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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2015 - 1º semestre

Prova de Língua Portuguesa – FEI – 2015 - 1º semestre

PORTUGUÊS

Leia atentamente o texto “O verbo for”, de João Ubaldo Ribeiro, e responda a seguir:

            Vestibular de verdade era no meu tempo. Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo; meu e dos outros coroas. Acho inadmissível e mesmo chocante (no sentido antigo) um coroa não ser reacionário. Somos uma força histórica de grande valor. Se não agíssemos com o vigor necessário — evidentemente o condizente com a nossa condição provecta —, tudo sairia fora de controle, mais do que já está. O vestibular, é claro, jamais voltará ao que era outrora e talvez até desapareça, mas julgo necessário falar do antigo às novas gerações e lembrálo
às minhas coevas (ao dicionário outra vez; domingo, dia de exercício).
            O vestibular de Direito a que me submeti, na velha Faculdade de Direito da Bahia, tinha só quatro matérias: português, latim, francês ou inglês e sociologia, sendo que esta não constava dos currículos do curso secundário e a gente tinha que se virar por fora. Nada de cruzinhas, múltipla escolha ou matérias que não interessassem diretamente à carreira. Tudo escrito tão ruybarbosianamente quanto possível, com citações decoradas, preferivelmente. Os textos em latim eram As Catilinárias ou a Eneida, dos quais até hoje sei o comecinho.
            Havia provas escritas e orais. A escrita já dava nervosismo, da oral muitos nunca se recuperaram inteiramente, pela vida afora. Tirava-se o ponto (sorteava-se o assunto) e partia-se para o martírio, insuperável por qualquer esporte radical desta juventude de hoje. A oral de latim era particularmente espetacular, porque se juntava uma multidão, para assistir à performance do saudoso mestre de Direito Romano Evandro Baltazar de Silveira. Franzino, sempre de colete e olhar vulpino (dicionário, dicionário), o mestre não perdoava. (...)
            Quis o irônico destino, uns anos mais tarde, que eu fosse professor da Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia e me designassem para a banca de português, com prova oral e tudo. Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim. Uma bela vez, chegou um sem o menor sinal de nervosismo, muito elegante, paletó, gravata e abotoaduras vistosas. A prova oral era bestíssima. Mandava-se o candidato ler umas dez linhas em voz alta (sim, porque alguns não sabiam ler) e depois se perguntava o que queria dizer uma palavra trivial ou outra, qual era o plural de outra e assim por diante. Esse mal sabia ler, mas não perdia a pose. Não acertou a responder nada. Então, eu, carrasco fictício, peguei no texto uma frase em que a palavra "for" tanto podia ser do verbo "ser" quanto do verbo "ir".
            Pronto, pensei. Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser.
            — Esse "for" aí, que verbo é esse?
            Ele considerou a frase longamente, como se eu estivesse pedindo que resolvesse a quadratura do círculo, depois ajeitou as abotoaduras e me encarou sorridente.
            — Verbo for.
            — Verbo o quê?
            — Verbo for.
            — Conjugue aí o presente do indicativo desse verbo.
            — Eu fonho, tu fões, ele fõe – recitou ele, impávido. — Nós fomos, vós fondes, eles fõem. (...)

1ª Questão. Pode-se depreender de “Se ele distinguir qual é o verbo, considero-o um gênio, dou quatro, ele passa e seja o que Deus quiser” (fim do 4º parágrafo do texto):

(A) nada pode deter o desejo de uma pessoa que se dedica a conquistar seus objetivos.
(B) conhecer bem a flexão dos verbos faz com que um aluno supere todas as suas dificuldades.
(C) o candidato, por sua postura destemida, conseguiria superar os obstáculos impostos pela vida.
(D) ao distinguir o verbo, o candidato evidenciaria seu profundo conhecimento da língua.
(E) o narrador não assegura ao ensino formal a total responsabilidade pela aprendizagem da língua pelos alunos.

2ª Questão. O comentário sobre o “irônico destino” (início do 4º parágrafo do texto) sugere que:

(A) a experiência do aluno que se torna professor é irônica, porque ele não dominava adequadamente o idioma.
(B) sua experiência completamente frustrante como aluno levou-o a almejar a atividade docente.
(C) sua experiência bem-sucedida como aluno levou-o a conquistar o seu lugar natural de professor.
(D) o destino confirmou as expectativas do aluno, levando-o à atividade docente.
(E) o destino contradisse as expectativas do aluno, que não se imaginava exercendo a atividade docente.

3ª Questão. O trecho “Eu tinha fama de professor carrasco, que até hoje considero injustíssima, e ficava muito incomodado com aqueles rapazes e moças pálidos e trêmulos diante de mim” (4º parágrafo do texto) pressupõe uma visão da educação segundo a qual:

(A) é preciso retomar práticas educacionais que ameacem os estudantes, a fim de que eles estudem bastante e dediquem-se a aprender os conteúdos fundamentais.
(B) a aprendizagem deve estar baseada em relações de respeito entre professor e alunos e não ser pautada pelo medo.
(C) cabe ao professor intimidar seus alunos, a fim de que eles rendam o necessário.
(D) o medo sentido pelos alunos demonstra que eles têm pouco comprometimento com os estudos.
(E) a aprendizagem deve ser construtivista.

4ª Questão. O aluno submetido à prova oral no episódio narrado no texto é retratado como:

(A) prepotente, mas consciente das suas limitações no que diz respeito à língua portuguesa.
(B) inseguro, mas inconsciente de sua falta de conhecimentos linguísticos.
(C) destemido e completamente inconsciente da sua falta de conhecimento da língua portuguesa.
(D) atrevido, porque consciente de suas competências linguísticas.
(E) humilde e consciente da necessidade de desenvolver suas competências linguísticas.

