressa do que ele. Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz, e o homem tem sua carne, seus ossos, seu coração, todo seu corpo a transportar na água.
            Ele usa os músculos com uma calma energia; avança. Certamente não suspeita de que um desconhecido o vê e o admira porque ele está nadando na praia deserta. Não sei de onde vem essa admiração, mas encontro nesse homem uma nobreza calma, sinto-me solidário com ele, acompanho o seu esforço solitário como se ele estivesse cumprindo uma bela missão. Já nadou em minha presença uns trezentos metros; antes, não sei; duas vezes o perdi de vista, quando ele passou atrás das árvores, mas esperei com toda confiança que reaparecesse sua cabeça, e o movimento alternado de seus braços. Mais uns cinquenta metros, e o perderei de vista, pois um telhado a esconderá. Que ele nade bem esses cinquenta ou sessenta metros; isto me parece importante; é
preciso que conserve a mesma batida de sua braçada, e que eu o veja desaparecer assim como o vi aparecer, no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno. Será perfeito; a imagem desse homem me faz bem.
            É apenas a imagem de um homem, e eu não poderia saber sua idade, nem sua cor, nem os traços de sua cara. Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo. Que ele atinja o telhado vermelho, e então eu poderei sair da varanda tranquilo, pensando — "vi um homem sozinho, nadando no mar; quando o vi ele já estava nadando; acompanhei-o com atenção durante todo o tempo, e testemunho que ele nadou sempre com firmeza e correção; esperei que ele atingisse um telhado vermelho, e ele o atingiu".
            Agora não sou mais responsável por ele; cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu. Admiro-o. Não consigo saber em que reside, para mim, a grandeza de sua tarefa; ele não estava fazendo nenhum gesto a favor de alguém, nem construindo algo de útil; mas certamente fazia uma coisa bela, e a fazia de um modo puro e viril.
            Não desço para ir esperá-lo na praia e lhe apertar a mão; mas dou meu silencioso apoio, minha atenção e minha estima a esse desconhecido, a esse nobre animal, a esse homem, a esse correto irmão.

1ª Questão. O narrador se diz responsável pelo nadador, segundo o contexto, porque:

(A) acredita que o sucesso da arriscada tentativa de cruzar o mar a nado represente a promessa de um futuro mais harmonioso e fraterno.
(B) o nadador poderia se afogar e o narrador queria evitar um desfecho trágico para aquele dia.
(C) no Rio de Janeiro, faz-se necessária uma teia de solidariedade para combater a violência cotidiana.
(D) torna-se cúmplice da ação desenvolvida pelo nadador, a quem ele acompanha atentamente.
(E) quer se eximir da sua responsabilidade histórica.

2ª Questão. Em “O vento é nordeste, e vai tangendo, aqui e ali, no belo azul das águas, pequenas espumas que marcham alguns segundos e morrem, como bichos alegres e humildes; perto da terra a onda é verde”, há:

(A) a tentativa de apreender de modo literal a natureza na sua força física.
(B) a busca de compor um olhar metafórico da natureza física, cujas qualidades são reconhecidas nos seres animados.
(C) a personificação do vento e das espumas em função dos animais presentes é um modo de reafirmar o poder da natureza.
(D) a ação de marchar, atribuída às espumas, confere um caráter impessoal à paisagem vista pelo narrador.
(E) o reconhecimento de que a humildade é algo inerente à natureza física e aos seres humanos.

3ª Questão. Em “É apenas a imagem de um homem” , a ocorrência de um artigo definido e de um artigo indefinido se justifica, porque:

(A) a “imagem” é desprovida de especificidade e de importância, assim como o “homem”.
(B) há necessidade de variar os artigos quando ocorrem em um mesmo período.
(C) o “homem” poderia ser qualquer um, já que ele não vale por si mesmo, mas pelo que representa para o observador por intermédio daquela “imagem” específica.
(D) o “homem” poderia ser somente aquele, um nadador específico e determinado, assim como a “imagem”, que adquire importância maior.
(E) a “imagem” poderia ser qualquer uma, já que não vale por si mesma, mas pelo que o “homem” é no contexto em que se apresenta.

4ª Questão. O primeiro parágrafo é predominantemente:

(A) descritivo   (B) narrativo (C) dissertativo (D) dissertativo-argumentativo (E) reflexivo

5ª Questão. O texto acima deve ser lido como:

(A) conto, porque apresenta todos os elementos narrativos que lhe são próprios.
(B) crônica, pois trata de uma cena de cotidiano de modo literário.
(C) fragmento de romance, dada a sua evidente falta de sentido.
(D) literatura de cordel, porque conta histórias populares.
(E) artigo de opinião, o que se evidencia pelo claro posicionamento do escritor com relação a um fato cotidiano.

6ª Questão. A admiração do narrador pelo homem que vê nadar, segundo o contexto, dá-se porque:

(A) o praticante de nado é popular e desfruta de reconhecimento social.
(B) o homem cumpria a missão a que se tinha proposto com pureza e virilidade.
(C) o nadador, em toda a sua virilidade, conquista admiração dos escritores, figuras sabidamente desprovidas de virilidade.
(D) nadar é um esporte desafiador e quem o pratica é digno de admiração.
(E) o homem se exibia em força e músculos para todos os que o quisessem ver.

