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sábado, 31 de maio de 2014

Tema de Redação - UFG - 2007

Tema de Redação - UFG - 2007

Instruções

            A prova de redação apresenta três propostas de construção textual. Para produzir o seu texto, você deve escolher um dos gêneros indicados abaixo:
            A – artigo de opinião
            B – fábula
            C – carta pessoal
            O tema é único para os três gêneros e deve ser desenvolvido segundo a proposta escolhida.
            A fuga do tema anula a redação. A leitura da coletânea é obrigatória. Ao utilizá-la, você não deve copiar trechos ou frases sem que essa transcrição esteja a serviço do seu texto.
            Independentemente do gênero escolhido, o seu texto não deve ser assinado.

Tema: Há padrões para ser feliz?

Coletânea

Felicidade não tem preço

Eu sonhei com um pote de ouro/ Meu lindo tesouro/ Pobreza nunca mais/ Sonho de menino, virei um grã-fino!
De quina pra Lua estou em cartaz/ O jogo da vida aprendi a ganhar/ Adeus pindaíba, chega de chorar!
Oh! Felicidade me diz o teu preço/ Eu sei que mereço e posso pagar
Bem-me-quer meu bem querer!/ Vou comprar seu coração/ Tô pagando por um beijo/ Saciando meu desejo no baú da ilusão
Sou o dono do mundo/ Meu tempo é dinheiro, eu quero investir/ Nessa ciranda onde a grana fala alto
Lá no céu tô perdoado, já paguei sem refletir/ Mas a realidade da desigualdade/ Me faz despertar
Não quero essa falsa alegria/ Chega de hipocrisia, pois a vida é muito mais
A felicidade não tem preço/ Hoje reconheço que a riqueza se desfaz!
Eu quero é viver, a vida gozar!/ Saber ser feliz e aproveitar
Rocinha encanta e mostra a verdade/ Dinheiro não compra a felicidade

ACADÊMICOS DA ROCINHA. Samba enredo 1990. Disponível em: <www. musicas.mus.br/letras> Acesso em: 6 nov. 2006.

[...] Para Aristóteles, a causa final do homem, seu objetivo supremo é a felicidade. Ela não é um forte prazer que se esvai logo em seguida; ao contrário, deve ser algo perene e tranquilo, sem excessos, pois o excesso faz com que uma boa ação torne-se seu oposto. Uma pessoa amável em demasia, por exemplo, não passa de um incômodo bajulador. Atingir a felicidade depende então de uma conduta moral moderada, sem excesso, baseada no que Aristóteles denomina “meio-termo”. Tal conduta deve ser forjada pelo hábito, de modo análogo ao atleta que se forma por repetidos exercícios. Habituar-se a uma boa conduta é ter bons costumes, e isso vale muito mais do que praticar uma série de ações isoladas. Tal hábito é adquirido, sobretudo, pelo exercício do intelecto, que no campo moral, aspira ao que é razoável. A felicidade, em suma, obtém-se por meio da vida contemplativa, uma vida intelectual sossegada, longe das perturbações do cotidiano. [...] Em o Sistema da Natureza, Paul Heinrich Thiry, barão de Holbach, defende teses materialistas: as matérias distinguem-se umas das outras por propriedades qualitativamente diferentes, e compõem todos os seres, cuja série ordenada é a natureza.
Em tal série não há nenhuma causa final – mera superstição inventada por sacerdotes –, e se os homens buscam certos valores como fim é porque desejam o prazer e rejeitam a dor. Para Holbach, a religião, que impede a realização do prazer, é antinatural; o que importa é, contra isso, reorganizar e reformar a sociedade de tal maneira que cada um possa sentir prazer em desejar o bem estar dos outros.

HISTÓRIA DA FILOSOFIA. São Paulo: Nova Cultural, 2004. p. 63 e 268. (Coleção Os Pensadores). [Adaptado].

