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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE SEGURANÇA – METRÔ SP – 2010 – PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

CONCURSO PÚBLICO – CARGO: AGENTE DE SEGURANÇA – METRÔ SP - 2010



PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA

Atenção: As questões de números 01 a 09 baseiam-se no texto abaixo.

A origem dos vitrais é objeto de controvérsias. Talvez eles tenham nascido no Oriente, mas se desenvolveram grandemente na Europa. Suas formas, temas e funções transformaram-se com o apuro das técnicas de fabricação de vidros, com o desenvolvimento da arquitetura, de tendências artísticas, do gosto, enfim, da cultura e das sociedades. Manter-se-ia, porém, a relação estabelecida no século XII, quando as pinturas sobre vidro, juntamente com os afrescos e as miniaturas, constituíam as principais técnicas de pintura utilizadas pelo homem.
Nos vitrais, a pintura complementa o colorido dos vidros, serve para a criação de sombras e tonalidades, para o aprimoramento das formas, para a modulação da luz. A arte do vitral desenvolveu-se enormemente durante o período medieval, momento em que, com a afirmação do gótico como expressão da arquitetura, as composições de vidros coloridos passaram a vedar grandes superfícies das igrejas e, além das funções decorativas, ganharam funções pedagógicas, ensinando aos fiéis, por meio de imagens, a vida de Cristo, dos Santos e passagens da Bíblia.
Entre os séculos XIV e XVI, os vitrais passaram a ser utilizados como formas de iluminação dos ambientes e a pintura dos vidros adotou a perspectiva, o que tornava os vitrais semelhantes aos quadros. Sua utilização ampliou-se dos espaços públicos, em especial das igrejas, para os ambientes privados, como palácios e sedes de corporações. As representações neles contidas se estenderam, então, para a heráldica, para as epopeias, para as caçadas e para a mitologia.
No Estado de São Paulo, a utilização de vidros coloridos e pintados, montados em perfis de chumbo para decoração e iluminação de ambientes, correspondeu à fase moderna do desenvolvimento da arte de produzir vitrais. Na capital, ampliou-se a partir da virada do século passado, com a expansão de novos bairros, a monumentalização dos edifícios públicos e o requinte arquitetônico das residências.
Até hoje vitrais de edifícios públicos paulistanos, como os do Palácio da Justiça e do Mercado Municipal, causam admiração pela proporção, beleza e integração com o projeto arquitetônico. Representando temas históricos ou referentes às funções públicas dos edifícios, as imagens formam um conjunto das representações que, a partir do fim do século anterior, criaram e reafirmaram um perfil de São Paulo diante do Brasil. Sob esse ponto de vista, os vitrais, além de peças de arte, constituem importantes documentos históricos. Eles nos falam do forjar de ideias que se tornaram referência e moldam nossa relação com o passado e com o presente, justificando papeis e responsabilidades sociais. Produtos materiais de cultura, parte de nosso patrimônio histórico e objetos de fruição de beleza, os vitrais expressam por meio do poder das imagens a tradição, a excelência econômica e cultural de São Paulo, o trabalho, a determinação e o progresso.

(Marly Rodrigues. Leitura. Publicação cultural da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, ano 18, número 1, janeiro de 2000, pp. 32-34, com adaptações)

1. O texto deixa claro que

(A) se torna impossível considerar os vitrais como obras de arte por faltar a eles a originalidade no tratamento dos temas.
(B) se identifica semelhança entre os temas representados de início nos vitrais das igrejas e o emprego desses mesmos temas em residências.
(C) existe relação bastante próxima entre a confecção e o uso de vitrais, desde o início, e o desenvolvimento da arquitetura.
(D) é difícil estabelecer a importância dos vitrais em séculos passados, porque não se sabe onde eles surgiram primeiramente.
(E) poderia ser contraditório manter-se ainda hoje um trabalho feito por artesãos, deixando-se de lado o atual desenvolvimento das indústrias.

2. Segundo o texto, os vitrais

(A) perderam seu objetivo pedagógico quando passaram a decorar as mansões de poderosos industriais paulistas.
(B) se associam, no seu início, ao espírito religioso, tanto na construção de igrejas, como no ensinamento da doutrina cristã.
(C) demonstram intenção primordial de indicar o prestígio social dos moradores de alguns edifícios mais amplos e espaçosos.
(D) lembram a divulgação na Europa, antes do século XII, dos princípios religiosos que marcaram o cristianismo.
(E) constituíram as primeiras formas de pintura utilizadas pelo homem, bem anteriores à época medieval.

