Seguidores

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2010

PROVA DE LÍNGUA PORTUGUESA - UERJ - 2010

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 1 a 5.

FILME

Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. Cinema era coisa que
ele adorava, sempre sonhara em se tornar cineasta; não o conseguira, claro, mas queria que a
filha partilhasse sua paixão, com o que se sentiria, de certa forma, indenizado pelo destino. Uma
responsabilidade que só fazia aumentar o verdadeiro terror que Berenice sentia quando se aproximava
05 o sábado, dia que habitualmente o pai, homem muito ocupado, escolhia para a sessão cinematográfica
semanal. À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa;
e quando o pai, chegado o sábado, finalmente lhe dizia, está na hora, vamos, ela frequentemente se
punha a chorar e mais de uma vez caíra de joelhos diante dele, suplicando, não, papai, por favor, não
faça isso comigo. Mas o pai, que era um homem enérgico e além disso julgava ter o direito de exigir
10 da filha que o acompanhasse (viúvo desde há muito, criara Berenice sozinho e com muito sacrifício),
mostrava-se intransigente: não tem nada disso, você vai me acompanhar. E ela o fazia, em meio a
intenso sofrimento.
Por fim, aprendeu a se proteger. Ia ao cinema, sim. Mas antes que o filme começasse, corria ao
banheiro, colocava cera nos ouvidos. Voltava ao lugar, e mal as luzes se apagavam cerrava firmemente
15 os olhos, mantendo-os assim durante toda a sessão. O pai, encantado com o filme, de nada se
apercebia; tudo o que fazia era perguntar a opinião de Berenice, que respondia, numa voz neutra
mas firme:
- Gostei. Gostei muito.
Era de outro filme que estava falando, naturalmente. Um filme que o pai nunca veria.

MOACYR SCLIAR - In: Contos reunidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

Questão 01  - Em certo momento do texto, percebe-se a introdução da fala das personagens mesclada à fala do narrador. A presença do diálogo nesta narrativa tem como principal efeito:

(A) marcar a aceleração do tempo
(B) evidenciar o conflito entre as personagens
(C) promover a alternância do foco narrativo
(D) assinalar a sequenciação dos elementos do enredo

Questão 02 - Berenice não gostava de ir ao cinema, de modo que o pai a levava à força. (l. 1)
O período acima pode ser reescrito, mantendo-se seu sentido original, da seguinte forma:

(A) Como Berenice não gostava de ir ao cinema, o pai a levava à força.
(B) Quando Berenice não gostava de ir ao cinema, o pai a levava à força.
(C) Enquanto o pai a levava à força, Berenice não gostava de ir ao cinema.
(D) À proporção que o pai a levava à força, Berenice não gostava de ir ao cinema.

Questão 03 - Por fim, aprendeu a se proteger. (l. 13)
A forma de proteção desenvolvida por Berenice reforça um traço temático central do texto.
A palavra que melhor define esse traço é:

(A) submissão
(B) intolerância
(C) dissimulação
(D) incomunicabilidade

Questão 04 - À medida que se aproximava o dia fatídico, ela ia ficando cada vez mais agitada e nervosa; (l. 6) A expressão grifada contribui para a construção da tensão narrativa, porque está relacionada com:

(A) a passagem do tempo
(B) a complicação crescente
(C) o desfecho surpreendente
(D) a evolução da personagem

Questão 05 - Era de outro filme que estava falando, naturalmente. (l. 19) Neste trecho, o termo em destaque cumpre a função de:

(A) afirmar ponto de vista
(B) projetar ideia de modo
(C) revelar sentimento oculto
(D) expressar sentido reiterativo

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 6 a 8.

www2.uol.com.br/laerte/tiras/overman

Questão 06 - No contexto, a comparação entre o primeiro e o último quadrinho produz humor. A produção de humor se deve ao seguinte recurso:

(A) destaque de uma situação embaraçosa
(B) demonstração de uma atitude caricatural
(C) desconstrução de uma expectativa do leitor
(D) negação de uma característica do personagem

Questão 07 - ... mal posso acreditar que acabo de inventá-la! Tendo em vista o conjunto dos efeitos verbais e não verbais expressos no último quadrinho, pode-se dizer que o conectivo mal contribui para exprimir sentido de:

(A) horror e descrença
(B) dor e desesperança
(C) surpresa e desencanto
(D) constatação e desespero

Questão 08 - Para melhor compreensão da tira, o leitor precisa reconhecer alguns elementos implícitos. O fragmento que torna mais evidente essa necessidade é:

(A) “Minha inimiga mais terrível... a LOUVA DEUSA!”
(B) “Uma assassina fria e cruel!”
(C) “... os que sobrevivem ao seu ataque... têm inveja dos que morrem!”
(D) “... seus poderes são sobre-humanos!!”

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 9 A 13.