5ª Questão. As explicações realizadas entre parênteses ao longo do texto expressam:

(A) a impossibilidade de se realizar uma comunicação eficiente por meio da comunicação escrita.
(B) um diálogo fictício entre leitor e autor.
(C) a consciência do escritor sobre a erudição do seu leitor.
(D) a perda da autonomia do leitor diante da linguagem formal.
(E) a projeção de um leitor desinteressado.

6ª Questão. Considerando o contexto, os termos arcaicos contribuem para:

(A) menosprezar as particularidades da cultura escolar em que o escritor se formou.
(B) ressaltar as diferenças entre a cultura escolar em que o escritor se formou e a das novas gerações.
(C) afirmar a necessidade de renovar permanentemente a língua em função das novas tecnologias.
(D) obrigar o leitor a reconhecer a sua ignorância com relação à língua.
(E) evidenciar o profundo conhecimento linguístico do autor.

7ª Questão. Um olhar atento para a linguagem empregada pelo autor permite afirmar que o texto:

(A) dirige-se a um público erudito que reconheça os exercícios intertextuais.
(B) é representativa da escrita do século XIX.
(C) contempla leitores de diversos níveis culturais que se interessem pelas questões do seu tempo.
(D) requer leitores que tenham um repertório formado fundamentalmente pelas obras clássicas.
(E) pressupõe um leitor reflexivo e que conheça a linguagem das novas tecnologias.

8ª Questão. Segundo o texto, o conflito entre gerações é:

(A) importante, porque a tensão entre a tradição e a modernidade impede que certos valores sejam esquecidos.
(B) irrelevante, porque os valores permanecem a despeito das mudanças sociais.
(C) importante, para que os jovens tenham medo dos mais velhos.
(D) irrelevante, porque a modernidade inevitavelmente destrói a tradição.
(E) um diálogo equilibrado entre tradição e modernidade.

9ª Questão. João Ubaldo Ribeiro é contemporâneo de:

(A) Machado de Assis  (B) Clarice Lispector
(C) Graciliano Ramos   (D) Monteiro Lobato  (E) Ariano Suassuna

10ª Questão. As marcas estilísticas e temáticas evidenciam que o texto é:

(A) crônica (B) conto (C) romance (D) poema (E) reportagem


11ª Questão. “O verbo for” traz uma das características marcantes da obra de João Ubaldo Ribeiro, a saber:

(A) abuso de figuras de linguagem (B) lirismo
(C) sentimentalismo                        (D) humor            (E) pessimismo

12ª Questão. Do ponto de vista estético, é possível afirmar que:

(A) trata-se de um texto da primeira fase do modernismo.
(B) trata-se de um texto clássico.
(C) trata-se de um texto com características barrocas.
(D) trata-se de um texto contemporâneo.
(E) trata-se de um texto vanguardista.

13ª Questão. Independente da identificação do infinitivo do verbo, a forma “for” está flexionada no:

(A) presente do indicativo
(B) pretérito imperfeito do subjuntivo
(C) futuro do subjuntivo
(D) futuro do indicativo
(E) pretérito perfeito do indicativo

14ª Questão. Em “muitos nunca se recuperaram inteiramente”, o termo em destaque é:

(A) pronome possessivo
(B) índice de indeterminação do sujeito
(C) pronome apassivador
(D) pronome reflexivo
(E) pronome pessoal do caso reto

15ª Questão. O termo “ruybarbosianamente”:

(A) é um adjetivo, que modifica o sujeito “tudo”.
(B) construído a partir do nome de Ruy Barbosa, é um neologismo que modifica “escrito”.
(C) é exemplo de neologismo, formado a partir da derivação por prefixação e sufixação.
(D) vem usado para intensificar a ação de “escrever”.
(E) vem usado para indicar que os vestibulares contradiziam a escrita praticada por Ruy Barbosa.

16ª Questão. O vocábulo destacado em “evidentemente o condizente com a nossa condição provecta” pode ser substituído, sem prejuízo de sentido para o contexto, por:

(A) avançada em anos (B) contemporânea (C) instável (D) permanente (E) atrasada em anos

17ª Questão. O termo em destaque de “Os textos em latim” (final do 2º parágrafo do texto) funciona como:

(A) núcleo do sujeito            (B) adjunto adverbial
(C) complemento nominal    (D) complemento verbal    (E) adjunto adnominal

18ª Questão. O uso do futuro do pretérito em “sairia” deve-se:

(A) à construção de uma ação anterior condicional, introduzida pela conjunção “se”.
(B) à construção de uma ação anterior afirmativa, apresentada pelo modo imperativo.
(C) à necessidade de fazer a correlação verbal entre o verbo “sair” e o seu complemento.
(D) à ação histórica que se desenvolverá no futuro próximo.
(E) ao que se espera da ação realizada no passado com impactos no presente.

19ª Questão. Respeitando o contexto em que ocorre, a grafia do verbo em “Havia provas escritas e orais”:

(A) contraria o uso da norma culta do idioma, porque o verbo deveria estar no plural para indicar o sujeito composto.
(B) está correta, porque o verbo se flexiona de acordo com o sujeito “provas escritas e orais”.
(C) está correta, porque se trata de um verbo impessoal.
(D) está correta, porque o verbo “haver” segue a flexão dos verbos regulares.
(E) está incorreta do ponto de vista gramatical e correta do ponto de vista dos usos da linguagem.

20ª Questão. Em “Quando ele for prestar vestibular, deverá estudar latim”, a forma infinitiva do verbo em destaque, considerando o contexto, é:

(A) ser (B) for (C) é (D) ir (E) vamos



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