3. A afirmativa correta, de acordo com o texto, é:

(A) Os vitrais, antes recursos de vedação de igrejas, passaram a ser usados em prédios públicos, tendo havido, portanto, mudança nos temas neles representados.
(B) A mudança de temas dos vitrais, que levou ao abandono dos assuntos religiosos, reduziu a importância antes atribuída pelos poderosos a essa arte.
(C) O emprego de vitrais na vedação de grandes espaços nas construções, como se fazia antigamente, tornou-se desnecessário com o desenvolvimento da arquitetura.
(D) Os jogos de luz e sombra associados às cores dos vitrais só passaram a ser valorizados após a utilização da perspectiva nos desenhos apresentados.
(E) A arte moderna deixou de lado a confecção de vitrais, principalmente em São Paulo, devido ao desinteresse por um tipo de artesanato já ultrapassado.

4. Nos 2o, 3o e 4o parágrafos, a autora

(A) condena, indiretamente, a alteração dos temas apresentados nos vitrais.
(B) apresenta informações históricas sobre o início da difusão do cristianismo.
(C) traz informações sobre a arte de confecção dos vitrais e seu papel histórico.
(D) valoriza especialmente os elementos religiosos representados nos vitrais.
(E) acrescenta novas opiniões a respeito da antiga presença de vitrais em igrejas.

5. No último parágrafo do texto há referência explícita

(A) às imagens trazidas da Europa reaproveitadas nos edifícios de São Paulo, como patrimônio histórico.
(B) ao abandono atual da arte de confecção de vitrais, devido à industrialização de São Paulo.
(C) ao desprestígio que cerca atualmente os motivos dos antigos vitrais das igrejas paulistanas.
(D) à representação de cenas que destacam a importância de São Paulo no território nacional.
(E) à manutenção do espírito religioso medieval nos temas dos vitrais dos edifícios paulistanos.


6. A expressão cujo sentido está transcrito com outras palavras, sem alteração do sentido original, é:

(A) é objeto de controvérsias = suscita opiniões divergentes.
(B) com o apuro das técnicas de fabricação de vidros = quando o vidro passou a ser fabricado.
(C) passaram a vedar grandes superfícies das igrejas = tornaram-se elementos de decoração religiosa.
(D) com a expansão de novos bairros = a partir do aumento da população.
(E) o requinte arquitetônico das residências = a preocupação com a construção de casas.

7. Produtos materiais de cultura, parte de nosso patrimônio histórico e objetos de fruição de beleza ... (final do texto)

A expressão grifada acima

(A) realça o poder econômico traduzido nos vitrais.
(B) salienta o valor artístico expresso pelos vitrais.
(C) opõe a intenção artística dos vitrais ao objetivo pedagógico.
(D) indica a importância histórica dos vitrais.
(E) retoma informações sobre a origem dos vitrais.

8. ... quando as pinturas sobre vidro, juntamente com os afrescos e as miniaturas, constituíam as principais técnicas de pintura utilizadas pelo homem. (1o parágrafo)

O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo em que se encontra o grifado acima está na frase:

(A) Talvez eles tenham nascido no Oriente ...
(B) Suas formas, temas e funções transformaram-se com o apuro das técnicas de fabricação de vidros ...
(C) ... a pintura complementa o colorido dos vidros ...
(D) ... o que tornava os vitrais semelhantes aos quadros.
(E) Na capital, ampliou-se a partir da virada do século passado ...

9. O verbo entre parênteses no final de cada frase deverá ser corretamente flexionado no singular para preencher a lacuna da frase:

(A) Artistas italianos, já desde o final do século XIX, ......à fabricação de vitrais em São Paulo. (dedicar-se)
(B) Os magníficos vitrais do Mercado Municipal ...... a força do trabalho e o progresso de São Paulo. (atestar)
(C) A história dos vitrais em São Paulo se ...... grandemente com o desenvolvimento econômico da cidade. (relacionar)
(D) Extraviou-se grande parte do registro das atividades dos profissionais que ...... para embelezar a cidade. (trabalhar)
(E) O material e o acervo do século XX em São Paulo se ...... em grande parte devido à onda de demolições. (perder)

Atenção: As questões de números 10 a 15 baseiam-se no texto abaixo.