Existe sempre um conceito por trás do que faço, só que nem sempre a montagem se completa. Os
conceitos se escondem no subconsciente. Ziguezagues que atordoam.
Quando o xadrez funciona, o conceito é formado por encaixes eliminando a importância exagerada que
poderia ser dada a certas fotos mais formais.
Não são acasos felizes, pois, desde o começo de um projeto, uma ideia já existe; apenas ela é flexível e
se deixa impregnar pela existência das pessoas fotografadas. O interessante é fazer a matéria externa
vibrar em toda sua força de maneira que seja espelho de minhas intenções, sem deixar de ser espelho
da vida. CORAÇÃO ESPELHO DA CARNE.
Edward Weston diz nos “Notebooks” que “a câmera deve ser usada para documentar a vida”. Documentar
no sentido íntegro, não o bater chapa automático de algum acontecimento mais importante histórico
ou socialmente, porém o documento de vida. Diria que revelar essa vida, essa força, é o essencial,
pois de qualquer forma documento sempre será a foto tomada. Ele continua: “rendendo a verdadeira
substância da coisa em si, seja ela aço polido ou carne palpitante”.

MIGUEL RIO BRANCO (fotógrafo) - Notes on the tides. Rio de Janeiro: Sol Gráfica , 2006.

Questão 09 - de maneira que seja espelho de minhas intenções, sem deixar de ser espelho da vida. (l. 7-8). O significado essencial do fragmento destacado acima também pode ser observado em:

(A) Os conceitos se escondem no subconsciente. (l. 1-2)
(B) Quando o xadrez funciona, o conceito é formado por encaixes (l. 3)
(C) pois, desde o começo de um projeto, uma ideia já existe; (l. 5)
(D) e se deixa impregnar pela existência das pessoas fotografadas. (l. 5-6)

Questão 10 - O autor afirma que o processo da criação artística parte de um conceito. No texto, o sentido dado à palavra “conceito” se opõe a:

(A) subconsciente (l. 2)    (B) fotos (l. 4)    (C) acasos (l. 5)    (D) pessoas (l. 6)

Questão 11 -  “rendendo a verdadeira substância da coisa em si, seja ela aço polido ou carne palpitante”. (l. 12-13) O emprego do conectivo grifado, no contexto, explica-se porque:

(A) revela ideias excludentes entre si
(B) expressa fatos em sequência cronológica
(C) representa acontecimentos em simultaneidade
(D) enfatiza a existência de mais de uma alternativa

Questão 12 - Existe sempre um conceito por trás do que faço, só que nem sempre a montagem se completa. (l. 1) Em relação ao que foi dito anteriormente, o uso da expressão destacada tem o valor de:

(A) realce     (B) ressalva     (C) exclusão     (D) contestação

Questão 13 - O texto apresenta algumas figuras de estilo, como, por exemplo, a metáfora. O par de vocábulos com emprego metafórico está indicado em:

(A) ziguezagues (l. 2) - xadrez (l. 3)
(B) subconsciente (l. 2) - espelho (l. 7)
(C) matéria (l. 6) - carne (l. 8)
(D) substância (l. 13) - aço (l. 13)

COM BASE NO TEXTO ABAIXO, RESPONDA ÀS QUESTÕES DE NÚMEROS 14 e 15.

Não-coisa

O que o poeta quer dizer
no discurso não cabe
e se o diz é pra saber
o que ainda não sabe.
Uma fruta uma flor
um odor que relume...
Como dizer o sabor,
seu clarão seu perfume?
Como enfim traduzir
na lógica do ouvido
o que na coisa é coisa
e que não tem sentido?
A linguagem dispõe
de conceitos, de nomes
mas o gosto da fruta
só o sabes se a comes
(...)
No entanto, o poeta
desafia o impossível
e tenta no poema
dizer o indizível:
subverte a sintaxe
implode a fala, ousa
incutir na linguagem
densidade de coisa
sem permitir, porém,
que perca a transparência
já que a coisa é fechada
à humana consciência.
O que o poeta faz
mais do que mencioná-la
é torná-la aparência
pura – e iluminá-la.
Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,
a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
– essa voz somos nós.

Ferreira Gullar - Cadernos de literatura brasileira. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 1998.

Questão 14 - A primeira estrofe expõe ideias no campo da metalinguagem, já que apresenta concepções acerca da própria linguagem poética. Os versos que mais se aproximam dessas ideias são:

(A) Uma fruta uma flor / um odor que relume... (l. 5-6)
(B) sem permitir, porém, / que perca a transparência (l. 25-26)
(C) é torná-la aparência / pura - e iluminá-la. (l. 31-32)
(D) Toda coisa tem peso: / uma noite em seu centro. (l. 33-34)

Questão 15 - O poema sugere que o saber está relacionado à experiência. Essa relação encontra-se expressa principalmente nos seguintes versos:

(A) Como dizer o sabor, / seu clarão seu perfume? (l. 7-8)
(B) A linguagem dispõe / de conceitos, de nomes (l. 13-14)
(C) mas o gosto da fruta / só o sabes se a comes (l. 15-16)
(D) já que a coisa é fechada / à humana consciência. (l. 27-28)


Leia também:

Nenhum comentário:

Postar um comentário