A felicidade começa no cérebro. Faça algo bem feito, receba um agrado ou um carinho ou ache graça em uma piada, e seu sistema de recompensa se encarrega de fazer com que as regiões do cérebro que cuidam de movimentos automáticos – aqueles que fazemos sem precisar pensar – estampem um belo sorriso em seu rosto. A neurociência explica: um trabalho recente mostrou que o sorriso genuíno já basta para ativar o córtex da insula, região do cérebro que nos dá sensações subjetivas como a do bem-estar. Ver alguém sorrir também funciona. Um sorriso no rosto de quem fala com você aciona as mesmas áreas do cérebro responsáveis pelo seu próprio sorriso. [...] É como se ver alguém sorrindo bastasse para você se sentir sorrindo por dentro também. Uma vez que seu cérebro repete por dentro o sorriso que ele vê por fora, o bem-estar do outro é contagiante. Felicidade gera felicidade: ela passa de um cérebro para o próximo por meio do sorriso.

HERCULANO – HOUZEL, Suzana. A beleza do sorriso. Folha de S. Paulo, São Paulo,17 ago. 2006, p. 5. Equilíbrio [Adaptado].

Em respostas obtidas na pesquisa do Datafolha, 76% dizem-se felizes e 22% se dizem mais ou menos felizes, e comparando os números aos obtidos quando tinham de falar da felicidade dos outros, ficamos surpresos com a diferença. Só 28% dos entrevistados vêem felicidade na vida desses outros, e 55% os acham mais ou menos felizes. Pode parecer paradoxal, mas não é absurdo. Quando falo da minha felicidade, falo de esperança e futuro. Quando falo dos outros, idealizo menos.

MAUTNER, Ana Verônica. Felicidade vai-se embora. Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 set. 2006, p. C1.

Com este objetivo de medir o grau de felicidade de uma população, a New Economics Foundation (NEF), em parceria com a organização ambiental Friends of the Earth, decidiu criar um ranking diferente: o índice Planeta Feliz (IPF). No total, 178 países se classificaram a partir de um critério curioso: a comparação entre a expectativa de vida, o sentimento de alegria na população e quantidade de recursos naturais consumidos no País. [...] O primeiro lugar, ficou com o desconhecido Vanuatu, um arquipélago no Oceano Pacífico, formado por 83 ilhas e com uma população total de 211 mil habitantes, que vivem da pesca, agricultura e de um turismo ainda pouco explorado. Para estar no topo do IPF, os vanuatenses preservam suas praias e florestas e se declaram satisfeitos com a própria vida. Inversamente, os países mais ricos do mundo, como Estados Unidos (150o) e França (129o) ocupam as últimas posições devido ao consumismo desenfreado de sua população, que destrói o ambiente e não é capaz de deixar seus cidadãos felizes. O Brasil ocupa a 63o colocação, coincidentemente a mesma posição em que está no ranking de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU).

Felicidade: é realmente possível atingi-la. Filosofia, ciência e vida. São Paulo: Escala, ano 1, n. 2, 2006. p. 36.[Adaptado].

Os manuais de autoajuda são exemplos de tirania. De pequenas tiranias consumidas por escravos dóceis e fiéis que acreditam em dois equívocos. O primeiro é conhecido: não existe manual de autoajuda que não apresente o infortúnio como um elemento estranho à condição humana. A tristeza é uma anormalidade, dizem. O fracasso não existe e, quando existe, deve ser imediatamente apagado, ordenam. Na sapiência dos manuais, a infelicidade não é um fato; é uma vergonha e uma proibição. O que implica o seu inverso: se a infelicidade é uma proibição, a felicidade é obrigatória por natureza. Obrigatória e radicalmente individual. Ela não depende da sorte, da contingência e da ação de terceiros: daqueles que fazem, e tantas vezes desfazem, o que somos e não somos. Depende, exclusiva, e infantilmente, de nós.

COUTINHO, João Pereira. O direito à infelicidade. Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 ago. 2006, p. E2.

Daniel Gilbert, professor de psicologia da Universidade de Harvard, levanta uma bela questão: estamos apostando todas as nossas fichas em lugares errados na tentativa de sermos felizes. Fazemos planos de comprar uma casa, ter filhos, ganhar mais dinheiro, ser mais reconhecidos profissionalmente, uma série de outros projetos que, para ele, não serão necessariamente sinônimo de felicidade no futuro. Gilbert propõe o seguinte exercício: “Pense que você só tem mais 10 minutos de vida. O que faria com esse tempo?” [...] Imagine quais seriam suas respostas – segundo Gilbert, elas vão retratar exatamente tudo o que você dá valor hoje em dia. É de arrepiar.