Cada vez que se conhece um novo estudo sobre o transporte na Região Metropolitana de São Paulo cresce a perplexidade. E não foi diferente com o mais recente estudo, que abrangeu 59 municípios e consultou 90 mil pessoas. Vê-se
ali que o tempo consumido pelos deslocamentos cresce a cada investigação (está, na média, em 70 minutos por pessoa, 10 minutos mais do que há uma década). O deslocamento mais frequente é a pé, mais do que em ônibus e em trens. Trabalho e
educação são as maiores causas de deslocamentos.
A perplexidade aumenta diante dos custos crescentes e da ausência de alternativas nas políticas públicas. O estudo de Marcos Fernandes, da Fundação Getúlio Vargas, mostra que, com o número de horas consumido nos deslocamentos, as
pessoas poderão desperdiçar milhões de reais em um tempo determinado. E cada vez mais pessoas deslocam-se em automóveis em 1997 eram principalmente as que ganhavam mais de R$ 3.040 e, 10 anos depois, passaram a abranger as que ganham a partir de R$ 1.520 , mas com o tempo de percurso cada vez maior, porque nesse período a frota de carros particulares passou de 3,09 milhões para 3,60 milhões. Nesse espaço de tempo a população da área aumentou de 16,79 milhões para 19,53 milhões. Os veículos coletivos respondem por 55% do transporte e os automóveis, por 30%.
O especialista Nelson Choueri calculou, há alguns anos, que, com o tempo consumido nos deslocamentos em São Paulo, perdem-se 165 vidas úteis por dia (em horas de trabalho) ou cerca de 50 mil por ano, que valem (pelo salário médio) R$ 14,4 bilhões anuais. Se esse valor pudesse ser convertido em investimentos, eles seriam suficientes para, em duas décadas, implantar o metrô em toda a cidade.
E não é só. As pessoas consomem 20% de seu tempo "útil" no transporte. O rendimento energético de um veículo individual não passa de 30% o restante se perde como calor. O deslocamento de uma pessoa por automóvel consome 26 vezes mais energia que o mesmo percurso em metrô. E esse não é o único desperdício: 93% das cargas no Estado de São Paulo são transportadas por caminhões quando o transporte ferroviário, cada vez mais sucateado, é algumas vezes mais barato que, em média, têm 20 anos de uso, sem inspeção veicular, e são conduzidos por motoristas que trabalham de 20 a 30 horas seguidas.
Por essas e outras, a Associação Nacional de Transportes Públicos tem clamado que na cidade de São Paulo o transporte já ocupa mais de 50% do espaço total, somando ruas, avenidas, praças, garagens e estacionamentos. O que
deveria ser meio passa a ser fim em si mesmo.

(Washington Novaes. O Estado de S. Paulo, A2 Espaço Aberto, 10 de abril de 2009, com adaptações)

10. O que deveria ser meio passa a ser fim em si mesmo.

É correto perceber da frase acima que

(A) os meios de transporte na região metropolitana são insuficientes para atender a toda a população que necessita deles.
(B) o objetivo maior dos transportes em São Paulo é sempre respeitado, apesar de certa demora nos deslocamentos de pessoas.
(C) o transporte público já é predominante na região metropolitana de São Paulo, por atender a um considerável número de pessoas.
(D) o transporte está inteiramente voltado para seu objetivo, o de facilitar o deslocamento de pessoas de um a outro lado da cidade.
(E) as condições de transporte assumem importância maior do que o devido na cidade de São Paulo, em razão dos prejuízos a que elas dão origem.

11. O autor do texto

(A) se vale de dados estatísticos para justificar suas observações críticas sobre a situação dos transportes em toda a região metropolitana.
(B) defende as determinações das autoridades públicas relativas ao trânsito de São Paulo, em razão da enorme extensão da cidade e sua população.
(C) denuncia as condições de trabalho dos profissionais envolvidos com o transporte, como os caminhoneiros, que não têm as horas necessárias ao descanso.
(D) chama a atenção para a retomada do transporte ferroviário, de custos menores, que ofereceria a melhor solução para o trânsito em São Paulo.
(E) considera a eficiência dos transportes públicos em São Paulo, contra a preferência por carros, em número cada vez maior na cidade.