7ª Questão. Ao final do texto, há:

(A) o inesperado sentimento de fraternidade, que deriva da identificação espontânea do observador com relação ao nadador.
(B) o intenso sentimento de hostilidade experimentando pelo observador em relação ao nadador.
(C) o sentimento de competitividade com relação ao nadador, sentimento que o observador procura reprimir em vão.
(D) a repressão do amor que emerge subitamente entre o observador e o nadador.
(E) a profunda inveja que o observador sente do nadador.

8ª Questão. É correto afirmar sobre os termos em destaque em “no mesmo rumo, no mesmo ritmo, forte, lento, sereno”:

(A) são substantivos que acrescentam informações à oração.
(B) são três advérbios, que modificam o sentido de “rumo”.
(C) ligam-se a “rumo”, qualificando-o com três atributos diferentes.
(D) os três adjetivos modificam o substantivo “ritmo”.
(E) constituem uma explicação do advérbio “no mesmo ritmo”.

9ª Questão. Refletindo no uso do verbo “nadar” e no contexto em que acontece em “Já nadou em minha presença uns trezentos metros”, percebe-se que se trata de um verbo:

(A) intransitivo        (B) transitivo direto (C) transitivo direto e indireto
(D) verbo de estado (E) verbo de ligação

10ª Questão. A introdução do segundo parágrafo pelo elemento coesivo “Mas” adverte o leitor de que algo significativo na narrativa irá mudar, dado que ele estabelece uma relação de:

(A) causalidade (B) concessão (C) explicação (D) oposição (E) condição


11ª Questão. Os dois pontos de “Justo: espumas são leves, não são feitas de nada, toda sua substância é água e vento e luz” significam o mesmo que:

(A) mas (B) por isso (C) porque (D) apesar de que (E) ainda assim

12ª Questão. O pronome pessoal do caso oblíquo de “sinto-me solidário com ele” é exemplo de voz:

(A) passiva (B) ativa (C) passiva sintética (D) ativa analítica (E) reflexiva

13ª Questão. Em “cumpri o meu dever, e ele cumpriu o seu”, verifica-se a ocorrência de dois sujeitos, sintaticamente classificados como:

(A) indeterminado e simples
(B) simples e simples
(C) oculto e indeterminado
(D) oculto e elíptico
(E) oculto e simples

14ª Questão. Há duas ocorrências do verbo “estar” em “Estou solidário com ele, e espero que ele esteja comigo”. Na primeira, o verbo está no presente do indicativo; na segunda, o verbo está no presente de subjuntivo. A mudança do modo verbal se faz necessária, porque:

(A) o modo indicativo coloca em dúvida o estado em que se encontra o narrador diante do fato enunciado, enquanto o subjuntivo indica assertivamente a atitude do nadador em relação ao fato enunciado.
(B) os verbos se relacionam a sujeitos diferentes e, por isso, devem aparecer no contexto de modos distintos.
(C) “estou” e “esteja”, apesar de estarem em modos diferentes, expressam as mesmas atitudes dos sujeitos em relação aos fatos enunciados.
(D) “estou” indica assertivamente a atitude do sujeito em relação ao fato enunciado, enquanto “esteja” indica dúvidas com relação à atitude do nadador em relação ao fato enunciado.
(E) o modo indicativo, usado para expressar ordens, afirma imperativamente o estado em que se encontra o sujeito diante do fato enunciado, enquanto “esteja” evidencia
dúvidas com relação à atitude do nadador.

15ª Questão. O que garante a especificidade literária do texto é:

(A) a caracterização do personagem.
(B) a linguagem coloquial.
(C) o trabalho da linguagem com preocupação artística.
(D) os traços autobiográficos que permeiam a narrativa.
(E) a lição de moral que o leitor pode depreender dele.

16ª Questão. No texto, verifica-se a presença de:

(A) narrador onisciente            (B) narrador testemunha
(C) protagonista e antagonista (D) eu-lírico                     (E) eu-poemático

17ª Questão. Pelas características do texto, é possível afirmar que Rubem Braga é contemporâneo a:

(A) Machado de Assis (B) José de Alencar
(C) Gil Vicente            (D) Arnaldo Jabor  (E) Érico Veríssimo

18ª Questão. O texto está narrado em:

(A) primeira pessoa do singular. (B) terceira pessoa do singular.
(C) segunda pessoa do discurso. (D) primeira pessoa do plural.  (E) terceira pessoa do plural.

19ª Questão. Em “De minha varanda vejo, entre árvores e telhados, o mar”, há:

(A) um período composto por coordenação.
(B) um período composto por subordinação.
(C) um período simples.
(D) um período composto por coordenação e subordinação.
(E) um período simples e um período composto por coordenação.

20ª Questão. O termo destacado em “Não há ninguém na praia, que resplende ao sol” poderia ser substituído sem perda de sentido por:

(A) responde (B) refrata (C) inebria-se (D) esquenta (E) brilha


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