SGARIONI, Marina. A tal felicidade. Emoção e inteligência. São Paulo: Abril. n. 9, 2006. p. 61. [Adaptado].

Gilbert descarta rapidamente a ideia de que os antigos têm o monopólio sobre a sabedoria com relação à felicidade, em parte porque as vidas deles eram fundamentalmente diferentes das nossas. Como diz, nós raramente pensamos sobre o fato de que quase todos nós temos três grandes decisões a tomar: onde viver, o que fazer, e com quem casar. Mas estamos entre os primeiros seres humanos a exercer esse direito de escolha. Ao longo da maior parte da história documentada, as pessoas viviam na região em que nasciam, faziam o que seus pais faziam, e se casavam de acordo com suas religiões, castas ou por influência da geografia. [...] As revoluções agrícola, industrial e tecnológica deflagraram uma explosão de liberdade pessoal que nossos ancestrais nunca exerceram e, como diz Gilbert, “pela primeira vez a felicidade está em nossas mãos”. [...] De modo semelhante, continuamos a nos esforçar para adquirir carros maiores ou amantes melhores, mesmo quando a experiência nos ensina que nos adaptaremos rapidamente aos novos encantos e que eles não nos tornarão mais felizes. “Os psicólogos definem esse processo como ‘habituação’, os economistas empregam o termo ‘utilidade marginal declinante’ e o resto de nós usa a palavra ‘casamento’”, diz Gilbert. [...] Os pesquisadores acreditam que entre 50% e 80% da variação entre os diferentes médios níveis de felicidade que as pessoas ostentam pode ser explicada pelos seus genes, e não pelas experiências de vida pelas quais elas passam.

CLARK, Pilita. A felicidade não se compra. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 ago. 2006, p. 4-5. Mais! [Adaptado].

Propostas de redação

A — ARTIGO DE OPINIÃO

            O artigo de opinião é um texto escrito para ser publicado em jornais e revistas, e traz reflexões a respeito de um tema atual de interesse do grande público. Nesse gênero, o autor desenvolve um ponto de vista a respeito do tema com argumentos sustentados por informações e opiniões que se complementam ou se opõem. No texto, predominam sequências expositivo-argumentativas.
            Escreva um artigo de opinião para um jornal local, discutindo a necessidade e a imposição de um padrão de felicidade. Defenda seu ponto de vista, apresentando argumentos que o sustentem e que possam refutar outros pontos de vista.

B — FÁBULA

            A fábula é uma narrativa ficcional curta cuja mensagem pode ser sintetizada em uma moral no final do texto, ou seja, um ensinamento encerra uma lição. Suas personagens, geralmente animais, representam características e sentimentos humanos e é comum o diálogo entre elas.
            Escreva uma fábula em que as personagens (animais) vivam um conflito ao saberem que só têm uma semana de vida. A história que você vai criar deve apresentar as personagens vivendo o drama da busca pela felicidade nos seus últimos momentos de existência. Isso deve ser evidenciado por meio de ações, convicções, comportamentos, relacionamentos e desejos das personagens. A moral da história deve transmitir um ensinamento a respeito do que significa ser feliz.

C – CARTA PESSOAL

            A carta pessoal é um gênero utilizado para comunicar a amigos ou familiares notícias ou assuntos de interesse comum, de forma mais longa e detalhada.
            Imagine que você seja um jornalista em viagem pelo arquipélago de Vanuatu e decide morar definitivamente naquele lugar. Escreva uma carta a algum familiar ou amigo, comunicando a sua decisão. Argumente em favor de sua escolha, procurando convencer o seu interlocutor de que naquele lugar, entre os muitos que já conheceu como correspondente internacional, você encontrou verdadeiras razões para ser feliz. Para escrever sua carta, considere as características interlocutivas próprias desse gênero.

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