12. A afirmativa correta, considerando-se o que diz o texto, é:

(A) Os dados obtidos em pesquisas sobre o trânsito paulistano nem sempre são utilizados com eficácia para resolver todos os problemas da região metropolitana.
(B) Os deslocamentos por automóvel nas ruas de São Paulo têm sido a melhor opção para os congestionamentos do trânsito, pelas facilidades trazidas pelo uso dos carros.
(C) As ruas de São Paulo devem sofrer intervenções do poder público para haver condições mais favoráveis à circulação dos veículos e das pessoas.
(D) Os números obtidos sobre as condições de transporte em São Paulo são assustadores, por não haver possibilidades de soluções nem a curto nem a longo prazo.
(E) O aumento no número de veículos nas ruas gera perdas significativas no transporte de pessoas e de mercadorias na Região Metropolitana de São Paulo.

13. Considere as afirmativas seguintes sobre os sinais de pontuação empregados no 4o parágrafo:

I. As aspas na palavra "útil" denotam um sentido diferente do habitual para seu emprego, chamando atenção para o tempo perdido no trânsito.
II. Os dois-pontos assinalam a introdução de um segmento que vem explicar a afirmativa imediatamente anterior.
III. Todo o comentário sobre o transporte ferroviário, isolado por travessões, deixa implícita uma observação crítica à predominância do transporte rodoviário em São Paulo.

Está correto o que consta em

(A) II, somente.
(B) I e II, somente.
(C) I e III, somente.
(D) II e III, somente.
(E) I, II e III.

14. O deslocamento de uma pessoa por automóvel consome 26 vezes mais energia ... (4o parágrafo)

A frase cujo verbo exige o mesmo tipo de complemento que o grifado acima é:

(A) ... porque nesse período a frota de carros particulares passou de 3,09 milhões para 3,60 milhões.
(B) Os veículos coletivos respondem por 55% do transporte e os automóveis, por 30%.
(C) E esse não é o único desperdício ...
(D) ... que, em média, têm 20 anos de uso, sem inspeção veicular ...
(E) ... que trabalham de 20 a 30 horas seguidas.

15. A concordância verbo-nominal está inteiramente correta na frase:

(A) Os meios de transporte na cidade de São Paulo ainda provoca insatisfação, especialmente em relação ao tempo que gasta as pessoas que dependem dele.
(B) Os deslocamentos em toda a região metropolitana está cada vez mais demorado, já que as ruas recebem todos os dias um número maior de carros.
(C) As preocupações de dirigentes em todo o mundo se volta para os problemas da emissão de poluentes que comprometem a saúde das pessoas.
(D) O rodízio de carros, que se instalaram há algum tempo na cidade, já deveriam ser revistos, pois tem dado poucos resultados satisfatórios.
(E) Além da perda de tempo precioso no trânsito, os pedestres estão sujeitos a respirar o ar poluído pelas emissões de gases tóxicos dos escapamentos dos veículos.

Atenção: As questões de números 16 a 20 baseiam-se no texto abaixo.

A narrativa bíblica da Torre de Babel conta que Deus se enfureceu ao notar que os homens sonhavam com o reino dos céus e construíam uma torre para alcançá-lo. Resolveu, então, puni-los por sua arrogância. Logo, cada um dos homens começou a falar uma língua diferente e, com a comunicação comprometida, a construção foi cancelada. Se na Bíblia a pluralidade linguística era uma condenação, para a história é uma bênção, pois mostra a riqueza da humanidade. Os idiomas guardam a alma de um povo, sua história, seus costumes e conhecimentos, passados de geração em geração.
O Atlas das línguas do mundo em perigo de desaparecer 2009, divulgado pela Unesco, contempla a situação de 155 países e divide os idiomas na categoria extinta
e em outras quatro de risco. Ele apresenta a situação de 190 línguas brasileiras, todas indígenas. Dessas, 12 desapareceram e as demais estão em risco. Segundo o americano Denny Moore, antropólogo, linguista colaborador do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e coordenador da área de linguística do Museu Emílio Goeldi, em Belém, o documento deixou de fora os dialetos de descendentes de imigrantes e de grupos afrobrasileiros por falta de dados sistematizados sobre eles estima-se que sejam 20 línguas. Para ele, as informações sobre o Brasil devem ser vistas com cautela muitas das línguas citadas são extremamente parecidas e
inteligíveis entre si e poderiam ser consideradas pelos lingüistas como o mesmo idioma.
Com o objetivo de entender melhor nosso universo linguístico, o Iphan montou o Grupo de Trabalho da Diversidade Linguística do Brasil (GTDL), que se dedica à criação de um inventário de línguas brasileiras. Hoje, o governo reconhece a importância de preservar esse patrimônio imaterial, mas nem sempre foi assim. Segundo historiadores, em 1500 eram faladas 1.078 línguas indígenas. Para colonizar o país e catequizar os
povos indígenas, os descobridores forçaram o aprendizado do português. Durante o governo Getúlio Vargas defendeu-se a nacionalização do ensino, e os idiomas falados por descendentes de estrangeiros simbolizavam falta de patriotismo. Por isso, caíram em desuso.
Mas por que as línguas desaparecem? Por diversos motivos, como a morte de seu último falante. Em tempos de globalização, é comum também que um idioma mais forte, com mais pessoas que o utilizam em grandes centros, sufoque um mais fraco.

(Cláudia Jordão. Istoé, 11/3/2009, pp.60-62, com adaptações)

16. É correto perceber no texto a

(A) dificuldade de especialistas em descobrir as razões do abandono de uma determinada língua por seus falantes.
(B) divergência entre a punição narrada na Bíblia e a visão do autor quanto à diversidade linguística.
(C) superioridade do poder divino diante da pretensão humana de superar as dificuldades rotineiras da vida.
(D) necessidade de um planejamento adequado para a realização de trabalhos que desafiam a capacidade humana.
(E) importância da participação de todos os envolvidos, como garantia de sucesso em qualquer atividade.

17. Segundo o especialista americano citado no texto,

(A) o grupo de trabalho montado pelo Iphan deve encontrar dificuldades em identificar as línguas de origem africana faladas no Brasil.
(B) as falhas observadas no Atlas da Unesco se justificam porque não se dispõe de registros escritos confiáveis das línguas indígenas.
(C) a sistematização das línguas de origem africana e de descendentes de estrangeiros, faladas no Brasil, deverá ocorrer em breve.
(D) o número exato de línguas faladas no Brasil, devido às semelhanças existentes entre algumas delas, precisa ainda ser revisto.
(E) o levantamento feito das línguas em extinção no mundo peca por falta de estudos mais específicos sobre esses idiomas.

18. Por isso, caíram em desuso. (3o parágrafo)

A expressão grifada na frase acima

(A) retoma as causas que resultaram na extinção de muitos falares indígenas e de idiomas estrangeiros no Brasil.
(B) faz a defesa de medidas restritivas a certos idiomas, tomadas em épocas diferentes por autoridades de governo.
(C) indica as condições em que ocorreu a extinção ou a diminuição do número de idiomas no território brasileiro.
(D) aponta consequências da dificuldade de entendimento entre falantes de línguas diferentes num mesmo território.
(E) salienta a finalidade principal da existência de múltiplas línguas, como garantia de preservação da história de um povo.

19. Hoje, o governo reconhece a importância de preservar esse patrimônio imaterial ... (3o parágrafo) A expressão grifada acima estabelece relação de sentido com a afirmativa de que:

(A) Logo, cada um dos homens começou a falar uma língua diferente e, com a comunicação comprometida, a construção foi cancelada.
(B) Os idiomas guardam a alma de um povo, sua história, seus costumes e conhecimentos, passados de geração em geração.
(C) ... o documento deixou de fora os dialetos de descendentes de imigrantes e de grupos afrobrasileiros por falta de dados sistematizados sobre eles...
(D) ... muitas das línguas citadas são extremamente parecidas e inteligíveis entre si e poderiam ser consideradas pelos linguistas como o mesmo idioma.
(E) Durante o governo Getúlio Vargas defendeu-se a nacionalização do ensino, e os idiomas falados por descendentes de estrangeiros simbolizavam falta de patriotismo.

20. ... estima-se que sejam 20 línguas. (2o parágrafo)

O verbo flexionado nos mesmos tempo e modo que o grifado acima está na frase:

(A) ... cada um dos homens começou a falar uma língua diferente...
(B) Se na Bíblia a pluralidade linguística era uma condenação...
(C) ... guardam a alma de um povo, sua história, seus costumes e conhecimentos...
(D) Por isso, caíram em desuso.
(E) ... que um idioma mais forte (...) sufoque um mais fraco.

GABARITO

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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Texto: "Calunga" - Jorge de Lima

Calunga


      As primeiras chuvas tinham feito poças ao redor da casa, tinham enchido os barreiros onde os sapos-cururus badernavam. Lula saiu com a lâmpada para ver os sapos cantar. Os seus passos possuíam essa orientação maravilhosa, meio trôpega mas certa, dos passos dos sonâmbulos. Os insetos despertados pela luz vieram rodar em torno da lâmpada. Vieram borboletas escuras, besouros, baratas-d’água, mosquitos. O homem estranho com sua lâmpada parecia ter um mundo luminoso na mão, em redor do qual uma população alada formigava. Parou à beira dum barreiro. A saparia espantada mergulhou na água suja. O coro esquisito ficou mudo de repente. O homem de alma mudada pela doença parou, esperando, sentado no chão frio.
      Estava imóvel como a superfície do barreiro. A lâmpada embaciada pelo hálito da noite entretinha agora uns poucos insetos fanáticos da luz. Tudo quieto, o primeiro cururu surgiu na margem, molhado, reluzente na semi-escuridade. Engoliu um mosquito, baixou a cabeçorra, tragou um cascudinho, mergulhou de novo e, bum-bum, soou uma nota soturna do concerto interrompido. Em poucos instantes o barreiro ficou sonoro como um convento de frades. Vozes roucas, foi-não-foi, tam-tans, bum-buns, choros, esgoelamentos finos de rãs, acompanhamentos profundos de sapos respondiam-se. Os bichos apareciam, mergulhavam, arrastavam-se nas margens, abriam grandes círculos na flor d’água. Lula estava realmente num outro mundo, que era o mundo noturno de sua ilha, confinado, sonoro, povoado de vozes e de seres que não se viam durante o dia. 
      Daí a pouco, dentro da bruta escuridão, surgiram dois olhos luminosos, fosforescentes como dois vaga-lumes. Um sapo-cururu grelou-os e ficou deslumbrado, com os olhos esbugalhados, presos naquela boniteza luminosa. Os dois olhos fosforescentes se aproximaram mais e mais, como dois pequenos holofotes na cabeça triangular da serpente. O sapo não se movia, fascinado. Sem dúvida queria fugir, previa o perigo porque emudecera mas já não podia andar, imobilizado, os olhos feíssimos, agarrados aos olhos luminosos e bonitos como um pecado. Num bote a cabeça triangular abocanhou a boca imunda do batráquio. Ele não podia fugir àquele beijo. A boca fina do réptil arreganhou-se desmesuradamente, envolveu o sapo até os olhos. Ele se baixava dócil, entregando-se à morte tentadora, apenas agitando docemente as patas sem provocar nenhuma reação ao sacrifício. A barriga disforme e negra desapareceu na goela dilatada da cobra. E num minuto as perninhas do cururu lá se foram ainda vivas para as entranhas famintas. O coro imenso continuava sem dar fé do que acontecia a um dos seus cantores. Surgiu uma outra cobra e segurou outro compadre sapo, deglutia-o porém com protestos apenas suaves do bicho que gemia uma coisa diferente de seu bum-bum habitual, agora mais canto, com uns tons de resignação diante da força do mais poderoso.

(Jorge de Lima, trecho do romance "Calunga")

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ALPHONSUS DE GUIMARAENS – O SOLITÁRIO DE MARIANA

ALPHONSUS DE GUIMARAENS – O SOLITÁRIO DE MARIANA

- Nasceu em Ouro Preto (MG), em 1870, e faleceu em Mariana (MG), em 1921.
- Formou-se em Direito, trabalhando posteriormente como juiz na cidade de Mariana, onde ficaria até a sua morte. Recebeu o apelido de “O solitário de Mariana” devido ao estado de isolamento a qual se submeteu quando lá viveu.
- Foi um dos maiores poetas do Simbolismo brasileiro.
- Típico representante simbolista, tendo em sua poesia as características marcantes dessa escola literária: o misticismo, a sugestividade, a musicalidade, os aspectos vagos e nebulosos, a sonoridade, a espiritualidade.
- Entre seus temas preferidos figuram a morte da mulher amada, o amor, a morte, a solidão e a melancolia.
- Entre seus poemas mais famosos estão “Ismália” e “Hão de chorar por ela os cinamonos”, este feito em honra à sua falecida ex-noiva e prima Constança,
- É considerado o mais místico dos poetas simbolistas.

O poeta e professor Péricles Eugênio da Silva Ramos assim definia Alphonsus de Guimaraens:

"Sua poesia, dolorida e sepulcral, dá testemunho de um artista consciente, que se impressionou, para a vida e para a morte, com a perda de sua prima e noiva, Constança.
Lê-lo é ver uma cruz coberta com os panos roxos da Semana Santa, mas também contemplar o céu aberto num luar de lírios e de arcanjos”.

Os modernistas tinham profunda admiração pelo poeta. Mário de Andrade o visitou em Mariana, em 1919, e escreveu um artigo em que lamentava o claustro e o quase esquecimento do poeta:

“Não haverá no Brasil um editor que lhes agasalhe os poemas, tirando-os da escuridão? Não existirá a piedade dum povo bandeirante que vá descobrir nas Minas Gerais essa mina de diamantes castiços e lapidados, e deslumbre os da nossa raça com os tesoiros que Alphonsus guarda junto de si? Onde? quando o abre-te Sésamo dessa gruta encantada? ...”

Quando de sua morte, em 1921, mesmo o mais radical dos modernistas, Oswald de Andrade, reconhece a grandeza do poeta:

“Hoje que uma estuante geração paulista quebra nas mãos a urupuca de taquara dos versos medidos, a figura de Alphonsus de Guimaraens assume a sua inteira grandeza no movimento da boa arte nacional (...). A reação por ele iniciada contra a incultura e o atraso dos nossos principais poetas está sendo rigorosamente continuada (...). Poetas como ele honram não só uma geração como uma pátria.”

E ainda Manuel Bandeira, na década de 50, por ocasião da data de nascimento do poeta, escreve:

“Se fosse vivo, completaria hoje setenta e três anos. Se fosse vivo... Em verdade vivo ele está e cada vez mais no afeto e na admiração de todos os brasileiros”.



"Ismália", ilustração de Odilon Moraes
Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus de Guimaraens)

                        Saudade

Uma mulher que por amar soluça,
Na torre da minha alma se debruça.

E despenha-se o luar na encosta do monte,
            Tranquilamente, como uma fonte.

            Dois ou três demônios familiares
Passam cantando, para voar logo após pelos ares.

E despenha-se o luar pela encosta do monte.
O monte fica defronte
Da torre da minha alma onde soluça
Essa mulher: e quando o sol entre as nuvens se embuça,
            Nas horas mortas dos crepúsculos tão vagos,
De azul, vestida como o céu, como o céu misteriosa,
            Ela abre os olhos imortais, como dois lagos...
            Virgem Piedosa !

E os sonhos passam, cisnes que  não cantam mais,
            No infinito dos seus olhos imortais,
            Abertos para a eternidade...

Pobre mulher, pobre Saudade!

(Alphonsus de Guimaraens)

Em teu louvor, Senhora, estes meus versos,
E a minha alma aos teus pés para cantar-te,
E os meus olhos mortais, em dor imersos,
Para seguir-te o vulto em toda a parte.

(Alphonsus de Guimaraens)

Árias e Canções

A suave castelã das horas mortas
Assoma à torre do castelo. As portas,

Que o rubro ocaso em onda ensanguentara,
Brilham do luar à luz celeste e clara.

Como em órbitas de fatias caveiras
Olhos que fossem de defuntas freiras,

Os astros morrem pelo céu pressago...
São como círios a tombar num lago.

E o céu, diante de mim, todo escurece...
E eu que nem sei de cor uma só prece!

Pobre alma, que me queres, que me queres?
São assim todas, todas as mulheres.

(Alphonsus de Guimaraens)

Cantem outros a clara cor virente

Cantem outros a clara cor virente
Do bosque em flor e a luz do dia eterno...
Envoltos nos clarões fulvos do oriente,
Cantem a primavera: eu canto o inverno.

Para muitos o imoto céu clemente
É um manto de carinho suave e terno:
Cantam a vida, e nenhum deles sente
Que decantando vai o próprio inferno.

Cantem esta mansão, onde entre prantos
Cada um espera o sepulcral punhado
De úmido pó que há de abafar-lhe os cantos...

Cada um de nós é a bússola sem norte.
Sempre o presente pior do que o passado.
Cantem outros a vida: eu canto a morte...

(Alphonsus de Guimaraens)

Hão de Chorar por Ela os Cinamomos...

Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria.. . "
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"


(Alphonsus de Guimaraens)


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